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sábado, 8 de agosto de 2015

O que está por trás da atitude da Globo?



Cadu Gomes/Fotos Públicas


A pergunta que muitos se fazem após o editorial do jornal O Globo desta sexta-feira (7) e a edição do Jornal Nacional do mesmo dia é: o que está por trás da atitude da Globo?

Pergunta-se: a Globo está desembarcando do golpe ou está tramando algo sinistro, como pretendem os teóricos da conspiração? Não pretendo aqui e agora ser profeta e me apressar a responder essa questão.

Mas, aos fatos. No editorial d’O Globo intitulado “Manipulação do Congresso ultrapassa limites” (leia aqui), o jornal faz pesada crítica a Eduardo Cunha. “Mesmo o mais ingênuo baixo-clero entende que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), age de forma assumida como oposição ao governo Dilma na tentativa de demonstrar força para escapar de ser denunciado ao Supremo, condenado e perder o mandato, por envolvimento nas traficâncias financeiras desvendadas pela Lava-Jato”, diz o editorial, que questiona, em alusão explícita a Cunha: “vale mais o destino de políticos proeminentes ou a estabilidade institucional do país?”

O diário continua, acrescentando a ironia ao se referir ao posicionamento do PSDB: “Até há pouco, o presidente do Senado, o também peemedebista Renan Calheiros (AL), igualmente investigado na Lava-Jato, agia na mesma direção, sempre com o apoio jovial e inconsequente dos tucanos. Porém, na terça, antes de almoço com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, Renan declarou não ser governista, mas também não atuar como oposicionista (...) e descartou a aprovação desses projetos-bomba pelo Congresso”.

Mas o posicionamento estranho (e de fato surpreendente) da família Marinho não para por aí. Chego em casa e, pelo facebook do camarada Felipe Cabañas, vou ao site Pragmatismo Político, que informa que o Jornal Nacional desta sexta “dedicou mais de 3 minutos veiculando sonoras de Dilma Rousseff rebatendo críticas durante um discurso e sendo aplaudida por populares”. Diz o site que o JN “mostrou um protesto que reuniu centenas de manifestantes contra o ataque a bomba que atingiu o Instituto Lula na última semana” e que “houve, ainda [no JN], matéria a respeito do aeroporto de Claudio, de Aécio Neves, e críticas ao suposto atropelo de Eduardo Cunha por colocar em votação a aprovação das contas dos ex-presidentes Itamar, FHC e Lula”. (Veja a edição do JN  aqui.)

(Nota deste blog: a pressa em aprovar as contas de Itamar, FHC e Lula se deve à pressa que Eduardo Cunha tem em julgar as contas de Dilma, o que obviamente não pode ser feito antes de “limpar a pauta” que já está criando teias de aranha na Câmara.)

"O que teria levado a família Marinho a cravar posição contra o impeachment da presidente e chamar de irresponsáveis os que querem tirá-la do cargo para o qual foi eleita até 2018?", pergunta Pragmatismo Político.

Não é mera coincidência que a Fiesp e sua congênere do Rio de Janeiro, a Fierj, tenham divulgado nesta mesma sexta uma nota conjunta pedindo diálogo em nome da “estabilidade institucional do Brasil”.

“Para Fiesp e Firjan, é o momento de ‘colocar de lado ambições pessoais ou partidárias’ e mirar os interesses do país. E os representantes escolhidos pelo povo devem ‘agir em nome dos que os elegeram para defender pleitos legítimos e fundados no melhor interesse da Nação’", informa nota da Rede Brasil Atual.

Ao que parece, o presidente da Câmara está cercado e se consolidou o entendimento de que ele deve cair. Eduardo Cunha está no fim de seus lamentáveis 15 minutos de (sórdida) fama.

Outras questões envolvem o enorme destaque que a mídia (inclusive de esquerda) tem dado aos movimentos do vice-presidente Michel Temer. Não se pode tirar conclusões no atual e movediço cenário. Mas os fatos autorizam uma suposição: a de que Temer pode ser o nome que está sendo preparado por amplos setores não para substituir Dilma após um golpe, que não virá, mas para suceder Dilma na eleição de 2018.

