sábado, 13 de agosto de 2011
No Serra Dourada, Santos dá vexame, perde de 2 a 0 e toma "olé" da torcida atleticana
Em sete partidas fora de casa pelo Campeonato Brasileiro de 2011, time da Vila coleciona seis derrotas e um empate
Como após o tricampeonato da Libertadores, continuo achando que a torcida do Santos não tem do que reclamar em 2011, ano em que, como 2010, o time ganhou tudo no primeiro semestre e entrou de férias no segundo. Este ano, o Paulista e a Libertadores; na temporada passada, estadual e Copa do Brasil. Quatro títulos em dois anos não é pouca coisa.
Só que, com todo o respeito, ao levar 2 a 0 e terminar uma partida contra o fraco Atlético-GO tomando “olé” da torcida, após mais uma apresentação abaixo da crítica, vergonhosa mesmo, começa a extrapolar os limites. A derrota do Alvinegro foi a sexta do time de Muricy em sete partidas fora de casa no Brasileiro! Há muito tempo o Santos não tem uma estatística tão ruim. Perdeu de Botafogo, Figueirense, Palmeiras, Atlético-PR, Vasco e Atlético-GO. Longe de seus domínios, o time conseguiu um mísero pontinho, contra o Cruzeiro.
Apatia do time, do craque e do técnico
O que preocupa é a clara apatia do time. “Nós não podemos achar que o ano acabou”, disse o lateral Léo depois do vexame no Serra Dourada. Até Muricy Ramalho está apático, quase o tempo todo sentado no banco, quieto. Por quê? E Neymar, que mesmo quando joga mal joga bem, hoje esteve apagado. Preocupante.
A partida contra o Atlético Goianiense, que marcou muito bem no primeiro tempo e arriscou mais no segundo, foi tecnicamente fraquíssima. Um duelo de segunda divisão. No primeiro tempo, se arrastou enfadonhamente. A bola não chegou a Borges em nenhum momento enquanto ele esteve em campo. Paulo Henrique Ganso continua irreconhecível, sem vontade, errando passes fáceis. Sem armação, o time dependeu da penetração do bravo Arouca, esforçado mas igualmente errando passes de três metros. O volante Henrique nem marcou bem nem apoiou.
Falta de ousadia
Muricy realmente não consegue ser ousado (o que irritava muitos são-paulinos, lembre-se), e por isso tem responsabilidade, sim, sobre a situação constrangedora que vive o Santos hoje. Sem Elano, preferiu encher o meio de campo com três volantes, Henrique, Arouca e Adriano, o que é um "desagero" (como diria minha avó) contra um adversário como o glorioso Atlético-GO. Ponto. E não adianta dizer que Arouca jogou mais avançado, porque não é a dele. Tinha o jovem e talentoso meia Felipe Anderson no banco, e o treinador só o colocou em campo após sofrer 2 a 0. Muricy também não gostava de colocar Alan Patrick em campo, outro meia que, vendido para o Shakhtar Donetsk, foi uma grande perda para o time neste semestre.
Tirar Borges para pôr Alan Kardec foi uma alteração tão infeliz que, simbolicamente, no momento em que a substituição era feita os goianos anotaram o segundo tento (observe isso no vídeo dos gols do jogo, acima). Não que Alan Kardec não mereça chances, é um bom jogador, mas o problema não era Borges, que não apareceu porque a bola não chegou.
Com 15 pontos, o Santos caiu para a 15ª posição, embora ainda deva dois jogos adiados.
Realmente não considero a hipótese de o Santos cair para a segunda divisão. Mas essa situação estranha está começando a incomodar os torcedores mais tolerantes.
Hoje é sábado: vá à locadora e alugue "Quando Explode a Vingança", de Sergio Leone
Sábado, dia de alugar um filme. Sugestão: Quando Explode a Vingança, de Sergio Leone. Também conhecido sob outros dois títulos em inglês: Duck You Sucker ou A Fistful of Dynamite, ou italiano: Giù la testa. Segue uma singela sinopse:
Western, vulgo faroeste. James Coburn interpreta um especialista em explosivos do IRA, o Exército Republicano Irlandês. Desterrado no México, como um mercenário solitário, ele encontra um bandido mexicano (Rod Steiger) e eles unem seus destinos, que se confundem com a revolução mexicana do início do século XX, na qual, quase por acaso, acabam sendo militantes decisivos. Personagens fictícios no mesmo cenário em que Pancho Villa e Emiliano Zapata foram protagonistas reais.
Ironia, sensibilidade, surrealismo, humor e drama. Cinema para poucos entendedores.
Clique aqui para ler post sobre o filme.
Western, vulgo faroeste. James Coburn interpreta um especialista em explosivos do IRA, o Exército Republicano Irlandês. Desterrado no México, como um mercenário solitário, ele encontra um bandido mexicano (Rod Steiger) e eles unem seus destinos, que se confundem com a revolução mexicana do início do século XX, na qual, quase por acaso, acabam sendo militantes decisivos. Personagens fictícios no mesmo cenário em que Pancho Villa e Emiliano Zapata foram protagonistas reais.
Ironia, sensibilidade, surrealismo, humor e drama. Cinema para poucos entendedores.
Clique aqui para ler post sobre o filme.
![]() |
| Rod Steiger (esq.) e James Coburn: atuações soberbas |
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
As inscrições de Brasília
Isso é arqueologia contemporânea:
Clique na foto para ampliar
| "Brazilia de hoje é o Brazil amanhã", diz inscrição Foto: José Cruz/ABr |
Da Agência Brasil
Oculto por mais de 50 anos, foi descoberto na última segunda-feira (8), por servidores terceirizados da Câmara, um fosso fechado por concreto, que data da construção do prédio do Congresso Nacional em 1959, antes da inauguração da nova capital, em 1960. Na parede de concreto do fosso, foram encontradas mensagens deixadas pelos trabalhadores da obra.
São frases que expressam o sentimento político dos operários e falam da solidão e da esperança no futuro: “Que os homens de amanhã que aqui vierem tenham a compaixão dos nossos filhos e que a lei se cumpra”; “Duraleques CE de lequis”; “Si todos brasileiros focem digninos de honra e honestidade, teríamos um Brazil bem melhor. Só temos uma esperança nos brasileiros de amanhã. Brazil de hoje, Brazil de amanhã”; “Amor, palavra sublime que domina qualquer ser humano”.
