terça-feira, 10 de maio de 2011

Al Pacino vai atuar com John Travolta em filme sobre mafioso John Gotti


São sempre bem-vindos filmes com o ator de Um Dia de Cão, Serpico, O Poderoso Chefão e outros


Segundo o site Access Hollywood, Al Pacino vai atuar com John Travolta no filme Gotti: Três Gerações (Gotti: Three Generations), dirigido por Barry Levinson. Travolta fará o papel do gângster John Gotti e Pacino, o de Aniello Dellacroce, subchefe da família Gambino e sócio de Gotti.

O filme deve ser lançado em 2013. “Mais um filme de máfia”, pode objetar alguém. Mas filme com Al Pacino é sempre bem-vindo. Pacino não é apenas um ator, mas um ícone.

Ao falar dele, sempre me vem à memória a sequência do assassinato do mafioso Sollozzo numa cantina, no filme O Poderoso Chefão (The Godfather – 1972), extraordinária e emblemática de uma atuação inesquecível. Na cena, momentos antes de atirar nas vítimas, a tensão e a adrenalina de um homem prestes a debutar no mundo do crime operam uma transformação impressionante em sua face, até chegar aos olhos, que se movem desesperadamente, denunciando o espírito em convulsão.




Claro que, nesse filme e nos outros dois da trilogia, a direção de ator de Francis Ford Coppola é também essencial. A cena acima, aliás, não está neste post por acaso, pois essa obra-prima do cinema reúne não apenas Coppola e Pacino, além de fantástico elenco, como também o maior de todos, nesta humilde opinião: Marlon Brando.

Nascido no Bronx em 1940, Alfredo James Pacino, de ascendência italiana, tem portanto 71 anos hoje, completados em 25 de abril, o que é chocante, porque sempre temos ilusão de que os mitos não envelhecem.


Como o policial Serpico/ Foto: Divulgação

Entre seus cerca de 50 filmes, Um Dia de Cão (1975) e Serpico (1973) tornaram-se cults não apenas por terem Pacino como protagonista, mas também pela direção de Sidney Lumet, que traduziu nessas obras inquietações dos anos 70 sem nunca resvalar em chatices panfletárias, daí serem filmes que sobrevivem ao tempo (vale a pena assistir a ambos). Lumet que, diga-se, morreu no último dia 9 de abril.

Perfume de Mulher

Ainda sobre cenas, uma das mais marcantes das que me lembro desse ator genial é a de Perfume de Mulher (1992 - dir. Martin Brest). Com um roteiro simples e bem hollywoodiano, o filme conta a história de um militar cego (Pacino) que quer realizar um sonho (passar um fim de semana em Nova York antes de morrer) e para isso contrata um jovem como acompanhante, interpretado por Chris O'Donnell, muito bem no papel de Charles Simms. Esse filme mostra perfeitamente como um ator do tamanho de Al Pacino consegue fazer de um roteiro banal algo inesquecível (“tamanho” figurativamente, claro, pois o ator tem apenas 1,70m de altura).

Óbvio que sozinho ninguém faz milagres. Em Advogado do Diabo (1997), por exemplo, apesar de sua atuação ser sempre para mim o ponto alto dos filmes, o personagem, ninguém menos do que o próprio Diabo, me parece muito parecido com o Frank Slade de Perfume de Mulher em certas entonações, tiques e até o timbre de voz.

No ótimo O Informante (1999, dir. de Michael Mann), um dos filmes de que mais gosto entre os protagonizados pelo ator, Pacino faz um jornalista famoso e contracena com o impecável Russell Crowe. A sequência inicial é impressionante (só ela já vale a pena). Já li críticas sobre a duração desse filme, que seria exagerada (160 minutos). Eu, pelo menos, fiquei hipnotizado e não me entediou.

O filme mais recente dele de que tenho notícia, As Duas Faces da Lei (2008), do meio obscuro Jon Avnet, e com Robert De Niro, eu não vi.

Veja abaixo a filmografia de Al Pacino.

2008 - As Duas Faces da Lei
2007 - Treze homens e um novo segred
2007 - 88 minutos
2005 - Tudo por dinheiro
2004 - O mercador de Veneza
2004 - Void moon
2003 - Contato de risco
2003 - O novato
2002 - Insônia
2002 - O articulador
2002 - Simone
2001 - Chinese coffee
1999 - Um domingo qualquer (Any given sunday)
1997 - Advogado do diabo
1997 - Donnie Brasco
1996 - Ricardo III - Um ensaio

1996 - City Hall - Conspiração no Alto Escalão
1995 - Fogo contra fogo (Heat)
1995 - Um dia para relembrar (Two bits)
1993 - Pagamento final (Carlito's Way)
1992 - O sucesso a qualquer preço (Glengarry Glen Ross)
1992 - Perfume de mulher (Scent of a woman)
1991 - Frankie e Johnny
1991 - Na cama com Madonna
1990 - O poderoso chefão 3 (The Godfather - Part III)
1990 - Dick Tracy
1989 - The Local stigmatic
1989 - Vítimas de uma paixão (Sea of love)
1985 - Revolução
1983 - Scarface
1982 - Autor em família
1980 - Parceiros da noite (Cruising)
1979 - Justiça para todos

1977 - Um momento, uma vida
1975 - Um dia de cão
1974 - O poderoso chefão 2 (The Godfather - Part II)
1973 - Espantalho (Scarecrow)
1973 - Serpico
1972 - O poderoso chefão (The Godfather)
1971 - Os viciados
1969 - Uma garota avançada
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5 comentários:

Paulo M disse...

Como não seria possível associar Al Pacino, Sapagetti, Fellini, Pasolini (que amava futebol) com Palestra Itália mais a passionalidade e a histeria paranóica italiana? Li duas matérias hoje, no uol e no terra, segundo as quais amanhã será meio feriado em Roma: o sismólogo Rafaelle Bendandi previu, há tempos, um grande terremoto que sacudiria a cidade em 11 de maio de 2011. A coisa se espalhou pela Internet e o povo evacuou a área na véspera. Mas essa cena do "Poderoso chefão" é uma das dez melhores do cinema, juntamente com a de um outro inesquecível ítalo-universal, Leone, no duelo final de "Era uma vez no oeste". Se fizermos 7 a 0 amanhã no Coritiba, vou a Roma, amanhã mesmo, esperar a estréia do filme debaixo das pedras.

Edu Maretti disse...

Cacete, se for assim espero que o teu Palmeiras não faça 7 a 0 - hehe.

alexandre disse...

Paulinho, posso ir também? Mas prefiro ficar sobre as pedras, se possível.

Mayra disse...

Deu vontade de rever pela enésimna vez O poderoso chefão I. Você já viu o dvd que tem um extra com os comentários do Coppola cena por cena? É um deleite à parte.

Ai, ai, acho que o Paulinho não vai a Roma, não...

Edu Maretti disse...

Não vi esse DVD não, Mayra. Seja como for, acho que vale a pena ver pela enésima vez The Godfather mesmo. Estaria na minha lista dos 10 maiores filmes!

Assim como a cena que Paulo descreve como "uma das dez melhores do cinema" acho que é, de fato. Quando você assiste pela primeira vez, é muito impactante essa cena...