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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O simbolismo da reabertura do Cine Belas Artes


A reabertura do Cine Belas Artes em São Paulo, prevista para acontecer em cerca de 4 meses, deve ser vista como mais importante do que o fato em si, pelo caráter simbólico. O prefeito Fernando Haddad disse ontem que a reinauguração das salas de cinema “se insere num contexto maior” de sua gestão. Segundo ele, a cultura deve ocupar os espaços públicos como disseminadora da cidadania.


Foto Letícia Macedo


O secretário Juca Ferreira afirmou que o mandato do atual prefeito “resgata uma cidade que estimula o espaço público como espaço da cultura”.

Outro dado muito relevante é que, conforme explicou Haddad, a prefeitura participará da parceria fechada com a Caixa Econômica Federal com um instrumento recém-criado, e valioso, a SP Cine, que vai ter o direito de utilizar as salas de exibição para o cinema brasileiro e para os filmes produzidos pela própria empresa municipal. “A SP Cine vai ter uma sala no Belas Artes, patrocinando o cinema brasileiro ou o que é produzido no Brasil”, disse ele.

No final de dezembro, o prefeito sancionou a criação da SP Cine, agência municipal de fomento ao cinema na cidade, antiga reivindicação de produtores, diretores e atores paulistanos.

Quem conhece São Paulo sabe do simbolismo da reinauguração do Belas Artes, na esquina da Rua da Consolação com avenida Paulista, e do estado de deterioração a que esse local chegou nos últimos anos.

O túnel que passa por baixo da Consolação, do Belas Artes ao Riviera, vai virar um espaço cultural.

Enfim, há quem não dê tanta importância à política cultural de uma gestão. Mas ela revela de fato muito mais do que parece.


Leia mais sobre a reinauguração do Belas Artes em matéria da RBA.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O cinema, a arte e a vida, segundo Federico Fellini



Acabo de ler um livro delicioso: A arte da visão – conversa com Goffredo Fofi e Gianni Volpi (edição Martins Fontes). Trata-se de uma série de diálogos, ou uma entrevista, dos críticos italianos do título com Federico Fellini. Não tem preço saber o que um gênio como Fellini tem a dizer sobre cinema e – curiosidade das curiosidades – sua impressão sobre seu próprio cinema, e também sobre a vida, a Itália, Roma, as mulheres e a cultura, amigos de ofício, entre muitos outros assuntos.

Fellini é um dos cineastas mais importantes da história do cinema. Há quem goste e quem não goste de seus filmes, mas basta ter um pouco de sensibilidade para pelo menos respeitar o diretor de Amarcord, 8 ½, A Doce Vida, Julieta dos Espíritos, A Estrada da Vida e tantos outros. O livro é curto, infelizmente. A entrevista propriamente dita tem apenas 60 páginas, após as quais é inevitável a sensação de “quero mais”, pois é muito pouco.

Nelas, Fellini fala, entre outros, de temas como a mentira, Jung e Kafka, linguagens, Rosselini, patrocínio no cinema, o futuro e o cinema, Pasolini, amigos. O livro traz ainda oito lindas fotos de Paul Ronald feitas no set de 8 ½, a opinião de vários cineastas norte-americanos importantes sobre Fellini e sua obra (“Fellini visto dos Estados Unidos”) e a visão do próprio diretor sobre cada um de seus filmes (“Fellini segundo Fellini”).

Muito interessante, do ponto de vista estético, a passagem em que o cineasta discorre sobre seu mestre Roberto Rosselini. “Rosselini (...) aceitava o que existia e ali estava o seu extraordinário talento: ele conseguia fotografar as coisas, o ar, a luz, e conferia a elas uma aparência de acontecimento único, mesmo quando havia um fundo de invenção mais forte... O neorrealismo é exclusivamente ele.”

Sobre C. G. Jung: “Acho que Jung conseguiu me sugerir, como Kafka, um ponto de vista convincente, mais razoável que racional, mas passível de interpretar não tanto a fábula onírica, os símbolos, mas nossas contradições, sugestões, encantamentos, magias, recordações sempre gerando recordações (...) uma chave bem espectral, iniciática, ocultista, mas sem dúvida psicológica; portanto, seja como for, tem relação com a razão”.

Sobre Giulieta Masina, sua mulher e atriz de alguns de seus filmes, como A Estrada da Vida e Julieta dos Espíritos: “Ela me parece uma atriz singularmente talentosa para expressar de imediato o espanto, o sobressalto, as alegrias frenéticas e o entristecimento cômico de um clown. É isso, Giulieta é uma atriz-clown, uma autêntica palhaça”.

