terça-feira, 2 de agosto de 2011

Acaba ocupação da Funarte, mas artistas prometem mobilização permanente

O Movimento dos Trabalhadores da Cultura deixou o prédio da Funarte, em São Paulo, após uma ocupação de seis dias. Os organizadores afirmam que a mobilização continuará, a partir de novas assembléias e fóruns a ser convocados.

A manifestação para marcar a saída do prédio, na tarde de segunda-feira, 1° de agosto, segundo o movimento, marcou tanto o fim da ocupação do prédio da Funarte, na Alameda Nothmann, como o início da mobilização permanente prometida pelos artistas.

Uma das propostas que devem vingar é a organização da Marcha a Brasília, inicialmente marcada para 24 de agosto.

Mais informações sobre a ocupação e as reivindicações do Movimento dos Trabalhadores da Cultura nestes links:

Para ler sobre a ocupação da Funarte, clique aqui:

Conheça as reivindicações dos artistas clicando aqui.

PS: Em minha opinião, o movimento tem todos os méritos, mas sua vitória só sairá do terreno simbólico para a realidade se a ministra Ana de Hollanda, e portanto tudo o que ela representa e o retrocesso, falta de diálogo etc, deixar o Ministério da Cultura.

Atualizado às 13:01

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Morre Estamira. Cineasta Marcos Prado manifesta revolta pela falência das instituições públicas

Estamira Gomes de Sousa, protagonista do documentário Estamira (2005), dirigido por Marcos Prado (veja trailer em link abaixo), morreu na quinta-feira, 28, no Rio de Janeiro, aos 70 anos. O filme, uma das obras-primas do cinema brasileiro de todos os tempos, mostra o cotidiano de uma catadora de lixo no aterro sanitário no bairro de Gramacho, localizado no município de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.


Foto: Reprodução
 Estamira é uma esquizofrênica. Uma mulher que foi estuprada na juventude e, depois de muitas vicissitudes, se tornou Estamira. O propósito deste post não é falar do filme Estamira (que todos os brasileiros deveriam ver e mereceria um post à parte), mas apenas registrar a morte dessa mulher absurda, visceral, que a sensibilidade do olhar poético de Marcos Prado registrou.

Marcos Prado que, em sua página no Facebook, escreveu o seguinte sobre a morte de Estamira: "Caros amigos, é com tristeza no coração que vos trago a notícia que há poucas horas atrás, Dona Estamira partiu dessa para uma melhor. Para aqueles que a conheceram, pessoalmente ou nas telas de cinema, sugiro um pensamento de luz para ela seguir seu caminho espiritual. Saravá, como diria meu amigo Marco Aurêlio Marcondes".

O cineasta manifestou sua revolta pela maneira como ela morreu: "Estamira ficou invisível pela falência e deficiência de nossas instituições públicas! Morreu depois de ficar dois dias esperando por atendimento nos corredores da morte do nosso maravilhoso serviço público de saúde do Miguel Couto. Ela estava com uma grave infecção no braço, mas foi tardiamente atendida. Obrigado meus políticos de Brasília, do Rio de Janeiro, que roubam nosso dinheiro e enfiam sei lá onde".

Trailer de Estamira:



Apenas para registrar: o evento de sábado, 30, na Marina da Glória, quando celebridades mundiais participaram do sorteio das Eliminatórias da Copa do Mundo, custou R$ 30 milhões bancados pelos cofres do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Pensamento para sexta-feira [18] - Amy Winehouse morreu. Uma semana triste

E chegamos à sempre tão esperada sexta-feira, um dia que se deve comemorar erguendo e batendo copos. Um dia sempre alegre. But, tears...

Foi muito triste que a maravilhosa Amy Winehouse tenha partido. Amy morreu. Que merda. Talvez a mais incrível voz, um dos mais impressionantes talentos da música pop, do blues-rock (música, poesia, brilho, beleza) surgidos nas últimas décadas, uma pessoa tão próxima em espírito, embora tão distante fisicamente de nós mortais nesse mundo grande (“Tu sabes como é grande o mundo” – Drummond).

