sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pensamento para sexta-feira [1]


EMBRIAGAI-VOS

É necessário estar sempre bêbado. Tudo se reduz a isso; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem tréguas.

Mas – de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis.

E, se algumas vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:

– É a hora da embriaguez! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.

(Charles Baudelaire, em Pequenos Poemas em Prosa
- tradução de Aurélio Buarque de Hollanda)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Na superquarta, brilham Santos e Atlético/MG, Diego Tardelli, Ganso, Flamengo e Internazionale

A chamada superquarta, 28 de abril, foi de fato magnífica no Mineirão, onde o Atlético/MG ganhou do Santos por 3 a 2 numa partida espetacular. Como escreveu o atleticano Frédi no Futepoca, "Da proxima vez, só com cardiologista do lado".

Dadá Maravilha, o mito, acertou: ontem ele disse que o placar seria esse, na lata, e emendou meio (ou muito) lamentavelmente: “o ataque do Santos só dá pra parar com um revólver” (sic). Com o resultado, uma vitória simples leva o Peixe à semifinal da Copa do Brasil, a não ser que os mineiros percam por um gol fazendo três ou mais.

Veja os gols desse grande jogo, antes (ou depois...) de continuar a leitura:



Com a infernal torcida empurrando seu time, o mandante fez 1 a 0 aos 2 minutos de jogo, e 2 a 0 aos 40, com Tardelli em duas falhas da defesa santista. Mas o time de Vanderlei Luxemburgo levou o gol que não poderia tomar aos 44 (sinceramente, Robinho lembrou Pelé nesse gol).

O primeiro tempo transcorreu em ritmo alucinante. Sem Neymar, o Santos dependeu de Ganso, muito marcado, e Robinho, com ótima atuação, concentrado e com raça, ameaçador o tempo todo. Pará, pela lateral esquerda, fez um jogo primoroso, aguerrido na defesa e eficiente no apoio. Não fez um golaço por cobertura quando estava 1 a 0 por falta de sorte.

Com o trio de frente Muriqui, Fabiano e Diego Tardelli, que marcou os três gols de seu time e mostrou que, no lugar do gordo Adriano, poderia ser ótima solução para Dunga na África do Sul, o Galo foi temível. Mas o Santos foi o Santos durante todo o tempo, apesar da defesa. Foi pau a pau, e o time da Vila Belmiro, na minha opinião, jogou melhor no primeiro tempo. Aranha fez grandes defesas. Felipe também.

No segundo tempo, a equipe paulista começou melhor, e, num erro de saída de bola, o Atlético quase tomou o empate, mas fez 3 a 1 logo aos 7min. Deu a impressão que faria o quarto, mas não fez.

Mesmo muito marcado, Paulo Henrique Ganso, coitado, foi criticado aqui em casa pelo casal santista, porque, mesmo quando tinha a bola, não se saía bem. Mas decidiu talvez a sorte do confronto, porque é craque. Numa jogada espetacular, Zé Eduardo deixou para ele, o Ganso, que, como no primeiro gol contra o Santo André, cruzou para o ex-cruzeirense Edu Dracena (que ironia) fazer o segundo gol do Santos.

No final do jogo, o time das Minas Gerais visivelmente implorava aos deuses para que o jogo acabasse, tocava a bola de lado a lado, e Luxemburgo sentou-se abatido no banco de reservas, porque sabia que poderia tomar o terceiro a qualquer momento. E porque sabia que 3 a 2, se der a lógica na Vila, é pouco. Mas Galo não é peru, então eu fico por aqui.

Maracanã
Quando o Flamengo fez o gol da vitória de 1 a 0 sobre o Corinthians, espoucaram rojões e soaram gritos das janelas do condomínio. Crente que era gol do Timão, dei uma olhada na Globo, e era gol do Imperador. De pênalti, indiscutível, cometido infantilmente por Moacir, que chegou atrasado e derrubou Juan.

O resultado é bastante preocupante para o time de Mano Menezes. No Pacaembu, tem que ganhar por 2 a 0. Se tomar um gol do muito bom time do Flamengo (crise à parte), tem de fazer 3 a 1, pois 2 a 1 a favor do alvinegro enterra o sonho da Libertadores. Com 1 a 0, pênaltis.

Assista ao gol de Adriano:



Camp Nou
E, terminando pelo início, no Camp Nou, o Barcelona fez um jogo sem brilho e parou na marcação da Inter de Milão (que Galvão Bueno e tantos outros insistem em chamar de o Inter). Desculpem ser chato, mas bem feito. Messi agora pode treinar bastante para ver se joga alguma coisa pela seleção argentina, o que nunca fez. Internazionale e Bayern Munique farão a final da Copa dos Campeões, com toda justiça.

Toda unanimidade é burra, dizia Nelson Rodrigues. E a unanimidade em torno do time catalão já estava enchendo o saco. E a inter mereceu.

Pena que não foi feriado hoje. Só vi de fato os 90 minutos do grande jogo do Mineirão.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O fim da candidatura de Ciro Gomes

Muitas críticas petistas depois, o ex-futuro candidato à presidência da República pelo PSB, deputado Ciro Gomes, foi afastado da eleição, em votação da Executiva do seu partido que lhe foi desfavorável em 21 a 2.

