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sábado, 1 de novembro de 2014

Data venia, discordo de André Singer


Jornalista e intelectual importante por sua visão relevante da economia, da sociologia e da política, André Singer não foi porta-voz e secretário de Imprensa da Presidência no governo Lula por acaso. É autor de aguda análise do período iniciado com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no livro Os Sentidos do Lulismo (Companhia das Letras). Sua trajetória passa por carreira jornalística sólida, de repórter a secretário de redação da Folha de S. Paulo. Mas (e por tudo isso) sua análise na Folha de hoje, com todo o respeito, me parece simplista. Leia neste link o artigo de André Singer, "Sinais trocados".

O mundo inteiro, da América do Norte à Europa (e até na China há reverberações não desprezíveis), passa por uma crise que diversos analistas consideram a maior do capitalismo desde 1929 (acredito que com exagero).

A crise que devastou a Europa e colocou em xeque a maior potência do planeta, os Estados Unidos, é real. Mesmo assim, o Brasil “milagrosamente” conseguiu no primeiro mandato de Dilma Rousseff manter o emprego e a política do salário mínimo, e sustentar o mercado interno.

Ao contrário de crises anteriores, do final dos anos 1990, sob Fernando Henrique, o Príncipe, a escolha de Dilma não foi promover o arrocho e o desemprego, uma das faces mais cruéis do neoliberalismo. Mas isso tem custo. A escolha do governo brasileiro de colocar o Estado (e seus agentes econômicos, como os bancos estatais) a serviço de políticas públicas, e também em investimentos em infraestrutura, ou seja, investimentos de longo prazo, tem preço. Como, por exemplo, “o rombo das contas públicas”, manchete da imprensa hoje.

O ano de 2015 não era previsto como fácil por economistas de todos os matizes, de neoliberais a “desenvolvimentistas”. Fosse quem fosse o vencedor da eleição, Marina, Dilma ou Aécio, o cenário seria, e será, difícil, como há muito se sabe. A conta a pagar seria e será alta, como teria sido em quaisquer circunstâncias. Por exemplo, no caso de, hipoteticamente, José Serra ter vencido as eleições de 2010. Só que as bombásticas manchetes de Folha, Estadão e congêneres deste sábado, 1º. de novembro, sobre o rombo das contas públicas, continuam a investir no pessimismo, como fizeram ao longo de 2013 e 2014.  O artigo de André Singer, data venia, reforça esse pessimismo.

O Estado brasileiro, de 2008 para cá, precisou desenvolver uma política econômica baseada num difícil equilíbrio para, ao mesmo tempo, não sucumbir à crise nem, por outro lado, ficar refém do mercado financeiro (leia-se: especuladores). A manutenção do emprego, na contramão da crise europeia que colocou contingentes enormes de desempregados nas ruas, foi conquistada com muitas dificuldades. Como disse acima, isso tem preço. Em período histórico recente, na era FHC, as contas públicas foram à bancarrota e a opção, perversa, foi jogar a fatura nas costas do trabalhador. O país chegou a mais de 11% de desempregados, segundo o IBGE.

Quando Lula venceu a eleição em 2002, setores “progressistas” ficaram indignados com a escolha do presidente metalúrgico para a presidência do Banco Central, Henrique Meirelles. Mas não custa lembrar que Meirelles “iniciou sua gestão de presidente do Banco Central em um momento de crise econômica com o câmbio do dólar em valores próximos a R$ 4,00, taxa de juros Selic de 25% ao ano, inflação prevista para acima de 11% em 2003”. As aspas são da Wikipedia, mas os dados são esses mesmos.

Esses índices, em 2014, são os seguintes: o dólar está em R$ 2,48, a Selic em 11,25% e a inflação prevista pelo mercado para 2014 é de 6,45%.

Meirelles presidiu o BC de 2003 a 2010. Nesse período e no posterior, sob Dilma, os resultados das políticas públicas estão aí para quem quiser conferir. O “conservadorismo” de Lula na política econômica e no Banco Central esteve a serviço de uma política de distribuição de renda, o que é inegável.

Dilma tem um desafio enorme. Serão necessários ajustes para reequilibrar as contas públicas. 

Haverá impacto nas tarifas. A gasolina, calcanhar de Aquiles do mercado de consumo brasileiro, apenas como um exemplo, vai aumentar. “Não aumentou antes por causa da eleição”, dirão. Ora, e qual governo de centro-esquerda aumentaria o preço em tais circunstâncias, no meio de um dos mais difíceis processos eleitorais da história brasileira? Para entregar a presidência da República ao PSDB de Aécio Neves e Armínio Fraga?