Eu lamento profundamente que a miserável condição da criatura humana seja capaz, como é comum em redações de jornal ou qualquer ambiente de trabalho, de construir piadas infames sobre a morte de Amy Winehouse. Eu ouço e penso: meu Deus, que pequenez, quanta mediocridade. Dá vergonha, até mais do que raiva.

"Tanta soberba, e os dias passam, inúteis" (Jorge Luis Borges)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Flamengo faz 5 a 4 sobre o Santos
na Vila Belmiro, em partida antológica

Santos 4 x 5 Flamengo, nesta quarta-feira, na Vila Belmiro. Um dos jogos mais incríveis que vi nos últimos anos (veja os nove gols em link abaixo). O Santos fez 3 a 0 e levou o empate ainda no primeiro tempo, que acabou 3 a 3. Com Neymar dando show, fazendo gol de placa, servindo o camisa nove Borges, o santista se perguntou: como pode tomar tantos gols e pôr a perder o trabalho de um ataque fulminante como esse? (leia-se: Neymar).

Em 23 de maio, postei um texto no blog intitulado: “Começa o Brasileirão 2011. Com leve favoritismo de Flamengo e Santos”, que você pode ler aqui.

A vitória do Flamengo de Vanderlei Luxemburgo sobre o Santos de Muricy Ramalho, da maneira como foi, nessa partida antológica, um jogo espetacular, só confirma aquele post. Acho que o Flamengo hoje é favorito ao título.

Ganso e Elano, péssimos
Pelos lados do time da Vila Belmiro, campeão paulista e da Libertadores em 2011, as constatações mais óbvias são, além da atuação maravilhosa de Neymar, as lamentáveis performances de Elano e Paulo Henrique Ganso, com duas ressalvas: Elano deu grande passe para Borges fazer o primeiro gol, e Ganso outro para Neymar invadir a área e dar uma puxeta, para Borges fazer o segundo.

Fora os lances citados, ambos os meias fizeram péssimo jogo, com erros de passes intermináveis e infantis no crucial setor do meio campo. Foram deles os dois lances decisivos que deram a vitória ao Flamengo: Elano perdeu de maneira bisonha o pênalti que faria Santos 4 a 2 ao fim do primeiro tempo, que acabou 3 a 3; e Ganso perdeu infantilmente a bola que redundou no quinto gol do time carioca. Elano saiu merecidamente vaiado e Paulo Henrique deve estar com a cabeça no Paris Saint Germain.

Não deu para entender, no jogo, a avenida Léo pela lateral esquerda do Santos. Leonardo Moura, o melhor lateral direito do país, jogou à vontade pelo setor.

Muricy está numa situação difícil, porque tem de tirar do time, urgentemente, Paulo Henrique, porque não quer mais jogar no Santos, e Elano, por deficiência técnica. Muricy vai ter peito para isso?

E palmas a Ronaldinho Gaúcho. Fez um jogo animal. Fez a diferença . Fez três gols, sendo um deles (o quarto do Flamengo, de falta) um golaço. Foi um jogo de golaços e Neymar marcou um gol de placa.

Confira os gols:

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pelo Twitter, Marina Silva nega negociação com PSDB

Apesar da visível euforia com que o jornal O Estado de S. Paulo noticiou hoje com letras garrafais, em sua página A7, que “Aécio tenta atrair Marina para projeto de 2014”, a ex-senadora e agora sem partido Marina Silva informou em seu perfil no Twitter (@silva_marina) que “não existe negociação em curso para que eu apóie candidatos do PSDB mineiro. Meu compromisso é com o movimento por uma #novapolitica”, seja lá o que ela quer dizer com “nova política”.