Há mais de quatro meses, era impossível prever final tão melancólico das pretensões do ex-ministro da Integração Nacional do governo. Então, muitos se perguntavam para onde iria o coringa de Lula, que acabou sendo levado a lugar nenhum.

Me parece que, como um dos mais fiéis e leais “homens do presidente”, principalmente enquanto esteve no governo, e em épocas de crise, Ciro (que mudou para São Paulo seu domicílio eleitoral a pedido de Lula) tem razões de sobra para ficar muito contrariado com o limbo a que foi conduzido.

Leia a íntegra da nota divulgada pelo deputado (título: "Ao rei tudo, menos a honra") em seu site na internet aqui.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Pesquisa do Datafolha sobre torcidas brasileiras é distorcida

Reprodução

“Torcidas do Flamengo e do Corinthians têm empate técnico, mostra Datafolha”, informa-nos o Uol, Folha e outros órgãos de imprensa (para vender jornal às vésperas do jogo pela Libertadores). Segundo a pesquisa, o Flamengo teria 17% dos torcedores do país, contra 14% do Corinthians.

Na linha fina (ou legenda da foto) no site do UOL, informa-se que as torcidas do Flamengo e do Corinthians, as maiores do Brasil, somam 40 milhões, segundo projeções. Eu sempre vi essas pesquisas com muitas restrições, porque são distorcidas (desculpem o trocadilho).

Falei com o Datafolha. O universo de pesquisados é formado por pessoas acima de 16 anos e o estudo não é direcionado ao torcedor. “É feito junto com a pesquisa de intenção de voto [para as eleições deste ano]”, explica Marcel Guerreiro, do Datafolha.

Qualquer pessoa que já tenha trabalhado (como eu) ou trabalhe com pesquisa, ou mesmo que tenha bom senso, sabe que qualquer estudo sério tem de ter filtros. Por exemplo, se você vai fazer uma pesquisa sobre automóvel, você não vai incluir nela pessoas que não têm carro. Usam-se filtros. Ou seja, você vai pesquisar entre quem tem carro.

A pesquisa sobre as torcidas não significa rigorosamente nada, tecnicamente. Ela inclui no universo o não-torcedor que nunca foi a uma partida de futebol, jamais assiste a um jogo, não sabe nada sobre o esporte e nem sequer a cor da camisa do time pelo qual diz torcer. Guerreiro, do Datafolha, reconhece que um dos filtros possíveis seria o de freqüentadores de estádios. Há outros: quem assiste a partidas de futebol na TV...

Tive uma repórter que nunca torceu. Se você dissesse a ela que o São Paulo Futebol Clube ia decidir o título mundial contra a seleção da Alemanha (fizemos essa brincadeira num fechamento), ela acreditava. E, se uma pesquisa perguntasse a ela para que time torcia, dizia ser são-paulina, porque era o time do namorado. Essa moça, por exemplo, seria incluída no levantamento do Datafolha.

O exemplo acima mostra que a distorção não é eliminada pelo fato de a pesquisa “revelar” que 25% dos entrevistados afirmam não torcer para “nenhum time”. Seria o mesmo que incluir aleatoriamente, num estudo sobre o desempenho de motores 1.0, usuários de trem, metrô e ônibus que nem dirigem e de vez em quando pegam carona com um colega de trabalho.

domingo, 25 de abril de 2010

Santos 3 x 2 Santo André: jogo duro e vitória incontestável

André - Foto Ricardo Saibun
O Santo André vendeu caro a derrota por 3 a 2, que virtualmente lhe custou o título paulista. Porque supor que vá ganhar do Santos de 2 a 0, 3 a 1, 4 a 2 etc é um exercício de imaginação. A taça deve mais uma vez ficar perto do mar.

O jogo foi realmente digno de uma final. O Santo André dominou o primeiro tempo. Mas é importante dizer que esse domínio foi conquistado, no início, a partir de um estilo brucutu próprio de time pequeno. O Ramalhão começou o jogo distribuindo pancadas e pontapés à vontade sob o olhar complacente do juiz Paulo César de Oliveira. Em nenhum dos jogos contra os times grandes que o Santos venceu (São Paulo três vezes e Corinthians uma) ou mesmo de quem perdeu (Palmeiras) os adversários foram desleais. Por isso eu sempre prefiro jogar contra os grandes. A estratégia inicial do Santo André foi bater.

Conseguindo vencer o primeiro round com esse estilo karatê, o time do ABC abriu o placar aos 35 do primeiro tempo em mais uma falha, entre tantas na temporada, do goleiro Felipe, em bela cobrança de Bruno César. O arqueiro arrumou a barreira do seu lado esquerdo, ficou no direito e tomou o gol aí mesmo. Além de tomar o tento no canto em que estava, demorou um século para ir na bola, e quando foi já tava lá dentro.

