sexta-feira, 20 de abril de 2012

Libertadores: Santos e Corinthians pegam times sem tradição nas oitavas


Terminada a última rodada da fase de grupos da Libertadores, cinco times brasileiros estão nas oitavas-de-final – só o Flamengo de Ronaldinho Gaúcho e Vágner Love deu vexame e caiu fora precocemente. Os confrontos que iniciam a fase de mata-mata são os seguintes:

Libertadores 2012 – Oitavas-de-final:

Fluminense x Internacional
Unión Española (CHI) x Boca Juniors (ARG)
Libertad (PAR) x Cruz Azul (MEX)
Universidad de Chile (CHI) x Deportivo Quito (EQU)
Corinthians x Emelec (EQU)
Lanús (ARG) x Vasco
Vélez Sársfield (ARG) x Atlético Nacional (COL)
Santos x Bolívar (BOL)

Obviamente, o grande jogo é Fluminense x Internacional, imprevisível, embora com algum favoritismo do time de Abel Braga contra o Colorado de Dorival Júnior. Fora o clássico Flu x Inter, Santos e Corinthians parecem (parecem) francamente favoritos e o Vasco tem parada aparentemente mais difícil.

O Timão contra o equatoriano Emelec (que ficou em segundo no grupo do eliminado Flamengo) só cai se perder para si mesmo (o que aliás não é incomum em se tratando de Corinthians na Libertadores...) O Santos deve passar com relativa facilidade por mais um boliviano, o Bolívar. E o Vasco pega o argentino Lanús, líder do grupo 2, o mesmo do classificado Emelec e do desclassificado Flamengo.

Boas disputas devem ser Vélez Sársfield x Atlético Nacional e Unión Española x Boca Juniors.


Sonolento, Santos azul acorda no fim e faz 2 a 0 no "Mais Forte"

Foto: Ivan Storti - Divulgação/ Santos FC 
Na estréia de seu novo terceiro uniforme, azul, o Santos fez a típica partida do time que entra em campo com o pensamento de que vai ganhar quando quiser. Só que a retranca do boliviano The Strongest (“o mais forte”, não custa traduzir) somada à indolência santista quase resultou em um melancólico empate na Vila Belmiro.

Mas o 0 a 0 que parecia impossível e ia se concretizando acabou não acontecendo: aos 40 minutos do segundo tempo, Alan Kardec aproveitou cruzamento de Neymar e mandou para as redes, fazendo mais uma vez em poucos minutos o que o centroavante-manteiga Borges não conseguira durante todo o jogo. São insondáveis os motivos pelos quais Muricy Ramalho insiste em manter Borges e deixar Kardec no banco. E 2 minutos depois Neymar, aproveitando passe de Borges (que alguma coisa tinha que fazer), deu números finais ao duelo. Com o gol, ele chegou a 11 e igualou Coutinho entre os maiores artilheiros da história do Santos na Libertadores, ficando atrás apenas de Pelé (com 17) e Robinho (14).

*Veja os gols pela Santos TV (outro ângulo e som da torcida)




O Alvinegro de Muricy tinha muitos marcadores de ofício para enfrentar um fraquíssimo The Strongest: Adriano, Arouca (depois Íbson), Henrique – improvisado na lateral direita –, além de Elano muito fixo e isolado pela direita, quando poderia jogar mais enfiado pela meia. O jovem Felipe Anderson poderia ter entrado muito antes (no lugar de Henrique ou Adriano), mas só adentrou o gramado no fim, para substituir Elano. Tantos marcadores para marcar quem, em um time que só se defendia? Depois de tanto tempo lutar com seu time formado por uma miríade de volantes, Muricy teve uma iluminação e resolveu tirar o lateral Henrique para colocar Alan Kardec, o que até eu do sofá da minha sala teria feito no mínimo meia hora antes. E ainda ficou se vangloriando pela alteração. “Tem hora que a gente tem que se meter no jogo", disse o treinador, como se fosse um gênio.

