O texto abaixo foi postado pelo capitão do Santos, Edu Dracena, no Facebook, nesta terça-feira, 19, véspera do jogo de volta com o Corinthians pela semifinal da Libertadores, quando o Peixe precisa vencer por 1 a 0 (para ir aos pênaltis) ou por qualquer outro placar para eliminar o rival:
“Queria agradecer a torcida santista pelas mensagens recebidas e dizer uma coisa: este grupo do Santos acostumou-se a grandes decisões.
Nos últimos 3 anos, passamos por momentos de muita pressão. O 2° tempo contra o Santo André, em 2010, com 8 jogadores em campo; as viradas sobre Atlético-MG e Grêmio, na Copa do Brasil; semifinais fora de casa contra o São Paulo, no Morumbi, em 2011 e 2012; a Libertadores inteira, especialmente aquele jogo contra o Cerro, na primeira fase. Sem 3 titulares, tendo que ganhar e no aniversário do Clube.
Tem grupo que encara situações como essa com preocupação. O nosso encara com mais vontade ainda de fazer história.
É esse o nosso sentimento. Na quarta-feira que vem, podem escrever: vamos jogar o nosso verdadeiro futebol. Nossa alma vai estar em campo. Pelo Santos, por nós e por vocês.”
Segundo foi divulgado hoje [post publicado originalmente à 01:45 de 31/12/10], o zagueiro do Santos Edu Dracena teria recebido uma proposta do Corinthians e estaria disposto a mudar de alvinegro. A multa rescisória, de acordo com o Blog do Quesada, seria “inferior” a 2 milhões de euros. O jornalista diz que Dracena "topa" a transferência. No futebol, meio em que cada vez mais muitos interesses financeiros estão em jogo, nunca se sabe se a notícia é um furo ou uma “barriga”. Aguardemos.
O Corinthians precisa de um substituto para William, beque bastante superior a Dracena, que é mais lento, e se vê em grandes apuros quando tem um atacante rápido pela frente. Se Dracena for pro Timão, Neymar vai fazer a festa em cima dele. A derrota do Santos para o São Paulo por 4 a 3 no segundo turno do Brasileirão (jogo fatal para as pretensões do Peixe ao título) foi emblemática do que quero dizer, e também sob outro aspecto: o Santos tomou três gols de cabeça do Tricolor, sendo dois do anão Dagoberto.
Assim como o meia Marquinhos, que se transferiu (voltou) para seu time do coração, o Avaí, parece que Dracena ficou meio agastado com o episódio Dorival Jr. x Neymar, e com algumas molecagens do elenco santista. Pelos bastidores da Vila Belmiro, soube-se que Marquinhos pelo menos tendeu a apoiar o tio Dorival contra o menino Neymar.
De qualquer maneira, com molecagens e tudo, o Santos foi campeão paulista e da Copa do Brasil em 2010, o único clube paulista e levantar troféu este ano. O que acho como torcedor do Santos é que, suponhamos, 1,5 milhão de euros pelo Dracena, está de bom tamanho. O zagueiro já “cumpriu sua missão no Santos”.
Depois da contratação do ídolo Elano (veja aqui), ótima notícia aos santistas, a do lateral-direito Jonathan (por cerca de 2 milhões de euros) junto ao Cruzeiro é boa, porque o Santos carece de laterais em seu elenco. A de Charles (por empréstimo do Lokomotiv de Moscou) não se sabe, pois o volante está baleado. Tanto o lateral como o volante são indicações do treinador Adilson Batista. É preciso também reforçar a zaga, e muito, com ou sem Edu Dracena. A vinda do goleiro Aranha me pareceu equivocada, mas no futebol tudo é possível.
PS (às 18:05 de 04/01): O zagueiro santista teria uma reunião nesta segunda com o presidente do Santos, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro. Segundo as informações mais recentes, a multa rescisória de 2 milhões de euros prevista no contrato do atleta seria válida apenas para negociação com clubes do exterior. Já o time brasileiro que quiser Dracena terá de pagar R$ 70 milhões para tirá-lo do Santos. O jogador tem contrato até o fim de 2012.