Francamente, amigos, vão dar uma voltinha na Ucrânia e depois voltem para contar.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Para Boris Casoy, Lula e o PT mataram Eliana Tranchesi, dona da Daslu





Vocês devem se lembrar do solerte âncora da Band, em janeiro de 2010, fazendo um comentário sobre garis, que, segundo o jornalista, são "o mais baixo na escala do trabalho". Se não lembram, está aqui:

Boris Casoy, os lixeiros e o ano novo

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Brasil como potência mundial

Uma instituição cuja importância e influência chega até a Casa Branca, o Council on Foreign Relations (CFR), publicou um relatório intitulado "Brasil Global e as relações EUA-Brasil", antecipado na semana passada pelo jornal O Globo e que tem sido divulgado meio timidamente esta semana em nossa imprensa.


Capa do relatório/Divulgação
 No documento, a instituição, que publica a revista Foreign Affairs, amplamente reconhecida nos meios diplomáticos mundiais, faz recomendações absolutamente inequívocas ao governo americano de Barack Obama sobre o Brasil.

Por exemplo: "É de interesse dos Estados Unidos entender o Brasil como um complexo ator internacional cuja influência nas grandes questões mundiais atuais apenas deverá aumentar". Para o CFR, o Brasil já não deve ser tratado mais apenas como uma potência continental, mas global.

E mais: o Council on Foreign Relations espera que os Estados Unidos "apoiem de forma plena a candidatura do país [Brasil] a uma cadeira como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU", pois, segundo os membros da instituição, “um apoio formal dos Estados Unidos ao Brasil reduziria a suspeita dentro do governo brasileiro de que o compromisso americano de uma relação madura e entre iguais não passa de retórica (...) Há pouco a perder e muito a ganhar com um apoio ao Brasil no CS neste momento".

Então, presidente, vai aceitar os conselhos?
O influente grupo recomenda também que o governo estadunidense elimine as tarifas alfandegárias para o etanol brasileiro.

É óbvio que a história do Brasil não começou com Lula. Mas é óbvio também que a crescente influência do país no mundo está sendo conquistada pela mudança de parâmetros da política externa brasileira desde o governo Lula, ao contrário do que era antes, uma política subserviente baseada na máxima “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil”. Se não fosse por isso, o relatório não recomendaria uma relação “mais ampla e madura com o novo Brasil”, como o fez.

Só não vê quem não quer.

Atualizado às 19:38

sábado, 21 de agosto de 2010

Lula: “Estamos começando hoje, aqui em Osasco”

Numa arena, ou gaiola, em que os jornalistas ficam nos comícios, lá estávamos, no bairro do Rochdale, em Osasco, mais uma vez (como em 28 de setembro de 2008, nas eleições municipais) para cobrir a visita do presidente metalúrgico à cidade. Repórteres de jornais regionais, como o Visão Oeste, e da chamada “grande imprensa”, Folha, Globo, Estadão, Band, RedeTV etc se misturam ali. Uma fauna diversificada.

Antes do comício, às vezes, do alto, na gaiola dos jornalistas em que está, você vê uma pessoa do povo que suplica, quase, para que você a ponha lá em cima, ela quer chegar perto do presidente. Duas mulheres bastante humildes estendem uma faixa com os dizeres: “Meu sonho é tirar uma foto com Lula”. Uma delas me pede para chamar uma repórter que está com uma filmadora. Ela quer que a menina filme a faixa, que a levemos para perto do presidente para realizar seu sonho. Dizemos a ela que é impossível. Impossível. Outras pessoas querem o mesmo, entrar ali. Mal sabem que estamos numa gaiola e que não vamos também chegar perto de Lula.

Quando Lula fala, é uma hipnose coletiva. Fala do Corinthians. Gritos, aplausos e algumas poucas vaias. Diz que o Corinthians perdeu a Libertadores porque menosprezou o primeiro jogo, achando que resolveria no segundo e dançou. Isso para dizer que a campanha não está ganha para Dilma Rousseff, e nem a de Mercadante perdida. No caso de São Paulo, está apenas no início, frisou enfaticamente. "Estamos começando hoje, aqui em Osasco".