Leia matéria da Agência Brasil, na íntegra: Descobertas frases de trabalhadores que construíram o Congresso Nacional
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Santos e Corinthians homenageiam Walter Abrahão na Vila
A coisa mais importante sobre o triste episódio acontecido na Vila Belmiro nesta quarta-feira entre Santos e Corinthians é registrar que, na última segunda, 8 de agosto, morreu o narrador Walter Abrahão, aos 80 anos.
![]() |
| A bola ficou mais no ar do que no chão Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC |
Quando um jogo terminava assim, sem a pelota balançar as redes, Abrahão dizia: “OXO, senhores”. “Walter Abrahão faz parte da infância, da adolescência e da juventude de algumas gerações de brasileiros”, como escreveu Juca Kfouri em seu blog. Já vi muitos 0 a 0 eletrizantes. O OXO (pronuncia-se 'ôxo') de Walter Abrahão não era isso, era mais do que um jogo sem gols, era um duelo sem emoção, sem bola na trave, sem polêmica, sem futebol, um anti-duelo como o de hoje na Vila.
Tudo bem, o Santos jogou sem Neymar, Ganso e Danilo e o Corinthians, desfalcado de Ralf, Jorge Henrique, Liedson e Julio Cesar. Mas nem isso é desculpa para o indisfarçável faz-de-conta de compadres apresentado hoje no palco verde da Vila mais famosa do mundo. Do lado santista, já está virando motivo de apostas o momento em que Muricy Ramalho fará substituições. Todo mundo sabe que antes dos 30 do segundo tempo nada acontece. Ganha quem acertar o minuto após os 30.
O meia-atacante Diogo permaneceu sendo uma nulidade até os 34 do segundo tempo, quando finalmente saiu para a entrada do bravo volante Adriano. Ibson ainda não se sabe se entrou em campo pelo Santos desde que “estreou” contra o Flamengo, dia 27 de julho. O volante Henrique (por que não Adriano?), fraco na marcação e pior ainda no apoio, ficou 90 minutos em campo.
Do lado corintiano, a tática foi dirigida para conquistar o heróico 0 a 0. Tarefa alcançada, o Timão agora é líder, com os mesmos 33 pontos do Flamengo, mas com uma vitória a mais. Do lado santista, o suado pontinho levou o time aos 15 pontos, suficientes para chegar ao 14° lugar, ultrapassando Atlético-MG e Grêmio nos critérios de desempate.
Seleção de Mano apanha da Alemanha
Enquanto isso, o destaque da seleção de Mano Menezes que perdeu da Alemanha por 3 a 2, em Stuttgart, foi o lateral esquerdo André Santos, do empresário Carlos Leite, ligado a Mano. Pura coincidência, não é mesmo? O lateral esquerdo perdeu de modo bizarro uma bola que acabou no belo gol de Schweinstegger, o terceiro dos alemães.
A derrota de 3 a 2 foi caiu do céu para o balcão de negócios da CBF, quero dizer, para a seleção brasileira. Poderia ter sido uma goleada. Com a seleção, Mano Menezes não ganhou nada até agora. Foi derrotado por Argentina e França, empatou com a Holanda, caiu diante do Paraguai nos pênaltis na Copa América e hoje sucumbiu diante do bom time germânico.
Ainda assim, Neymar fez um gol típico, o segundo. Deixaram o moleque dominar, gol. O primeiro foi de Robinho, de pênalti.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Exemplos do jeito tucano de governar São Paulo
A gestão tucana de Geraldo Alckmin, para quem é de São Paulo, é uma mazela cotidiana. Já para quem não é e nem mora no estado mais rico da federação, vão abaixo dois exemplos do que acontece por aqui.
O primeiro, pontual, um flagrante que diz respeito à rotina de quem vive e assiste a uma visível e triste deterioração dos serviços do metrô. O segundo, uma notícia sobre a política da saúde do governo do estado, a política escandalosa e perversa de usar verbas públicas para dar aos planos de saúde privados 25% dos leitos do SUS. Segundo promotor, modelo de saúde em SP não tem paralelo no país.
1) Metrô
Foto acima e informação a partir do twitter de @SerBrasileira na hora do rush desta quarta, 10: “cidadãos aguardam por trens que passam direto sem parada (2 ou 3) para estações seguintes, quando chega o trem vazio, tumulto, a espera chega a 30 minutos, com risco de sofrer acidentes”.
2) Saúde
MP entra com ação contra lei de Alckmin que vende 25% dos leitos do SUS
Por Cida de Oliveira
da Rede Brasil Atual
O Ministério Público de São Paulo protocolou na tarde desta terça-feira (9) ação civil pública que impede o governo estadual de qualquer ação com base na lei 1.131/2010 e no decreto 57.108/11, de 6 de julho de 2011, que a regulamenta. Ou seja, de entregar, entre outras coisas, 25% dos leitos de hospitais públicos estaduais gerenciados por organizações sociais (OS) para particulares e planos de saúde.
"A lei agride frontalmente inúmeras normas constitucionais. E se for implementada vai gerar uma situação aflitiva na saúde pública do Estado", explica Arthur Pinto Filho, um dos promotores que assinam a ação do MP. "Isso porque os dependentes do SUS perderão 25% dos leitos públicos dos hospitais estaduais de alta complexidade, que sabidamente já são insuficientes para o atendimento da demanda de nossa população".
Com a ação, o Ministério Público pede que sejam impedidos contratos de gestão, alterações ou aditamentos de contratos de gestão com organizações sociais; a suspensão dos efeitos concretos do decreto; e que seja fixada multa diária no valor de R$ 10 mil.
Segundo o promotor, esse modelo que Geraldo Alckmin deseja implantar no Estado de São Paulo não tem paralelo em nenhum outro da Federação, além de ser combatido pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão encarregado das políticas públicas do setor.
A ação deverá ser apreciada ainda esta semana por um juiz designado pela Vara Pública.
A íntegra da matéria está aqui
O primeiro, pontual, um flagrante que diz respeito à rotina de quem vive e assiste a uma visível e triste deterioração dos serviços do metrô. O segundo, uma notícia sobre a política da saúde do governo do estado, a política escandalosa e perversa de usar verbas públicas para dar aos planos de saúde privados 25% dos leitos do SUS. Segundo promotor, modelo de saúde em SP não tem paralelo no país.
