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sábado, 19 de agosto de 2017

Para não esquecer – a final do Campeonato Brasileiro de 2002, o último que teve graça


Na era dos pontos corridos, é bom lembrar de quando o Campeonato Brasileiro tinha graça, já que hoje o Brasileirão não interessa a não ser para "se classificar para a Libertadores".

Na época de ouro do boxe, era costume a gente (todo mundo) se referir a um grande combate como "a luta  do século". No futebol, como no boxe, isso é discutível, claro. Depende do ponto de vista.

Mas não importa. O "jogo do século"  aconteceu no dia 15 de dezembro de 2002, no Morumbi, quando o Santos bateu o Corinthians por 3 a 2 e sagrou-se campeão brasileiro depois de 18 anos sem ganhar um título importante. Foi o último campeonato antes da era dos pontos corridos, iniciada em 2003.

Os melhores momentos do jogo, com a narração magistral (de rádio) do grande José Silvério:


Como disse um comentarista na época, aquilo "não foi um jogo de futebol, foi uma ópera". Independentemente de eu ser santista, foi um dos maiores jogos de futebol que vi na vida. No caso, o maior, o "jogo do século".

Estávamos lá, a família reunida, Carmem (também conhecida como Jacaré do Rio Claro ou Eminência Parda) e Gabriel. Vimos tudo do lado esquerdo do Santos no primeiro tempo e do lado direito no segundo. De maneira que testemunhamos Robinho fazer as jogadas do primeiro e do segundo gols mais de perto ("mais" porque o Morumbi é um estádio enorme e você não fica tão perto do campo como no maravilhoso Pacaembu ou na sagrada Vila Belmiro).

Também vimos o monstro Fábio Costa, com suas defesas monumentais, numa das mais incríveis atuações de goleiro que já vi. E olha que já vi Cejas e Rodolfo Rodrigues, só pra falar de santistas. A 1 (um) minuto de jogo, Fábio Costa, que veio da Bahia, já começava a mostrar que aquele título já estava escrito nas estrelas, como talvez dissesse Nelson Rodrigues. É só ver o vídeo.

***

Não publico aqui por efeméride nem nada parecido. É que postei esse vídeo acima no Facebook e resolvi registrar aqui porque em blog se registra mais definitivamente -- no face, daqui a uma semana, ninguém acha mais (a fragmentação é deliberada) -- e, afinal, tenho amigos que não têm conta na rede social.

O Santos podia até perder por um gol de diferença que seria campeão (porque ganhou o primeiro jogo de 2 a 0) e vencia por 1 a 0 até 30 do segundo tempo. Mas, quando a gente começava a timidamente querer comemorar (nunca se comemora uma vitória contra o Corinthians de antemão), eles empataram, aos 30, e viraram aos 39. Sofrimento, tensão extrema, taquicardia, até falta de ar. Mais um gol e aquele maravilhoso time de meninos de Emerson Leão perderia para a equipe de Carlos Alberto Parreira, um belo time de um grande técnico, diga-se.

Mas, 3 minutos e meio depois do segundo gol corintiano, Elano marcou o segundo do Peixe, aos 43. O gol do título. Elano saindo pra comemorar o gol e o título levantando a camisa e mostrando a imagem de Nossa Sra. Aparecida, a padroeira do Brasil. Ou seja, foi um gol mágico e espiritual para coroar um título mágico e espiritual. Só santista entende isso.

Estava 2 a 2. Eram 43 do segundo tempo e o Corinthians, o sempre terrível adversário, precisava então fazer dois gols em 4 minutos. Éramos campeões! Chorávamos na arquibancada.

O gol do título, talvez o maior gol que o maior ataque do mundo já fez (o Santos é o time que mais fez gols na história do futebol, com cerca de 12.400 gols). A jogada foi um desenho geométrico (pode conferir no vídeo), um triângulo (Elano-Robinho-Elano) para a antologia do futebol.

Elano seria, aliás, autor do gol do título brasileiro de 2004 também. Mas aí já era campeonato de pontos corridos, que os brasileiros resolveram copiar dos europeus para estragar nosso campeonato nacional, para regozijo da "crônica esportiva", que até hoje bate palmas para essa estupidez.

* Digo que o campeonato de 2002 foi o último que teve graça porque foram raros os que, a partir da era dos pontos corridos (2003), emocionaram. Curiosamente, um dos únicos foi o de 2004, quando de novo o campeão foi o Santos, numa disputa que só terminou na última rodada, aos 45 do segundo tempo.

***
As escalações da final de 2002:

Santos: Fábio Costa; Maurinho, André Luís, Alex e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego (Robert, depois Michel); Robinho e William (Alexandre). Técnico: Émerson Leão

Corinthians: Doni; Rogério, Anderson, Fábio Luciano e Kléber; Vampeta, Fabinho (Fabrício) e Renato (Marcinho); Gil, Deivid e Guilherme (Leandro). Técnico: Carlos Alberto Parreira

domingo, 9 de abril de 2017

Dia de Guarani x Portuguesa, dia de tradição e nostalgia


Clássico de hoje pela série A2 do paulistinha: Guarani x Portuguesa. Pode soar como brincadeira ou ironia, mas não é. São dois clubes de grande tradição. 

Hoje, no Brinco de Ouro, a Lusa vencia até os 47 do segundo tempo, quando o juiz deu pênalti pro Guarani. Foi mão na bola, segundo o juiz, apesar de eu achar que foi bola na mão. Dúvida. Mas, na dúvida, a arbitragem sempre foi e sempre vai contra a Lusinha. Eita sina. Final, 1 a 1. O Bugre está em quarto lugar e hoje estaria na semifinal, enquanto a Lusa perdeu a chance de se aproximar dos 4 líderes e, agora em décimo lugar, tem poucas chances de disputar o acesso à primeira divisão estadual.

Grandes histórias


O Guarani foi o primeiro e único time do interior paulista a ser campeão brasileiro (1978). A Lusa era um dos indiscutíveis cinco grandes de São Paulo. Nos anos 70 tinha uma esquadra onde formavam Zecão, Calegari, Badeco, Dicá e o grande Enéas, entre outros. 

Em 1996 foi vice-campeã brasileira, perdendo a final em Porto Alegre para o Grêmio por 2 a 0. O tricolor gaúcho tinha mais time, foi campeão com justiça, mas foi uma pena a Lusa não ter levantado a taça, porque merecia ter sido campeã nacional.

A Portuguesa já foi uma fábrica de jogadores. Entre muitos que revelou para o futebol brasileiro, estava Enéas (nome do herói do poema de Virgílio), que jogou na época de Pelé (Santos), Rivelino (Corinthians), Pedro Rocha (São Paulo) e Ademir da Guia (Palmeiras).


A Lusa de 1975: Enéas é o segundo da esquerda para a direita, agachado

O Guarani era uma indústria fabulosa de craques. Careca, Neto, Zenon, Luizão, Evair, .Djalminha! Todos foram revelados lá. Há quem considere que, se Careca tivesse jogado contra a Itália em 1982 em Sarrià, o Brasil não teria perdido para a Itália de Paolo Rossi por 3 a 2. Mas Careca estava fora, e jogou Serginho Chulapa, que não estava à altura daquele time de craques (apesar do valor de Serginho e de tudo o que fez). Estou entre os que acham isso.

No meu Santos, dois bicampeões brasileiros (2002 e 2004) vieram do Bugre: Elano e Renato.

Estive muitas vezes no Canindé. Numa delas, em 1993, testemunhei o gol de placa de Dener, o jovem craque que morreu tão cedo num acidente de carro (em 1994, com 23 anos). Naquele 1 de maio de 1993, numa partida em que o Santos vencia por 2 a 0 no segundo tempo, de repente baixou o capeta no jovem Dener e, em cerca de 15 minutos, o jogo estava 4 a 2 para a Lusa.

Lusa e Guarani são dois grandes que hoje infelizmente estão mergulhados numa luta melancólica para sobreviver.

O gol de placa (com narração do velho e bom Silvio Luiz) foi esse:


terça-feira, 29 de novembro de 2016

"De nossa parte, e para sempre, Chapecoense campeã da Copa Sul-americana"




O Atlético Nacional da Colômbia solicita, por meio de nota oficial em seu site, que o título da Copa Sul-Americana 2016 seja entregue à Chapecoense.