Diz que eleição se disputa com o coração, e não só com a cabeça, que os prefeitos e a militância têm que ir pras ruas, para a porta dos trens, para a porta dos ônibus. Lula conclamando a militância é impressionante. “Eleger este companheiro aqui [dirigindo-se a Mercadante] é um desafio que está colocado.” (Lula apavora seus adversários porque até eles sabem que nada podem contra ele.)

E sobre os pedágios em São Paulo: “quem quiser ir agora na festa do peão de boaideiro em Barretos, vai pagar sessenta e cinco reais. Isso não é pedágio, isso é roubo”. Um jornalista não sei de que veículo passa por mim e diz, como para si mesmo, mas alto: “esse é o cara!”

O presidente fala da arrogância do tucanato que governa o estado de São Paulo desde 1982, ainda sob as vestes do PMDB: “um ministro meu, pra marcar audiência com o governador que agora é adversário da Dilma, às vezes passava seis meses e não conseguia uma audiência, porque eles não queriam conversar. A falta de humildade deles... não reconhecem sequer o dinheiro que nós repassamos pro estado de SP”.

Lula diz que o presidente ridicularizado porque não sabia falar inglês e espanhol, e “portanto não ia ser respeitado lá fora, vai passar para a história como o presidente da República mais respeitado no exterior que esse país já teve”. O que é verdade. Quando foi chamado de analfabeto por Caetano, demonstrou claramente ter ficado chateado. Mas Lula sabe de sua grandeza e por isso não precisa de falsa modéstia.

“Eu lembro da eleição de 89, quando a elite que concorria contra nós dizia: ‘a dona Marisa vai ter muito trabalho pra lavar todos os vidros do Palácio da Alvorada’. Desprezando as pessoas pobres porque eles achavam que nós nascemos apenas para servi-los e não para ser servidos por eles”.

Quando assumiu, prometeu que criaria 10 milhões de empregos. Criou 14 milhões. Aumentou o salário mínimo em 74%. 700 mil jovens de baixa renda puderam entrar na faculdade pelo ProUni. (Em sua fala, Dilma lembra que o DEM, partido do vice de Serra, Indio da Costa, tem uma ação para tentar acabar com o ProUni no STF.) Nos 8 anos de Lula, 30 milhões de pessoas ascenderam à classe média. Os números são indefensáveis, por isso a campanha do PSDB está perdida, sem rumo e sem proposta.

Dilma se saiu bem, considerando que é uma neófita em palanques perto de cobras-criadas como Marta Suplicy e Mercadante. Discursou com segurança. “Nós mudamos o país porque não olhamos só números e cifrões, olhamos as pessoas. Atrás dos prédios existem pessoas”, disse a provável futura presidente do Brasil diante de Lula, esse líder que emociona seu povo e a todos os que acreditaram que o Brasil podia mudar.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Serra já causa mal-estar na América do Sul

Repercutiu muito mal na América do Sul a lamentável declaração do pré-candidato tucano à presidência da República, José Serra, sobre o Mercosul. Numa palestra que proferiu na Federação de Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), ele disse que o Mercosul é uma "farsa" e "uma barreira para que o Brasil possa fazer acordos comerciais".

Como se vê, com o truculento ex-governador comandando o país, tudo leva a crer que a política externa brasileira dará nova guinada de volta à subserviência nacional aos interesses dos Estados Unidos. Subserviência cristalizada, no período do regime militar, pela sentença do então ministro da Justiça da ditadura, Juracy Magalhães: "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil". A intenção de Serra, evidentemente, é desfazer também o legado de Luiz Inácio Lula da Silva na política externa, elogiada por importantes veículos internacionais, mas criticada pela mídia tupiniquim.

Segundo reportagem de Ariel Palacios, de O Estado de S.Paulo, nesta quinta-feira, o chanceler argentino Jorge Taiana manifestou-se sobre a fala do tucano, podemos concluir, com incredulidade: “Não acho que esta seja posição do Brasil nem da maioria de seus setores econômicos e políticos". Ele afirmou crer que a bravata do ex-governador são "declarações de campanha", mas ressaltou que o Mercosul “é um compromisso estratégico dos países que o formam".

Ontem, quarta-feira, feriado no Brasil, matéria do jornal El Clarín, de Buenos Aires, tratou do assunto. “O candidato evitou dizer como pensa reformular a posição do Brasil. Mas ignora que não é simples passar de um mercado comum definido para uma simples zona de livre comércio como a que existe no NAFTA. Pode desde logo conquistar o desprestígio regional, além de submeter-se a severas punições por conta da ruptura de contratos internacionais”.

