terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
O nome do samba é Mangueira
A Mangueira falou de si mesma e do samba. "Eu sou o samba/ A voz do morro", no enredo Vou Festejar! Sou Cacique, Sou Mangueira.
Egocêntrica, digamos assim, e grandiosa. Como numa proposta modernista, não defendeu causas a não ser a da arte pela arte, do samba pelo samba.
Eu - e acho que ninguém - nunca tinha visto uma escola silenciar a bateria dessa maneira. Como se o coração da escola parasse para que seu espírito se fundisse às arquibancadas, como numa espécie de samba-enredo à capela ressoando em milhares de vozes. A Mangueira tem esse caráter espiritual.
Tão impressionante que até a tagarelice dos globais Luís Roberto e Glenda Kozlowski emudeceu. Infelizmente, quando a bateria retomou eles voltaram a falar.
Se emocionou até a mim, na sala de minha casa, imagino quem estava na avenida. O cara que postou o vídeo abaixo no You Tube comentou o seguinte: "A história do desfile das escolas de samba pode ser agora dividida em antes e depois do desfile da Mangueira de 2012".
É possível.
Não retiro o que disse no post anterior (abaixo), que, pelos enredos, ficaria feliz se a campeã fosse Portela ou Imperatriz. Mas, torcer, torço pela Mangueira.
Segue abaixo a histórica passagem da parada da bateria neste desfile de 2012. E a letra do samba.
Vou Festejar! Sou Cacique, Sou Mangueira
(autores: Lequinho, Igor Leal, Junior Fionda e Paulinho de Carvalho)
Salve a tribo dos bambas
Um doce refúgio de inspiração
Salve o novo Palácio do Samba onde um simples verso se torna canção
Debaixo da tamarineira um índio guerreiro me fez recordar
Um lugar, um berço popular
Seguindo com os pés no chão
Raiz que se tornou religião
Da boêmia dos antigos carnavais
Não esquecerei jamais
Firma o batuque
Que eu quero sambar (Me leva)
Já começou a festa
Esqueça a dor da vida
Caciqueando na Avenida
Sim, vi o bloco passando
O nobre rezando e o povo a cantar
Sim, é o nó na garganta
Ver o Bafo da Onça a desfilar
Chora, chegou a hora eu não vou ligar
Minha cultura é arte popular
Nasceu em ‘Fundo de Quintal’
Sou imortal e eu vou viver
Agonizar não é morrer
Mangueira fez o meu sonho acontecer
O povo não perde o prazer de cantar
O povo liberto que a voz ecoou
Respeite quem pôde chegar onde a gente chegou
Vem festejar
Na palma da mão
Eu sou o samba, a voz do morro
Não dá pra conter tamanha emoção
Cacique e Mangueira num só coração
Portela e Imperatriz levam Bahia e cultura negra à Marquês de Sapucaí. Bravo!
Muito oportunos os enredos da Portela e da Imperatriz Leopoldinense neste carnaval 2012. Como se sabe, têm crescido preocupantemente as manifestações de preconceito e até agressões contra as religiões de origem africana e seus praticantes. Nesse contexto do Brasil de hoje, a saudação à maravilhosa cultura dos orixás e do sincretismo da terra de Nosso Senhor do Bonfim, no carnaval do Rio de Janeiro, é importante e digna de registro.
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| Portela homenageia negros e orixás. Foto: Vladimir Platonow/ ABr |
Não tenho nada contra nenhuma religião. Mas o crescimento de práticas cristãs fundamentalistas inclusive no berço da nação Bahia me assustou na última vez em que estive em Salvador.
No ano passado, acusado de “censurar cristãos”, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) escreveu uma carta ao JB em que diz: “Não, eu não persigo cristãos. Essa é a injúria mais odiosa que se pode fazer em relação à minha atuação parlamentar. Mas os fundamentalistas e fanáticos cristãos vêm perseguindo sistematicamente os adeptos da Umbanda e do Candomblé, inclusive com invasões de terreiros e violências físicas contra lalorixás e babalorixás como denunciaram várias matérias de jornais”.
Assim, a Portela e a Imperatriz são dignas de Bravos!, por colocarem na avenida a cultura do povo negro do Brasil (a Vila Isabel, que homenageou Angola, fica com menção honrosa, mas é da cultura e religiosidade brasileiras que aqui se fala).
Num paralelismo interessante entre as duas escolas, cantou a Portela na avenida:
"No mar
Procissão dos navegantes
Eu também sou almirante
De nossa Senhora Iemanjá"
E a Imperatriz:
"Ave, Bahia sagrada!
Abençoada por Oxalá!
O mar, beijando a esperança,
Descansa nos braços de Iemanjá"
Curioso que, na madrugada de domingo para segunda-feira, a Imperatriz entrou na avenida logo após a Portela, que teve como seu ícone maior na Sapucaí a grande Clara Nunes.
Caso queiram ouvir, os enredos de ambas as escolas estão nos links abaixo:
Samba-enredo da Portela
Samba-enredo da Imperatriz
A ironia da União da Ilha
Encerro o post no meio do desfile da União da Ilha. Muito bom, pois irônico. O enredo é sobre Londres e consequentemente Grã Bretanha. A carnavalesca Maria Augusta e o gari Renato Sorriso (na foto ruim ao lado) são os reis da escola na Sapucaí. Maria Augusta faz a rainha da Inglaterra. Um gari negro (ele é gari na vida real) sambando ao lado da rainha da Inglaterra e uma mulata deslumbrante fazendo a Guarda Real são grandes sacadas da escola. Ironia.
Sou leigo em carnaval. Estou falando sem considerar os aspectos técnicos que embasam as notas dos senhores jurados.
Parece que as fantasias dos foliões da União da Ilha estavam tão pesadas que vários deles passaram mal depois do desfile.
Seja como for, pelo que já escrevi acima, ficaria feliz fosse a Portela ou a Imperatriz a campeã.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
A vida de Hildegard von Bingen – filme fascinante sobre uma mulher além de seu tempo
CINEMA
Para não perder o hábito vai aqui um post para quem prefere filmes a carnaval.
O indicado da vez (vi recentemente) chama-se Visão – sobre a vida de Hildegard von Bingen (2009), da diretora Margarethe von Trotta. Trata-se da história da abadessa do título (abadessa é a irmã superiora de um mosteiro ou convento). Apesar do tema aparentemente circunspecto, árido ou mesmo chato, começo por dizer que é um belíssimo filme, que, parece, não foi lançado no Brasil (não tem na 2001, por exemplo). Mas se encontra com camelôs e qualquer um pode baixar na internet nos dias de hoje, não é?
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| Barbara Sukowa: atuação magistral |
A direção da alemã Margarethe Von Trotta é primorosa. A atriz Barbara Sukowa interpreta Hildegard von Bingen magistralmente. Do mesmo modo, Heino Ferch faz o irmão Volmer, apoiador e braço direito de Hildegard, de resto, numa obra em que a direção de atores é um dos pontos altos (o que para mim é fundamental em um filme). Luzes e sombras contrastam, a metaforizar a época.
