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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Contra impeachment, Rede avança para ocupar espaço à esquerda


Geraldo Magela/Agência Senado


A informação de que a Rede Sustentabilidade, o partido de Marina Silva, se posiciona contra o pedido de impeachment de Dilma é uma notícia importante. Mas, mais do que a notícia em si, ela aponta para algo mais: é mais um fato que vai consolidando a estratégia da Rede, desde já, de procurar ocupar um espaço à esquerda do espectro político e conquistar o eleitorado que hoje  se vê mais ou menos órfão, com "a maior crise da história" do PT, como disse o presidente da Confederação Sindical Internacional (CSI) e liderança orgânica do partido de Lula, João Felício, na semana passada.

Crise que decorre tanto do cerco e bombardeio ininterrupto que o PT tem sofrido por parte do Ministério Público, do Judiciário e da mídia desde 2005, quanto do desgaste natural a qualquer partido ou grupo que governa há 12 anos (vide Argentina, onde o kirchnerismo, depois de 12 anos, acabou perdendo a eleição para a direita de Maurício Macri).

Já citei anteriormente, mas volto a mencionar a avaliação da professora Maria do Socorro Sousa Braga, em matéria que fiz para a RBA quando a Rede conseguiu seu registro oficial no TSE: para ela, a estratégia da Rede é justamente tentar ocupar um espaço à esquerda, que é um terreno de disputa não apenas pela crise petista, mas também pela própria crise de representação e a rejeição de grande parte da população aos partidos conhecidos. “Existe um espaço a ocupar à esquerda. Esse espaço, PSTU e PSOL não conseguiram ocupar, não conseguiram a envergadura de um PT quando o partido de Lula começou a crescer nos anos 1990”, disse a professora na ocasião.

A ida do ex-petista Alessandro Molon para  Rede, no final de setembro, foi outro importante indicativo de que o partido de Marina está, sim, visivelmente empenhado em se construir e viabilizar como alternativa num campo que enxerga como bastante fértil para ser semeado daqui a 2018. Mas a Rede vai obviamente tentar avançar também nos setores da classe média, da esquerda à centro-direita, pois se tem uma coisa que Marina não é, é boba. O discurso da sustentabilidade (que atrai vastos setores do espectro político) é sempre e cada vez mais importante no embate político, o que a tragédia de Mariana só reforça.

Marina tem ainda um "capital" eleitoral muito grande, que herda de 2010 e 2014. Muita coisa vai acontecer daqui até 2018. Mas parece certo que a Rede vai ser uma das forças de 2018. O que, politicamente, é interessante, porque será certamente uma força que pode em parte neutralizar, racionalizando o processo e o discurso, o crescimento da direita no país.

*****

Atualizado às 21:52 - Menos de um dia depois de se posicionar contra o impeachment, Marina Silva corrige sua posição (como fez na campanha eleitoral, quando se rendeu à pressão do pastor Silas Malafaia). Disse ela hoje: “Nossa atitude é de que de fato o Brasil seja passado a limpo. E se de fato os recursos da Petrobras foram usados pela campanha da presidente e do vice-presidente, o correto é que ambos os indicados possam ter o processo (eleitoral de 2014) anulado, como está lá no pedido que foi feito pelo PSDB”, afirmou, segundo o blog do Fernando Rodrigues. O problema de Marina Silva é justamente esse: suas posições não se sustentam. Ela cede a qualquer pressão.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Na era da tecnopolítica, informação é o que está oculto


No dia 12 de novembro passado, um dia antes dos ataques a Paris pelo Estado Islâmico, o sociólogo Laymert Garcia dos Santos, que foi meu professor na PUC lá se vão muitos anos, participou de seminário na Assembleia Legislativa e falou sobre o tema informação. Mais do que a análise, como sempre sofisticada e aguda, a respeito de vários aspectos da realidade atual – as relações entre informação, mídias e política –, foi marcante a abordagem sobre a dificuldade de compreensão, por parte da esquerda, desse fenômeno hoje.

Segue um trecho da exposição de Laymert, que fala por si.


Reprodução/Youtube
“Há hoje uma dimensão totalitária da linguagem e a instrumentalização da linguagem política. Não vejo como a esquerda possa reagir diante dessa ofensiva totalitária da mídia.

"O que não me satisfaz no modo como os blogs sujos combatem essa linguagem totalitária [dos meios de comunicação de massa, da ‘grande mídia’ ou como se queira chamar] é que eles não entenderam ainda, apesar de estarem mais próximos do entendimento disso, que a política hoje é tecnopolítica, não é mais só política. Quem entendeu que a política não é mais a política tradicional, mas que tínhamos passado para uma dimensão da tecnopolítica, é Julian Assange, é Edward Snowden e outros menos heroicizados, mais desconhecidos, gente que entendeu a potência e o poder da informação (...) Eles entenderam que o poder e o controle hoje se dão em torno da informação, estão com quem detém a informação e a torna acessível. O Facebook, por exemplo, acho que sabe fazer tecnopolítica. Quando ele consegue vender para milhões e milhões de pessoas que o que interessa é mais do mesmo. De certa maneira, ele conseguiu trazer para o campo das novas mídias uma coisa das velhas mídias. O que a Globo faz é mais do mesmo. No Facebook também é mais do mesmo, porque o Facebook é o meu espelho. Eu só reconheço as coisas que estão lá, só me interesso pelo reconhecido. Não o conhecido, mas reconhecido. Todo mundo vai se comprazer em ficar olhando para um espelho narcísico, para si mesmo, para seus amigos ou sua própria imagem, ou para tudo aquilo que é mais do mesmo. Informação é diferente disso: informação é o diferente, não o mesmo.

Por que digo que Assange e Snowden são intelectuais do futuro? Porque eles entenderam que o problema da dominação é a questão da informação, vão procurar o que é o mais guardado, o que não pode ser exposto. O contrário do que faz o Facebook. ' O que o poder dos poderosos não quer mostrar? É isso que nós vamos mostrar. É isso o que interessa.’ Então (...), ao invés de ficar olhando para o próprio espelho, você cria uma ruptura, porque aparece uma outra dimensão, que é dada precisamente porque ela é aquilo que quem detém o poder não quer mostrar. Porque no mundo de hoje tudo é exposto, menos aquilo que devia ser exposto. O que devia ser exposto é o que Snowden mostra: todos nós somos vigiados, todos temos nossos dados manipulados (...) O que fazem as grandes corporações, como Google, Facebook? ‘ Temos especialistas que vão trabalhar com os sentimentos das pessoas, dos afetos das pessoas, os rastros afetivos, sociais, linguísticos, o cartão de crédito etc, e todos esses rastros deixados pelas pessoas vão nos permitir fazer uma leitura delas e conhecê-las melhor do que elas mesmas’ (...) É isso que é capitalismo hoje. São essas informações que vão contar.