Sobre o tema mulher (comentando o seu próprio filme Julieta dos Espíritos): “...o homem livre não pode prescindir de uma mulher livre”.

Sobre Pasolini: “Eu o procurei e ele chegou com seu passinho flexível, tímido, com os óculos pretos, e foi logo simpático comigo, eu o senti como uma espécie de irmãozinho, adorável, delicado e moleque, apedrejador, desses que ficam atirando pedras nos rios”.
Diretores americanos

É particularmente interessante saber o que os cineastas dos Estados Unidos pensam de Fellini, no capítulo que traz as opiniões de Woody Allen, Robert Altman, Oliver Stone, Milos Forman e outros.

Me chamou a atenção o que diz Jim Jarmusch de Fellini, por ser um cineasta de uma geração posterior (nascido em 1953), com uma visão muito particular do cinema e que transita pelo underground e a estética do Brooklyn: “No seu último filme, A Voz da Lua (...) tem uma parte maravilhosa, é a parte em que os três irmãos (...) conseguem capturar a lua e trazê-la para a Terra. Quando a polícia os interroga e lhes pergunta se foi difícil, o mais velho responde que não, porque a lua é uma mulher que se esconde, mas, no fundo, deseja ser capturada. Por alguma razão, esse momento do filme é para mim uma das coisas mais belas que já vi no cinema”.

Bem, a parte final do livro, em que Fellini fala, um por um, de seus filmes, é em si um documento para se ter na estante, como arquivo e como livro de consulta, como se já não o fosse todo esse pequeno (fisicamente) grande livro.

É um livro que, ao terminar de ler, você pensa: “que pena que já li esse livro. Nunca mais vou ter o prazer de o ler pela primeira vez”.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O humor e a ironia em Noel Rosa

Mayra Pinto lança nesta terça-feira, 8, na Livraria da Vila, em São Paulo (a partir das 18h30), Noel Rosa – O Humor na Canção  (pela Ateliê Editorial), resultado de suas pesquisas para a tese de doutorado pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo.

No livro, a autora explora a obra do compositor carioca criado na Vila Isabel, cuja “voz fala sobre o universo social da pobreza, pouco retratado até então na canção popular urbana, muito menos sob um viés crítico”, explica ela na introdução.

Voz que possuía uma característica muito particular que atravessou toda a sua trajetória musical e poética: “Embora haja canções líricas de sua autoria, a absoluta maioria das composições está atravessada pelas categorias do humor e da ironia, as quais, quase sempre, compõem uma enunciação da experiência como fracasso social em diferentes frentes: econômicas, culturais, afetivas etc. (...) Essa experiência de fracasso na obra de Noel Rosa dramatiza-se em inúmeras personagens, mas a mais frequente é o sambista-pobre”, continua.

Como sou amigo de Mayra, posso dizer que a escolha do tema tem muito a ver com ela mesma, que é uma pessoa acostumada a dar risada dos dramas da vida. E não há nada mais dramático do que o paradoxo que envolveu a vida de Noel: debochando e rindo das agruras da existência, ele, que tinha tuberculose, morreu em 4 de maio de 1937, aos 26 anos.

Abaixo, entrevista com Mayra Pinto, feita por telefone.

Fatos Etc. – O que te motivou ou inspirou a escrever sobre Noel Rosa, o humor e a ironia?

Mayra Pinto – A história é bem absurda, porque quem deu o estalo para pensar Noel Rosa e o humor foi o Bakhtin, que é um teórico russo. Eu tinha lido um livro dele, um clássico, A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. Ele desenvolve toda uma teoria do humor e faz uma análise muito brilhante da obra de Rabelais e mostra as intersecções na produção erudita do Rabelais com a cultura popular da Idade Média. E, a partir disso, fiquei pensando se por acaso na cultura brasileira não existiria um Rabelais nosso, ou algo semelhante, dado que a nossa cultura, em vários momentos, tem muito essa intersecção entre a cultura popular e a erudita, e comecei a pesquisar e vi que isso vem do século XIX. E no Noel eu acabei encontrando isso, justamente porque ele trabalha as categorias do humor, e aí você tem sátira, deboche, ironia... E ao mesmo tempo é um discurso muito sofisticado, poeticamente, discursivamente. Isso não existia antes dele na música popular.

