segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Marta Suplicy e Fernando Haddad, candidata da militância versus o nome de Lula

Em relação a quem vai ser o candidato do PT nas eleições municipais em São Paulo em 2012, a sorte está lançada em forma de uma dicotomia. A disputa já é aberta entre a ex-prefeita Marta Suplicy e o ministro Fernando Haddad (Educação).

A dicotomia se configura entre uma liderança popular, consolidada, que já governou a cidade, e um nome novo num cenário de tal dimensão, uma incógnita eleitoral. Enquanto Haddad é o preferido de Lula, ou pelo menos é tratado como tal no momento, Marta já leva a batalha por sua escolha a campo aberto, seja em âmbito interno, dentro do partido, seja pela imprensa.

Timidez x agressividade

Tímido, Haddad não tem iniciativa alguma em se colocar de maneira agressiva na disputa, enquanto Marta não esconde que vai até o fim pela candidatura. No último dia 6, em entrevista a O Estado de S. Paulo, a ex-prefeita não deixou nenhuma dúvida disso. Perguntada sobre se a opção de Lula por uma “cara nova” incomoda, ela não se fez de rogada: “O Lula tem toda razão nessa ideia da cara nova, porque São Paulo teve suas grandes lideranças ceifadas”, disse, citando José Dirceu e Palocci, para em seguida manifestar claramente. “Entendo e respeito a ideia de uma pessoa nova, mas acredito que o mais importante é termos uma pessoa com condição de ganhar e fazer bem para São Paulo. Uma pessoa que agregue forças”.

A ex-prefeita continuou: “Se tem uma candidatura que já sai com 30% dos votos, que tem 18% de rejeição, o que não é alto no contexto, e que tem uma obra para mostrar, você não põe essa candidatura fora e tenta criar um nome que está lá (no Ministério da Educação) há sete anos e tem 3% na pesquisa. Na política funciona bastante o que é natural”. Como se vê, Marta é bastante explícita quanto à percepção, não só dela, de que com Haddad não haverá vitória.

Questionada sobre um dos principais argumentos contra sua candidatura, a rejeição, Marta Suplicy continuou sendo direta: “Quem não tem importância não tem rejeição”.

Enquanto isso, o mesmo Estadão deu hoje entrevista de página inteira com Haddad. As palavras “eleição”, “2012”, “Lula”, “candidatura” ou “candidato” não aparecem sequer uma única vez em toda a entrevista, nem por iniciativa dos jornalistas, nem dele próprio, Haddad. O tema único foi educação.

A militância se identifica mais com Marta, evidentemente. Não sei se para o PT será bom que a vontade de Lula seja quase irrevogável e onipotente, sempre. A queda do ministro Nelson Jobim (leia aqui) parece ter demonstrado isso.

6 comentários:

Nicolau disse...

Eu sou completamente fã da Marta, melhor prefeita que já vi. Mas concordo com quem aponta a rejeição como um problema no caso dela. Acontece que ainda não está claro quem será o candidato da direita em SP. Não existe um nome de consenso, que galvanize o campo de lá. Fora Serra, que ninguém sabe ainda o que fará, até porque aparentemente Alckmin aguarda ansioso a chance de devolver a escanteada que levou em favor de Kassab em 2008 na eleição para a capital. Se assim for, um nome forte como Marta é interessante na perspectiva de jogar pesado e levar. Se Serra vem forte, com apoio de fato de Alckmin, é difícil tirar do cara. Aí, pode ser o caso de uma cara nova, com chance de arrancada, mas preparado para perder e acumular experiência. Contra um nome forte, uma candidata com um piso alto, mas que também tem teto, pode não resolver.

Edu Maretti disse...


É, Nicolau, a situação do "lado de lá" está ainda meio imprevisível, como você bem disse.

Seja como for, também acho que “quem não tem importância não tem rejeição”, como disse a Marta.

A questão é que "perder e acumular experiência" não vai adiantar nada para a cidade, que Kassab parece ter de fato colocado à venda (http://fatosetc.blogspot.com/2011/08/sao-paulo-venda.html). São Paulo sofre os efeitos de uma gestão abominável sob todos os aspectos.