A semana que vem promete.

Como cantou Chico Buarque: "O que será que será/ Que andam suspirando pelas alcovas?"

sábado, 2 de maio de 2015

Revolta da torcida do Santos contra a TV Globo não é recente


Não é verdade que "a revolta da torcida" do Santos com a TV Globo, como diz um portal em matéria de hoje, "se iniciou nas quartas de final do Paulista [de 2015]", quando a emissora dos Marinho preferiu exibir um filminho sem-vergonha no domingo em que o Peixe disputava a partida contra o XV de Piracicaba, às 16 horas do dia 12.

A revolta da torcida do Santos com a Globo já vem de longo tempo. O grito "chupa Rede Globo, é o meu Santos campeão de novo", entre outros ouvidos no treino do time hoje, véspera da final contra o Palmeiras, já vem de longa data. O vídeo abaixo, de setembro de 2012, quando o Peixe conquistou a Recopa Sul-Americana, no Pacaembu, é só mais um exemplo entre vários, como uma busca rápida na internet pode comprovar.


A recente partida contra o XV, é bom lembrar, foi no dia 12 de abril, data em que a Globo mudou escandalosamente o horário dos jogos dos estaduais para participar das manifestações golpistas contra a presidente Dilma na tarde daquele domingo, como já fizera no dia 15 de março.

A palavra é essa mesmo: escândalo, para definir o significado de uma empresa que atua por concessão pública adotar tais práticas. 

Para não falar de seu monopólio igualmente escandaloso não só do futebol brasileiro como do próprio calendário do esporte. Quem determina tabelas e horários do futebol no país não é a CBF, mas a emissora dos Marinho, como se sabe.

Quanto ao Santos, o clube é uma das incontáveis entidades prejudicadas por esse monopólio funesto que a Constituição proíbe, mas continua a vigorar no país. A Globo (com a subserviência da CBF) marca todos os jogos do time, nos fins de semana, para o horário noturno, salvo clássicos e decisões.

Quem quiser ver as partidas do Santos ou paga pay-per-view ou, no máximo, se conforma com a transmissão pelo canal pago Sportv, que também é da Globo, quando este acha por bem incluí-las em sua grade. Os jogos na Vila Belmiro só podem ser vistos no pay-per-view. Ou seja, mesmo pagando um "pacote" da TV a cabo, os santistas têm de pagar ainda mais se quiserem ver os jogos do seu time.

É por essas e outras que deve ser saudada a entrada da Fox Sports no circuito do futebol brasileiro. É a primeira emissora que de fato ameaça o monopólio espúrio da TV dos Marinho no futebol nacional. 


sábado, 1 de fevereiro de 2014

O beijo gay da Globo e o inconsciente coletivo


Agora, sim.  A Rede Globo consegue conquistar, pelo inconsciente coletivo (mas também pelo consciente coletivo!), uma legião de gente com o beijo gay dos personagens Félix e Niko. Que beleza, como diria o narrador.

Como escrevi no Facebook, é estarrecedor as pessoas comemorarem um beijo. A TV Globo que tantos (esquerdistas) acham a encarnação do demônio na Terra deve estar comemorando! Aliás, ninguém se lembra que Luciana Vendramini e Giselle Tigre na novela “Amor e Revolução” (2011), do SBT, já tinham dado um beijo gay.


Primeiro beijo gay da TV: Luciana Vendramini e Giselle Tigre

É como se, no inconsciente coletivo (como diria Jung), a sociedade brasileira, de esquerda, de direita, de centro e de outros pontos do espectro político e moral, finalmente chegasse à conclusão de que “então tá bom, a TV Globo falou, tá falado. Agora pode. A Globo deu!”

A Globo deu, a Globo conquista corações e mentes. A Globo manda no Brasil.

Mas... como é que fica mesmo a discussão da democratização da mídia? Os artigos 220 a 223 da Constituição Federal? Ou vocês acham que a Globo dá ponto sem nó? É tão simples! Ela está apenas incorporarando alguns pontos de audiência -- talvez um anunciante novo, quem sabe? Aquele que você, com seu deslumbramento de rã, vai ajudar a pagar, caro telespectador.