Portanto, não sou eu, mas o Clarín, que está chamando o pré-candidato de ignorante.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Confecom precisa dar respostas concretas

Acredito que a Confecom (Conferência Nacional de Comunicação), da qual participei nas etapas municipal (Osasco) e estadual (SP), tem que ter o Fórum Social Mundial como ponto de reflexão (e inflexão).

Porque não poucas pessoas que têm interesse direto em que a conferência seja bem sucedida fazem um questionamento justo: “Mas vai acontecer com a Confecom como com o FSM, acabar diluído e não dar respostas concretas a nada?” Foi o que me perguntou outro dia um jovem jornalista.

Esse questionamento precisa ser respondido com resultados objetivos (mesmo que a resposta seja um primeiro passo, por pequeno, mas concreto que seja). Alguém lembrou, nas mesas da Confecom Osasco, que o SUS (importante avanço) surgiu a partir de debates nas conferências de saúde.

Alberto Luchetti, da allTV, disse na mesa de que participou em Osasco (17 de outubro de 2009) que o Ministério das Comunicações é comandado por um “despachante da TV Globo” (o peemedebista Hélio Costa). É verdade. E esse registro tem de ser feito. O governo Lula tem esse débito para com a sociedade brasileira.

Algumas demandas da sociedade civil são urgentes no contexto da Confecom, e precisam ser concretamente colocadas em pauta (em âmbito legislativo e executivo, como conseqüência da Confecom). Por exemplo:

- as TVs e rádios são concessões públicas. Portanto, devem responder à determinação do artigo 220 da Constituição, que precisa ser regulamentado à luz do interesse da cidadania, e não dos interesses privados. Em seu parágrafo 5º, o artigo 220 da Constituição de 1988 (que Ulysses Guimarães chamou de “Constituição Cidadã”) diz expressamente: “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”. A regulamentação deste artigo já seria um enorme avanço, talvez suficiente para materializar uma grande reforma;

- é preciso que as comunidades civis tenham voz e as rádios comunitárias deixem de ser tratadas como criminosas;

- é preciso que os municípios, politicamente emancipados, sejam de fato emancipados. Como pode, por exemplo, que numa grande cidade como Osasco, entre outras, os cidadãos, em época de eleição, não vejam a propaganda eleitoral de seus candidatos, e sim da capital (São Paulo)? Osasco tem 700 mil habitantes, mas seus eleitores assistem na TV, em eleições municipais, à propaganda dos candidatos da capital;

- é preciso dar garantias à saúde mental e física das crianças, que são atacadas por um bombardeio infame de propaganda e (des) informação diante das quais são indefesas. As crianças, e as meninas principalmente, estão sendo submetidas a uma sexualização precoce e historicamente criminosa. A qualquer hora, a TV disponibiliza a elas sexo e violência, e, se você vai criticar, dizem que você é a favor da censura.

- é preciso democratizar as verbas publicitárias.

O Brasil tem dois chefes de Comunicações: Franklin Martins, com o pomposo cargo de ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, e Hélio Costa, ministro das Comunicações, que é o manda-chuva. E Franklin Martins está devendo respostas sobre a questão das verbas publiciárias, da qual ele se esquiva habilmente.

É isso, em resumo. Há muitas outras questões. Mas, de uma maneira ou de outra, todas desembocam neste mesmo rio.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Para onde vai Ciro Gomes?

Wilson Dias/ Agência Brasil
Ciro Gomes continua sendo o coringa na sucessão presidencial e estadual (em SP) de 2010, do lado lado de cá. Do lado de lá, a indefinição de José Serra continua. Deputado federal pelo PSB, eleito no Ceará, Ciro mudou seu domicílio eleitoral para São Paulo.

Ministro da Integração Nacional no primeiro mandato de Lula, ele foi um dos mais fiéis escudeiros do presidente quando surgiram as denúncias contra o PT em 2005, e depois, na campanha de 2006. Nesses dois momentos, deu a cara a bater como um soldado que adora a batalha, enquanto muitos petistas preferiram o silêncio para não se comprometer.

Em entrevista a Fernando Rodrigues, da Folha de S. Paulo, Ciro Gomes voltou a atacar o governador de São Paulo e reforçou a tese de que Serra pode acabar desistindo de ser candidato à presidência da República e ficar por São Paulo mesmo (possibilidade que eu mesmo perguntei a Serra recentemente: leia). "Ele [Serra] é intragável no Nordeste e intolerável no Norte. O Aécio [Neves, governador de Minas Gerais] é mais aceito no Sudeste e no Sul. Mas em São Paulo, ninguém ganha do Serra", disse Ciro na entrevista.

