terça-feira, 31 de maio de 2011

De tabaco e políticas higienistas

Hoje é o Dia Mundial sem Tabaco. Daí, impossível evitar algumas considerações. A primeira, óbvia para quem é de São Paulo, é que aqui, graças a sua excelência José Serra, o ex-governador do estado, supõe-se que freqüentadores de bares e da noite estão livres da morte pela fumaça.

Apesar do apoio maciço da população paulista (a mesma que elege tucanos para governadores há 16 anos) à hipócrita lei antifumo de Serra, e apesar de o cigarro fazer mal, eu continuo contra a lei serrista. Não por ser fumante. Mas porque a legislação tucana promove a discriminação das pessoas, incentiva a delação, prejudica o comércio, é inconstitucional e fascista.

Sou totalmente a favor de que os não-fumantes tenham direito de não respirar fumaça de cigarro alheio. Mas esse direito não pode automaticamente tornar os fumantes em proscritos da sociedade, impedidos de dar suas pitadas até em bares que disponibilizam espaço para isso, com mesas na calçada por exemplo.

"Hitler é o precursor"

Há dois anos, quando a lei serrista foi sancionada, o deputado estadual Adriano Diogo (PT) escreveu: “Por trás disso tudo está a política higienista de Andrea Matarazzo, o fascismo silencioso e perverso de Serra, a síndrome por uma sociedade perfeita e sem vícios. Esta é a eugenia serrista. E qualquer semelhança com a eugenia nazista não é mera coincidência. Adolfo Hitler é o precursor das campanhas públicas anti-tabagistas. Na década de 1930 e início da década de 1940 ele comandou a campanha anti-tabagista mais poderosa do mundo, que muito se assemelha à lei que foi sancionada, pois restringia o fumo em lugares públicos, além de estabelecer normas para o consumo em restaurantes e cafés”.
Serra: política higienista 

E ainda: “Esta lei é uma afronta à liberdade e à Constituição. O cigarro é uma droga lícita e o fumódromo está assegurado pelas leis federais e municipais. Os fumantes e os não-fumantes têm condições de conviver pacificamente num mesmo ambiente, já que liberdade é um dos valores supremos do Estado Democrático de Direito”.

No STF

O professor Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, de Direito Constitucional da PUC de São Paulo, lembra que a lei tucano-serrista ainda terá sua constitucionalidade analisada pelo Supremo Tribunal Federal. Para ele, a legislação é claramente inconstitucional. “Primeiro, porque contraria a norma geral da União, o que não poderia fazê-lo. Depois, porque o direito à saúde do não-fumante não pode ser pretexto para eliminar-se o direito de liberdade da minoria fumante. Ambos devem coexistir porque gozam da mesma proteção constitucional. Não pode haver proibição indiscriminada, como está acontecendo também com a Marcha da Maconha”, lembra Luiz Tarcísio.

Celular e câncer

Hoje foi divulgada a informação de que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a radiação emitida por telefones celulares pode causar câncer. Segundo a OMS, o celular é "possivelmente cancerígeno" como o chumbo e escapamento de motor de carro.

Há muitas coisas cancerígenas ou provavelmente cancerígenas, como agrotóxicos, conservantes de alimentos e tantas outras maravilhas da indústria.

Que tal proibir tudo?

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Itaquerão: começam trabalhos no terreno, mas obras mesmo ainda não

Meses de atraso e vários adiamentos depois, começou nesta segunda-feira o trabalho de terraplanagem, limpeza e medições topográficas no terreno em Itaquera, onde, espera a Fiel, será erguido o estádio do Corinthians, previsto para ser entregue em dezembro de 2013. É preciso deslocar os dutos da Petrobras que passam no local, o que custará a bagatela de R$ 30 milhões, "dinheiro de pinga" perto do monstruoso orçamento de R$ 1 bilhão.



Segundo a assessoria de imprensa do clube, dois tratores, duas escavadeiras, três caminhões e 20 operários deram início à obra. E, de acordo com matéria do Uol, essa etapa dos serviços terá duração de três meses. Para a construção do estádio propriamente dito, ainda não foi assinado contrato, diz a reportagem.

O estranho é que o valor da obra já está em torno de R$ 1 bilhão. O clube teria como certos R$ 400 milhões do BNDES e R$ 300 milhões de incentivos ficais da prefeitura. Faltam cerca de R$ 300 mi. De onde virão?

Não sou dos que acham um absurdo que o Estado invista em obras desse tipo, pois de uma maneira ou outra, “por meio de isenções fiscais, contrapartidas ou parcerias, o dinheiro público sempre estará em projetos muito grandes e/ou importantes”, como já escrevi aqui. O problema é a falta de transparência.

Seja como for, num arroubo de entusiasmo, o presidente corintiano, Andres Sanchez, em nota, comemorou o início dos trabalhos dizendo: “não descansaremos enquanto não chegarmos ao topo da escada, no dia da inauguração do Estádio da República Popular do Corinthians”.

Esse termo, eu diria hiperbólico, me remete a uma questão. Será Andres Sanchez comunista?

Berlusconi sofre grande derrota em eleições e perde Milão e Nápoles


Até que enfim uma boa notícia vinda da Itália. O premiê Silvio Berlusconi sofreu dura derrota no segundo turno das eleições municipais. A mais significativa das perdas foi Milão, terra natal do chefão do campeão italiano Milan e sede do Fininvest, o império midiático do homem conhecido mais por seus escândalos sexuais e corrupção do que por qualquer ato digno de um chefe de Estado. Há 18 anos a direita dava as cartas em Milão.

Na chamada capital econômica da Itália, Giuliano Pisapia, do Partido Democrático, bateu a atual prefeita, a direitista Letizia Moratti, da coligação de Berlusconi. Na campanha eleitoral, com discurso xenófobo, o primeiro-ministro dizia que a vitória de Pisapia faria de Milão uma cidade “islâmica”, “de ciganos”, “caótica” e “entregue aos imigrantes”.

Além de perder Milão, o chefão dançou também na sulista Nápoles, onde o juiz Luigi de Magistri, com o apoio de todos os partidos de centro e esquerda, derrotou o direitista Gianni Lettieri. Nápoles é a cidade da Camorra. Segundo o candidato vitorioso, Lettieri tinha o apoio do crime organizado.

Como resultado do pleito, o acordo com a direitista Liga Norte tende a se esfarelar e Berlusconi ficar isolado.

Várias cidades comemoram aquilo que pode ser um sintoma do início do fim do “Papi”.

Quem sabe os ventos de lá cheguem até aqui, São Paulo, no ano que vem.

domingo, 29 de maio de 2011

A vitória arrasadora do Barcelona e o sonho do duelo Messi x Neymar

Diante do ainda chocho Campeonato Brasileiro, a luz do fim de semana foi a espetacular vitória do Barcelona por 3 a 1 sobre o Manchester United, conquistando seu quarto título da Liga dos Campeões, que antigamente se chamava Copa dos Campeões da Europa.

Van der Sar não alcança o chute
de Villa: 3 a 1/ Foto: Reprodução
Poucas vezes na vida vi uma final importante – e olha que vi muitas – em que a superioridade de um time fosse tão avassaladora como foi a da esquadra catalã diante dos Diabos Vermelhos neste sábado, 28, em Wembley. Antes de falar dos gols do Barça, vamos combinar que o gol de Rooney, no 1 a 1, foi um belo gol.

Embora eu tenha uma antipatia invencível pelo craque Lionel Messi (talvez uma reação natural minha à babação insuportável de um setor da mídia esportiva tupiniquim para a qual o 10 do Barça é um ser extraterreno), não chegaria à insanidade de não reconhecer que ele está jogando muito e na final jogou ainda mais.

Messi alia o talento com a força: cria jogadas impensáveis num espaço mínimo, dá passes destruidores e é fatal quando tem a chance do gol. Parece um touro com a bola nos pés, pois dificilmente cai, mesmo diante dos zagueiros mais vigorosos.

Mas também não precisa chamá-lo de “gênio” por causa do segundo gol contra o Manchester. A defesa inglesa deu um tremendo espaço – até porque é muito difícil fechar todos os espaços contra um time que tem Daniel Alves e Abidal pelas laterais (Daniel mais ala do que lateral), Xavi, Busquets, Iniesta e Messi no meio de campo, e Pedro, Villa e... Messi no ataque. Sim, porque no meio e no ataque ele está em toda parte.

O primeiro gol do Barça foi mais bonito do que o segundo, de Messi, pois no 1 a 0 Xavi deu aquele passe típico do cara que antevê o espaço, como Tostão fazia (por exemplo no gol de Clodoaldo contra o Uruguai em 1970). Xavi pensou muito a jogada para em poucos segundos encontrar Pedro, que só fuzilou. No gol de Messi, além da defesa dar espaço, o goleirão holandês do United, Van der Sar, na minha opinião, falhou. Gols iguais a esse Rivelino fez aos montes – Rivelino que Diego Maradona disse que era seu maior ídolo e aquele no qual mais se inspirou no futebol.

Já o terceiro gol, de Villa, foi uma pintura, jogada que surgiu aliás de uma infiltração de Messi pela direita, e a zaga do Manchester – sufocada com a blitz adversária por todo o segundo tempo, com a infernal troca de passes e total domínio da bola, como um boxeur nas cordas – se confundiu, e o time inglês foi à lona.

Eu não gosto muito de estatísticas para se falar de futebol. Mas quero chamar a atenção para duas da final de Wembley. Durante toda a partida, foram cometidas 21 faltas, cinco do Barcelona, 16 do Manchester. E o time espanhol teve 63% de posse de bola. Ou seja, foi de fato arrasador.