Diante da tristeza, da tragédia e da injustiça que vitimou o clube, fica uma notícia consoladora sobre tudo isso. Injustiça porque a Chape é um clube médio transformado em exemplo de gestão, e por isso ascendeu da série D à A e estava numa final internacional, o que nunca um clube catarinense havia conseguido.

E o  Atlético Nacional mostra grandeza. Abaixo a nota do clube colombiano na íntegra.

"Atlético Nacional solicita a Conmebol que el título de la Sudamericana sea entregado a Chapecoense"

"El dolor embarga rotundamente nuestros corazones e invade de luto nuestro pensamiento. Han sido horas lamentables en las que hemos estado consternados con una noticia que nunca quisimos haber escuchado. El accidente de nuestros hermanos del fútbol de Chapecoense nos marcará de por vida y desde ya dejará una huella imborrable en el fútbol latinoamericano y mundial. Todo esto ha sido completamente inesperado, por eso el dolor. Se trataban todos ellos, futbolistas, Cuerpo Técnico, periodistas y tripulación, de personas con muchos sueños, por eso el llanto.

"El lamento mundial se ha hecho extensivo también a toda la familia Verdolaga quienes desde sus patrocinadores, su Junta Directiva, su Cuerpo Técnico, sus jugadores, su parte administrativa y su afición, han manifestado el desconsuelo y la desazón por lo absurdo. La solidaridad no se hizo esperar y de nuestra parte acompañamos de forma rotunda el padecimiento de todos los hermanos que nos abandonaron quienes junto a sus familiares y nosotros, compartíamos una ilusión grande de ser campeones continentales de la Copa Sudamericana.

"Luego de estar muy preocupados por la parte humana pensamos en el aspecto competitivo y queremos publicar este comunicado en donde Atlético Nacional invita a Conmebol a que el título de la Copa Sudamericana le sea entregado a la Associacao Chapecoense de Futebol como laurel honorífico a su gran pérdida y en homenaje póstumo a las víctimas del fatal accidente que enluta nuestro deporte. De nuestra parte, y para siempre, Chapecoense Campeón de la Copa Sudamericana 2016
."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Santos de Gabriel faz duelo final contra Palmeiras de Fernando Prass



Artilheiro da Copa do Brasil, Gabigol, e Prass, o melhor do Palmeiras

Desde quinta-feira passada, a discussão que tenho de enfrentar sobre a esperada final Santos x Palmeiras, com raras exceções, se resume a isso: foi pênalti, não foi pênalti, foi pênalti, não foi pênalti, foi pênalti, não foi pênalti. A enfadonha discussão começou com o protesto de palmeirenses no Facebook.

Quase ninguém parece ter-se lembrado de falar de futebol. Ou se preocupou em lembrar que esta final da Copa do Brasil entre os dois grandes clubes é a segunda desde os estertores dos anos 1950. A final do Paulistão de 2015, vencida pelo Santos nos pênaltis, foi a primeira decisão entre ambos desde 1959, embora aquela, vencida pelo Palmeiras, tenha sido um caso à parte: o Paulista daquele ano foi disputado em pontos corridos e, como Palmeiras e Santos terminaram empatados, tiveram de fazer uma disputa-desempate.

A montagem da imagem acima é proposital: o artilheiro da competição contra o melhor jogador do time da capital, o goleiro, o que, por si só, já diz muito do duelo. 

Mas o fato é que, nesta quarta-feira, 2 de dezembro, acredito que o Santos continua levemente favorito. Diria por 55% a 45%. O Santos é mais time. Tem no elenco jogadores talentosos e decisivos, como Gabriel (artilheiro da Copa do Brasil com 8 gols) e Lucas Lima. Tem o artilheiro de todo o país em 2015, Ricardo Oliveira, com 36 gols. Jogadores experientes, como o próprio camisa 9 e o volante Renato.

Além disso, a vitória por 1 a 0 na Vila deu ao Alvinegro uma vantagem não só matemática, mas também tática: ao contrário do jogo na Vila Belmiro, quando o Palmeiras não jogou futebol e não deu sequer um chute a gol (a não ser um cruzamento que foi direto à meta de Vanderlei a 1 minuto de jogo), no Palestra Itália o Alviverde vai ter que jogar – ou seja, se abrir, mesmo que com cautela – se quiser reverter o placar adverso. Isso é tudo que o Santos queria, e por saber disso é que veio a revolta e inconformismo dos palestrinos após a derrota na Vila. A principal arma do Santos de Dorival Jr. é o contra-ataque em velocidade, com Lucas Lima armando os golpes fatais de Ricardo Oliveira e/ou Gabriel, e foi assim que o Peixe eliminou o Corinthians em pleno Itaquerão por 2 a 1.

O Palmeiras pode contar como armas o aguerrimento e a torcida que vai lotar o estádio. Essa vantagem , porém, pode se virar contra o time se ele não fizer um gol logo. A ansiedade da equipe e da torcida vai crescer na medida em que o tempo passa. Se o Santos marcar um gol antes, a tarefa ficará ainda mais difícil para o Alviverde. O Peixe marcou pelo menos um gol em todas as 13 partidas disputadas até aqui na competição.

Mas futebol é jogo e jogo é também sorte e azar. Se o Palmeiras marcar antes, pode conseguir se armar na defesa e na catimba, que terá de usar contra um time superior, e vencer o jogo. Se por um gol, para decidir nos pênaltis. Para ser campeão direto, precisa de uma diferença de dois gols.

***

Gosto dos comentários de Paulo Vinícius Coelho porque ele fala de futebol e informa, ao invés de ficar com blá-blá-blá de pênalti, não-pênalti. Ao comentar o jogo vencido pelo Santos, na semana passada, ele lembrou: “A final da Copa do Brasil se parece com a decisão do Paulistão”. Disse também o PVC no texto: “O Santos é mais time. Mas neste ano, agora são seis clássicos Santos x Palmeiras. O Santos ganhou todos na Vila, o Palmeiras venceu os dois no Allianz Parque e todas as vitórias aconteceram por um gol de diferença. Só falta isso e a decisão por pênaltis para repetir a final do Campeonato Paulista”.

Então é isso. Chega de papinho de pênalti, caros palmeirenses, como se aquele do primeiro jogo fosse o primeiro pênalti ou não-pênalti polêmico da história do futebol.

Como dizia o velho Osmar Santos: vamos pro jogo, garotinho.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A indignação de Joanna Maranhão


Reprodução
O depoimento em vídeo que a nadadora pernambucana Joanna Maranhão postou hoje na internet é muito significativo. “Vou para o Pan-Americano, vou defender o meu país, mas não vou estar representando essas pessoas que batem palmas pra Feliciano, Bolsonaro, Eduardo Cunha, Malafaia... Não são vocês que estou representando. A torcida de vocês não faço questão nenhuma de ter.”

A intervenção indignada (assista ao vídeo abaixo) foi um desabafo depois do espetáculo circense neofascista a que assistimos ontem na Câmara dos Deputados, patrocinado por Eduardo Cunha.

"Já e a segunda vez que eu amanheço e tomo conhecimento dessas manobras criminosas que Eduardo Cunha tem feito no Congresso e eu sinto um desgosto muito grande", disse Joanna, sobre a desfaçatez cínica com que o presidente da Câmara passou por cima da Constituição e da Democracia e fez aprovar em primeiro turno a redução da maioridade penal, exatamente como fizera com a PEC do financiamento privado de campanhas eleitorais.

O mundo de atletas é um mundinho estreito. A todo momento vemos esses analfabetos políticos dizerem (literalmente) amém a tudo, atribuir qualquer conquista ou derrota à vontade do senhor. Agora há pouco, minutos atrás, o atacante Fred, do Fluminense, chamado a falar de seu gol contra o Santos no Maracanã, começou assim: "fui abençoado com esse gol..."

Atualmente (e no jogo Santos x Fluminense os dois times festejaram gols assim) você não vê mais nem mesmo comemoração de gol. Os jogadores fazem uma rodinha, ajoelham e levantam as mãos ao céu. Quase todos os gols agora são comemorados assim! É inacreditável, é doentio. Estou convencido de que é também por causa dessa mente obtusa e acéfala que o futebol brasileiro está como está, embora haja outros fatores, que não vêm ao caso aqui.