Daqui a pouco ninguém se lembra mais de que nunca foi regulamentada a determinação de que “Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio”; ou de que lei federal deve “estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem (...) da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente”.

Tem gente que acha que a cena do beijo gay da Globo foi finalmente o reconhecimento da razão da luta pela igualdade, contra a discriminação. Agora, sim. A Rede Globo falou, tá falado.

Mundo mundo vasto mundo. Viva a TV Globo! Viva a esquerda brasileira! Viva a direita brasileira! Viva o povo brasileiro!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lembrando Pasolini a partir da excrescência Big Brother Brasil


*Publicado originalmente às 14:18 de 07/02/11



Em 1973, o cineasta e pensador italiano Pier Paolo Pasolini fazia o seguinte comentário sobre a televisão e seu papel culturalmente desagregador e brutalmente destrutivo, analisando a massificação e a padronização da Cultura (e das culturas particulares, seus falares, dialetos e idiossincrasias):

"A responsabilidade da televisão em tudo isso é enorme. Não enquanto meio ‘técnico’, mas enquanto instrumento de poder e poder ela própria. (...) É no espírito da televisão que se manifesta concretamente o espírito do novo poder. (...) O fascismo, no fundo, não foi capaz nem de arranhar a alma do povo italiano: o novo fascismo, através dos novos meios de comunicação e informação (especialmente a televisão) não só a arranhou, mas a dilacerou, violentou, contaminou para sempre." (do livro Os Jovens Infelizes – Antologia de Ensaios Corsários, Editora Brasiliense, 1990.)

Quem leu Pasolini – o grande cineasta diretor de Mamma Roma, Accattone, Salò – os 120 Dias de Sodoma e tantos outros – fica para sempre contaminado por uma irrevogável visão crítica da Cultura, pelo inconformismo e a incapacidade de assistir a certas coisas sem indignar-se.

É com um sentimento de repulsa que escrevo sobre o asqueroso Big Brother Brasil (vulgo BBB), da TV Globo, programa pervertido, boçal e pernicioso ao qual jamais assisti. Dia desses entrei numa padaria para tomar um lanche e eis que a televisão do estabelecimento estava ligada nessa excrescência. Como eu estava morto de fome e a padaria era a única por perto, comi o lanche de costas para a TV. Ao sair, disse à moça responsável pelas “comandas” que da próxima vez que fosse ali nem entraria se a TV estivesse ligada no programa. Ela me olhou em silêncio, com um ar desdenhoso, como se o idiota fosse eu, e não disse nada.

Como temia Pasolini em relação à sua amada Itália, em nosso país a televisão – uma concessão pública, lembremos – transformou a esmagadora maioria dos brasileiros numa massa amorfa, acrítica e incapaz de julgar por si mesma (por favor, não falo de conjunturas meramente eleitorais), incapaz muito menos de preservar sua cultura e suas tradições, as culturas particulares, a criatividade, os falares. Não sei se o próprio Pasolini podia imaginar o quão baixo a televisão chegaria.

E não venham me dizer que o povo é apenas uma vítima. Como dizia Jean-Paul Sartre, “não há vítimas inocentes”.

Leia também: Favoritos do cinema (5): Pasolini

sábado, 27 de outubro de 2012

Fernando Haddad e José Serra no debate da Globo: nada de novo no front


Foto: Paulo Pinto/Campanha Haddad
Sempre o debate da TV Globo é o mais chato. Não é mera implicância. É um formato muito "limpo", tecnologicamente "perfeito” e, consequentemente, frio, às vezes quase enfadonho. Você vê o candidato lutar contra o tempo para conseguir concatenar ideias. Um debate em estilo norte-americano. O tempo que os candidatos têm para perguntar e responder é tão curto que tudo parece virar uma espécie de assepsia jornalística.

Por conta disso, o debate da Globo entre Fernando Haddad e José Serra é mais difícil de avaliar do que os anteriores, do Uol/SBT e da Band. Mas, ironicamente, é o de maior audiência.

