Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Dilma na PUC, na rua Monte Alegre


O que mais me marcou no belíssimo ato político do Partido dos Trabalhadores no Teatro da PUC de São Paulo, o Tuca, ontem dia 20, foi aquela multidão de jovens com expressão forte e determinada, mas alegre e falando do futuro. Sem ódio, sem preconceitos, só mesmo querendo um mundo melhor.

ICHIRO GUERRA / DIVULGAÇÃO


Sou um “filho da PUC”, como se diz, onde me formei em Comunicações em 1988, quatro anos depois das Diretas Já e um ano antes de Fernando Collor de Mello ser eleito presidente do Brasil, o que obscureceu o futuro de minha geração naquele momento.

Por isso, o evento no velho Tuca da PUC, onde aprendi coisas e conheci pessoas fundamentais, teve também um significado afetivo. No período em que fui estudante de jornalismo na PUC, D. Paulo Evaristo Arns era arcebispo de São Paulo e influenciava decisivamente a universidade católica. Era uma época em que a PUC era barata e era um ambiente politicamente efervescente. Dom Paulo foi um dos responsáveis pela eleição de Luiza Erundina em 1988.

Fora o aspecto histórico-afetivo pessoal, o ato político no Tuca desta reta final de campanha, que reuniu Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, teve um caráter político ao mesmo tempo simbólico e concreto. No palco desse teatro emblemático de São Paulo, estavam reunidas lideranças políticas como Fernando Haddad, o ex-presidente do PSB Roberto Amaral, Gilberto Maringoni do PSOL, Michel Temer, artistas e intelectuais como Alfredo Bosi, Zé Celso Martinez Corrêa e Raduan Nassar, entre muitas outras figuras.

O grande jurista Celso Antonio Bandeira de Mello também estava no Tuca. Disse ele, em seu discurso, que Aécio Neves é “uma folha em branco”.

No palco do Tuca, como escrevi na matéria para a RBA, a escritora e artista plástica negra Raquel Trindade fez discurso emocionado, no qual clamou pelo Estado laico, pela diversidade cultural e pelo direito de culto. Ela contou que viveu um momento difícil quando da ascensão da ex-candidata Marina Silva (PSB) nas pesquisas. “Entraram no meu quintal e quebraram os assentos dos meus orixás. Todas as religiões têm de ser respeitadas. Nós vivemos num país laico”, disse ela, que naquele momento parecia uma mãe de santo.

O evento no Tuca me deixou otimista. Pelas notícias, Pernambuco também registrou um evento importante nesta reta final, quando a militância petista costuma decidir.

E a pesquisa Datafolha – que dá 4 pontos percentuais de Dilma sobre Aécio, com crescimento da presidente entre mulheres, entre a população de 2 a 5 salários mínimos e no Sudeste do país – já revela o que se divulgava nos trackings na sexta-feira, dia 17.

Acredito que a única coisa que pode evitar a reeleição de Dilma é o imponderável – inerente à política brasileira desde sempre.

Como se diz no futebol, "somos favoritos, mas ainda não ganhamos nada". No entanto, ao ver aquela multidão de jovens na rua Monte Alegre, pensei em Brecht, que escreveu:

Mas quem é o partido?
Ele fica sentado em uma casa com telefones?
Seus pensamentos são secretos, suas decisões desconhecidas?
Quem é ele?

Nós somos ele.
Você, eu, vocês — nós todos.
Ele veste sua roupa, camarada, e pensa com a sua cabeça
Onde moro é a casa dele, e quando você é atacado ele luta.

Mostre-nos o caminho que devemos seguir, e nós
o seguiremos como você, mas
não siga sem nós o caminho correto
Ele é sem nós
o mais errado.
Não se afaste de nós!
Podemos errar, e você pode ter razão, portanto
não se afaste de nós!

Que o caminho curto é melhor que o longo, ninguém nega
Mas quando alguém o conhece
e não é capaz de mostrá-lo a nós, de que nos serve sua sabedoria?
Seja sábio conosco!
Não se afaste de nós!

(Bertolt Brecht)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Morreu Djalma Santos, um dos gigantes do nosso futebol


Divulgação/Atlético-PR
É considerado o maior lateral-direito brasileiro de todos os tempos. Nascido em 1929, tinha 84 anos e estava internado no Hospital Dr. Hélio Angotti, em Uberaba (MG), onde vivia. Djalma teve uma parada cardiorrespiratória no início da noite de hoje, em decorrência de uma pneumonia.