Vi o River Plate eliminar o Cruzeiro da Libertadores por 3 a 0, em Minas, em maio. O jogo mostrou bem o que é um time que tem cérebro, tática e cultura (River) contra um bando de pentecostais que só falam no "senhor". Os argentinos jogam futebol e pensam, os brasileiros nem jogam bola e muito menos pensam mais.

Enfim, muito bem-vindo o depoimento de Joanna Maranhão. Corajosa e politizada, a atleta brasileira mostra que não é por ser uma esportista que a pessoa precisa ser despolitizada, egoísta e imbecil.

Veja o vídeo postado pela nadadora.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um papo exclusivo com Luiz Gonzaga Belluzzo sobre o Palmeiras



Reprodução


Conversei na sexta-feira (19) com o ex-presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, para uma matéria de economia para a RBA. Na oportunidade, tivemos um breve colóquio sobre algo menos importante, mas que ele conhece tanto como economia: como vê hoje o clube que presidiu no biênio 2009/2010. “Acho que o Palmeiras está reformulando o elenco ao meu ver de uma maneira que dá esperança de que o time não tenha um desempenho tão ruim quanto teve em 2014, porque contrataram um profissional, Alexandre Matos (ex diretor de futebol do Cruzeiro), que pelo retrospecto é um sujeito judicioso. Claro, com limitações que têm que ser impostas mesmo. Mas ele tem um retrospecto que o recomenda. O Palmeiras está fazendo contratações que, no ambiente do futebol brasileiro hoje, são bastante razoáveis”, diz Belluzzo.

Sem citar nomes, o economista afirma que o presidente do clube, Paulo Nobre, ouviu pessoas sem a estatura digna do clube. “Como disse o Brunoro, ele se aconselhou com pessoas que não tinham gabarito suficiente para serem assessores, conselheiros de um clube grande como o Palmeiras. O aconselharam a encolher o clube. Ele já percebeu, espero que tenha percebido, e a torcida do Palmeiras não admite isso”, acredita.

O Alviverde anunciou ontem a contratação do meia Zé Roberto (ex-Grêmio), de 40 anos, e o atacante Leandro, destaque da Chapecoense no Campeonato Brasileiro. O técnico Oswaldo de Oliveira foi anunciado como novo treinador da equipe na semana passada.

Ainda sobre Paulo Nobre, Belluzzo diz que o presidente de um clube grande precisa pensar de acordo com essa grandeza. “Se você se fechar dentro do clube e ficar se aconselhando com quem não tem condições de dirigir um carrinho de pipoca, é difícil... O cara pode até ter superávit com um carrinho de pipoca, mas é um carrinho de pipoca.”

Para Belluzzo, a torcida do Alviverde “não admite” um time “mais ou menos”, que tem sido a política no clube nas últimas temporadas.

Ele se diz esperançoso de que o Palmeiras consiga finalmente se manter com uma estrutura profissional e acha que a Arena pode ser um pilar para isso. “O Palmeiras é um dos poucos clubes, talvez o único no Brasil, que tenha construído uma fonte alternativa de receitas adicional (a Arena) num momento em que o futebol brasileiro está com uma reputação muito ruim. O estádio foi pensado pra isso. Mas precisa conseguir parceiros, ir atrás de patrocinadores”, diz o ex-dirigente, que bancou a ideia da Arena quando presidiu a agremiação.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Adeus, Pacaembu


Foto: Edu Maretti



O Corinthians se despede do Pacaembu. Com uma vitória sobre o coirmão carioca Flamengo (por 2 a 0), o “bando de loucos” disse adeus ao estádio que se acostumou a chamar de casa. Tenho um grande carinho pelo Pacaembu, não somente como corintiano, mas sobretudo como amante do futebol. Creio que o Pacaembu é, ao lado do Maracanã e do Mineirão, um dos grandes templos do futebol brasileiro. Poderíamos situar junto desses templos o Morumbi, o Beira-Rio e o velho Olímpico Monumental, mas esses estádios estão por demais carregados pela imagem e história de seus donos. Não são públicos, como os três primeiros, historicamente apropriados por diversos times e diferentes comunidades de torcedores.

Particularmente, não sou um corintiano que valoriza especialmente a “construção da casa própria”. Não penso que todo time tem de ser detentor de um estádio para ser grande, ideia que, para mim, é bastante são-paulina, uma vez que o Morumbi foi por muito tempo considerado o maior estádio particular do mundo, motivo de orgulho e soberba para os torcedores do SPFC. Tenho uma certa visão de que a ideia de que o Corinthians deveria ser dono de um estádio foi de certa forma inoculada em nossa mente por nossos rivais. Creio que seria possível resistir. Conquistamos a América e o mundo sem “casa própria”.

Historicamente, uma nova fase se inicia para o Corinthians. Seus desdobramentos ainda são imprevisíveis, uma vez que o orçamento inicial (já enorme) do novo estádio explodiu durante a construção e, ao contrário do que muitos pensam, o clube terá, sim, de arcar com a maior parte dos recursos captados para erguer a arena. Neste novo contexto, poderemos sentir mais saudades do Pacaembu do que imaginamos.

Não só corintianos conhecem a energia desse charmoso estádio, inaugurado há exatos 74 anos, também num dia 27 de abril, em partida em que o Palmeiras goleou o Coritiba. Infelizmente, na noite em que eu mais desejei entrar no bom e velho Paca, a noite enluarada do dia 4 de julho de 2012, não consegui. Cheguei a clicar sobre o ingresso no site do Fiel Torcedor, mas depois o site caiu e, quando voltou, todos os ingressos estavam esgotados.

De todo modo, embora tenha assistido a uma boa quinzena de jogos do Corinthians no estádio, a memória mais emblemática que conservo dele é televisiva: o estádio inteiro agitando bandeirinhas brancas para receber o time para o segundo tempo da final da Libertadores, os 45 minutos em que o Corinthians despedaçou o poderoso Boca Juniors e conquistou a América pela primeira vez. Por isso, assisti com enorme tristeza a noite mórbida em que o time enfrentou o Millonários com portões fechados (punição justa pela tragédia de Oruro, causada por nossa torcida). Creio que esses dois episódios ilustram a intensidade da história corintiana no estádio que, na simplicidade de sua arquitetura e de suas instalações, recebeu com galhardia algumas das páginas mais significativas da história do Sport Club Corinthians Paulista. A nação corintiana deve dizer obrigado. 

Leia também: 




A banana, o futebol e o Brasil






Só brasileiro mesmo, pra ter uma atitude de tamanha presença de espírito como a de Dani Alves. Com a disseminação dos atos racistas cada vez mais frequentes e (diga-se) impunes na Europa, o gesto do lateral direito do Barcelona e da seleção brasileira de pegar e comer a banana jogada no campo no jogo contra o Villarreal (vitória do time catalão por 3 a 2) entra para a antologia do futebol.

Por essas e outras é que acho inadmissível que os mal humorados (ou mal intencionados) torçam "contra" o Brasil, seja para a Copa do Mundo dar errado, seja para perdermos o Mundial.

Dani Alves mostrou com ironia e bom humor a alma brasileira para o mundo todo ver que nós adoramos banana, adoramos futebol, adoramos carnaval, somos hospitaleiros e nossa resposta à intolerância e à imbecilidade é essa: comer banana, que é amarela como a camisa da seleção e tem potássio, que evita cãimbras.

Cada vez mais me convenço de que o futebol é uma metáfora da vida.

A Veja, esse magnânimo veículo do jornalismo marrom, já deu matéria tentando desqualificar o gesto. Ótimo. A Veja detesta a cidadania. O que é bom para a Veja não é bom para o Brasil... E vice-versa. Logo, se a Veja quer destruir, é porque é bom.

PS: e mais uma coisa: se o gesto é aproveitado pelo marketing, tanto melhor: é marketing do bem.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Santos faz 4 a 0 na Ponte e chega à semifinal do Paulistão com 30 gols marcados na Vila


O Santos de Oswaldo de Oliveira eliminou a Ponte Preta no jogo único pelas quartas-de-final do Campeonato Paulista de forma categórica, por 4 a 0, na Vila Belmiro.