Seja como for, destaco no debate o cinismo de Serra e a tentativa de Haddad de tentar debater alguma coisa em termos de propostas concretas para a cidade. Como disse Haddad na quinta-feira (25), no último ato público da campanha, na Casa de Portugal, no bairro da Liberdade (região central), em evento dedicado às comunidades da cultura e da educação, Serra não faz “o jogo leal e honesto da apresentação de propostas, da comparação de modelos e modos de governar. É a prática sorrateira, o rumor e o boato”.

(Por falar nisso, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, mencionou no evento na Casa de Portugal o boatos plantado pela campanha serrista segundo o qual o Enem seria cancelado. “Por que eles combatem tanto o Enem? O que resta a eles [aliados de Serra] é a sabotagem”, disse o ministro. Ele afirmou que o exame, marcado para os dias 3 e 4 de novembro, vai acontecer sem problemas.).

E assim foi no debate global desta sexta-feira, no qual Serra sorrateiramente sempre tentou inserir a questão do “mensalão” e atribuir a Haddad propostas que ele nunca fez, como acabar com as parcerias com organizações sociais na saúde, para causar medo e pânico na população.

Sobre “mensalão’, Haddad respondeu: “Serra, mais do que eu, talvez você pudesse responder, porque isso começou em Minas Gerais com o PSDB”, quando o tucano introduziu seu tema preferido, lembrando ainda que o “mensalão tucano” não foi julgado pelo STF (ah, o STF).

Um ponto alto foi quando Serra mencionou seu programa “Mãe Paulistana” como um exemplo de política pública para a mulher e Haddad retrucou: "Na minha opinião, o candidato José Serra tem uma visão muito restrita da mulher. Ele vê a mulher apenas como gestante”, para tentar explicar no exíguo tempo global que políticas públicas são mais complexas do que oferecer o parto à mulher.

Outro momento digno de nota foi sobre educação, quando Serra disse que o professor precisava ser reciclado. “Educação não é propriamente sua área – disse Haddad -, professor não é reciclado. Tô te orientando pra você não cometer esse deslize novamente”.

Enfim, fico por aqui. Na certeza de que a proposta da candidatura petista representada por Fernando Haddad vai ser consagrada nas urnas. Como disse o petista no ato já mencionado na Casa de Portugal, na quinta-feira: a proposta de “reconciliar a periferia com o centro, mas sobretudo reconciliar essa cidade com o que está acontecendo no Brasil. É isso que nós precisamos fazer: redimir, libertar São Paulo. E o dia da libertação de São Paulo está com data marcada. É 28 de outubro”.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Fernando Haddad e José Serra no SPTV



Seguem abaixo, para os leitores deste blog que são de São Paulo e os que não são, as duas edições do SPTV, da TV Globo, que vai ao ar diariamente às 19 horas, com os candidatos à prefeitura da capital paulista, José Serra (ontem) e Fernando Haddad (hoje, quarta-feira, 17).

Notem a diferença de abordagem do âncora Carlos Tramontina na condução das entrevistas. Ao tucano Serra ele dirige as questões com uma cordialidade eu diria quase antijornalística; ao petista Haddad, pelo contrário, nenhuma pergunta foi mansa. Mesmo assim, me parece, Haddad pôs Tramontina e a Globo no bolso.

Em tempo, se estão corretos os números do Ibope divulgados hoje, que dão 60% a 40% de vantagem a Haddad em votos válidos, o petista está virtualmente eleito.

Vejam as duas entrevistas:


Com José Serra (PSDB) - 16/10/2012





Com Fernando Haddad (PT) - 17/10/2012

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Jornalismo esportivo acabou


Acabou pelo menos na televisão. Dias atrás, assistindo a um jogo da Libertadores da América, quase no fim da partida dei-me conta de que aquela também era uma data de Copa do Brasil. E que, ligado na Fox Sports, eu não tinha informação de como estavam os duelos desta competição nacional, simplesmente ignorada pela emissora que transmitia a Libertadores, como se o torneio nacional não existisse.