Observação: o lindo (terceiro) uniforme azul usado pelo Peixe nesta noite na Vila Belmiro não é uma cor escolhida ao acaso: é uma homenagem ao passado remoto do clube: as primeiras cores usadas pelo Santos no ano de sua fundação, em 1912, foram azul, branco e dourado.

*Atualizado às 13:40

18 comentários:

Gabriel Megracko disse...

Se entendi bem, caso o Santos e o Vasco ou o Corinthians ou os dois passem para as quartas, o Santos joga com Inter ou Fluminense, porque caso as semis tenham três times brasileiros (por exemplo, Fluminense x ? / Santos x Curintia), não vai dar certo o remanejamento de chave a fim de evitar que haja a possibilidade de final brasileira, certo?

Gabriel Megracko disse...

"Azul da cor do mar"

Edu Maretti disse...

Não, Gabriel. Só nas semifinais é que, caso o encadeamento leve dois times do mesmo país a se encontrar, é que haverá remanejamento (o que será impossível se houver por exemplo três ou quatro brasileiros entre os 4 semifinalistas). Aliás, acho estúpido esse aspecto do regulamento da Libertadores.

Mas enfim, nas quartas, ainda não há nenhum remanejamento. Passando pelo Bolívar (toc toc toc), o Santos pega nas quartas Vélez Sarsfield ou Nacional de Medellin. Se passar, o Corinthians pega Lanús ou Vasco. Inter ou Flu pegam provavelmente o Boca, se este passar pelo Unión Española. U.Chile ou Deportivo Quito enfrenta Libertad ou Cruz Azul.

Da pra entender bem vendo o regulamento oficial da Conmebol neste link:

http://www.conmebol.com/export/sites/conmebol/Docs/Copa_Libertadores/2012/Reglamento_Libertadores_2012.pdf

O globoesporte.com dá o encadeamento, mas está montado sem explicação e não dá pra entender o porquê dos cruzamentos. Seja como for, está aqui:

http://globoesporte.globo.com/futebol/libertadores/#/classificacao-e-jogos

Leandro disse...

Qualquer time sulamericano tem mais tradição que o SCCP nesta competição. Isso é o que dizem vocês, especialistas nela.
Até Flamengo e Olimpia, componentes do mesmo grupo e pela milésima vez precoce e riduculamente eliminados, têm mais tradição.
Então, por uma questão de coerência, o Emelec deve ser reputado como time com mais tradição en "La Copa" (La Copita?) que o SCCP, esta excrescência do universo da mitologia anti-corintiano-modernosa-copeira.

Leandro disse...

Digo: anti-corintiano-modernoso-copeiro.

Paulo M disse...

Sejam lá quais forem os confrontos nas quartas e nas semi da Libertadores, os favoritos não mudam: pra mim, pela ordem, Santos, Boca, Inter, Velez, Corinthians, Flu, Libertad, Universidad de Chile, Vasco... De qualquer maneira, o fato é que o futebol no Brasil demora quase meio ano pra entrar num ritmo de paixão e alguma adrenalina... É muito tempo perdido com joguinhos preliminares que nunca terminam, no Paulista e na Copa do Brasil... Aproveitando, parabéns para o Santos pelos 100 anos. O futebol brasileiro lhe deve muito, mas espero que siga como freguês do Verdão.

Edu Maretti disse...

Valeu aí, Paulão, pela sinceridade indiscutível (hehe) de suas felicitações ao centenário do glorioso Santos!

Valeu aí, Leandro, pelo reconhecimento de que somos "especialistas" em Libertadores. Mas pra tu ver - como diz o caiçara -, mesmo sendo especialistas temos apenas três títulos!...

abraços aos companheiros palmeirenses e corintianos, sem vocês o futebol teria menos graça e emoção, rs.

Felipe Cabañas da Silva disse...