Veja os gols, e (que ótimo!) sem narração de nenhum locutor chato (Uh-tererê!, grita a torcida na Vila) : 



Destaque para o polivalente Thiago Ribeiro, que jogou no campo todo, roubando bola na defesa como se fora um volante ou chutando a gol como se fora um meia.

O volante-meia Cícero é fundamental para dar qualidade ao meio de campo, que tem no volante Arouca um esteio e no voluntarioso meia Geuvânio a ousadia. E no atacante Gabriel a malícia, e também a ousadia. O menino Gabriel tem confiança e chuta (como fez no terceiro gol do time), enquanto o caríssimo Leandro Damião, em jogada semelhante, depois, sem a mesma autoconfiança, preferiu tentar um passe equivocado.

Mas lembremos que Damião fez uma jogada espetacular, dando um passe de bicicleta para Geuvânio entrar sozinho e fazer 2 a 0 logo no início do 2º tempo, e a partir daí o jogo ficou fácil.

O time do Santos tem sabido se defender e armar bem para anular o adversário em seu (do Santos) campo de defesa. E no contra-ataque tem sido mortal, com as assistências que podem vir dos pés de Geuvânio, Cícero, até mesmo Arouca em alguns momentos.

A defesa tem se comportado bem, com titulares ou reservas. A dupla de zaga (de reservas) Neto e David Braz, que atuaram na vitória contra o Palmeiras por 2 a 1 no domingo na Vila e nos 4 a 0 de hoje contra a Macaca, está dando conta do recado. Particularmente, Neto foi surpreendentemente seguro nos dois jogos.

O problema da equipe da Vila Belmiro são as laterais. Pela direita, Cicinho é voluntarioso e afoito, costuma levar bola nas costas e não é muito inteligente; pela esquerda, o chileno Mena é lento e dá a impressão de que nunca vai estar lá para cobrir (ou seja, também leva bola nas costas).

Seja como for, o Peixe eliminou a Ponte com mais uma das várias goleadas que aplicou no estadual deste ano, com destaque para os 5 a 1 contra o Corinthians.

O Alvinegro da Vila jogou 9 vezes em seu campo até aqui no Paulistão: foram 9 vitórias, 35 gols a favor (3,33 por partida) e 5 contra. Está na semifinal jogando um futebol bonito, parecido àquele que sua torcida gosta, que mostra em campo o espírito de Santos.

PS: duas horas e meia depois, o Penapolense do técnico Narciso eliminou o São Paulo Futebol Cube do glorioso Muricy Ramalho na disputa de pênaltis por 5 a 4, depois de um exuberante 0 a 0, digno de um Tricolor de Muricy.

Como o Santos enfrenta agora, na semifinal, o Penapolense, e tem tudo para ir à final, e o Palmeiras precisa ganhar nas quartas do Bragantino amanhã (hoje, quinta-feira 27) e depois enfrentar na semi o Ituano (que eliminou o Botafogo de Ribeirão Preto), é possível que finalmente (finalmente!) Santos e Palmeiras façam uma final depois de muitas décadas.

Ainda não consegui apurar concretamente qual foi a última vez que o prélio Palmeiras x Santos foi a final de alguma coisa. O que até agora consegui saber foi que decidiram o Paulista de 1959 numa "melhor de 4 pontos", e que o Alviverde levou a taça: link do Futepoca. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Santos, o artilheiro do mundo (ensaio sobre futebol)


Alvinegro da Vila é o time que marcou mais gols na história do futebol, 12.003, até a data de hoje. No sábado 1º de fevereiro, o menino Gabriel, agora mais um dos lendários meninos da Vila, com seus 17 anos, anotou o tento de número 12 mil da história do clube, contra o Botafogo de Ribeirão Preto na Vila Belmiro, na goleada por 5 a 1, após massacrar o Corinthians pelo mesmo placar três dias antes.


Ivan Storti/Divulgação Santos FC
O "menino da Vila" Gabriel, autor do gol 12 mil, aos 17 anos



O título do post é autoexplicativo. Nunca consegui falar de futebol de maneira muito informativa. São as minhas divagações de sempre, que às vezes fogem quase completamente do tema.

Os que me conhecem já devem estar pensando que venho dizer que o Santos é isso, que o Santos é aquilo, que é mágico, que é filho de Iemanjá, que parou uma guerra, que o Santos é o time mais glorioso de todos os tempos etc. etc. etc. Não, nada disso, não vim falar nada disso. Mesmo porque se dissesse isso diriam: "mas o Santos só tem dois títulos do Mundial de Clubes, um título da Recopa Intercontinental, três títulos da Copa Libertadores da América, um título da Recopa Sul-americana, um da Copa Conmebol, um da Supercopa Sul-americana, oito Campeonatos Brasileiros (títulos nacionais unificados), uma Copa do Brasil, cinco títulos do Torneio Rio-São Paulo, vinte do Campeonato Paulista, uma Copa Paulista etc. etc. etc." e sei lá o que mais diriam... Mas aos que diriam isso eu digo que também não vim falar disso, porque sei que há clubes no mundo com mais títulos que o Santos. Também meu objetivo não é justificar o fato de o Santos ser o único time grande do futebol brasileiro que não pertence à capital de seu Estado, pertence a uma cidade com menos de 500 mil habitantes.

Sei que o futebol é um ramo bastante poluído pelo enorme interesse que desperta. Há bilhões de dólares circulando no futebol. Seria um hipócrita se dissesse que é apenas um esporte e que os negócios pouco interferem. Porém, há motivos justos para se gostar do futebol, independentemente dos resultados, que são descaradamente manipulados, em alguns casos que todo boleiro bem informado conhece. E ainda assim há motivos para se gostar do futebol.

Os que me conhecem costumam dizer que sou santista porque meus pais são santistas. Este fato não nego, porém também não afirmo, pois não posso retroceder no tempo, alterar o destino e depois colocá-lo em andamento novamente para saber qual seria o resultado do meu presente. Mas uma coisa posso afirmar, se não fosse santista, muito provavelmente hoje em dia teria um certo desinteresse pelo futebol. Quando era criança, tive alguma empatia pelo Clube de Regatas Flamengo, mas apenas a ponto de querer que vencesse os demais times que não fossem o Santos. Hoje em dia o Mengão não passa de mais um clube dentre os tantos no mundo, com uma gigantesca torcida preta e vermelha, combinação que me agrada os olhos.

Retomando, vim aqui para dizer apenas uma coisa, todas as outras coisas que disse podem cair em argumentações sem fim e reafirmo que há outras atividades na vida além de discutir futebol.

Mas há algo que ainda vale a pena e em que dólar nenhum manda.

Há quem diga que título é o que importa. Para estes, eu diria que passem a ser fanáticos torcedores do Real Madrid (time pelo qual nutro verdadeira ojeriza), do Barcelona, do Bayern de Munique, do Milan, da Juventus etc. etc. etc. É natural que um time tenha a necessidade de ganhar títulos. O Santos não é o time com mais títulos no mundo.

Vincent Van Gogh, para os meus olhos o maior pintor de todos os tempos, vendeu apenas um quadro em sua vida, o que quer dizer que suas conquistas em termos de “títulos” beiraram o zero. Carlos Drummond de Andrade, para o meu cérebro comum, o maior poeta que já li e imenso contista, nem em dez reencarnações faria fortuna como já fez J. K. Rowling com seu Harry Potter. Esta é uma comparação desmesurada, claro, mas nem sequer posso comparar Drummond a algum poeta que tenha ficado rico apenas vendendo poesia, pois não há, a despeito de a poesia ser geralmente pioneira nas tendências da arte.

Sim, preciso ver arte no futebol, de outra forma teria verdadeira preguiça de assistir a jogos. Bom, cansei de dizer o que não diria. O único fato que me leva a redigir tantas letras em favor do futebol é a arte que nele há. E nisto diria que há ainda um motivo justo para se gostar de futebol, para ligar a diabólica televisão ou conectar-se à poluída internet para ver um jogo: o gol. É claro que só marcar gols não é suficiente para ganhar jogos nem títulos, mas é natural que um time que faça muitos gols ganhe muitos títulos, mesmo que não todos! O gol é a maior alegria de um torcedor. Jamais torceria para meu time ganhar um campeonato fazendo poucos gols e sofrendo menos que fazendo. Sinto verdadeiro tédio com isso.