O usuário comum do Facebook vai estar lá se deliciando com sua própria fotografia, sem saber que tem uma outra instância onde ele está sendo programado o tempo inteiro para ter a reação X, que vai ser cada vez mais ele ficar contente com seu narcisismo. Vejo a esquerda querer se contrapor a essa ofensiva – que trabalha neste nível, no nível da tecnopolítica – ainda com uma política da representação. Mas você está lidando com uma coisa que tem uma dimensão de ficção científica, e lida com isso dessa maneira, como se você estivesse no século XIX? É claro que você vai perder todas.”

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Eduardo Campos, as mortes (segundo Borges) e o destino


Foto: PSB


Ontem, ao deitar, abri o livro Nova Antologia Pessoal, de Jorge Luis Borges, uma obra que há muitos anos, vez ou outra, eu abro, para ler um texto ao acaso. O que reli ontem (e do qual já não me lembrava) é intitulado "A outra morte". Conta a história de um homem, chamado Pedro Damián, sobre cuja vida havia um relato de que em certa batalha havia morrido, muito jovem, sem demonstrar a coragem de um verdadeiro guerreiro. Mas essa versão, de um militar que presenciara a morte desse soldado, foi depois desmentida por outros fatos, que estranhamente engendravam uma outra história segundo a qual esse homem havia encontrado a morte não como um covarde, mas como um bravo. As histórias se entrelaçam de tal maneira que ambas se confundem com certas verdades que comprovavam as duas.

A confusão se transforma em uma discussão metafísica sobre o destino e certas suposições metafísicas sobre o tempo.

O conto de Borges, até porque o li ontem, me veio à mente hoje, com a trágica  morte de Eduardo Campos. Assim como me ocorreu um pequeno poema que é a epígrafe do meu livreto de poesia publicado quando eu era muito jovem, Amuletos. A epígrafe é do meu irmão, Paulo Maretti, e diz:

O destino não mente
Ele desmente
Os corações das pessoas é que mentem
Para o destino que já vem vindo sem saber de nada.

Essas associações são a maneira como recebi a morte de Eduardo Campos, um jovem líder que, segundo alguns, se antecipou à ordem natural da política ao lançar-se à presidência da República após romper com o governo de Dilma, e com Lula, após ter sido ministro da Ciência e Tecnologia do presidente, como ele, pernambucano, entre 2004 e 2005.

Para além das análises e cálculos políticos a respeito do que a morte de Campos trará como consequências à eleição, me espanta nessa morte o aspecto súbito e chocante com que ela chegou nesse dia cinzento, frio e chuvoso, ceifando uma liderança política importante, num 13 de agosto que é também a data da morte do avô de Eduardo Campos, Miguel Arraes, um dos mais importantes líderes da esquerda brasileira no século passado.

Líderes de todas as vertentes políticas, de esquerda e de direita, alguns com sinceridade, outros com a sórdida máscara da política, lamentaram a perda. Eu estou entre os primeiros. Lamento sinceramente.

Eduardo Campos era, ou é, muito querido em Pernambuco. Por certo, não por acaso.

Talvez conseguisse se alçar, no futuro, com reais chances de suceder um projeto popular com o apoio de Lula e Dilma, se se tivesse mantido aliado de Lula e Dilma, como um herdeiro legítimo das lutas que seu avô travou e das que, guardadas as diferenças de tempo e conjunturas políticas, como presidente, Lula realizou no Brasil. Mas num momento como esse, não são as vãs e mesquinhas conjecturas políticas aquilo que mais me assombra.

Quis o destino que Eduardo Campos encontrasse, prematuramente, uma outra morte, enigmática, traiçoeira e implacável, nesse 13 de agosto de 2014.

Quem sou eu para julgar, mais do que um homem, o destino de um homem que fez muito mais do que eu? O destino que já vinha vindo sem saber de nada.

PS: tive um único contato com Eduardo Campos. Eu estava cobrindo, como repórter, um evento do qual ele participou num hotel em São Paulo, poucos meses atrás. Quando ele chegou, eu estava sozinho à porta do hotel, e fui até ele para tentar algumas declarações exclusivas. Ele me olhou com aqueles olhos intensamente azuis e disse que não dava tempo, estava atrasado. Minutos depois, ao entrar no palco para sua palestra, me viu de longe e fez um gesto de cumprimento. Eu não retribuí, pensando que estava se dirigindo a outra pessoa (o que é muito comum em eventos dessa natureza).

Depois, vi que não havia ninguém atrás de mim. E só agora, ao ouvir relatos inclusive de pessoas de sua terra, segundo as quais era um homem muito educado, cordial e até doce, como me disse uma pessoa de Pernambuco, percebo que entre mim e ele ficou um gesto não retribuído, ou um gesto incompleto, e em mim um pequeno, pequeníssimo e incômodo remorso. 

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O fracasso do socialismo de cátedra



Por Wanderley Guilherme dos Santos
(Publicado no site Carta Maior)

Socialistas de cátedra e adeptos da violência não serão capazes de promover impasses institucionais. Faltam-lhes causa reconhecida e apoio da população. Obterão alguns traços eleitorais, talvez. Nem isso, caso a repressão não coopere com eles usando da mesma selvageria. Sem a contribuição da polícia os socialistas de cátedra e mentores da violência só irão figurar nos noticiários sensacionalistas. Fracassarão.

Impasses institucionais são corolários da adesão de grupos sociais dotados de preferências intensas, uns a favor, outros contrários a pautas específicas. A solução de conflitos de tal magnitude se dá por revolução, por golpe de estado ou por negociação. O Brasil passou por alguns impasses cujas soluções variaram.

Em 1930, o conflito intra-oligárquico foi resolvido por uma revolução, isto é,  por um movimento que, no poder, transformou extensamente as instituições do País. Foi com um golpe doméstico consentido que, em 1945, removeu-se uma esquizofrênica ditadura nacional já que vitoriosa em guerra internacional contra as anti-democracias nazista e fascista. Não obstante os tremores de 1954, o suicídio de Getulio Vargas alterou drasticamente a estrutura do jogo, adiando o impasse, finalmente provocado pela renúncia de Janio Quadros: setores militares e civis se opondo à posse de João Goulart contra os legalistas liderados pelo então governador do Rio Grande Sul, Leonel Brizola. O episódio foi parcialmente superado pela negociação em torno da adoção do parlamentarismo para voltar a explodir em 1964, com a polarização da política e a quase paralisia do governo. Desta vez, o resultado foi um golpe de Estado e a implantação da ditadura militar.

Por caminhos distintos, longevas ditaduras – a de Franco, na Espanha, a do Portugal salazarista e a brasileira  - foram superadas por diferentes roteiros democráticos. Pactos formalmente firmados entre as oposições democráticas e o regime franquista obtiveram a aprovação popular (problemas de autonomias regionais à parte) e garantiram a rotação partidária no poder. Em Portugal, um golpe militar propiciou o surgimento da democracia representativa, caso bastante raro, pois, nessa trilha, o rotineiro é a substituição de uma ditadura por outra. Não tem sido diferente o infeliz destino da icônica primavera árabe.