Segundo o Estadão, Marina (melhor dizendo, seu capital de cerca de 20 milhões de votos nas eleições do ano passado) “está na mira do tucanato mineiro”. Ainda de acordo com o jornal, “o primeiro passo” na “tentativa de aproximação” foi dado pelo governador Antonio Anastasia (PSDB), que assinou decreto concedendo a Marina Silva o título de cidadã honorária de Minas Gerais. O governo mineiro, claro, pretende realizar cerimônia com todas as pompas para entregar o título à ex-membro do PV. Será que ela vai?

Leia também post sobre a saída de Marina do PV clicando aqui.

Ocupação da Funarte continua, por tempo indeterminado

 
Artistas dentro da Funarte/ Foto: Eduardo Maretti - 25/07/2011


O Movimento dos Trabalhadores de Cultura, que ocupou a Fundação Nacional de Arte (Funarte) na última segunda-feira, 25, decidiu em assembleia realizada na terça-feira à noite manter a ocupação por tempo indeterminado.

Os artistas fazem uma ou duas assembléias diariamente. Segundo Luiz Carlos Checchia, que faz teatro de rua em Osasco e está na ocupação, o movimento se prepara para ficar “por um bom tempo” no local.

As reivindicações continuam as mesmas (leia aqui). Checchia disse a este blogueiro no dia da ocupação que a mobilização, em última análise, se traduz como luta por direito ao trabalho. “A grande questão é a mobilização na luta por direitos. Na verdade, o que agente está discutindo aqui é direito ao trabalho”.

Leia post sobre a ocupação e veja vídeo aqui

terça-feira, 26 de julho de 2011

Movimento ocupa a Funarte em São Paulo: "é hora de perder a paciência"

CULTURA

Artistas de teatro, artistas de rua, de circo, músicos e outros fizeram hoje uma manifestação histórica que terminou com a ocupação do prédio da Funarte, em São Paulo, na rua Apa, no bairro de Santa Cecília, centro da capital paulista. As reivindicações do movimento são justas (leia aqui), apesar de textos em portais importantes na web terem noticiado o evento negativamente.

O vídeo abaixo mostra o momento em que o movimento ocupa a Funarte. As imagens são fruto de uma gravação infelizmente improvisada, mas felizmente realizada, porque são imagens bastante simbólicas de um movimento impactante. Um pouco terra em transe, não sei se a ministra Ana de Hollanda entende.

Deve ser ressaltado o caráter absolutamente pacífico da manifestação e da ocupação da Funarte. Eu não vi ninguém bêbado, nenhum doidão, nenhum e ninguém. O povo estava consciente do que entoou ao som do maracatu, que foi o seguinte:

"É hora de perder a paciência,
Trabalhadores da cultura,
É hora de perder a paciência

Cultura não é mercadoria,
abaixo a baixaria

Ocupação, ocupação, ocupação!
"

O vídeo tem 4 minutos e meio, mas é bem legal.

sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse foi se juntar a outros anjos


Quem, se eu gritasse, dentre as legiões de anjos me ouviria? E mesmo que um me apertasse de repente contra o coração eu morreria da sua existência mais forte. Pois o belo não é senão o começo do terrível, que nós mal podemos ainda suportar, e admiramo-lo tanto porque, impassível, desdenha destruir-nos. E assim eu me reprimo e engulo o chamamento dum soluçar escuro. (Rainer Maria Rilke)


(Londres, 14/09/1983 - Londres, 23/07/2011)

Amy Winehouse se foi. Amy é mais uma que se vai, entre esses que passaram pela Terra para nos alegrar, trazer arte e beleza, ou mesmo nos entristecer com a melancolia de uma canção, e que nos deixa assim de repente, com uma sensação de vazio. Amy foi juntar-se a outros anjos que por aqui passaram, foi juntar-se a Kurt Cobain (1967-1994), Jim Morrison (1943-1971), Jimi Hendrix (1942-1970), Janis Joplin (1943-1970), Noel Rosa (1910-1937), todos mortos com 27 anos! (menos Noel, com 26), essas criaturas que viviam atormentadas a apelavam a álcool e drogas por não conseguir se sentir muito em casa, muito bem, neste mundo explicado.