Senti verdadeiro tédio quando, após ganhar a Libertadores com o padrão de jogo característico, Muricy Ramalho transformou o Santos em um time de futebol horroroso e retranqueiro. Para os adoradores do futebol de resultado, diria que poucas vezes me deu tanto prazer de ver futebol quanto no simples Campeonato Paulista de 2010. Há torcedores que não tiveram tanto prazer vendo seu time ganhar o Campeonato Brasileiro. Para mim, ver o Santos jogar nunca foi motivo de luta, guerra ou resultado, mas simplesmente bom futebol e acima de tudo gols!

Mas, infelizmente, não são todos os torcedores do mundo que elegem o gol e um futebol bonito de encher os olhos de leigos e troianos como as melhores características dos clubes para os quais torcem. O objetivo de um time de futebol é fazer gols. Também é não tomar, mas, como disse, sinto tédio com jogos em que o objetivo de um time é não tomar e, quem sabe, fazer. Ser um campeão invicto com um a zero, meio a zero, um décimo a zero é algo que, particularmente, não me agrada.

Estou aqui para lembrá-los de que a torcida do Santos Futebol Clube é a torcida mais feliz do mundo e que mais tem motivos para ignorar a desgraça política em que está metido o futebol. Gols, moleques que só querem saber de brincar com a bola e fazer gols. Fiquem com os seus Barcelonas (Muricy já foi embora e levou os quatro a zero com ele), Real Madrids, Milans, Palmeiras, Corinthians, São Paulos, Boca Juniors... o Santos é o artilheiro do mundo. Venham bater uma bolinha irreverente com o Peixe, e quem sabe, num dia inspirado, a poesia aconteça mais uma vez.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Futebol brasileiro em 2013 só valeu pela foto



Luiza já veste a camisa

Fim de ano é época de balanços. Começo uma pequena série antes do fim dos 12 meses pelo assunto que nesse período do calendário quase abandonei aqui no blog: futebol. E, nesse tema, pouca coisa realmente valeu a pena em 2013. Uma delas foi a foto que (entre outras) fiz na festa de aniversário da Luiza, minha sobrinha, filha do Alexandre. Como se vê, ela foi definitivamente conquistada para as hostes palmeirenses pelo pai, pelo tio Paulo e pelo avô. O tio santista aqui, isolado, nada poderia ter feito. Claro que na festa, dia 16/11, ela usou outras roupas (era festa!), trocou algumas vezes de figurino, o do Palmeiras foi só no fim, já à noite. Mas consta também que, dias antes de ganhar a camisa do Palmeiras de aniversário do tio, ela reclamou: "pai, minha camisa do Palmeiras já tá pequena". 

Por falar em criança e alegria, e também em Palmeiras, nasceu dia 30/11 a formosa Alice, que o pai Anselmo (do Futepoca) tem esperança de que se torne outra adepta da tradição de Ademir da Guia. Mas aí já são outros quinhentos, muita água vai rolar debaixo da ponte e o pai terá de se empenhar um pouco. A pequena sagitariana tem apenas dez dias de vida! Luiza já tem 7, tudo indica que já é palmeirense.

O Brasileiro de 2013

Bem, mas tirando as crianças e essas associações afetivas, de resto, o futebol brasileiro em 2013 deu tédio. No último fim de semana acabou o campeonato (para mim) mais chato de que me lembro. Este ano, aliás, quase não perdi tempo com futebol, e não só pelo meu time, o Santos, ter passado um ano em branco (com o perdão do trocadilho). O campeonato Brasileiro acabou como começou: com uma emoção similar à provocada por um torneio de vôlei. Sem contar com espetáculos sórdidos como o da pancadaria brutal entre torcedores de Atlético-PR e Vasco, na última rodada.

Eu, que passei um ano muito ocupado e cheio de coisas a fazer, só fiquei sabendo que o Cruzeiro tinha sido campeão dois dias depois, vendo uma notícia na Web. Meu desinteresse deve-se em boa parte a essa fórmula insossa, importada e chata de pontos corridos. A cada ano o Brasileiro fica mais e mais desinteressante, quase tanto quanto uma novela da TV Globo, que aliás é quem manda no calendário. O título virou uma coisa secundária. O que importa mesmo é a Libertadores.

Tive o privilégio de ver in loco meu time ser campeão no último Nacional disputado na antiga fórmula de mata-mata, quando o Alvinegro da Vila derrotou o Corinthians em duas partidas (2 a 0 e 3 a 2) e sagrou-se campeão brasileiro de 2002 depois de 18 anos sem um título considerado importante, na época. “Pontos corridos é mais justo”, dizem os defensores do atual sistema.

Mas quem disse que futebol tem de ser só justo? Futebol é esporte e jogo, e jogo sem sorte e sem duelo, politicamente correto, só justo (e viva a justiça!), não tem graça. Quem gosta de jogo sabe disso.
Voltando a 2013, o destaque é do futebol mineiro, campeão brasileiro (Cruzeiro) e da Libertadores (Atlético). 

Paulistas decepcionantes

O futebol paulista deu vexame e, incluindo todos os torneios, não emplacou nenhum clube na Libertadores de 2014. O melhor time do estado no Brasileiro foi o Santos, em 7° lugar (57 pontos), seguido pelos medíocres São Paulo e Corinthians (7° e 8°, ambos com 50) e Portuguesa (12ª, 48). 

Para os paulistas, além do fracasso generalizado, foi um ano de lambanças. O Santos, que muitos consideravam candidato ao rebaixamento, surpreendeu muito, positivamente: ficou sete pontos à frente dos rivais da capital e, mesmo tendo perdido Neymar e passado por crise política, conseguiu 4 pontos a mais do que no ano passado com o milionário Muricy Ramalho. Mas, mesmo assim, demitiu o jovem treinador Claudinei Oliveira, oriundo da base do clube, que fez um trabalho excelente ganhando menos do que 10% do que era pago ao tosco Muricy, que tinha Neymar. Se contratar Oswaldo de Oliveira, me parecerá uma boa escolha, que eu achava (mesa de bar) que deveria vir para o Santos quando foi para o Botafogo em 2011. Mas a escolha certa por Oswaldo não apagará a injustiça (ah, a justiça) com Claudinei.

O Corinthians foi a maior surpresa negativa. Ninguém podia imaginar que o campeão mundial obteria míseros 50 pontos, cairia sem dar trabalho na Libertadores, não ganharia nada (a não ser o Paulistinha –dou a mão à palmatória– e ainda demitiria Tite. Vai entender.

O São Paulo passou o ano no limbo e não ganhou nem jogo de par-ou-ímpar. Foi salvo do rebaixamento por Muricy, que nunca deveria ter saído do São Paulo e poderia ficar lá para sempre, que assim não prejudicaria tanto o futebol, e de quebra poderia ajudar seu amado São Paulo, onde dá certo.

Entre os paulistas, destaque mezzo a mezzo para a Ponte Preta, rebaixada para a Segundona no Brasileiro mas que pode se sagrar campeã da Sul-Americana na quarta-feira e conquistar seu primeiro título em 113 anos, se superar o argentino Lanús no segundo jogo da final na periferia de Buenos Aires nesta quarta-feira (no jogo de ida, 1 a 1 no Pacaembu). E, se conseguir o título, rouba a vaga do Botafogo, 4° no Brasileiro, na Libertadores. E assim se completaria a urucubaca (que só o STJD, sempre essa entidade nefasta, pode amenizar, palmas à Justiça) do futebol carioca em 2013. 

E o Palmeiras... Bem, o Palmeiras já foi devidamente homenageado com a foto que ilustra este post e conseguiu seu segundo título brasileiro da segunda divisão em 2013, feito inédito entre os grandes de São Paulo. Mas os palmeirenses pelo menos tiveram o que comemorar em 2013.

Sendo assim, vai uma segunda foto, do tio Paulo-coruja, que deu a camisa para a sobrinha Luiza, com a própria.



E a Lusa...