O jogador marcou a história de Portuguesa (1948-1959), Palmeiras (1959-1968) e Atlético Paranaense (1968-1972). Disputou mais de cem partidas pela Seleção Brasileira de Futebol, incluídas as copas de 1954, 1958, 1962 e 1966. Disputou três jogos do Brasil na Copa de 1954, na Suíça, apenas a final da Copa de 1958, na Suécia (quando o Brasil bateu os donos da casa por 5 a 2), e seis partidas da Copa de 1962, no Chile, quando a seleção verde-e-amarela foi bicampeã ao derrotar a Tchecoslováquia por 3 a 1 na decisão.

Gerardo Lazzari
Em 2005, no Canindé

Conversei com Djalma Santos no início de 2005, quando fui, com o fotógrafo Gerardo Lazzari, fazer uma reportagem no Canindé, porque a Lusa estava se reformulando e seus dirigentes prometiam que dali pra frente tudo ia ser diferente. Djalma era o convidado de honra e foi prestigiar o evento, apoiar a reformulação, e disse que apostava nela, que a Lusa era grande e ia retomar seu caminho. Não me lembro das aspas, o que ele disse exatamente.

Era um homem bonito, educado, de fala tranquila, que passava uma energia boa. É engraçado. Entrevistei tanta gente importante, mas o papo de alguns minutos com aquele senhor magnético, cheio de energia, amável, uma lenda dos gramados, me deixou mais feliz do que muitas entrevistas. É a magia do futebol.

Numa matéria do Estadão daquele mesmo ano de 2005, alguns meses depois, Djalma, segundo a reportagem,  na sala de visitas de sua casa, tinha uma foto da seleção campeã de 58: Gilmar; Djalma Santos, Bellini, Orlando e Nilton Santos; Zito e Didi; Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo. “O dedo indicador de Djalma pára diante de cada companheiro de time. "Estes já morreram", disse então, mostrando Orlando, Didi, Garrincha e Vavá. "Estes dois estão doentes. Tomara que melhorem", comentou ainda, apontando Gilmar e Bellini.

Djalma acabou indo primeiro. 

terça-feira, 2 de abril de 2013

Em 1° de abril começou a ditadura no Brasil e a de Franco na Espanha


Curiosas coincidências nos prega a história. Como se sabe, na noite de 31 de março para 1° de abril de 1964, deu-se o golpe militar no Brasil, que derrubou o presidente João Goulart e instaurou a ditadura que perdurou no Brasil por 21 anos. Há 49 anos, portanto, tinha início um dos períodos mais obscuros da história brasileira, que nos causou tantos danos que ainda hoje é difícil medir seus efeitos devastadores, dos quais, talvez, o que fizeram com a educação seja o mais pernicioso. Ela foi aos poucos sendo sistematicamente mediocrizada ao longo das décadas. Quando estudei, ainda se ensinava francês na escola estadual. Filhos da classe média e média alta procuravam as escolas estaduais, sentavam-se nas mesmas carteiras que os meninos pobres. Isso tudo acabou. Hoje vemos o resultado dessa devastação social e cultural.

Mas eu falava de coincidências. Há 74 anos, no mesmo 1° de abril, mas em 1939, terminava a Guerra Civil Espanhola, um dos mais sangrentos conflitos da Europa no século XX, e começava um período de terror sem fim, a ditadura de Francisco Franco. A Guerra Civil na Espanha, como a brasileira, é chocante por ser um conflito fratricida. A diferença é que, embora seja difícil chegar a dados exatos, estima-se que morreram 400 mil espanhóis na Guerra Civil.

Entre eles o poeta Federico Garcia Lorca, assassinado em 1936 pelos fascistas com apenas 38 anos. Sobre ele, disse seu companheiro de surrealismo e cineasta Luis Buñuel: "De todos os seres que conheci, Federico é o mais marcante. Não falo nem de seu teatro, nem de sua poesia, falo dele. A obra-prima era ele" (no livro Meu Último Suspiro, ed. Nova Fronteira).

É difícil de se quantificar o número de mortos no regime franquista (1939-1976), como o da Guerra Civil. Mas estima-se que, durante todo o período, o fascismo espanhol matou entre 1 e 2 milhões de espanhóis.