Mesmo sabendo que Amy acabaria de repente sucumbindo tão jovem, a sensação de aridez do mundo é inevitável agora que sua voz se calou para sempre. Para mim, como para Rilke, os que morrem de morte precoce são anjos que por aqui passaram.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Artistas fazem manifestação por democratização da cultura na segunda-feira, 25, em São Paulo

O Movimento dos Trabalhadores de Cultura marcou para a próxima segunda-feira, 25 de julho, “grande manifestação” de artistas de teatro, música, dança, circo e culturas populares contra o corte de orçamento sofrido pelo Ministério da Cultura em 2011 e suas conseqüências para a produção cultural brasileira.

A manifestação será na Rua Apa, à altura do número 83, no bairro de Santa Cecília, São Paulo, próximo à Funarte-SP, a partir das 14h.

Artistas em plenária para organizar manifestação
A organização do ato conta com a participação de pelo menos mil pessoas. São esperados dez ônibus vindos do interior do estado e da Grande São Paulo.

Osvaldo Pinheiro, que trabalha com teatro e é da coordenação do movimento, disse a Fatos Etc. que uma das principais bandeiras é a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 150, que destina um mínimo de 2% do orçamento geral da União à produção e difusão da cultura nacional (íntegra da PEC em link abaixo neste post). O sistema de isenção fiscal ao setor privado tal como funciona hoje no país é outro problema estrutural considerado grave pelos artistas e produtores culturais. “Arte pública é aquela financiada por dinheiro público, oferecida gratuitamente, acessível a amplas camadas da população – arte feita para o povo”, diz o manifesto É Hora de Perder a Paciência (íntegra aqui ).

O movimento que organiza as manifestações de segunda-feira considera inadmissível o corte das verbas do MinC, que caiu de 2,2 bilhões de reais para 800milhões de reais do Orçamento geral da União “em um momento de prosperidade da economia”. Além de tudo, as verbas da cultura são contingenciadas.

Osvaldo Pinheiro afirma que o movimento é apartidário e não se dirige exatamente contra a ministra Ana de Hollanda, mas à precariedade da política cultural, a descontinuidade de gestão e prioridades. No entanto, no ato do dia 25, os protestos contra a gestão da ministra devem acontecer e o movimento estará aberto para essa e outras manifestações, diz Pinheiro.

Mais informações no site Cooperativa Paulista de Teatro .

Para ler a íntegra da PEC n° 150 clique aqui :

Lula faz o discurso e Dilma governa,
para desespero da mídia

Se tem uma coisa que a presidente Dilma Rousseff dificulta são as pautas fáceis para a imprensa. Com toda a crise nos Transportes, manchetes diárias sobre a corrupção em Brasília etc., Dilma se mantém como a gestora competente que sempre foi, impassível, fria e distante dos microfones, para desespero dos mancheteiros.

Mas eis que, de repente, quem aparece falando? O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quinta-feira em Recife, por exemplo, Lula se pronunciou sobre a crise no Ministério dos Transportes. "Pune quem tem que punir e acabou", disse.

A frase em si não significa muito. O significado é o gesto (A Imortalidade - Milan Kundera). Querem que Lula ponha o pijama e pare de falar e militar, mas Lula não vai vestir o pijama. A oposição fica apavorada ante a ideia de que, se for candidato em 2014, Lula será imbatível. E por isso investe na intriga.

Congresso da UNE, em Goiânia, dia 14 de julho
Foto: Antonio Cruz/ABr

Muito claramente, a oposição midiática (pois a combalida oposição política só existe alimentada pela mídia) tenta opor Dilma a Lula perante a opinião pública. Por exemplo, dizendo que Lula interfere no governo Dilma. Avaliação que ignora o fato de que não importa exatamente se é Lula ou Dilma quem governa, pois ambos trabalham e militam juntos.

Com seu estilo, Dilma impõe um governo pragmático, comandado por uma mulher avessa aos holofotes, até onde isto é possível. Nesta quinta-feira, por exemplo, a presidente escalou o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, para dizer que, numa pasta como a do Ministério dos Transportes, com orçamento de R$ 14 bilhões, é impossível que não haja corrupção.