No Brasil, frustrada a alternativa revolucionária a peso de muitas mortes, desaparecimentos e tortura, a negociação tornou-se inevitável. Naturalmente, radicais dentro e fora do Congresso denunciavam as tratativas de saída negociada do autoritarismo como traição, cooptação e outros adornos retóricos. É bem verdade, também, que muitos dos radicais andavam em busca de um general, almirante ou brigadeiro que depusesse a ditadura em vigor e lhes entregasse o poder. Comportamento mais do que farisaico, esplendidamente tolo.

Conforme o negociado e previsto, o desatar dos nós se fez por etapas: fim do AI-5, da censura, decretação de anistia e, em 1982, a primeira eleição realmente competitiva multipartidária, ainda que submetida a legislação coercitiva, para a Câmara dos Deputados. Concorreram cinco partidos: PDS (governista), PDT, PT, PTB e PMDB. Nenhum deles, à exceção do PDS, viu a participação eleitoral como recibo de adesão à boa vontade autoritária, sim como resultado de difícil processo de negociação, ameaças, idas e vindas e, em especial, a recusa de aceitar a proposta governamental (importada) de criação de um partido único com isolamento da minoria radical. Mais tarde vieram a luta pelas eleições diretas para presidente, batalha perdida, a criação da comissão de anistia, recompensando financeiramente dezenas de vítimas da ditadura, e, finalmente, já em condições de normalidade democrática, a Comissão da Verdade.

O tempo do processo não foi tão rápido quanto desejado, a anistia foi menos clara e incisiva quanto deveria e a Comissão da Verdade sofre críticas por seus ritos e absolvições. Mas a crítica só existe porque existe o fato. Nenhum ator responsável deixou de se aproveitar das aberturas que iam surgindo e muitos dos radicais no e fora do Congresso que denunciaram os negociações como colaboracionistas correram a se beneficiar das polpudas compensações financeiras postas a disposição. Mas há quem não tenha reivindicado receber, com juros e correção monetária, dezoito anos de salários não pagos, a partir da aposentadoria decretada na última lista do marechal Castelo Branco, em outubro de 1964.

Apesar dos discursos auto-laudatórios, o restabelecimento da democracia no Brasil não resultou da dramaticidade performática radical. À falta de um processo revolucionário, e recusando a tentação de um “golpe democrático”, foram os moderados que negociaram o desatar do nó autoritário. É esta mesma moderação, e chamo de moderação a tudo que não é convocatória à violência, que impedirá um impasse institucional orquestrado com intimidação e insultos pelos whiteblocs contemporâneos. O governo do Brasil é democrático e assim continuará.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Dilma, finalmente, anuncia que o Estado não pode tolerar agressores e fascistas


Roberto Stuckert Filho/PR

Tenho amigos de "esquerda" (sic) que consideram um absurdo a presidente Dilma Rousseff defender a aplicação de penas rigorosas e, se preciso for, a reforma da legislação para coibir violência e vandalismo em manifestações populares no país. Geralmente movidas por conceitos nebulosos e concepções mancas do que seja a liberdade, essas pessoas – repito, algumas das quais minhas amigas – não conseguem entender que o ovo da serpente está nas praças e ruas, sendo chocado diante dos olhos de todos e complacência do Estado? Liberdade sem limites não é liberdade, é opressão.

Ora, data venia, o que esperam da pessoa que ocupa o cargo de presidente da República? Que se manifeste com tolerância e pusilanimidade diante de depredações de patrimônio público e privado, de agressões físicas a pessoas e de máscaras para encobrir o crime? Que Dilma, como chefe da nação, admita como legítimos os fogos e as bombas em praças públicas como a dos que assassinaram o cinegrafista Santiago Andrade e destruíram uma família? Ou esperam que ela simplesmente se omita diante de fascistas disfarçados de ativistas, covardes que se escondem sob o glamouroso e enganador epíteto de black blocs?

Tenho amigos, e amigas, que no começo achavam tudo lindo e maravilhoso. Que protestar é que é legal, mora!, e que viva a liberdade de manifestação e os protestos! Muitos desses amigos, e amigas, alguns dos quais inclusive me atacaram quando eu dizia que as praças estavam inundadas de fascistinhas, agora estão silenciosos. Não divulgam mais protesto nenhum. Devem estar refletindo. Ou envergonhados.

A Constituição Federal garante a liberdade de manifestação e de expressão, mas não autoriza a barbárie. É preciso dar um basta à covardia dos que se ocultam para destruir e ferir.

Está muito certa, e até demorou para anunciar as medidas, a presidente Dilma ao afirmar que o governo trabalha numa proposta de legislação que reprima toda forma de violência durante as manifestações e que é preciso aplicar penas rígidas a condenados por crimes cometidos durante os protestos.

Já tardava um posicionamento da presidente, cuja origem é por demais conhecida, em favor de cidadãos que querem paz, seja em manifestações, seja ao andar nas ruas que são de todos.

Disse hoje a presidente:

“Os órgãos de segurança pública devem coibir a violência, cumprindo a lei, mas é preciso reforçar a lei e aplicar a Constituição, que garante a liberdade de manifestação, mas veda, proíbe o anonimato. Então estamos trabalhando numa legislação para coibir toda forma de violência em manifestações.”

Afirmou também:

“Defendo toda e qualquer manifestação democrática. Democratas são aqueles que exercem pacificamente seu direito e liberdade de exigir mudanças. São democratas aqueles que lutam por mais qualidade de vida, defendem com paixão as ideias que têm, a grande maioria dos manifestantes. Mas repudio o uso da violência em manifestações e acho inadmissível atos de vandalismo, violência, pessoas que escondem o rosto não são democratas”.

E sobre a Copa do Mundo:

"Planejamos medidas que vão reforçar a segurança nos estados-sede. O governo está em sintonia com os Estados para que possamos atuar de forma conjunta e padronizada. A Polícia Federal, a Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal estão prontas e orientadas para agir dentro de suas competências, e quando for necessário, mobilizaremos também as Forças Armadas."

Concordo com tudo, plenamente.


sábado, 25 de janeiro de 2014

Às vezes lembro de Leonel Brizola


Francamente, acho que Josias de Souza, jornalista do Grupo Folha, manifesta tanto ódio em suas análises (às vezes elucubrações) políticas, que sua credibilidade profissional fica comprometida.

Digo isso a propósito de um texto assinado por ele em seu blog no Uol, hoje (24/01/2014), cujo título é: “Davos: Dilma estreia como mágica às avessas”. Democraticamente, disponibilizo o link do texto dele aqui.

Escreve Josias de Souza:

“Depois de ignorar por três anos o palco de Davos, na Suíça, Dilma finalmente exibiu-se no Fórum Econômico Mundial. Escolheu para a estreia o papel de mágica às avessas. Vendeu o mercado interno brasileiro com a volúpia de uma caixeira-viajante. Referiu-se ao Brasil como uma oportunidade a ser aproveitada por produtores de automóveis, computadores, celulares, refrigeradores, freezers, máquinas de lavar, tevês planas, fármacos, cosméticos…”

Este é um texto semanticamente chulo, e politicamente lacerdista. Releiam, e prestem atenção no que ele diz nas entrelinhas.

