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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Marta no Minc e a engenharia política

Não vejo nada de errado com “engenharia política”, desde que não ultrapasse os princípios éticos.

A queda da ministra Ana de Hollanda do Ministério da Cultura era aguardada ansiosamente pela comunidade cultural. Os motivos estão bastante claros. Não vou repeti-los e eles estão aqui neste post, de março do ano passado: Dilma tem que pôr fim à arrogância de Ana de Hollanda.

Marta Suplicy é um nome interessante. No mínimo, ela vai retomar o caminho da democratização da cultura, estancado com a pífia e, para muitos, suspeita gestão do ministério, cuja política reaproximou as políticas culturais do Ecad.

Mas a postura surda do governo Dilma sobre o assunto, que ignorou os apelos de amplos setores culturais durante um ano e meio e só agora, por motivos de “engenharia política”, resolveu mudar a ministra, mostra que o Minc continua não sendo prioridade para a presidente pelo seu valor e importância intrínsecos.

A nomeação de Marta seria uma “engenharia” política do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff para atrair o suplente da senadora, Antonio Carlos Rodrigues (PR), à campanha de Haddad em São Paulo.

Vamos ver no que dá

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Jobim, o homem que falava demais

Ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim será o substituto do agora ex-ministro da Defesa Nelson Jobim, que caiu depois de novas declarações dignas da oposição (Atualizado às 20:31)

Para os muitos que se espantaram com a manutenção de Nelson Jobim no governo Dilma, e mais ainda após a insistência dele em falar de sua intimidade com o ninho tucano, finalmente o ministro da Defesa caiu (até o momento deste post, ainda não oficialmente).

Foto: Antonio Cruz/ ABr
Depois de dizer, no fim de julho, ser “amigo íntimo do Serra” e que votou em no tucano* em 2010, Jobim disse à revista Piauí que "A Ideli é muito fraquinha", referindo-se à ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti (a informação foi adiantada pela coluna da Mônica Bergamo, da Folha desta quinta-feira).

Nelson Jobim era um ministro da cota do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mesmo com um padrinho desse porte, era ininteligível sua continuidade no governo após a declaração de voto em Serra, e, para quem não se lembra, depois de outras demonstrações de sua “competência” e suas “virtudes”. Por exemplo, em novembro do ano passado, o WikiLeaks revelou que Jobim prestou serviços de informação ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Na seara de suas atribuições, não conseguiu fechar as negociações para a compra do caça francês Rafale.

O agora ex-ministro disse que as informações divulgadas na imprensa são "parte de um jogo de intrigas" e uma tentativa de desestabilizá-lo. Curioso raciocínio de quem é bastante conhecido nos bastidores de Brasília justamente por ser um exímio plantador de intrigas.

É muito estranho tudo isso. E fica um grande ponto de interrogação. Por que ele ainda era mantido? Essa é a típica situação que provoca muitas especulações mentais e faz pensar no título de um filme de Alfred Hitchcock, O Homem que Sabia Demais, embora seja para consumo público o homem que falava demais.

Sabendo demais ou não, caiu.

*Atualizado às 18:03 (o texto dizia erroneamente que Jobim votou em FHC em 2010, o que é obviamente impossível).