Enquanto isso, Dilma cumpre uma agenda protocolar, o que se pode constatar ao procurar as fotos do dia no banco de imagens da Agência Brasil.

Lula gosta de falar. Na semana passada, questionou as acusações de que a União Nacional dos Estudantes (UNE) organizou um congresso "chapa branca" por ter sido patrocinada por entidades estatais como a Petrobras ou a Caixa Econômica. "Você liga a televisão e tem propaganda de quem?”, questionou , para lembrar que TV Globo, revista Veja, Folha de S. Paulo, O Estado de São Paulo, entre outros, recebem gordas verbas de anunciantes federais. “Para eles é democrático, para vocês [a UNE] é chapa branca (...) alguns jornais se acham nacionais, mas os grandes [veículos] de São Paulo não chegam ao ABC”, ironizou o ex-presidente. “Há quanto tempo não faço um discursinho!”

Não tem problema nenhum Lula falar e Dilma não falar. Mudou o estilo, mas o projeto é o mesmo iniciado em janeiro de 2003.

Há senões. Por exemplo, o governo Dilma tem um débito urgente com a pasta da Cultura. O movimento contra o retrocesso da agenda de Ana de Hollanda está crescendo e será tema de posts neste blog.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Arenas de Corinthians e Palmeiras ganham respaldo político, legal e judicial

Com apoio de governantes, uma nova lei só para autorizar captação de recursos para obras em Itaquera e uma decisão da Justiça a favor do estádio palestrino, torcedores têm motivos para otimismo. Resta saber se a sociedade será beneficiada

Corintianos e palmeirenses tiveram notícias animadoras sobre seus estádios esta semana. A Arena Palestra e a Arena do Corinthians ficaram mais perto de ser realidade.

Observações necessárias sobre ambas:


Estádio do Corinthiansem Itaquera

O Itaquerão virou objeto de lei nesta quarta-feira, 20. Num evento onde não faltaram o governador do estado Geraldo Alckmin, o ministro dos Esportes Orlando Silva e o próprio Gilberto Kassab, o prefeito de São Paulo sancionou a lei que autoriza os incentivos fiscais de R$ 420 milhões, o que tributariamente quer dizer renúncia fiscal por parte da prefeitura. A empreireira Odebrecht não tem do que reclamar. Como se trata de dinheiro público, pergunta-se: esse investimento vai trazer benefícios à população de Itaquera, como melhor transporte público, mais postos de saúde, por exemplo? Se a resposta for sim, ótimo; se for não, será lamentável.

O estádio do Palmeiras ganhou uma batalha na Justiça, com a decisão do juiz Marcelo Sergio, da 2ª Vara de Fazenda Pública do Estado de São Paulo, negando liminar na segunda-feira, 18, pedida pelo Ministério Público, que pleiteava a interrupção das obras executadas pela empreiteira WTorre. O que me parece é que será grande o impacto no quadrado formado pelas ruas Turiassu, e avenidas Sumaré, Francisco Matarazzo e Pompeia. Na decisão em que nega a paralisação das obras, o juiz afirma: “Vale lembrar que não há notícia de que o erário público esteja sendo afetado com a realização das obras, de modo que, se for necessário o desfazimento da obra, o prejuízo será exclusivo das entidades privadas, que, cientes da presente ação, estão a assumir o risco pelo insucesso do empreendimento”. Ou seja, é uma situação bastante diferente da arena corintiana.
Arena alviverde na zona Oeste de São Paulo

Você pode ler na íntegra a decisão do juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública no blog Cartão Laranja neste link: Juiz decide: a Arena do Palmeiras vai continuar.

O que parece claro é que ambas as arenas serão erguidas. A zona Oeste da capital paulista deve receber a Copa das Confederações em 2013. A zona Leste, a abertura da Copa do Mundo de 2014. A ver.