1) Metrô
Foto acima e informação a partir do twitter de @SerBrasileira na hora do rush desta quarta, 10: “cidadãos aguardam por trens que passam direto sem parada (2 ou 3) para estações seguintes, quando chega o trem vazio, tumulto, a espera chega a 30 minutos, com risco de sofrer acidentes”.
2) Saúde
MP entra com ação contra lei de Alckmin que vende 25% dos leitos do SUS
Por Cida de Oliveira
da Rede Brasil Atual
O Ministério Público de São Paulo protocolou na tarde desta terça-feira (9) ação civil pública que impede o governo estadual de qualquer ação com base na lei 1.131/2010 e no decreto 57.108/11, de 6 de julho de 2011, que a regulamenta. Ou seja, de entregar, entre outras coisas, 25% dos leitos de hospitais públicos estaduais gerenciados por organizações sociais (OS) para particulares e planos de saúde.
"A lei agride frontalmente inúmeras normas constitucionais. E se for implementada vai gerar uma situação aflitiva na saúde pública do Estado", explica Arthur Pinto Filho, um dos promotores que assinam a ação do MP. "Isso porque os dependentes do SUS perderão 25% dos leitos públicos dos hospitais estaduais de alta complexidade, que sabidamente já são insuficientes para o atendimento da demanda de nossa população".
Com a ação, o Ministério Público pede que sejam impedidos contratos de gestão, alterações ou aditamentos de contratos de gestão com organizações sociais; a suspensão dos efeitos concretos do decreto; e que seja fixada multa diária no valor de R$ 10 mil.
Segundo o promotor, esse modelo que Geraldo Alckmin deseja implantar no Estado de São Paulo não tem paralelo em nenhum outro da Federação, além de ser combatido pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), órgão encarregado das políticas públicas do setor.
A ação deverá ser apreciada ainda esta semana por um juiz designado pela Vara Pública.
A íntegra da matéria está aqui
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Protestos continuam: 100 mil chilenos vão
às ruas de Santiago nesta terça
Segundo a agência Ansa, aproximadamente 100 mil chilenos foram às ruas de Santiago entre a manhã e a tarde desta terça-feira, 9, em mais uma marcha em protesto pela política educacional e por uma educação pública e de qualidade. Ainda segundo a agência, foram “registrados alguns focos de enfrentamentos entre grupos de manifestantes encapuzados e policiais”.
A população apoiou os estudantes lançando papéis picados e balões, além de bater panelas à porta de casa. Entidades importantes como Confederação dos Trabalhadores do Cobre (CTC), a Agrupação Nacional de Empregados Fiscais (Anef), a Central Unitária de Trabalhadores (CUT), a Confederação Nacional de Funcionários da Saúde Municipalizada (Confusam) e o Sindicato Interempresas da Construção (Sintec) participaram do ato.
Já o jornal conservador La Nación chama a atenção para a prisão de dois militantes que estariam de posse de coquetéis molotov. Há relatos de ações, embora isoladas, de vandalismo.
Direita no poder
O presidente chileno Sebastián Piñera, do partido Renovación Nacional, tomou posse em março de 2010. Ele é o primeiro direitista a conquistar o poder democraticamente após a ditadura Pinochet e também desde a vitória de Jorge Alessandri em 1958. Autodefinido como um "humanista cristiano", Piñera tem cada vez menos popularidade: hoje sua aprovação é de 26%.
![]() |
| Contra interesses privados/ Reprodução |
Direita no poder
O presidente chileno Sebastián Piñera, do partido Renovación Nacional, tomou posse em março de 2010. Ele é o primeiro direitista a conquistar o poder democraticamente após a ditadura Pinochet e também desde a vitória de Jorge Alessandri em 1958. Autodefinido como um "humanista cristiano", Piñera tem cada vez menos popularidade: hoje sua aprovação é de 26%.
No final de junho, impressionantes 400 mil pessoas protestaram nas ruas do país por melhorias na educação. Na semana passada, uma manifestação sofreu forte repressão e 800 pessoas foram detidas.
Atualizado às 17:27
PS (às 17:06 de quarta-feira, 10): Os protestos dessa terça-feira terminaram com 396 presos e 78 feridos em todo o país, segundo números do governo chileno
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Marta Suplicy e Fernando Haddad, candidata da militância versus o nome de Lula
Em relação a quem vai ser o candidato do PT nas eleições municipais em São Paulo em 2012, a sorte está lançada em forma de uma dicotomia. A disputa já é aberta entre a ex-prefeita Marta Suplicy e o ministro Fernando Haddad (Educação).
A dicotomia se configura entre uma liderança popular, consolidada, que já governou a cidade, e um nome novo num cenário de tal dimensão, uma incógnita eleitoral. Enquanto Haddad é o preferido de Lula, ou pelo menos é tratado como tal no momento, Marta já leva a batalha por sua escolha a campo aberto, seja em âmbito interno, dentro do partido, seja pela imprensa.
Timidez x agressividade
Tímido, Haddad não tem iniciativa alguma em se colocar de maneira agressiva na disputa, enquanto Marta não esconde que vai até o fim pela candidatura. No último dia 6, em entrevista a O Estado de S. Paulo, a ex-prefeita não deixou nenhuma dúvida disso. Perguntada sobre se a opção de Lula por uma “cara nova” incomoda, ela não se fez de rogada: “O Lula tem toda razão nessa ideia da cara nova, porque São Paulo teve suas grandes lideranças ceifadas”, disse, citando José Dirceu e Palocci, para em seguida manifestar claramente. “Entendo e respeito a ideia de uma pessoa nova, mas acredito que o mais importante é termos uma pessoa com condição de ganhar e fazer bem para São Paulo. Uma pessoa que agregue forças”.
A ex-prefeita continuou: “Se tem uma candidatura que já sai com 30% dos votos, que tem 18% de rejeição, o que não é alto no contexto, e que tem uma obra para mostrar, você não põe essa candidatura fora e tenta criar um nome que está lá (no Ministério da Educação) há sete anos e tem 3% na pesquisa. Na política funciona bastante o que é natural”. Como se vê, Marta é bastante explícita quanto à percepção, não só dela, de que com Haddad não haverá vitória.