Abaixo, documento assinado pelo ditador Francisco Franco, em que anuncia o fim da Guerra Civil, dando início ao período de terror que só terminaria em 1976.

Clique para ampliar
Fonte: Wikimedia Commons



quinta-feira, 28 de março de 2013

De Mirassol e Palmeiras – e de como se vai longe pensando em goleadas históricas



Mirassol 6 x 2 Palmeiras

Reprodução
Gilson Kleina: "Temos que levantar a cabeça"
Perder do Mirassol de meia dúzia a dois não é toda hora que acontece, pra nenhum time. Ainda mais sendo o goleado o Palmeiras. Nem o Verdão jogar sem oito titulares justifica o gigante tomar sova tão implacável (Maurício Ramos, Vilson, Leandro Amaro, Henrique, Souza, Maikon Leite, Kleber Pinheiro e o eterno Valdivia não atuaram). "Temos que levantar a cabeça", disse o técnico Gilson Kleina. Deu dó mesmo foi do zagueiro Márcio Vinícius, moleque ainda, zagueiro. Foi o primeiro jogo profissional do guri. Aos 40 segundos de jogo já fazia seu gol de estreia na carreira. Um gol contra. Haja terapia. Torço pra que o garoto se refaça do trauma.

Mas goleadas assim servem pra alguma coisa. Por exemplo, faz pensar em como o Santos de Muricy tem dificuldade em fazer gol. Não fez nenhum no Alviverde, na Vila, enquanto o poderoso Mirassol fez 6 só no primeiro tempo. Jogo engraçado esse Mirassol 6 x 2 Palmeiras. Todos os 8 gols marcados no primeiro tempo.

A segunda coisa em que um placar estranho como esse me faz pensar é em goleadas inesquecíveis. Lembro de algumas:

São Paulo 2 x 7 Portuguesa – Campeonato Brasileiro (20/09/1998) – lembro de ouvir a notícia do resultado ao ligar o rádio. Motivo de comemoração. “Grande Lusa”, pensei.

Palmeiras 2 x 6 Fluminense - Brasileiro (7/11/2001) – me recordo porque eu estava desempregado. Foi um jogo num horário imbecil, dessas invenções típicas dos gêenios que gerem o futebol brasileiro. Era um dia de semana, no meio da tarde.

Vasco da Gama 7 x 1 São Paulo - Brasileiro (25/11/2001) – ou será esse de cujo resultado ouvi a notícia ao ligar o rádio, e não o São Paulo 2 x 7 Portuguesa acima? Fiquei em dúvida. Mas com certeza também foi motivo de comemoração.

Palmeiras 2 x 7 Vitória - Copa do Brasil (23/04/2003) – não me lembro deste jogo a não ser de assistir aos gols, sendo que o último foi o goleiro Marcos dando um frango, meio que como se disse: “vai tomar no...”

Santos 8 x 1 Guarani - Copa do Brasil (14/04/2010) – até postei no blog sobre esse jogo, no contexto do aniversário de 98 anos do Santos F. C., no mesmo dia dos 8 a 1 (neste link). Foi no ano da graça de 2010, quando o Santos de Neymar e Ganso encantava o Brasil e o Peixe depois veio a ser campeão da Copa do Brasil.

Ah, e já ia esquecendo...

Corinthians 7 x 1 Santos (06/11/2005) – Brasileiro – bem, esse foi do Brasileiro de 2005, a maior esculhambação da história do futebol brasileiro, o dos 11 jogos anulados pelo então presidente do STJD Luiz Zveiter (algo jamais visto em campeonato algum), o campeonato em que circulou o nome do russo Boris Berezovsky, representado no Brasil pelo iraniano Kia Joorabchian, o Grande. Berezovsky, acusado de envolvimento com a máfia russa, morreu na semana passada, sob circunstâncias ainda não esclarecidas. Foi encontrado morto no banheiro de seu apartamento, em Londres.

Como se vai longe pensando em grandes goleadas!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Em prova de história, governo de MG inclui questão que vincula Lula a corrupção

A Secretaria de Educação do governo de Minas Gerais, do tucano Antonio Anastasia, sucessor de Aécio Neves, aplicou em fevereiro uma prova do Programa de Avaliação de Aprendizagem Escolar 2011 a alunos do ensino médio com uma questão vinculando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao “mensalão”.