Todo grande artista deixa heranças e ecos nas gerações posteriores. É possível ver ecos da obra de Noel na MPB contemporânea, sem contar Chico Buarque, já que em Chico essa herança é óbvia?

Compositor morreu aos 26 anos
(risos)  Mas eu vejo ecos de Noel não numa obra especificamente, ecos que estão no Chico, no Caetano, em todo mundo de uma certa forma, porque Noel estabeleceu o que eu chamo de uma matriz discursiva na produção da canção. O que é essa matriz discursiva? É justamente a competência ao fazer esse imbricamento entre a linguagem musical e a linguagem poética. E a competência está ali de tal forma que você não vê nenhum esforço, nada forçado, é a coisa mais natural do mundo. O Luiz Tatit falou que quando a gente escuta Noel é como se o samba sempre tivesse existido, de tão familiar que aquilo soa. O mais original e próprio de Noel Rosa é essa competência de trabalhar bem o discurso poético com o discurso musical. Eu acho que ele deixou isso para todos os grandes letristas da música popular brasileira. Por exemplo, letristas como Paulo Sérgio Pinheiro, Paulinho da Viola. Esses caras não vão tanto pela linha do humor, da ironia, mas são herdeiros na medida em que aprenderam e começaram a partir do nível de um Noel Rosa. Na MPB paulistana você tinha o Rumo, o Premeditando o Breque... E mesmo Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, todo esse momento da década de 80, que teve uma produção estética interessante, explosiva e bem experimental, vamos dizer assim, todo esse povo foi atravessado pelo humor e suas categorias, são obras bem irônicas. O Rumo tem um disco bacana chamado Rumo aos Antigos, em que eles gravaram canções não só do Noel, mas do Sinhô, do Lamartine Babo, com uma leitura moderna, genial, dessas canções antigas dos anos 20 e 30.

A obra de Noel Rosa é um pouco posterior ao modernismo paulista, também carregado de humor e ironia. Na sua opinião, Noel manifesta alguma influência do modernismo ou o compositor é uma matriz independente?

Não dá pra perceber, é muito difícil comprovar isso. Noel era um cara razoavelmente bem informado e culto, chegou até o primeiro ano da faculdade de medicina etc., mas não sei até que ponto ele lia poesia moderna. Tem um samba em que ele tira sarro dos futuristas, dos poetas futuristas, nessa coisa dos futuristas fazerem um discurso non sense. Agora, conversa com o movimento modernista ou leitura dos modernistas eu acho que não houve nada, ou muito pouco. No meu livro tem uma passagem, que eu cito, em que ele fala sobre a poesia parnasiana, como se a poesia do tempo dele ainda fosse a poesia parnasiana. É um discurso bonito em que ele fala que finalmente a arte chegou no povo e o povo influenciou a arte por intermédio do samba. E que os poetas do samba saíram do ranço do academicismo, como ele chama, e se deixaram influenciar pela arte do povo. Nesse discurso dá pra entender que ele está falando dos parnasianos, que na época faziam sucesso.

Em termos de pesquisa acadêmica, foi fácil ou difícil encontrar trabalhos sobre MPB?

Está ótimo fazer pesquisa sobre MPB hoje no Brasil. Sobretudo do ponto de vista da historiografia. Foi uma surpresa para mim, que não sou dessa área... Eu sou de letras. Mas a historiografia está bem adiantada. O que me ajudou muito foi o acervo digital do Instituto Moreira Salles, onde você tem acesso às coleções, por exemplo, de Tinhorão e Pixinguinha, entre outras. Outro exemplo é uma caixa organizada por um professor de biologia, Omar Jubran, com todas as canções do Noel e um baita livreto com todas as letras. Foi uma fonte de pesquisa incrível. Enfim, a gente já está num momento em que pesquisa sobre música popular brasileira pode ser feita com bastante seriedade.

Serviço:
Lançamento
Noel Rosa – o Humor na Canção, de Mayra Pinto (Ateliê Editorial)
Livraria da Vila: rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena (São Paulo)
8 de maio de 2012, a partir das 18h30

terça-feira, 1 de maio de 2012

Holanda faz campanha contra consumo de maconha por turistas

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Um dos países mais liberais no consumo de drogas no mundo, a Holanda resolveu mudar a política em relação ao tema. As autoridades holandesas anunciaram uma ofensiva contra o turismo para consumo de drogas no país. A partir de agora, os coffee shops, cafés que tem autorização para vender maconha e haxixe em pequenas quantidades, serão acessíveis somente para quem mora na Holanda.