Questionada sobre um dos principais argumentos contra sua candidatura, a rejeição, Marta Suplicy continuou sendo direta: “Quem não tem importância não tem rejeição”.
Enquanto isso, o mesmo Estadão deu hoje entrevista de página inteira com Haddad. As palavras “eleição”, “2012”, “Lula”, “candidatura” ou “candidato” não aparecem sequer uma única vez em toda a entrevista, nem por iniciativa dos jornalistas, nem dele próprio, Haddad. O tema único foi educação.
A militância se identifica mais com Marta, evidentemente. Não sei se para o PT será bom que a vontade de Lula seja quase irrevogável e onipotente, sempre. A queda do ministro Nelson Jobim (leia aqui) parece ter demonstrado isso.
A dicotomia se configura entre uma liderança popular, consolidada, que já governou a cidade, e um nome novo num cenário de tal dimensão, uma incógnita eleitoral. Enquanto Haddad é o preferido de Lula, ou pelo menos é tratado como tal no momento, Marta já leva a batalha por sua escolha a campo aberto, seja em âmbito interno, dentro do partido, seja pela imprensa.
Timidez x agressividade
Tímido, Haddad não tem iniciativa alguma em se colocar de maneira agressiva na disputa, enquanto Marta não esconde que vai até o fim pela candidatura. No último dia 6, em entrevista a O Estado de S. Paulo, a ex-prefeita não deixou nenhuma dúvida disso. Perguntada sobre se a opção de Lula por uma “cara nova” incomoda, ela não se fez de rogada: “O Lula tem toda razão nessa ideia da cara nova, porque São Paulo teve suas grandes lideranças ceifadas”, disse, citando José Dirceu e Palocci, para em seguida manifestar claramente. “Entendo e respeito a ideia de uma pessoa nova, mas acredito que o mais importante é termos uma pessoa com condição de ganhar e fazer bem para São Paulo. Uma pessoa que agregue forças”.
A ex-prefeita continuou: “Se tem uma candidatura que já sai com 30% dos votos, que tem 18% de rejeição, o que não é alto no contexto, e que tem uma obra para mostrar, você não põe essa candidatura fora e tenta criar um nome que está lá (no Ministério da Educação) há sete anos e tem 3% na pesquisa. Na política funciona bastante o que é natural”. Como se vê, Marta é bastante explícita quanto à percepção, não só dela, de que com Haddad não haverá vitória.
Questionada sobre um dos principais argumentos contra sua candidatura, a rejeição, Marta Suplicy continuou sendo direta: “Quem não tem importância não tem rejeição”.
Enquanto isso, o mesmo Estadão deu hoje entrevista de página inteira com Haddad. As palavras “eleição”, “2012”, “Lula”, “candidatura” ou “candidato” não aparecem sequer uma única vez em toda a entrevista, nem por iniciativa dos jornalistas, nem dele próprio, Haddad. O tema único foi educação.
A militância se identifica mais com Marta, evidentemente. Não sei se para o PT será bom que a vontade de Lula seja quase irrevogável e onipotente, sempre. A queda do ministro Nelson Jobim (leia aqui) parece ter demonstrado isso.
Se deixarem, o Flamengo escapa e ninguém mais alcança
Demorou, mas o Campeonato Brasileiro começa a pegar, depois de 15 rodadas, com mais de um terço dos 38 jogos previstos já disputados.
O Flamengo do redivivo Vanderlei Luxemburgo lidera com 33 pontos, seguido pelo Corinthians com 32. Curiosamente, a esta altura do Brasileirão de 2010, também após 15 rodadas, o líder era o Fluminense de Muricy Ramalho, com os mesmos 33 pontos (o Flu, como se sabe, veio a ser campeão), enquanto o Timão era, como hoje, vice, com 31. Ou seja, o Alvinegro este ano faz, até o momento, uma campanha um ponto inferior à de 2010.
Logo atrás de Flu e Corinthians, entre os times que completavam o
G-4 passadas as primeiras 15 rodadas no ano passado, vinham Botafogo (que terminou em 6°) e o surpreendente Ceará (que estava em 4° e foi parar no 12° lugar ao término do campeonato). Este ano, São Paulo (31 pontos) e Vasco da Gama (27) completam o G-4. Mas, com os mesmos 27 pontos, o Palmeiras, em 5°, iria à Libertadores porque o Vasco vai como campeão da Copa do Brasil*.
A verdade é que, pelo andar da carruagem, o Flamengo se credencia, hoje, como favorito. Não só pela liderança, mas porque o bem armado time de Luxemburgo ainda conta com alguns jogadores que fazem a diferença (o goleiro Felipe, o lateral Léo Moura, o meia Thiago Neves e, claro, Ronaldinho Gaúcho, que tem decidido sistematicamente). Além de tudo, é líder.
O pior, para os adversários, é que Vanderlei, com o Rubro-negro, reencontrou a chamada química e parece estar mais focado no futebol e no que melhor sabe fazer. Não foi à toa que Santos e Flamengo fizeram o melhor jogo do campeonato (relembre aqui). A zaga de seu time ainda vai receber o reforço de Alex Silva (ex-São Paulo). Se deixarem o Flamengo escapar muito, ninguém mais o pegará.
Seleção esvazia Santos x Corinthians
Por falar em Corinthians, nesta quarta-feira, 10 de agosto, tem o clássico com o Santos na Vila Belmiro. Partida muito importante para ambos, o Alvinegro da capital porque disputa a liderança (um empate lhe devolve o 1° lugar), e o da baixada porque precisa sair do 16° lugar (14 pontos) e subir para mais perto de onde deve estar (com a ressalva de que o Peixe tem três jogos a menos). Reconheço ser difícil a esta altura o Peixe focar o Brasileiro, infelizmente, pois o time de Muricy tinha tudo para brigar pelo título. Seja como for, o clássico poderia ser eletrizante, não fosse a seleção brasileira.
Desculpem a sinceridade, mas essa maldita seleção mais uma vez tira do Santos suas principais estrelas, num clássico. Neymar e Paulo Henrique Ganso enfrentam a Alemanha na mesma quarta-feira, em amistoso. Elano não foi convocado (pelo menos isso) e pega o Corinthians, do qual Mano Menezes convocou o volante Ralf. É estranho, mas parece que hoje tem muito mais jogos de seleções do que antigamente. Mal acaba a Copa América e já tem jogo dessa
m#*°* outra vez.
