sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Elano é vítima de um esquema tático que sacrifica o talento


A notícia de que o meia Elano estaria em “rota de colisão” com o treinador Muricy Ramalho pode não se confirmar, mas também pode ser o primeiro sinal de que as coisas já não estão tão bem no relacionamento de Muricy com o elenco. Além disso, o atleta estaria chateado por saber que, supostamente, teria sido oferecido pela diretoria santista (especulação?) em uma eventual negociação com o meia Douglas, do Grêmio, que acabou indo para o Corinthians.


Foto: Ricardo Saibun/Santos FC
No time de Muricy, meia é reduzido a um marcador

É verdade que Elano não rendeu no segundo semestre do ano passado o que dele se esperava (mas quem rendeu, fora Neymar?), e neste blog eu o critiquei seguidamente. É também verdade que o jogador custa caro, tendo um dos maiores salários do clube (seriam R$ 500 mil). E, como se sabe, ele teve problemas pessoais no ano passado, como todo mundo tem, o que prejudicou seu futebol.

Limitação tática

Por outro lado, vou sair aqui em defesa de Elano, bicampeão brasileiro (2002 e 2004), paulista e da Libertadores pelo Santos em 2011.

Parece-me que o desconforto de Elano passa muito pela limitação tática do esquema de Muricy Ramalho. Vejamos por exemplo o empate em 1 a 1 com o Oeste, ontem. Enquanto jogou (embora limitado a uma faixa de campo – porque Muricy exige que ele marque, marque e marque, mesmo com dois volantes – Arouca e Henrique –  contra um adversário defensivo), Elano deu alguns passes longos de precisão cirúrgica, o que não é pouco num time que tem nos erros de passe (diga-se: sintoma de treinamento deficiente) um de seus principais problemas, bateu escanteios venenosos e, numa cobrança de falta, mandou uma bola na forquilha, que bateu no travessão.

O jogador pediu para sair, embora aparentemente sem nenhum problema físico. O treinador justificou dizendo que ele ainda está sem ritmo de jogo e não conseguia se adaptar à marcação no setor que já tinha Pará. Ora, com Muricy, o habilidoso, versátil e ofensivo Elano é reduzido a uma função medíocre de marcar e cobrir o lateral direito, mesmo com a equipe já tendo dois volantes (Henrique e Arouca).

Marcação, marcação e mais marcação

Incrivelmente, o meia não foi sequer escalado na final contra o Barcelona, com toda a bagagem, experiência e categoria que tem. Muricy insiste na nulidade que responde pelo nome de Henrique, enquanto sacrifica um meia como Elano (que também joga de volante, mas cria) para marcar e marcar e marcar... o Oeste!, que só entrou em campo ontem para destruir, e inclusive com deslealdade (Neymar apanhou muito contra esse timinho de Itápolis).

Apesar de não estar em sua melhor forma física (e quem está, no time titular?), Elano não é bobo, e enxerga a aberração defensiva do treinador. Provavelmente isso esteja na raiz de seu comportamento contra o Oeste. O esquema de Muricy sacrifica o talento. Ele reclama do elenco (que segundo ele precisa de reforços), mas não tem coragem de escalar um volante de muito talento, Ânderson Carvalho, que é jovem, porque seu titular é Henrique. Deixa o artilheiro do campeonato (Alan Kardec) no banco em nome do seu esquema. Kardec cabe, sim, no time, com Neymar e Borges (que ontem, aliás, jogou muito mal e perdeu três gols feitos).

Em minha modesta opinião, quem ganha jogos e títulos são os jogadores, e um grande treinador já faz muito quando não atrapalha. O Santos tem elenco para disputar todos os títulos em 2012, mas com esse espírito (e espero queimar a língua) vai ser difícil.

Santos x Palmeiras

O próximo jogo do Peixe é contra o Palmeiras em Presidente Prudente, domingo. O treinador já avisou: “Não estamos preparados para jogar um clássico, a parte física nossa não está ideal”. Claro, Muricy, isso ficou claro no segundo tempo de ontem, quando o time pregou completamente. Mas, para o grande "professor", uma eventual derrota já está de antemão justificada.

Vitória da democracia: Supremo vota pela independência do Conselho Nacional de Justiça


Da Agência Brasil: “O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) tem total independência para investigar juízes, segundo definiu hoje (2), por 6 votos a 5, o Supremo Tribunal Federal (STF). Os ministros entenderam que a Corregedoria do CNJ pode iniciar uma investigação contra magistrados – ou reclamar processo administrativo já em andamento nas cortes locais – sem precisar fundamentar essa opção”.

Destaco uma passagem do voto do ministro Joaquim Barbosa pela prevalência da independência do CNJ: “As decisões do conselho passaram a expor situações escabrosas do seio do Judiciário nacional. Aí, veio essa insurgência súbita a provocar toda essa reação corporativa contra um órgão que vem produzindo resultados importantíssimos no sentido da correição das mazelas do nosso sistema de Justiça”.

Amigos, a decisão do Supremo Tribunal Federal contra ação da Associação dos Magistrados Brasleiros (AMB) é alvissareira, pelo menos uma luz no fim do túnel num país em que em nome da própria justiça se perpetra, entre tantas, barbaridades como a do Pinheirinho. Mas este é outro assunto, não tem nada a ver com o tema deste post. O resultado do julgamento de hoje consagra os princípios dos artigos 2° e 3° da Constituição do país, sobre os poderes (Legislativo, o Executivo e o Judiciário) e "objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil". Ficaria longo aqui, mas você pode consultar neste link da Constituição do Brasil.

Devem estar lembrados que, meses atrás, a corregedora-nacional de Justiça do CNJ, Eliana Calmon, afirmou sobre a ação que tentava, no Supremo, limitar a atuação do órgão, que era "o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga". Vejam bem, “bandidos”, disse Eliana Calmon.