Libertadores não tem esse negócio de time com tradição ou sem tradição. Quando olhamos a história da competição, vemos que é de fato um torneio "atípico". Este Nacional de Medellín (ou Atlético Nacional, que é o mais correto), que o Santos pode pegar nas quartas (embora eu ache o Vélez franco favorito), que muitos podem achar tratar-se de um "timinho inexpressivo" lá da Colômbia, já ganhou uma Libertadores, no fio da navalha, com os dólares de Pablo Escobar e com direito a show de um goleiro alucinado, um certo Higuita, figura folclórica do futebol latino-americano conhecida de quase todos os amantes da história dos relvados. Em 2004, outro time "inexpressivo" da Colômbia ganhou a Libertadores, um certo Once Caldas, que desbancou só os grandes especialistas Santos, São Paulo e Boca Juniors. Em 2008, mais um "inexpressivo" venceu a mais desejada e mística competição das Américas, dessa vez lá do Equador, a LDU, que fez uma das piores campanhas da primeira fase e despachou times como Estudiantes, América do México e Fluminense, quase sempre jogando a segunda fora.

O próprio escriba do blog já afirmou por aqui que a Libertadores é um torneio estranho que frequentemente derruba os favoritos.

Eu acho que é preciso tomar cuidado com a soberba. O Emelec vai ser parada duríssima para o Corinthians. Assim como o Bolívar para o Santos, que tem um inimigo que o Corinthians não vai ter: a tão temida altitude. Guayaquil, casa do Emelec, não é tão alta quanto Quito, casa da LDU. O Santos, por sua vez, joga em La Paz, a 3700 metros de altitude, num duelo que pode ficar perigoso, principalmente se jogar o futebol que jogou contra o Strongest (e, diga-se, eu assisti o jogo inteiro do Santos ontem).

Edu Maretti disse...

Felipe, desta vez vou discordar de você, amparado pelos números. Libertadores tem sim "esse negócio de time com tradição ou sem".

Eu posso ter dito que a Libertadores apronta surpresas, mas não disse que a tradição não conta.

Você usa uma retórica inteligente, valendo-se das exceções. Mas as exceções citadas por você (Once Caldas, Atlético Nacional e outros, como os grandes Palmeiras e Vasco) são claramente minoritárias no total dos títulos: das 51 edições da competição, em 42 vezes (ou 82%) ganharam times que ao longo da história construíram o que chamamos de tradição:

Independiente 7 títulos
Boca Juniors 6
Peñarol 5
Estudiantes 4
Nacional, Olimpia Paraguai,São Paulo e Santos com 3
Cruzeiro, Grêmio, River Plate e Internacional com 2

Em apenas nove ocasiões, ganharam os times que têm um título só.

um abraço

Felipe Cabañas da Silva disse...

Eu quis dizer que tradição é um fator relativo. É claro que pesa. Mas acho que os times que têm tradição na competição (eu, obviamente, não entendo nada disso, já que sou um modesto corintiano), não podem se esconder atrás dela. É um torneio traiçoeiro. Nós, corintianos, estamos de boa. Segundo as lentes anti, somos tão inexpressivos na Liberta quanto o pobre Emelec. Soberba não é exatamente o nosso problema...

Mas você citou títulos de alguns times, Edu, que ganharam a Libertadores repetidas vezes, chegando ao absurdo de 4 títulos seguidos, como é o caso do Independiente, num momento em que o torneio continental era um torneio de menos de 10 clubes e o campeão de um ano no outro ano já entrava direto na semifinal. De 1960 até 1969, somente times uruguaios, argentinos e brasileiros (com destaque claro dos argentinos) levantaram a taça.

A Libertadores mudou extremamente; óbvio, a América Latina mudou extremamente. A Libertadores do final do século XX e do início do XXI passou a ser um torneio mais aberto, mais democrático e imprevisível - tanto é que desde 2001, com o bicampeonato do Boca, não se vê um bicampeão seguido e os únicos clubes que ganharam o torneio mais de uma vez foram Boca e Internacional. De 2002 a 2011, tivemos times do Paraguai, da Colômbia, do Equador, do Brasil e da Argentina, 5 PAÍSES DIFERENTES, levantando a taça.