Século XII
Hildegard von Bingen foi uma monja beneditina alemã nascida em Bermersheim vor der Höhe, em 1098, que morreu no Mosteiro de Rupertsberg em 1179. Além de religiosa e teóloga, foi escritora e compositora. Conhecia profundamente as plantas medicinais e desenvolveu métodos usando-as como médica informal. Tinha visões de criaturas (anjos?) e fatos místicos. Escreveu livros considerados avançados para sua época inspirados por essas visões, tratados sobre ciência natural, obras teológicas, entre as quais os estudiosos destacam Liber divinorum operum ("Livro das obras divinas"), sobre o prólogo do Evangelho de São João e sobre o livro do Gênesis. Legou uma obra grandiosa e por vezes hermética que está sendo cada vez mais estudada, a partir da segunda metade do século XX.
Uma mulher além do seu tempo
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| Filme foi rodado em mosteiros medievais |
Porém, a influência dessa mulher incrível – que sofria de insistentes problemas de saúde e enxaquecas associados a sua visões – vai além do que produziu, pois, com sua personalidade marcante e agressiva, a abadessa impressiona por ter representado um papel de enorme significado e altamente atuante em plena Idade Média. Vejam, estamos falando do fim do século XI e início do XII. Hildegard von Bingen conseguiu realizar o impensável para uma mulher em plena escuridão de um mundo dominado por homens poderosos que, no entanto, segundo sua biografia, ela desafiava quando precisava atingir um objetivo.
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| Heino Ferch como o irmão Volmer |
Uma sequência do filme, rodado em mosteiros medievais, é emblemática da história e atuação dessa personalidade impressionante. As freiras recolhem ao mosteiro um homem cheio de feridas provocadas por autoflagelação. Ao recebê-lo, Hildegard lhe pergunta: “Você se flagelou?” O infeliz reponde: “Eu queria sofrer como ele sofreu por nós”. Ela devolve: “Aquele que mata a carne mata a alma que nele habita. Deus quer misericórdia, não sacrifícios”. Na belíssima cena, depois de indicar às irmãs a erva recomendada para tratamentos das horríveis feridas, ela diz ao enfermo: “A música também pode ajudar a curar suas feridas... e sua alma”. Segue-se a maravilhosa interpretação de uma freira ao violino, de uma música sacra composta por aquela que os mais simples – ao contrário da Igreja – entendem ser uma santa. Segundo os registros, ela previu sua morte para 17 de setembro de 1179, o que de fato ocorreu.
Não vi, mas fiquei muito curioso para assistir Rosa Luxemburgo, essa personagem tão interessante, com a mesma atriz no papel principal, dirigida por Von Trotta.
Trailer oficial:
Se quiser indicações sobre outros filmes “impróprios” para o carnaval, leia também:
Cinema para quem precisa - Indicações de filmes para um carnaval sem folia (2011)
Cinema para quem não pula carnaval (2010)
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Santos de Muricy joga na defesa contra o “mais forte” da Bolívia e perde de virada
E o Corinthians de Tite começa Libertadores empatando com o Táchira, como o Peixe em 2011
Mesmo descontando a altitude de 3.600 metros de La Paz, não tem desculpa a péssima estreia do Santos na Libertadores, com a derrota inesperada para o The Strongest, “o mais forte”, por 2 a 1, de virada. O mais forte (sic) da Bolívia derrota o campeão da América.
O belo gol do sempre péssimo volante Henrique, aos 9 minutos do primeiro tempo, já indicava que essa era uma partida anormal. Os bolivianos empataram aos 33 minutos, pegando a defesa santista de calça curta: o time que está ganhando levar o empate de contra-ataque é sempre muito criticável.
Muricy não começou com Juan na lateral esquerda e Fucile na direita, como se esperava (Pará entrou na direita e Fucile, improvisado na esquerda). Deve ter tido motivos (*ver 14° comentário), Juan não joga há muito tempo. Ibson iniciou a partida e, como Elano, que o substituiu no segundo tempo, pouco apresentou. Nos 90 minutos, Neymar fez muitas jogadas, tentou, fez o que pôde, mas me pareceu isolado. Chega à frente e não tem com quem jogar. Ganso, abaixo da crítica, embora tenha cobrado a falta que resultou no gol peixeiro.
Quando Elano entrou aos 12 do segundo tempo no lugar do (como sempre) apagado Ibson, o narrador da Fox Sports narrou em espanhol que Elano “é um símbolo daquele Santos de Diego e Robinho”. De fato é, mas infelizmente Elano e depois Neymar perderam gols feitos.
O Alvinegro foi mantendo a célebre fama de perder muitos gols. Aos 40 da etapa final, Alan Kardec desperdiçou outro de vários tentos jogados fora (mas Neymar demorou a passar a bola). O Santos – que fez cera desde a primeira etapa – já jogava pelo empate fazia tempo. Segurou, segurou, segurou, recuou tanto, tomou tanta pressão do “mais forte” da Bolívia que Rodrigo Ramallo aproveitou a bobeira geral e mandou para as redes no último dos incontáveis escanteios batidos pelos bolivianos, nos descontos do segundo tempo.
Com todo o respeito, estrear sendo derrotado pelo mais forte da Bolívia não é um bom augúrio. Espero queimar a língua, santistas.
PS (às 20:55 do dia seguinte): Faço esse adendo porque ouvi comentários segundo os quais o Santos pressionou o portentoso The Strongest em parte do jogo. Curioso como podem ser diferentes as visões de uma mesma partida. Respeito, mas não vi o Alvinegro pressionando. Vi um primeiro tempo que foi lá e cá (na categoria santista e correria boliviana). O time de Muricy só ia nos contra-ataques. O Santos podia até ter goleado ante a defesa fraca e ingênua, se não tivesse desperdiçado um caminhão de gols. Mas nos contra-ataques, não na pressão.
*Timão estreia como o Santos em 2011
E o Corinthians começa empatando com o venezuelano Deportivo Táchira em 1 a 1, resultado comemorado como vitória pelo histérico Tite à beira do gramado. Curiosamente, a estreia do Santos na Libertadores de 2011 tembém foi contra o Táchira, e o jogo acabou igualmente empatado, só que em 0 a 0. O que foi considerado um resultado muito ruim pela comunidade santista, inclusive este blogueiro, como ficou registrado no post sobre o jogo em 16 de fevereiro de 2011.
Na época, o Peixe era treinado por Adilson Batista, que demonstrou total incompetência para treinar um grande time como o Santos e por isso foi demitido (se não fosse, o time não teria sido campeão). Interessante como estreias idênticas (empate contra o mesmo fraquíssimo time) podem ser encaradas de modo tão diferente. Mas a verdade é que a estreia do Corinthians não foi nem um pouco empolgante, apesar da histeria fiel.