Veja os gols do jogo:



Neymar e Messi?

Já há quem sonhe com um duelo Messi x Neymar numa possível final de Mundial entre Santos e Barcelona. Duas personalidades, a Eminência Parda e Deva Pascovitch, entre outras, acham que, se ganhar a Libertadores, o Santos pode bater o Barça.

Eu, cá da meu púlpito de São Tomé, estou focado no Cerro Porteño quarta-feira, na partida de volta da semifinal da Libertadores, quando o Peixe se classifica com um empate ou qualquer derrota por um gol de diferença, desde que marque pelo menos um tento. Passando, ainda terá a final em dois jogos, contra Vélez ou Peñarol. Só após esses três jogos é que dá para pensar num encontro entre Messi e Neymar.

Para quem gosta de futebol, seria um encontro de sonho.

sábado, 28 de maio de 2011

Revista "Época" supera "Veja" em imundície e quer matar Dilma

Do blog Tijolaço – por Brizola Neto


Alertado por um leitor, fui ver a capa da Época, na qual uma foto da presidenta, de olhos fechados, é usada para ilustrar uma matéria sobre uma suposta gravidade de seus problemas de saúde.

É sordidamente mórbida.

Registra que os seus médicos dizem que ela “apresenta ótimo estado de saude”, mas a partir daí tece uma teia mal-intencionada e imunda sobre os problemas que ela apresentou e os outros que tem, normais para uma mulher da sua idade.

O hipotireoidismo, por exemplo, é problema comuníssimo entre as mulheres de mais idade. É por isso que todo médico pede a eles, sempre, o exame de TSH. E o hormônio T4 – Synthroid, Puran, Levoid, Euthyrox e outros – tomado em jejum, é a mais básica terapêutica, usada por anos e anos por milhões de mulheres do mundo inteiro.

A revista publica uma lista imbecil de “medicamentos” que a presidente tomava, em sua recuperação de uma pneumonia, listando tudo, até Novalgina, Fluimicil e Atrovent (usado em inalação até por crianças), e chegando ao cúmulo de citar “bicarbonato de sódio – contra aftas”.

Diz que o toldo que abrigou Dilma de uma chuva, em Salvador, ” lembrava uma bolha de plástico”.

Meu Deus, o que esperavam que fizessem com uma mulher que se recuperava de um pricípio de pneumonia? Que lhe jogassem um balde de água gelada por cima?

Essa é a “ética” dos nossos grandes meios de comunicação. Não precisam de fatos, basta construírem versões, erguendo grandes mentiras sobre minúsculas verdades.

Esses é que pretendem ser os “fiscais do poder”.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Nota sobre o “kit contra a homofobia”: Dilma Rousseff não precisa dos votos do PSOL

Existe uma enorme confusão, fruto de ignorância ou má-fé, em torno disso que ficou conhecido como “kit contra a homofobia”. O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), por exemplo, agora deu para pregar, como um pastor de igreja, que os homossexuais não votem mais em Dilma, porque a presidente suspendeu o tal kit.

Sendo o deputado do partido da raivosa e ressentida Heloisa Helena, é uma postura natural, própria de quem pretende 15 minutos de fama mas pode cavar sua própria sepultura eleitoral.

O simplismo tosco de associar a decisão da presidente como mera troca de favores políticos relativos ao caso Palocci ou como capitulação “à chantagem dos inimigos da cidadania” é, francamente, algo que não passa de política estudantil, nobre deputado. Lembro que, quando trabalhava com jornalismo jurídico, ouvia pessoas bem-intencionadas e ignorantes bradarem sobre decisões do STF: "Mas essa sentença é política, que absurdo!" Ora, diz qualquer constitucionalista respeitável, mas o STF é constitucionalmente um órgão político! Queres o quê? As pessoas mal sabem o papel das instituições e saem por aí a berrar tolices com uma naturalidade atroz.

É curioso como "militantes" que se dizem de esquerda ecoam com tanta naturalidade as teses e informações surgidas nas páginas da Folha de S. Paulo, Estadão e TV Globo.

Nobre deputado Jean Wyllys, vossa senhoria deveria saber algumas coisas.

Que ao governo do Brasil cabe zelar e trabalhar por um Estado laico. Cabe disseminar e trabalhar concretamente pela igualdade e pela tolerância. Defender os preceitos da Constituição, cujo artigo 5°, até o advento do governo Lula, do qual o governo Dilma é a continuidade, nunca passou de letra morta.

Ao Estado cabe fomentar a educação de qualidade para que as pessoas possam se preparar para a vida e o trabalho. Ao governo cabe dotar o Estado de instrumentos para o desenvolvimento da cidadania, para que o pedestre não seja atropelado por uma besta que usa o automóvel como arma; para que o otário não jogue a lata de cerveja na rua, da janela de seu carro; para que as crianças desde cedo entendam que o mundo é feito de diversidade; para que assassinos potenciais com medo de sua própria sexualidade não saiam pelas ruas agredindo homossexuais; para que assassinos potenciais não saiam pelas ruas agredindo heterossexuais; para que pessoas não saiam pelas ruas agredindo pessoas; para que racistas doentes não saiam por aí espancando negros, brancos ou amarelos.

Os poderes da República têm de proporcionar o desenvolvimento científico da nação, como fez o tão criticado Supremo Tribunal Federal ao autorizar as pesquisas com células-tronco há exatos três anos; têm de proporcionar que as pessoas possam fazer suas escolhas (“O homem está condenado à liberdade” – Sartre).

Ao Estado não cabe “fazer propaganda de opções sexuais”, como disse a presidente Dilma Rousseff. (E parece que agora é proibido usar o termo “opção”, como se Dilma, eu ou você não soubéssemos que não se trata de opção, mas de ser. Ok, brother, sabemos, não encha o saco. Ou agora a Dilma é homofóbica porque usou o termo "opção"?).

Ao Estado não cabe censurar livros, que é uma das primeiras medidas das tiranias mais canalhas.

Ao Estado não cabe discriminar ou fomentar a discriminação e a intolerância, porque Hitler já nos ensinou o preço abominável dessa estrada.

O resto, meu chapa, o resto é blá blá blá de esquerdistas raivosos, que trabalham para as forças mais reacionárias da sociedade, só não descobri ainda se consciente ou inconscientemente.

Roland Barthes disse que as revoluções não acabam com a exploração do homem pelo homem porque ela não está nas relações políticas, mas na linguagem.

Por tudo isso é que eu acho que a esquerda e a direita raivosas caminham a passos largos, de mãos dadas, rumo ao limbo político que as espera num futuro que está logo ali. E não creio que Dilma Rousseff precise dos votos do PSOL.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Santos de Muricy bate Cerro Porteño por 1 a 0, ao estilo Parreira


Só Muricy não vê que Zé Eduardo deveria estar fora? Ou é panelinha?


O Santos de Muricy Ramalho conseguiu importante vitória ao bater o Cerro Porteño por 1 a 0 no jogo de ida da semifinal da Libertadores no Pacaembu, nesta quarta. Mas confesso que o estilo do time está muito Parreira pro meu gosto. Acho que o Santos tem grandes chances de conquistar a Libertadores, mas o gol poderia ser menos detalhe do que está sendo.

Ouça o gol de Edu Dracena na narração de Oscar Ulisses, da Rádio Globo:

Santos 1 x 0 Cerro Porteño - Edu Dracena

Até os 35 do segundo tempo, Muricy não fez nenhuma (nenhuma!) alteração, embora o atacante Zé Eduardo fosse durante 80 minutos uma nulidade absoluta (nessa Libertadores, ele faz o papel do “fogo amigo”: chegou a tirar dos pés de Danilo o primeiro gol do Santos ainda na primeira etapa, num cruzamento à la Ganso do zagueiro Durval, entre outras jogadas bizarras há muitos e muitos jogos).

Três volantes

Com Alan Patrick no banco, o treinador santista preferiu conservar, com o esquema de três volantes. O que é uma atitude coerente com os conservadores!, desculpem a obviedade. Como Elano é intocável (acho que, pela condição física, ele deveria estar no banco), então para Patrick jogar dever-se-ia sacrificar um volante (Arouca ou Adriano). Mas toda a ginástica mental poderia ser resolvida se o técnico abrisse mão do, me deem licença, queridinho Zé Eduardo. Cansei de ouvir santistas reclamarem: “Fora Zé Love!”. Só Muricy não vê que esse jogador deveria estar fora? Ou é panelinha?

Com Elano sobrecarregado, o time teve dificuldades em criar. Outra coisa: Elano “tá se achando”. Quando tem falta perto da área, parece o dono da bola. Falta é com ele mesmo. Só que não acerta uma faz tempo. Neymar também bate faltas (fez gol na seleção até) e deveria bater algumas.

Enfim, numa jogada espetacular do craque (e bota craque nisso) Neymar, o Alvinegro enfim fez 1 a 0 com Edu Dracena de cabeça, aos 43 do primeiro tempo.



Na metade do segundo tempo Elano já estava mais do que morto fisicamente. Mas só saiu por volta dos 42 minutos (se não me engano). Tudo bem que a ausência de Paulo Henrique Ganso é muito sentida pelo time. Mas as alterações (Alan Patrick no lugar de Elano e Maikon Leite no de Zé Love) foram tardias. Se tivessem sido feitas antes (com um pouco mais de ousadia) o Santos teria destruído o Cerro Porteño no Pacaembu.