Veja os melhores momentos:



(Eu assistia ao jogo no Sportv, porque acho o Milton Leite muito bom narrador. Mas Maurício Noriega é péssimo. Depois de várias bobagens, quando ele comentou que "o Santos fica incomodado quando o outro time joga", eu sinceramente achei demais, mudei de canal e me rendi ao Cléber Machado e companhia).

Após o domínio completo do Santo André no primeiro tempo, quando fez 1 a 0 com justiça (apesar dos pontapés) e poderia ter feito 2 a 0, no segundo tempo, com Neymar baleado, brilharam as estrelas de Ganso, André e Wesley, além de Robinho, cuja movimentação desnorteou a zaga andreense. A estrela de Pará tem brilhado, mas ninguém nota.

André: garra e tática
É marcante a solidariedade tática desse time do Santos, personificada por André. Aos 11 minutos do segundo tempo, ele cobriu Pará na lateral direita e desarmou o adversário pondo a bola em lateral. Um minuto e meio depois, fez 1 a 0, aproveitando de cabeça jogada magistral de Ganso.

Aos 15min e 55segundos, Felipe fez ótima defesa em chute de Rodriguinho. A zaga afastou, a bola sobrou para André, que de calcanhar tocou para Wesley, que passou a Robinho, que devolveu para Wesley entrar pela direita e fuzilar. Desde a defesa de Felipe, tudo isso se passou em 16 segundos! É por isso que, como mostra Paulo Vinícius Coelho, o Santos é hoje o melhor ataque do mundo.

Depois que Wesley ampliou aos 25, depois de uma enfiada de bola espetacular de Pará (o lateral que o Santos tem e não sabe), já era para o Santo André. Que ainda diminuiu depois de voltar a pressionar. O time do ABC fez um grande jogo, mas poderia tê-lo feito sem apelar à violência do início.

A vitória do Santos foi importante para que, quarta-feira, no Mineirão lotado, o time da Vila jogue menos pressionado contra o Atlético/MG pela Copa do Brasil. O Galo, aliás, venceu o Ipatinga na primeira final mineira, fora de casa, pelos mesmos 3 a 2.

FICHA TÉCNICA
Santo André 2 x 3 Santos
25/04/2010 –Pacaembu
Árbitro: Paulo César de Oliveira (SP)
Assistentes: Ednilson Corona e Alberto Poletto Masseira
Público total: 33.354
Renda: R$ 1.770.150,00

Santo André
Júlio César; Cicinho, Cesinha, Toninho e Rômulo; Alê, Gil, Branquinho (Pio) e Bruno César; Rodriguinho e Nunes
Técnico: Sérgio Soares

Santos
Felipe; Pará (Madson), Edu Dracena, Durval e Léo; Wesley, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique (Zé Eduardo); Neymar (André) e Robinho
Técnico: Dorival Júnior

Cartões amarelos: Rômulo, Toninho (SA); Wesley (S)
Cartão vermelho: Toninho (SA)
Gols: Bruno César (SA), aos 35min do primeiro tempo; André (S), aos 13min, Wesley (S), aos 17min e aos 25min, Rodriguinho (SA), aos 38min do segundo tempo

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Libertadores e Copa do Brasil: a hora da onça beber água

Fotos: Eduardo Metroviche/Marino Azevedo/VIPCOMM
Apesar da crise do Flamengo, não vi nenhum corintiano ou comentarista sério considerar o time do Parque São Jorge favorito para passar às quartas-de-final da Libertadores. Num confronto dessa magnitude, que começa já na quarta que vem, o Rubro-negro pode buscar forças até então adormecidas. O resultado é imprevisível. Enquanto o Flamengo se classificou na bacia das almas, o Corinthians pegou um grupo tão ruim na primeira fase que sequer dá pra saber que futebol o time está jogando.

Ambos têm dois grandes centroavantes do passado, Ronaldo e Adriano, que lutam contra a visível falta de condições físicas. O time da Gávea terá novo técnico para o duelo. E um novo técnico pode reverter a crise dando ânimo novo. É curioso, mas treinadores recém-contratados sempre dão um arranque inicial forte, principalmente quando assumem times com o potencial do Flamengo, que ganhou o Brasileiro de 2009 não à toa. Se o clube carioca contratar o ardiloso e competente Joel Santana, o Timão vai ter que brigar muito para não ver ruir o sonho de Libertadores no ano do centenário.

Como se pode ver abaixo, as dificuldades são semelhantes nas duas chaves da Libertadores.


Na da esquerda, aparentemente, Corinthians ou Flamengo, Vélez e Once Caldas devem seguir às quartas-de-final. Desses, acho que, tirando o Once Caldas, todos podem chegar ao título.

Na chave da direita, arrisco São Paulo, Cruzeiro, Estudiantes e Internacional ou Banfield nas quartas. Não boto nenhuma fé no Inter. Os três primeiros podem levantar a taça. Tricolor e Raposa, passando pelas oitavas, fariam duelo já nas quartas (replay de 2009, quando o time de BH eliminou o São Paulo, mas perdeu o título para o Estudiantes de Verón).