Será que, mesmo sendo oposição, não dá para ter um pouco mais de elegância com a presidente da República eleita pelo povo brasileiro, que está na Suíça negociando pontos de uma agenda internacional que interessa a todos os brasileiros, de oposição ou situação? 

Uma coisa é a crítica, outra bem diferente é a bílis (o ódio de classe) se sobrepor à razão.

Brizola teria feito 92 anos no último dia 22 de janeiro. Às vezes me lembro de Leonel Brizola. Amanhã (hoje) é 25 de janeiro, aniversário de São Paulo.

domingo, 22 de dezembro de 2013

O primeiro ano do governo Haddad, o socialismo e a "Casa Grande"



Elza Fiúza/ABr

Não passou despercebido aos ouvidos atentos a frase que o prefeito Fernando Haddad disse ao sancionar na sexta-feira (20) a lei de criação da SP Cine (aliás, uma iniciativa do Executivo, aprovado na Câmara, digna de muitos aplausos). “Sou socialista, acredito na necessidade da distribuição de renda”, declarou, a propósito da batalha político-jurídica em torno do IPTU.

Um amigo meu chegou a comentar quão significativa é a frase de Haddad.  ”Fazia muito tempo que eu não ouvia um petista dizer ‘sou socialista’”. O que estaria por trás da declaração de Haddad na cerimônia, que aconteceu na Biblioteca Mario de Andrade? Ela foi dita premeditadamente ou saiu no meio do discurso naturalmente?

No curto discurso de cerca de 5 minutos, ele também falou outras coisas significativas: pronunciou três vezes a palavra “espírito”, num sentido que soou para mim, obviamente, não como qualquer alusão a misticismo, mas como categoria filosófica, com uma conotação iluminista.

Haddad disse ainda – já que estava num evento de cultura, onde havia cineastas e produtores culturais, embora o assunto do dia fosse o IPTU – que a cultura é mais importante à sociedade do que a política, e aqui não coloco entre aspas porque a citação é de memória, mas o sentido é literalmente esse.

Na política, como se sabe, fala-se mais nas entrelinhas do que na superfície do texto. Haddad – formado em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia pela USP – não é nenhum bobo.

Ele teve um ano duro. Como prefeito, foi engolfado pelas manifestações de junho e posteriormente atacado ao mesmo tempo pela mídia, pela oposição e até por setores da esquerda. Perdeu seu secretário de Governo, Antonio Donato, que caiu vítima das denúncias de corrupção sobre a “máfia dos fiscais”, cuja elucidação foi possível principalmente pela ação da Controladoria Geral do Município, que o próprio governo Haddad criou.

O corredor de ônibus foi outro problema. Nesse caso, até a mim – que defendo a prioridade do transporte púbico sobre o automóvel – a medida conduzida pelo secretário Jilmar Tatto pareceu um pouco precipitada e mal feita, sem estudos prévios sobre o impacto e sem o devido esclarecimento à parcela da classe média que ajudou a eleger Haddad em 2012.

Enfim, Haddad descobriu na prática que sua excelente gestão como ministro da Educação não era condição suficiente para governar a maior cidade da América do Sul sem ter de se relacionar com as comezinhas e mundanas necessidades da pequena política.

É notório que ao prefeito de São Paulo incomoda muito a tal pequena política. Parece estar claro que a necessidade de conviver bem com um acordo em âmbito nacional do PT com o PSD de Gilberto Kassab está longe de ser seu sonho político.

Assim como saber que o mesmo Paulo Skaf que, como presidente da Fiesp, combateu e venceu no Judiciário sua proposta de fazer do IPTU um imposto mais justo e progressivo, é paparicado pelo PT paulista e nacional, por Lula e pela presidente Dilma, como eventual aliado no segundo turno das eleições para governador de São Paulo em 2014. Como se sabe, Skaf é o “candidato próprio” do PMDB que Michel Temer quer emplacar no estado, como parte da estratégia de tentar levar a eleição ao segundo turno e finalmente vencer o tucano Geraldo Alckmin, seja com Skaf, seja com Alexandre Padilha.

O prefeito estava visivelmente contrariado na sexta-feira, na Mario de Andrade, dia em que o STF do honorável Joaquim Barbosa manteve na última instância a liminar obtida pela Fiesp contra o IPTU e a reformulação da planta genérica do município. “A Casa Grande – disse, referindo-se à Fiesp e a Skaf – não deixa a desigualdade ser reduzida na velocidade que a gente deseja”.

Ele parecia manifestar uma certa perplexidade com a feroz oposição da elite paulistana a uma reforma urgente da planta do município rumo a uma cidade mais justa. Uma ferocidade mais real, talvez, do que ele previa.

Acho provável que em 2014 o governo Haddad comece a ser entendido por parte da população que hoje está ressentida porque ainda não assimilou sua proposta de governo. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Sobre o jornalismo ninja


Reprodução/Imagem do Facebook


As pessoas andam meio embasbacadas com o chamado jornalismo ninja. Como sou jornalista, teria uma série de observações a fazer sobre a proposta do grupo, que tomou corpo no contexto das manifestações de junho e julho.

A proposta ninja, aliás, não é nova. Sem falar de experiências do cinema que mergulham a câmera no coração dos acontecimentos, como no excelente documentário Vocação do Poder, de Eduardo Escorel (2005) – mas aqui estamos falando de algo mais sofisticado –, a Mídia Ninja tem uma inserção na realidade muito parecida, embora radicalizada, à incentivada já há bom tempo por portais da internet que colhem depoimentos, fotos e informações de cidadãos comuns, substituindo, na minha opinião de maneira questionável, tanto ética como jornalisticamente, o papel do jornalista.

Li, a propósito, no Observatório da Imprensa, excelente artigo de Sylvia Debossan Moretzsohn, jornalista, professora da Universidade Federal Fluminense e autora de Pensando contra os fatos. Jornalismo e cotidiano: do senso comum ao senso crítico (Editora Revan, 2007). Por isso digo acima que teria uma série de observações a fazer. Porque Sylvia faz essas observações melhor do que eu faria. O artigo não deixa de admitir a relevância da Mídia Ninja, mas relativiza com muita competência a febre por esse jornalismo (palavras minhas) amador, por vezes ingênuo, conceitualmente antiético e que tem um aspecto que me parece muito discutível: o trabalho “de graça”, supostamente militante, que é a proposta tanto do Mídia Ninja como de portais de poderosas empresas da mídia eletrônica, uma das quais publica fotos de internautas "colaboradores" na TV interna da Linha Amarela do metrô paulistano.