A Portuguesa, time para o qual sempre torço para se dar bem, ou pelo menos não se dar mal, seria um destaque positivo, pois era tida e havida como certa ao rebaixamento e heroicamente se safou. Mas eis que acabo de saber que, por ter escalado um jogador suspenso, a Lusa pode ser punida com a perda de 4 pontos e aí seria rebaixada. E quem seria o beneficiado? Adivinhem? Fluminense!, que subiu em 2000 beneficiado pelo tapetão. O mesmíssimo Fluminense…

Mas, se o caso for juridicamente líquido e certo e a Lusa for punida, fica a pergunta: como um time profissional, que joga a série A do Brasileiro, poderia cometer um erro desse, digno de futebol de várzea? Francamente. Se o jogador estava mesmo irregular, onde estavam os departamentos de futebol, jurídico e técnico do clube? E onde estava o próprio jogador, Heverton? Seu pai, sua mãe, seu empresário, sei lá, alguém? Ninguém sabia da suspensão? Chega a ser estranho. Torço para que haja algum engano.

Pobre futebol carioca

Os times do Rio, Vasco, e Fluminense, caíram no campo, e assim o futebol da “Cidade Maravilhosa” foi ainda pior, mas muito pior do que o paulista. Bateu um recorde, com dois de seus “grandes” sendo degolados. O Flu, aliás, me parece ser o primeiro campeão brasileiro num ano que vem a cair no seguinte. O Flamengo, como o São Paulo, ficou no limbo. Palmas ao futebol carioca!

Menção aos gaúchos: como sempre, o Inter promete, promete, e não chega a lugar nenhum. E o Grêmio honra a tradição de um time que está sempre na disputa.

No ano que vem tem Copa do Mundo. Em termos de futebol, vai ser bem menos chato do que em 2013.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Uruguai e Portugal, bem vindos à Copa do Mundo no Brasil


Torci pros patrícios estarem no Copa do Mundo no Brasil. Nada contra a Suécia, mas a vitória da seleção de Cristiano Ronaldo por 3 a 2 em Estocolmo (após vencer em Lisboa por 1 a 0) que a colocou no Mundial foi incontestável, e com a marca do craque. Cristiano Ronaldo, pode-se dizer, é um entojo. Arrogante e egocêntrico. Mas o que esse cara joga de futebol é brincadeira. Está no auge da forma. Foi autor dos três golaços de hoje e ainda o de cabeça no jogo em casa. Quatro gols em dois jogos numa decisão de vaga de Copa do Mundo, só isso. Vai ser ótimo vê-lo atuar na nossa Copa. Copa do Mundo precisa de craques. Ibrahimovic que me desculpe, mas não deu pra ele. Além disso, a colônia portuguesa no Brasil é grande.


Vale a pena ver os três gols de Ronaldo:



Outra classificada para mim bem-vinda à Copa do Mundo é a Celeste Olímpica, bicampeã mundial (1930 e 1950). Definitivamente, boa parte do charme do Mundial de 2014 se perderia sem a seleção do Uruguai, que, por ter ficado em 5° lugar na zona sul-americana, foi para a repescagem (um mata-mata), eliminando a inexpressiva Jordânia (5 a 0 pro Uruguai em Amã, capital jordaniana, na semana passada, e escrevo estas linhas antes do desnecessário jogo em Montevidéu, nesta quarta-feira 20). A seleção que protagonizou um dos mais impressionantes episódios da história do futebol (ganhar a final da Copa de 1950 justamente no Maracanã contra o Brasil por 2 a 1) tinha que estar aqui novamente, nem que para representar a tradição de Obdúlio Varela e Ghiggia, autor do segundo gol contra o Brasil naquele 16 de julho de 1950, Ghiggia que ainda vive. E saludos ao maestro Oscar Tabárez, que merece o triunfo mais do que todos.

Entre os outros classificados na repescagem da Europa, estão a Croácia, que eliminou a Islandia; a Grécia, que despachou a Romênia; e a França, que bateu a Ucrânia. Os dois primeiros, normal e irrelevante. No caso da França, torci muito contra o time do país de Robespierre, Danton e Marat. Conseguiram se classificar na Copa passada com a ajuda da FIFA, naquele célebre gol ilegal em que Thierry Henry fez uma jogada de basquete com a mão esquerda, eliminando a Irlanda em 2009. Depois, os campeões de 1998 deram um vexame e não passaram da primeira fase na Copa de 2010 na África do Sul. O segundo gol dos bleus hoje, mais uma vez, foi ilegal. Benzema estava completamente impedido ao fazer o 2 a 0. Desta vez, os franceses pelo menos têm a desculpa de que tiveram um gol legal anulado antes. No final, 3 a 0.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O Estádio Centenário


No post sobre a viagem a Montevidéu, disse que fiquei emocionado ao visitar o Centenário, pela carga histórica da qual um ambiente como esse está impregnado.




O Centenário foi o primeiro estádio a ser construído para uma Copa do Mundo. Lá, o Uruguai se sagrou campeão do primeiro Mundial, em 1930.

Na época atual de arenas moderníssimas e padronizadas, nas quais a história se dilui, como aconteceu com o Maracanã e o Palestra Itália, fica aqui o registro de um estádio (palavra bonita que hoje ninguém mais usa) que, como dizem os uruguaios, é um "Monumento del Futbol Mundial".

Os pequenos vídeos abaixo (o primeiro com qualidade melhor) mostram um pouco do estádio por dentro, num momento em que estavam sendo feitos testes de som para a partida que seria jogada dali a dois dias, com a Argentina, pelas Eliminatórias da Copa no Brasil. A Celeste venceu por 3 a 2, mas não conquistou a vaga direta e fará a repescagem contra a Jordânia.








Vista externa do estádio construído em 1930

Torço para a Celeste. Penso que a Copa no Brasil perderia muito da graça sem os uruguaios, por questão futebolística e histórica, já que eles venceram o primeiro Mundial jogado no Brasil em 1950, batendo na final a seleção canarinho por 2 a 1 no Maracanã, numa das partidas mais impressionantes da história do futebol.


Leia também: Impressões de Montevidéu



domingo, 25 de agosto de 2013

Morre Gylmar, o goleiro da era Pelé


 Divulgação/Santos FC
O ex-goleiro da Seleção Brasileira Gylmar dos Santos Neves morreu no início da noite de hoje (25). Ele estava internado desde o último dia 8 de agosto, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, depois de ter sofrido um infarto agudo do miocárdio. Ele já tinha sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC), sofria de insuficiência cardíaca e teve o quadro de saúde agravado, nos últimos dias, por uma infecção urinária.

No último dia 22, Gylmar havia completado 83 anos de idade. O atleta chegou à consagração ao atuar pela Seleção Brasileira nas copas de 1958 e 1962 . Depois de estrear em equipes amadoras, em Santos, jogou no Sport Club Corinthians Paulista antes de entrar para o Santos Futebol Clube, onde ficou até o final da carreira.

No time do Santos foi contemporâneo de Pelé e dos craques Coutinho e Pepe e defendeu a equipe santista em 330 partidas. Pela Vila Belmiro, participou dos títulos dos campeonatos paulistas de 1962, 1964, 1965, 1967 e 1968 entre outros como a Taça Libertadores da América de 1962 e 1963.

Da Agência Brasil



quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O eterno 1 a 1


O 1 a 1 sempre foi pra mim um resultado bonito, seja no futebol de botão, quando fazíamos campeonatos espetaculares, seja no futebol até hoje. É que o 1 a 1 representa um embate, mais do que um empate. É um empate justo. Diferentemente do 0 a 0 (que é sempre decepcionante) e do 2 a 2 (que sempre deixa o sabor da derrota ou da vitória mais próximo, e por isso também decepcionante), o 1 a 1 parece a medida exata de um empate (um embate) justo no futebol. O empate entre dois que combateram bravamente, mas em algum momento reconheceram a igualdade. Não sei, tenho essa impressão.

Foi 1 a 1 o resultado do primeiro jogo de futebol que vi in loco, no campo, num dia de inverno, frio e com garoa, em 1971: Corinthians 1 x 1 Santos, com Pelé e Rivelino em campo, no Morumbi, levado por meu pai, palmeirense. Como já escrevi aqui, não lembro do jogo, de lances e nem mesmo dos gols. Lembro do 1 a 1 e do meu deslumbramento ao ver aquele gigantesco e lindo gramado verde, e as linhas brancas traçando a grande área, o meio-campo, as meias-luas, o círculo central.