COPA DO BRASIL

Pena que as datas da Libertadores coincidem até no horário com a Copa do Brasil, pois vou ter de abrir mão de ver Corinthians x Flamengo para assistir a Santos x Atlético/MG pelas quartas. Um duelo que promete: os meninos da Vila vão reencontrar Vanderlei Luxemburgo, que, embora decadente, tem nas mãos um time rápido, com Diego Tardelli comandando o ataque.

Depois de eliminar o São Paulo fazendo barba, cabelo e bigode, só falta o Peixe de Neymar (foto Eduardo Metroviche) matar o Santo André para conquistar o Paulista (leia aqui sobre a final, em matéria do jornal Visão Oeste). Não acredito em zebra, mas que elas existem, existem...

O Galo vai ser outro bom teste, mas o Santos é favorito também. Está numa chave (a vermelha) muito mais difícil do que o Palmeiras, por exemplo. Passando pelos mineiros, terá pela frente Fluminense ou Grêmio na semifinal.

O Palmeiras, que fez bom jogo ao eliminar o Atlético/PR, pega no máximo o ridículo Vasco da Gama na semifinal, isso se o time carioca não cair diante do Vitória.

Quartas-de-final

28/04 - 21h50 - Atlético-MG x Santos (Mineirão)
29/04 - 21h30 - Fluminense x Grêmio Maracanã


28/04 - 21h50 - Vitória x Vasco Barradão
29/04 - 19h30 - Palmeiras x Atlético-GO (Palestra Itália)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Serra já causa mal-estar na América do Sul

Repercutiu muito mal na América do Sul a lamentável declaração do pré-candidato tucano à presidência da República, José Serra, sobre o Mercosul. Numa palestra que proferiu na Federação de Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), ele disse que o Mercosul é uma "farsa" e "uma barreira para que o Brasil possa fazer acordos comerciais".

Como se vê, com o truculento ex-governador comandando o país, tudo leva a crer que a política externa brasileira dará nova guinada de volta à subserviência nacional aos interesses dos Estados Unidos. Subserviência cristalizada, no período do regime militar, pela sentença do então ministro da Justiça da ditadura, Juracy Magalhães: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". A intenção de Serra, evidentemente, é desfazer também o legado de Luiz Inácio Lula da Silva na política externa, elogiada por importantes veículos internacionais, mas criticada pela mídia tupiniquim.

Segundo reportagem de Ariel Palacios, de O Estado de S.Paulo, nesta quinta-feira, o chanceler argentino Jorge Taiana manifestou-se sobre a fala do tucano, podemos concluir, com incredulidade: “Não acho que esta seja posição do Brasil nem da maioria de seus setores econômicos e políticos". Ele afirmou crer que a bravata do ex-governador são "declarações de campanha", mas ressaltou que o Mercosul “é um compromisso estratégico dos países que o formam".

Ontem, quarta-feira, feriado no Brasil, matéria do jornal El Clarín, de Buenos Aires, tratou do assunto. “O candidato evitou dizer como pensa reformular a posição do Brasil. Mas ignora que não é simples passar de um mercado comum definido para uma simples zona de livre comércio como a que existe no NAFTA. Pode desde logo conquistar o desprestígio regional, além de submeter-se a severas punições por conta da ruptura de contratos internacionais”.

Portanto, não sou eu, mas o Clarín, que está chamando o pré-candidato de ignorante.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Previsões da sociologia mística

Será o ano dos peixinhos no Brasil?

“...Apesar de este país estar flertando perigosamente com o autoritarismo, que cosmicamente já não tem mais cabimento no seu processo de evolução, isto garante que a Dilma Rousseff não vencerá esta eleição. Com certeza, ela e seu grupo representam o autoritarismo.”

Sabem quem disse essa pérola da sociologia? Não foi FHC, não, mas parece. Aliás, não acredito que o ex-presidente já esteja a olhar para o firmamento em busca de sinais cósmicos do futuro político da nação. Não há indícios de que o Príncipe tenha inventado um novo ramo das ciências humanas chamado sociologia mística.

O autor da pérola é Oscar Quiroga, O Astrólogo. Em entrevista ao Terra Magazine, com uma visão tucana do mundo, ele prevê a vitória do tucano José Serra em 2010, diz que fez as cartas astrais de Marina Silva e de Serra e informa que não fez a de Dilma Rousseff porque “me deram dois horários de nascimento, ainda estou correndo atrás para saber qual é o mapa certo”. Serra é do signo de Peixes e nasceu em 19 de março. Foi nessa dia de 2010 que se deu "a primeira admissão pública" de José Serra sobre sobre a pré-candidatura, informa a reportagem.

A certa altura, o repórter Eliano Jorge pergunta:

O

senhor é astrólogo do governador Serra, não é?

Não sou não.

E depois:

O senhor tem ligações com o PSDB?

Não, nem sou votante neste país. Não sou cidadão brasileiro.



Muito legal. O melhor das eleições é dar risada, se você tem humor.

(Foto: Eduardo Metroviche)

domingo, 18 de abril de 2010

Agora quem dá a bola

Neymar arruma bola para bater o pênalti - Reprodução/Sportv
A vitória sobre o São Paulo por 3 a 0 foi inapelável, indiscutível.