Não esqueçamos que o empate corintiano só foi possível porque o juiz da partida, o colombiano Wilmar Roldán, anulou um gol legítimo do time da casa no segundo tempo quando estava 1 a 0 para o Táchira, atendendo a uma sinalização equivocada do bandeirinha. Segundo o sábio Arnaldo César Coelho, consultado pelo narrador Cléber Machado, o atacante do Táchira estava impedido, apesar de seu pé estar "na mesma linha". Isso porque "o ombro estava adiantado", disse o sábio. A norma da FIFA segundo a qual, na dúvida, deve se beneficiar o ataque, não existe para Arnaldo. A regra é clara.
Seja como for, nesta quarta, dos times brasileiros, apenas o Flamengo estreou com um resultado aceitável, o empate em 1 a 1 com o Lanús na Argentina.
Mesmo descontando a altitude de 3.600 metros de La Paz, não tem desculpa a péssima estreia do Santos na Libertadores, com a derrota inesperada para o The Strongest, “o mais forte”, por 2 a 1, de virada. O mais forte (sic) da Bolívia derrota o campeão da América.
O belo gol do sempre péssimo volante Henrique, aos 9 minutos do primeiro tempo, já indicava que essa era uma partida anormal. Os bolivianos empataram aos 33 minutos, pegando a defesa santista de calça curta: o time que está ganhando levar o empate de contra-ataque é sempre muito criticável.
Muricy não começou com Juan na lateral esquerda e Fucile na direita, como se esperava (Pará entrou na direita e Fucile, improvisado na esquerda). Deve ter tido motivos (*ver 14° comentário), Juan não joga há muito tempo. Ibson iniciou a partida e, como Elano, que o substituiu no segundo tempo, pouco apresentou. Nos 90 minutos, Neymar fez muitas jogadas, tentou, fez o que pôde, mas me pareceu isolado. Chega à frente e não tem com quem jogar. Ganso, abaixo da crítica, embora tenha cobrado a falta que resultou no gol peixeiro.
Quando Elano entrou aos 12 do segundo tempo no lugar do (como sempre) apagado Ibson, o narrador da Fox Sports narrou em espanhol que Elano “é um símbolo daquele Santos de Diego e Robinho”. De fato é, mas infelizmente Elano e depois Neymar perderam gols feitos.
O Alvinegro foi mantendo a célebre fama de perder muitos gols. Aos 40 da etapa final, Alan Kardec desperdiçou outro de vários tentos jogados fora (mas Neymar demorou a passar a bola). O Santos – que fez cera desde a primeira etapa – já jogava pelo empate fazia tempo. Segurou, segurou, segurou, recuou tanto, tomou tanta pressão do “mais forte” da Bolívia que Rodrigo Ramallo aproveitou a bobeira geral e mandou para as redes no último dos incontáveis escanteios batidos pelos bolivianos, nos descontos do segundo tempo.
Com todo o respeito, estrear sendo derrotado pelo mais forte da Bolívia não é um bom augúrio. Espero queimar a língua, santistas.
PS (às 20:55 do dia seguinte): Faço esse adendo porque ouvi comentários segundo os quais o Santos pressionou o portentoso The Strongest em parte do jogo. Curioso como podem ser diferentes as visões de uma mesma partida. Respeito, mas não vi o Alvinegro pressionando. Vi um primeiro tempo que foi lá e cá (na categoria santista e correria boliviana). O time de Muricy só ia nos contra-ataques. O Santos podia até ter goleado ante a defesa fraca e ingênua, se não tivesse desperdiçado um caminhão de gols. Mas nos contra-ataques, não na pressão.
*Timão estreia como o Santos em 2011
E o Corinthians começa empatando com o venezuelano Deportivo Táchira em 1 a 1, resultado comemorado como vitória pelo histérico Tite à beira do gramado. Curiosamente, a estreia do Santos na Libertadores de 2011 tembém foi contra o Táchira, e o jogo acabou igualmente empatado, só que em 0 a 0. O que foi considerado um resultado muito ruim pela comunidade santista, inclusive este blogueiro, como ficou registrado no post sobre o jogo em 16 de fevereiro de 2011.
Na época, o Peixe era treinado por Adilson Batista, que demonstrou total incompetência para treinar um grande time como o Santos e por isso foi demitido (se não fosse, o time não teria sido campeão). Interessante como estreias idênticas (empate contra o mesmo fraquíssimo time) podem ser encaradas de modo tão diferente. Mas a verdade é que a estreia do Corinthians não foi nem um pouco empolgante, apesar da histeria fiel.
Não esqueçamos que o empate corintiano só foi possível porque o juiz da partida, o colombiano Wilmar Roldán, anulou um gol legítimo do time da casa no segundo tempo quando estava 1 a 0 para o Táchira, atendendo a uma sinalização equivocada do bandeirinha. Segundo o sábio Arnaldo César Coelho, consultado pelo narrador Cléber Machado, o atacante do Táchira estava impedido, apesar de seu pé estar "na mesma linha". Isso porque "o ombro estava adiantado", disse o sábio. A norma da FIFA segundo a qual, na dúvida, deve se beneficiar o ataque, não existe para Arnaldo. A regra é clara.
Seja como for, nesta quarta, dos times brasileiros, apenas o Flamengo estreou com um resultado aceitável, o empate em 1 a 1 com o Lanús na Argentina.
*Atualizado à 00:30
TVA anuncia acordo com Fox Sports. Net não tem resposta
**Atualizado às 16:15
A Fox Sports anuncia em seu site na internet a programação dos jogos da Libertadores desta semana. É a seguinte:
15/02 – Quarta-feira
19h45 - The Strongest (BOL) x Santos (ao vivo)
22h00 - Deportivo Táchira (VEN) x Corinthians (ao vivo)*
00h00 - Lanús (ARG) x Flamengo (VT)
(*Corintianos e flamenguistas não têm com que se preocupar, pois os jogos serão transmitidos para as respectivas praças pela TV Globo.)
Os assinantes da TVA, segundo a operadora, já terão o sinal da Fox Sports a partir desta quarta-feira, no canal 50, boa notícia para os torcedores do Santos. A própria TVA diz em seu blog oficial: “A partir da próxima quarta-feira, dia 15 [de fevereiro, hoje portanto], o Fox Sports estará disponível para todos os assinantes da tecnologia Cabo digital e Fibra TV (São Paulo e Curitiba), no canal 50 e 350 (HD), e sem custo adicional”.
Já a Net continua sem Fox Sports, sem transmissão e sem resposta ao seu assinante. Falei com a assessoria de imprensa da operadora que, agora há pouco, afirmou que não havia nenhuma novidade e que, se houvesse, "no final da tarde", me ligaria.
Se o assinante (consumidor, faço questão de ressaltar) quiser ligar para o que eles chamam de “central de relacionamento” (tel.: 4004-7777), ao conseguir ser atendido vai ouvir que não há canal Fox Sports na grade e muito menos Libertadores, e mais nehuma informação. Os santistas assinantes da Net, portanto, não terão transmissão, a princípio. Mas podem ver pela internet neste link: http://www.rojadirecta.me.