Vou torcer para a seleção de Mano Menezes e Ricardo Teixeira tomar um chocolate da Alemanha.
Atualizado às 13:36
![]() |
| Gaúcho, decisivo - Foto: Alexandre Loureiro/VIPCOMM |
Logo atrás de Flu e Corinthians, entre os times que completavam o
G-4 passadas as primeiras 15 rodadas no ano passado, vinham Botafogo (que terminou em 6°) e o surpreendente Ceará (que estava em 4° e foi parar no 12° lugar ao término do campeonato). Este ano, São Paulo (31 pontos) e Vasco da Gama (27) completam o G-4. Mas, com os mesmos 27 pontos, o Palmeiras, em 5°, iria à Libertadores porque o Vasco vai como campeão da Copa do Brasil*.
A verdade é que, pelo andar da carruagem, o Flamengo se credencia, hoje, como favorito. Não só pela liderança, mas porque o bem armado time de Luxemburgo ainda conta com alguns jogadores que fazem a diferença (o goleiro Felipe, o lateral Léo Moura, o meia Thiago Neves e, claro, Ronaldinho Gaúcho, que tem decidido sistematicamente). Além de tudo, é líder.
![]() |
| Foto: Maurício Val/VIPCOMM |
Seleção esvazia Santos x Corinthians
Por falar em Corinthians, nesta quarta-feira, 10 de agosto, tem o clássico com o Santos na Vila Belmiro. Partida muito importante para ambos, o Alvinegro da capital porque disputa a liderança (um empate lhe devolve o 1° lugar), e o da baixada porque precisa sair do 16° lugar (14 pontos) e subir para mais perto de onde deve estar (com a ressalva de que o Peixe tem três jogos a menos). Reconheço ser difícil a esta altura o Peixe focar o Brasileiro, infelizmente, pois o time de Muricy tinha tudo para brigar pelo título. Seja como for, o clássico poderia ser eletrizante, não fosse a seleção brasileira.
Desculpem a sinceridade, mas essa maldita seleção mais uma vez tira do Santos suas principais estrelas, num clássico. Neymar e Paulo Henrique Ganso enfrentam a Alemanha na mesma quarta-feira, em amistoso. Elano não foi convocado (pelo menos isso) e pega o Corinthians, do qual Mano Menezes convocou o volante Ralf. É estranho, mas parece que hoje tem muito mais jogos de seleções do que antigamente. Mal acaba a Copa América e já tem jogo dessa
m#*°* outra vez.
Vou torcer para a seleção de Mano Menezes e Ricardo Teixeira tomar um chocolate da Alemanha.
Atualizado às 13:36
sábado, 6 de agosto de 2011
Outra pequena jóia do cinema iraniano: "Procurando Elly"
Se você estiver na locadora e não souber que DVD alugar, escolha o belíssimo Procurando Elly, filme de 2009 do diretor iraniano Asghar Farhadi, ganhador do Urso de Prata de melhor direção no Festival de Berlim.
O enredo é banal. Um grupo de amigos está na estrada procurando o local onde passarão três dias à beira da praia. A casa que imaginavam não dá certo, e eles acabam arranjando outro lugar, uma casa velha e suja. Mas, bem humorados e dispostos, eles alugam o imóvel. Ahmad (Shahab Hosseini), que morou por anos na Alemanha, volta ao Irã. Sua amiga Sepideh leva uma conhecida para apresentar a ele. Essa amiga é Elly, professora da filha de Sepideh.
O evento do filme é o desaparecimento de Elly. Ela fugiu envergonhada pela situação constrangedora? (lembremos, eles estão no Irã, onde o adultério, como se sabe, pode levar uma mulher a ser executada a pedradas). Ela se suicidou? Descobre-se que Elly tinha um noivo. O sumiço da moça e essa descoberta chocante para os personagens dão o tom dramático que contrasta com a simplicidade do início.
O enredo banal poderia ser tedioso, se não estivéssemos falando de cinema iraniano, no qual é do cotidiano e das coisas mais simples que se extraem a beleza e a poesia. No caso de Procurando Elly, é marcante a exuberante paleta de cores que explode na película com a naturalidade mesma do cotidiano: os lenços e roupas das mulheres, por exemplo, muitas vezes em contraste com as cores da natureza, como o mar.
O peso terrível do Estado iraniano está presente no filme, mas sutilmente, nas entrelinhas dos diálogos. A terrível moral vige o tempo todo. Os filmes iranianos, mesmo no visceral A Caminho de Kandahar (2001, direção de Mohsen Makhmalbaf), não usam a violência como um artifício fácil. A violência é implícita, está ali, na atmosfera, mas para o espectador não se consuma. Você não vê.
Um dos momentos mais bonitos de Procurando Elly é quando Sepideh (Golshifteh Farahani) vive um drama dilacerante antes de “depor” ao noivo da desaparecida. Sepideh está dividida entre sujar a honra da amiga Elly, que sumiu (lembremos novamente: é o Irã) e arriscar os amigos, apavorados com a possibilidade de o noivo saber que todos eles participaram de um plano para aproximar Elly e Ahmad. Na sociedade dos aiatolás, a flecha do cupido pode ser fatal.
A beleza não fica só nas cores e planos do filme de Asghar Farhadi, ou nas longas sequências que usam o silêncio ou o corriqueiro como matéria-prima da poesia. As mulheres são de uma beleza exótica, exuberante, não-hollywoodiana, com seus olhos amendoados que parecem guardar uma tristeza atávica dos milênios de onde surgiu o povo persa.
Em uma palavra: assista a Procurando Elly. Vale a pena.
PS: no título deste post eu uso a palavra "jóia", com acento. Desculpem, ainda não consegui assimilar a nova ortografia da Língua Portuguesa. Ela me irrita.
![]() |
| Taraneh Alidoosti interpreta Elly |
O enredo é banal. Um grupo de amigos está na estrada procurando o local onde passarão três dias à beira da praia. A casa que imaginavam não dá certo, e eles acabam arranjando outro lugar, uma casa velha e suja. Mas, bem humorados e dispostos, eles alugam o imóvel. Ahmad (Shahab Hosseini), que morou por anos na Alemanha, volta ao Irã. Sua amiga Sepideh leva uma conhecida para apresentar a ele. Essa amiga é Elly, professora da filha de Sepideh.
