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quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Crônica sobre o golpe – a República de bananas e a esperança



Algumas sementes vão virar árvores

Comentei ontem no Facebook achar engraçado que, por ingenuidade ou falta do que falar, as pessoas perguntavam na semana passada, ironizando: “Cadê a Lava Jato?, cadê o Moro?, cadê, cadê???”

Para os incautos que parecem não compreender o que se passa no país, a resposta veio ontem, com a denúncia do procurador Deltan Dallagnol contra Lula, baseada em uma apresentação tosca de powerpoint que culminou com a já histórica frase: “Não temos como provar, mas temos convicção”.

Como disse o Kiko Nogueira , parece que definitivamente “transformaram o Brasil no Paraguai”.

A verdade é que não se pode mais prever aonde chegaremos na história desta triste República de Bananas.

Mas, realmente, só os incautos (“que ou o que não revela malícia; crédulo, ingênuo” – Michaelis) poderiam esperar algo diferente em relação a nossas instituições. Na semana passada, o escritor Fernando Morais, em entrevista, afirmou: “Só um idiota completo pode imaginar que Globo, Fiesp, extrema direita, Folha, Estado, Editora Abril, Ministério Público, Policia Federal vão fazer o que fizeram para entregar a presidência da República de bandeja pro Lula de novo”.

No mesmo dia 31 em que o espetáculo farsesco do impeachment no Senado derrubou Dilma Rousseff, conversei com o velho socialista Roberto Amaral, que vaticinou: “para se precaver, no que for possível, tentarão destruir o Lula. Destruir o Lula como imagem, como símbolo, até destruí-lo como político, com essas tentativas de processá-lo para ver se até 2018 conseguem uma condenação que o afaste do processo eleitoral. Isso é um jogo tão evidente, as cartas estão tão claramente postas na mesa que eu não entendo que possa haver qualquer dúvida”. A entrevista está neste link .

Outra figura que tem o estranho hábito de teimar em compreender a conjuntura e interpretar os sinais é o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, de quem tive o privilégio de ser aluno na PUC-SP, lá se vão anos. Em novembro do ano passado, num evento na Assembleia Legislativa, ele disse que a sociedade está “enfeitiçada” pela manipulação da mídia. “Só as versões se tornam realidade, ao ponto de as pessoas não saberem mais o que é real e o que não é.”

Em março (mais de um mês antes de o impeachment passar na Câmara), em entrevista que fiz com ele, Laymert disse: “Não acho que o fascismo vai vir, ele já está aqui”. Acrescentou: “Estamos vivendo uma espécie de fascismo de rua, mas ele é concomitante com toda uma argumentação jurídica que está sendo construída, que é ilegal e inconstitucional, uma ruptura com o regime democrático e com os princípios da Constituição. Estamos vendo a construção disso tudo, através das violências jurídicas e do estabelecimento de uma nova jurisprudência, entre aspas, que lembra muito o tempo do fascismo” (a entrevista de março está aqui).

Precisamos deixar de ser crédulos. Eu deixei de clamar "Não vai ter golpe" em 17 de abril de 2016, quando daquele espetáculo dantesco na Câmara dos Deputados, que manchou a história do Brasil. O golpe foi ali, sob o comando de Eduardo Cunha, que só caiu quando não interessava mais.

É preciso reconhecer que a esquerda não está unida, como alguns fingem acreditar, e entender que é preciso bem mais do que a esquerda se unir pela democracia. É preciso a união de todos os democratas do país, de Jean Wyllys a Kátia Abreu, dos socialistas aos liberais progressistas. Não tem outra saída.

Em 26 de agosto, no decorrer do espetáculo de teatro no Senado, a senadora Gleisi Hoffmann, dirigindo-se ao presidente do STF que presidia a sessão, Ricardo Lewandwski, manifestou a angústia que milhões de brasileiros hoje sentem: “Não querem sequer que tenhamos direito à indignação? A quem vamos recorrer? Será que vamos poder recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a nossa Constituição é vilipendiada?”