**Além da TVA, a Fox Sports já está nas operadoras CTBC, GVT, NEO TV, Nossa TV, Oi TV, RCA e Telefônica.
Abaixo, segue comentário de Enio Luiz Salgado Ribeiro, postado no post anterior sobre o mesmo assunto.
Vale pela indignação e ironia.
“Gostaria de sugerir a Globosat, depois da operadora SKY BRASIL pedir para os assinantes reclamarem com a operadora Fox para passarem os jogos da Taça Santander Libertadores nos canais dela, como FX e Speed por exemplo, que a Globosat adote o mesmo procedimento com relação ao Campeonato Gaúcho e Brasileirão 2012.
Com essa brilhante ideias da operadora Sky, voces podem passar esses jogos nos canais GNT, Sportv 1,2 e 3, Multishow, Universal, Globonews, Canal Brasil, Megapix, Viva, Combate, Sexy Hot, Playboy e nos 5 canais Telecines. Só com esses canais já teremos 21 canais à disposição das operadoras, assim economizaria banda satelital para elas. Os jogos em HD poderiam ser transmitidos nos 5 Telecines HD, no Multishow HD, no Megapix HD, no Off e no Globosat HD, podendo assim ser transmitido 9 jogos em HD simultaneos, sem contar o canal eventual onde hoje é transmitido o Combate HD e PFC HD e ai teriamos 10 canais HD.
Acho que seria uma excelente ideia essa dada pela operadora Sky, e tambem muito interessante para a Globosat pois reduzia bastante os custos.
Gostaria de uma resposta sobre essa minha solicitação, pois dependo dela para providenciar o cancelamento do pacote PFC que pago 52,90 mensais.
E parem de cortar as propagandas da Libertadores com vinhetas da SKY, que péssima maneira de lidar com a situação, mascarando conteúdo dessa maneira desrespeitosa a inteligência dos assinantes.
Todos, SKY, FOX, GLOBOSAT, estão dando um exemplo claro de como perder milhões em Marketing construído por anos, confiabilidade, transparência e respeito diante do público e assinantes.
No aguardo.
Obrigado
Enio Luiz Salgado Ribeiro
Assinante Sky"
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Kassab: a soma que diminui
Por Valter Pomar
Dizem que a quantidade se transforma em qualidade. Assim passou no ato comemorativo do aniversário de 32 anos do Partido dos Trabalhadores, quando o presidente do PSD foi recebido com uma sonora vaia. Vaia, é bom dizer, que em boa medida saiu da boca de gente graúda do Partido: prefeitos, deputados e lideranças nacionais. Não de uma minoria de esquerda, não das bases, mas de dirigentes de diferentes talantes.
Registre-se algo óbvio: a vaia era para Kassab, mas também para os que desejam aliar-se com Kassab. As pesquisas de opinião registram: trata-se de um prefeito mal avaliado. Muito mal avaliado. O mais importante, contudo, é o motivo da má avaliação: seu governo piorou a vida do povo da capital paulista.
Os defensores da aliança com Kassab desconsideram ou minimizam programa, pesquisas e o impacto que esta aliança teria sobre a unidade partidária. Concentram-se apenas numa aritmética: é preciso retomar São Paulo, para isto precisamos de aliados, Kassab tem a nos oferecer de vice o senhor Meirelles (aquele, dos juros altos) etc. e tal.
Mesmo desconsiderando coisas menores como ideologia e coerência, trata-se de uma aposta de risco. Lançar dois ex-ministros de Lula, ambos debutantes numa eleição paulistana-nacional, desagradando de saída parte dos apoiadores e acreditando que a aliança com Kassab coloca mais do que tira.
Em certo sentido, estamos diante de um remake de 2003-2004, quando se tentou transformar a política de alianças do governo federal em política de alianças do Partido. Com um agravante: a derrota de 2004 e a crise de 2005 se deram num contexto nacional e internacional ainda favoráveis.
Hoje vivemos uma situação muito distinta. As fórmulas políticas e econômicas que foram suficientes durante o governo Lula, estão se demonstrando insuficientes neste início de governo Dilma. É por isto que o país cresce, mas cresce menos; o emprego cresce, mas cresce menos; a renda cresce, mas cresce menos; a desigualdade cai, mas cai menos.
Noutras palavras: a situação ainda está boa, mas o horizonte de curto prazo é muito complicado, exigindo uma nova estratégia e a adoção imediata de medidas mais audaciosas, especialmente no terreno dos juros e do câmbio.
A complicação tem um componente político: embora a direita partidária esteja com dificuldades, a direita midiática está a todo vapor, cumprindo o roteiro apontado pelo tucano-mor, a saber, disputar a “nova classe média” com o PT.
Da nossa parte, a disputa começa por afirmar que não é média, não é classe, nem é nova. O que está em disputa é um setor da classe trabalhadora, que graças às políticas do governo Lula e do governo Dilma experimentaram um crescimento na sua capacidade de consumo. A grande disputa reside exatamente em fazer este setor compreender, pensar e agir como parte da classe trabalhadora. O que nos leva a perguntar por que cargas d´água nossa presidenta insiste em falar de um “país de classe média”....
Neste contexto, a aliança com Kassab é uma dupla âncora. Para além de uma opção eleitoralmente equivocada, revela uma opção conservadora na disputa ideológica. Uma opção por aliados privatistas, violentos contra os pobres, ideologicamente reacionários. Que não nos permitirão marcar a diferença e, portanto, deixarão a porta aberta para que candidaturas da direita apelem para um voto coerente.
Um filme que já vimos.
Valter Pomar é membro do Diretório Nacional do PT
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Chuva em São Paulo
Esses dois vídeos tecnicamente ruins são interessantes como "retrato" deste domingo em São Paulo. Impressionante como chove sem parar.
A chuva vista da janela do condomínio onde moro, mas sobretudo ouvida da janela do condomínio onde moro. A certa altura (1 minuto) do vídeo abaixo, percebem-se gritos e vivas, uma corneta, uma comemoração no ar, através da chuva. É que o São Paulo acabara de perder um pênalti contra o Corinthians. Jadson perdeu, e fez-se justiça ao vareio que o Tricolor, violento como sempre, tomou do Timão na partida.
Bem mais tarde, às 11 e meia da noite, o cenário na capital paulista era obviamente escuro, noturno. Mas o som continuava o mesmo: chuva, chuva e mais chuva.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Pensamento para sexta-feira [número 25] – Eu e os insetos (fatos reais!)
CRÔNICA DE VERÃO
Moro num bairro (Butantã, em São Paulo) onde ainda há muita vegetação. Por aqui, até sapo se ouve à noite. Isso é muito bom, viva a natureza! Mas no verão os inconvenientes não são poucos. O calor literalmente infernal como o dos últimos dias em São Paulo nos faz prisioneiros de uma modorra invencível, incômoda. A menos que eu esteja à beira da praia desfrutando de uma boa cerveja gelada, o calor verdadeiramente me irrita.
