terça-feira, 6 de setembro de 2011

Criação do Estado da Palestina é a causa mais importante do início do século XXI

Está prevista para daqui a duas semanas a reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas na qual será votado o pedido do reconhecimento do Estado palestino com fronteiras entre países árabes e Israel anteriores à guerra de 1967, conhecida como Guerra dos Seis Dias. Naquele conflito, Israel ocupou Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, e a ocupação permanece até hoje.

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Do site Palestina Já


Diversas entidades brasileiras que apoiam a causa – certamente a mais importante e justa desse início de século e que merece o seu e o meu apoio –, divulgaram um vídeo para promover a campanha (veja abaixo).

A deliberação sobre a matéria não será apenas na Assembleia Geral, mas também no Conselho de Segurança da ONU, onde o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, faz saber à comunidade internacional que seu país vetará o pedido. O argumento é de que as negociações devem continuar para se chegar a uma situação de paz concreta. “Caso o Conselho de Segurança não aprove, igualmente vamos à Assembleia Geral, para mostrar ao mundo a verdadeira vontade da humanidade”, disse o embaixador palestino no Brasil, Ibrahim al-Zeben, à Agência Brasil, na semana passada.

Se a assembleia aprovar o pedido e o conselho rejeitar (os EUA têm poder de veto), a Palestina poderá se tornar um Estado não membro. A aposta sionista é de que essa situação vai gerar efeitos mais simbólicos do que práticos. Por isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores israelense, Yigal Palmor, afirmou, segundo a EFE: "Os palestinos vão acordar no dia seguinte muito satisfeitos com a votação, mas vão se dar conta de que nada vai mudar em sua vida”.

Resta saber qual será o preço a ser pago pelos EUA devido a sua posição e se estão dispostos a pagar esse preço. A animosidade contra eles crescerá, e não só no Oriente Médio. De acordo com o jornal The New York Times, o governo do senhor Obama faz uma campanha diplomática tentando, imaginem, convencer os palestinos a abandonar a busca pelo reconhecimento de sua nação como Estado.

"Derramamento de sangue"

Já os recados israelenses, acostumados a dotar as palavras da brutalidade das armas, são bem menos diplomáticos do que seus protetores americanos. Segundo a Associated Press, “forças israelenses tentam evitar um derramamento de sangue quando os palestinos marcharem em apoio ao pedido de reconhecimento de seu Estado”. Israel, diz a agência, “se prepara para os piores cenários e até autorizou colonos da Cisjordânia a atirar contra palestinos que se aproximarem de suas comunidades”. Os palestinos dizem que as manifestações serão pacíficas.

Do total de 193 países membros, a causa palestina deverá contar na ONU com os votos de 140, aproximadamente, inclusive o Brasil.

Ato em São Paulo

Está prevista para o dia 20, às 17 horas, em São Paulo, a "Caminhada pelo Estado da Palestina Já". O ato é organizado por partidos e entidades civis e terá início em frente ao Teatro Municipal, na praça Ramos de Azevedo.

Assista ao vídeo de apoio à campanha.



Atualizado às 22:18

6 comentários:

Reginna Sampaio disse...

Existe hoje no mundo dois casos de ocupação que são odiosas : a Ocupação da palestina por Israel e a ocupação do Tibet pela China . O que a palestina e o Tibet tem em comum ? Nações extremamente pobres . O que a China e Israel tem em comum ? dinheiro , poder, força e total incapacidade de enxergar que estão construindo pra si mesmo um papel na História ...o de grandes opressores de povos pobres submetidos a todo tipo de crueldade. Não importa o que digam os poderosos China,EUA e Israel . Importa sim que o resto do mundo diga não a essas barbáries . Pelo Estado Palestino Já . Essa é a luta daqueles que tem sentido de justiça e dignidade humana . Parabéns pela brilhante postagem

Felipe Cabañas da Silva disse...

Edu, excelente texto. Compartilhei no feicebuque... rs.

Mayra disse...

Compartilhado, com a chamada para o ato em destaque.

Anônimo disse...

Os territórios que os israelenses invadem e fazem massacres e assentamentos; não pertencem ao Estado Fascista de Israel. Portanto, o que Israel deseja mesmo é tomar e anexar a força bruta os territórios pertencentes ao sofrido povo palestino; para isso, os israelenses assassinam centenas de homens, mulheres e crianças inocentes.
A Comunidade Internacional, deveria tomar a iniciativa de conter o estado pária de Israel - o qual se julga onipotente – pois Israel deseja fazer o que bem entende na região, e conta com o apoio do Imperialismo estadunidense. Os imperialistas dos EUA, que cobiçam o petróleo da região, desejam que as atenções do mundo livre, sejam desviadas do que faz o estado terrorista de Israel ao povo palestino. E, tudo isso, para que a Comunidade Internacional não venham a condenar os genocídios e massacres, que o criminoso Estado títere de Israel faz na Região.
Os imperialistas dos EUA, que comandam genocídios por todo o mundo livre; endividam as nações livres, compram seus políticos e governos fantoches; além de apoiarem estados títeres como Israel e outros; para que fiquem realizando política de desestabilização, discórdia e desentendimentos regionais, ou atos subversivos violentos e intimidadores, a serviço do insidioso sistema imperial dos EUA.

http://www.israelixo.jeeran.com/israelixo.htm

Edu Maretti disse...

Valeu pessoal, pelos comentários, por compartilhar e participar. Como eu disse no post, a causa é muito justa.

abraços

Felipe Cabañas da Silva disse...

Ontem eu ia escrever uma mensagem mais decente, mas como os convivas podem observar pelo horário, eu estava caindo de sono e não consegui formular nada.

Mas queria comentar algo sobre a posição do Obama que é o seguinte: para a política externa americana (acho que desde sempre, mas especialmente a partir da segunda metade do século XX) se encaixa muito bem algo muito parecido com aquela famosa máxima em vigência no Brasil durante o segundo reinado: "nada mais conservador que um liberal no poder". Pois bem, na "América", "nada mais republicano que um democrata no poder". Especialmente em relação à política externa porque creio que o povo estadunidense deve sim sentir a diferença (tênue) entre democratas e republicanos, mas qualquer diferença tem se dissolvido na política externa. Inúmeras das guerras despropositadas declaradas pelos EUA foram iniciadas em governos democratas, e na questão palestina as palavras de Barack Obama casariam à perfeição com figuras como Ronald Reagan ou Papa e Baby Bush.

Mas para quem declarou, em seu emocionante discurso da vitória em Chicago, evocando figuras nobres como Martin Luther King, que pretendia realizar uma liderança mundial em questões humanitárias fundamentais, e além do mais para quem recebeu um Prêmio Nobel da Paz (exatamente como Martin Luther King) e que tem uma história respeitável de posições ligadas às lutas históricas da esquerda democrática, a posição de Barack Obama na questão palestina é a maior decepção de todas decepções desse governo que se iniciou trazendo grandes esperanças, e tem tudo para terminar da forma mais melancólica e sendo derrotado por aquela parte mais fascista, mais esclerosada, mais raivosa e mais extremista da direita estadunidense.