E vamos para Assunção com um magro 1 a 0, de novo. Também porque Alan Patrick foi displicente na bola do jogo que teve já nos descontos, numa jogada, mais uma, de Neymar.

Neymar ganhou do Cerro Porteño por 1 a 0, com gol do capitão Dracena.

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Tabela das semifinais
Jogos de ida

25.05.2011 (quarta) - 21:50 - Santos FC (BRA) 1 x 0 Cerro Porteño (PAR) - Pacaembu
26.05.2011 (quinta) - 21:50 - Peñarol (URU) 1 x 0 Vélez Sarsfield (ARG)

Jogos de volta
01.06.2011 (quarta) - 21:50 - Cerro Porteño (PAR) x Santos FC (BRA)
02.06.2011 (quinta) - 21:50 - Vélez Sarsfield (ARG) x Peñarol (URU)

Atualizado às 12:19

terça-feira, 24 de maio de 2011

A barbárie impera no Pará, ainda

Pouco mais de 22 anos após o assassinato de Chico Mendes em Xapuri (no Acre) e seis da execução de Dorothy Stang em Anapu, no Pará, nesta terça-feira o casal Maria do Espírito Santo e José Claudio Ribeiro da Silva foi assassinado em Nova Ipixuna, a 390 quilômetros de Belém.

José Cláudio da Silva era considerado um dos sucessores de Chico Mendes na defesa da preservação das floresta amazônica e constantemente denunciava o extrativismo ilegal de madeira. Eles teriam sido executados por pistoleiros de tocaia numa ponte.

Em novembro do ano passado, Silva declarou num evento sobre a preservação da floresta: “A mesma coisa que fizeram no Acre com Chico Mendes querem fazer comigo. A mesma coisa que fizeram com a Irmã Dorothy querem fazer comigo”.

E, no entanto, fizeram. Sem que nenhuma autoridade estadual ou federal tivesse evitado. That’s Brazil. A triste notícia, claro, percorre o mundo. O jornal britânico The Guardian começa matéria sobre o crime exatamente falando o seguinte: “Seis meses depois de prever seu próprio assassinato, um defensor da floresta teria sido morto a tiros na Amazônia brasileira” (aqui, o texto do Guardian).

Veja abaixo o hoje triste depoimento de José Claudio



Apesar de aparentemente uma coisa não ter nada a ver com a outra, é tremendamente emblemático que mais essa barbárie brasileira ocorra no exato momento em que se trava uma luta titânica em torno da votação do novo Código Florestal, do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), considerado gravíssimo retrocesso pela unanimidade dos ambientalistas no país.

O projeto de Aldo, o convertido

Num ato sem precedentes que demonstra o significado da eventual aprovação do texto de Rebelo, um comunista convertido ao ideário ruralista, dez ex-ministros do Meio Ambiente, em carta à presidente Dilma Rousseff, afirmaram que, se qualquer uma das versões do projeto de Aldo for aprovada, “o país agirá na contramão de nossa história e em detrimento de nosso capital natural".

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse agora há pouco que a votação será hoje. Não houve acordo. O governo tentará suprimir os pontos de que discorda (por exemplo, a anistia a desmatadores) no Senado e, em último caso, pelo veto da presidente Dilma.

“Esse código é perverso”, afirmaram os ex-ministros no documento enviado a Dilma. Assinam o texto: Marina Silva (PV), Carlos Minc (PT), Sarney Filho (PV), Rubens Ricupero (sem partido), José Carlos Carvalho (sem partido), Fernando Coutinho Jorge (PMDB), Paulo Nogueira Neto (sem partido), Henrique Brandão Cavalcanti (sem partido), Gustavo Krause (DEM), José Goldemberg (PMDB).

Atualizado às 21:03

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Começa o Brasileirão 2011. Com leve favoritismo de Flamengo e Santos

Pronto, começou o Campeonato Brasileiro de 2011. Na primeira rodada, jogos sem graça e tecnicamente ruins, apesar dos clássicos nacionais. Palmeiras (1 a 0 no Botafogo em São José do Rio Preto), São Paulo (2 a 0 no atual campeão Fluminense, em São Januário) e Corinthians (2 a 1 no Grêmio no Olímpico) começaram com vitórias importantes, com direito a belos gols de Kleber, Lucas e Liedson. Os reservas do Santos ficaram no 1 a 1 com o Inter na Vila, joguinho pra lá de ruim.

Se alguém quiser arriscar a dizer que este ou aquele time é favorito destacado, fique à vontade. Acho impossível no momento, devido às variáveis nos próximos sete meses, desde a malfadada janela européia, passando pela seleção brasileira, que faz a Copa América, e outros fatores imprevistos.

Digo que o campeão sairá dessas nove equipes (não pela ordem): Flamengo, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Inter, Santos, Grêmio, Cruzeiro, Fluminense. Assim é fácil acertar, não é? Mas, em 2010, quem apostaria no Fluminense a não ser sua torcida? (o Tricolor havia escapado por um triz do rebaixamento no ano anterior). Ou no Flamengo do “interino” Andrade em 2009? Para não ficar sobre o famoso muro é que arrisco dizer que Santos e Flamengo saem com alguma vantagem.

Muricy e Vanderlei


Fotos: Eduardo Metroviche e Divulgação Santos FC

Dando uma pequena burilada nos times listados acima, dá para apontar num primeiro momento Flamengo e Santos com alguma vantagem, posto que têm os dois técnicos que mais ganharam o Brasileiro. Vanderlei Luxemburgo levantou o caneco cinco vezes: 1993 e 1994 (Palmeiras), 1998 (Corinthians), 2003 (Cruzeiro) e 2004 (Santos). Muricy conquistou seus quatro títulos na atual fórmula de disputa em pontos corridos: pelo São Paulo (2006, 2007 e 2008) e Fluminense (2010). Não acho que Vanderlei esteja acabado para o futebol, como muitos dizem. Pode dar a volta por cima. É um vencedor.

O Peixe, no momento, é o melhor time do país e o Flamengo pode crescer muito, pois tem um bom time. E se Ronaldinho Gaúcho jogar o que ensaiou sábado, nos 4 a 0 contra o time misto (diga-se) do Avaí, o Rubro-negro pode almejar a taça. Não se sabe, porém, como será o Santos e todos os outros bons elencos após a (repito, malfadada) janela. Ganso deve sair, Neymar deve ficar. Mas nada se pode prever.

Se for à final da Libertadores, o Santos perderá vários pontos por jogar com time misto. Isso pode pesar no final. Ou não, dado o aparente equilíbrio geral.

Timão e Verdão

Tite/ Foto: Reprodução

O Corinthians me parece hoje um time comum e que só listei entre os nove porque algo pode de repente mudar pelos lados do Parque São Jorge. São sete meses de campeonato, afinal. Mas, com essa equipe, mesmo com os bons reforços de Emerson, o Sheik, e Alex (ex-Internacional e Spartak Moscou, que só joga em agosto) não se pode culpar o Tite por um fracasso.


Felipão/Foto: Reprodução
 Coloquei o Palmeiras na lista dos nove porque o time pode ganhar corpo e amadurecer, comandado por Felipão, que não é conhecido exatamente como um perdedor no futebol brasileiro. Mas o Alviverde tem que se reforçar se quiser sonhar com o título, porque Scolari não é milagreiro. O mesmo se pode dizer do Fluminense: Abel Braga, quando assumir, pode fazer o time, que tem bom elenco, crescer muito (mas não acho Abel tudo isso, não).

Cruzeiro, Grêmio e São Paulo

O Cruzeiro entra ano, sai ano, sempre começa a temporada apontado como um dos favoritos e termina sem nada, no máximo uma vaga à Libertadores. Não apostaria na Raposa de modo algum.

Carpegiani: até quando?
Foto: Wagner Carmo//Vipcomm
Grêmio e São Paulo têm passado por turbulências e é difícil prever se vão fazer jus à tradição, já que sempre começam campeonatos entre os favoritos. Mas este ano, como no caso do Corinthians e Palmeiras, num primeiro momento eu diria que correm por fora. O problema principal do Sção Paulo é a bagunça que começa de cima, da direção.

Falam do Coritiba. Não acho que tenha fôlego.

Entre os chamados grandes, o Botafogo é sério candidato ao rebaixamento. O Vasco, acho que, embora venha bem com Ricardo Gomes, não chegará nem à Libertadores.

PS (às 13:59 de 24 de maio/2011): Acabei não comentando sobre o Inter, que apontei na lista dos nove. Foi um ato falho justificável, porque se enquadra mais ou menos no perfil que vejo do Cruzeiro de Cuca. Apesar de toda a mídia dizer que é um time fortíssimo etc, não vejo nada de mais no Inter. E com Falcão então... Se mudar de treinador e acertar deficiências óbvias pode ameaçar.  

sábado, 21 de maio de 2011

Tiros e bombas contra a Marcha da Maconha em São Paulo

Da série Epísódios da truculência tucana

Cenas na tarde de hoje, sábado, na avenida Paulista, em São Paulo, por ocasião da Marcha da Maconha, que, proibida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, foi realizada como uma manifestação "pela liberdade de expressão".

A brutalidade da Polícia Militar, seja de Geraldo Alckmin, seja de José Serra, não tem limites. Onde está a liberdade de expressão se um punhado de jovens pacíficos é tratado a tiros e bombas por exercer um direito que lhes garante a Constituição do Brasil?