Na TV do plim-plim não existe Olimpíada
A mesma "estratégia" pôde ser observada na transmissão global do jogo da seleção brasileira neste domingo. Como notou o Uol, não se ouviu na TV Globo, durante o duelo em que os mexicanos deram um chocolate e venceram o time de Mano Menezes por 2 a 0 em Dallas (EUA), nenhuma vez a menção de que aquela seleção está se preparando para a Olimpíada de Londres (eu não vejo futebol nessa emissora quando a transmissão é de Galvão Bueno). A informação de que o time do Brasil, formado quase inteiro por jogadores jovens, está enfrentando as seleções principais de outros países também foi ignorada.
Na outra, só há Libertadores

Em suma, a Fox Sports não fala de uma competição transmitida pelas concorrentes (Sportv e ESPN), a Globo ignora o maior evento esportivo do mundo porque os direitos de transmissão para a TV aberta pertencem à Record, e por aí vai. E assim o “jornalismo” esportivo vai se transformando numa fantasia, um objeto comercial travestido de informação. Uma vergonha, como dizia aquele âncora que se manifestou sobre os garis de modo absurdo no final de 2009.

É o cúmulo a maior rede de televisão do país simplesmente fazer de conta que não existem Jogos Olímpicos (eles se preocupam com a tal credibilidade?). Ou uma empresa que detém os direitos de transmissão da Libertadores em TV fechada fingir que não há futebol no Brasil a não ser o que faz parte da competição que eles transmitem.

Como jornalista que sou, sempre entendi minha profissão como uma prática que precisa também ser um serviço. No fundo, a informação é um serviço. Ou deveria ser. Ou era.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Briga de Fox e Globosat tira Libertadores do torcedor (consumidor) brasileiro

Quanto mais o tempo passa, mais o torcedor (leia-se consumidor) paga o pato pelos monopólios. Quem reclamava do monopólio da transmissão dos jogos da Libertadores pela Globosat (Sportv e Sky), agora pode dizer: “eu era feliz e não sabia”. Triste.

Ricardo Saibun / Santos FC
Campeão, Santos terá no máximo um jogo na TV!
Para quem não sabe, a Fox Sports agora é dona dos direitos da Libertadores. Ainda não há (e haverá?) acordo com a Globosat, portanto a emissora norte-americana (aquela mesma de extrema direita do magnata Rupert Murdoch) não tem um canal para transmitir os jogos no Brasil. Como a Fox exerceu seu direito de exclusividade, os canais Globosat perderam a regalia. E, como represália, estão dificultando a assinatura de um contrato com a Fox para disponibilizar um canal para as transmissões.

A TV Globo só vai transmitir jogos em sua grade como de costume, os do horário de 22 horas de quarta-feira. Privilégio de Corinthians e Flamengo. Isso significa que o jogo de estreia do Fluminense, hoje, contra o Arsenal Sarandí, não terá TV, nem aberta nem paga. Quem quiser, pode ver por canais de pouca abrangência (Oi, TV, Telefônica e Nossa TV), ou tentar ver, pela internet no endereço http://www.rojadirecta.me/.

Pode ser que o quadro mude, mas por enquanto não há novidades.Caso o imbróglio persista, os torcedores do Santos também ficarão a ver navios no primeiro jogo do time, dia 15, às 19h45, e em quase todos os outros. Campeão da Libertadores, o Peixe pode ter apenas um jogo transmitido na fase de grupos! As últimas informações, segundo o portal Terra, são de que as negociações continuam.

Não entendo ainda por que o canal da Fox disponível nos pacotes da Net e Sky não transmitirá as partidas, como fez na repescagem.

Onde está a Anatel para fazer valer a voz do Estado contra esse gangsterismo? Ou isso não é gangsterismo?

Leia também: o que esperar de Corinthians, Flamengo, Fluminense, Inter, Santos e Vasco na Libertadores .


*Atualizado às 14:46

sábado, 17 de dezembro de 2011

Jornalismo, futebol e mídia


A um dia de um dos maiores fatos esportivos dos últimos tempos, Santos x Barcelona pela final do Mundial de Clubes, um jogo esperado por todos os que gostam de futebol, a home page da ESPN Brasil dá como destaque o Tite (maior) e a luta UFC.


A um dia de Santos x Barcelona, destaques da ESPN Brasil são Tite e UFC

No caso da ESPN Brasil, existe a justificativa mercadológica, já que a emissora não tem direitos de transmissão do Mundial de clubes da FIFA. Na programação do canal está previsto o seguinte para as 08:30 de domingo (horário de Santos x Barcelona): "Turfe - Troféu Carlos Pellegrini".