O evento do filme é o desaparecimento de Elly. Ela fugiu envergonhada pela situação constrangedora? (lembremos, eles estão no Irã, onde o adultério, como se sabe, pode levar uma mulher a ser executada a pedradas). Ela se suicidou? Descobre-se que Elly tinha um noivo. O sumiço da moça e essa descoberta chocante para os personagens dão o tom dramático que contrasta com a simplicidade do início.
O enredo banal poderia ser tedioso, se não estivéssemos falando de cinema iraniano, no qual é do cotidiano e das coisas mais simples que se extraem a beleza e a poesia. No caso de Procurando Elly, é marcante a exuberante paleta de cores que explode na película com a naturalidade mesma do cotidiano: os lenços e roupas das mulheres, por exemplo, muitas vezes em contraste com as cores da natureza, como o mar.
O peso terrível do Estado iraniano está presente no filme, mas sutilmente, nas entrelinhas dos diálogos. A terrível moral vige o tempo todo. Os filmes iranianos, mesmo no visceral A Caminho de Kandahar (2001, direção de Mohsen Makhmalbaf), não usam a violência como um artifício fácil. A violência é implícita, está ali, na atmosfera, mas para o espectador não se consuma. Você não vê.
![]() |
| A atriz Golshifteh Farahani no papel de Sepideh |
A beleza não fica só nas cores e planos do filme de Asghar Farhadi, ou nas longas sequências que usam o silêncio ou o corriqueiro como matéria-prima da poesia. As mulheres são de uma beleza exótica, exuberante, não-hollywoodiana, com seus olhos amendoados que parecem guardar uma tristeza atávica dos milênios de onde surgiu o povo persa.
Em uma palavra: assista a Procurando Elly. Vale a pena.
PS: no título deste post eu uso a palavra "jóia", com acento. Desculpem, ainda não consegui assimilar a nova ortografia da Língua Portuguesa. Ela me irrita.
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Jobim, o homem que falava demais
Ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim será o substituto do agora ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que caiu depois de novas declarações dignas da oposição (Atualizado às 20:31)
Para os muitos que se espantaram com a manutenção de Nelson Jobim no governo Dilma, e mais ainda após a insistência dele em falar de sua intimidade com o ninho tucano, finalmente o ministro da Defesa caiu (até o momento deste post, ainda não oficialmente).
Depois de dizer, no fim de julho, ser “amigo íntimo do Serra” e que votou em no tucano* em 2010, Jobim disse à revista Piauí que "A Ideli é muito fraquinha", referindo-se à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (a informação foi adiantada pela coluna da Mônica Bergamo, da Folha desta quinta-feira).
Nelson Jobim era um ministro da cota do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo com um padrinho desse porte, era ininteligível sua continuidade no governo após a declaração de voto em Serra, e, para quem não se lembra, depois de outras demonstrações de sua “competência” e suas “virtudes”. Por exemplo, em novembro do ano passado, o WikiLeaks revelou que Jobim prestou serviços de informação ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Na seara de suas atribuições, não conseguiu fechar as negociações para a compra do caça francês Rafale.
O agora ex-ministro disse que as informações divulgadas na imprensa são "parte de um jogo de intrigas" e uma tentativa de desestabilizá-lo. Curioso raciocínio de quem é bastante conhecido nos bastidores de Brasília justamente por ser um exímio plantador de intrigas.
É muito estranho tudo isso. E fica um grande ponto de interrogação. Por que ele ainda era mantido? Essa é a típica situação que provoca muitas especulações mentais e faz pensar no título de um filme de Alfred Hitchcock, O Homem que Sabia Demais, embora seja para consumo público o homem que falava demais.
Sabendo demais ou não, caiu.
*Atualizado às 18:03 (o texto dizia erroneamente que Jobim votou em FHC em 2010, o que é obviamente impossível).
Para os muitos que se espantaram com a manutenção de Nelson Jobim no governo Dilma, e mais ainda após a insistência dele em falar de sua intimidade com o ninho tucano, finalmente o ministro da Defesa caiu (até o momento deste post, ainda não oficialmente).
![]() |
| Foto: Antonio Cruz/ ABr |
Nelson Jobim era um ministro da cota do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo com um padrinho desse porte, era ininteligível sua continuidade no governo após a declaração de voto em Serra, e, para quem não se lembra, depois de outras demonstrações de sua “competência” e suas “virtudes”. Por exemplo, em novembro do ano passado, o WikiLeaks revelou que Jobim prestou serviços de informação ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Na seara de suas atribuições, não conseguiu fechar as negociações para a compra do caça francês Rafale.
O agora ex-ministro disse que as informações divulgadas na imprensa são "parte de um jogo de intrigas" e uma tentativa de desestabilizá-lo. Curioso raciocínio de quem é bastante conhecido nos bastidores de Brasília justamente por ser um exímio plantador de intrigas.
É muito estranho tudo isso. E fica um grande ponto de interrogação. Por que ele ainda era mantido? Essa é a típica situação que provoca muitas especulações mentais e faz pensar no título de um filme de Alfred Hitchcock, O Homem que Sabia Demais, embora seja para consumo público o homem que falava demais.
Sabendo demais ou não, caiu.
*Atualizado às 18:03 (o texto dizia erroneamente que Jobim votou em FHC em 2010, o que é obviamente impossível).
São Paulo à venda
Por Fernando de Barros e Silva
no Observatório de Segurança Pública
Sem que isso seja muito evidente, Gilberto Kassab está patrocinando um novo ciclo de especulação imobiliária na cidade. O mesmo setor que contribuiu com milhões para a eleição do prefeito em 2008 está sendo beneficiado em operações urbanas mais do que duvidosas, justamente a um ano da próxima campanha municipal. De várias maneiras, regiões de São Paulo estão sendo terceirizadas, alienadas ou vendidas para o mercado. O caso mais flagrante é o da "troca" de áreas públicas por creches - ideia que partiu do Secovi, o sindicato do setor imobiliário.
Kassab havia prometido zerar a carência de vagas nas creches. Há mais de 140 mil crianças na fila de espera. Perto do fim do mandato, o problema social se transforma em oportunidade de negócio. Afinal, alguém precisa lucrar com a promessa que não será cumprida. Quem acredita que as construtoras beneficiadas com áreas nobres farão adequadamente 200, 300, 400 creches na periferia?
