Mostrando postagens com marcador eleições de 2014. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador eleições de 2014. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de outubro de 2013

Marina, igual a "tudo o que aí está", agora é aliada de Eduardo Campos


José Cruz/ABr
A ex-PV, ex-ministra e ex-Rede: igual a tudo o que aí está

Autointitulada diferente de tudo o que aí está e porta-voz de uma nova forma de fazer política, Marina Silva seguiu passos exatamente eleitoreiros e iguais a todos os políticos dos quais tentou se diferenciar ao vender a falsa ideia por meio de marketing político puro e simples.

Agora no PSB de Eduardo Campos, depois do fracasso de sua Rede no TSE, a ex-ministra do Meio-Ambiente se credencia à sucessão presidencial com status de queridinha da mídia, ao lado do governador pernambucano que se manteve com Lula e Dilma por dois mandatos e meio e de repente virou candidato, saindo da base do governo para disputar a presidência. Campos vai ter que convencer os eleitores por que seria oposição, uma “terceira via”, se até agora foi situação. Marina vai ter que convencer os cidadãos de que é diferente de tudo que aí está agindo exatamente como todos os que aí estão e representam, segundo ela, o que a política tem de ruim. Ambos vão ter de convencer os brasileiros de que não são oportunistas.

Esta semana conversei com o cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC, que fez uma observação interessante sobre as insinuações de que haveria uma intenção obscura na recusa do TSE em aceitar o registro da Rede de Marina Silva, o que o tribunal acabou rejeitando por 6 votos a 1.

Segundo Marchetti, não se pode partir do pressuposto de que a “boa intenção” que estaria movendo a criação da Rede seja suficiente, deixando-se de lado a exigência de cumprimento da lei. Porque Marina parecia querer convencer a todos de que ela era o bem e o resto era o mal.

Marchetti disse ser preciso considerar a possibilidade de que a liderança de Marina tenha sido superestimada. “É uma candidata badalada, que conseguiu um bom número de votos em 2010 [19,6 milhões], mas pode não ter conseguido mobilizar o número de eleitores necessários agora para fundar seu partido. Por que não partimos do pressuposto de que talvez o fôlego da Rede fosse menor do que se estava supondo?” Para conseguir o registro, um partido tem de comprovar as assinaturas de 492 mil eleitores nos cartórios eleitorais do país.

Os desdobramentos da aliança Eduardo Campos/Marina Silva ainda são passíveis de conjecturas. Não se sabe aliás quem será cabeça de chapa, quem será vice.

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Campos: inteligência política ou oportunismo?
Para Renato Rovai , Marina “faz parte de um projeto onde estarão não só Campos, mas Roberto Freire, Serra, Aécio, Borhausen etc.” Ou seja, a nata da oposição de direita.

E Rodrigo Vianna entende que “Marina perde parte de sua aura de ‘reserva moral’, e de ‘diferente de tudo que está aí’” e, por isso, “Eduardo Campos ganha muito mais que Marina com a parceria”, o que “faz com que Eduardo Campos e o PSB sejam muito mais que [coadjuvantes no xadrez político de 2014]: transformam-se de fato no desaguadouro de uma terceira via”.

A ver.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Cálculos políticos e o fator Eduardo Campos


O governador pernambucano Eduardo Campos, do PSB, está desembarcando do governo. É uma das notícias a serem mais comemoradas pela oposição, senão a mais importante, em 2013, fora a efêmera queda da popularidade da presidente Dilma Rousseff após as manifestações de junho, queda que foi também de governadores como o paulista Geraldo Alckmin, devidamente omitida pelas manchetes. Mas, como mostram as mais recentes pesquisas, Dilma voltou a subir no conceito popular e as manchetes agora ganham a colaboração de Campos.


Elza Fiúza/Agência Brasil
Eduardo Campos (ao fundo) tenta se cacifar para 2018?

O governador do PSB dá ânimo às ainda inconsistentes esperanças tucanas para 2014, na medida em que, supostamente, segundo cálculos tucanos, dividirá parte do eleitorado de Dilma e poderá, junto com Aécio Neves e Marina Silva (se esta conseguir registrar seu partido ou uma legenda que a receba), forçar a realização de um segundo turno.

O problema é que cálculos políticos estão longe da matemática. Na política, muitas vezes 2 + 2 não é = 4. O lance de Eduardo Campos em si era até certo ponto esperado. No final de março, portanto há quase seis meses, conversei com o deputado petista Ricardo Berzoini para uma matéria e já então ele me disse: “Acho que Eduardo tende a ser candidato. Ao que tudo indica, ele aposta que, sendo candidato agora, coloca o nome no quadro nacional e tem a oportunidade de se divulgar nacionalmente, tendo em vista 2018. Ele se coloca agora para já estar na cena nacional em 2018”.

Só que, com a mesma frieza com que via os movimentos do governador, Berzoini não achava à época (e acredito que continua não achando) que os votos de Campos virão do eleitorado de Dilma assim como num passe de mágica, como aposta a oposição. “O governador de Pernambuco vai disputar tanto o voto da base do governo como também os votos do Aécio. Pelo perfil dele, pela necessidade de ficar, digamos, numa zona cinzenta entre situação e oposição. Ele não tem como dizer que é oposição porque participou como ministro e governador apoiado por Dilma e Lula. Não tem como dizer que é situação porque, se fosse situação, seria só apoiar a Dilma.” Bingo.