Mas se têm justificativa mercadológica, as edições do site da ESPN Brasil pecam jornalisticamente, porque privilegiam um corintianismo irritante. Porque até as pedras sabem que pelo menos hoje o Santos é mais importante do que o Corinthians. Já a TV Globo, que detém o monopólio da transmissão da Libertadores e do Mundial em canal aberto, simplesmente não transmitiu Santos 3 x 1 Kashiwa Reysol na quarta-feira para o Brasil. O jogo foi ao ar apenas para o estado de São Paulo. Os santistas de todo o resto do país que não têm condições de ter TV a cabo ficaram com a Ana Maria Braga.

Essa opção tosca da Globo gerou protestos nas redes sociais da internet que, por sua vez, provocaram até desculpas esfarrapadas da emissora dos Marinho, tentando justificar a não-transmissão do jogo do Santos (nem vale a pena reproduzi-las). Pergunto: se fosse Corinthians ou Flamengo, a Globo optaria por Ana Maria Braga? Não.

No ano que vem a norte-americana Fox entrará pesado na transmissão da Libertadores no Brasil. Sabiam?

Até lá, a Globo talvez entenda que precisa ser mais democrática para, a longo prazo, manter o seu poder. Até porque isso tem tudo a ver com a propalada, e ainda tão distante, democratização dos meios de comunicação, a regulamentação dos artigos 220 a 223 da Constituição de 1988, e por aí vai.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Para lembrar: a mídia contra a democracia em quatro momentos históricos

As vésperas das eleições têm sido invariavelmente tensas, desde que a população brasileira retomou o direito de votar, pós-ditadura. Não só nas eleições presidenciais. Exemplo inesquecível: a eleição de Leonel Brizola em 1982, no Rio, quando houve uma tentativa espúria de golpe, o chamado “caso Proconsult”, que o combativo ex-companheiro de João Goulart conseguiu abortar.

Brizola foi também personagem de outro momento histórico (item 3, abaixo), quando a TV Globo foi obrigada a lhe dar um direito de resposta de mais de três minutos em 1994. A participação decisiva da mídia no episódio do seqüestro de Abílio Diniz, em 1989, que ajudou a eleger Fernando Collor, é outro emblema do golpismo e do desprezo pela democracia. Relembrem, abaixo.


1) Caso Proconsult
Em 18 de novembro de 1982, com a demora na divulgação dos resultados da eleição para o governo do Rio de Janeiro, o então candidato Leonel Brizola, do PDT, apontado como virtualmente eleito na boca de urna, foi à imprensa internacional para denunciar uma tentativa de fraudar a apuração a favor do candidato do PDS e da ditadura, Moreira Franco. Foi o chamado escândalo da Proconsult (nome da empresa encarregada de apurar os votos). Trabalhando a favor da conspiração, a TV Globo foi forçada a recuar. Brizola venceu o combate, foi eleito e governou o estado. Leia mais clicando aqui.

2) Lula x Collor
Em 1989, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial entre Lula e Fernando Collor, o empresário Abílio Diniz foi estranhamente sequestrado por ativistas políticos (argentino, chileno e canadense) que, supostamente, pretendiam com o resgate arrecadar fundos para a guerrilha em El Salvador. Collor ganhou, com apoio da Rede Globo, que ainda editou o último debate entre os candidatos de maneira suja. Se eram de fato militantes de esquerda (nunca se sabe), eram muito burros aqueles seqüestradores.

3) Brizola x Globo, de novo
Atacado pela TV Globo, que o chamou de senil, novamente Leonel Brizola, governador do RJ, venceu uma batalha e conseguiu um direito de resposta de mais de três minutos. O texto de Brizola foi lido por Cid Moreira no próprio Jornal Nacional. Era o dia 15 de março de 1994, ano de eleições para presidente da República e governadores de estado. O histórico direito de resposta está abaixo:



O link do video acima está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=ObW0kYAXh-8

4) Mídia x Lula
Em 2006, depois de mais ou menos aceitar a inevitável eleição de Lula em 2002 após o catastrófico governo de Fernando Henrique Cardoso, e amparados na certeza de que o governo do metalúrgico fracassaria, os barões da grande imprensa tentaram de fato um golpe. A revista Veja trabalhou sistematicamente por quase todo o primeiro mandato de Lula tentando enfraquecê-lo com seu jornalismo marrom, produzindo manchetes que se alastravam para os jornais e que se auto-alimentavam em profusão, principalmente a partir do chamado “escândalo do mensalão”.