Não é só. Kassab vai dar à iniciativa privada o poder de desapropriar uma enorme extensão da Pompeia, como já ocorre, a passo de cágado, na Nova Luz (ou cracolândia). Este é um tipo de concessão que só parece ter sentido numa região arruinada, onde as empresas não investiriam sem atrativos. Mas na Pompeia? Por que facilitar lucros privados gigantescos numa área já valorizada? Não cheira bem.
Por fim, a prefeitura está prestes a aprovar um novo polo de escritórios de luxo na avenida Chucri Zaidan, continuação da Berrini. É mais um capítulo de uma dinâmica perversa: enquanto a região central, com infraestrutura já pronta, permanece subocupada, em estado de degradação, os impostos do paulistano vão financiar a expansão de transporte público, luz, água etc. até os confins da cidade, para onde fogem os ricos seguindo a corrida do ouro do mercado imobiliário. Tudo somado, o kassabismo é uma espécie de neomalufismo. Essa é a escola em que ele se formou.
Publicado originalmente no Observatório de Segurança Pública domingo, 31 de julho de 2011
no Observatório de Segurança Pública
Sem que isso seja muito evidente, Gilberto Kassab está patrocinando um novo ciclo de especulação imobiliária na cidade. O mesmo setor que contribuiu com milhões para a eleição do prefeito em 2008 está sendo beneficiado em operações urbanas mais do que duvidosas, justamente a um ano da próxima campanha municipal. De várias maneiras, regiões de São Paulo estão sendo terceirizadas, alienadas ou vendidas para o mercado. O caso mais flagrante é o da "troca" de áreas públicas por creches - ideia que partiu do Secovi, o sindicato do setor imobiliário.
Kassab havia prometido zerar a carência de vagas nas creches. Há mais de 140 mil crianças na fila de espera. Perto do fim do mandato, o problema social se transforma em oportunidade de negócio. Afinal, alguém precisa lucrar com a promessa que não será cumprida. Quem acredita que as construtoras beneficiadas com áreas nobres farão adequadamente 200, 300, 400 creches na periferia?
Não é só. Kassab vai dar à iniciativa privada o poder de desapropriar uma enorme extensão da Pompeia, como já ocorre, a passo de cágado, na Nova Luz (ou cracolândia). Este é um tipo de concessão que só parece ter sentido numa região arruinada, onde as empresas não investiriam sem atrativos. Mas na Pompeia? Por que facilitar lucros privados gigantescos numa área já valorizada? Não cheira bem.
Por fim, a prefeitura está prestes a aprovar um novo polo de escritórios de luxo na avenida Chucri Zaidan, continuação da Berrini. É mais um capítulo de uma dinâmica perversa: enquanto a região central, com infraestrutura já pronta, permanece subocupada, em estado de degradação, os impostos do paulistano vão financiar a expansão de transporte público, luz, água etc. até os confins da cidade, para onde fogem os ricos seguindo a corrida do ouro do mercado imobiliário. Tudo somado, o kassabismo é uma espécie de neomalufismo. Essa é a escola em que ele se formou.
Publicado originalmente no Observatório de Segurança Pública domingo, 31 de julho de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Neymar fica na Vila e mostra que há 'outro mundo possível' no futebol brasileiro
“É patrimônio do Santos, da cidade, do Estado e do Brasil", diz presidente do Santos
Enquanto a – como sempre digo – malfadada janela européia não se fechar, em 31 de agosto, nenhuma informação pode ser considerada definitiva. Feita a ressalva, pelo que se divulga por meio de fontes com credibilidade, Neymar decidiu ficar no Santos até pelo menos o fim do ano, quando o clube disputa o Mundial. Todas as informações dão conta de que a decisão foi do jovem atleta. O Santos só poderia negar a oferta de 45 milhões de euros* (cerca de R$ 100 milhões), como fez, com a concordância de Neymar, sem o quê o Real Madrid poderia tirá-lo do clube.
Recordem-se que no ano passado o mesmo jovem jogador, então com 18 anos, rejeitou oferta do poderoso Chelsea, da Inglaterra, em nome do sonho de ganhar a Libertadores pelo Peixe, sonho concretizado para ele e toda a nação santista. Relembre aqui.
No último domingo, 31, às 11:20 da manhã, Paulo Vinicius Coelho postou em seu blog a informação: A decisão de Neymar está tomada: ele não vai para a Espanha agora.
Sendo assim, só resta enaltecer mais uma vez a jóia do Santos, por sua personalidade, seu amor ao clube que o formou e sua indisposição em deixar a Vila pelos fundos, como fez Robinho em 2005. E parabenizar entusiasticamente o presidente do time da Vila Belmiro, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, por sua gestão corajosa, revolucionária mesmo, no contexto do futebol brasileiro.
Em sessão solene em homenagem ao Santos pelos títulos do Paulistão e da Libertadores, na Assembleia Legislativa de São Paulo, na segunda-feira, 1°, ele se pronunciou sobre a manutenção de Neymar na Vila: “é patrimônio do Santos, da cidade, do Estado e do Brasil. Assim poderemos sinalizar ao mundo que não somos republiquetas exportadoras de matéria-prima”.
*Atualizado à 00:01
Enquanto a – como sempre digo – malfadada janela européia não se fechar, em 31 de agosto, nenhuma informação pode ser considerada definitiva. Feita a ressalva, pelo que se divulga por meio de fontes com credibilidade, Neymar decidiu ficar no Santos até pelo menos o fim do ano, quando o clube disputa o Mundial. Todas as informações dão conta de que a decisão foi do jovem atleta. O Santos só poderia negar a oferta de 45 milhões de euros* (cerca de R$ 100 milhões), como fez, com a concordância de Neymar, sem o quê o Real Madrid poderia tirá-lo do clube.
| Jovem craque encontra presidente Dilma em evento no RJ no sábado, 31. Foto: Roberto Stuckert Filho/ PR |
Recordem-se que no ano passado o mesmo jovem jogador, então com 18 anos, rejeitou oferta do poderoso Chelsea, da Inglaterra, em nome do sonho de ganhar a Libertadores pelo Peixe, sonho concretizado para ele e toda a nação santista. Relembre aqui.
No último domingo, 31, às 11:20 da manhã, Paulo Vinicius Coelho postou em seu blog a informação: A decisão de Neymar está tomada: ele não vai para a Espanha agora.