Leia também: Verdades e mentiras sobre o estádio do Corinthians

Atualizado às 12:51

Homofobia: Justiça nega prisão de agressor de pai e filho

Por Raoni Scandiuzzi
Da Rede Brasil Atual


Dois dos seis agressores que espancaram um pai e um filho, na madrugada de sexta-feira (15), durante uma exposição agropecuária de São João da Boa Vista, foram identificados pela polícia. O pedido de prisão preventiva feito pelo delegado titular do 1º Distrito Policial, Fernando Zucarelli, foi negado pela Justiça.

As vítimas foram interpeladas por um grupo de seis jovens e questionadas se eram gays, antes de serem atacadas. Um dos rapazes que confessou a participação negou, em seu depoimento, ter agido por discriminação sexual. Segundo o delegado Zucarelli, não há data marcada para ouvir o outro identificado.

Há mais de dez anos, tramita no Congresso Nacional uma lei para criminalizar a homofobia, o Projeto de Lei da Câmara (PLC) 122/06. Pela dificuldade de acordo com a bancada religiosa da Casa, foi elaborado um novo projeto, batizado de Lei Alexandre Ivo, para tratar do tema.

Alexandre Ivo, de 14 anos, foi assassinado brutalmente por um grupo de skinheads quando voltava de uma festa, em São Gonçalo (RJ). A suposição de que o garoto seria homossexual, teria movido a ação violenta da gangue.

As organizações de defesa dos direitos humanos e do respeito à liberdade de orientação sexual criticam a morosidade na tramitação da lei e veem no conservadorismo do Congresso Nacional um dos grandes empecilhos ao combate à violência movida pelo preconceito e a discriminação.

Autônomo, de 42 anos, o homem que teve um pedaço da orelha cortada estava abraçado ao filho quando ambos foram interpelados – eles não se viam havia dois meses. "Eu não sou gay, meu filho não é gay, mas a gente não tem nada contra. E aí se a gente fosse? E quem é? Meu Deus, se a pessoa não tiver o direito de viver como ela acha que deve, o que a gente faz", disse ele, em entrevista a Tatiana Fávaro, d'O Estado de S. Paulo.

Leia também sobre episódio da agressão na avenida Paulista: Truculência do povo das sombras [1] – avenida Paulista

terça-feira, 19 de julho de 2011

O Brasil da Era Vargas segundo Eduardo Escorel


CINEMA


O diretor Eduardo Escorel lançou recentemente a caixa reunindo três documentários em DVD intitulada Era Vargas. É um precioso retrato do Brasil desde os anos 1920, no período dos governos de Arthur Bernardes (1922-1926) e Washington Luís (1926-1930), até o Estado Novo e um pouco depois, embora a obra dê muitos elementos para se entender a história brasileira nos últimos 90 anos.

Os filmes não se resumem a episódios políticos. 1930 – Tempo de Revolução, por exemplo, é contextualizado com informações, muitas vezes pontuadas pela ironia, sobre o que acontecia no país da época: Semana de Arte Moderna, a chegada do rádio, os filmes exibidos nos cinemas na semana em que determinado fato acontecia etc.

Getúlio Vargas e Luiz Carlos Prestes: bons companheiros

O primeiro documentário, 1930 – Tempo de Revolução, vai até o fim da República Velha, mostrando um período de explosivas intrigas e turbulência política na incipiente democracia por fim golpeada duramente pela “revolução” de 1930, com a deposição de Washington Luís, que impediu a posse de Júlio Prestes, o então presidente eleito num processo eleitoral repleto de fraudes.

O segundo, 1932 – A guerra civil, como o primeiro, é enriquecido com falas de vários intelectuais, inclusive a do mestre Antonio Candido, que desmente cabalmente o mito de que a Revolução Constitucionalista era separatista. “O movimento de 32 não era separatista. Pelo contrário, era de homens movidos por sentimentos civilistas”, explica Candido. A luta era por uma nova Constituição e liberdades políticas, embora pautada por interesses muito claros de uma elite paulista muito pouco simpática a conquistas sociológicas importantes dos trabalhadores, por exemplo.