O que se pode acrescentar a essa justa manifestação de indignação de Gleisi?

Talvez só haja uma esperança, e ela está dentro de uma frase que Lula disse hoje em seu discurso para se defender das acusações do Ministério Público: "Essa meninada que evitou o Alckmin de fechar escolas, que está vindo para as ruas para reivindicar democracia, essa meninada é o Lula multiplicado por milhões”.

O amigo José Arrabal, da geração que, como Laymert, sofreu as mazelas do regime militar, também vê motivos de otimismo na geração que vem por aí, e acredita numa nação simbolizada "em Dilma e em Rafaela Silva, a campeã olímpica da Cidade de Deus”, como disse no dia do golpe no Senado (aqui).
A esperança é essa: que as sementes (como o menino da foto deste post) deem frutos. “Para ver que algumas sementes chegam a árvores”, como escreveu minha amiga Camila Claro em dedicatória que fez num livro pra mim, em 2002, e lá se vão 14 anos.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Pensamento para sexta-feira [56] - BARATAS (fatos reais)



"Agora eu só queria gelidamente uma coisa: matar cada barata que existe." (Clarice Lispector)

CRÔNICA DE VERÃO 2




Episódio 1

Eu costumava dizer com orgulho que moramos neste apartamento há mais de seis anos sem que nenhuma mísera barata tivesse aparecido por aqui. Sim, mais de seis anos. Estava quase me sentindo uma pessoa abençoada. Mas eis que de repente, algo aconteceu, na primeira semana de dezembro de 2014.

Eu estava pra sair de casa pra ir trabalhar quando me deu uma leve vontade de ir ao banheiro (necessidade número 2), e por prudência fui, e fui ao banheiro da área de serviço, porque a zeladoria tinha ligado minutos antes para informar que estava desligando a água do “banheiro social” por causa de um serviço de manutenção.

Fui então ao banheiro etc. Puxei a descarga, meio de costas, e quando me virei para fechar a porta do banheiro vi uma enorme barata. Mas, estranhamente, estava morta, muito morta, completamente morta.

Fiquei chocado, pois nunca tinha aparecido uma barata neste AP, nem viva, nem morta. Ela estava exatamente entre a porta, o tapetinho e a privada, onde teria sido impossível eu não tê-la visto ao entrar no banheiro ou enquanto eu estava ali, sentado.

Fiquei me perguntando: mas que diabo é isso? Peguei a pá e joguei a barata pela janela (no grande jardim onde há muitas árvores no condomínio), sempre me perguntando: mas como essa barata morta apareceu aí se não estava aí quando eu entrei no banheiro pra sentar na privada, num lugar tão visível que teria sido impossível eu não tê-la visto ao entrar?

Pensei no enigma, que exigiu de mim um esforço digno de Sherlock Holmes. A hipótese daquele exemplar da mais asquerosa das criaturas ter sido envenenada em alguma dedetização no condomínio, ter vindo tonta, subindo, até morrer ali, não era plausível, já que ela não estava lá quando entrei no banheiro.

Então, fez-se a luz e entendi. Antes de ir ao banheiro (estava meio frio pela manhã, apesar de ser dezembro), eu coloquei sobre o ombro uma blusa de lã azul que tinha levado à praia, nas férias, mas que ficou na mala sem uso. Como na praia tem muitas baratas e usei e abusei de um veneno de inseto, concluí, como um verdadeiro Hercule Poirot, que essa barata morta estava, já morta, desde a praia, dentro da blusa, envenenada pelo monte incalculável de baygon que esguichei nas dependências da casa da praia – pois num dos primeiros dias uma cena de horror aconteceu, quando descobrimos que baratas,  muitas, de repente corriam pelo chão da cozinha num certo início de noite, e foi aquela cena dantesca de baratas correndo até que conseguimos destruí-las todas, após descobrir que tinham feito um ninho. Enfim, a barata que apareceu morta no apartamento deve ter se escondido envenenada na blusa, e lá ficou. E justamente na hora em que me sentei na privada o maldito inseto morto caiu da blusa ali, por trás de mim, pela manga da blusa, pelas costas da blusa, sei lá.