Posso ser acusado de corporativista. Mas, se você é professor, por exemplo, provavelmente não encararia com bons olhos um grupo de professores que se propusesse a ensinar “de graça” e colocasse em xeque seu lugar no mercado, arduamente construído à custa do trabalho, de uma vida inteira de estudos, aperfeiçoamento e experiência. Se, sob o aspecto puramente jornalístico, o trabalho do Mídia Ninja é questionável, desse ponto de vista ético é indefensável.

Reproduzo, abaixo, alguns trechos do artigo de Sylvia Debossan Moretzsohn, que é longo (mas vale a pena: para quem quiser ler inteiro, o link do Observatório da Imprensa segue abaixo, neste post).

Repúdio à mídia corporativa

“(...) como já se tornou rotina nessas manifestações, a multidão que se aglomerou na frente da delegacia para onde foram levados os presos – foram dez no total – hostilizava ostensivamente os repórteres da mídia tradicional. O que não apenas representa uma inaceitável tentativa de silenciamento, mas é sobretudo uma incoerência: quem protesta exige que a mídia “fale a verdade”, mas ao mesmo tempo enxota os jornalistas aos gritos de “a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura” e “mídia fascista, sensacionalista”.

Seria talvez ocioso ressaltar a banalização desse adjetivo, aplicado como pecha nas mais variadas circunstâncias, mas é forçoso reconhecer que o germe do fascismo está justamente em atitudes que cerceiam a liberdade.

Não é possível rejeitar em bloco o que se produz na chamada grande imprensa, por mais que façamos, como fazemos, críticas contundentes e bem fundamentadas a toda sorte de manipulação praticada nesses meios. Se não fosse por qualquer outro exemplo, o equívoco da rejeição automática ficaria claro para quem assistiu ao Jornal das Dez, da GloboNews, um dos que divulgaram a prisão dos ninjas e, mais adiante, transmitiria a entrevista de um deles, logo após a soltura. A própria página da Ninja no Facebook, por sinal, divulgou o link para essa notícia. Se odiamos a mídia corporativa, como é que aceitamos usá-la quando ela nos favorece?”

Sobre entrevista concedida pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, ao Mídia Ninja na sexta-feira (19/7):

“Por esse texto, fica claro que o convite partiu do prefeito. E aqui reside um equívoco fundamental da equipe [do Mídia Ninja]: não perceber que a entrevista interessava à fonte. Nas discussões virtuais houve quem dissesse que isso não importava, mas esse tipo de afirmação só pode partir de quem desconhece algo elementar no jornalismo: uma coisa é ir atrás da notícia, outra é a notícia cair no nosso colo, ainda mais embrulhada em papel de presente. No longínquo tempo em que desconfiávamos das intenções das assessorias de imprensa, sabíamos distinguir uma coisa da outra. Hoje, quando as assessorias tomaram conta do processo, parece que não há diferença.

Mas, ainda que não tenha sido assim – houve comentários afirmando categoricamente que havia uma intenção prévia dos ninjas de entrevistá-lo –, seria fundamental tentar fugir da armadilha e preparar-se para um encontro em que um político experiente, embora ainda jovem, teria todas as condições de utilizar, como utilizou, essa oportunidade a seu favor.”

Jornalismo amador

“A falta de qualificação para encarar um político “ensaboado”, como disseram os ninjas, mas principalmente a falta de percepção sobre a quem serviria uma situação como essa, foi flagrante para quem assistiu à entrevista [de Eduardo Paes] e acompanhou os comentários. Quem quer trabalhar com mídia tem de saber onde está pisando e como tudo isso funciona. Não é possível simplesmente dizer, apesar das belas intenções, que “é no processo, na experiência, no teste do real que se pode avançar”, como se não houvesse – com o perdão do pleonasmo – experiências anteriores. Essa autolegitimação do trabalho ignora a história do jornalismo, as inúmeras tentativas de se contrapor aos modelos dominantes em outras épocas e, principalmente, as táticas das assessorias. Daí que se tenham lançado voluntariosamente numa empreitada que acabou servindo a quem queriam criticar.”

Papel do jornalista

“Finalmente, é preciso considerar o comportamento dos repórteres. Uma coisa é assumir de que lado se está, outra é ignorar a necessidade de preservar o papel de mediador que todo jornalista precisa exercer, independentemente da ideologia. Para esclarecer: mediação não significa imparcialidade, nem mesmo equilíbrio – se pensarmos na metáfora do fiel da balança –, porque o jornalismo produzido numa sociedade desigual não pode forjar um equilíbrio inexistente; significa filtrar as informações para estabelecer um quadro compreensível da realidade. Mesmo o jornalismo explicitamente militante tem essas obrigações éticas, não pode simplesmente mergulhar nos acontecimentos e ignorar suas responsabilidades.”

A íntegra do artigo de Sylvia Debossan Moretzsohn: A militância e as responsabilidades do jornalismo



terça-feira, 2 de julho de 2013

Sobre a reeleição


Há quem esteja vislumbrando no cenário político pré-plebiscitário uma série de conspirações com vistas a mudar as regras do jogo para colocar um basta na série de governos de centro-esquerda no país.

Uma das teses ventiladas seria colocar no plebiscito a possibilidade de se acabar com a reeleição. Consideremos a hipótese. Perguntar-se-ia à população, por exemplo: "você é a favor ou contra a reeleição para o cargo de presidente da República?"

Sempre no terreno das suposições, vamos imaginar que no plebiscito ganhe o "não" à reeleição. Mesmo assim, seria um enorme risco que a direita correria tentando a aventura.

Se o povo achar que a questão do mandato presidencial e a reeleição devem ser objeto da reforma política, uma proposta para mudar tal regra precisaria de uma proposta de emenda constitucional. Mudar a Constituição exige quórum qualificado no Congresso – 308 deputados e 49 senadores, três quintos das duas Casas Legislativas, em dois turnos de votação.

Não é fácil aprovar. Mas é claro que, se o povo achar melhor acabar a reeleição, serão muito poucos os deputados e senadores que terão a coragem de votar contra o desejo manifesto em plebiscito, negando a chamada "voz das ruas". Eles podem ser tudo, mas têm senso de autopreservação...

Mas, mesmo assim, a mudança só valeria para 2018, a não ser que a ideia do fim da reeleição esteja sendo gestada com indisfarçáveis fins obscuros, para valer em 2014. Aí seria, de fato, um golpe.

Nesse caso, se a presidente Dilma Rousseff viesse a sofrer esse golpe baixo, um personagem muito mais difícil de ser batido poderia ser obrigado a reentrar na cena eleitoral: Lula.

Desse modo, a direita teria dado um tiro fatal no próprio pé.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Dilma anuncia diálogo com manifestantes, sindicatos e movimentos sociais


Íntegra do pronunciamento


“Anuncio que vou receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares. Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências (...) de sua capacidade de questionar erros do passado e do presente.”

Essa foi para mim a passagem mais importante da presidente Dilma hoje, no esperado discurso que fez à nação sobre as manifestações que sacudiram ruas e praças do Brasil por mais de uma semana.

Há um crescente descontentamento da sociedade civil, movimentos sociais e sindicatos com o encastelamento de Dilma e sua dificuldade em dialogar e recebê-los.