Caixa reúne três DVDs
O ideário paulista, derrotado porque São Paulo ficou isolado na luta, era “federalista, civilista, liberal e socialmente conservador, contra o governo central (de Vargas), que era autoritário e socialmente reformista”, diz o texto do próprio Escorel e de Sérgio Augusto. Paulo Sérgio Pinheiro deu uma declaração interessante no documentário, e que daria muito “pano pra manga” num debate organizado para discutir o tema : “a esquerda deveria fazer as pazes com 32”.

Finalmente, o terceiro filme, 1935 – O Assalto ao Poder, vai até bem depois do golpe do Estado Novo. Destaque é a maneira como o conjunto da obra mostra o extraordinário domínio de Getúlio Vargas sobre a cena política do país a partir do momento em que ele se torna visível no tabuleiro das disputas nacionais, ao ser nomeado, ainda por Washington Luís, ministro da Fazenda em 1926.

Os filmes, vale dizer, mostram também (pelo menos a meu ver) a dubiedade dos gestos políticos de Luiz Carlos Prestes e de seu Partido Comunista, a formação da coluna que levava seu nome e o de Miguel Costa, o trágico desaparecimento de Olga, até que, em 1947, “o que pareceria impossível afinal acontece: Getúlio Vargas e Luiz Carlos Prestes estão juntos no mesmo palanque. Getúlio se elegera senador pelo RS; Prestes, concorrendo pelo Partido Comunista, fora o senador mais votado no RJ”.

Se você gosta de política e cinema, vale a pena.

Serviço:

Era Vargas: 1930 – 1935 - caixa com três DVDs
Direção: Eduardo Escorel
Texto: Sérgio Augusto e Eduardo Escorel
Narração: Edwin Luisi e Paulo Betti
Preço sugerido: R$ 59,90

Leia também: entrevista com o diretor Eduardo Escorel, feita por este blog em março do ano passado: Contradições e problemas do cinema nacional.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Realidade e ficção: Sean Hoare, ligações perigosas e "The Ghost Writer" de Polanski

A morte do repórter Sean Hoare me remeteu imediatamente ao mais recente filme de Roman Polanski, The Ghost Writer (sobre o qual já escrevi aqui – veja link abaixo). Nele, o protagonista não era um jornalista, mas um escritor que aceita a tarefa de escrever a biografia do primeiro ministro britânico e acaba se envolvendo numa trama que o faz ter acesso a informações fatais, como, por exemplo, as íntimas ligações do homem forte do país com a CIA.


Sean Hoare
 Para quem gosta de teorias conspiratórias, não custa lembrar que o episódio da prisão de Polanski e as tentativas de extraditá-lo para os Estados Unidos por um suposto crime sexual pelo qual a própria vítima o perdoou, tudo isso ocorreu durante o processo de produção do filme The Ghost Writer.

Como se sabe, o jornalista Sean Hoare foi encontrado morto hoje em sua casa. Ele foi “o primeiro repórter do tabloide News of the World a afirmar” que Andy Coulson (ex-redator chefe do tablóide e depois diretor de comunicação do primeiro-ministro britânico, David Cameron) sabia que sua equipe fazia escutas ilegais, como se reproduz em sites de todo o mundo. Claro, Coulson nega tudo.

Curiosamente, a polícia “não trabalha com a hipótese” de ligação de sua morte com o escândalo das escutas telefônicas que levou ao fechamento do tablóide News of the World, do conglomerado do magnata australiano Rubert Murdoch. Claro que é impossível, a nós mortais, saber o que matou Hoare, que “tinha problemas com álcool e drogas” e pode ter morrido mesmo naturalmente. Mas a informação de seu alcoolismo é mais do que suficiente para conduzir a mais importante “linha de investigação” da polícia. Recentemente, Sean Hoare disse ao New York Times: "Há mais por vir. Isso não vai simplesmente passar". Como se vê, não deu tempo.