Foi o que concluí.

Episódio 2

Está certo que a barata estava morta, mas aquilo me perturbou. Pois, morta ou não, era uma barata. Algo tinha querido dizer que já não éramos mais invulneráveis em nosso AP. Desde então, o apartamento nunca mais foi o mesmo.

E, de fato, como se aquele cadáver marrom fosse um aviso, cerca de 40 dias depois, num sábado de um calor insuportável, tarde da noite, eis que estava ali, na porta do armário da cozinha, vinda da escuridão da noite diretamente pela janela escancarada, uma gigantesca barata voadora, espreguiçando suas asas prontas para voar, logo acima de uma torta quentinha recém-tirada do forno. Com nossa súbita presença, lógico, ela voou. E todo mundo sabe o que significa uma barata voando numa cozinha de apartamento. Nem o mais bravo soldado mantém a dignidade.

A excomungada por fim se enfiou por trás de uma prateleira. Fomos tirando objeto por objeto, cada um com o cuidado e o temor de estar cutucando a mais terrível fera. Por fim, foi possível vê-la atrás de um vidro vazio, enorme, encaixada entre o frasco e a parede como se sempre tivesse estado ali. Para não correr o risco de ver o demônio de repente voar (é melhor cinco baratas tontas correndo no chão do que uma voando), já fui esguichando o veneno, com tanto gosto que poderia ter danificado a bomba que ejeta a nuvem de líquido mortífero. O animal asqueroso finalmente caiu no chão, correu, mas eu não esmoreci e continuei esguichando a nuvem, até que ela virou de costas, se debateu, e finalmente expirou (ao que parece, pois, como se sabe, as baratas têm uma característica assustadora: elas podem ressuscitar). Pelo sim, pelo não, coloquei-a na pá e atirei-a pela janela do oitavo andar.

Episódio 3

Foi hoje (12), menos de dois meses e meio após o funesto aparecimento da barata morta e pouco menos de um mês depois da barata voadora.

Por falta de opção melhor, comíamos uma pizza na sala quando, de repente, ouço um grito surdo, não escandaloso, mas de pavor, enquanto vejo algo voando baixo pela sala, que pude perceber ser um inseto ligeiramente grande, mas não muito.

Podia ser um besouro, mas imediatamente eu soube: era outra barata. Outra! Seis anos sem nada, nenhuma, e de repente, em 70 dias, uma morta e duas vivas!

Esta, embora menor, também era voadora (é melhor 5 baratas tontas grandes no chão do que uma média voando). E a maldita voou da sala para dentro do quarto. Já fiquei imaginando ter que dormir na sala ou, tarde da noite, desmontar o quarto atrás do famigerado inseto em algum dos infinitos cantos, dobras de roupa, interior de sapatos, por trás do colchão ou qualquer outro esconderijo onde pudesse entrar. Porque, se tem uma coisa que eu não faço, é dormir com uma barata no quarto. Mas, por sorte, ela estava na parede.

Sabem qual é a palava que designa fobia de baratas? Catsaridafobia. Ou seja, até o nome para esse medo causa repugnância.

Quando tirei o chinelo para destruí-la, ela voou, e veio na minha direção. Era só acertá-la em cheio, estava fácil, afinal sou ágil e mato até as ligeiras moscas com facilidade. Mas acontece que baratas são como espíritos que se materializam para perturbar as pessoas, e então errei a chinelada e, evidentemente, ela veio diretamente pra cima de mim, bateu na minha perna e correu para um lado, enquanto, claro, eu fui para o outro. Acho que não gritei, mas a única testemunha presente na casa (que havia gritado antes) afirma que sim.

