Civilização encruzilhada
Cada ribanceira é uma nação"
(Chico Buarque)
Parte enorme do Rio de Janeiro, situada na zona Norte, vive hoje uma conflagração. A verdade incontestável é que os criminosos estão muito incomodados com as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), porque perdem espaço e dinheiro.
Fotos: Reprodução/ Globo News
São muitas as inquietações. Há a parcela dos cidadãos que assinam o princípio malufista de que “bandido bom é bandido morto”. O que não vou discutir aqui porque não debato com a direita que não dialoga e vive entre a ignorância e a estupidez.
Mas há também quem resiste a admitir que no Rio, hoje, trava-se uma luta entre o Estado e o crime: os militantes mais radicais (e tolos) dos “direitos humanos”. Li no twitter uma frase interessante:
(citações literais, sem revisão)
@jazzmanbrasil: Viva o verdadeiro efeito anestésico do Tropa de Elite! Hoje, qualquer um que fale em direito humanos é chamado de idiota.
A ironia da frase acima soa entre intelectualizada e irreal, embora, provavelmente, seja de fato sincera. Mas há pessoas que dentro da realidade também exprimem, por exemplo, ainda no twitter, um sentimento muito mais sincero, porque não teórico:
@ReginnaSampaio Minha prima ligou não tem como sair do Alemão.
Quer dizer, é uma cidadã cuja prima (o povo) está encurralada. Ela está na realidade. Ou... tem ligação direta com ela, e não fala apenas de si mesma, confortavelmente embaixo do ar condicionado na redação ou no lar.
Podem dizer que o cara é um babaca, que Tropa de Elite é “anestésico” (e é), mas o que o ex-capitão do Bope e roteirista dos dois filmes, Rodrigo Pimentel, disse a Terra Magazine (aqui na íntegra) é para se pensar: “Eu sempre fui um crítico contundente da operação em favela. Eu sempre achei uma ação desnecessária e ineficaz, que não tinha o menor motivo. Porque você entrava na favela e saía. E aquilo não tinha fim nunca. Aí surge a UPP que entra na favela e permanece. De fato, funciona. Mas essa política de enfrentamento momentânea é para estabelecer e consolidar o processo de pacificação”, afirmou Rodrigo. “Não tem jeito. É um caminho sem volta. É agora ou nunca. O Estado não pode ser refém, não pode se ajoelhar.”
Como diz Wálter Maierovitch em brilhante texto (na íntegra aqui) em seu blog: “A confederação criminal fluminense emprega método terrorista, mas não se confunde com as organizações terroristas, cuja ideologia não é o lucro”.
O que quero dizer com tudo isso? Quero dizer que, na minha humilde opinião, o Estado tem que acabar com essas células terroristas, custe o que custar. Seja nos morros ou favelas, seja nas coberturas de Copacabana.
É triste dizer isso, mas a repressão é necessária, e militarmente bem executada, ao mesmo tempo em que as UPPs têm de continuar. É preciso limpar a terra, plantar e depois colher bons frutos. Nenhuma grande nação conquistou a soberania sem derramar sangue.
PS (atualizado às 02h54):
Sobre o tema, importante o post do Conversa Afiada: Controle do Complexo do Alemão é exemplo de integração policial