Conversei hoje com lideranças do PT em São Paulo que não só estavam, pela manhã, muito preocupadas como inconformadas com o silêncio da presidente diante do sinistro cenário que se desenhou durante a semana, culminando com o quase pânico na noite de ontem.

Outro trecho importante do discurso foi o reconhecimento de que o país precisa caminhar mais rapidamente no rumo de avanços de todos os tipos: serviços públicos decentes e relações políticas mais honestas, por exemplo. Disse Dilma:

“As manifestações dessa semana trouxeram importantes lições. As tarifas baixaram e as pautas dos manifestantes ganharam prioridade nacional. Temos que aproveitar o vigor dessas manifestações para produzir mais mudanças, que beneficiem o conjunto da população brasileira.

"Essas mensagens exigem serviços públicos de mais qualidade, escolas de qualidade, atendimento de saúde de qualidade, transporte público melhor a preço justo, mais segurança. Ela quer mais. E para dar mais as instituições e os governos devem mudar.

“Irei conversar nos próximos dias com os chefes dos outros poderes, para somarmos esforços esforços. Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos. O foco será, primeiro, a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo; segundo: a destinação de 100% dos recursos do petróleo para a educação; terceiro: trazer de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do SUS.”

Abaixo, outros trechos do discurso:

 Violência e diálogo

“Se deixarmos que a violência nos faça perder o rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica, como também correndo risco de colocar muita coisa a perder.
“Tenho a obrigação tanto de ouvir a voz das ruas como dialogar com todos os segmentos, mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensáveis para a democracia. O Brasil lutou muito para se tornar um país democrático, e também está lutando muito para se tornar um país mais justo (...) Não é fácil chegar onde desejam muitos dos que foram às ruas. Só tornaremos isso realidade se fortalecermos a democracia, o poder cidadão e os poderes da República.”

"Vamos manter a ordem"

“Os manifestantes tem o direito a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir mudanças, de lutar por mais qualidade de vida e defender com paixão suas ideias e propostas, mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira. O governo e a sociedade não podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio público e provado, ataque templos, incendeie carros, apedrejem ônibus e tente levar o caos aos principais centros urbanos. Essa violência, promovida por uma pequena minoria, não pode manchar o movimento pacífico e democrático. Não podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil.

“Todas as instituições e os órgãos da segurança pública têm o dever de coibir, dentro dos limites da lei, toda forma de violência e vandalismo (...) Asseguro a vocês: vamos manter a ordem.”

História

“A minha geração lutou muito para que a voz das ruas fosse ouvida. Muitos foram perseguidos, torturados e morreram por isso. A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada, e ela não pode ser confundida com o barulho e a truculência de alguns arruaceiros. Sou a presidenta dos que se manifestam e dos que não se manifestam.”

Sistema político

“Precisamos oxigenar o nosso sistema político, encontrar mecanismos que tornem nossas instituições mais transparentes, mais resistentes aos mal-feitos e acima de tudo mais permeáveis à influência da sociedade.É a cidadania e não o poder econômico quem deve ser ouvida em primeiro lugar.”

Política, corrupção e cidadania

“Quero contribuir para a construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a participação popular. É um equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos e sobretudo do voto popular, base de qualquer processo democrático. Temos de fazer esforço para que o cidadão tenha mecanismos de controle mais abrangentes sobre os seus representantes. Precisamos de formas mais eficazes de combate à corrupção. A Lei de acesso à Informação, sancionada no meu governo, deve ser ampliada para todos os poderes da República e as instâncias federativas. A melhor forma de combater a corrupção é com transparência e rigor.”

“(...) Confio que o Congresso Nacional aprovará o projeto que apresentei para que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente com educação.”

Copa do Mundo

“Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal gasto com as arenas é fruto de financiamento que será devidamente paga pelas empresas e os governos.
O Brasil sempre foi muito bem recebido em toda a parte. Respeito carinho e alegria, é assim que devemos trartar os nossos hóspedes. O Brasil merece vai fazer uma grande Copa.”

Fim do discurso

“Eu quero repetir que o meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Eu quero dizer a vocês, que foram pacificamente às ruas: eu estou ouvindo vocês e não vou transigir com a violência e a arruaça. Será sempre em paz, com liberdade e democracia que vamos continuar construindo juntos esse grande país.”

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Público-alvo



Do  Futepoca



Exemplo prático para observar a quem a Veja se dirige: "Você", o leitor próximo, que interessa à publicação da editora Abril, é um homem, branco, classe média/rico, tipo executivo - com cara de desconsolo por um "direito" (privilégio) perdido; "Ela", o ser distante, estranho e indesejável, é uma mulher, negra, nordestina, pobre, com pouco estudo - e a revista dá a entender que, por isso mesmo, decide errado (prejudicando "Você"). Ou seja, "A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes" (Karl Marx). Situe-se. E observe o discurso e sua direção.

PS do blog: para quem não sabe, a capa da direita está nas bancas esta semana, após a aprovação, na semana passada, da chamada PEC das Domésticas, promulgada ontem, dia 2.

PS 2: concordo com o comentário de alguém, no post do Futepoca: "surpreende positivamente que a Veja chame a PEC de 'marco civilizatório'". Seja como for, nunca podemos esquecer do poder das imagens. Que fica nas bancas de jornais por uma semana. Toda a propaganda é baseada em imagens. De Stalin ou das agências publicitárias de hoje.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

PT festeja aniversário e 10 anos de governo


"Eles são implacáveis. Eles não gostam de governo de esquerda e de governo progressista", diz Lula sobre a elite brasileira


R. Stuckert Filho/PR


Da Rede Brasil Atual

O Partido dos Trabalhadores realizou na noite de hoje (20), num hotel na zona Norte de São  Paulo, o ato comemorativo pelos dez anos de governo,iniciados em 2003, começando uma série de seminários que serão realizados no país, em parceria com o Instituto Lula e a Fundação Perseu Abramo. O evento também fez parte das comemorações pelos 33 anos de fundação da legenda.

O próximo ato será realizado dia 28, em Fortaleza (CE). O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e a presidenta Dilma Rousseff foram os últimos a discursar. Todas as mais importantes lideranças da legenda, entre parlamentares, ministros, prefeitos e governadores, marcaram presença.

Lula fez o discurso mais veemente, misturando críticas à oposição e bom humor. Sobre o início do período de uma década de governo do partido, disse que em 2003, no começo do primeiro mandato, "tinha a convicção de que não podia errar, porque eles [a elite] são implacáveis. Eles não gostam de governo de esquerda e de governo progressista", afirmou.

Em sua fala ele mencionou os índices sociais e os que mostram a evolução do emprego, e o sucesso da política econômica de sua gestão e de Dilma para dizer que os dados estão deixando os adversários "inquietos". "Eles querem comparar. Mas nós aceitamos comparações, não temos medo de comparar, inclusive sobre corrupção", afirmou, sob aplausos, em referência ao mensalão.