"A repressão policial à maconha, em menos de 80 anos, já causou mais mortes e prejuízos do que o uso da erva jamais poderia ter causado em toda a história da humanidade." (Túlio Vianna - Revista Fórum n° 98 - maio de 2011)


Leia também relatos de outros episódios:

Relatos sobre a truculência tucana [2] – Vila Madalena

Ginásio da Fito (Osasco)

Eleição de 2010

Alckmin começa seu governo atacando estudantes

Polícia de Alckmin não pára de cometer barbaridades

Atualizado às 02:26

Gente, chegou a hora. O mundo vai acabar hoje

Atenção, povo. Hoje é o dia do fim do mundo. Pelo menos é o que garante o engenheiro civil aposentado Harold Camping, presidente de um grupo evangélico cristão na Califórnia (EUA) chamado Family Radio.



Eles anunciaram que hoje seria o dia do juízo final por meio de outdoors e cartazes espalhados por cidades dos Estados Unidos e Canadá. Os religiosos dizem que chegaram à fatídica conclusão por meio de estudos da Bíblia que permitem concluir que na data de 21 de maio de 2011 completam-se 7 mil anos que Noé, com sua arca para lá de ecumênica, se salvou do Dilúvio. E eu pergunto: o que eu tenho a ver com isso?

Segundo disse o porta-voz da Family Radio dez dias atrás, um enorme terremoto com duração de 153 dias terá início na Nova Zelândia e avançará ao leste. “Deus esgotou sua paciência com o mundo. Esta é a realidade", garantiu Gunther von Harringa. Ele está certo também de que apenas 170 milhões de pessoas serão salvas e vão para o céu.

A Family Radio já previu que o mundo acabaria em 1994. Como isso não aconteceu, eles afirmaram que tinham errado as contas. Mas dessa vez será mesmo o fim, garantem.

Por isso, meus amigos, eu vou almoçar, antes que seja tarde. Mas, se o apocalipse não for hoje, eu voltarei a postar neste blog. Adeus. Ou até breve.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Santos joga com Cerro Porteño dia 25 no Pacaembu

A Conmebol confirmou hoje que o Santos fará os jogos das semifinais da Libertadores nas próximas quartas-feiras. O Peixe mandará o jogo de ida no Pacaembu, dia 25 de maio*. A outra semi, Cerro Porteño x Velez Sarsfield, será nas quintas-feiras.

Jogos de ida

25.05.2011 (quarta) - 21:50 - Santos FC (BRA) x Cerro Porteño (PAR) - Pacaembu
26.05.2011 (quinta) - 21:50 - Peñarol (URU) x Vélez Sarsfield (ARG)

Jogos de volta

01.06.2011 (quarta) - 21:50 - Cerro Porteño (PAR) x Santos FC (BRA)
02.06.2011 (quinta) - 21:50 - Vélez Sarsfield (ARG) x Peñarol (URU)

*Atualizado às 22:16

Leia também:
Santos empata com Once Caldas e está na semifinal

Definidas as semifinais da Libertadores: Santos pega o Cerro e Vélez encara Peñarol

Cerro Porteño x Santos
Vélez Sarsfield x Peñarol


Essas são as duas partidas das semifinais da Libertadores da América 2011. Os jogos serão nas próximas duas quartas-feiras, 25 de maio e 1° de junho.

O Santos faz o jogo de ida na Vila Belmiro e decide a vaga à final em Assunção. Na fase de grupos, o Peixe se classificou às oitavas batendo justamente o Cerro, no Paraguai, por 2 a 1, no primeiro jogo sob o comando de Muricy Ramalho na Libertadores, dia 15 de abril (relembre aqui). Apesar da derrota em casa, o Cerro ficou em primeiro no grupo, deixando o alvinegro praiano em segundo.

Na fase de grupos, Santos 1 x 1 Cerro, na Vila
 Antes, na Vila Belmiro, havia sido 1 a 1, quando os paraguaios empataram com aquele pênalti de Edu Dracena no apagar das luzes (aqui) e a vaga ficou muito ameaçada. O treinador ainda era Marcelo Martelotte.

Nas quartas-de-final, o Cerro eliminou o Jaguares (1 x 1 no México e 1 a 0 em Assunção)*

Na outra semifinal, o Peñarol recebe o Vélez em Montevidéu e a decisão é em Buenos Aires.

Os quatro semifinalistas ganharam ao todo oito títulos, com a liderança absoluta do Peñarol. A proeza do Vélez foi ter conquistado o campeonato batendo o São Paulo no Morumbi, evitando o tricampeonato tricolor, que havia sido bi em 1992 e 1993.

Títulos de Libertadores dos semifinalistas em 2011:

Peñarol: cinco (1960, 1961, 1966, 1982 e 1987)
Santos: dois (1962, 1963)
Vélez: um (1994)
Cerro: nenhum

Embora em Libertadores sempre tudo possa acontecer, acho o Santos favorito contra o Cerro, que nunca chegou a uma final. Já entre Vélez e Peñarol, é mais imprevisível. A boa notícia é que, pelo que pude apurar, se estiver errado me corrijam, se for à final o Santos faz a segunda partida, contra Vélez ou Peñarol, em casa.

Atualizado às 13:12

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Ufa! Santos 1 x 1 Once Caldas. Peixe está na semifinal da Libertadores


Com empate contra os colombianos no estádio do Pacaembu, time de Muricy pega Cerro Porteño ou Jaguares na próxima fase


Foto: Divulgação/SFC
Sofrimento digno de Libertadores, diria o chavão. Foi um drama a classificação do Santos à semifinal da Libertadores com o 1 a 1 diante do fatídico Once Caldas no Pacaembu, na noite desta quarta. Drama que só o futebol pode proporcionar. Porque, a não ser quando a arbitragem erra decisivamente, no futebol não tem justiça ou injustiça. Como havia ganhado em Manizales por 1 a 0 na semana passada, o Peixe podia empatar.

Tudo indicava que o time da Vila daria um xeque-mate ainda no primeiro tempo, pois aos 12 Neymar já abria a contagem, dando o troco ao time que em 2004 eliminou o Peixe nas mesmas quartas-de-final. A esquadra de Muricy encurralou os colombianos pressionando-os em seu campo sem cessar, dominando as ações completamente. Um massacre técnico e tático. Mas perdeu Alan Patrick contundido e, aos 29 minutos, tomou um gol bobo em falta cometida na direita da defesa do Santos, note-se, por Neymar. Na bobeira, o perigoso Rentería não perdoou.

Entretanto o time continuou dominando, primeiro e segundo tempo afora. E perdendo gols. Se o Alvinegro tivesse sido desclassificado hoje no Pacaembu, a torcida já teria um eleito para crucificar: o atacante Zé Eduardo, que foi uma nulidade total. Perdeu gols, demonstrou insegurança e falta de preparo até psicológico para resolver as adversidades: quanto mais erra, mais erra, com o perdão da frase. Nisso Muricy é muito conservador: costuma dizer que quanto menos mexer, melhor. Só que há o risco de o time ficar previsível. Zé Eduardo é muito ruim. Qualquer coisa é melhor do que ele.



Drama nas arquibancadas ou na sala

Aos 40 minutos da etapa final, após o time perder várias chances de matar o jogo desde o primeiro tempo, ainda estava 1 a 1 e... Pênalti indiscutível em Neymar! Mas... o jovem craque perdeu. E o grito de gol continuou preso. Mais drama.

E, incrivelmente para os santistas nas arquibancadas ou se embriagando de nervosismo em casa, aos 44 o Once Caldas teve uma falta na entrada da área, mas Nuñes mandou para fora. Se aquela bola entra, o Once estaria na semifinal.

Não há como negar que Neymar desequilibrou mais uma vez, embora não tenha brilhado como de costume. Só o pânico que ele gera na defesa adversária quando parte pra cima já desestabiliza.

Mas se eu tivesse que dar o velho Moto-Rádio pro melhor em campo, hoje, seria para Danilo. Um monstro em campo, jogando de volante ou lateral, desarmando, armando na medida do possível, atuando em larga faixa do gramado. Léo jogou muito, Adriano foi um leão e Elano, mais adiantado após a saída de Patrick, rendeu mais do que nos jogos anteriores.

E é isso. O Santos espera agora o adversário da semifinal, que sairá do confronto entre Jaguares do México e Cerro Porteño do Paraguai. Contra o Cerro, o segundo jogo seria no Paraguai; contra o Jaguares, na Vila.
Espero que na estréia do Brasileiro, sábado, contra o Internacional, na Vila, finalmente Muricy ponha um time reserva em campo.

Leia também: Santos é bicampeão paulista

Atualizado às 18:30 (19/03/2011)

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Impressões sobre "Ensaios", de Truman Capote: é possível ser jornalista sem ser imbecil


Truman Capote/Reprodução

A leitura de livro Ensaios (Ed. Leya), de Truman Capote, é um desses prazeres que se deve comunicar, pois é egoísmo não compartilhar o brilhantismo inebriante de sua narrativa, que vai de paisagens subjetivas da alma, ao falar por exemplo de Nova Orleans (título do texto que abre o livro), onde ele nasceu, a relatos jornalístico-literários (sua especialidade) com variados temas.

Entre os textos marcantes de Ensaios, "O Duque em seu domínio”, que, mais do que uma entrevista, é o relato de uma entrevista, com Marlon Brando, em um hotel em Kyoto, em 1957, onde Brando trabalhava numa locação do filme Sayonara.