Em 19 de dezembro, o ministro Marco Aurélio Mello concedeu liminar suspendendo os poderes do CNJ para iniciar investigações. No mesmo dia, o ministro Ricardo Lewandowski concedeu outra liminar suspendendo as investigações do CNJ sobre a evolução patrimonial de magistrados.

A decisão do STF de agora há pouco é importantíssima em si mesma e, também, por ter sido proferida pelo Plenário (portanto, definitiva) e porque mantém os poderes do CNJ para combater a sem-cerimônia com que membros do Judiciário se valem de suas prerrogativas sagradas em uma democracia para atuar por interesses privados e obscuros.

Votos

Votaram a favor da independência do CNJ os ministros Gilmar Mendes (quem diria?), que já presidiu o conselho, Carlos Ayres Britto, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa, Rosa Weber e Antonio Dias Toffoli. Contra, os votos vencidos foram, além do próprio relator Marco Aurélio Mello, os ministros Ricardo Lewandowski, Luiz Fux, Celso de Mello e Cezar Peluso.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O que esperar dos times brasileiros na Libertadores 2012

À primeira vista, não parece difícil a tarefa de nenhum brasileiro na fase de grupos da Libertadores 2012, pelo menos para passar à fase de mata-matas. Este ano, nenhum time do país comeu pizza sabor Tolima na repescagem. Depois da classificação de Internacional, que eliminou o Once Caldas nesta quarta-feira, e Flamengo, que despachou o Real Potosí, veja como ficaram os grupos das equipes do Brasil na competição e um breve comentário sobre cada grupo.

D'Alessandro fica

Grupo 1

Internacional
Juan Aurich
Santos
The Strongest

Salvo uma tragédia, este grupo não terá surpresas. Devem classificar-se Santos e Inter com facilidade. O ilustre desconhecido Juan Aurich, campeão do Peru, e o sempre presente The Strongest, o mais forte (sic), da Bolívia, não têm condições de ameaçar os brasileiros. O Inter de Dorival Júnior é forte e o “fico” de D’Alessandro motiva ainda mais o time. O Peixe de Muricy, com todas as ressalvas que faço ao treinador, é um dos favoritos ao título.


Peixe conta com experiência de Elano
O Colorado faz seu primeiro jogo no próximo dia 9/02 (20h) contra o Juan Aurich em Porto Alegre e o Peixe estreia nas alturas de La Paz dia 15/02 (19h45), contra o The Strongest

Grupo 2

Emelec
Flamengo
Lanús
Olimpia-PAR


Craque o Flamengo tem

O Flamengo começou o ano mergulhado numa crise sem tamanho, com salários atrasados, jogador processando o clube (Deivid), Luxemburgo cai-não-cai [*Notaapós a publicação deste post, foi confirmada a demissão do treinador]. Nessa toada, o Rubro-negro pode ficar no caminho, já que tem as ameaças do argentino Lanús (não é tradicional, mas é argentino) e o Olímpia (o futebol paraguaio costuma complicar os incautos).

O Flamengo faz sua estreia na Argentina dia 15 (horário indefinido) contra o Lanús.


Grupo 4


Arsenal Sarandí
Boca Juniors
Fluminense
Zamora

O Fluminense é um belo time, tem o artilheiro Fred, a categoria de Deco e a experiência de Abel Braga, que já conquistou a Libertadores pelo Inter (2006). Deve disputar a liderança com o Boca Juniors, que, segundo se diz, está forte. Os inexpressivos Zamora (VEN) e o Arsenal Sarandí (da Argentina, alguém me apresenta?) são grandes zebras no grupo. O Sarandí pode ser argentino, mas acho que em seu caso nem isso significa alguma coisa.

O Flu recebe na primeira pertida o próprio Arsenal Sarandí dia 7, no Engenhão (22h)

Grupo 5

Alianza Lima
Libertad
Nacional (URU)
Vasco

Embora o Vasco, na minha opinião, seja um dos que podem ser considerados favoritos ao título, deve se precaver, pois seu grupo não é dos mais fáceis. O Santos, ano passado, era considerado favas contadas na primeira fase e quase se deu mal. Nacional (URU) e Libertad (PAR) são times tradicionais na Libertadores. Um tropeço em casa contra as retrancas dessas duas equipes pode custar caro aos cruz-maltinos. Mas a equipe vascaína é forte e deve passar.

O Vasco estreia contra o Nacional (URU) em São Januário, dia 8 (22h).

Grupo 6

Corinthians
Cruz Azul-MEX
Deportivo Táchira
Nacional (PAR)
Tite ri à toa

A não ser que a eterna síndrome da Libertadores e a ansiedade comprometam mais uma vez, o Corinthians não terá, acho eu, muitas dificuldades no grupo. O Táchira (VEN) está sempre na Libertadores, mas invariavelmente como carta fora do baralho. O Cruz Azul é mexicano, e pode ameaçar o Timão, mas talvez, no máximo, a liderança deste grupo 6. O Nacional paraguaio é uma incógnita, mas paraguaios geralmente endurecem. Não creio muito. O técnico Tite provou que pode ir longe com seu futebol de resultados e o elenco campeão brasileiro ter-se mantido é o principal trunfo corintiano.

O Alvinegro estreia dia 15/02 contra o Deportivo Táchira na Venezuela (22h)

*Atualizado à 01:21 (03/02/2012)

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Meia-noite em Paris, com Woody Allen


CRÍTICA

O diretor Woody Allen concorre na 84ª edição do Oscar 2012 com o filme Meia-Noite em Paris (trailer ao fim do post), nas categorias Direção e Roteiro. Ele não era indicado desde 1995, quando participou com Tiros na Broadway.

Vi o filme tardiamente (pois foi exibido no cinema, ano passado). Conta a história de Gil (interpretado por Owen Wilson), um roteirista de Hollywood que ama Paris, berço da cultura na primeira metade do século passado onde desembarcavam grandes nomes da literatura mundial.