Vi que ela se enfiou por baixo do criado-mudo. Peguei o veneno e esguichei. Arrastei o móvel e... cadê? Nada. Vários minutos depois, reapareceu correndo, embora tonta, na minha direção. Vi que esta era bem nojenta, meio esbranquiçada. Mais veneno. Com gosto. Ela rodopiou, correu mais um pouco e, filha da puta, entrou numa fresta do armário embutido, no canto da parede. Enfiei o bico do baygon no buraco e injetei uma dose aparentemente letal, até porque aquele buraco não tem saída, a não ser por onde ela entrou. Mas a desgraçada não saiu. Ficou lá. Acredito que tenha morrido. Mas baratas muitas vezes gostam de te deixar na dúvida. Mesmo mortas, como fantasmas em forma de insetos.

É por isso tudo, além do calor intolerável (e pelos relatos nos links abaixo), que eu odeio o verão.


Leia também da série insetos (fatos reais!)

Pensamento para sexta-feira: Eu e os insetos (ou, motivos para ter medo de insetos)

A volta da vespa noturna

A personalidade das moscas


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Pensamento para sexta-feira [número 25] – Eu e os insetos (fatos reais!)

CRÔNICA DE VERÃO



Foto: Gabriel Maretti (clique em qualquer foto para ampliar)
Imagine uma dessa esvoaçando no seu pescoço

Moro num bairro (Butantã, em São Paulo) onde ainda há muita vegetação. Por aqui, até sapo se ouve à noite. Isso é muito bom, viva a natureza! Mas no verão os inconvenientes não são poucos. O calor literalmente infernal como o dos últimos dias em São Paulo nos faz prisioneiros de uma modorra invencível, incômoda. A menos que eu esteja à beira da praia desfrutando de uma boa cerveja gelada, o calor verdadeiramente me irrita.

E freqüentes episódios com insetos que resolvem me atacar sem mais nem menos estão me dando cada vez mais saudades do inverno. Por que insetos me atacam, sempre traiçoeiramente, à noite? Ora, porque está muito quente, as janelas ficam abertas, algumas luzes acesas, e então eles vêm. Não sou entomologista, mas essa explicação é fácil.

Umas semanas atrás estava eu falando de política ao telefone com uma amiga. Senti um pequeno arranhão nas costas, logo acima da nádega direita, mas não liguei, até que, instantes antes de levar a mão para coçar, o negócio já estava me arranhando de fato, forte... Assustado, bati a mão no local atacado e saiu voando um besouro, que ainda veio pra cima de mim, voando. Ele estava tentando me devorar, suponho. Maldito! A natureza é satânica também, como defendia Baudelaire. Aquele besouro me deu arrepios.

Foto: Eduardo Maretti
Esse besouro gosta de carne de camarão e humana

E eu, que sou um radical defensor da natureza, que canso de devolver as criaturas que invadem meu lar pela janela para voltarem para seu lugar, que nunca matei um passarinho sequer (nem com estilingue, nem espingardinha de pressão) eu não tive piedade de esguichar nesse besouro uma dose mais do que letal de Baygon. Incrível a força daquelas garras, minhas costas ficaram com um vergão vermelho que levou três dias para desaparecer. O besouro era igual (mas maior) a esse aí da foto acima, que uns três verões atrás pousou no prato do meu último e suculento camarão! O da foto teve melhor sorte, não me lembro de tê-lo matado, apesar da afronta de pousar sobre meu camarão.