E freqüentes episódios com insetos que resolvem me atacar sem mais nem menos estão me dando cada vez mais saudades do inverno. Por que insetos me atacam, sempre traiçoeiramente, à noite? Ora, porque está muito quente, as janelas ficam abertas, algumas luzes acesas, e então eles vêm. Não sou entomologista, mas essa explicação é fácil.
Umas semanas atrás estava eu falando de política ao telefone com uma amiga. Senti um pequeno arranhão nas costas, logo acima da nádega direita, mas não liguei, até que, instantes antes de levar a mão para coçar, o negócio já estava me arranhando de fato, forte... Assustado, bati a mão no local atacado e saiu voando um besouro, que ainda veio pra cima de mim, voando. Ele estava tentando me devorar, suponho. Maldito! A natureza é satânica também, como defendia Baudelaire. Aquele besouro me deu arrepios.
Foto: Eduardo Maretti
E eu, que sou um radical defensor da natureza, que canso de devolver as criaturas que invadem meu lar pela janela para voltarem para seu lugar, que nunca matei um passarinho sequer (nem com estilingue, nem espingardinha de pressão) eu não tive piedade de esguichar nesse besouro uma dose mais do que letal de Baygon. Incrível a força daquelas garras, minhas costas ficaram com um vergão vermelho que levou três dias para desaparecer. O besouro era igual (mas maior) a esse aí da foto acima, que uns três verões atrás pousou no prato do meu último e suculento camarão! O da foto teve melhor sorte, não me lembro de tê-lo matado, apesar da afronta de pousar sobre meu camarão.
À noite, sempre à noite, outro episódio, esse no verão passado, se deu com um inseto estranho. Eu não o conhecia. Ele parece uma borboleta noturna. Quando o tal pousou na porta do armário embutido, cheguei perto para ver, e ele tinha antenas nervosas, parecendo mais uma vespa disfarçada de borboleta. Me dei mal quando meu espírito de protetor da natureza resolveu agir. Oh céus. Fui pô-lo numa caixinha para jogá-lo pela janela, devolvê-lo à linda natureza, mas ele escapou e, aparentemente com raiva, veio para cima de mim. Dei-lhe um tapa com o jornal que virou minha arma, ele caiu mas retomou o ataque. E a cena, mais cômica do que dramática, depois de um embate, terminou com a vespa-borboleta desaparecendo. Passei um tempo com medo de que o bicho surgisse de alguma sombra e me atacasse, mas nunca mais o vi.
E as mariposas que entram feito baratas tontas nessas noites de verão, procurando a lâmpada que para elas é o sol? Algumas são escuras e enormes. O pior é quando entram e você não vê. De repente, está você alegre e feliz com sua cervejinha e dá de cara com aquele monstro que parece um morcego. Já dei de cara com essas mariposas-morcego e o susto foi tal que, por um instante, pensei estar sendo visitado pelo conde Drácula em um de seus disfarces insidiosos. Recentemente, na semana passada, uma das não muito grandes entrou pela janela e veio direto ao meu pescoço. Éramos dois, eu ela, a nos debater apavorados. Meu deus, que susto, de novo. Meu impulso foi matá-la, mas fiquei com dó, e para sua sorte ela pousou na janela e foi fácil empurrá-la para fora.
Foto: Carmem Machado
Já faz uma semana que não sofro ataques. Isso me preocupa, pois quanto mais o tempo passa, mais parece iminente uma nova investida. Talvez de um besouro, de uma vespa noturna, uma mariposa gigante, um enxame de filhotes (deve ser terrível!) como os da foto acima, ou sabe-se lá qual criatura dessa vez.
Foto: Gabriel Maretti (clique em qualquer foto para ampliar)
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| Imagine uma dessa esvoaçando no seu pescoço |
Moro num bairro (Butantã, em São Paulo) onde ainda há muita vegetação. Por aqui, até sapo se ouve à noite. Isso é muito bom, viva a natureza! Mas no verão os inconvenientes não são poucos. O calor literalmente infernal como o dos últimos dias em São Paulo nos faz prisioneiros de uma modorra invencível, incômoda. A menos que eu esteja à beira da praia desfrutando de uma boa cerveja gelada, o calor verdadeiramente me irrita.
E freqüentes episódios com insetos que resolvem me atacar sem mais nem menos estão me dando cada vez mais saudades do inverno. Por que insetos me atacam, sempre traiçoeiramente, à noite? Ora, porque está muito quente, as janelas ficam abertas, algumas luzes acesas, e então eles vêm. Não sou entomologista, mas essa explicação é fácil.
Umas semanas atrás estava eu falando de política ao telefone com uma amiga. Senti um pequeno arranhão nas costas, logo acima da nádega direita, mas não liguei, até que, instantes antes de levar a mão para coçar, o negócio já estava me arranhando de fato, forte... Assustado, bati a mão no local atacado e saiu voando um besouro, que ainda veio pra cima de mim, voando. Ele estava tentando me devorar, suponho. Maldito! A natureza é satânica também, como defendia Baudelaire. Aquele besouro me deu arrepios.
Foto: Eduardo Maretti
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| Esse besouro gosta de carne de camarão e humana |
E eu, que sou um radical defensor da natureza, que canso de devolver as criaturas que invadem meu lar pela janela para voltarem para seu lugar, que nunca matei um passarinho sequer (nem com estilingue, nem espingardinha de pressão) eu não tive piedade de esguichar nesse besouro uma dose mais do que letal de Baygon. Incrível a força daquelas garras, minhas costas ficaram com um vergão vermelho que levou três dias para desaparecer. O besouro era igual (mas maior) a esse aí da foto acima, que uns três verões atrás pousou no prato do meu último e suculento camarão! O da foto teve melhor sorte, não me lembro de tê-lo matado, apesar da afronta de pousar sobre meu camarão.
À noite, sempre à noite, outro episódio, esse no verão passado, se deu com um inseto estranho. Eu não o conhecia. Ele parece uma borboleta noturna. Quando o tal pousou na porta do armário embutido, cheguei perto para ver, e ele tinha antenas nervosas, parecendo mais uma vespa disfarçada de borboleta. Me dei mal quando meu espírito de protetor da natureza resolveu agir. Oh céus. Fui pô-lo numa caixinha para jogá-lo pela janela, devolvê-lo à linda natureza, mas ele escapou e, aparentemente com raiva, veio para cima de mim. Dei-lhe um tapa com o jornal que virou minha arma, ele caiu mas retomou o ataque. E a cena, mais cômica do que dramática, depois de um embate, terminou com a vespa-borboleta desaparecendo. Passei um tempo com medo de que o bicho surgisse de alguma sombra e me atacasse, mas nunca mais o vi.