O técnico Dorival Jr. de certa forma surpreendeu ao entrar com o 4-4-2, com Pará na ala direita e Wesley como segundo volante, saindo o 9 André. Surpreendeu mas acertou, porque corrigiu o principal problema do Santos no primeiro jogo, no Morumbi, quando o Alvinegro ganhou por 3 a 2, mas poderia ter perdido, tamanho o domínio são-paulino do meio campo no segundo tempo.

Contrariando os analistas que previam um São Paulo maduro e competitivo contra um Santos de meninos inexperientes que poderiam tremer, o Peixe comandou as ações do início ao fim. Competitivo foi o Santos, que no primeiro tempo fechou os buracos do meio de campo e fez o time do Morumbi marcar mais atrás do que lhe era conveniente, em seu campo de defesa.

Sem encontrar espaços, o time de Ricardo Gomes corria riscos de tomar um gol a qualquer momento em um contra-ataque.

E assim foi. Depois de cerca de 60 minutos de um belo jogo de xadrez, o gol de Neymar aos 14min do segundo tempo matou o confronto. O pessoal gosta de reclamar da arbitragem, e houve quem tenha reclamado do primeiro gol santista, que teria sido feito com o braço. Mas Neymar sofreu pênalti antes de marcar. Para ser mesmo correto, o árbitro poderia ter dado pênalti em vez de gol. Mas ia dar no mesmo. O Tricolor só ameaçou de fato a meta do goleiro Felipe quando o placar já estava contra.

Parênteses: houve três pênaltis a favor do Santos. No primeiro (acima), o juizão preferiu dar o gol; o segundo ele não deu: [Miranda ou Alex Silva] segurou Neymar, que perdeu o tempo da jogada (uma falta que no meio de campo o árbitro daria incontinênti); e o terceiro José Henrique de Carvalho marcou a cal acertadamente: Miranda deu o famoso totó no pé direito de Neymar. Discordo do comentário de André Rizek do Sportv. Quem já jogou bola na praia ou na rua sabe como é dar um totozinho desse. Derruba mesmo.

Aos 37 da segunda etapa, Neymar, visivelmente nervoso, bateu o pênalti com enorme categoria e Rogério Ceni, discretamente, ajoelhou de novo. Só com o joelho direito, mas ajoelhou. Aos 41, Ganso aproveitou cruzamento do duende Madson, que deixou Rodrigo Souto sem pai nem mãe pela pontra esquerda. Santos 3 x 0 São Paulo. Em dois jogos, 6 a 2. Não tem nem o que discutir. Depois de anotar o terceiro tento, o time dos meninos foi até cavalheiro, porque poderia ter partido pra cima e feito mais. Mas preferiu respeitar a camisa do São Paulo.

Veja os gols:




Santos 3 X 0 São Paulo
18/04/2010, domingo - Vila Belmiro
Árbitro: José Henrique de Carvalho (SP)
Assistentes: Celso Barbosa de Oliveira e Giovani Cesar Canzian
Público: 13.785
Renda: R$ 926.360,00
Gols: Neymar, aos 14min e aos 37min, e Paulo Henrique Ganso, aos 41min do segundo tempo

Santos: Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Wesley, Marquinhos (Rodrigo Mancha) e Paulo Henrique Ganso; Robinho (Zé Eduardo) e Neymar (Madson)
Técnico: Dorival Júnior

São Paulo: Rogério Ceni; Cicinho, Alex Silva, Miranda e Richarlyson; Rodrigo Souto, Hernanes, Jorge Wagner e Cleber Santana (Washington); Dagoberto e Fernandinho (Léo Lima)Técnico: Ricardo Gomes

A FINAL
A decisão do Campeonato Paulista será com o Santo André, em duas partidas nos dois próximos domingos. O Ramalhão perdeu de 2 a 1 do Grêmio Prudente no Bruno José Daniel, mas se classificou à final porque tinha a vantagem do empate. No primeiro jogo, 2 a 1 para o time do ABC em Presidente Prudente.

A Federação Paulista de Futebol vai definir nesta segunda-feira os horários e locais das finais.

Atualizado às 20h43

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Em Perfume de Mulher, um Al Pacino magistral


Se você é insone, notívago, se brigar com a namorada ou mulher no fim de semana e não gosta de Fórmula 1, o Telecine Cult exibe na madrugada de sábado para domingo um grande filme: Perfume de Mulher (Scent of a Woman).

Os fãs de Al Pacino têm a oportunidade de ver uma maravilhosa atuação desse que, para mim, é um dos maiores atores da história, como se vê em O Poderoso Chefão (as três partes), Serpico (1973), Um Dia de Cão (1975), Scarface (1983), O Informante (1999) e outros.

No filme, Pacino faz um militar aposentado, Frank Slade, que é cego. O jovem Charlie Simms, interpretado por Chris O'Donnell, é contratado para cuidar do homem, bruto, grosso, mas que possui um código moral todo próprio que o impede de ignorar a beleza e a generosidade. A maneira como o personagem vai sendo construído pelo ator é magistral.

