quinta-feira, 26 de abril de 2012

Sobre Libertadores e espetáculos tribais

Gols de Bolívar 2 x 1 Santos (La Paz, 25/04/2012)



A Libertadores é uma competição cuja mentalidade parou no tempo: parece que tem que se manter no século passado, com juízes ladrões, violência liberada, objetos atirados por torcidas insanas, estupidez, comportamentos tribais, coisas primitivas – e tudo isso aclamado com a subserviência de sempre: “isso é Libertadores”, dizem atletas, dirigentes, cartolas e jornalistas esportivos.

Se fosse para falar só de futebol, eu preferiria abordar a espetacular classificação do Bayern de Munique à final da Liga dos Campeões da Europa, ao eliminar o real Real Madrid em pleno Santiago Bernabeu, nos pênaltis, depois de dois placares iguais em ida e volta: 2 a 1 para o Bayern na Alemanha, 2 a 1 para o Real em Madri. A disputa entre madridistas e bávaros foi futebolística. E, com a eliminação do Barcelona pelo Chelsea, a final será Bayern x Chelsea, dia 19 de maio, em Munique (local pré-determinado desde antes da competição começar). Já nas alturas de La Paz (me perdoem a incorretice política) o que prevalece é uma espécie de amadorismo de republiquetas de bananas. Uma coisa ridícula, tribal mesmo, com o aval da Conmebol, da CBF e demais entidades envolvidas.

Noves fora zero, a vitória do Bolívar sobre o Santos por 2 a 1 na capital boliviana pelas oitavas-de-final não significa nada, porque, como disse Neymar após o jogo em que apanhou, de novo, bastante: “eles pensam que é só ida, mas vai ter a volta” (adoro em Neymar seu sempre inconformismo com a derrota). Na volta, esquecidos dos pontapés e cotoveladas que deram em La Paz, eles virão a São Paulo ou a Santos perder fácil e pedir autógrafos, vão poder contar às gerações de seus netos que enfrentaram o grande Santos de Pelé e Neymar no Brasil, coitados.

O jogo

Quanto ao prélio propriamente dito: um ponto vulnerável da defesa do Santos foi a lateral esquerda: Juan subia, perdia a bola, não dava conta de voltar e Durval era obrigado a cobri-lo. No primeiro tempo, o quarto-zagueiro tomou um amarelo nessa função de cobrir o lateral ausente. Henrique fez falta (reconheço).

O esquema ofensivo santista é limitado e se resume ao seguinte: “dá no Neymar”. Ora, não é possível o moleque resolver tudo sempre, sozinho. No primeiro tempo, embora Elano tenha irritado parte da torcida, pelo menos ele se apresentou pro jogo, chutou errado (mas chutou), e cobrou a falta que resultou no tento de empate. Já Paulo Henrique Ganso praticamente não foi visto em campo. Nem Íbson, que substituiu Elano. O gol da vitória do Bolívar saiu de mais uma falta cometida pelo lateral Juan de maneira tola, Juan que para mim foi o pior do time (péssimo) em campo.

E o juizinho chileno Enrique Osses, que sem-vergonha! Uma arbitragem escandalosamente caseira. Mas, é normal (favor reler o primeiro parágrafo deste post).

E domingo tem São Paulo x Santos, no Morumbi, pela semifinal do campeonato Paulista. Perca ou ganhe do Tricolor, e depois de eliminar os índios da Bolívia, o Santos terá um adversário bem mais duro nas quartas-de-final da Libertadores: o argentino Vélez Sarsfield ou o colombiano Atlético Nacional de Medellín, dois dos melhores times da Libertadores de 2012.

9 comentários:

Victor disse...

Acontecesse isso na Vila Belmiro a imprensa publicaria manchetes gigantescas contra a falta de civilidade, mas na "Libertadores" o comentário é o que vc mencionou, Edu, “isso é Libertadores”, dizem atletas, dirigentes, cartolas e jornalistas esportivos.
Aqui, na Vila, espero que o troco seja somente na bola.
Que os meninos descansem bem, porque o São Paulo vai ser uma pedreira, mas vamos ganhar.

Felipe Cabañas da Silva disse...

Em post anterior você dizia que o Santos ia passar fácil pelo Bolívar. Parece que não vai ser tão fácil assim, afinal. Agora você diz que o Santos vai atropelar em São Paulo e que os bolivianos vão babar ovo do Neymar. Quando eu falava de soberba, era disso que eu estava falando.

Embora o Bolívar seja um timinho que achou dois gols em bolas paradas, o futebol que o Santos apresentou esteve novamente muito aquém desse futebol de favorito ao bi, como o Santos é colocado por 11 em cada 10 jornalistas.
O gol do Santos também foi "achado". No final das contas, podia ter virado, mas depois que tomou o segundo gol parece que se contentou com a derrota, já pensando que em São Paulo vai "atropelar".

Óbvio que o Santos tem condição de fazer 3 ou 4 a 0 nesse timinho violento (como são quase todos os timinhos das Américas), mas acho que o segundo jogo estará longe de ser uma babinha, e para quem se diz muito experiente em Libertadores vejo sinais de que o Santos pode cair na boa e velha armadilha do salto alto. Ainda bem que nós, corintianos, já aprendemos lições de modéstia nesse torneio traiçoeiro e imprevisível.

