terça-feira, 22 de junho de 2010

Dunga x Alex Escobar, jornalismo e seleção brasileira

Ontem assisti aos dois programas televisivos de resenha sobre a Copa do Mundo nos canais pagos ESPN Brasil e Sportv. A bancada do programa “Linha de Passe”, do primeiro, formada por PVC, João Palomino, Paulo Soares e Fernando Calazans, de competência inconteste, passou grande parte do programa criticando Dunga e sua agressão ao jornalista Alex Escobar (veja abaixo), da concorrente TV Globo, além dos xingamentos do treinador logo depois do apito final do lamentável juiz francês Stephane Lannoy contra a Costa do Marfim.


Enquanto os jornalistas da ESPN insistiam no assunto, a bancada do Sportv (com Luiz Carlos Jr., Paulo César Vasconcellos, André Rizek e Lédio Carmona), do programa “Seleção Sportv”, afastou-se das futricas e se ocupou do que interessa mais ao público: análises dos próximos jogos da Copa, reportagens e imagens. Uns pequenos bate-bocas entre Carmona e Rizek apimentaram o programa.

Por trás do conflito aparentemente pontual entre Dunga e Escobar, na coletiva realizada após a vitória do Brasil [contra a Costa do Marfim por 3 a 1], domingo, há um aspecto pouco observado por alguns jornalistas bem intencionados e, ao mesmo tempo, ingênuos. A abordagem do “Linha de Passe” da ESPN se prestou ao papel de colocar seus profissionais como corporativistas ou inocentes úteis, aos olhos de boa parte do público.

Já que queria tanto abordar o tema, O “Linha de Passe” poderia ter informado, ao menos, o que está por trás de toda a celeuma, o que faz o UOL Esporte em matéria de hoje. “A Globo negociou diretamente com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, entrevistas exclusivas com três jogadores da seleção, entre os quais Luis Fabiano”, que seriam exibidas no Fantástico. Segundo a matéria, de Mauricio Stycer, Dunga vetou o privilégio, para desespero do assessor de imprensa da própria CBF, Rodrigo Paiva, ainda de acordo com o UOL.

Ora, por mais condenável que seja a postura de Dunga, ele acabou agindo exatamente na direção do que muita gente, inclusive da ESPN Brasil, sempre pediu: tratamento igual, “não” aos privilégios da Globo, ética nas relações CBF e imprensa.

De qualquer maneira, o comportamento grosseiro de Dunga na beira do campo e na coletiva, após o jogo, tem lá, também, suas justificativas:

1) precisaria ter sangue de barata para assistir à pancadaria da Costa do Marfim contra seus atletas, com a complacência do árbitro, e não reagir. Elano e também Michel Bastos por pouco não tiveram as pernas quebradas pelos "jogadores" marfinenses.
O marfinense não levou sequer cartão amarelo

2) na coletiva, aconteceu aquilo a que comumente se dá com as pessoas de sangue quente: Dunga está certo ao negar privilégios à TV Globo, mas erra pela forma e acaba perdendo a razão.

Só que, aos olhos de muitas pessoas que tenho lido comentar em blogs por aí e no próprio You Tube, não são poucos os que estão do lado de Dunga, que, por seu comportamento e, principalmente por confrontar interesses nunca dantes confrontados, não deve continuar no comando após a Copa, ganhe ou perca.

5 comentários:

Felipe Cabañas disse...

Eu nunca gostei do Dunga. Em 1994, eu moleque de tudo, com 11 anos de idade e torcendo feito louco para o Brasil, que estava na fila havia 24 anos, vi o Dunga comandar o time dentro de campo, acertar o pênalti na final e erguer a taça, e minha simpatia por ele não aumentou. Achava um sujeito carrancudo e antipático, que tinha o seu estilo dentro de campo, nada genial, mas que ajudava o time e fazia o que tinha de fazer. Era louco pelo Romário, óbvio. Hoje, no entanto, quanto mais a Globo bate no Dunga, mais eu começo a gostar dele. Tem me parecido até um sujeito agradável, com quem valeria a pena tomar uma cerveja e discutir política e futebol, ou a política do futebol. he he. Fenômeno estranho, não?

alexandre disse...

coisas do amor, meu caro Felipe Cabanhas, ninguém explica. Antes do jogo do Brasil x costa Marfim, também olhava o Dunga com raiva, tristeza e decepção, mas agora já o vejo com outros olhos. Temos que dar créditos a ele. De fato, torci pelo Brasil. Achei que nessa copa isso não iria acontecer. Enfim vamos ver pela frente.

Paulo M disse...

A ESPN assumiu uma posição, desde as eliminatórias, de "abaixo Dunga", até porque o que mais dá audiência é o "espírito contestador", que está lá pra defender os que queremm falar mas não têm o microfone nas mãos. Acho que nem são tão ingênuos esses jornalistas, talvez queiram ser fiéis a um público que liga a TV pra se sentir confortável com o protesto aleatório deles contra tudo. Não há uma análise imparcial das coisas. A seleção, sob o comando do Dunga, ganhou a Copa América, a Copa das Confederações, a classificação pra Copa do Mundo com três rodadas de antecedência... E se apresenta como candidatíssima ao título mundial. Parece que isso os frustra.

Felipe Cabañas disse...

Então, só tenho um adendo a fazer: na copa das confederações o Brasil quase perdeu pros EUA. Saiu perdendo de 2 x 0 e sofreu muito para virar. Acho que o Brasil foi muito bem nas eliminatórias mesmo, mas na Copa das Confederações teve uma atuação medíocre. Realmente, cada dia que passa de copa o Brasil se torna mais favorito. Mas isso porque tem poucas seleções grandes jogando um grande futebol. Das grandes só vejo Brasil, Argentina e Holanda. Mas a Holanda, como a Espanha, parece que é repelente de canecos. É impressionante... O Uruguai, por outro lado, pode ser o destaque da copa e quem sabe beliscar um terceiro lugar... Bom, agora que fiz todas as previsões, preparem-se, porque vai acontecer exatamente o contrário. he he

Edu Maretti disse...

Paulo, só acho uma coisa: não creio que "o que mais dá audiência é o espírito contestador" nesse contexto, porque muita gente apoia Dunga, e a ESPN apostou no contrário, no episódio. A Globo, segundo se sabe, já recuou nos ataques a Dunga, porque não quer:

1) aparecer como vilã,se o time de Dunga naufragar;

2) aparecer como desmancha-prazer, se Dunga ganhar. Porque precisa de gente feliz, pra vender anúncios e faturar ($$$).