Uma das questões do exame, de história, trazia uma charge adulterada do cartunista Jean, publicada na Folha de S. Paulo em 2007. O enunciado da questão 17 (código 326580) era o seguinte: “Ao se referir à distribuição de boletins em porta de fábrica, essa charge:” A resposta considerada certa, alternativa D, segundo a própria secretaria, era: “sugere, ironicamente, uma relação entre os movimentos sindicais do início da década de 1980 e o ‘mensalão’, refletindo sobre o processo histórico que levou os mesmos personagens de uma luta pela valorização do trabalhador à corrupção política".

A charge original publicada na Folha foi intitulada “CPMF" e nela Lula distribui "favores" e "cargos" a políticos. Na prova, o título é "Operação Abafa", e Lula dá dinheiro mesmo.

“Se o aluno não tiver a visão do governo do Estado, vai ser mal avaliado", protestou o deputado estadual Rogério Correia (PT). Depois da aberração ter repercutido em todo o país entre ontem e hoje, a Secretaria de Educação reconheceu o erro.

Os tucanos acusam os governos petistas de aparelhar o estado. Como caracterizar então tal prática? A gente aqui em São Paulo sabe do nível rasteiro da educação nas escolas estaduais, de onde as crianças e jovens saem mal sabendo ler e escrever. Pelo visto, em Minas é pior.  

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Acabou o ano para o Corinthians?


Por Fernando Augusto
(do blog Diga: Futebol)

Os muros do Parque São Jorge amanheceram na quinta-feira com pichações como “Gordo Safado”, “Time 100 vergonha” e “Fora Sanchez”. Os protestos aconteceram durante a madrugada, após a derrota por 2 a 0 diante do Tolima e a eliminação na pré-Libertadores.



Para aumentar a pressão sobre os jogadores, o técnico Tite e o presidente Andrés Sanchez, neste domingo, no Pacaembu, têm clássico contra o Palmeiras, líder do Paulistão.

Sanchez diz que mantém Tite no cargo, mas os protestos da torcida devem continuar neste fim de semana. “Vão xingar os jogadores, vão me xingar, vão xingar a comissão técnica. Torço e espero que não tenha agressão física a ninguém”, afirmou o presidente. Ronaldo, um dos mais criticados devido a sua forma física, se disse “atordoado” logo após a derrota na Colômbia. Ele tem contrato com o Timão até dezembro.

Palmeiras
O Corinthians não se recuperou do baque, mas o Verdão vai bem no Paulista. Lidera a competição com 16 pontos, cinco vitórias e um empate. O técnico Luiz Felipe Scolari, no entanto, disse que espera jogo duro às 17h de domingo. “Esse baque é difícil, mas o Corinthians sabe que tem um clássico, vai enfrentar essa situação e vai estar forte no domingo”. O Palmeiras vem de cinco vitórias seguidas, a última contra o Mirassol na quarta-feira por 1 a 0.

Corinthians e Libertadores
O Corinthians foi o primeiro time brasileiro eliminado na chamada pré-Libertadores. Além disso, o clube deixa pela nona vez a competição mais sonhada pela Fiel e já vencida pelos rivais paulistas. Veja a história do Corinthians na Libertadores.

1977 – Eliminado na primeira fase
1991 – Eliminado nas oitavas de final pelo Boca Juniors
1996 – Eliminado nas quartas de final pelo Grêmio
1999 – Eliminado nas quartas-de-final pelo Palmeiras
2000 – Eliminado nas semifinais pelo Palmeiras
2003 – Eliminado nas oitavas de final pelo River Plate
2006 – Eliminado nas oitavas de final pelo River Plate
2010 – Eliminado nas oitavas de final pelo Flamengo
2011 – Eliminado na pré-Libertadores pelo Tolima

PS de Fatos Etc.: Com a eliminação da Libertadores, o Corinthians disputará em 2011 apenas dois títulos: o Paulistão e o Brasileiro. Isso é muito ruim para o clube, não só falando esportivamente, mas em termos de investimentos, os quais, claro, deverão ser menores, tanto pela diminuição das boas verbas de premiações da Libertadores como as relativas a patrocínios atraídos pela visibilidade da competição continental.