Foto: Eduardo Maretti
O inseto esquisito voltou a me visitar neste verão de 2012. Desta vez esguichei-lhe álcool, e o bicho demorou muito, vários minutos, a se render. Joguei-o pela janela, não sei se sobreviveu.
E as mariposas que entram feito baratas tontas nessas noites de verão, procurando a lâmpada que para elas é o sol? Algumas são escuras e enormes. O pior é quando entram e você não vê. De repente, está você alegre e feliz com sua cervejinha e dá de cara com aquele monstro que parece um morcego. Já dei de cara com essas mariposas-morcego e o susto foi tal que, por um instante, pensei estar sendo visitado pelo conde Drácula em um de seus disfarces insidiosos. Recentemente, na semana passada, uma das não muito grandes entrou pela janela e veio direto ao meu pescoço. Éramos dois, eu ela, a nos debater apavorados. Meu deus, que susto, de novo. Meu impulso foi matá-la, mas fiquei com dó, e para sua sorte ela pousou na janela e foi fácil empurrá-la para fora.
Foto: Carmem Machado
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| O inseto cuida da sua prole (credo) |
Show!
Antes de postar uma crônica sobre minhas difíceis relações com o verão e os insetos, para a série “Pensamento para sexta-feira”, publico esta nota para falar sobre a espetacular atuação de Neymar na vitória do Santos sobre o Botafogo de Ribeirão Preto, pela sexta rodada do Paulistão, por 4 a 1, no velho Estádio Santa Cruz que viu nascer Sócrates. O campeonato estadual está tão ruim que não tenho me animado a comentar. Mas Neymar é impressionante. Depois de apanhar o primeiro tempo inteiro, num jogo em que seu time parecia contaminado pelo calor e pela falta de criatividade e de vontade, o craque que acaba de fazer 20 anos resolveu mudar a história da partida que o Peixe perdia até 31 minutos da segunda etapa.
A marcação implacável, por mais implacável que seja, uma hora acaba cansando. E o Santos praticamente assistiu Neymar destruir sozinho a pesada zaga botafoguense. Ele empatou de cabeça aos 31, em jogada quase idêntica ao gol contra o Palmeiras, cruzamento de Ganso em cobrança de falta; roubou uma bola, driblou a zaga, sofreu pênalti, cobrou e desempatou aos 33. Após receber passe primoroso de Felipe Ânderson, fez um gol de cavadinha que quase quebrou a espinha do goleiro; e fez uma grande jogada dando o quarto gol de bandeja a Felipe Ânderson, retribuindo o passe que recebera no terceiro.
Os gols de Santos 4 x 1 Botafogo:
Observações que não querem calar:
- Felipe Ânderson dá dinâmica, inteligência, movimentação e criatividade ao meio de campo santista. Penso que ele poderia muito bem jogar na meia direita. Sairia quem? Elano, embora Elano tenha jogado mais adiantado, e portanto melhor, nas duas últimas partidas (contra Palmeiras e Botafogo). Mas ele continua sem a melhor condição (física ou mental).
- Fucile estreou muito bem. Finalmente o Santos tem um lateral direito, que, aliás, pode jogar também na esquerda. Não é à toa que defendeu a seleção uruguaia quarta colocada na Copa do Mundo de 2010.
- O momento é de Alan Kardec, para jogar no ataque com Neymar. Borges tem que segurar o banco por um tempo. Não está resolvendo. Mas Kardec ainda está meio sem saber onde se colocar. Acho que cabe ao professor Muricy arrumar isso.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Chico Buarque inspira Toada para João e Maria, no Café Piu Piu
O Núcleo Toada apresenta neste domingo dois shows inspirados em Chico Buarque. Uma Toada para João e Maria, o amor segundo Chico Buarque e Segunda Toada para João e Maria, Chico Buarque Lado B.
As apresentações serão no velho Café Piu-Piu, no Bixiga, em São Paulo, domingo, 12 de fevereiro, a partir das 20h.
“Os shows contam e cantam a história de um casal como tantos outros, tendo como fio condutor as músicas de Chico Buarque e citações de diversos autores”, diz Lilian de Lima, do Núcleo Toada.
Voz e roteiro: Lilian de Lima e Rodrigo Mercadante
Direção Musical, voz e violão: William Guedes
Sanfona e voz: Aloísio Oliver
Direção Geral: “Uma Toada”: Milton Morales Filho
Percussão, baixo e voz: “Segunda Toada”: Maurício Damasceno
Couvert artístico: R$ 20,00
Café Piu-Piu – rua 13 de Maio, 134
Tel: (11) 3258-8066
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Briga de Fox e Globosat tira Libertadores do torcedor (consumidor) brasileiro
Quanto mais o tempo passa, mais o torcedor (leia-se consumidor) paga o pato pelos monopólios. Quem reclamava do monopólio da transmissão dos jogos da Libertadores pela Globosat (Sportv e Sky), agora pode dizer: “eu era feliz e não sabia”. Triste.
Ricardo Saibun / Santos FC
Para quem não sabe, a Fox Sports agora é dona dos direitos da Libertadores. Ainda não há (e haverá?) acordo com a Globosat, portanto a emissora norte-americana (aquela mesma de extrema direita do magnata Rupert Murdoch) não tem um canal para transmitir os jogos no Brasil. Como a Fox exerceu seu direito de exclusividade, os canais Globosat perderam a regalia. E, como represália, estão dificultando a assinatura de um contrato com a Fox para disponibilizar um canal para as transmissões.
A TV Globo só vai transmitir jogos em sua grade como de costume, os do horário de 22 horas de quarta-feira. Privilégio de Corinthians e Flamengo. Isso significa que o jogo de estreia do Fluminense, hoje, contra o Arsenal Sarandí, não terá TV, nem aberta nem paga. Quem quiser, pode ver por canais de pouca abrangência (Oi, TV, Telefônica e Nossa TV), ou tentar ver, pela internet no endereço http://www.rojadirecta.me/.
Pode ser que o quadro mude, mas por enquanto não há novidades.Caso o imbróglio persista, os torcedores do Santos também ficarão a ver navios no primeiro jogo do time, dia 15, às 19h45, e em quase todos os outros. Campeão da Libertadores, o Peixe pode ter apenas um jogo transmitido na fase de grupos! As últimas informações, segundo o portal Terra, são de que as negociações continuam.
Não entendo ainda por que o canal da Fox disponível nos pacotes da Net e Sky não transmitirá as partidas, como fez na repescagem.
Onde está a Anatel para fazer valer a voz do Estado contra esse gangsterismo? Ou isso não é gangsterismo?
Leia também: o que esperar de Corinthians, Flamengo, Fluminense, Inter, Santos e Vasco na Libertadores .