Os gols da partida deste agosto de 2013


O 1 a 1 de hoje foi um belo jogo, disputado, com clima de Vila Belmiro – não pelo público, de parcos 8.120 mil pagantes, mas pelo comportamento aguerrido do time do Santos, desacreditado e abalado por uma crise política depois do vexame de Barcelona. O time mostrou que a crise é de gestão, e não técnica.

O Santos tomou um gol bobo logo aos 3 minutos do primeiro tempo, em cabeçada do zagueiro Paulo André graças a bobeira geral da zaga, que marcou a bola. Tomar 1 a 0 do Corinthians de Tite costuma ser difícil de reverter, pois a equipe é compactada, marca no campo todo, tem índices altos de posse de bola e um contra-ataque que costuma ser mortal, seja nos tempos de Émerson Sheik, seja hoje com Romarinho.

Mas o time de Claudinei Oliveira, que, pressionado pelo vexame no Camp Nou, começara a primeira etapa afobado e nervoso, conseguiu empatar logo aos 9 do segundo tempo (com justiça, diga-se). Foi um passe de Montillo que lembrou Diego em 2002, aquela enfiada para Alberto fazer o 1 a 0 no jogo de ida (que acabou 2 a 0) da final do Brasileiro de 11 anos atrás. Com o gol de William José, o Santos foi crescendo no segundo tempo. Encurralou o Timão e não ganhou por pouco.

(Parênteses para a arbitragem: o juiz Marcelo Aparecido de Souza acertadamente expulsou Paulo André e Willian José, mas o atacante do Santos foi tolo ao entrar na briga entre Neilton e Gil. Se Willian José não tivesse um chilique, Gil e Neilton teriam levado um amarelo cada um e tudo ficava por isso mesmo.)

A partir das expulsões, o Santos perdeu o ímpeto com que partia pra cima do Corinthians. Willian José, que fez o belo gol do empate, prejudicou muito o seu time (mas também, convenhamos, com esse nome não dá: ou é Willian ou é Zé – Wiiliam José é um nome péssimo para um camisa 9).

E foi 1 a 1. 

sábado, 3 de agosto de 2013

Vexame


Santos de Laor e São Paulo de Juvenal Juvêncio passam por dificuldades

O verbete Vexame, no dicionário Houaiss online: 1. ato ou efeito de vexar; vexação (...) 3. tudo o que causa vergonha ou afronta.

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Não quero parecer corneteiro, mas o Santos hoje conseguiu passar por um dos maiores vexames de sua história. Como dizia minha avó, “quem procura acha”. A humilhação já era esperada, mas foi demais para um time chamado grande. A impressão que se tinha é que era um time profissional contra um time de amadores.

Os gols do jogo estão abaixo.


Mas o que se podia esperar de uma equipe jovem, totalmente inexperiente, em reformulação, diante do poderoso Barcelona de Messi, Iniesta, Fábregas e... Neymar? A atual gestão do respeitável senhor Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro faz o Santos Futebol Clube se comportar muito aquém de sua história em alguns momentos, embora tenha sido vencedor no primeiro biênio, reconheça-se. A partir do segundo mandato, entretanto, a falta de planejamento ficou visível.

Bonachão, autointitulado modernizador, simpático santista de quatro costados, infelizmente Laor, como é conhecido, “governa” o clube entre uma internação e outra para cuidar de sua saúde. Em meio a uma visita e outra ao hospital, o mandatário ou seus subordinados venderam Neymar (ok, precisava vender mesmo, por motivos conhecidos) e marcaram a partida de hoje como parte das negociações. Resultado no Camp Nou, em Barcelona: 8 a 0, “fora o frete”, como diz um amigo. 

"Talvez não tenha sido o melhor momento para enfrentar uma equipe do nível técnico do Barcelona", disse o técnico do Santos, Claudinei Oliveira. Bingo!

Claudinei não tem culpa de nada, mas a torcida santista (e ele próprio) continua sem saber se o atual treinador é efetivo ou interino, dois meses após a saída da farsa que atende pelo nome de Muricy Ramalho e infelizmente consumiu dois anos da era Neymar com aquele futebol de quinta categoria, responsável, aliás, pelo primeiro vexame contra o Barcelona, em 2011, e, em certa medida, pior do que hoje, já que era uma partida oficial, valendo o título mundial. O time, então campeão da América do Sul, mostrou que não tinha comando e nem proposta tática aceitável.

O Santos hoje, de certo modo, também deu azar, pois pagou o pato pela acachapante derrota da seleção da Espanha na final da Copa das Confederações, em julho, quando o Brasil fez 3 a 0, fácil. O Barcelona é a base da seleção espanhola. Logo, hoje, precisava dar o troco. E deu. Com a ajuda da falta de planejamento da atual diretoria do Santos F.C.

O episódio serve para mostrar que Luis Alvaro Ribeiro, o simpático bonachão, já deu sua contribuição. O Santos não pode se apequenar como se apequenou hoje.


O Tricolor do Morumbi

O papelão do time da Vila Belmiro superou em muito o do São Paulo, que esta semana perdeu de 2 a 0 do Bayern Munique e de 1 a 0 do Milan, ficando na lanterna de um torneio de verão europeu. Perto dos 8 a 0 que o Santos levou, o pesadelo do Tricolor acabou como um pesadelo cor-de-rosa, digamos assim, com o perdão do trocadilho, que foi sem intenção. Mas o fato é que o pesadelo do Peixe foi mais tenebroso...

O problema do São Paulo é que está mergulhado em uma crise política que se reflete em campo, sem precedentes talvez em 30 anos. A crise política se dá em função da sucessão do todo poderoso Juvenal Juvêncio (que lembra os eternos Mustafá Contursi, Alberto Dualib e Marcelo Teixeira), Juvêncio com sua arrogância típica e apegado ao poder; e, dentro das quatro linhas, o retrospecto Tricolor, com Ney Franco ou Auturori, nos últimos dois meses, é uma catástrofe: pelas minhas contas, foram 14 jogos desde 2 de junho, resultando em 11 derrotas e 3 empates.

A última vitória do time de Rogério Ceni foi em 29 de maio, quando goleou o Vasco da Gama, no Morumbi, por 5 a 1, pela 2ª rodada do Brasileiro.

O time do Morumbi já disputou 11 dos 38 jogos (29%) de sua tabela no Brasileirão. Em 18° lugar, à frente apenas de Portuguesa e Náutico, já fez um ou dois jogos a mais do que todos os seus concorrentes, pois adiantou dois jogos por conta de sua viagem à Europa, onde perdeu do Milan e do Bayern.

Se a crise política persistir e o time não reagir, o rebaixamento “está logo ali”, como se diz nas Minas Gerais.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Morreu Djalma Santos, um dos gigantes do nosso futebol


Divulgação/Atlético-PR
É considerado o maior lateral-direito brasileiro de todos os tempos. Nascido em 1929, tinha 84 anos e estava internado no Hospital Dr. Hélio Angotti, em Uberaba (MG), onde vivia. Djalma teve uma parada cardiorrespiratória no início da noite de hoje, em decorrência de uma pneumonia.

O jogador marcou a história de Portuguesa (1948-1959), Palmeiras (1959-1968) e Atlético Paranaense (1968-1972). Disputou mais de cem partidas pela Seleção Brasileira de Futebol, incluídas as copas de 1954, 1958, 1962 e 1966. Disputou três jogos do Brasil na Copa de 1954, na Suíça, apenas a final da Copa de 1958, na Suécia (quando o Brasil bateu os donos da casa por 5 a 2), e seis partidas da Copa de 1962, no Chile, quando a seleção verde-e-amarela foi bicampeã ao derrotar a Tchecoslováquia por 3 a 1 na decisão.

Gerardo Lazzari
Em 2005, no Canindé

Conversei com Djalma Santos no início de 2005, quando fui, com o fotógrafo Gerardo Lazzari, fazer uma reportagem no Canindé, porque a Lusa estava se reformulando e seus dirigentes prometiam que dali pra frente tudo ia ser diferente. Djalma era o convidado de honra e foi prestigiar o evento, apoiar a reformulação, e disse que apostava nela, que a Lusa era grande e ia retomar seu caminho. Não me lembro das aspas, o que ele disse exatamente.