Hoje, se tiver um duelo Independiente x LDU na Libertadores e me pedirem para apostar, certamente eu apostarei na LDU. O maior campeão da competição não chega numa semifinal desde 1985. O próprio Santos, que hoje bate no peito e se diz um dos "habitués" do torneio, até voltar a uma final de Liberta em 2003, tinha a sua tradição na competição quase esquecida. É um torneio estranho, atípico, e por isso mesmo o mais sensacional torneio continental de clubes que existe no mundo - Champions League??? Eu curto é Libertadores... rsrs

Felipe Cabañas da Silva disse...

*onde se lê de 1960 até 1969, leia-se de 1960 até 1979.

Leandro disse...

Ex-Copa dos Campeões da Europa? Libertadores?
Eu curto é a LOFS. A gloriosa Liga Osasquense de Futebol de Salão.

Leandro disse...

"Hoje, se tiver um duelo Independiente x LDU na Libertadores e me pedirem para apostar, certamente eu apostarei na LDU."
Perfeito. E nem precisa ser especialista ou entusiasta da competição para, como eu, apostar até no Deportivo Quito ou no Barcelona de Guayaquil contra o outrora poderoso Independiente.

Edu Maretti disse...

Olha, esse negócio de menosprezar a Libertadores de edições antigas não me parece um argumento legal, meus caros. Soa como despeito.

Filosoficamente,digamos, invertendo o raciocínio, seria a mesma coisa que dizer que até 1990 o Corinthians não passava de um time pequeno que até então a única coisa que ganhara na história era campeonato paulista. Se o Independiente hoje não é o que era quando ganhou 5 Libertadores seguidas não importa. Tradição é: "herança cultural, legado de crenças, técnicas etc. de uma geração para outra" (Houaiss). Tradição se faz com o tempo. E o fato de ter 10 times na competição obviamente não a tornava mais fácil. Eram dez times fortes. Hoje, dos 32, a maioria é composta por times de médios a fracos e fraquíssimos.

Leandro disse...

Antigamente o número de protagonistas era proporcionalmente menor, Edu.
Basta observar que nos anos 60/70, e até num bom pedaço dos 80, o futebol de países como Chile, Colômbia, Paraguai e Equador era bem menos competitivo. E se a Venezuela, país em que a modalidade nem é o principal esporte, ameaçou um tímido avanço só agora, nos ano 00, imagine como era lá nos primórdios da competição.

Edu Maretti disse...

Pois é, Leandro, concordo: "Antigamente o número de protagonistas era proporcionalmente menor".

No fim das contas, fica equivalente.

Nos anos 60, notoriamente, até 1970, o Santos trocou outros títulos de Libertadores por dólares de excursões internacionais mais bem pagas. Na época se dizia que o Santos treinava no avião... Senão, podíamos ter 4, 5 até 6 Libertadores, pois indiscutivelmente era o melhor time do mundo.

Leandro disse...

Não fica equivalente não, Edu.
O fato é que, naqueles tempos, bastava ganhar de um ou outro uruguaio ou argentino e a fatura estava liquidada.
Sem contar que a pressão por ganhar não exista, porque os clubes brasileiros tinham outro enfoque. Vide o exemplo do Santos, que preferiu passear e ganhar dólares pela Europa, Asia ou Africa, ou do próprio Corinthians.
Recentemente, vi uma entrevista do Zé Maria na TV Cultura em que ele dizia que a Libertadores de 77 representava um mero "vestibular" para o Paulistão daquele mesmo ano.
Paulistão que, diga-se, é e será o maior título corinthiano sempre, aconteça o que acontecer nos próximos cinquenta anos. Título mais que histórico, como mais que histórico já é e será o triunfo campineiro nesta tarde de 22/04/1500. Uma tarde para o arqueiro Julio César esquecer.

Leandro disse...

Digo: triunfo campineiro nesta tarde de 22/04/2012.