O deputado federal afirmou, recentemente, que, se Aécio for candidato, "sua presença é tão importante para o Brasil que minha candidatura não é necessária mais".

Ao mesmo tempo, como se sabe, Lula parece indicar preferir Ciro Gomes como seu candidato ao governo paulista. O prefeito de Osasco, Emidio de Souza, é defendido por setores petistas no estado como alternativa, inclusive por representar uma espécie de novo PT. Mas o próprio Emidio já disse que, se for pela amarração de um projeto nacional que gire em torno de Dilma Rousseff, ele abriria mão da candidatura no estado em favor de Ciro.

Por outro lado, fora o fato de ser improvável que o osasquense consiga bater Serra, há no PT Antonio Palocci. O ex-ministro da Fazenda, depois de se livrar positivamente no julgamento no Supremo Tribunal federal, no final de agosto, voltou a se cacifar, pois é um nome considerado forte até mesmo no empresariado paulista.

Enfim, para onde vai Ciro Gomes?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O crescimento da Petrobras, que não virou Petrobrax

Plataforma para o Campo de Roncador/Divulgação
Duas notícias sobre a Petrobras fazem pensar que tragédia teria sido a privatização dessa gigante estatal brasileira de capital aberto. Como sabemos, Fernando Henrique Cardoso queria a qualquer custo entregar a companhia, que já tinha até nome para depois de privatizada: Petrobrax.

A primeira notícia li na Folha Online. A matéria informa que, segundo a consultoria Economática, "a Petrobras registrou o segundo maior lucro líquido entre as 25 maiores empresas de capital aberto do continente americano (sem considerar as companhias canadenses)", com um resultado de US$ 4,107 bilhões no terceiro trimestre.

Agora, vejam bem o prejuízo do país se a estatal tivesse sido totalmente privatizada, como queria Fernando Henrique Cardoso. Ainda segundo a matéria citada, no final de 2002 a Petrobras valia US$ 15,4 bilhões no mercado, e ficava na 121ª colocação do ranking entre empresas dos Estados Unidos e América Latina.

De acordo com o novo levantamento, do último dia 9, a Petrobras já é a terceira maior do continente americano, por valor de mercado: US$ 207,9 bilhões. De 2003 a 2009, ou seja, durante os dois governo de Lula, a companhia saltou só 118 posições e cresceu US$ 192,5 bilhões.

A matéria da Folha mostra crescimento parecido da Vale (US$ 11 bilhões para US$ 141,9 bilhões). Só que a Vale FHC conseguiu entregar. Por falar em FHC, no dia 15, domingo, o jornal El País (Espanha) publicou uma entrevista com o ex-presidente tucano. O título: "A economia já está globalizada, agora é preciso globalizar a política", diz Fernando Henrique Cardoso. Gostaram? Vamos não apenas globalizar a política, mas antes, claro, para que tudo caminhe bem, temos que privatizá-la. Pela privatização da política já!

Na entrevista ao El País, ao discorrer sobre o modelo de governo "social-democrata à americana" como "o do Chile, Uruguai, Brasil", FHC diz: "que diferença há entre meu governo e o de Lula no modelo econômico? Muito pouca: é basicamente social-democrata, quer dizer, respeito ao mercado, sabendo que o mercado não é tudo". Que simplicidade, que clareza de raciocínio do príncipe! Só não entendi uma coisa. Não foi ele, o príncipe, que disse em recente artigo que o Brasil caminha perigosamente para um "autoritarismo popular"? Então como podem ser ambos os governos, de FHC e Lula, tão parecidos assim?

Mas, voltando à Petrobras, a segunda notícia é que ela chegou ao sexto lugar no ranking das "250 Principais Empresas de Energia Globais", segundo a Platts, especializada em informações sobre energia e commodities. A companhia subiu seis posições em relação ao ano passado, "ultrapassando empresas de países emergentes como Rússia e China", de acordo com a própria empresa em seu site.

Por essas e outras é que os governos FHC e Lula são tão parecidos. Enquanto o primeiro entregou a Vale ao capital internacional, no segundo o país tornou-se ou está em vias de se tornar autossuficiente em petróleo.