Marion Cotillard e Owen Wilson/ Reprodução

Noivo de uma mulher fútil (Inez/ Rachel McAdams), consumista e filha de um casal ultra-conservador, Gil é um escritor frustrado que sonha o sonho impossível de conhecer seus grandes ídolos literários, Ernest Hemingway e Scott Fitzgerald principalmente, que freqüentavam a Paris dos anos 1920. Mas a primeira filiação de Meia-Noite em Paris é Manhattan (1979) – sobre o qual já escrevi aqui  –, uma das ou talvez a maior obra-prima de Allen, embora o filme inspirado na Cidade Luz esteja longe de sua matriz fílmica. Como em Manhattan, que abre com longas e maravilhosas imagens e sequências em preto e branco da cidade de Nova York, Meia-noite em Paris usa o mesmo recurso (mas colorido) para fazer sua declaração de amor à capital francesa.

A direção de fotografia em ambos os filmes é magnífica e sofisticadíssima – Gordon Willis na obra novaiorquina, e a dupla Darius Khondji e Johanne Debas na parisiense. Destaque também para trilha sonora. Ouça-a.

Outra “ascendência” óbvia do filme é A Rosa Púrpura do Cairo (1985), em que uma garçonete vivida por uma ainda exuberante Mia Farrow foge da dura realidade e entra na ficção do cinema (ou vice-versa): o herói do filme sai da tela e vive um romance com ela. Em Meia-Noite em Paris, Gil também escapa da medíocre realidade e viaja no tempo. Nos anos 20, ele conhece na noite boêmia da capital francesa seus míticos heróis literários, ouve conselhos de Hemingway, sua obra é avaliada por Gertrude Stein. Vemos um cômico Salvador Dali, caricatural (o pintor Dali era em si uma caricatura, com seu ego doentio), à mesa de um café ou bar, dizendo “Eu sou Dali, eu sou Dali”. O personagem Gil também conhece o diretor Luis Buñuel, ao qual, no filme, me parece, Allen subvaloriza injustamente. No passado, como não poderia deixar de ser, Gil se apaixona por Adriana, então amante de Pablo Picasso (e inspiradora de outros pintores, como Modigliani), vivida pela linda e excelente atriz Marion Cotillard.


A magnífica direção de fotografia é de Darius Khondji e Johanne Debas/ Reprodução


O roteiro de Meia-Noite em Paris avança ainda mais no tempo, introduzindo o passado dentro do passado, quando Gil e Adriana “viajam” à efervescente Belle Époque do final do século XIX. De volta ao presente, é através do romance que está escrevendo (que na fantasia submete à apreciação de Hemingway e Gertrude Stein) que Gil descobre estar sendo traído pela noiva com o pseudointelectual Paul (Michael Sheen), o recorrente pseudointelecual que Allen adora ridicularizar em seus filmes. No presente, o frustrante presente, é digna de nota a cômica caricatura que faz Allen faz da direita norte-americana, encarnada na família da noiva de Gil.

Direção de atores deixa a desejar

Como a intenção de Allen é, cinematograficamente, fazer um poema sobre Paris, não sei se é intencional que a direção de atores, em minha opinião, deixe muito a desejar (a intenção seria mostrar que o que importa é a magnífica Paris? Não sei). Mesmo Michael Sheen é discreto. Nem Owen Wilson, que faz Gil, convence. Em outros tempos, este seria o papel interpretado pelo próprio Woody Allen, que coloca no personagem/ator os trejeitos, inseguranças e questionamentos intelectuais que tanto nos acostumamos ver o próprio diretor interpretar em vários de seus grandes filmes. Também, para mim, não convencem Tom Hiddleston como Scott Fitzgerald, nem Corey Stoll como Hemingway, nem Adrien de Van como Luis Buñuel. As exceções são, como já disse, Marion Cotillard (Adriana) e Kathy Bates no papel de Gertrude Stein. A "atriz" Carla Bruni (na vida real, a esposa do presidente francês Nicolas Sarkozy, dizem que apresentada a ele por Silvio Berlusconi...) faz uma ponta no filme, intrerpretando uma guia turística, tão bela como péssima, mas talvez introduzida aí como uma espécie de paródia da vida francesa...

Seja como for, como já virou norma dizer neste blog, “Woody Allen é que nem pizza, mesmo quando é ruim é bom”.

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PS: Há mais de dois meses, recebi um e-mail do amigo Daniel Razón (chileno há muitos anos no Brasil/ Porto Alegre) em que ele diz algo interessante sobre Meia-Noite em Paris. Segue:

“ Poderíamos dizer que Allen quis mostrar o momento que todos vivemos alguma vez, que é quando queremos muito fazer alguma coisa e temos medo da crítica, da compreensão e buscamos no passado esta aceitação, já que o passado conhecemos e sabemos a quem perguntar ou mostrar nossa obra, já o presente costuma ser cruel, e não somos corajosos o suficiente para enfrentá-lo, desta maneira perdem-se muitos artistas no anonimato......Porém, prefiro crer que o Woody quis apenas reverenciar Paris e seus encantos entre os quais sua enorme capacidade de conquistar, sobretudo as grandes mentes pensantes de todas as épocas.” (Daniel Razón)



Meia Noite em Paris
Direção: Woody Allen
Roteiro: Woody Allen
Direção de Fotografia: Darius Khondji e Johanne Debas
Montagem: Alisa Lepselter
Duração: 94 min

Elenco
Owen Wilson – Gil
Rachel McAdams – Inez
Kurt Fuller – John
Michael Sheen – Paul
Mimi Kennedy – Helen
Nina Arianda – Carol
Tom Hiddleston – F. Scott Fitzgerald
Corey Stoll – Ernest Hemingway
Alison Pill – Zelda Fitzgerald
Yves Heck – Cole Porter
Marcial Di Fonzo Bo – Pablo Picasso
Kathy Bates – Gertrude Stein
Marion Cotillard – Adriana
Adrien Brody – Salvador Dalí
Léa Seydoux – Gabrielle


*Post publicado originalmente às 16:03 de 31 de janeiro

De ótimo humor, Dilma concede coletiva em Cuba


Como se sabe, a presidente Dilma Rousseff não foi a Davos, na semana passada, enquanto, em clara sinalização da condução de seu governo à esquerda, confirmava presença no Fórum Social Mundial em Porto alegre e sua visita (primeira oficial) a Cuba, onde está hoje, terça-feira, 31. Na Ilha de Fidel Castro, Dilma deu excelente entrevista coletiva, em que fala de política internacional, sobre direitos humanos e as relações Brasil-Cuba. Com ótimo humor (nunca vi Dilma rir tanto), ela não conseguiu conter o riso em alguns momentos.

