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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Má-fé da "Folha de S. Paulo'" não tem limites, mas Polícia Federal reage

Na tarde desta quarta-feira, 20, a Polícia Federal divulgou nota oficial para, entre outras coisas, refutar “qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação”.

Como se sabe, a Folha de S. Paulo desencadeia uma nova série de tentativas, com suas manchetes golpistas, para continuar tentando ganhar a eleição para seu candidato José Serra [trazendo à tona de novo o caso da quebra de sigilos fiscais]*. No mesmo dia, quarta, o jornal dos Frias havia dado a manchete: “PF liga quebra de sigilo à pré-campanha de Dilma”.

O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, declarou à imprensa que a instituição “faz um trabalho investigando fatos”, ressaltando: “o que tem em torno desse fato de conotação política não pauta a investigação da PF”.

Disse mais: “A PF se pauta pelo devido processo legal. O que nos leva a antecipar em alguns dias [a divulgação de informações] é que não queremos também ver atribuídas à instituição coisas que ela não tornou públicas”. De acordo com Corrêa, “não queremos que a instituição seja usada indevidamente no processo eleitoral”.

A PF esclareceu que os dados que a Folha de S. Paulo diz terem sido usados na campanha de Dilma foram coletados pelo jornalista Amaury Ribeiro Júnior, quando era empregado do jornal O Estado de Minas. O leitor que tire suas conclusões. Mas o fato é: tudo indica que esse caso diz repeito a uma disputa de poder dentro do PSDB de Serra e Aécio Neves. A má-fé da Folha de S. Paulo não tem limites.

Leia abaixo, na íntegra, a nota oficial divulgada pela PF.

Ouça clicando aqui a fala do diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa

Ouça aqui a fala do delegado Alessandro Moretti

Íntegra:

NOTA À IMPRENSA

Brasília/DF - Sobre as investigações para apurar suposta quebra de sigilo de dados da Receita Federal, a Polícia Federal esclarece que:

1 - O fato motivador da instauração de inquérito nesta instituição, quebra de sigilo fiscal, já está esclarecido e os responsáveis identificados. O inquérito policial encontra-se em sua fase final e, depois de concluídas as diligências, será encaminhado à 12ª Vara Federal do Distrito Federal;

2- Em 120 dias de investigação, foram realizadas diversas diligências e ouvidas 37 pessoas em mais de 50 depoimentos, que resultaram, até o momento, em 7 indiciamentos;

3 - A investigação identificou que a quebra de sigilo ocorreu entre setembro e outubro de 2009 e envolveu servidores da Receita Federal, despachantes e clientes que encomendavam os dados, entre eles um jornalista;

4 - As provas colhidas apontam que o jornalista utilizou os serviços de levantamento de informações de empresas e pessoas físicas desde o final de 2008 no interesse de investigações próprias;

5 - Os dados violados foram utilizados para a confecção de relatórios, mas não foi comprovada sua utilização em campanha política;

6- A Polícia Federal refuta qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação.

*Atualizado às 19h47

quinta-feira, 4 de março de 2010

"Mineiros repelem a arrogância" de José Serra

Como contraponto às notícias oriundas da grande imprensa paulista ("Serra avisa ao PSDB que é candidato" – Folha de S. Paulo de hoje), o jornal O Estado de Minas manifesta em editorial o "sentimento" de "indignação" com que "os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves".

O editorial, intitulado “Minas a reboque, não!”, ataca a insistência do tucanato do grupo de José Serra em impor a Aécio a "obrigação" de aceitar o "sacrifício" político de ser vice na chapa à presidência da República.

O jornal mineiro diz também que as lideranças tucanas estão "atarantadas com o crescimento da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff", e critica a "postura vacilante do próprio candidato [Serra]", considerando inadmissível que Aécio Neves pague a conta dos vacilos subordinando-se a ser vice do governador paulista.

Leia a íntegra do editorial de O Estado de Minas abaixo:

Indignação. É com esse sentimento que os mineiros repelem a arrogância de lideranças políticas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador Aécio Neves. Pior. Fazem parecer obrigação do líder mineiro, a quem há pouco negaram espaço e voz, cumprir papel secundário, apenas para injetar ânimo e simpatia à chapa que insistem ser liderada pelo governador de São Paulo, José Serra, competente e líder das pesquisas de intenção de votos até então.

Atarantados com o crescimento da candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, percebem agora os comandantes do PSDB, maior partido de oposição, pelo menos dois erros que a experiência dos mineiros pretendeu evitar. Deveriam ter mantido acesa, embora educada e democrática, a disputa interna, como proposto por Aécio. Já que essa estratégia foi rejeitada, que pelo menos colocassem na rua a candidatura de Serra e dessem a ela capacidade de aglutinar outras forças políticas, como fez o Palácio do Planalto com a sua escolhida, muito antes de o PT confirmar a opção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na política, a hesitação cobra caro, mais ainda numa disputa que promete ser das mais difíceis. Não há como negar que a postura vacilante do próprio candidato, até hoje não lançado, de atrair aliados tem adubado a ascensão da pouco conhecida candidata oficial. O que é inaceitável é que o comando tucano e outras lideranças da oposição queiram pagar esse preço com o sacrifício da trajetória de Aécio Neves. Assim como não será justo tributar-lhe culpa em caso de derrota de uma chapa em que terá sido apenas vice, também incomoda os mineiros uma pergunta à arrogância: se o mais bem avaliado entre os governadores da última safra de gestores públicos é capaz de vitaminar uma chapa insossa e em queda livre, por que Aécio não é o candidato a presidente?

Perplexos ante mais essa demonstração de arrogância, que esconde amadorismo e inabilidade, os mineiros estão, porém, seguros de que o governador “político de alta linhagem de Minas” vai rejeitar papel subalterno que lhe oferecem. Ele sabe que, a reboque das composições que a mantiveram fora do poder central nos últimos 16 anos, Minas desta vez precisa dizer não.