E já ouvi conversas informais e até análises publicadas que podem ser traduzidas por essa questão: "E se ele [Lula] realmente pretende lançar um candidato azarão, na medida certa para perder? E se seu objetivo for propiciar a vitória de Gabriel Chalita, do PMDB de Michel Temer, para obter, em troca, o apoio dos dois para um candidato do PT ao governo do Estado em 2014?" (http://fatosnovosnovasideias.wordpress.com/coisasdapolitica/)

São apenas conjecturas, mas suponha, apenas suponha, que haja alguma verdade nisso... Eu prefiro acreditar que não, mas...

Eu acho que tem que sair com Marta, tentar "jogar pesado e [pelo menos tentar] levar". Não é possível que a direita governe o Estado e a cidade de São Paulo para sempre. Está ficando insuportável.

Felipe Cabañas da Silva disse...

Sou mais Marta. Alguém precisa lançar uma ofensiva pesada para defenestrar o demo-tucanato do controle de São Paulo...

Nicolau disse...

A gestão Kassab é realmente um negócio horroroso. Não se trata apenas de um prefeito ruim, que seria o caso de um omisso ou preguiçoso. Mas de um ativo privatizador, vendilhão do próprio espaço da cidade - e mesmo das propriedades de alguns de seus moradores, como mostra a operação urbana na Luz, em que empresas privadas recebem poder de desapropriação. Acho que esse governo fortalece uma candidatura de outro campo político, no caso o PT. E ninguém melhor para encarnar o modo petista de governar São Paulo do que a Marta.
Mas meu medo é que ela já perdeu duas eleições seguidas, uma delas disputando reeleição e a outra para um ainda pouco conhecido Kassab. Será que a tal rejeição já não limitou suas pretensões para cargos majoritários na capital?
Mas enfim, o esquema é ver o que funciona melhor para retomar a prefeitura - e as ótimas políticas do governo Marta, com foco nos mais pobres. Se a solução for a dona Marta, do PT, como frisava o derrotado Maluf em 2000, brigarei com mais ânimo nos taxis e botecos por aí.
Sobre essa possibilidade de abrir caminho para Chalita, bato na madeira três vezes e rezarei a São Mussum para que mantenha essas ideias longe da cabeça do barba - onde, prefiro também crer, ainda não entraram, rs.

Paulo M disse...

A rejeição dos paulistanos, pra mim, é muito mais com o PT do que com a Marta. Acontece que ela tem sido a candidata do partido à prefeitura de São Paulo faz tempo. Nas últimas eleições, em 2008, as primeiras pesquisas para o segundo turno mostravam a Marta ganhando fácil na periferia, onde depois, em 20 dias, ela foi surpreendida por uma votação superior do nosso atual prefeito. A população de São Paulo é vulnerável a mentiras de publicidade colorida e promessas jogadas ao vento. Acho que o Lula deveria apoiá-la, ela conhece São Paulo e tem estrela. Tem muita chance de vencer. O PT, em São Paulo, tem de caprichar mais na hora da cobrança dos pênaltis, na hora de convencer o povo, no segundo turno, de que a Marta é o melhor pra cidade. Sou muito mais a Marta.

Olavo Soares disse...

Acho que a Marta não é uma candidata boa, em termos eleitorais, pelo aspecto da rejeição já mencionada. Dela própria e do PT como um todo. Lembremos que ela ganhou a eleição para o senado em segundo lugar, perdendo para um até três dias antes desconhecido Aloísio Nunes. O que mostra que a população paulista/paulistana, via de regra, pensa em votar no oposto do PT, seja quem for.

E aí um comentário mais individual meu do que qualquer outra coisa: como eleitor da Marta (votei nela para o Senado), ficaria de certo modo chateado se ela deixasse o Congresso para administrar a prefeitura paulistana. Gosto do estilo dela e quero gente como ela lá. Até porque, se ela sair, quem fica com o cargo é o Antonio Carlos Rodrigues. São Paulo merece mais.