*Atualizado às 14:46
Ricardo Saibun / Santos FC
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| Campeão, Santos terá no máximo um jogo na TV! |
A TV Globo só vai transmitir jogos em sua grade como de costume, os do horário de 22 horas de quarta-feira. Privilégio de Corinthians e Flamengo. Isso significa que o jogo de estreia do Fluminense, hoje, contra o Arsenal Sarandí, não terá TV, nem aberta nem paga. Quem quiser, pode ver por canais de pouca abrangência (Oi, TV, Telefônica e Nossa TV), ou tentar ver, pela internet no endereço http://www.rojadirecta.me/.
Pode ser que o quadro mude, mas por enquanto não há novidades.Caso o imbróglio persista, os torcedores do Santos também ficarão a ver navios no primeiro jogo do time, dia 15, às 19h45, e em quase todos os outros. Campeão da Libertadores, o Peixe pode ter apenas um jogo transmitido na fase de grupos! As últimas informações, segundo o portal Terra, são de que as negociações continuam.
Não entendo ainda por que o canal da Fox disponível nos pacotes da Net e Sky não transmitirá as partidas, como fez na repescagem.
Onde está a Anatel para fazer valer a voz do Estado contra esse gangsterismo? Ou isso não é gangsterismo?
Leia também: o que esperar de Corinthians, Flamengo, Fluminense, Inter, Santos e Vasco na Libertadores .
*Atualizado às 14:46
Clint Eastwood é bom até em propaganda. Obama agradece
Um comercial de dois minutos da montadora norte-americana Chrysler, com o ator Clint Eastwood, que foi ao ar no intervalo do Super Bowl, a final do futebol americano, no domingo, fez um enorme sucesso e foi considerado como mensagem claramente pró-Barack Obama. Isso porque este é ano de eleições nos Estados Unidos.
A conotação política é clara: "os times estão discutindo o que fazer para ganhar o jogo no segundo tempo. É intervalo também na América", diz Clint no anúncio, o que seria uma alusão ao período entre os dois mandatos (o atual e o futuro) de Obama. Com a crise de 2008, a Chrysler quase foi à falência. "Detroit está nos mostrando que pode ser feito", afirma Eastwood, referindo-se ao coração da indústria automobilística dos EUA. No final do comercial, a mensagem parece ainda mais óbvia: "Nós nos levantaremos novamente e quando fizermos isso o mundo vai escutar o barulho de nossos motores. Sim, é intervalo na América. E o nosso segundo tempo já vai começar”.
O belíssimo comercial me fez pensar no medonho anúncio da Fiat aqui no Brasil, com aquela música pavorosa do tal Michel Teló, e em como está cada vez mais nojento e sem criatividade o mercado publicitário brasileiro.
Enfim, posto aqui também porque sou um fã do grande Clint Eastwood de Os Imperdoáveis e outros filmes. Estou aliás devendo a mim mesmo um post sobre Os Imperdoáveis para a Série “Favoritos do cinema”, que por falta de tempo até agora só tem dois posts (sobre Quando Explode a Vingança e sobre Fargo).
A propósito, está em cartaz nos cinemas o novo filme de Clint, J. Edgar, sobre a vida de J. Edgar Hoover, o controverso diretor do FBI. Que ainda não vi.
Sobre a obra anterior do diretor (de 2010), escrevi aqui: O velho e bom Clint Eastwood em cartaz com Além da Vida.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Palmeiras bate Santos em Presidente Prudente de virada com gol contra de Maranhão
Por Paulo Maretti
Em jogo válido pela quinta rodada do Campeonato Paulista 2012, o Palmeiras venceu o Santos por 2 a 1, de virada, nos cinco minutos finais da partida, em Presidente Prudente.
O Palmeiras entrou em campo decidido, nos primeiros 20 minutos, a invadir a praia adversária, mas, como sempre, esbarrou na defesa rival e num futebol limitado pelas atuações fracas de seus homens de frente, Luan e Fernandão. O Santos, defensivo e cauteloso nesse início, sentiu mais o calor da região oeste paulista e o ar seco longe do mar.
Depois dos 20 minutos do primeiro tempo, o time alvinegro saiu pro jogo, procurou espaços e encontrou os pés (e a cabeça) de Neymar, que faria seu centésimo tento na carreira, à queima-roupa, e aos 20 anos, após cobrança de falta de Paulo Henrique.
Mas isso foi aos 25 da segunda etapa. Antes, no intervalo, Muricy tirou Borges, com dores, e pôs o bom Alan Kardec. Não sei se por razão ou engano meu, vendo o jogo, achei que o Kardek estava fora de posição, e rendeu pouco pela esquerda, ou bem menos do que o vejo fazer quando enfiado no meio da área.
E o jogo estava esmorecendo, esmorecendo, do começo de um segundo tempo fraco até esses 25 minutos, quando eu já quase dormia e Neymar testou a bola pras redes palmeirenses. O garoto reacendeu a vitalidade histórica do clássico e me fez pensar: “Começou a peleja.” Daí pra frente, mais na base da vontade do que da técnica, o Santos x Palmeiras ficou aberto e ganhou emoção, até que, aos 41, Ibson, o substituto de Elano, levou o segundo amarelo e deixou a equipe praiana com um a menos. Fernandão empatou de cabeça, em escanteio cobrado por Marcos Assunção, e Maranhão (contra) virou para o Palmeiras.
Na saída para o intervalo, Neymar reclamou, com sobras de razão, do calor excessivo: “Muito quente, tá difícil jogar.” Ao final da partida, reclamou da arbitragem, pra mim, sem razão. Ou Ibson, que antes levou cartão amarelo justamente, não fez a falta por trás em Daniel Carvalho?
O erro da arbitragem no jogo foi ter “esquecido” os cartões no vestiário antes do primeiro tempo. A falta bizzarra de Cicinho em Neymar, depois de um drible de craque do atacante santista, era até pra cartão vermelho se o juiz fosse rigoroso. E o pontapé de Ganso em Valdívia pelas costas (que por consequência pode ter sentido a contusão que o tirou de campo) era, idem, merecedor de punição com amarelo. Ou será que o chileno está mais é sentado num salário que o exime de compromissos com o clube (diz ele) de seu coração? O fato é que Daniel Carvalho o substituiu e jogou, jogou melhor, acima do peso, mas com vontade de decidir.
Santos x Palmeiras não promete muito com Felipão e Muricy no banco
Confira abaixo a retrospectiva dos últimos anos
Hoje tem um Santos x Palmeiras meio borocoxô. O clássico de grande tradição e jogos memoráveis terá no banco Muricy Ramalho contra Luiz Felipe Scolari, o que diminui muito a beleza do futebol tradicional da academia verde e do futebol alegre alvinegro. Fora isso, início de temporada, e consequentemente times ainda muito aquém da melhor forma física, principalmente o Santos, cujos titulares só voltaram a jogar na última quinta-feira, com fraca atuação frente ao Oeste (1 x 1). Além do mais, a partida, que deveria ser na Vila, perde a magia em Presidente Prudente.
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| Jogo "pegado" deve prevalecer com Muricy e Felipão |
O clássico tradicionalmente é imprevisível e sua história é repleta de grandes partidas. Mas, com Felipão e Muricy no banco, não creio que a tradição se confirme. A ver.