Trechos:

"Vamos começar a falar de direitos humanos no Brasil, vamos começar a falar de direitos humanos nos Estados Unidos, a respeito de uma base aqui [Cuba] chamada Guantánamo, vamos falar de direitos humanos em todos os lugares."

"Interessante a forma como a mídia analisa meus atos. Eu fico estarrecida", afirmou, entre risos que não conseguiu conter, ao responder uma pergunta inaudível, mas que provavelmente criticava sua política internacional, para completar: "O Brasil faz política internacional com todos os países.Somos um povo pacífico."

Dilma termina a entrevista dando risada, ao ser questionada sobre a situação do ministro das Cidades, Mário Negromonte, acusado de irregularidades: "Vocês são insistentes, inteligentes e rápidos", disse a presidente, sem conseguir segurar um ataque de riso. Depois, emendou: "as questões relativas ao Brasil discutimos no Brasil, a partir de quinta-feira".

Veja a entrevista:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crônica de um domingo quase sem futebol

Depois de zapear entre o medonho primeiro tempo de Catanduvense x Palmeiras e o bem melhor Corinthians x Linense, acabei desligando a televisão para continuar a leitura de Os Mímicos, de V.S. Naipaul. Como Naipaul não é nenhum Graham Greene, e como o domingo de verão parecia outono, com o friozinho típico, tirei os óculos e dei uma cochilada.

Vi depois que Catanduvense x Palmeiras acabou 1 a 1. E que o Corinthians bateu o Linense por 1 a 0 (aliás, é a ou o Linense? – faço a observação porque acho irritante que os jornalistas esportivos insistam em dizer o Inter de Milão, o Roma, o Juventus etc., e eu não sei se é a ou o Linense). O fato é que o time da cidade de Lins teve um gol muito mal anulado ainda no primeiro tempo pelo juiz, que deu uma falta que só ele viu na subida do zagueiro jundiaiense Fabão numa cobrança de escanteio. O negão subiu lá em cima, cabeceou bonito de cima pra baixo, fez um belo gol. Mas não valeu. E um golaço de Émerson Sheik, quase sem ângulo, num petardo de direita, deu a vitória ao Timão. Acho perfeita a manchete do iG, embora os amigos corintianos provavelmente discordem, apontando uma conspiração universal do Mal contra São Jorge Guerreiro. Diz o iG: “Com gol de Emerson e ajuda de juiz, Corinthians bate o Linense”.

Mas o Paulistão é isso. E além disso, início de temporada, motores esquentando. Já agora em fevereiro começa a Libertadores. Da qual falaremos em outro post mais à frente.

Para finalizar: por mera coincidência, assisti inteiro apenas ao jogo em que o time B do Santos empatou com o razoável time do Paulista em Jundiaí por 1 a 1. Foi interessante assistir ao time da Vila reserva nas três partidas iniciais do Paulistão (ou “Paulistinha”, conforme o gosto). O goleiro Aranha deu conta do recado. O zagueiro Bruno Rodrigo vem bem. O jovem volante Anderson Carvalho é uma boa promessa. O atacante Dimba (19 anos) merece mais chances. Assim como Felipe Ânderson. O time de Alan Kardec empatou duas (XV de Piracicaba e Paulista, ambos 1 a 1, fora de casa) e ganhou uma partida, do Ituano em São Caetano (a Vila está reformando o tapete), por 2 a 1. O destaque da esquadra é ele mesmo, Alan Kardec, autor dos quatro gols do Peixe na temporada. Não sei por quê, talvez seja uma intuição espírita, mas acho que esse Kardec vai fazer gols decisivos em 2012.

Em tempo: o São Paulo, que venceu o São Caetano sábado por 2 a 1, lidera o estadual com 9 pontos em três jogos. Foi uma semana meio down no Morumbi com duas notícias negativas. Rogério Ceni (operou o ombro) vai ficar seis meses no estaleiro e Luis Fabiano teve uma contusão muscular que deve tirá-lo do time por alguns ou vários jogos. Fim de carreira. Mas, não sei por quê (posso queimar a língua), tenho a impressão que Emerson Leão pode dar certo no São Paulo em 2012.

O incrível Djokovic

Divulgação/ Official Website

A notícia esportiva deste domingo foi a épica vitória de Novak Djokovic sobre Rafael Nadal na final do Australian Open. O sérvio conquistou seu quinto título de Grand Slam, batendo o espanhol por 5/7, 6/4, 6/2, 6/7 e 7/5, após uma partida que durou 5h53.  Foi a mais longa final de um Grand Slam, recorde que até então era da decisão do US Open de 1988 entre Mats Wilander e Ivan Lendl, com 4h54. E foi também a mais longa partida da história do Aberto da Austrália.

Djokovic já havia levantado o Aberto da Austrália (2008, 2011 e 2012), US Open (2011) e Wimbledon (2011). Incrível esse Djokovic. Para ter na carreira a conquista dos quatro títulos do Grand Slams (o que apenas 10 tenistas na história já conseguiram, entre homens e mulheres), só lhe falta Roland Garros.