Há a magnífica cena em que Slade/Pacino dança um tango com Gabrielle Anwar/ Donna que, por si só, vale o filme. No “quesito” cenas de dança, essa e a de John Travolta e Uma Thurman em Pulp Fiction são inigualáveis e maravilhosas.

O filme será exibido também em outros dois dias/horários (veja abaixo).

Perfume de Mulher (Scent of a Woman) - 1992 (EUA)
Direção: Martin Brest
Com Al Pacino, Chris O'Donnell, James Rebhorn e Gabrielle Anwar
Duração: 156 min
Telecine Cult: dom, 18/04 às 02h25; sáb, 08/05 às 17h15; e seg, 10/05 às 10h05

Estação Butantã do metrô

Eduardo Maretti - 13/04/2010
Aos leitores interessados, uma foto feita esta semana da futura estação Butantã da Linha 4 Amarela do metrô, na esquina das avenidas Vital Brasil e Pirajussara.

As previsões de inauguração não mudaram, ou seja, continuam como estavam no post anterior sobre o assunto, "Metrô: na Linha 4 Amarela, tudo igual e sem previsões".

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Santos: 98 anos – orgulho que
nem todos podem ter

Eduardo Maretti *
O jornal Diário de Santos publicou no dia dia 9 de abril de 1912 um texto intitulado “Um novo clube de football”, que dizia (grafia da época):

Varios sportsmen desta cidade estão empenhados em organisar um poderoso club de football, tendo já para isso, conseguido um vasto e esplendido terreno de propriedade do sr. J.D. Martins, á rua Aguiar de Andrade, no Macuco, onde será installado o ground da nova sociedade sportiva”.

A matéria ainda informava:

"a comissão organisadora do clube compõe-se dos tres esforçados cavalheiros seguintes: Mario Ferraz de Campos, Raymundo Marques e Argemiro de Souza Júnior”.

Em 15 de abril, o mesmo Diário de Santos publicava na primeira página a nota:

SPORTS

SANTOS FOOT-BALL CLUB

“Fundou-se hontem nesta cidade, sob os melhores auspiciosos o “Santos Foot-Ball Club”, com o elevado numero de 146 socios. A reunião de fundação desse club sportivo effectuou-se na sede do Club Concordia tendo começado ás 2 horas da tarde, com a presença de muitos socios.

Depois de escolhido o titulo acima, passou-se a eleição da directoria
”.

O presidente eleito então foi Cizino Patusca.
E assim** começava, há 98 anos, a gloriosa história do time de Araken Patusca (campeão paulista em 1935); de Zito, Ramiro, Formiga e Vasconcelos (idem, 1955); de Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe, entre outros (como o goleiro Gilmar, os zagueiros Mauro Ramos de Oliveira, Ramos Delgado...); do grande goleiro argentino Agustín Mario Cejas (na foto - meu ídolo na infância) nos anos 70; da primeira versão dos Meninos da Vila de 1978 (Nílton Batata, Juari e João Paulo); do campeão de 1984 com Serginho Chulapa; do magnífico time de 2002, de Fábio Costa, Alex, Leo, Renato, Elano, Robinho, Diego... ; do bicampeão paulista de 2006 e 2007; e finalmente da terceira geração dos “Meninos da Vila”, de Neymar, Paulo Henrique Ganso e André.

Enfim, ser santista “é um orgulho que nem todos podem ter”. Parabéns ao Santos Futebol Clube.

* Foto: praça Independência, 19 de dezembro de 2004 - Comemoração do título brasileiro daquele ano

**Com informações do historiador do Santos, Guilherme Guarche.

Atualizado às 19h35

Santos 8 x 1 Guarani (festa de aniversário no campo) -
Mais uma vez, os meninos deram um show histórico, na Vila Belmiro. Foram 8 a 1 sobre o Guarani de Campinas, no jogo de ida pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil. Quase todos, golaços.

Como o dia foi de festa, Robinho jogou com a camisa 200 (número de partidas pelo clube) e Léo com a 98, pelo aniversário do Santos. Confiram (
atualizado às 12h50):



terça-feira, 13 de abril de 2010

Guerra das pesquisas, eleição 2010
e "massa cheirosa"

ABr
A pesquisa Sensus divulgada hoje, terça, 13 de abril, coloca mais lenha na fogueira na chamada “guerra das pesquisas”, título de matéria de CartaCapital desta semana.

Na pesquisa, encomendada pelo Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo), Dilma Rousseff chega a 32,4%, empatada tecnicamente com José Serra (32,7%). Ciro Gomes (PSB) aparece com 10,1% e Marina Silva (PV) tem 8,1% (margem de erro de 2,2 pontos percentuais).

Curiosamente, o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, disse que seu partido e os aliados de José Serra não levam em conta os levantamentos que mostram a subida de Dilma: “pesquisas do Sensus e do Vox Populi, nos últimos tempos, têm estado muito diferentes dos nossos acompanhamentos, das nossas pesquisas e das de outras instituições. Não estamos trabalhando com elas”, advertiu o nobre tucano, segundo o Blog Terra Magazine hoje.