À noite, sempre à noite, outro episódio, esse no verão passado, se deu com um inseto estranho. Eu não o conhecia. Ele parece uma pequena mariposa noturna. Quando o tal pousou na porta do armário embutido, cheguei perto para ver, e ele tinha antenas nervosas, parecendo mais uma vespa disfarçada de mariposa. Me dei mal quando meu espírito de protetor da natureza resolveu agir. Oh céus. Fui pô-lo numa caixinha para jogá-lo pela janela, devolvê-lo à linda natureza, mas ele escapou e, aparentemente com raiva, veio para cima de mim. Dei-lhe um tapa com o jornal que virou minha arma, ele caiu mas retomou o ataque. E a cena, mais cômica do que dramática, depois de um embate, terminou com a vespa-borboleta desaparecendo. Passei um tempo com medo de que o bicho surgisse de alguma sombra e me atacasse, mas nunca mais o vi.

Foto: Eduardo Maretti
Essa aí é uma mariposa vaidosa, pousada no espelho
O inseto esquisito voltou a me visitar neste verão de 2012. Desta vez esguichei-lhe álcool, e o bicho demorou muito, vários minutos, a se render. Joguei-o pela janela, não sei se sobreviveu.

E as mariposas que entram feito baratas tontas nessas noites de verão, procurando a lâmpada que para elas é o sol? Algumas são escuras e enormes. O pior é quando entram e você não vê. De repente, está você alegre e feliz com sua cervejinha e dá de cara com aquele monstro que parece um morcego. Já dei de cara com essas mariposas-morcego e o susto foi tal que, por um instante, pensei estar sendo visitado pelo conde Drácula em um de seus disfarces insidiosos. Recentemente, na semana passada, uma das não muito grandes entrou pela janela e veio direto ao meu pescoço. Éramos dois, eu ela, a nos debater apavorados. Meu deus, que susto, de novo. Meu impulso foi matá-la, mas fiquei com dó, e para sua sorte ela pousou na janela e foi fácil empurrá-la para fora.

Foto: Carmem Machado
O inseto cuida da sua prole (credo)
Já faz uma semana que não sofro ataques. Isso me preocupa, pois quanto mais o tempo passa, mais parece iminente uma nova investida. Talvez de um besouro, de uma vespa noturna, uma mariposa gigante, um enxame de filhotes (deve ser terrível!) como os da foto acima, ou sabe-se lá qual criatura dessa vez.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Crônica de um domingo quase sem futebol

Depois de zapear entre o medonho primeiro tempo de Catanduvense x Palmeiras e o bem melhor Corinthians x Linense, acabei desligando a televisão para continuar a leitura de Os Mímicos, de V.S. Naipaul. Como Naipaul não é nenhum Graham Greene, e como o domingo de verão parecia outono, com o friozinho típico, tirei os óculos e dei uma cochilada.

Vi depois que Catanduvense x Palmeiras acabou 1 a 1. E que o Corinthians bateu o Linense por 1 a 0 (aliás, é a ou o Linense? – faço a observação porque acho irritante que os jornalistas esportivos insistam em dizer o Inter de Milão, o Roma, o Juventus etc., e eu não sei se é a ou o Linense). O fato é que o time da cidade de Lins teve um gol muito mal anulado ainda no primeiro tempo pelo juiz, que deu uma falta que só ele viu na subida do zagueiro jundiaiense Fabão numa cobrança de escanteio. O negão subiu lá em cima, cabeceou bonito de cima pra baixo, fez um belo gol. Mas não valeu. E um golaço de Émerson Sheik, quase sem ângulo, num petardo de direita, deu a vitória ao Timão. Acho perfeita a manchete do iG, embora os amigos corintianos provavelmente discordem, apontando uma conspiração universal do Mal contra São Jorge Guerreiro. Diz o iG: “Com gol de Emerson e ajuda de juiz, Corinthians bate o Linense”.

Mas o Paulistão é isso. E além disso, início de temporada, motores esquentando. Já agora em fevereiro começa a Libertadores. Da qual falaremos em outro post mais à frente.