Curioso que o Grand Slam que falta a Djokovic é justamente o que nosso Guga ganhou três vezes (1997, 2000 e 2001). Roland Garros é também o único que faltou ao mítico Pete Sampras.

sábado, 28 de janeiro de 2012

O recado de Marta Suplicy


Enquanto boa parte de petistas de alta patente (como José Dirceu em seu blog) discute a aliança ou não com o prefeito direitista de São Paulo, Gilberto Kassab, para a eleição municipal este ano, e enquanto militantes do PT ou não gostariam de ver posicionamentos mais veementes de lideranças do governo federal a favor da população  e contra a “barbárie” do Pinheirinho, a ex-prefeita e senadora Marta Suplicy deu seu recado contundente e sem meias palavras hoje na Folha de S. Paulo.

A impressão é que fica cada vez mais claro que, como comentou o Paulo M em post anterior, “talvez a Marta tenha sido preterida [em favor de Fernando Haddad] justamente porque não permitiria essa situação [uma eventual aliança com Kassab]”, ao mesmo tempo em que, como também comentou Felipe Cabañas, “Fernando Haddad vai ter que mostrar que não é um mero fantoche de Lula”.

Segue trecho do artigo de Marta Suplicy na Folha de hoje, 28 de janeiro.


Incompetentes e truculentos

Marta Suplicy

Não sobram áreas para a dupla PSDB-Kassab atentarem contra os menos favorecidos de São Paulo. A violência corre solta no nosso Estado, evidenciando não somente a truculência policial, mas o total desprezo e desrespeito pelo ser humano.

Usuários de drogas são espancados e expulsos da cracolândia. Sem planejamento e acolhimento adequados, centenas de desassistidos passam a circular como zumbis pela cidade.

Medidas para a solução do problema da droga, da violência e da mendicância no centro da capital têm que ser tomadas com responsabilidade. Não cabe aqui citar o que esta nefasta gestão interrompeu no diálogo social. Basta lembrar o impacto negativo para a recuperação do centro ocorrido após a interrupção do projeto do BID, o desmantelamento do Boracéa (modelo de atendimento social) e o descaso das gestões Kassab em trazer o Bolsa Família para São Paulo.

Na USP, mais um exemplo de indisposição para o diálogo. Viu-se a perplexidade da população que não compreendia a truculência e o que se passava. Posteriormente, a indignação com o comportamento nitidamente preconceituoso de um policial frente ao aluno que virou alvo, por ser negro.

A reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos, já se caracterizou como uma das ações mais violentas e cruéis do novo-velho governo paulista.

Centenas de famílias enxotadas numa ação judicial que existe há anos e tinha desfecho conhecido. Nada foi pensado sobre destino delas. O Estatuto da Cidade passou ao largo, seja por, ou falta de, interesse do prefeito peesedebista de São José, seja pela omissão do governador. A política do que se danem os destituídos.

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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Dilma fala em reunião fechada que "Pinheirinho é barbárie"

Quem aguardava e até exigia um pronunciamento da presidente Dilma Rousseff sobre a brutal reintegração de posse no Pinheirinho (São José dos Campos/SP), pôde ficar sabendo hoje de uma econômica declaração.

Segundo Carta Maior, “a presidenta Dilma Rousseff classificou de ‘barbárie’ a operação de despejo de 1,6 mil famílias sem teto (...) Dilma comentou o episódio nesta quinta-feira (26) em reunião com cerca de 90 representantes do comitê internacional do Fórum Social Mundial, em um hotel na capital gaúcha”.

Ainda de acordo com Carta Maior, a presidente “foi provocada a tocar no assunto pelo empresário Oded Grajew, ex-presidente do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, segundo relato feito à reportagem por uma pessoa presente à reunião” e, em resposta, ela “criticou duramente o que aconteceu, embora, segundo este participante, não tenha culpado ninguém especificamente. “ ‘Pinheirinho é barbárie’, disse a presidenta de acordo com relato de um outro participante da reunião”.

Fora a fala a esse grupo restrito, publicamente, como se esperava, nada mais foi dito. Tanto que o governador Geraldo Alckmin, questionado sobre a fala de Dilma, disse que não comentaria “porque não ouvi isso da presidente" (segundo o Uol).

Segundo a matéria de Carta Maior, na mesma reunião fechada “a presidenta teria dito, porém, que apesar de discordar do que ocorreu, o governo federal não tem muito o que fazer, pois respeita as demais autoridades – no caso, o governo de São Paulo e a prefeitura de São José dos Campos, ambos comandados pelo PSDB, e a Justiça paulista”.

Leia também:

Pinheirinho: a justiça de São Paulo, o governo de São Paulo, o cinismo de São Paulo

Com a palavra, o governo federal

Em dia de vitória, Muricy volta a criticar "fábrica" do Santos. Ele quer sair do clube?

Com o time B, o Santos derrotou o Ituano por 2 a 1 nesta quinta-feira, em São Caetano (veja os gols abaixo neste post), pela segunda rodada do Paulistão. Após a partida, o técnico Muricy Ramalho disse que os jogadores da base do clube têm “defeito de fábrica”. Ele falou genericamente, sem citar nomes. Mas, no final da temporada passada, ele já havia usado o mesmo termo para se referir diretamente ao jovem meia Felipe Ânderson. Depois do duelo de hoje (quinta), o treinador exemplificou dizendo que os jogadores chegam à linha de fundo e não sabem cruzar.

 Foto: Divulgação/ Santos FC
Para treinador, jogadores da base têm "defeito de fábrica"

Parece-me que Muricy começa a não entender muito bem qual é o seu papel na Vila Belmiro, se é que já entendeu um dia. Ele não está no Santos, ganhando as centenas de milhares de reais que ganha, para dar esse tipo de declaração em público. A “fábrica” que ele critica é a que fabricou Pelé, Pepe, Pita, Diego, Robinho e Neymar, mas também Coutinho, Marcelo Passos, Ganso, Wesley e inumeráveis outros jogadores da história do time da Vila.