A retrospectiva mais recente
No segundo turno do Brasileirão de 2010, ao fazer 1 a 0 na Vila (gol de Borges), o Santos finalmente pôs fim a um jejum contra o rival Palmeiras, a asa negra santista entre os grandes do futebol paulista. Depois da vitória do Peixe em abril de 2009, na semifinal do Paulistão, foram sete partidas em que o Verdão empatou ou venceu.
2009
Paulistão
Palmeiras 4 x 1 Santos
Palmeiras 1 x 2 Santos (semifinal)
Santos 2 x 1 Palmeiras (semifinal)
Brasileiro
Palmeiras 1 x 1 Santos
Santos 1 x 3 Palmeiras
2010
Paulistão
Santos 3 x 4 Palmeiras
Brasileirão
Palmeiras 2 x 1 Santos
Santos 1 x 1 Palmeiras
2011
Paulistão
Santos 0 x 1 Palmeiras
Brasileiro
Palmeiras 3 x 0 Santos
Santos 1 x 0 Palmeiras
Na década
Nesta década, a vantagem é alviverde. Destaque para 2002, quando o Peixe foi campeão brasileiro mas, mesmo com Diego e Robinho, não passou de 1 a 1 com o Verdão na Vila (o campeonato era de turno único e só houve um jogo). Em 2003, o Palmeiras jogou a segunda divisão do Campeonato Brasileiro e não houve duelo entre os times, já que eles não se encontraram pelo estadual.
Em 2004, 2 a 2 pelo Paulistão e, pelo Brasileiro, ano em que o Santos seria novamente campeão nacional, o Alviverde de Vágner Love enfiou 4 a 0 em plena Vila Belmiro no primeiro turno. No returno, 2 a 1 para o Peixe na capital. Mas o Santos não era mais o time de Robinho e Diego (que nunca bateu o rival).
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Era uma vez no Oeste: Sergio Leone e o faroeste de cinéfilo italiano
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| Só um homem sai vivo desta. E três deles não são o Charles Bronson |
Por Nicolau Soares
(publicado originalmente no blog A Horda)
A cena é a seguinte: três homens de aparência bruta estão parados numa estação de trem. Impassíveis, aguardam, com a paciência de quem tem uma missão a cumprir. Não movem um músculo, até que o transporte chega. Sem uma palavra, se dirigem ao local de desembarque. O trem parte, e ninguém aparece, deixando os três desconcertados por um momento. Quando a máquina termina de passar, um som de gaita anuncia o recém-chegado.
- Frank mandou vocês?, pergunta o estranho, sorridente.
- Sim, ele mandou, responde o homem do meio.
- E onde está meu cavalo?
Os três riem alto.
- Parece que trouxemos um cavalo a menos!
O sorriso desaparece do rosto do estranho da gaita.
- Não. Vocês trouxeram dois a mais.
Esse é o começo de Era Uma Vez no Oeste, obra prima do diretor Sérgio Leone e clássico absoluto do gênero que ficou conhecido como “faroeste espaguete”. O apelido dado aos filmes de bangue-bangue que um bando de italianos encasquetou de fazer nas décadas de 1960 e 1970 – e que revelaram o monstro Clint Eastwood – desperta certo desdém nos apreciadores de westerns, mas é algo totalmente despropositado, pelo menos no que diz respeito aos filmes de Leone. O ragazzo sabia o que estava fazendo.
O gênero do faroeste nasceu, obviamente, nos Estados Unidos, terra que teve na conquista do oeste um de seus episódios mais importantes. Do ponto de vista histórico, tratou-se de uma série de conflitos expansionistas travados pelos primeiros estadunidenses contra quem eles vissem pela frente: franceses, mexicanos, texanos (chegou a ser um país independente), outros americanos e índios, muitos e muitos índios morreram na sede dos EUA em ampliar seu território. Nada inocente.
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| Charles Bronson, o Harmonica de Era uma vez no Oeste |
Em Hollywood, porém, essa história sangrenta assumiu contornos épicos. Não era a ação imperialista e agressiva de um povo mais forte atropelando os vizinhos mais fracos, mas a saga de um povo bravo, heróico e bem intencionado para construir uma nação. É a luta do homem para dominar a natureza e impor a modernidade e conquistar a própria a liberdade– mesmo que o conceito de “natureza” inclua uns bichos de duas pernas e pele avermelhada. Você vai achar isso nos faroestes de Howard Hawks, Anthony Mann e, principalmente, John Ford, o rei dos westerns e maior alimentador do mito da América livre – que mais tarde ele próprio veio questionar, mas isso é outra história.
O interessante de notar aqui é a proximidade dos fatos históricos com os filmes que eles narravam. Para se ter uma idéia, o xerife Wyatt Earp, personagem dos mais citados, morreu em 1929, quando a arte cinematográfica já estava a todo vapor – diz a sábia Wikipédia que ele chegou a conhecer John Ford, Tom Mix e John Wayne, astros do gênero. Isso quer dizer que os roteiristas que escreveram as primeiras histórias de bangue-bangue estavam contando histórias que ouviram do próprio personagem, do tio dele, do avô, do velhinho com um olho falso e um dente de outro que bebericava no boteco perto de casa. Eles estavam falando de gente de verdade.
Tudo isso para chegar na grande peculiaridade do western spaguetti: os italianos não tinham nenhum velho manguaça que conheceu Billy the Kid, nenhuma velhinha da rua deles tinha tido caso com o Buffalo Bill. Eles não tinham nada a ver com aquilo. Então por que diabos resolveram fazer faroeste? Porque eles gostavam pra caramba de cinema.
Foi no cinema que os Sergios Leone, Corbucci e Sollima, diretores destacados do gênero, viram os grandes heróis da conquista do oeste. Eles não viram nem ouviram a história do supracitado WyattEarp perseguindo o bando de Ike Clanton, eles viram Henry Fonda ir atrás de Grant Withersem Paixão dos Fortes, filmado em 1946 por John Ford. E eles adoraram.
O que eles viram foram personagens violentos, fortes e impressionantemente habilidosos com seus revólveres – que raramente ficavam sem balas. Eles viram heróis que escapavam de tiroteios impossíveis sem levar um tiro. Viram duelos ao por do sol de arrepiar. Eles não estavam nem aí para a conquista do oeste, eles queriam é mostrar dois fodões se detonando.
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| A linda Claudia Cardinale deixou todo mundo de queixo caído. Eu inclusive |
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PS do blog: não quis fazer esta observação na abertura deste ótimo texto sobre western para não interferir na edição original, do Nicolau. Dizer alguma coisa antes da foto que abre o post seria um desrespeito. Mas a observação é que hoje é sábado. Se estiver sem nada pra fazer, Era uma vez no Oeste é uma opção que você não esquecerá, se tiver sensibilidade.
Leia também: Favoritos do cinema: "Quando explode a vingança", de Sergio Leone
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