*Atualizado às 13h36.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Até que enfim Brasil pega a Holanda, um adversário decente

Depois desses 3 a 0 contra o medíocre Chile (jogo que, de tão fácil, dispensa comentários), finalmente o Brasil de Luis Fabiano vai pegar um adversário digno de uma Copa do Mundo, já nesta sexta-feira, às 11 horas, pelas quartas-de-final. A velha e boa rival Holanda, que bateu a Eslováquia por 2 a 1. De Brasil x Holanda sai um semifinalista para enfrentar Gana ou Uruguai, que jogam na mesma sexta, 2.

Brasil x Holanda é uma rivalidade antiga, em Copas do Mundo (não vamos entrar em História, invasões holandesas..., senão vira tese...). As seleções jogaram pela primeira vez em 1974, na Alemanha, quando o time então alcunhado de Laranja Mecânica (que encantou o mundo e a mim) ganhou do Brasil por 2 a 0, eliminando uma seleção envelhecida ainda treinada por Zagalo (que ainda não era Zagallo). Em 1994, a seleção de Parreira que veio a ser tetra eliminou a Holanda nas quartas por 3 a 2, com aquele gol espírita de Branco batendo falta.

Finalmente, em 1998, os caminhos se cruzaram novamente, e o Brasil outra vez treinado por Zagallo (agora já com “LL”) eliminou os holandeses na semifinal, nos pênaltis (1 a 1 na partida e na prorrogação). Na final, perdemos para a França em Paris por 3 a 0.

Laranja mecânica pragmática
O jogo contra a Holanda vai ser muito difícil. O time laranja, nesta Copa, abdica do futebol bonito para adotar um jogo pragmático cuja eficácia vai ser medida exatamente contra nós. Vi dois jogos da Holanda: a vitória de 2 a 0 sobre a Dinamarca na abertura do gupo E, e, em tape, hoje, o jogo com os eslovacos. O time holandês joga para vencer correndo poucos riscos, e de acordo com o adversário. Mas não pára de tocar a bola. Ganhou todas as suas quatro partidas: Dinamarca (2 a 0), Japão (1 a 0), Camarões (2 a 1) e Eslováquia (2 a 1). Sempre sem jogar bonito, mas com flashes bonitos (como o passe magistral de Sneijder para Robben fazer o primeiro contra a Eslováquia).

Vejam, abaixo, o contra-ataque holandês (atenção ao passe de Sneijder):



É estranha essa seleção holandesa, parece que calcula como vencer e mostra a parte técnica aos poucos, em conta-gotas, na medida do necessário. Com Robben (que, recuperando-se de lesão, jogou hoje pela primeira vez na Copa, deu dois chutes e fez um gol), o time encontra a referência que até aqui não teve no ataque.

O Brasil é o Brasil, favorito. Mas depende de que os quatro cavaleiros (Elano, Kaká, Luis Fabiano e Robinho) resolvam. Só os dois últimos estão bem fisicamente. Nenhum deles tem substituto à altura. Daniel Alves não tem condições de substituir Elano. É muito limitado, pelo menos nessa posição, pois não é um meia. Nosso lateral esquerdo, Michel Bastos, talvez o ponto mais fraco do time, é justamente o cara que o holandês Robben deve fustigar. No meio de campo, apesar de tudo, torço para que Felipe Melo esteja bem (física e mentalmente) e jogue, porque senão Dunga terá que optar por Josué ou Kléberson como volante, já que Ramires está suspenso.

Outra chave

Alemanha e Argentina fazem outro duelo de gigantes pelas quartas, no sábado. Paraguai x Japão e Espanha x Portugal ainda jogam nesta terça, 29, para fechar as oitavas. Desta chave, sai um finalista. Se o Brasil passar por Holanda nas quartas e, depois, por Uruguai ou Gana na semifinal, enfrentará na final Alemanha, Argentina ou Espanha. (Pelo futebol, espero que a Espanha de Iniesta, David Villa, Xabi Alonso e companhia mandem Portugal de volta para o além-Tejo já nesta sexta-feira.)