Para finalizar: por mera coincidência, assisti inteiro apenas ao jogo em que o time B do Santos empatou com o razoável time do Paulista em Jundiaí por 1 a 1. Foi interessante assistir ao time da Vila reserva nas três partidas iniciais do Paulistão (ou “Paulistinha”, conforme o gosto). O goleiro Aranha deu conta do recado. O zagueiro Bruno Rodrigo vem bem. O jovem volante Anderson Carvalho é uma boa promessa. O atacante Dimba (19 anos) merece mais chances. Assim como Felipe Ânderson. O time de Alan Kardec empatou duas (XV de Piracicaba e Paulista, ambos 1 a 1, fora de casa) e ganhou uma partida, do Ituano em São Caetano (a Vila está reformando o tapete), por 2 a 1. O destaque da esquadra é ele mesmo, Alan Kardec, autor dos quatro gols do Peixe na temporada. Não sei por quê, talvez seja uma intuição espírita, mas acho que esse Kardec vai fazer gols decisivos em 2012.

Em tempo: o São Paulo, que venceu o São Caetano sábado por 2 a 1, lidera o estadual com 9 pontos em três jogos. Foi uma semana meio down no Morumbi com duas notícias negativas. Rogério Ceni (operou o ombro) vai ficar seis meses no estaleiro e Luis Fabiano teve uma contusão muscular que deve tirá-lo do time por alguns ou vários jogos. Fim de carreira. Mas, não sei por quê (posso queimar a língua), tenho a impressão que Emerson Leão pode dar certo no São Paulo em 2012.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Crônica sobre os dez anos da Revista Fórum

A mesmice do noticiário político, esportivo e cultural dos últimos dias e a preguiça justa de quem trabalha diuturnamente, e às vezes precisa de descanso, me impediram de atualizar o blog nesse período.

Esse marasmo foi quebrado pela ótima festa de 10 anos da revista Fórum. O evento foi realizado na Casa Fora do Eixo, no bairro da Liberdade, em São Paulo. Que é, para quem não conhece, um casarão que se ocupa como um território livre. Por esse território livre passaram no sábado, 24 de setembro, além do editor da Fórum Renato Rovai, figuras muito influentes, influentes, pouco influentes, nada influentes, importantes, desimportantes, carismáticas e neutras.

Foi agradabilíssimo tomar uma cerveja com Carmem Machado e Thiago Balbi, da editoria de arte de Fórum.

E com o Glauco Faria da Fórum e do Futepoca, que entra na categoria dos santistas como Gabriel, que, monitorando via rádio o que acontecia na Baixada Santista, informou por fim que o Santos havia perdido do Figueirense por 3 a 2 na Vila. O Victor, do Cartão Laranja, recebeu a informação com incredulidade, mas se resignou. A também santista e prima Sílvia (que tem o sobrenome do avô que não conhecemos), que não conhece a Vila Belmiro, foi informada pelo Glauco que na religião alvinegra praiana não conhecer a Vila é uma falta grave, para não dizer pecado.

O dia/noite foi também de rever o companheiro atleticano Frédi Vasconcelos, que, embora não tenha me confessado isso, está muito preocupado com a possibilidade de o Galo cair pra segundona de novo, e o companheiro fotógrafo Gerardo Lazzari, torcedor empedernido do Estudiantes, da Argentina.

Pelos debates, circularam, entre várias outras, as figuras de Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Luis Nassif, Maria Frô, Vange Leonel, José Dirceu e Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, que me marcou por um sorriso franco, num cumprimento de longe.

A festa dos 10 anos da Fórum me lembrou um evento de 28 anos atrás, quando eu não tinha nem 23 anos, em 22 de setembro de 1983, e a PUC-SP comemorava ao contrário a invasão de seu campus pelo coronel Erasmo Dias em 22 de setembro de 1977. Naquela data de 1983, brilhavam figuras como Edu, o “Imperador”, José Arrabal, mestre de vários alunos, Eloi Gugelmin, Maravilha, Zanata, Paulo Baroukh e alguns mais, os amigos deles, nós, outros, e todos, dentre os quais alguns eu sei onde estão e o que fazem. Outros não.

Atualizado à 01:15