A medida, por enquanto, atinge apenas as províncias do Sul da Holanda, nas fronteiras com a Bélgica e a Alemanha. Mas a ideia é estender a decisão a todo país até o fim do ano que vem. Várias placas foram instaladas nas fronteiras com a mensagem "Novas regras, sem drogas".

Segundo a legislação holandesa, os 670 coffee shops holandeses devem se transformar, aos poucos, em clubes de acesso limitado com, no máximo, 2 mil membros cada. Os clientes serão identificados por um documento, já apelidado de "carteirinha da maconha", fornecido somente aos maiores de 18 anos que residem na Holanda.

A medida tem como objetivo diminuir o incômodo causado pelo chamado turismo da droga, formado por viajantes que visitam a Holanda para consumir entorpecentes. A atividade é criticada por causa dos engarrafamentos, do barulho durante a noite e do aumento de vendedores ilegais que perambulam pelas ruas do país.

Os donos de coffee shops são contrários à medida, pois temem a queda nos lucros proporcionados pela venda de drogas a turistas. Alguns comerciantes da cidade de Maastricht, próxima das fronteiras com Bélgica e Alemanha, disseram que vão enfrentar a decisão do governo. Eles contavam com uma clientela de cerca de 1,4 milhão de turistas por ano.

*Com informações da emissora pública de rádio, RFI

quarta-feira, 28 de março de 2012

Roma está no MASP


Relevo com gladiadores - fim de I a.C.

Você ainda tem 26 dias, até 22 de abril, para ver a espetacular exposição Roma - A Vida e os Imperadores, que está no Museu de Arte de São Paulo (MASP) desde janeiro e é a abertura da programação do MASP para o "Momento Itália Brasil 2011-2012". Poucas vezes se viu ou verá uma reunião de peças tão valiosas a mostrar a arte, a cultura e a história romanas, da qual a civilização ocidental é irrevogavelmente debitária.

Estátua do deus Júpiter
Segundo os organizadores da mostra,”o desafio é recontar a trajetória do povo e dos imperadores romanos no período tardio da República e primeiros séculos do Império Romano por meio da arte, da arquitetura triunfal, das cerimônias de poder, da vida cotidiana, das célebres conquistas e da opulência do Império”.

O acervo sai da Itália pela primeira vez e você tem a oportunidade de ver reunidas peças do Museu Arqueológico Nacional de Florença, do Museu Nacional Romano, do Museu Nacional de Nápoles, do Antiquário de Pompeia, do Museu Arqueológico de Fiesole e da Galeria Uffizi.

A exposição é formada por quatro núcleos:

1. Entre César e Augusto: o nascimento do Império. A dinastia, a vida e o legado de Júlio César (séculos I a.C. a III d.C).

2. Nero. O luxo e a opulência que marcaram o legado do imperador Nero, que se tornou soberano aos 17 anos.

3. O apogeu do Império. Destacando os jogos do Circo e do Coliseu, em que a força e o poder se manifestam nas lutas de gladiadores.

Estátua da deusa Ísis
4. Um Império multicultural. Mostra as origens dos costumes romanos. O sincretismo formador da cultura de Roma, do qual uma magnífica estátua da deusa egípcia Ísis em mármore preto e mármore branco é um emblema fabuloso.

É emocionante estar diante da riqueza representada pela exposição. Se você gosta de cultura, arte e história, e mesmo assim perder a oportunidade de ver a mostra Roma - A Vida e os Imperadores no MASP, tenha certeza de que estará cometendo um pecado do qual talvez jamais se perdoe.

Para mais informações, acesse este link do Museu de Arte de São Paulo.

Serviço
MASP
Avenida Paulista, 1578 - São Paulo - SP
Telefone (55 - 11) 3251-5644
Próximo à estação do metrô Trianon-MASP

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Portela e Imperatriz levam Bahia e cultura negra à Marquês de Sapucaí. Bravo!


Muito oportunos os enredos da Portela e da Imperatriz Leopoldinense neste carnaval 2012. Como se sabe, têm crescido preocupantemente as manifestações de preconceito e até agressões contra as religiões de origem africana e seus praticantes. Nesse contexto do Brasil de hoje, a saudação à maravilhosa cultura dos orixás e do sincretismo da terra de Nosso Senhor do Bonfim, no carnaval do Rio de Janeiro, é importante e digna de registro.