Provavelmente, Guerra só leva em conta a pesquisa Datafolha. Divulgada dia 27 de março, ela apontou estranho crescimento de Serra (32% para 36%) e oscilação de Dilma para baixo (28% a 27%), contrariando o que têm mostrado todos os outros institutos, como Vox Populi e mesmo Ibope, que mostram ascensão de Dilma. Detalhe: a pesquisa Datafolha foi divulgada, muito oportunamente, três dias antes de Serra deixar o governo paulista para colocar sua “campanha nas ruas”.

Dez antes dias desse estudo do Datafolha, o Ibope divulgou o seu, segundo o qual a diferença a favor de Serra despencou de 21 para somente cinco pontos percentuais desde novembro: Serra tinha 38% e apareceu com 35% em 17 de março; Dilma subiu de 17% para 30%.

A Folha de S. Paulo questionou a metodologia do levantamento do Vox Populi (divulgada dia 3 de abril) que dá 34% dos votos ao tucano e 31% à petista. Em matéria da Rede Brasil Atual (5 de abril), o diretor-presidente do Vox Populi, João Francisco Meira, rebateu: "O Vox Populi tem um modelo, falamos na casa das pessoas, damos tempo para elas responderem, nossas pesquisas podem ser auditadas a qualquer tempo". E emendou: "O Datafolha faz entrevistas na rua, sem verificar se a pessoa mora mesmo na cidade".

Eliane Catanhêde e a “massa cheirosa”
Muita gente já viu, muitos blogs publicaram. Eu não ia publicar, até por uma questão de higiene, pois tenho falado de coisas superiores, como do Santos de Neymar e o escritor Jack London, por exemplo.

Mas, já que estamos falando do tema, vai abaixo o vídeo da jornalista Eliane Catanhêde, da Folha de S. Paulo, entusiasmada, esfuziante no evento tucano de lançamento da pré-candidatura de José Serra. Segundo ela, o PSDB até parecia um “partido de massa” no evento, “mas uma massa cheirosa” (sic).



domingo, 11 de abril de 2010

Zagueiro Durval faz o gol que
praticamente põe o Santos na final

A vitória do Santos sobre o São Paulo por 3 a 2 neste domingo foi justa e lógica. Com gol da vitória de um zagueiro nos estertores da peleja. Mais difícil do que esperavam santistas mais empolgados. Como aconteceu na vitória do Peixe sobre o Corinthians (2 a 1) e na derrota para o Palmeiras (4 a 3), o time da Vila deixou o adversário reagir.

Na semifinal com o São Paulo, as dificuldades do time da Vila decorreram muito por méritos do time do Morumbi.




Foi um grande jogo e os dois protagonistas estiveram à altura das tradições. Ricardo Gomes e seus comandados fizeram o possível. O São Paulo jogou com dez jogadores durante boa parte do jogo. No início do primeiro tempo (até o tomar o gol) e em boa parte do segundo teve mais posse de bola e dominou o meio-campo, mesmo sem Marlos a partir dos 32min da primeira etapa.

Assim, e com raça, o São Paulo chegou ao empate aos 22min do segundo tempo, depois de ter 2 a 0 contra. Mas precisando ganhar (e portanto tendo de jogar aberto) contra o time de Neymar e Robinho, sem esquecer de André mais enfiado, e com o apoio de Ganso e Marquinhos, e Léo pela esquerda... Fica difícil para qualquer time evitar a derrota, convenhamos.

O Santos jogou com o regulamento debaixo do braço, levou uma pressão federal, mas calculada, confiou no poder de seu ataque e foi premiado com um gol do zagueiro Durval. O impressionante do atual time do Santos é que o golpe mortal é imprevisível. Contra o São Paulo, por exemplo, Neymar, Robinho, Ganso e André tiveram atuações apagadas. Mas o desgaste físico e mental para marcar esse quarteto é enorme e uma hora ou outra os espaços aparecem. E aí não tem defesa.

O São Paulo de Ricardo Gomes jogou com elegância, duro, mas na bola. O cartão vermelho do são-paulino Marlos (conseqüência do segundo amarelo) foi rigoroso, mas o juiz manteve o critério que ele mesmo mostrou desde o início ao dar um cartão injusto para Neymar em falta sobre Dagoberto. Discordo desse critério do limitado árbitro Marcelo Rogério, mas pelo menos ele usou a mesma medida para os dois times.

O São Paulo perdeu seu quinto clássico seguido na temporada: para Portuguesa (3 a 1), Palmeiras (2 a 0), Corinthians (4 a 3) e Santos duas vezes (2 a 1 na fase de classificação e 3 a 2 na semifinal). É uma sequência no mínimo desconfortável.

Vale registrar: o jogo do Morumbi, mando do São Paulo, em que o Santos praticamente sacramentou sua ida à final do Campeonato Paulista tinha 35 mil pessoas. Em Santos 2 x 1 Rio Claro, no domingo de carnaval, 32 mil santistas empurraram o Peixe à vitória no Pacaembu.