A presidenta Dilma fez um discurso longo e recheado de números e estatísticas para respaldar, no discurso, "a escolha pelo social" dos governos petistas. Ironizou as dúvidas sobre a redução da energia elétrica, divulgadas pelos partidos de oposição e por setores da mídia quando do anúncio da medida, e disse que esse discurso midiático-político continua.

"O mesmo tipo de previsão equivocada e tendenciosa começa agora a se repetir em relação à capacidade do Brasil de aumentar seu ritmo de crescimento e manter a estabilidade econômica. Repito: nossos fundamentos estão cada vez mais sólidos", garantiu a presidenta. Segundo ela, o seu governo, que enfrentou "uma das maiores crises internacionais da história, está mais do que preparado para enfrentar os desafios do presente e do futuro".

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PS: a nota negativa, que muitos podem, com razão, até considerar uma nódoa, foi a presença do ex-prefeito  de São Paulo Gilberto Kassab no palanque armado para receber as autoridades. Ele foi bastante vaiado, como era de se esperar. A verdade é que esse é um reflexo da democracia brasileira. Embora tenha feito um discurso incisivo como sempre, Lula deixou bem claro em sua fala que o PT não governou sozinho nesses dez anos e que não há como governar – e nem teria sido possível mudar o Brasil – sem os partidos aliados. O PSD de Kassab faz parte da base aliada do governo no Congresso Nacional.

Isso me remete a Renan Calheiros, eleito presidente do Senado, pois muitos auto-intitulados próceres da ética andam indignados com o apoio do governo a Calheiros para presidir o Senado. Mas é bom lembrar, pois o que não falta no país são esquecidos, que o senador do PMDB foi ministro da Justiça (sim, da Justiça) do governo Fernando Henrique Cardoso.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Acordo entre Planalto e governo de SP sobre segurança pública decorre das eleições


O post anterior, publicado logo abaixo, ficou frio depois da notícia mais quente que tivemos após as eleições, a de que o governo de São Paulo, premido por uma situação insustentável, finalmente cedeu e acabou aceitando ajuda federal para conter a violência no estado, provocada pela guerra entre PCC e Polícia Militar, depois de intensa troca de acusações, durante a semana, entre o governo de Geraldo Alckmin (via seu secretário de Segurança, Antonio Ferreira Pinto) e o Ministério da Justiça.

Segundo divulga o Blog do Planalto, a parceria entre o até então arrogante governo paulista e o Planalto se deu após telefonema da presidente da República a Alckmin:

"A ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, anunciou que a presidenta Dilma Rousseff, em ligação ao governador Geraldo Alckmin nesta quinta-feira (1º), ofereceu todo apoio para que São Paulo enfrente o problema da violência. Ficou agendada para a próxima semana uma reunião entre o Ministério da Justiça e representantes do governo paulista para estudar parcerias para o setor."

De acordo com a Agência Brasil, "os termos da parceria serão definidos pelos dois governos em uma reunião marcada para o começo da próxima semana. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, será o enviado do governo federal ao encontro".

Penso que a notícia é muito positiva, pois me parece que, se concretizada, a parceria decorre das eleições municipais, que mostraram a urgente necessidade de renovar o pensamento, as relações entre as esferas de poder (municipal, estadual e federal), a relação do Estado com a cidadania.

A truculência e a intransigência foram vencidas nas eleições em São Paulo. A renovação, impulsionada pela vontade das urnas, tem de ser concreta. O governador Alckmin sabe disso, e disso depende sua própria sobrevivência política. Ele sabe muito bem que precisa articular para varrer José Serra da cena política paulista.

O apoio enfático do candidato Gabriel Chalita (do PMDB, mas muito ligado a Alckmin) a Fernando Haddad no segundo turno não foi à toa. Chalita defendeu "uma nova maneira de fazer política". Se Alckmin mantém a arrogância e a intransigência, ele vai pelo mesmo ralo que engoliu Serra.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Ainda o episódio Erundina: purismo e maniqueísmo não têm nada a ver com política


No meio de discussões nos comentários a post anterior a respeito do barulhento caso Erundina-Haddad-Maluf-Lula, escrevi que, naquele momento, a discussão era “para lá de inconclusiva” e que todas as posições eram “passíveis de ser relativizadas, inclusive a minha”.

Digo isso porque temos a tendência de falar e entender política sob um viés maniqueísta e às vezes purista, quando sabemos que tanto uma lente como outra distorcem a realidade.

Enfim, o episódio Erundina desta semana foi marcado pelo purismo e pelo maniqueísmo. E a verdade é que a ingenuidade perpassa tanto o maniqueísmo como o purismo ou “idealismo”. Política não é feita por nem para puros e santos. Não existe democracia sem acordos e táticas. Não se governa um país, um estado ou uma cidade como São Paulo como se governa um grêmio estudantil, como querem fazer parecer os partidos supostamente de extrema esquerda cuja prática, na verdade, serve aos interesses da direita.

Erundina não é santa

Antonio Cruz/ABr
Haddad: à procura de vice
Erundina não é santa, embora eu mesmo tenha aparentemente enveredado pelo purismo ao dizer durante a semana que, ao renunciar à chapa com Fernando Haddad, a ex-prefeita tinha sido “fiel ao seu passado”. Faltou, de minha parte, explicitar que, ao dizer “fiel ao seu passado”, eu me referia à sua gestão como prefeita em São Paulo, com um governo popular de esquerda inédito na história da conservadora capital paulista. Não quis dizer que Erundina era ou é pura e seu passado (estritamente político) é um mar de rosas do idealismo.

É preciso, portanto, distinguir o passado político em si do passado histórico como prefeita (nordestina e mulher) que venceu uma eleição democraticamente, para espanto de muitos, e tentou fazer um administração pela primeira vez voltada para as classes menos favorecidas. Pois, como lembrou José Arrabal em post anterior neste blog, o erro de Erundina esta semana foi o segundo grande equívoco político de sua trajetória: ela “errou e quebrou a cara (...) ao aceitar de modo personalista um ministério no governo de Itamar Franco. Nada fez ou pôde fazer de bom no Ministério e deixou o cargo humilhada, ciente de que cometera uma grande bobagem na sua história política pessoal”.

Wilson Dias/ABr
Preterida em nome da renovação
Votos na periferia

De Lula, o que cabe notar é que ele tem adotado algumas atitudes até certo ponto caudilhescas. O episódio com Maluf foi uma delas, assim como o foi sua decisão irrevogável e até certo ponto antidemocrática dentro das hostes petistas ao praticamente impor o nome de Fernando Haddad em nome da renovação dos quadros do partido. Esta, se é uma justificativa considerável, é por outro lado um pouco contraditória com a urgência de “derrotar o demo-tucanato em São Paulo”. Pois nunca foi totalmente convincente o argumento de que a taxa de rejeição de Marta Suplicy seria fatal no segundo turno. Marta tem um eleitorado fiel e importante nas periferias da cidade. Haddad, ainda não.