A frase do título, do zagueiro Edu Dracena, sobre a lamentável condução do time pelo técnico Dorival Junior na derrota do Santos por 4 a 2 para o Corinthians, pela 5ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2010, na tarde deste domingo, no Pacaembu, é reveladora. A condução equivocada do treinador, aliás, não é só a deste jogo, e nem diz respeito apenas ao time dentro de campo.
Muita gente é contra demitir técnico. Tem aquele discurso politicamente correto de hoje em dia segundo o qual é uma atitude “não-profissional”. Mas a ladainha não é que o clube tem que ser conduzido profissionalmente, como empresa? Ora, nenhuma empresa que queira lucrar pode ser comandada por um fraco. Concordo com o comentário de Felipe num post anterior: “De fato, esse time do Santos é muita areia para o caminhão do Dorival...”
E o zagueiro Edu Dracena, que não é nenhum bobo, dispara: “Tem que perguntar pra ele o que ele quer fazer”. Dorival perdeu a mão e o comando e não entende o que é dirigir um grande time. É ressentido, autoritário e moralista, além de não ter punch para encarar técnicos do porte de Mano Menezes. Hoje, fez uma lambança poucas vezes vista por este escriba que vos fala. Quando perdia por 2 a 1, tirou Neymar e pôs Madson (estranha substituição, que taticamente nada agregou ao time). Tirou o lateral Pará para colocar o atacante Marcel e o zagueiro Edu Dracena para entrar Zezinho. Que confusão. Poderia ter tomado uma goleada histórica, se o Corinthians tivesse mais vontade no fim.
Com um time considerado quase unanimemente o melhor do Brasil no primeiro semestre, Dorival Junior quase entregou o campeonato paulista (quando resolveu recuar o time contra o Santo André), quase perdeu a classificação na Copa do Brasil (a mesma coisa, quando, com 2 a 0 a favor, se acovardou e colocou Rodrigo Mancha, tomando quatro gols do Grêmio em 20 minutos em Porto Alegre) e, nessa sequência, chegou à lambança de hoje.
Desde que engoliu aquele rotundo “não” de Paulo Henrique Ganso, que se recusou a ser substituído na final contra o Santo André, Dorival parece estar acabrunhado e com o ego ferido. Mas deveria ser humilde, porque quem ganhou o título paulista foi Ganso, não ele. Algumas de suas intervenções soam como: “aqui quem manda sou eu”. É um homem do século passado, do tempo de Oswaldo Brandão. A diretoria do Santos, que assumiu prometendo o paraíso da modernidade, precisa entender que Dorival Junior não segura um clube grande e o Santos não tem futuro com ele. Pelo menos não com o elenco atual, porque o comando ele perdeu.
Após tirar Neymar, tomou o terceiro gol do Corinthians em seguida, como um castigo merecido. Na adrenalina da derrota, Edu Dracena, que pode estar de saída para a Europa, fez o desabafo já citado. Quando um jogador tarimbado como Dracena chega a esse ponto, vocês hão de reconhecer que algo está errado.
Apito amigo O meia Marquinhos não esqueceu que o Corinthians, em seu terceiro jogo pelo Brasileiro no Pacaembu, ganhou a terceira partida seguida com a ajuda da arbitragem: contra o Atlético-PR e, sobretudo, ante o Fluminense. Diante do Santos, o árbitro anulou um gol legítimo do Peixe no fim do primeiro tempo que teria mudado o jogo, dando impedimento inexistente de Marquinhos. Façam as contas: num campeonato de pontos corridos, só aí são de quatro a seis pontos em três partidas.
PS (03h05): O Marquinhos estava impedido mesmo no gol anulado pelo árbitro Sálvio Spinola. Isso é fato e reconheço (vi melhor no tape do que quando vi primeiro). Por outro lado, no segundo gol do Corinthians, Edu Dracena foi visivelmente empurrado, e por isso a bola sobrou para Bruno César.
Essas ressalvas não tiram os méritos da vitória corintiana, que foi incontestável (a questão arbitragem é, aliás, secundária como tema do post). São apenas constatações. Como o é o fato de que, como dito acima, as arbitragens erraram três vezes a favor do Timão no Pacaembu, neste brasileiro.