Com declarações grosseiras, mal-educadas e politicamente inábeis como essa, o técnico só consegue o seguinte:

1- baixar a auto-estima de jogadores que, pelo contrário, precisam ser incentivados (e, claro, valorizados). Felipe Ânderson é um deles. Telê Santana, que fez de jogadores medíocres como Cafu atletas vencedores, jamais seria tão desinteligente como Muricy.

2- desmoralizar o trabalho de base do clube e angariar desafetos. Mas essa é uma velha técnica para, previamente, justificar-se por eventuais fracassos futuros. Afinal, o treinador não estava consciente de que o time em campo era literalmente reserva?

3- Colocar o elenco contra si, o que é o início da queda de muitos treinadores de grandes times.

Embora eu tenha reconhecido que Muricy foi contratado oportunamente no início de abril de 2011, e que foi fundamental na recuperação do time na Libertadores que veio a conquistar, não vejo como positiva sua permanência na atual temporada.

Personagem descartável

Suas declarações pouco sutis, seu futebol covarde e nada a ver com a escola do Santos Futebol Clube, o papelão que – como comandante – protagonizou na final do Mundial contra o Barcelona (quando se perdeu completamente, inclusive com declarações pré-jogo de que não tinha o que fazer contras “os caras”) –, tudo isso faz de Muricy para mim um personagem descartável neste ano do centenário do clube. E ainda por cima o cara começa o ano falando mal da “fábrica”? Mas quem poderia ficar em seu lugar? Como santista, em verdade vos digo: qualquer um que tenha a grandeza que se exige para comandar o Santos. Prefiro não citar nomes.

Em tempo. Na virada de 2 a 1 contra o Ituano, o jovem Dimba, de 19 anos, jogou em poucos minutos o que Rentería (que ele substituiu) e o caríssimo Íbson não jogaram em todo o tecnicamente fraco prélio de São Caetano. O Ituano terminou a primeira etapa vencendo por 1 a 0. Felipe Anderson (com “defeito de fábrica” e tudo) fez belíssima jogada e cruzou de esquerda para Alan Kardec empatar no segundo tempo. No gol da virada (aos 45), uma jogada pela meia direita, que começou com Felipe Anderson, terminou em ótima triangulação com Maranhão, Dimba e o mesmo Alan Kardec (esse cabra é bom de fazer gol), que marcou o segundo na partida e o terceiro dele no Campeonato Paulista.




Atualizado à 01:34

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Kassab, ovada e PT


Hoje, 25 de janeiro, o prefeito de São Paulo, atualmente com péssima avaliação da população, foi hostilizado e levou ovada de manifestantes nas comemorações do aniversário da cidade, no centro da capital. No mesmo dia, noticia-se sobre a cada vez mais possível coligação do PSD de Gilberto Kassab com o PT. Seguem abaixo dois trechos de matérias (do iG e da Agência Brasil).

Não é por nada, mas tenho para mim que uma eventual aliança PT-Kassab pode ser, talvez, o maior tiro no pé que o partido de Lula terá dado em sua história conhecida.


Kassab lamenta violência em manifestação contra operação na Cracolândia e no Pinheirinho
25/01/2012 - 16h28

São Paulo – O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, lamentou a violência no protesto que enfrentou hoje (25) após assistir a missa de comemoração dos 458 anos da cidade, na Catedral da Sé. “Lamentamos os que usam de violência. Violência não é o caminho para as manifestações. Violência não é o caminho para construir um país mais justo, mais igual”, disse após participar de outro evento.


Na saída da missa, manifestantes atiraram ovos e bateram no carro do prefeito em protesto contra as ações policiais na Cracolândia e na reintegração de posse do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). A Polícia Militar usou gás de pimenta para reprimir a ação. (Da Agência Brasil)

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PT vai liberar negociação com Kassab em São Paulo

25/01/2012 19:11


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr - 12/08/2011
O conselho político da campanha do pré-candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, vai se reunir neste sábado para avaliar a possibilidade de coligação com o PSD do prefeito Gilberto Kassab.


Segundo dirigentes do partido em São Paulo, a tendência é que o partido se dobre às pressões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e libere as negociações com Kassab.

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Não vamos fugir de uma discussão que está colocada”, disse o vereador Antonio Donato, presidente do diretório municipal do PT.
Apesar das pressões de Lula, boa parte do PT da capital resiste à aproximação com Kassab. O PT é o principal partido de oposição à prefeitura na Câmara Municipal. Haddad assumiu a candidatura adotando um discurso de críticas a Kassab.



Além disso, os petistas acreditam que o prefeito pode estar fazendo um jogo combinado com o ex-governador José Serra (PSDB), principal adversário do PT em São Paulo. Do iG, São Paulo.

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Nota do blogO agora ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, candidato de Lula à prefeitura de São Paulo, não confirma nem desconfirma o possível acordo com Kassab. Ainda citando o iG (dia 23):  “A gente tem de discutir o que está acontecendo. Não uma eventualidade. Houve um gesto de aproximação, que é real. Mas esse gesto tem tantos condicionantes, que é o PSDB não lançar o [José] Serra, o PSDB se recusar apoiar o candidato do prefeito [Afif Domingos]”, disse Haddad.

Aniversário de São Paulo: Abre a porta e a janela e vem ver o sol nascer!


No dia do aniversário de São Paulo, dedico a vocês "Preta Pretinha", de Novos Baianos (quem lembra?). Se eu fosse editar um CD duplo com as 20 maiores músicas da MPB, esta estaria nele.

Pra ouvir alto:



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Pinheirinho: com a palavra, o governo federal


Por Mayra Pinto

Tenho certeza de que não sou a única pessoa que tem apoiado a política do governo federal desde Lula e que espera alguma atitude quanto à administração desumana e violenta do estado de SP.