Era um homem bonito, educado, de fala tranquila, que passava uma energia boa. É engraçado. Entrevistei tanta gente importante, mas o papo de alguns minutos com aquele senhor magnético, cheio de energia, amável, uma lenda dos gramados, me deixou mais feliz do que muitas entrevistas. É a magia do futebol.

Numa matéria do Estadão daquele mesmo ano de 2005, alguns meses depois, Djalma, segundo a reportagem,  na sala de visitas de sua casa, tinha uma foto da seleção campeã de 58: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. “O dedo indicador de Djalma pára diante de cada companheiro de time. "Estes já morreram", disse então, mostrando Orlando, Didi, Garrincha e Vavá. "Estes dois estão doentes. Tomara que melhorem", comentou ainda, apontando Gilmar e Bellini.

Djalma acabou indo primeiro. 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A Libertadores não tem nada a ver com Deus. Mas o Galo mereceu estar na final


A mais uma vez dramática classificação do Atlético-MG, agora à final da Libertadores 2013, nos pênaltis, diante do argentino Newell's Old Boys, é mais do que justa. Pelo futebol do time (o que mais encanta no Brasil hoje), pela campanha, pela torcida apaixonada, mas principalmente pelo técnico Cuca, um cara que merece um grande título pelo trabalho que há anos vem desenvolvendo (conheço vários são-paulinos que garantem que o São Paulo campeão da Libertadores e Mundial em 2005 foi montado por ele).


Mais do que ninguém, o treinador do Galo mereceu a façanha

Porém, não posso ser cínico e dizer que torci pro Galo. Por dois motivos: 1) acredito que se o Galo caísse hoje Cuca, talvez, considerasse encerrado o ciclo no clube mineiro, e, quem sabe, olhasse para os lados do litoral paulista, onde o Santos está precisando de um treinador exatamente como ele (o próprio treinador disse recentemente que deseja um dia voltar à Vila Belmiro, onde também hoje o Santos vergonhosamente empatou pela Copa do Brasil, por 1 a 1, com um time chamado Crac - sic - de Goiás, parece que lanterna da Série C do Brasileiro!); 2) quando o Atlético eliminou o Tijuana do México graças a uma defesa de pênalti do goleiro Victor nos estertores da partida, vi jogadores do time brasileiro falarem tanto no “Senhor que nos abençoou” que me deu bode.

Jogador brasileiro não ganha jogo, quem ganha é o “Senhor que abençoa”. Fala sério. Se Deus existe, com certeza não está preocupado com futebol, até porque, pelo menos no Brasil, todo mundo reza e ficaria difícil para Ele decidir. Qual seria o critério de Deus? “Se macumba decidisse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado”. 

“De modos que” (como diria o folclórico presidente corintiano Vicente Mateus) não aguento mais jogador de futebol evangélico. Pelo menos Cuca é católico. É até engraçado, já que Minas (quem conhece sabe) é talvez o estado mais católico do Brasil, se bem que hoje em dia não se pode saber, já que o pentecostalismo já invadiu até a Bahia de Todos os Santos.

Voltando ao futebol, o Newell's Old Boys, que é um belo time, não soube aproveitar o enorme talento de Maxi Rodríguez  no meio campo e ficou apostando na considerável vantagem de 2 a 0 que trouxe da Argentina. Defendeu demais para um time que sabe tocar a bola e poderia ter sido mais ousado.

O Galo quase morreu pela boca graças ao nervosismo do time, que se irradiou pelas arquibancadas e impediu que produzisse o mesmo futebol de alto nível que o levou até a semifinal e, agora, à final da Libertadores. Na verdade, há um terceiro motivo para eu não ter torcido para o time de Minas hoje: é que eu nunca torço para time brasileiro na Libertadores, a não ser para o meu time (os corintianos, no ano passado, mesmo os que me conhecem, não entenderam isso). 

Enfim, a final, Atlético-MG x Olímpia, não tem favorito. É o futebol mais envolvente e bonito da equipe de Belo Horizonte contra o jogo mais pragmático, e traiçoeiro, dos paraguaios. O Galo nunca ganhou uma Libertadores. O Olímpia tem algo que pode pesar muito, a tradição, pois é tricampeão da Libertadores (1979, 1990 e 2002). Os maiores inimigos do Galo, porém, são a ansiedade e os nervos, do time e da torcida.

sábado, 22 de junho de 2013

Seleção de Felipão avança e deve enfrentar Espanha na final



Reprodução
Jornal italiano Corriere della Sera estampa vitória brasileira

A grande vitória brasileira contra a Itália por 4 a 2 em Salvador, pela Copa das Confederações, tem três ressalvas:  no primeiro gol brasileiro Jô estava impedido; no segundo, Neymar cobrou de forma magistral uma falta que, porém, não existiu, ele se jogou; a Itália jogou desfalcada de Pirlo e De Rossi, ou seja, sem no mínimo meio time, e ainda perdeu Montolivo e Abate, lesionados, ainda no primeiro tempo.

Os gols brasileiros foram de Dante, aos 46 minutos do primeiro tempo; Neymar, aos dez, e Fred, aos 21 e aos 43 minutos do segundo tempo. A Itália marcou com Giaccherini, aos cinco, e Chiellini, aos 26 minutos do segundo tempo.

A seleção de Felipão eliminará o Uruguai numa semifinal, a Itália deve cair ante a Espanha na outra, embora a Azzurra nunca deva ser subestimada.

Brasil e Espanha provavelmente farão a final. Aí vão ser outros quinhentos.


domingo, 19 de maio de 2013

Corinthians ganha título e castiga gestão arrogante e incompetente do Santos de Laor e Muricy



Ricardo Saibun/Santos FC
Por mais histórico que tivesse sido o Santos conquistar o inédito tetracampeonato paulista, a verdade é que a equipe de Muricy Ramalho esteve muito longe de merecer tal façanha nas finais do Paulistão contra o Corinthians. E o 1 a 1 na Vila Belmiro, que deu o título ao Corinthians, foi justo.

Como eu não tenho sido um dos defensores mais ardorosos dos tediosos campeonatos estaduais nos formatos atuais, fico à vontade para dizer que, tirando o ineditismo perdido, foi até bom para o Santos perder o título: 

- primeiro, porque, com uma campanha mediana e tendo chegado à final após duas vitórias na disputa por pênaltis, o Santos não teve em nenhum momento a chamada “pegada de campeão”. Se tivesse sido campeão, seria a premiação ao futebol de quinta categoria em vigor hoje na Baixada, sob o comando de Muricy Ramalho, cuja arrogância é inversamente proporcional ao futebol que o time apresenta nos últimos dois anos;

- em segundo lugar, porque, como time, o Corinthians é muito melhor, atualmente. A partir do banco. Tite dá de dez a zero em Muricy, que se mantém tosco e covarde em todas as situações nas quais tem de provar que sabe do riscado. Sabe porra nenhuma. Muricy é uma farsa de 500 mil reais por mês, no mínimo.

O Santos foi um time desconjuntado, esgarçado, cheio de brechas. Precisando vencer, quase nada exigiu do goleiro adversário. No primeiro jogo, no Pacaembu, tomou um vareio e não saiu já virtualmente perdido para a última partida graças a um gol que o zagueiro Durval achou numa cabeçada. Na segunda partida, na Vila, logo após Cícero fazer um golaço, a santista aqui em casa disse: “espero que o Santos não tome o empate no próximo minuto”. Dito e feito: como aconteceu no jogo de ida da Libertadores em 2012, o pusilânime Peixe de Muricy fez o mais difícil, furar a zaga corintiana, pra entregar em seguida e depois ficar ciscando e dando chuveirinho, como um time de várzea, sem padrão tático, sem nada que se veja digno de um time grande. Se não fosse o goleiro Rafael, o vaca tinha ido pro brejo no primeiro tempo.

O Santos de Muricy (e digo isso faz tempo) não tem futuro. Aliás, o Santos de Luis Álvaro Ribeiro, o popular Laor, não tem futuro. A segunda gestão do atual mandatário, caracterizada pela total falta de comando, é um desastre. 

A análise tática do Santos 1 x 1 Corinthians de hoje é o menos importante. Venceu o melhor, por inúmeros fatores. O principal é que o Santos hoje é comandado por uma turma de incompetentes. E, o pior, além de incompetentes, arrogantes.