Fora essa encruzilhada, Campos também enfrenta forte oposição dentro de seu próprio partido. Cid Gomes, por exemplo, governador do Ceará, irmão de Ciro Gomes, já manifestou com toda a ênfase possível que desaprova a ambição para ele prematura do colega de Pernambuco e sua justificativa é baseada em raciocínio semelhante ao de Berzoini em março. Cid apoia Dilma e diz que irá com ela até 2014.

Campos enfrentar Dilma no Nordeste, onde ela tem a esmagadora maioria herdada de Lula, vai ser uma tarefa inglória. E ainda pesará sobre ele a pecha de “trairagem”, termo que Cid Gomes teria usado para se referir aos chefes de seu partido, do qual Eduardo Campos é o presidente.

De resto, o governador de Pernambuco tem ainda um tempo para refletir se apostará nessa empreitada de curto prazo que, a longo prazo, pode lhe custar bastante caro. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

José Serra na encruzilhada


Especulações dão conta de que José Serra não aceitaria nada menos do que a presidência do PSDB, na convenção nacional que se realizará em maio, para não deixar o partido. Para ele, a presidência do Instituto Teotônio Vilela (ITV), centro de estudos da legenda, seria obviamente muito pouco. Mas Serra, especula-se, teria planos de deixar o PSDB não para disputar a presidência, e sim o governo do estado de São Paulo. A presidência do partido deverá ser destinada a Aécio Neves, como deseja o presidente da legenda Sérgio Guerra e outros caciques.

Ontem, Aécio, o nome da preferência de oito entre dez tucanos (exceto São Paulo) à candidatura à sucessão da presidente Dilma Rousseff, se reuniu com o governador paulista Geraldo Alckmin. Na segunda, havia se reunido com o próprio Serra.

O senador de Minas declarou sobre a reunião com Serra, segundo matéria do Estadão (o jornalão se esforça para fazer crer que a paz reina nas hostes tucanas): "Foi uma conversa de convergência. Não houve nenhum tipo de exigência, embora Serra tenha credenciais para ocupar qualquer espaço no partido", disse o senador, mineiramente.

A questão é: as coisas não estão nem um pouco fáceis para Serra. Se ficar no PSDB, terá de encarar 80% dos tucanos, nacionalmente, para viabilizar uma tentativa de se recandidatar à presidência. Se as especulações procedem e ele estiver planejando sair do partido para tentar encarar Alckmin, com toda a estrutura partidária que este tem e o apoio maciço dos correligionários do interior do estado ao governador, seu caminho será igualmente difícil. Alckmin, disse a mesma matéria do Estadão, convidou Aécio para um café na semana que vem. "O café estará no bule, aguardando-o. Vamos saborear a sabedoria mineira do Aécio", disse o governador paulista. A batata de Serra está assando.

Serra está numa encruzilhada. Ou ele se conforma em disputar uma vaga ao Senado em 2014, ou talvez tenha de se contentar futuramente com algo mais modesto. A presidência do Palmeiras, quem sabe.

quarta-feira, 30 de março de 2011

A morte de José Alencar é uma metáfora da política brasileira

O ex-presidente Luiz Inácio da Silva fala sobre José Alencar, seu vice de 2003 a 2010, morto na tarde desta terça-feira, aos 79 anos.



No pronunciamento emocionado em Portugal, onde estava com a presidente Dilma Rousseff, do qual acima está um pequeno trecho, Lula não deixou, porém, de falar de política, pois Lula não consegue não ser político. Especificamente, falou sobre a importância de Minas Gerais no processo que o levou a ser eleito duas vezes, em 2002 e 2006. “Todo mundo sabe que perdi muitas eleições no Brasil, eu tinha 30% ou 32% e precisava encontrar o restante. E o restante encontrei no Zé Alencar”, disse o ex-presidente. A morte do mineiro José Alencar é como se fosse uma metáfora da política brasileira. Minas Gerais (“Esses gerais são sem tamanho”, como define o personagem Riobaldo de Grande Sertão: Veredas) é uma incógnita para 2014.

Lembremos que, em 2010, Aécio Neves começou a abandonar o barco de José Serra antes mesmo da oficialização da candidatura tucana. O adeus de Aécio à nau do PSDB paulista ficou claro num editorial inequívoco do jornal O Estado de Minas, que postei aqui no blog em 4 de março de 2010: Mineiros repelem a arrogância de José Serra.

Nesse editorial, o jornal repudiava a “demonstração de arrogância, que esconde amadorismo e inabilidade” do tucanato serrista. O recado em tom definitivo, a própria voz de MG, terminava com essas palavras do célebre editorial: “Minas desta vez precisa dizer não”.

E disse. Mas, em 2014, supõe-se que Aécio Neves deve poder contar com Minas, o que não foi privilégio nem de Alckmin em 2006 contra Lula, nem de Serra em 2010 frente a Dilma. Isso é o “óbvio ululante”. O que não é óbvia é a conta: de onde sairão os votos no resto do país para compensar a possível perda dos eleitores de Minas que Aécio deve arrebanhar? A estratégia deve ser mudar o jogo em São Paulo. E esse é o maior desafio da esquerda para 2014. Se perder Minas e não virar em São Paulo, já era.