Portela homenageia negros e orixás.
Foto: Vladimir Platonow/ ABr
O lindo samba-enredo da Portela saudou a Bahia e seus orixás, com o título Bahia: E o povo na rua cantando... É feito uma reza, um ritual, focando como tema central as festas religiosas da Bahia; o não menos bonito samba da Imperatriz, com o tema Jorge, Amado Jorge, homenageou a obra de Jorge Amado, e por extensão a cultura religiosa do estado mais negro do país.

Não tenho nada contra nenhuma religião. Mas o crescimento de práticas cristãs fundamentalistas inclusive no berço da nação Bahia me assustou na última vez em que estive em Salvador.

No ano passado, acusado de “censurar cristãos”, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) escreveu uma carta ao JB em que diz: “Não, eu não persigo cristãos. Essa é a injúria mais odiosa que se pode fazer em relação à minha atuação parlamentar. Mas os fundamentalistas e fanáticos cristãos vêm perseguindo sistematicamente os adeptos da Umbanda e do Candomblé, inclusive com invasões de terreiros e violências físicas contra lalorixás e babalorixás como denunciaram várias matérias de jornais”.

Assim, a Portela e a Imperatriz são dignas de Bravos!, por colocarem na avenida a cultura do povo negro do Brasil (a Vila Isabel, que homenageou Angola, fica com menção honrosa, mas é da cultura e religiosidade brasileiras que aqui se fala).

Num paralelismo interessante entre as duas escolas, cantou a Portela na avenida:

"No mar
Procissão dos navegantes
Eu também sou almirante
De nossa Senhora Iemanjá"


E a Imperatriz:

"Ave, Bahia sagrada!
Abençoada por Oxalá!
O mar, beijando a esperança,
Descansa nos braços de Iemanjá
"

Curioso que, na madrugada de domingo para segunda-feira, a Imperatriz entrou na avenida logo após a Portela, que teve como seu ícone maior na Sapucaí a grande Clara Nunes.

Caso queiram ouvir, os enredos de ambas as escolas estão nos links abaixo:

Samba-enredo da Portela

Samba-enredo da Imperatriz


A ironia da União da Ilha

Encerro o post no meio do desfile da União da Ilha. Muito bom, pois irônico. O enredo é sobre Londres e consequentemente Grã Bretanha. A carnavalesca Maria Augusta e o gari Renato Sorriso (na foto ruim ao lado) são os reis da escola na Sapucaí. Maria Augusta faz a rainha da Inglaterra. Um gari negro (ele é gari na vida real) sambando ao lado da rainha da Inglaterra e uma mulata deslumbrante fazendo a Guarda Real são grandes sacadas da escola. Ironia.

Sou leigo em carnaval. Estou falando sem considerar os aspectos técnicos que embasam as notas dos senhores jurados.

Parece que as fantasias dos foliões da União da Ilha estavam tão pesadas que vários deles passaram mal depois do desfile.

Seja como for, pelo que já escrevi acima, ficaria feliz fosse a Portela ou a Imperatriz a campeã.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Acaba ocupação da Funarte, mas artistas prometem mobilização permanente

O Movimento dos Trabalhadores da Cultura deixou o prédio da Funarte, em São Paulo, após uma ocupação de seis dias. Os organizadores afirmam que a mobilização continuará, a partir de novas assembléias e fóruns a ser convocados.

A manifestação para marcar a saída do prédio, na tarde de segunda-feira, 1° de agosto, segundo o movimento, marcou tanto o fim da ocupação do prédio da Funarte, na Alameda Nothmann, como o início da mobilização permanente prometida pelos artistas.

Uma das propostas que devem vingar é a organização da Marcha a Brasília, inicialmente marcada para 24 de agosto.

Mais informações sobre a ocupação e as reivindicações do Movimento dos Trabalhadores da Cultura nestes links:

Para ler sobre a ocupação da Funarte, clique aqui:

Conheça as reivindicações dos artistas clicando aqui.

PS: Em minha opinião, o movimento tem todos os méritos, mas sua vitória só sairá do terreno simbólico para a realidade se a ministra Ana de Hollanda, e portanto tudo o que ela representa e o retrocesso, falta de diálogo etc, deixar o Ministério da Cultura.