A bonita edição da Leya inclui “Ouvindo as Musas”, não-ficção de cento e poucas páginas que conta a incrível turnê de uma grande companhia de teatro americana para apresentar em Leningrado a superprodução Porgy and Bess. Detalhe: em pleno ano de 1956, com o mundo dividido pela Cortina de Ferro. Nesse contexto absurdo, a arte supera as ideologias, como fica registrado pela voz de um funcionário da embaixada soviética encarregado de ciceronear a companhia estadunidense: “Quando os canhões são ouvidos, as musas silenciam; se os canhões estão silenciosos, as musas são ouvidas”.

Como Truman Capote era um dândi do século XX, sempre ao redor de ricos e famosos, ele estava invariavelmente nos lugares certos na hora certa. Por exemplo, para relatar um cruzeiro pela Grécia, onde ouve uma história macabra contada pelo capitão do barco (a literatura está em toda parte); em Tânger, onde conhece prostitutas internacionais, por assim dizer; suas impressões sobre os fotógrafos Richard Avedon e Cecil Beaton, com os quais conviveu, pelo menos o suficiente para deles fazer o retrato que sua pena pintava daqueles que achava importantes. Aqueles que podem ser pessoas, lugares ou situações.

A Sangue Frio


O escritor na casa da família Clutter

Um dos pontos altos de Ensaios é o texto “Fantasmas ao sol: a filmagem da A Sangue Frio”, título em si próprio elucidativo. Trata-se do relato (mais um brilhante relato) de Capote, dessa vez sobre sua participação, como “consultor” do diretor Robert Brooks, no filme A Sangue Frio, baseado no livro (obra-prima do new journalism) realizado sete anos antes, sobre o assassinato da família Clutter, no Kansas.

É muito interessante saber detalhes da produção de um filme tão difícil, e conhecer os porquês da permissão de Capote para que “o diretor Robert Brooks agisse como intermediário entre livro e tela”. Diz Truman Capote no texto: “Ele era a única pessoa que aceitava inteiramente dois pontos importantes: eu queria o filme feito em preto e branco e queria um elenco de desconhecidos – isto é, atores sem rostos públicos”.

E mais uma coisa, elucida o autor de A Sangue Frio, é que o filme “tivesse cada cena filmada em seu local original”, onde realmente aconteceram os eventos descritos na reportagem literária do livro: a casa do crime, o tribunal onde os criminosos foram julgados, a loja de variedades onde os assassinos “compraram a corda e a fita usadas para imobilizar as quatro vítimas”, entre outros elementos.

Um corvo

Como se não bastasse o mergulho na psique norte-americana da primeira metade do século XX (cinema, arte, espetáculo, fotografia, crime, ilusões), o livro Ensaios traz relatos que literalmente saem do terreno da realidade, embora justamente da realidade tratem. Falo principalmente da narrativa “Lola”, sobre um corvo que o escritor ganhou de presente de uma doméstica, uma “jovem do vilarejo” que trabalhava para ele quando o escritor morou na Sicília. “Um presente espantoso”, avalia o autor.

É espantoso, mesmo. Um corvo. Só que esse pássaro, descobre o narrador, tem uma personalidade, talvez a personalidade de todos os corvos, esse ícone eternizado – mas também estigmatizado – por Edgar Allan Poe. Mas o fato, bizarro e ao mesmo tempo delicado e bonito, é que o corvo passa a interagir com as pessoas, com suas asas cortadas, como "O Albatroz" de Baudelaire, e o estranho personagem passa realmente a fazer parte do cotidiano das pessoas, como um cachorrinho de estimação desses que existem aos milhões hoje, e que todo mundo acha “tão inteligente que só falta falar”. Mas é um corvo, não um cachorrinho.

É tão absurdo que você se pergunta: mas isso é realidade ou ficção? Diante da beleza da narrativa, a resposta a essa pergunta é irrelevante, embora se saiba que Capote fazia de fato não-ficção.

Truman Capote mostrou que é possível ser jornalista sem ser imbecil.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Santos de Neymar bate Corinthians e é campeão paulista

O Santos levanta seu 19° estadual, bicampeonato (2010-2011) e quarto título paulista nos últimos dez anos (teve o bi de 2006/07) com a vitória de 2 a 1 sobre o Corinthians na Vila Belmiro neste domingo 15 de maio, com um público pífio de cerca de 15 mil pessoas. O triunfo ainda põe fim a um "tabu" sustentado até hoje pelos corintianos, o de que a geração Neymar & Ganso não ganhava do Timão.

Foto: Ricardo Saibun

O magro 1 a 0 ao fim do primeiro tempo – gol inusitado de Arouca, logo aos 16 minutos – foi uma bênção para o time da capital, que podia ter amargado um placar mais elástico terminados os 45 minutos. Alan Patrick e Neymar perderam chances de fazer dois ou três a zero. Foi um baile de bola.

Melhores momentos do jogo (mais abaixo, ouça narração na voz de Oscar Ulisses):



Bola de bilhar

No segundo tempo, o Timão foi pra cima. Podia ter empatado ou tomado o segundo gol. Tomou. Um gol de Neymar pra fechar com chave de ouro a participação espetacular em seu terceiro título alvinegro: dois paulistas (2010 e 2011) e uma Copa do Brasil (2010). Sabe aquela bola no bilhar que você bate e, embora ela resvale em outra, caprichosamente cai na caçapa? Pois assim foi o segundo do Santos, de Neymar. Que, embora tenha tido o toque do craque (ninguém esperava aquela batida seca), foi uma falha (ou frango?) de Júlio César.

Aos 40 do segundo tempo o Corinthians fez o gol de honra. Um gol absurdo, num mal entendido entre o zagueiro Edu Dracena (que tanto critiquei) e o goleiro Rafael. Que têm crédito, pois foram dois gigantes na conquista desse título e na recuperação do time, principalmente na Libertadores, após a chegada de Muricy.

Arouca fez uma partidaça contra o Timão. Marcou o primeiro gol (não lembro de um gol de Arouca antes, com a camisa santista) e mandou uma na trave de sem-pulo. A defesa do time de Muricy Ramalho, bem postada, deu poucas chances ao ineficiente ataque corintiano. O goleiro Rafael fez uma (uma!) defesa em todo o jogo, num chute de Willian já aos 15 minutos do segundo tempo, em que a bola veio serpenteando.

O Corinthians de Tite disputou dois jogos com lealdade, na bola. Perdeu sem dar cotoveladas ou pontapés. Merece aplausos por isso. E digo isso sem ironia.

Como se vê, o Alvinegro Praiano é o time paulista que sobrou no primeiro semestre. Em âmbito continental, é o único brasileiro que sobrou na Libertadores.

E Neymar... só precisa do título da Libertadores pra oficializar o reinado. Ser o herdeiro do trono e – de fato e de direito – o novo Rei.

Clique para ouvir os gols da partida na narração de Oscar Ulisses (Rádio Globo) - atualizado às 13:28

Santos 1 x 0 Corinthians - Arouca

Santos 2 x 0 Corinthians - Neymar

Santos 2 x 1 Corinthians - Morais 

Leia ainda: Santos é tricampeão da Libertadores
(Atualizado às 16h de 23 de junho de 2011)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Pensamento para sexta-feira: 'Mãos Dadas', de Drummond



Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

(Carlos Drummond de Andrade)


Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

(Carlos Drummond de Andrade)

Atualizado às 23:52

Nota ao leitor-internauta sobre problemas técnicos no blogger

Ao pessoal que frequenta o blog, o esclarecimento: problemas do Blogger, o serviço da Google pelo qual este e incontáveis outros blogs estão no ar, passou por problemas que acarretaram desaparecimento de comentários e postagens.

Segundo o próprio Blogger em seu fórum de ajuda, "os posts e comentários de todos os usuários feitos depois das 7h37 da manhã no horário da Califórnia (11h37 de Brasília), em 11 de maio de 2011, foram removidos".

Às 15h49 de hoje, portanto há menos de uma hora, a empresa voltou a postar informando que "O Blogger está de volta".

Mesmo assim, embora os blogs que estão na plataforma da Google já estejam funcionando (caixa de comentários e postagens), os posts e comentários desaparecidos após o 11 de maio, data da origem do problema segundo a empresa, continuam desaparecidos. "Essas são as postagens que estamos no progresso da restauração", diz o Blogger. Esperemos então que sejam restaurados.

Por essas e outras é que concordo com minha amiga Tania Lima, da empresa Wise Consultoria. Segundo ela, tudo o que é importante deve ser impresso em papel.

Quem se interessar em ler o que diz o Blogger diz, está neste link.

PS (às 17:12): o post sobre a vitória do Santos contra o Once Caldas, por 1 a 0, na Colômbia, é o único que está desaparecido, além de um ou outro comentário que não vou ser capaz de enumerar ou citar.

PS 2 (às 18:26): aparentemente, todos os posts reapareceram, exceto alguns comentários, que provavelmente ressurgirão depois. Encerremos então o assunto por aqui. Anyway, thank's, Google.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Santos faz 1 a 0 no Once Caldas e põe a mão na vaga à semifinal

O Santos conseguiu importante vitória de 1 a 0 contra o Once Caldas, da Colômbia, nesta quarta-feira, 11 de maio, em Manizales, pelas quartas-de-final da Libertadores, com belo gol de Alan Patrick aos 43 minutos do primeiro tempo. Patrick, com a missão de substituir Paulo Henrique Ganso, ganhou confiança com o gol e foi um dos melhores jogadores do Peixe, embora PH seja de fato insubstituível nesse time.