Fotos: Divulgação/Agência Vivo

domingo, 7 de março de 2010

Portuguesa x Santos: jogo histórico para coroar a tradição

Não assisti, mas ouvi no rádio, ao melhor jogo do Campeonato Paulista 2010 até aqui, segundo várias fontes radiofônicas e televisivas: Portuguesa 1 x 1 Santos. Pela narração, o embate foi espetacular, com o time da Vila Belmiro sendo anulado pela Lusa no primeiro tempo. Em falha de Edu Dracena, que foi lento na marcação, Héverton se aproveitou e mandou bem, no canto de Felipe. O segundo tempo foi literalmente uma blitz santista. A todo instante a narração de Oscar Ulysses na rádio Globo encerrava um ataque santista: “Pra fora do goool!” Enervante. O drama aumentava, e o justo empate só chegou aos 44 do segundo tempo. Até que Zé Eduardo empatou. Parecia um jogo de antigamente. Veja os gols abaixo.



HISTÓRIA
O jogo me fez lembrar alguns duelos inesquecíveis, para mim, entre Santos e Portuguesa. O primeiro, de 1973, a final do Paulista que Armando Marques transformou numa das maiores polêmicas da história do futebol paulista. Também ouvi pelo rádio. Naquela época não era essa orgia de futebol ao vivo.

Peixe e Lusa foram campeões do primeiro e do segundo turnos, respectivamente, e decidiram o campeonato num jogo que acabou 0 a 0. Não lembro da partida em si, do alto de meus 12 anos. Minha memória dele começa na decisão por pênaltis. Após os dois times baterem três vezes, o placar era 2 a 0 para o Santos. Faltavam duas cobranças a cada time, o Santos bateria com Pelé e Carlos Alberto e tinha no gol o grande goleiro argentino Cejas, que já havia defendido duas cobranças (a Lusa chutou outra para fora). Mas Armando Marques encerrou (errou nas contas?), o Santos comemorou com a torcida... e a Federação Paulista decretou que os dois times foram campeões. Era 26 de agosto de 1973. Assista:

.

Pouco mais de dois meses depois, em 4 de novembro do mesmo ano, pelo Brasileiro, o tira-teima. Estava com a família no supermercado, rádio grudado no ouvido de vez em quando. O nervosismo não me deixava ficar ouvindo. Aquele jogo não podíamos perder, eu lembro. Mas de repente já estava 2 a 0 para a Lusa, até que baixou o santo no Santos de Pelé. Por fim, o negão recebeu um passe de Clodoaldo, meio de costas para o gol, matou no peito no ar, ao mesmo tempo em que trouxe a bola e chutou de canhota quando esta caía, de canhota. Foi um dos maiores gols que já vi. Esse foi o gol da virada, 3 a 2 no tira-teima após a final do Paulistão de 1973. Os dois gols de Pelé, da virada, estão neste link: Santos 3 x 2 Portuguesa, novembro de 1973.

E mais uma partida inesquecível foi em 1° de maio de 1993, no Canindé, pelo Paulistão, quando o craque luso Dener fez uma partida histórica e levou a Portuguesa a uma vitória por 4 a 2, memorável, de virada, depois de estar perdendo por 2 a 0. O time Rubro-verde fez quatro gols em menos de 20 minutos, no segundo tempo, num dia de chuva. Esse eu vi in loco. Dener fez nesse jogo um gol de placa, com cotovelada e tudo, falta clara que a história do futebol agradece ao juiz por não ter dado, confirmando o gol.

Outros jogos históricos:

- em 19 de outubro de 2002, a Lusa ganhou do Peixe de Robinho, Diego, Elano e companhia, em plena Vila Belmiro. 2 a 1 de virada. O time da Baixada, como se sabe, foi campeão nacional naquele ano e a Portuguesa, rebaixada à segunda divisão*;
-em 9 de abril de 2006, o Santos bateu a Portuguesa por 2 a 0, na Vila Belmiro (gols de Cléber Santana e Leonardo contra), quebrando um jejum de 21 anos sem conquistar o título estadual.

Por essas e outras, Santos x Portuguesa é um clássico. Pelo rádio, na TV ou no campo.

*Atualizado às 16h52

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Santos 2 x 1 Rio Claro: pra guardar na memória

Nem precisa dizer que Santos 2 x 1 Rio Claro, neste domingo, no Pacaembu, foi um jogo histórico. Mas digo. Pela primeira vez, as três gerações se encontraram em campo: Giovanni, Robinho e Neymar. Tive o privilégio de assistir (onde gosto, na arquibancada) a essa página futebolística com Carmem, sob um sol escaldante, regados a protetor solar e água, no mais agradável estádio para se ver uma partida de futebol no estado de São Paulo, tirando a Vila Belmiro. Carmem é de Rio Claro, santista desde pequena, mas na sua cidade natal torce pelo Velo Clube (é bom que se diga).