Diante de catástrofes naturais, como foi o caso do RJ ano passado, o governo federal interveio com ajuda financeira para realocar as famílias atingidas pelos deslizamentos.

Neste momento de catástrofe política no estado de SP, qual será a intervenção do governo federal? No mínimo, esperamos uma palavra que se comprometa com o destino daquelas pessoas.... Não dá pra ficar só com a declaração desolada de ministros. O governo Dilma tem se pautado pela rapidez em responder aos desafios que lhe são cotidianamente apresentados pela dura realidade brasileira. Hoje está diante de um dos mais urgentes. Em tempos do Programa Minha Casa Minha Vida, não dá pra conviver com reintegração de posse violenta de terreno de bandido, e assistir à cena com consternação. Espero uma atitude à altura deste governo federal no qual depositamos, os milhões de eleitores que o elegeram, algo mais do que nossa confiança num Brasil melhor. Depositamos a certeza de que esse governo é capaz de lutar com fôlego contra a desigualdade social, sobretudo, quando praticada pelo próprio Estado.





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PS do blog:

1 - O vídeo acima me emocionou. Por isso eu o linkei.

2 - Segundo o portal Terra, a prefeitura de São José dos Campos e a Polícia Militar negam a informação de Aristeu César Pinto Neto, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no município, segundo o qual a ação de reintegração de posse no terreno do Pinheirinho, de uma empresa de Naji Nahas, pode ter deixado mortos.

Leia também relatos de outros episódios da truculência tucana em São Paulo:

Relatos sobre a truculência tucana [2] – Vila Madalena

Ginásio da Fito (Osasco)

Eleição de 2010

Alckmin começa seu governo atacando estudantes

Polícia de Alckmin não pára de cometer barbaridades

Pinheirinho: a justiça de São Paulo, o governo de São Paulo, o cinismo de São Paulo


Considerações jurídicas deste humilde blogueiro sobre a covarde reintegração de posse no Pinheirinho, em São José dos Campos, pela polícia de São Paulo comandada pelo governador Geraldo Alckmin, na madrugada-manhã deste domingo.





A juíza Roberta Monza Chiari, da Justiça Federal, havia suspendido dia 17 a decisão da desocupação determinada anteriormente pela 6ª Vara Cível de São Paulo. A decisão da juíza se baseava no fato de que o Ministério das Cidades se manifestara oficialmente como mediador para resolver o conflito. “Observo indícios da União Federal na solução da questão posta. O perigo resta configurado na medida em que, cumprida a ordem de reintegração de posse, inúmeras famílias ficarão desabrigadas, o que inevitavelmente geraria outro problema de política pública”, disse Roberta Monza Chiari na decisão. Ela considerou necessário "preservar a integridade física dos indivíduos" da área ocupada.

Mas, horas depois, o juiz federal Carlos Alberto Antônio Júnior, substituto da substituto da 3ª Vara Federal em São José dos Campos,reverteu a decisão da magistrada. Com esse argumento: “É inegável pelo protocolo de intenções e pelo ofício do Ministério das Cidades juntados aos autos que há interesse político em solucionar o problema da região. No entanto, este interesse político não se reveste de qualquer caráter jurídico que permita que a União possa ser demandada para dar solução ao problema da desocupação ou ocupação do bem particular".

Por fim, o desembargador federal Antonio Cedenho, do Tribunal Regional Federal (TRF), mandou dia 20 suspender a reintegração de posse. Mas acabou valendo a posição do juiz Carlos Alberto Antônio Júnior e da justiça estadual de São Paulo, em prol da desocupação.

Para resumir, a decisão monocrática do juiz Carlos Alberto Antônio Júnior (respaldado pelas forças supremas do poder da justiça paulista) ignorou as negociações, em que estava envolvido o governo federal (rebaixando-as como meras ingerências políticas), passando por cima delas e da própria determinação do Tribunal Regional Federal, em nome do “bem particular”.

A aberração jurídica me parece cristalina, pois é conhecido o posicionamento de juízes progressistas para os quais, de acordo com o espírito da Constituição brasileira, o bem coletivo se sobrepõe ao bem particular evocado pelo magistrado Carlos Alberto Antônio Júnior.

Há sete anos as cerca de 9 mil pessoas vivem no terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados. O terreno, amigos, pertence à massa falida da empresa Selecta S/A, do investidor Naji Nahas.

Portanto, parafraseando aquele jornalista de direita segundo o qual um gari é “o mais baixo na escala do trabalho", eu diria que a justiça brasileira “é uma vergonha”.

Ministro da Justiça

E ainda. Segundo o Estadão, “O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse ao Estado que foi surpreendido pela ação policial, mas que teve do governador Geraldo Alckmin garantias de que "seria pacífica e segura". Cardozo afirmou que logo pela manhã telefonou para o governador. "O Alckmin me disse que tinha de atender a decisão judicial e que a tropa era preparada." É o ministro José Eduardo Cardozo no papel de Pôncio Pilatos.

São Paulo por Naji Nahas

E, enfim, as forças de segurança do governo de São Paulo se empenharam e foram bem sucedidas na reintegração de posse do terreno de Naji Nahas contra 9 mil pessoas, juízes do Tribunal Regional Federal e o Ministério das Cidades. Segundo a Agência Brasil: “A operação que começou no início da manhã mobilizou três batalhões da Polícia Militar (PM), com mais de 2 mil homens, dois helicópteros, 220 viaturas, 40 cães e 100 cavalos. Para vencer a resistência dos moradores, que fizeram barricadas e atearam fogo nos acessos da ocupação, a tropa de choque usou balas de borracha e gás lacrimogêneo. Um homem levou um tiro de munição real disparado por um guarda civil”.