São Paulo 2 x 3 Santos

São Paulo
: Rogério Ceni; Jean, Alex Silva, Miranda e Junior Cesar; Rodrigo Souto, Hernanes, Jorge Wagner (Fernandinho) e Marlos; Dagoberto (Marcelinho Paraíba) e Washington (Cicinho)
Técnico: Ricardo Gomes

Santos: Felipe; Wesley, Edu Dracena, Durval e Leo; Arouca, Marquinhos (Zé Eduardo) e Paulo Henrique Ganso; Robinho, Neymar (Madson) e André (Pará)
Técnico: Dorival Júnior

Árbitro: Marcelo Rogério
Auxiliares: Vicente Romano Neto e David Botelho Barbosa
Público: 35.695
Renda: R$ 1.578,325,25

Gols: Junior Cesar (contra, para o Santos), aos 25min, André (S) aos 40min do primeiro tempo; Hernanes (SP), aos 8min, Dagoberto (SP), aos 22min, Durval (S), aos 45min do segundo tempo

PS: Grêmio Prudente 1 x 2 Santo André

O Santo André ganhou de 2 a 1 do Grêmio Prudente no Prudentão. Quer dizer, Santos x Santo André deve ser a final do Paulistão 2010. A tabela da volta do mata-mata paulista é:

18 de abril de 2010
Jogos de volta

Santos x São Paulo – 16h – Vila Belmiro (transmissão: TV Globo, Band e Sport TV)
Santo André x Grêmio Prudente – 18h30 – Bruno José Daniel (Sportv)

Atualizado às 22h33

sábado, 10 de abril de 2010

Santos x São Paulo: chegou a hora

Eduardo Metroviche - Gaspar Nóbrega/VIPCOMM
Santos x São Paulo pela semifinal do Paulistão 2010. No Morumbi, o Alvinegro vai manter o esquema pra lá de ofensivo que está encantando quem gosta de futebol ou Dorival Junior optará por uma atitude menos ousada e mais pragmática?

O que fará o São Paulo de Ricardo Gomes? Vai aproveitar o mando de campo e partir pra cima para reverter a vantagem santista de jogar por dois empates? Acho difícil. Primeiro porque esse não é o estilo do time da capital, e depois porque se fizer isso corre o risco de levar uma goleada. A conferir.

Paulistão 2010

De resto, como santista, tenho ótimas recordações do Morumbi (Diego também, como podem ver no vídeo abaixo), onde já comemorei nas arquibancadas três títulos: o Brasileiro de 2002 (3 a 2 no Corinthians) e dois paulistas, o de 1978 (que terminou em 1979), na final em que o Peixe bateu o mesmo São Paulo, apesar de perder o último jogo por 2 a 0, e o de 2007, na final com o São Caetano então treinado por Dorival Júnior.

São Paulo e Santos já disputaram 260 partidas na história. Do total, 86 vitórias do Peixe, 62 empates e 112 triunfos tricolores.

De 2001 a 2010, os times se enfrentaram 28 vezes: 13 vitórias do Santos, dez do São Paulo e cinco empates. No século XXI, o Alvinegro marcou 41 gols contra 36 do Tricolor. Dos 28 duelos na década, só uma goleada: Santos 4 a 0 em 30 de julho de 2006, pelo Brasileiro, no Morumbi.

A rivalidade entre os dois times aumentou a partir do Brasileirão de 2002. Na fase de classificação (só havia um turno), São Paulo 3 a 2 no Morumbi. Ao marcar um gol, Diego comemorou pulando sobre o escudo do adversário, e provocou revolta nas hostes são paulinas. Fui a esse jogo com Gabriel. Lembro que saímos do campo de bom humor, apesar da derrota. Grande partida, e ficamos contentes com nosso time, que perdeu porque Léo fez um pênalti infantil no fim do jogo.

Nas quartas-de-final daquele Brasileiro de 2002 (o último da era dos mata-matas) o São Paulo era líder e franco favorito. O Santos se classificara em 8° lugar e era considerado zebra. Resultado: Peixe 3 a 1 na Vila Belmiro, jogo em que o São Paulo escapou de uma goleada, e 2 a 1 no Morumbi, um épico que Carmem, Gabriel e eu ouvimos pelo rádio, no AP de nossa amiga Ângela Assumpção. Poucas vezes fiquei tão nervoso na vida por causa de futebol.

Voltando ao clássico deste domingo, os comentaristas da rádio CBN estão dizendo que o São Paulo é favorito, um time mais “consistente”. Êta imprensa provinciana e conservadora que é essa paulistana. Vamos ver o resultado depois dos dois jogos.

Não custa lembrar que na fase de classificação neste Paulista (Santos 2 a 1, em Barueri) Rogério Ceni ajoelhou.

Abaixo, os melhores momentos daquele Santos 2 x 1 São Paulo de 2002, quando, após o jogo, Diego disse: “O São Paulo, e particularmente o Morumbi, me dá muita sorte. Eu sabia que ia fazer um gol hoje". Foi o último mata-mata do clássico San-São. Nele, Ceni também ajoelhou no gol de Diego.