Vamos ao jogo: Neymar e Ganso brilham
O mais esperado e ovacionado antes da partida pelos 32 mil santistas, quando o time foi anunciado pelo alto-falante, Robinho não fez uma partida tão boa quanto Neymar, que correu mais, apresentou-se mais ao jogo, procurou mais espaços, apanhou mais. Tudo mais. Superlativo. De chutes seus saíram os rebotes dos dois gols do Santos (veja abaixo). Em ambos, fez duas grandes jogadas, principalmente no segundo gol, quando deu uma finta desconcertante no zagueiro para chutar e o bom goleiro Sidney espalmar, antes da bola sobrar para Giovanni só cutucar de cabeça.

Não estou menosprezando Robinho. Com o calor sufocante, pode-se até entender que ele (vindo da gelada Inglaterra) não tivesse condições físicas como os outros atores desse prélio no qual o Rio Claro foi um bravo coadjuvante, vendendo caro a derrota. Como eu sempre digo, o futebol faz a gente ser sempre criança, e na arquibancada somos todos crianças de alguma forma. Por isso não se pode menosprezar Robinho, que (junto com Fábio Costa, Elano, Renato, Léo e companhia) me fez chorar de alegria, em 15 de dezembro de 2002.

Desfalcado nas duas laterais, o Santos de Dorival Júnior improvisou Pará na direita e Wesley Santos, outro jovem da base, na esquerda. Pará, aguerrido como sempre, não comprometeu, embora o primeiro gol tenha saído pelo seu lado, após Robinho perder a bola no meio campo, e o rio-clarense Avelar dar um chutão que por sorte encontrou Maicon Souza, que passou por Pará e cruzou para Jackson fazer 1 a 0 aos 39 minutos [falha do goleiro Felipe, que deixou a bola passar por ele no meio da pequena área].

A entrada de André – no lugar do meia Marquinhos, com um corte na cabeça – deixou o meio campo santista mais vulnerável, o que foi compensado pela garra de Germano e o altruísmo de Paulo Henrique Ganso, de quem a torcida na arquibancada injustamente já reclamava. O meia marcou e criou, se movimentou muito e ajudou a suprir a ausência de Marquinhos. Ele e Neymar foram os melhores em campo nos 90 minutos.

No segundo tempo, o Alvinegro voltou mais ligado. Mas o gol não saía. Eis que o treinador saca o incansável Germano para colocar o quase quarentão Giovanni, que na primeira bola caiu de maduro. “Pronto – pensei – perdemos o meio campo e o jogo.” Que nada. Depois de, ainda na defesa, tabelar e receber de volta a bola de Ganso, o vovô deu um passe açucarado para Neymar no lance do gol de empate (23 do segundo) e fez o da vitória (aos 40), fora alguns lampejos do velho craque, como um calcanhar que deixou André livre pela direita, mas o gol não saiu. É pena: visivelmente, Giovanni não tem mais condições de jogar 90 minutos.

A entrada de Mádson no lugar do lateral Wesley Santos (muito, mas muito mal no jogo) abriu ainda mais o time do Santos, que levou alguns contra-ataques perigosos pelo setor esquerdo. Mádson, que parece estar sendo meio esnobado pelo clube, é fundamental. Um time sem um bom banco não ganha, e o baixinho deu vida à ala esquerda, até então morta com o assustado
Wesley Santos.

O ainda vulnerável Santos é, porém, um time que promete. E mais do que o time, é bonito ver tantas crianças num Pacaembu lotado com 32 mil pessoas irmanando-se em torno de uma história. Ao contrário do que dizem uns tolos torcedores adversários (“a torcida do Santos é formada de tiozinhos”), a torcida do Santos é formada por muita gente, como esse gurizinho aí da foto, parecido com muitos que freqüentam os estádios para ver o time de Pelé, de Giovanni, de Robinho, de Neymar e de quem mais vier por aí.


Veja os gols de Santos 2 x 1 Rio Claro