Se isso não é fascismo, não sei o que será.


sábado, 21 de janeiro de 2012

Começa a temporada 2012 do futebol: veja as perspectivas dos grandes de São Paulo


A temporada 2012 começa neste fim de semana. Este post não tem a intenção de falar dos jogos de estreia dos estaduais, mas especular sobre o ano que começa. Em São Paulo, com o Paulistão, cada vez mais chato e sem sentido. Eu sempre defendi os estaduais, pela tradição e porque, no caso paulista, com quatro grandes (o quinto pode ser a Lusa) é mais difícil do que muitos nacionais da Europa.

Mas a politicagem impede que o estadual se mantenha viável. Com 19 rodadas e um regulamento que classifica os oito “melhores” para as finais, não há quem agüente e no fim de tantas rodadas os grandes estarão lá mesmo. É sem sentido e burro. Dito isso, segue uma pequena avaliação sobre o que esperar dos times, não só no estadual, mas para a temporada toda, se é que isso é possível.

O craque tem que jogar num esquema defensivo
Foto: Ricardo Saibun
Santos – Campeão paulista e da Libertadores em 2011, o Peixe entra na temporada em que disputa novamente a Libertadores mergulhado nas comemorações do centenário, em 14 de abril. O que pode ser motivo de preocupação, pois a tradição reza que, no ano em que os times fazem 100 anos, costumam ir de mal a pior. Muitos já abordaram esse tema, mas este blog foi talvez o primeiro a dar um post abrangente a respeito (leia aqui).

O fato é que, fora esse, digamos, misticismo, o Santos está com perspectivas não muito animadoras, para mim. A permanência de Muricy Ramalho não me anima. É um vencedor? É. Ganhou a Libertadores? Ganhou (embora, reconheço, não tenha sido uma edição muito forte da competição). Mas o estilo do treinador, defensivo, chato e super-pragmático, está anos-luz longe da tradição da escola do Santos.

Como se já não bastasse, o Peixe tenta contratar o fraquíssimo lateral Juan, que não deu certo nem mesmo em sua origem, no São Paulo. Fiel à tradição do futebol são-paulino, Muricy nega, mas sonha com outro ex-Morumbi, o zagueiro Alex Silva. Francamente, não acho que seria ruim o treinador voltar para seu berço e deixar a Vila voltar a ser feliz, futebolisticamente falando. Em relação a elenco, o clube trouxe o bom lateral uruguaio direito Fucile (do Porto e seleção do Uruguai), que, esperemos, suprirá com eficiência a vaga deixada por Danilo.

O Alvinegro da Vila jogará as primeiras cinco rodadas do Paulistão com o time B, o que mostra o desinteresse por um título que o time já conquistou quatro vezes nos últimos anos (2006-2007 e 2010-2011).
Campeão brasileiro/ Foto: VIPCOMM

Corinthians – Campeão brasileiro, o Timão já contratou para 2012 Vitor Júnior, do Atlético-GO, o zagueiro Felipe, do Bragantino, e o goleiro Cássio, do PSV-HOL, além do atacante Gilsinho, ex- Iwata-JAP. Apesar de muitas críticas, inclusive minhas, o técnico Tite vingou no Timão e, parece-me, é um trunfo para tentar livrar o clube da obsessão da Libertadores, que nunca ganhou. Mas, em 2012, a competição continental estará mais forte do que no ano passado, inclusive com a volta do Boca Juniors (dizem que forte) e, entre os brasileiros, o Vasco da Gama, que me parece um candidato em potencial.

O maior trunfo do Timão é justamente ter mantido o elenco, do qual não perdeu até agora nenhuma peça importante, que levantou o Brasileirão. Com um futebol pragmático e por vezes feio, porém muito eficiente, o Alvinegro começa a temporada com boas perspectivas. Mas, como o Santos, acho que não vai dar muita importância (e nem deve) ao estadual, que ganhou pela última vez em 2009.

Rugidos e incógnita/Foto: Reprodução
São Paulo – A grande incógnita no Tricolor me parece ser Émerson Leão, se ele vai ou não conseguir dar um padrão de jogo ao time, que trouxe vários reforços, entre os quais nomes que podem vingar no Morumbi: os zagueiros Paulo Miranda e Edson Silva, o lateral esquerdo Bruno Cortês (ex-Botafogo, revelação do Brasileirão passado, mas que caiu muito no fim do ano) e os meias Fabrício, Maicon e Jadson, este último com status, esperança de suprir o eterno problema tricolor da ligação meio de campo-ataque.

Como não ganha nada (só a Copinha 2010, diria um são-paulino) faz três temporadas (o último título foi o Brasileiro de 2008), o São Paulo vai continuar pagando pela língua de Rogério Ceni, que certa vez disse que não se imaginava jogando a Copa do Brasil. Penso que, devido às circunstâncias, às contratações e ao óbvio desinteresse dos alvinegros pelo estadual, o São Paulo pode conseguir levantar o “Paulistinha”, como a torcida tricolor acostumou-se a se referir ao Paulistão. O SPFC levantou o estadual pela última vez em 2005.

Com mais perspectivas/ Foto: Reprodução

Palmeiras – O Verdão, embora metido em problemas internos e disputas fratricidas sem fim, me parece mais arrumado neste início de temporada do que em 2011 e, devido às prioridades de Santos e Corinthians, acho que pode beliscar o Paulistão (ganhou pela última vez em 2008). Fez contratações importantes para o estilo de jogo de Felipão: o meia Daniel Carvalho (ex-Galo), o atacante Barcos (ex-LDU) e o zagueiro paraguaio Adalberto Román (ex-River Plate).

A chegada de César Sampaio no final de 2011, porém, para a direção de futebol, foi a melhor contratação do Alviverde. Deu tranqüilidade aos bastidores e vestiários do clube, deixando Felipão mais tranqüilo para treinar o time sem se meter muito em debates desgastantes.

Portuguesa - a Lusa tem como sua principal força o técnico Jorginho (ex-Palmeiras). Que, segundo dizem os que viram, mostrou um belo futebol em 2011. Como não vi, não posso dizer. Torço para que o clube encontre suas tradições e volte a encantar.