Como Dilma Rousseff, que era chamada de “poste” até alçar vôo por si própria, impor ao processo político sua personalidade discreta mas marcante e descolar-se da figura do presidente Lula, Haddad tem a mesma árdua tarefa pela frente. Como a campanha ainda nem começou, há tempo. O problema é que Dilma, para se eleger, contou com o esmagador apoio do Nordeste do país, mas não se sabe se, analogicamente, as periferias de São Paulo serão tão decisivas como precisam ser para Haddad vencer. Não se sabe, fazendo as contas de quantos votos a aliança com Maluf trará e quantos vai tirar de Haddad, se todo esse imbróglio terá, ao fim e ao cabo, sido positivo ou negativo para a candidatura petista.

Existe um dado sociológico relevante em São Paulo. Aqui, as classes C e D não são tão sensíveis aos benefícios evidentes que os governos Lula e Dilma lhe proporcionaram e continuam proporcionando. Aqui, os pobres, nordestinos ou não, querem ser como os ricos. Não estão tão preocupados em ter um transporte público decente, porque seu sonho é ter um carro O km. E é esse enorme eleitorado, cujo voto é totalmente volátil e sensível a chantagens eleitorais, que Haddad tem de conquistar.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

PSD: o partido onde os ricos se encontram


Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Kassab, o chefe
Do site Congresso em Foco

Ele foi anunciado em março por seu criador como um partido que não é de direita, nem de esquerda, nem de centro. Sete meses após a famosa declaração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o Partido Social Democrático (PSD) nasce oficialmente hoje no Congresso como uma legenda de ricos e empresários. A maioria deles, ruralistas. Mais da metade da nova bancada tem na atividade empresarial sua principal ocupação. A soma dos bens declarados à Justiça eleitoral pelos congressistas do PSD também faz dele o segundo partido mais rico do Parlamento, atrás apenas do PMDB.

Entre titulares, suplentes e licenciados, o PSD havia arrebanhado 57 deputados e dois senadores até a última segunda-feira. Um número que ainda pode crescer. Desses 59 nomes, 42 (71%) são empresários urbanos ou rurais. Praticamente o mesmo número atua na defesa do agronegócio, como integrantes da bancada ruralista. Juntos, os discípulos do prefeito paulistano no Congresso acumulam um patrimônio de R$ 367,6 milhões. Ou seja, embora representem apenas 8,8% dos congressistas, eles respondem por quase 20% do total de R$ 1,94 bilhão declarado em bens pelos 667 parlamentares que exerceram mandato na atual legislatura.

O PSD abriga o parlamentar mais rico de todo o Congresso, o deputado João Lyra (AL), usineiro dono de uma fortuna declarada de R$ 240,4 milhões, acusado de trabalho escravo no Supremo Tribunal Federal (STF). Outros dois deputados do novo partido também somam mais de R$ 10 milhões em bens, Paulo Magalhães (BA) e Roberto Dorner (MT). Ao todo, 34 representantes do partido de Kassab no Congresso informaram à Justiça possuir mais de R$ 1 milhão em bens.

Leia matéria do Congresso em Foco na íntegra clicando neste link

Leia também sobre as mazelas da administração de Gilberto Kassab em São Paulo: A cidade de Gilberto Kassab

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ministério do Esporte, politica e Direito


1) O Ministério do Esporte

Orlando Silva - Foto: Renato Araújo ABr
É fato que a chamada grande imprensa não acredita (quando não lhe convém) no mandamento constitucional da presunção de inocência, que é, aliás, muito anterior à nossa Constituição, e remonta à Revolução Francesa.

Segundo Flávio Mirza, professor de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da UERJ e professor da Universidade Candido Mendes: “De um lado, regra processual, segundo a qual o acusado não é obrigado a fornecer provas de sua inocência, que é presumida; de outro, regra de tratamento, impedindo a adoção de medidas restritivas da liberdade do acusado, ressalvados os casos de absoluta necessidade.”

Mas direitos como esse, para nossa mídia, são mero detalhe, a não ser quando cabem em seus conceitos de liberdade de expressão. Isso tudo já é tão sabido que se torna enfadonho repetir. No caso do ministro do Esporte, Orlando Silva, mais uma vez o ônus da prova [da inocência], com o auxílio das manchetes, cabe ao acusado. Falar de Veja, uma revista reconhecida por inventar informações, que usa de artifícios ilegais para obter informações? Vou me privar desse incômodo, pelo menos neste post.

Mas não é o caso também de botar a mão no fogo pelo ministro Orlando Silva, do PCdoB. Partido que, apesar de ser fiel aliado do governo Lula e agora do governo Dilma, tem se afastado de causas cidadãs. Por exemplo, com o deputado Aldo Rebelo, de São Paulo, cujo substitutivo do projeto de lei do chamado Novo Código Florestal é uma afronta tão grande aos conceitos preservacionistas e tão favorável à bancada ruralista no Congresso, que é indefensável sob qualquer análise sensata.

Voltando ao Ministério do Esporte, comandado desde 2006 por Orlando Silva, existem informações disponíveis sobre convênios estranhos há muito tempo, que permitiram repasses de verbas públicas a obscuras entidades (como igrejas, por exemplo) responsáveis por implantar núcleos de esporte do programa Segundo Tempo. Com uma rápida pesquisa na rede, o internauta acha coisas sobre isso.

Então, é simples assim: que se investigue. Se o ministro tiver culpa no cartório, que pague por isso. Se não, a mídia vai dar manchetes? Claro que não. Orlando Silva deveria continuar ministro enquanto as dúvidas não se dissipam? Nessas circusntâncias, em alguns países, as investigações são incompatíveis com a manutenção do cargo. Mas é inadmissível que Veja , com seu jornalismo de esgoto, se outorgue o direito de derrubar ministros com denúncias sem prova.

A FIFA e a Abril

Observação oportuna é a seguinte: uma simples visita ao site oficial da FIFA dá uma informação relevante: a editora Abril, com logotipo e tudo, é “Apoiadora oficial para mídia impressa” da Copa do Mundo de 2014. Para comprovar isso, basta acessar o site, neste link, e ir ao fim da página exibida. Lá você verá os logos dos parceiros da FIFA e da "apoiadora" Abril.

2) Deputado Romário, Messi e Pelé

Foto: José Cruz - ABr
E, para relaxar, já que estamos em esporte e política, não custa lembrar a entrevista coletiva do deputado federal Romário (PSB-RJ) nesta terça-feira, no Centro de Imprensa do Pan, em Guadalajara. Perguntado sobre a propalada comparação de Lionel Messi com Pelé, ele respondeu: "Não se pode dizer que está na história do futebol um jogador [Messi] que ainda não ganhou uma Copa do Mundo pelo seu país. Primeiro, ele tem que tentar ser um Maradona. Depois, um Romário. E depois, Pelé".

Concordo com o deputado Romário, que está fazendo um trabalho surpreendente na Câmara dos Deputados, para quem dele não esperava nada.