Sendo assim, só resta enaltecer mais uma vez a jóia do Santos, por sua personalidade, seu amor ao clube que o formou e sua indisposição em deixar a Vila pelos fundos, como fez Robinho em 2005. E parabenizar entusiasticamente o presidente do time da Vila Belmiro, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, por sua gestão corajosa, revolucionária mesmo, no contexto do futebol brasileiro.
Em sessão solene em homenagem ao Santos pelos títulos do Paulistão e da Libertadores, na Assembleia Legislativa de São Paulo, na segunda-feira, 1°, ele se pronunciou sobre a manutenção de Neymar na Vila: “é patrimônio do Santos, da cidade, do Estado e do Brasil. Assim poderemos sinalizar ao mundo que não somos republiquetas exportadoras de matéria-prima”.
*Atualizado à 00:01
Acaba ocupação da Funarte, mas artistas prometem mobilização permanente
O Movimento dos Trabalhadores da Cultura deixou o prédio da Funarte, em São Paulo, após uma ocupação de seis dias. Os organizadores afirmam que a mobilização continuará, a partir de novas assembléias e fóruns a ser convocados.
A manifestação para marcar a saída do prédio, na tarde de segunda-feira, 1° de agosto, segundo o movimento, marcou tanto o fim da ocupação do prédio da Funarte, na Alameda Nothmann, como o início da mobilização permanente prometida pelos artistas.
Uma das propostas que devem vingar é a organização da Marcha a Brasília, inicialmente marcada para 24 de agosto.
Mais informações sobre a ocupação e as reivindicações do Movimento dos Trabalhadores da Cultura nestes links:
Para ler sobre a ocupação da Funarte, clique aqui:
Conheça as reivindicações dos artistas clicando aqui.
PS: Em minha opinião, o movimento tem todos os méritos, mas sua vitória só sairá do terreno simbólico para a realidade se a ministra Ana de Hollanda, e portanto tudo o que ela representa e o retrocesso, falta de diálogo etc, deixar o Ministério da Cultura.
Atualizado às 13:01
A manifestação para marcar a saída do prédio, na tarde de segunda-feira, 1° de agosto, segundo o movimento, marcou tanto o fim da ocupação do prédio da Funarte, na Alameda Nothmann, como o início da mobilização permanente prometida pelos artistas.
Uma das propostas que devem vingar é a organização da Marcha a Brasília, inicialmente marcada para 24 de agosto.
Mais informações sobre a ocupação e as reivindicações do Movimento dos Trabalhadores da Cultura nestes links:
Para ler sobre a ocupação da Funarte, clique aqui:
Conheça as reivindicações dos artistas clicando aqui.
PS: Em minha opinião, o movimento tem todos os méritos, mas sua vitória só sairá do terreno simbólico para a realidade se a ministra Ana de Hollanda, e portanto tudo o que ela representa e o retrocesso, falta de diálogo etc, deixar o Ministério da Cultura.
Atualizado às 13:01
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Morre Estamira. Cineasta Marcos Prado manifesta revolta pela falência das instituições públicas
Estamira Gomes de Sousa, protagonista do documentário Estamira (2005), dirigido por Marcos Prado (veja trailer em link abaixo), morreu na quinta-feira, 28, no Rio de Janeiro, aos 70 anos. O filme, uma das obras-primas do cinema brasileiro de todos os tempos, mostra o cotidiano de uma catadora de lixo no aterro sanitário no bairro de Gramacho, localizado no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Estamira é uma esquizofrênica. Uma mulher que foi estuprada na juventude e, depois de muitas vicissitudes, se tornou Estamira. O propósito deste post não é falar do filme Estamira (que todos os brasileiros deveriam ver e mereceria um post à parte), mas apenas registrar a morte dessa mulher absurda, visceral, que a sensibilidade do olhar poético de Marcos Prado registrou.
Marcos Prado que, em sua página no Facebook, escreveu o seguinte sobre a morte de Estamira: "Caros amigos, é com tristeza no coração que vos trago a notícia que há poucas horas atrás, Dona Estamira partiu dessa para uma melhor. Para aqueles que a conheceram, pessoalmente ou nas telas de cinema, sugiro um pensamento de luz para ela seguir seu caminho espiritual. Saravá, como diria meu amigo Marco Aurêlio Marcondes".
O cineasta manifestou sua revolta pela maneira como ela morreu: "Estamira ficou invisível pela falência e deficiência de nossas instituições públicas! Morreu depois de ficar dois dias esperando por atendimento nos corredores da morte do nosso maravilhoso serviço público de saúde do Miguel Couto. Ela estava com uma grave infecção no braço, mas foi tardiamente atendida. Obrigado meus políticos de Brasília, do Rio de Janeiro, que roubam nosso dinheiro e enfiam sei lá onde".
Trailer de Estamira:
Apenas para registrar: o evento de sábado, 30, na Marina da Glória, quando celebridades mundiais participaram do sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo, custou R$ 30 milhões bancados pelos cofres do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro.
![]() |
| Foto: Reprodução |
Marcos Prado que, em sua página no Facebook, escreveu o seguinte sobre a morte de Estamira: "Caros amigos, é com tristeza no coração que vos trago a notícia que há poucas horas atrás, Dona Estamira partiu dessa para uma melhor. Para aqueles que a conheceram, pessoalmente ou nas telas de cinema, sugiro um pensamento de luz para ela seguir seu caminho espiritual. Saravá, como diria meu amigo Marco Aurêlio Marcondes".
O cineasta manifestou sua revolta pela maneira como ela morreu: "Estamira ficou invisível pela falência e deficiência de nossas instituições públicas! Morreu depois de ficar dois dias esperando por atendimento nos corredores da morte do nosso maravilhoso serviço público de saúde do Miguel Couto. Ela estava com uma grave infecção no braço, mas foi tardiamente atendida. Obrigado meus políticos de Brasília, do Rio de Janeiro, que roubam nosso dinheiro e enfiam sei lá onde".
Trailer de Estamira:
Apenas para registrar: o evento de sábado, 30, na Marina da Glória, quando celebridades mundiais participaram do sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo, custou R$ 30 milhões bancados pelos cofres do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro.
Assinar:
Postagens (Atom)