O jogo terminou com Neymar tomando um pontapé no tornozelo e saindo carregado de campo. Os deuses do futebol esperam que não tenha sido uma contusão grave. No twitter, por volta da meia-noite, o Santos postou a seguinte informação: “Neymar sofreu pancada forte no tornozelo esquerdo, saiu chorando, mas não houve lesão, para tranquilidade da torcida... O craque já faz tratamento com gelo para estar 100% para a grande decisão do Paulista”.

Os melhores momentos do jogo:



O time de Muricy Ramalho fez um jogo inteligente, embora pudesse ter matado o confronto das quartas-de-final já no jogo de ida. Inteligente porque sofreu poucos riscos diante de uma equipe muito deficiente tecnicamente quando precisa atacar. Muricy fez tudo certo. Poupou os jogadores, cansados com a maratona, fazendo uma partida pragmática, pensando também na final contra o Corinthians. Apesar de Juca Kfouri ter profetizado que, desgastado, o Santos perderá o estadual e a Libertadores, acho que Juca vai errar em tudo.

Vendo Once Caldas 0 x 1 Santos, lembrei do jogo contra o Colo Colo na fase de grupos, quando, em Santiago, o Santos vencia por 1 a 0 no primeiro tempo e tomou uma virada em contra-ataques (!) para 3 a 1, em menos de 20 minutos. Com Muricy, não tem muito espetáculo, mas o time tomou 2 gols em 9 jogos. A diferença é astronômica. E é estranho, porque você vê o jogo sabendo que, após fazer um gol, o time não vai tomar outro em seguida, como era em 2010. O torcedor agradece.

Na vitória em Manizales, me parece que os melhores jogadores do Peixe em campo, fora Neymar (como sempre) e Alan Patrick, foram Danilo e Adriano. Elano fez uma das piores partidas desde que voltou da Europa. Exceto uma bola na trave no segundo tempo, em cobrança de falta, errou passes infantis, pouco apresentou em bola parada, não se apresentou em nenhum momento e, no segundo tempo, mal foi citado pelo narrador. Saiu no fim do jogo, quando deveria ter saído muito antes.

O único brasileiro na Libertadores tem uma mão na vaga à semifinal. Mas Libertadores é traiçoeira. E domingo tem final na Vila Belmiro. Acho que o Santos é favorito contra o Timão. Pressinto que Elano vai se redimir. Ele costuma fazer gols de título.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Robert Fisk: "máfia de SP é um problema muito maior do que a Al Qaeda"

Vários blogs já deram esse curto trecho. Mas vale a pena como registro. Entrevistado pela Globo News, e após dizer que não acredita que haverá “um novo 11 de setembro”, o jornalista britânico Robert Fisk (um dos poucos que entrevistaram Osama bin Laden, e três vezes) afirmou o seguinte: "... acho que a máfia de São Paulo é um problema muito maior do que a Al Qaeda" (foi ao ar dia 9, segunda-feira).

Enigma: a que máfia ele estava se referindo?

terça-feira, 10 de maio de 2011

Al Pacino vai atuar com John Travolta em filme sobre mafioso John Gotti


São sempre bem-vindos filmes com o ator de Um Dia de Cão, Serpico, O Poderoso Chefão e outros


Segundo o site Access Hollywood, Al Pacino vai atuar com John Travolta no filme Gotti: Três Gerações (Gotti: Three Generations), dirigido por Barry Levinson. Travolta fará o papel do gângster John Gotti e Pacino, o de Aniello Dellacroce, subchefe da família Gambino e sócio de Gotti.

O filme deve ser lançado em 2013. “Mais um filme de máfia”, pode objetar alguém. Mas filme com Al Pacino é sempre bem-vindo. Pacino não é apenas um ator, mas um ícone.

Ao falar dele, sempre me vem à memória a sequência do assassinato do mafioso Sollozzo numa cantina, no filme O Poderoso Chefão (The Godfather – 1972), extraordinária e emblemática de uma atuação inesquecível. Na cena, momentos antes de atirar nas vítimas, a tensão e a adrenalina de um homem prestes a debutar no mundo do crime operam uma transformação impressionante em sua face, até chegar aos olhos, que se movem desesperadamente, denunciando o espírito em convulsão.




Claro que, nesse filme e nos outros dois da trilogia, a direção de ator de Francis Ford Coppola é também essencial. A cena acima, aliás, não está neste post por acaso, pois essa obra-prima do cinema reúne não apenas Coppola e Pacino, além de fantástico elenco, como também o maior de todos, nesta humilde opinião: Marlon Brando.

Nascido no Bronx em 1940, Alfredo James Pacino, de ascendência italiana, tem portanto 71 anos hoje, completados em 25 de abril, o que é chocante, porque sempre temos ilusão de que os mitos não envelhecem.


Como o policial Serpico/ Foto: Divulgação

Entre seus cerca de 50 filmes, Um Dia de Cão (1975) e Serpico (1973) tornaram-se cults não apenas por terem Pacino como protagonista, mas também pela direção de Sidney Lumet, que traduziu nessas obras inquietações dos anos 70 sem nunca resvalar em chatices panfletárias, daí serem filmes que sobrevivem ao tempo (vale a pena assistir a ambos). Lumet que, diga-se, morreu no último dia 9 de abril.

Perfume de Mulher

Ainda sobre cenas, uma das mais marcantes das que me lembro desse ator genial é a de Perfume de Mulher (1992 - dir. Martin Brest). Com um roteiro simples e bem hollywoodiano, o filme conta a história de um militar cego (Pacino) que quer realizar um sonho (passar um fim de semana em Nova York antes de morrer) e para isso contrata um jovem como acompanhante, interpretado por Chris O'Donnell, muito bem no papel de Charles Simms. Esse filme mostra perfeitamente como um ator do tamanho de Al Pacino consegue fazer de um roteiro banal algo inesquecível (“tamanho” figurativamente, claro, pois o ator tem apenas 1,70m de altura).

Óbvio que sozinho ninguém faz milagres. Em Advogado do Diabo (1997), por exemplo, apesar de sua atuação ser sempre para mim o ponto alto dos filmes, o personagem, ninguém menos do que o próprio Diabo, me parece muito parecido com o Frank Slade de Perfume de Mulher em certas entonações, tiques e até o timbre de voz.

No ótimo O Informante (1999, dir. de Michael Mann), um dos filmes de que mais gosto entre os protagonizados pelo ator, Pacino faz um jornalista famoso e contracena com o impecável Russell Crowe. A sequência inicial é impressionante (só ela já vale a pena). Já li críticas sobre a duração desse filme, que seria exagerada (160 minutos). Eu, pelo menos, fiquei hipnotizado e não me entediou.

O filme mais recente dele de que tenho notícia, As Duas Faces da Lei (2008), do meio obscuro Jon Avnet, e com Robert De Niro, eu não vi.

Veja abaixo a filmografia de Al Pacino.

2008 - As Duas Faces da Lei
2007 - Treze homens e um novo segred
2007 - 88 minutos
2005 - Tudo por dinheiro
2004 - O mercador de Veneza
2004 - Void moon
2003 - Contato de risco
2003 - O novato
2002 - Insônia
2002 - O articulador
2002 - Simone
2001 - Chinese coffee
1999 - Um domingo qualquer (Any given sunday)
1997 - Advogado do diabo
1997 - Donnie Brasco
1996 - Ricardo III - Um ensaio

1996 - City Hall - Conspiração no Alto Escalão
1995 - Fogo contra fogo (Heat)
1995 - Um dia para relembrar (Two bits)
1993 - Pagamento final (Carlito's Way)
1992 - O sucesso a qualquer preço (Glengarry Glen Ross)
1992 - Perfume de mulher (Scent of a woman)
1991 - Frankie e Johnny
1991 - Na cama com Madonna
1990 - O poderoso chefão 3 (The Godfather - Part III)
1990 - Dick Tracy
1989 - The Local stigmatic
1989 - Vítimas de uma paixão (Sea of love)
1985 - Revolução
1983 - Scarface
1982 - Autor em família
1980 - Parceiros da noite (Cruising)
1979 - Justiça para todos

1977 - Um momento, uma vida
1975 - Um dia de cão
1974 - O poderoso chefão 2 (The Godfather - Part II)
1973 - Espantalho (Scarecrow)
1973 - Serpico
1972 - O poderoso chefão (The Godfather)
1971 - Os viciados
1969 - Uma garota avançada
.

Para onde vai o Palmeiras?


As obras da Arena Palestra estão num impasse. Walter Torre, presidente da construtora que toca, ou tenta tocar, as obras, não se entende com o mandatário palmeirense, Arnaldo Tirone. O prazo para o clube entregar a escritura assinada termina hoje, 10 de maio, mas a reunião de ontem à noite do Conselho de Orientação e Fiscalização (COF) do clube terminou em impasse, de novo.

Parece que o presidente do Palmeiras iria pedir novo prazo à WTorre. O problema maior é o valor do seguro. O Palmeiras quer que seja de R$ 200 milhões, a construtora oferece R$ 32 milhões, diz a Folha de S. Paulo. Na semana passada, alguns especialistas disseram que a porcentagem exigida pelo Palmeiras (de 100% ou perto disso) não existe no mercado, em nenhum lugar do mundo. Por trás de tudo, o ex-presidente Mustafá Contursi, que é contra o contrato e, segundo muitos palmeirenses, contra o clube. Tirone não sabe se agrada a oposição ou a situação.

Enquanto isso, o time vive grande crise. Eliminado do Paulistão pelo rival Corinthians e virtualmente fora da Copa do Brasil após a incrível derrota de 6 a 0 que levou do Coritiba, não passa um dia sem polêmica. Sinceridade de Marcos, protestos da torcida, brigas internas no elenco e entre conselheiros, questionamentos ao antes unânime Luiz Felipe Scolari... Para onde vai o Palmeiras?