Mr. brBlues disse...

A arbitragem canalha do chileno, de certa forma, surprende, tendo em conta uma histórica rivalidade entre chilenos e bolivianos. Mas deve ter valido a tal 'latinidad' da qual o Brasil se exclui por conta da barreira idiomática. Mas foi uma arbitragem escandalosamente parcial e safada!

Edu Maretti disse...

Felipe, o rancoroso - hahaha. Não tenho a menor sombra de dúvida que vai ser fácil, uma baba, sim, o jogo de volta (e consequentemente a classificação), apesar da torcida contrária dos nossos rivais corintianos e outros (o que prefiro... os santistas não fazemos a menor questão de que torcedores rivais torçam para nós em nenhuma circunstância, muito pelo contrário). Em 2005, por exemplo, jogamos contra esse mesmo timeco e os resultados foram: Bolívar 4 x 3 em La Paz... Santos 6 x 0 na Vila. E é muito comum times vagabundos como esse chegarem na Vila e seus "craques" disputarem a camisa de Neymar depois do jogo. O autógrafo devem pedir às escondidas, pra não ficar chato. Quer dizer, reafirmo: o Santos vai passar fácil. E você parece ignorar que jogar a 3.600 metros de altitude é muito complicado. Não dá sequer pra avaliar o desempenho de um time brasileiro em condições como essas, e é só disso que os pobres timinhos bolivianos se valem. Fora disso, são lixo.

E, de resto, entendo a raiva dos rivais, afinal ninguém aguenta mais ver o Santos ser campeão. É muito título pra um time só!

E, como lembrou o Luiz Mr. Blues, a arbitragem foi "escandalosamente parcial e safada".

E, Victor, sobre o troco ser "somente na bola", tenho para mim que às vezes falta "macheza" aos times brasileiros. Um Neymar apanha feito um cachorro e ninguém reage. No tempo de Pelé, Carlos Alberto Torres, Gerson e outros, não era assim não. Porrada se pagava com porrada. Pelé mesmo quebrou a perna de um inglês uma vez, assim como (pela seleção) Gerson de um paraguaio. Acho que o troco tinha que ser também na porrada, de vez em quando, sim. Nossos jogadores atualmente são muito mansinhos pro meu gosto.

Paulo M disse...

Alguns dos jogos que vi (ou todos) desta Libertadores me deixaram a impressão de ser a mais violenta desde que acompanho a competição pela TV. Deixa quase sem punição autores de cenas grotescas de luta-livre, um prato cheio para Camoranesis da vida (vi um jogo dele esses dias pelo Lanús, verdadeiro espetáculo de violência, punida só com amarelo), donos de currículos já manchados pela pancadaria. Triste. A má qualidade técnica de muitos times gera violência autorizada...

O Bayern tem o favoritismo na final da Liga dos Campeões: joga em casa contra um Chelsea desfalcado. Torço pelos alemães.

Gabriel Megracko disse...

Amigo querido, Cabañas, é realmente um sacrifício ver o "santinhos" que ia virar uma Portuguesa faturando mais que o TODO PODEROSO TIMÃO. Não é soberba... é um fato soberbo! E mais, o Corinthians em alta é a soberba em simesmaprópria. Dizer que o Santos ontem não apresentou o futebol esperado é qualquer coisa, menos um argumento digno de ser levado a sério.

Felipe Cabañas da Silva disse...

Raiva? Rancor? Não sei onde nas minhas mensagens pode ficar claro um rancor contra a instituição Santos. Porque sou um modesto corintiano, detesto, isso sim, a soberba e o salto alto. Torcer contra às vezes torço sim, como tenho certeza que vocês devem engrossar o coro do anti-corintianismo frequentemente, especialmente em Libertadores. Normal. Torcer para o seu time e secar os rivais. Acontece no Brasil, acontece em São Paulo, em Madrid e no Gabão. O lado perverso, truculento, mesquinho do ser humano.

Aliás, atualmente, tem torcedores por aí que se preocupam mais em torcer contra o Corinthians do que em torcer para os seus próprios times. Os santistas não fazem parte desse rol, por motivos óbvios: atualmente têm um time para torcer, ao contrário de outros.

Mas só não me diga que do Corinthians pode vir um rancor contra o Santos por causa de títulos, porque nos últimos anos, assim como o Santos e apesar de não ter ganho essa famigerada Libertadores, o Corinthians se mantém competitivo, conquistando títulos de peso. Atualmente, temos um time promissor, um clube organizado, um estádio em andamento. Não precisamos nos focar no ódio e no rancor aos rivais.

Paulo M disse...

Opa, Felipe, time pra torcer nós temos, sim, só não é o melhor do mundo. Dizem que o amor mais puro é aquele que não cobra retorno. Estamos exercitando essa prática, he he. Mas do chão não passa, vai meiorá...

Edu Maretti disse...

Felipe, se eu não tivesse dado risada ("hahaha") você poderia levar a sério. Mas como eu estava brincando, e me referia a um rancorzinho inofensivo de torcedor que vive xingando a Libertadores de tudo que é nome,rs, não precisa levar a ferro e fogo. Como eu já disse muitas vezes, sem humor futebol não tem graça... fora os ódios de momento, que passsam...