Atualizado às 13:01

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ocupação da Funarte continua, por tempo indeterminado

 
Artistas dentro da Funarte/ Foto: Eduardo Maretti - 25/07/2011


O Movimento dos Trabalhadores de Cultura, que ocupou a Fundação Nacional de Arte (Funarte) na última segunda-feira, 25, decidiu em assembleia realizada na terça-feira à noite manter a ocupação por tempo indeterminado.

Os artistas fazem uma ou duas assembléias diariamente. Segundo Luiz Carlos Checchia, que faz teatro de rua em Osasco e está na ocupação, o movimento se prepara para ficar “por um bom tempo” no local.

As reivindicações continuam as mesmas (leia aqui). Checchia disse a este blogueiro no dia da ocupação que a mobilização, em última análise, se traduz como luta por direito ao trabalho. “A grande questão é a mobilização na luta por direitos. Na verdade, o que agente está discutindo aqui é direito ao trabalho”.

Leia post sobre a ocupação e veja vídeo aqui

terça-feira, 26 de julho de 2011

Movimento ocupa a Funarte em São Paulo: "é hora de perder a paciência"

CULTURA

Artistas de teatro, artistas de rua, de circo, músicos e outros fizeram hoje uma manifestação histórica que terminou com a ocupação do prédio da Funarte, em São Paulo, na rua Apa, no bairro de Santa Cecília, centro da capital paulista. As reivindicações do movimento são justas (leia aqui), apesar de textos em portais importantes na web terem noticiado o evento negativamente.

O vídeo abaixo mostra o momento em que o movimento ocupa a Funarte. As imagens são fruto de uma gravação infelizmente improvisada, mas felizmente realizada, porque são imagens bastante simbólicas de um movimento impactante. Um pouco terra em transe, não sei se a ministra Ana de Hollanda entende.

Deve ser ressaltado o caráter absolutamente pacífico da manifestação e da ocupação da Funarte. Eu não vi ninguém bêbado, nenhum doidão, nenhum e ninguém. O povo estava consciente do que entoou ao som do maracatu, que foi o seguinte:

"É hora de perder a paciência,
Trabalhadores da cultura,
É hora de perder a paciência

Cultura não é mercadoria,
abaixo a baixaria

Ocupação, ocupação, ocupação!
"

O vídeo tem 4 minutos e meio, mas é bem legal.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Artistas fazem manifestação por democratização da cultura na segunda-feira, 25, em São Paulo

O Movimento dos Trabalhadores de Cultura marcou para a próxima segunda-feira, 25 de julho, “grande manifestação” de artistas de teatro, música, dança, circo e culturas populares contra o corte de orçamento sofrido pelo Ministério da Cultura em 2011 e suas conseqüências para a produção cultural brasileira.

A manifestação será na Rua Apa, à altura do número 83, no bairro de Santa Cecília, São Paulo, próximo à Funarte-SP, a partir das 14h.

Artistas em plenária para organizar manifestação
A organização do ato conta com a participação de pelo menos mil pessoas. São esperados dez ônibus vindos do interior do estado e da Grande São Paulo.

Osvaldo Pinheiro, que trabalha com teatro e é da coordenação do movimento, disse a Fatos Etc. que uma das principais bandeiras é a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 150, que destina um mínimo de 2% do orçamento geral da União à produção e difusão da cultura nacional (íntegra da PEC em link abaixo neste post). O sistema de isenção fiscal ao setor privado tal como funciona hoje no país é outro problema estrutural considerado grave pelos artistas e produtores culturais. “Arte pública é aquela financiada por dinheiro público, oferecida gratuitamente, acessível a amplas camadas da população – arte feita para o povo”, diz o manifesto É Hora de Perder a Paciência (íntegra aqui ).

O movimento que organiza as manifestações de segunda-feira considera inadmissível o corte das verbas do MinC, que caiu de 2,2 bilhões de reais para 800milhões de reais do Orçamento geral da União “em um momento de prosperidade da economia”. Além de tudo, as verbas da cultura são contingenciadas.

Osvaldo Pinheiro afirma que o movimento é apartidário e não se dirige exatamente contra a ministra Ana de Hollanda, mas à precariedade da política cultural, a descontinuidade de gestão e prioridades. No entanto, no ato do dia 25, os protestos contra a gestão da ministra devem acontecer e o movimento estará aberto para essa e outras manifestações, diz Pinheiro.

Mais informações no site Cooperativa Paulista de Teatro .

Para ler a íntegra da PEC n° 150 clique aqui :