Jean Charles de Menezes

Esse detalhe (condução do caso pela polícia inglesa), por sua vez, remete ao assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes em 22 de julho de 2005 por policiais da Scotland Yard num trem de metrô. Segundo o próprio jornal News of the World (sim, ele mesmo) em matéria de janeiro de 2006, policiais que seguiam o jovem e inofensivo eletricista Jean Charles falsificaram provas dos equívocos que levaram à execução do brasileiro de 27 anos com sete tiros na cabeça.


Leia post sobre o filme de Roman Polanski clicando aqui: The Ghost Writer

Leia também: Roman Polanski está livre

domingo, 17 de julho de 2011

Adiós


Paraguai elimina Brasil de Mano Menezes da Copa América. 120 minutos de bola rolando mais quatro pênaltis... E nada da bola entrar





Agora eu pergunto: para a torcida e o time do Santos, está mal que Elano, Neymar e Paulo Henrique estejam de volta já nesta semana, esperando obviamente que os dois últimos continuem na Vila? Não, não está.

Para a o São Paulo, o retorno de Lucas não vai fazer diferença? Vai.

E assim, com a queda do Brasil ante o Paraguai nos pênaltis, o Brasileirão 2011 vai começar a pegar. Quanto à seleção, foi algo incrível que em 90 minutos de bola rolando, 0 a 0, mais uma série de pênaltis (2 a 0 contra), o time não tenha feito a bola entrar no gol uma única e miserável vez! Sinceramente, não tenho dados agora, mas isso deve ser inédito em se tratando da “amarelinha”.

“O Mano continua como técnico da seleção”, já anunciou o cartola-mor, Ricardo Teixeira. Não tenho simpatia pelo futebol e pelo tipo do Mano Menezes, não entendo certas insistências estranhas como André Santos na lateral esquerda. Neymar não foi brilhante, mas se movimentou, procurou jogo, apanhou, perdeu gols, infernizou os paraguaios.

Para colocar Fred, deveria ter tirado Pato, que foi muito mal, e não Neymar, como fez o treinador aos 34 do segundo tempo. Fred nada acrescentou. Depois, já na prorrogação, Menezes ainda tirou Ganso para colocar Lucas, que deveria entrar, sim, mas no lugar do inoperante Alexandre Pato mesmo. Sem Ganso, o time perdeu a criatividade no meio campo. Ficou um time bruto. E, depois de muito hesitar, o técnico finalmente mandou Elano a campo, no lugar do namorado da Barbara Berlusconi.

Robinho jogou muito, foi o melhor do time brasileiro. Ramires até que foi bem, mas o time não ficaria melhor com Elano ou mesmo Hernanes, que nem foi convocado? E Maicon pela direita? É tão voluntarioso quanto grosso. Não é ele nem Daniel Alves o cara da posição para 2014. O ciclo de Fred, se é que houve, acabou. O de Lúcio está no fim.

A filosofia da marcação

Goleiro paraguaio Justo Villar comemora
 A impressão é que a filosofia de Mano Menezes, marcar a qualquer custo, marcar, marcar e marcar, acaba sendo contraproducente diante de times que não têm muito o que marcar, como o Paraguai. Ao fim e ao cabo, a bola não entrou. Agora, não se pode responsabilizar o gramado por quatro pênaltis perdidos, como fez o treinador na entrevista coletiva após o fiasco.

Com todo esse monte de ressalvas, porém, seja dado um desconto a Mano Menezes pela desclassificação, em nome do imponderável no futebol, que fez com que algumas bolas não entrassem porque “deus não quis”, como se diz. Bolas de Pato, de Neymar, de Lúcio, de André Santos, de Ganso que mandou na trave, só pra mencionar algumas. Dado o desconto, é finita a competição para nosotros.

Finda para brasilenõs e argentinos, a Copa América de 2011 tem agora um favorito: o Uruguai.

PS: Se você quer saber algumas piadas sobre a desclassificação brasileira, é só ir aos comentários deste post.

*Atualizado à 00:33 (19/07)