Como a resposta é muito difícil, vou revisar um texto que escrevi ontem à noite sobre Al Pacino, um dos melhores atores do mundo, para postar logo mais.

domingo, 8 de maio de 2011

Santos consegue o empate que queria no Pacaembu

Corinthians 0 x 0 Santos, no Pacaembu, no jogo de ida pela final do Paulistão de 2011. Empate justo, embora fosse mais justo com as torcidas se acabasse 1 x 1 ou 2 x 2. Justo o empate, injusto o placar. E, para rimar, Neymar foi o nome do jogo. O sortilégio não permitiu que tivesse decidido a final já no Pacaembu. Na decisão na Vila o Santos é favorito, apesar do desfalque certo de Danilo (tomou o terceiro cartão injustamente) e talvez de Ganso. Com essa partida, o time de Muricy chega a nove jogos e dois gols sofridos. Impressionante. E pensar que duarante a semana, o meia Jorge Henrique disse que seu time precisava ganhar por "pelo menos" dois gols de diferença.

Com cerca de 32 mil corintianos e 2 mil santistas no estádio, o alvinegro da Vila jogou uma partida pragmática. O Corinthians tentou pressionar no primeiro tempo, mas com cuidados redobrados, pois dar espaço ao Santos hoje é derrota na certa. O Timão foi melhor no primeiro tempo, o Peixe no segundo.

Apesar do pragmatismo tático, os espaços foram encontrados, e depois dos 23 minutos do primeiro tempo houve chances de gol de ambas as partes. Com Neymar, que entrou driblando pela esquerda e quase sem ângulo chutou na trave de Júlio César, que deu sorte. O Corinthians respondeu em seguida, e Bruno César perdeu um gol ao chutar por cima. Elano ainda bateu uma falta que triscou o poste esquerdo do goleiro corintiano.

Melhores momentos:



Jogo leal

E assim foi. Na partida toda, duas bolas na trave mandadas por Neymar, uma por Liedson e um gol perdido por Bruno César, além da falta que Elano não fez por azar. Um jogo bonito taticamente, leal e com alternativas, apesar do 0 a 0. Devo destacar o que disse quando o Corinthians eliminou o Palmeiras: eu disse que preferia o alvinegro ao alviverde porque o time de Felipão é muito violento. A lealdade do time do Corinthians em campo hoje provou que eu tinha razão. Foi um jogo de fato limpo.

Achei que Tite errou ao tirar Bruno César para colocar Morais. Bruno era um meia que, mal ou bem, foi o mais perigoso jogador do Corinthians junto com Liedson no primeiro tempo.

Na quarta-feira, 11, o Santos faz o jogo de ida contra o Once Caldas em Manizales, pela Libertadores*. O Corinthians descansa e treina.

Velo Clube e XV de Piracicaba sobem

Na manhã deste domingo (que hora pra se jogar futebol!), o Velo Clube, de Rio Claro, região de Campinas, perto de Piracicaba, venceu em casa o Taubaté por 4 a 1, no Estádio Benito Agnello Castelano (Benitão), e subiu à Série A2 do Campeonato Paulista. O jogo foi válido pela penúltima rodada do Grupo 3 da A3. Penapolense, Santacruzense e São Carlos também subiram para a segunda divisão.

E o XV, o velho Nhô Quim, ascendeu à Série A1, a primeira divisão.

Parabéns em particular ao Velo Clube de Rio Claro (agora na A2) e ao XV de Piracicaba, que subiu à divisão principal do futebol paulista junto com Guarani, Comercial e Grêmio Catanduvense.

*Atualizado às 21:03

sábado, 7 de maio de 2011

União homoafetiva: Marta Suplicy fala
a rádio sobre julgamento do STF

A senadora Marta Suplicy falou à rádio CBN agora há pouco sobre o reconhecimento, por 10 votos a zero, pelo Supremo Tribunal Federal, da união homoafetiva. Pela decisão, os casais homossexuais têm agora os mesmos direitos e deveres legais que os casais heterossexuais. Marta é talvez a liderança que mais lutou por esses direitos e outros correlatos.

Foto: Waldemir Barreto
Na entrevista, a senadora destacou dois pontos do julgamento. O primeiro, que a decisão foi histórica não só pela unanimidade da decisão como pelo teor dos votos dos ministros, que segundo ela foram densos e humanistas. O segundo ponto foi o fato de o STF ter corrigido a falta de Legislação, que não existe por omissão do Congresso Nacional.

Marta Suplicy é autora de um projeto sobre o tema que está parado no Congresso há dez anos. Segundo ela, o projeto já está obsoleto.

No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) 4277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, o ministro Luiz Fux destacou: “O homossexual, em regra, não pode constituir família por força de duas questões que são abominadas por nossa Constituição: a intolerância e o preconceito”.

Já a ministra Ellen Gracie disse em seu voto: “O reconhecimento, portanto, pelo tribunal, hoje, desses direitos, responde a um grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida”.

O Estado laico
A Igreja Católica, obviamente, protestou. Vejam o que disse d. Orani João Tempesta, arcebispo do Rio: "A definição do que é uma família não nasce do voto ou da opinião de um grupo majoritário. É algo de direito natural, está inscrito na própria condição humana". Pitoresco, isso, “direito natural”.

O Judiciário brasileiro, enfim, tem se manifestado a favor do Estado laico, como manda nossa Constituição, contra essas filosofias obscurantistas que perduram através dos séculos. Assim foi também na histórica decisão de maio de 2008, quando a Suprema Corte aprovou as pesquisas com células-tronco embrionárias no país.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Uma semana impressionante (ou expressionante?) para o futebol brasileiro

Não me manifestei antes sobre a “trágica” quarta-feira, 4 de maio, para os times brasileiros na Libertadores porque às quintas estou muito ocupado.
Fred: retrato da eliminação
Foto: Rafael Moraes/Photocamera

Não sou do tipo de brasileiro que segue Galvão Bueno, que diria ontem: “O Fluminense (Cruzeiro, Inter ou Grêmio) é o Brasil na Libertadores!”. Esse ufanismo barato – que está em vias de extinção – não convence nem o brilhante Tiago Leifert, da Globo do Galvão.

Por outro lado, penso que para o Santos era melhor pegar o Cruzeiro do que o Once Caldas. Uma viagem a Belo Horizonte de avião é mais rápida do que ir da zona oeste à zona leste de São Paulo. Já Manizales, onde o Peixe pega o time colombiano na próxima quarta-feira, é um pouco mais longe e a cidade está a 2.200 metros acima do nível do mar. No meio disso, a final com o Corinthians pelo Paulistão.

A queda do Cruzeiro foi inesperada e espetacular. Zebra histórica. Ficou provado que o campeonato mineiro e nada é a mesma coisa. Vi nos últimos tempos alguns comentaristas de TV a cabo dizerem, com pose de autoridade, que o Cruzeiro “é o melhor time do Brasil atualmente”. A Raposa, melhor equipe da fase de grupos da Libertadores, não passou das oitavas. Como o Corinthians em 2010, eliminado na mesma fase pelo Flamengo.

Nunca acreditei que o Cruzeiro fosse tudo isso, mas até achei que Santos x Cruzeiro seria um grande jogo, o jogo que não será, porque o time de Cuca, o homem do cotovelo, apanhou em MG do Once Caldas por 2 a 0. Once Caldas que, em 2004, ganhou a Libertadores batendo Santos, São Paulo e Boca Juniors na sequência.

Se passar pelo tal Once Caldas, o Santos fará uma semifinal contra o vencedor de Jaguares e Cerro Porteño. A final seria com o vencedor da chave 2 (abaixo).

Inusitado Futebol Clube

Só pra não passar batido, nesta quinta-feira de uma semana impressionante, o Inusitado Futebol Clube continuou fazendo vítimas. Depois de o Inter ser eliminado pelo Peñarol, o Fluminense pelo Libertad, o Cruzeiro pelo Once Caldas e o Grêmio pelo Universidad Católica, o Palmeiras está virtualmente fora da Copa do Brasil ao apanhar de 6 a 0 (no tênis, seria um “pneu”) do Coritiba. E o Flamengo perdeu de 2 a 1 do bravo Ceará no Engenhão e precisará jogar com gana para reverter o placar muito desfavorável, em Fortaleza.

Abaixo, as chaves da Libertadores e os gols de Coritiba 6 x 0 Palmeiras*. Da chave 1 sai um finalista; da chave 2, o outro.

Quartas-de-final

Chave 1
Once Caldas x Santos
Jaguares x Cerro Porteño

Chave 2
Libertad x Vélez Sarsfield
Peñarol x Universidad Católica

Veja os gols de Coritiba 6 x 0 Palmeiras (*atualizado às 13:48)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Blogs, parlamentares no Congresso, ex-aliados e artistas contam com queda de Ana de Hollanda

A ministra da Cultra, Ana de Hollanda, cuja nomeação foi recebida até como algo glamouroso, é hoje uma personagem indesejada e mal vista até mesmo por quem a apoiava. Se a razão prevalecer e ela for devidamente defenestrada do MinC, será um fim melancólico para quem tomou posse dançando, executando passos de samba de roda e coco, e ficará registrada na história como “a ministra do Ecad”, o sinistro Ecad.

