terça-feira, 31 de maio de 2011

De tabaco e políticas higienistas

Hoje é o Dia Mundial sem Tabaco. Daí, impossível evitar algumas considerações. A primeira, óbvia para quem é de São Paulo, é que aqui, graças a sua excelência José Serra, o ex-governador do estado, supõe-se que freqüentadores de bares e da noite estão livres da morte pela fumaça.

Apesar do apoio maciço da população paulista (a mesma que elege tucanos para governadores há 16 anos) à hipócrita lei antifumo de Serra, e apesar de o cigarro fazer mal, eu continuo contra a lei serrista. Não por ser fumante. Mas porque a legislação tucana promove a discriminação das pessoas, incentiva a delação, prejudica o comércio, é inconstitucional e fascista.

Sou totalmente a favor de que os não-fumantes tenham direito de não respirar fumaça de cigarro alheio. Mas esse direito não pode automaticamente tornar os fumantes em proscritos da sociedade, impedidos de dar suas pitadas até em bares que disponibilizam espaço para isso, com mesas na calçada por exemplo.

"Hitler é o precursor"

Há dois anos, quando a lei serrista foi sancionada, o deputado estadual Adriano Diogo (PT) escreveu: “Por trás disso tudo está a política higienista de Andrea Matarazzo, o fascismo silencioso e perverso de Serra, a síndrome por uma sociedade perfeita e sem vícios. Esta é a eugenia serrista. E qualquer semelhança com a eugenia nazista não é mera coincidência. Adolfo Hitler é o precursor das campanhas públicas anti-tabagistas. Na década de 1930 e início da década de 1940 ele comandou a campanha anti-tabagista mais poderosa do mundo, que muito se assemelha à lei que foi sancionada, pois restringia o fumo em lugares públicos, além de estabelecer normas para o consumo em restaurantes e cafés”.
Serra: política higienista 

E ainda: “Esta lei é uma afronta à liberdade e à Constituição. O cigarro é uma droga lícita e o fumódromo está assegurado pelas leis federais e municipais. Os fumantes e os não-fumantes têm condições de conviver pacificamente num mesmo ambiente, já que liberdade é um dos valores supremos do Estado Democrático de Direito”.

No STF

O professor Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, de Direito Constitucional da PUC de São Paulo, lembra que a lei tucano-serrista ainda terá sua constitucionalidade analisada pelo Supremo Tribunal Federal. Para ele, a legislação é claramente inconstitucional. “Primeiro, porque contraria a norma geral da União, o que não poderia fazê-lo. Depois, porque o direito à saúde do não-fumante não pode ser pretexto para eliminar-se o direito de liberdade da minoria fumante. Ambos devem coexistir porque gozam da mesma proteção constitucional. Não pode haver proibição indiscriminada, como está acontecendo também com a Marcha da Maconha”, lembra Luiz Tarcísio.

Celular e câncer

Hoje foi divulgada a informação de que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a radiação emitida por telefones celulares pode causar câncer. Segundo a OMS, o celular é "possivelmente cancerígeno" como o chumbo e escapamento de motor de carro.

Há muitas coisas cancerígenas ou provavelmente cancerígenas, como agrotóxicos, conservantes de alimentos e tantas outras maravilhas da indústria.

Que tal proibir tudo?

5 comentários:

Leandro disse...

Concordo com boa parte do texto. Os direitos devem ser iguais.

Mas que é bom sair pra tomar uma cervejinha e não chegar fedendo em casa. Ah, isso é.

Um dos vários problemas de governos tucanos é não debater, não estudar alternativas. Apenas proibir, proibir e proibir. E espancar manifestantes.

Felipe Cabañas da Silva disse...

Dizem que suquinho de pózinho também dá câncer. Eu particularmente acho que suquinho de pózinho é o demônio em pó... hehehe... Esse milagre da engenharia de alimentos sempre me despertou as maiores paúras... Pra mim suquinho de pózinho é pior que celular, cigarro e cachaça juntos. O pior que vc pode fazer pela sua saúde é comer nugget com suquinho de pózinho, beber uma cachaça pra assentar, e depois ligar pra sua mulher no celular fumando um marlboro. Receita infalível pra ir parar no hospital do câncer. Aliás, estou desconfiado que mulher tb dá câncer... é tanta dor de cabeça que isso só pode ter alguma consequência à longo prazo.

Mas falando sério agora, vc lembrou das campanhas anti-tabagistas de Hitler, e eu já faço uma associação mais corriqueira. No afã de enxugar as contas públicas no Estado, vem à calhar prevenir os problemas de saúde públicas e desafogar as filas do SUS. E o povo ainda acha que o sr. Serra está muito preocupado com a saúde da população. No Dráuzio Varella eu acredito. Agora no Serra só acredita quem tiver algum talento pra ser paspalho...

Mayra disse...

E no cemitério? Tem área de fumante e de não fumantes, né?

Mariquita, dá cá o pito,
no teu pito está o infinito. Vaticinou Drummond.

Paulo M disse...

Como seria possível criar a lei anti-stress? Querem algo mais cancerígeno? Cigarro é uma merda mesmo (não faço apologia dele), mas entre tantas outras merdas. A maior causa de mortes por câncer é a não descoberta da cura do câncer he he. Me lembro de ter lido, há uns 25 anos, que cientistas australianos teriam descoberto a cura do câncer de pele, e que em pouquíssimo tempo as pessoas tratariam a doença com meia dúzia de injeçõezinhas na farmácia. Li exatamente isso, na Folha ou no Estadão, não lembro agora. Nunca mais ouvi falar no assunto. Estranho, né? Não acho que algo possa ser justificativa pra se fumar que nem o diacho, mas dizem que buzina de carro causa hipertensão e até infarto. Cadê a bendita da lei "antibarulho"? Acho que fumar pode fazer até bem se for bem dosado.

Unknown disse...

Muitos e muitos fumantes e não fumantes morrem por falta de atendimento ou negligência médica em filas de Hospitais Públicos.
Muitos fumantes e não fumantes morrem de tanto strees e poluição só nesta cidade.
Tenho alguns amigos, donos de barzinhos com música ao vivo, que " pedem " para que voltemos lá, após essa lei Serrista eles tiveram uma imensa queda em seu público causando até o fechamento de alguns bares. Sou contra toda e qualquer proibição, afinal vivemos ou não em uma Democracia ? Vivemos em uma Ditadura mal disfarçada.