Como constata matéria de hoje do jornalista Anselmo Massad na Rede Brasil Atual, o ator José de Abreu já defende a troca da ministra. "A política do ministério foi aprovada pelo voto; o eleitor aprovou o governo Lula e o Ministério da Cultura, que precisaria ser continuado", afirma Abreu, que até março, ao mesmo veículo, dizia ser preciso dar mais tempo à ministra. "Defendo que se busque um nome que não leve a mais atritos ao ministério", disse.

Nas duas casas do Congresso Nacional o descontentamento é mais do que público. "Uma pessoa não pode continuar no Ministério da Cultura para barrar uma política que já foi aprovada nas urnas”, disse o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) ao jornal O Estado de S. Paulo ontem.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) defende que já há elementos para se criar uma CPI "sobre as relações do Ministério da Cultura com o Ecad", referindo-se a e-mails trocados entre dirigentes do Ecad, cujo conteúdo foi publicado no Globo.

Na segunda-feira, em seu blog, o jornalista Renato Rovai postou que “Petistas articulam Marta Porto como opção a Ana de Holanda”. Rovai defende a substituição da ministra, por ter lançado uma "ofensiva contra a liberdade do conhecimento".

Outro nome comentado é o de Sérgio Mamberti, já cogitado para comandar o Minc desde o primeiro mandato de Lula, que acabou optando então por Gilberto Gil.

Leia também:

Entrevista com Sérgio Amadeu a este blog, quando Ana de Hollanda tirou o selo Creative Commons do Ministério da Cultura

Dilma tem que pôr fim à arrogância de Ana de Hollanda

A questão sobre o blog da Maria Bethânia não é a Maria Bethânia

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Jornalista sequestrada pela polícia síria continua desaparecida

A jornalista Dorothy Parvaz, da rede Al Jazeera, desapareceu depois de desembarcar em Damasco na última sexta-feira. Ela havia viajado de Doha, capital do Catar, para cobrir os conflitos na Síria.

A Al Jazeera (English) pediu a imediata liberação da jornalista depois que oficiais sírios confirmaram sua detenção, seis dias depois de seu desaparecimento. Anteontem, o ministro do Exterior iraniano, Ali Akbar Salehi, pediu às autoridades de Damasco, em uma coletiva em Doha, que dessem atenção ao caso.

Imagem no site da Al Jazeera

Antes da certeza de que Dorothy, cidadã americana, canadense e iraniana, estava com autoridades sírias, Mohamed Abdel Dayem, Coordenador do Programa no Comitê para a Proteção dos Jornalistas no Oriente Médio e Norte da África (CPJ), afirmou que havia "fortes indícios" de ela tinha sido presa no aeroporto de Damasco ao desembarcar. "A provável prisão de Dorothy é apenas o último episódio de um esforço do governo sírio para instituir um 'apagão' na mídia", disse.

"Sem precedentes"

Há duas semanas, Dayem informou que o número de ataques contra profissionais de imprensa no Oriente Médio e norte da África desde o início deste ano é "sem precedentes".

Segundo ele, 14 jornalistas foram mortos em todo o mundo este ano. Dez deles no Oriente Médio e norte da África. Detenções, destruições de equipamentos e ameaças de morte são usadas para intimidar os profissionais.

Santos de Rafael segura 0 a 0 com América no México e vai às quartas da Libertadores


Rafael - Foto: Divulgação/Santos FC

E o que o torcedor do Santos prefere? O time que por exemplo perdia de 3 a 2 e ganhava de 3 a 1 (do Grêmio, na semifinal da Copa do Brasil em 2010) ou o que fez 1 a 0 na Vila e segurou um heróico 0 a 0 com o América do México, hoje, fora de casa, e vai às quartas-de-final da Libertadores? Técnico por técnico, claro que sou mais Muricy do que Dorival Júnior, não só pelo comando dentro de campo, mas também, e principalmente, fora dele.

Mas o fato é que, sendo 3 x 2 e 3 x 1... 1 x 0 e 0 x 0, o sofrimento é o mesmo.

Rafael e Léo, parece que unanimemente, saíram como os melhores jogadores no 0 a 0 com o América em Querétaro. O lateral, para fazer um trocadilho infame, foi um leão em campo. E o arqueiro, decisivo, com várias defesas dignas de um goleiro do Santos numa situação como essa.

Elano fez muita falta. A bola passou muito por Arouca no primeiro tempo, um ótimo marcador, mas muito ruim no passe e zero em criatividade. O volante saiu com lesão muscular, mais uma.

O lateral Jonathan não me convence (ainda prefiro o aguerrido Pará). Adriano fez uma bela partida. Tirando um escorregão no primeiro tempo, marcou e cobriu bem e até deu bons passes na primeira etapa. E a defesa, mais protegida, não comprometeu. O time de Muricy tomou dois gols em oito jogos. Marca impressionante de um gol sofrido a cada quatro partidas, em média.

Após o magro 1 a 0 na Vila, semana passada, no 0 a 0 em Querétaro Ganso esteve apagado e Neymar pouco pôde fazer, já que a bola não chegou e ele jogou muito isolado na frente. Ganso esteve adiantado demais e o meio de campo ficou pouco criativo. Não entendo o que Zé Eduardo está fazendo nesse time. Fica o tempo todo correndo e não produz nada. Keirrison pelo menos é um 9.

Na entrevista coletiva, Muricy, como sempre sem papas na língua, reclamou do calendário: “futebol hoje é um grande negócio e a gente tem que se virar”. Domingo o time tem o jogo de ida pela final do Paulistão, contra o Corinthians. Parece que só embarca para o Brasil na quinta. Deve ter alguns desfalques.

O time da Vila Belmiro provavelmente pega o Cruzeiro de Cuca nas quartas-de-final da Libertadores, que nesta quarta-feira deve despachar o Once Caldas em Minas. Vai ser um grande duelo, para quem gosta de ver futebol.

Atualizado às 12:07

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O que importa não é a morte de Bin Laden, mas a "primavera árabe", diz Robert Fisk



Indagações simples sobre a anunciada morte de Osama Bin Laden levam a conclusões nada tranquilizadoras, muito menos para o povo norte-americano, sedento por vingança, ávido por espetáculos e demonstrações convincentes do poder inesgotável de seu império. Pois, com a morte do impiedoso líder da Al Qaeda, o círculo vicioso da violência sendo alimentada, da qual ele próprio é um produto, e ressurgindo em nuvens de fogo apocalípticas trará mais bombas, mais mortes, mais sofrimento de inocentes, estadunidenses ou não.

Nenhum cidadão que tenha o humanismo em seu horizonte pode concordar com o genocídio perpetrado por Bin Laden no atentado que parou o mundo em 11 de setembro de 2001. Mas, às indagações:

Considerando que ele esteja mesmo morto, morreu de fato na operação anunciada nesta madrugada? Por que exatamente neste momento, em que Barack Obama tanto precisava reconquistar a popularidade perdida e quando acaba de começar sua campanha de arrecadação para as eleições de 2012? Onde está o corpo do terrorista? (Uma foto que circulou com sua face dilacerada era apenas uma montagem e foi tirada do ar pelos sites mais sérios.) Desapareceu no mar? Como assim?

(Segundo a AFP, o presidente do Comitê de Segurança Interna do Senado americano, Joseph Lieberman, disse que "pode ser necessário liberar as fotos [do corpo] – por mais desagradáveis que sejam, e sem dúvida o são, já que ele foi baleado na cabeça – para pôr fim aos questionamentos de que isso seria apenas uma estratégia do governo americano".)

Ataque às torres gêmeas
 Agora, o 11 de setembro de 2001 está vingado na mente estadunidense, no inconsciente coletivo dessa Roma cibernética? Até quando teremos que aplaudir as ações militares dos cowboys da Terra, que invadem países, matam quem, quando e como querem, do terrorista mais procurado até uma criança inocente atingida por uma bomba “inteligente”, sem que nenhum líder mundial esteja pronto para destoar do coro dos contentes? Quantos Bin Ladens ainda serão gerados por esse espírito do fogo e da destruição?

Tantos otimistas que, como eu, saudaram a eleição de Obama em 2008 como tão simbolicamente importante, o primeiro homem negro a presidir os Estados Unidos etc, vimos paulatinamente apenas se confirmarem as vozes mais realistas: a voraz máquina de guerra americana é a mesma da era Bush (pai e filho), da era Clinton, da era Reagan. “Obama não pôde cumprir as promessas de reformas sociais, ambientais e econômicas pelas quais foi eleito, nem sequer fechar a prisão de Guantánamo, mas ao menos cumpriu uma promessa do governo anterior”, como escreveu Antonio Luiz M. C. Costa em Carta Capital sobre a morte do terrorista saudita, que, de aliado dos EUA no Afeganistão, tornou-se o maior inimigo do Império.

O mais sensato de vários depoimentos que li hoje sobre o episódio, do jornalista Robert Fisk, que entrevistou Osama Bin Laden três vezes, foi publicado na Revista Fórum online. “Acho que Osama Bin Laden perdeu a relevância há muito tempo, na verdade. Se eles tivessem matado Bin Laden um ou dois anos depois do 11 de setembro, uma parte dessa bateção no peito poderia ter tido alguma relevância. Esses punhos no ar nos Estados Unidos, celebrando vitória, são boas imagens, mas acredito que elas não significam nada”, disse Fisk.

O mais importante, afirmou, “o fato real que temos no mundo hoje, o que é importante, é um levante de massas e um despertar de milhões de árabes muçulmanos para derrubar ditadores”. Esses levantes são “muito, muito mais importantes que um homem de meia-idade sendo morto no Paquistão”.