Veja não conseguiu abalar a popularidade do presidente, e, diante da iminente reeleição do petista, a mídia golpista estampou em capas apoiadas por manchetes as célebres fotos ilegais, tiradas por um policial, do dinheiro apreendido – no chamado “escândalo dos aloprados” – e supostamente destinado a comprar um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo José Serra (PSDB), sempre Serra, que parece estar presente em todos os lugares onde aparece o termo “dossiê”. Por falar em jornalismo marrom, a capa inteira da Folha de S. Paulo de então – com Lula abaixo da página, encapuzado, proporcionando a óbvia associação com a imagem de um criminoso – é o mais acabado exemplo desse gênero de subjornalismo que o jornal da família Frias conseguiu produzir.

5) O trocadilho vagabundo de Veja

Por tudo isso, não surpreendem coisas do nível da capa de Veja desta semana, com a “manchete” valendo-se de um trocadilho vagabundo: “O polvo no poder”, para “denunciar” o “escândalo” da quebra do sigilo de adversários políticos do PT. A manchete denota, de resto, como é mesquinha e calhorda a elite brasileira diante da idéia do “povo no poder”, que é justamente o que ela sempre temeu. A frase de Veja é um significativo sintoma de seus temores. Talvez até um ato falho, em formato semântico. O problema para a publicação dos Civita, que se gaba de ter 1 milhão de assinantes, é que esse milhão é pouco diante dos 30 milhões de cidadãos que os oito anos de Lula elevaram às classes médias.

Por tudo isso, apesar da dianteira de Dilma Rousseff nas pesquisas, “é preciso estar atento e forte” nesta reta final do processo eleitoral. Não será surpresa se novas bombas de lixo forem atiradas contra a democracia pela aliança entre José Serra e a vergonhosa imprensa deste país.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Dunga x Alex Escobar, jornalismo e seleção brasileira

Ontem assisti aos dois programas televisivos de resenha sobre a Copa do Mundo nos canais pagos ESPN Brasil e Sportv. A bancada do programa “Linha de Passe”, do primeiro, formada por PVC, João Palomino, Paulo Soares e Fernando Calazans, de competência inconteste, passou grande parte do programa criticando Dunga e sua agressão ao jornalista Alex Escobar (veja abaixo), da concorrente TV Globo, além dos xingamentos do treinador logo depois do apito final do lamentável juiz francês Stephane Lannoy contra a Costa do Marfim.


Enquanto os jornalistas da ESPN insistiam no assunto, a bancada do Sportv (com Luiz Carlos Jr., Paulo César Vasconcellos, André Rizek e Lédio Carmona), do programa “Seleção Sportv”, afastou-se das futricas e se ocupou do que interessa mais ao público: análises dos próximos jogos da Copa, reportagens e imagens. Uns pequenos bate-bocas entre Carmona e Rizek apimentaram o programa.

Por trás do conflito aparentemente pontual entre Dunga e Escobar, na coletiva realizada após a vitória do Brasil [contra a Costa do Marfim por 3 a 1], domingo, há um aspecto pouco observado por alguns jornalistas bem intencionados e, ao mesmo tempo, ingênuos. A abordagem do “Linha de Passe” da ESPN se prestou ao papel de colocar seus profissionais como corporativistas ou inocentes úteis, aos olhos de boa parte do público.

Já que queria tanto abordar o tema, O “Linha de Passe” poderia ter informado, ao menos, o que está por trás de toda a celeuma, o que faz o UOL Esporte em matéria de hoje. “A Globo negociou diretamente com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, entrevistas exclusivas com três jogadores da seleção, entre os quais Luis Fabiano”, que seriam exibidas no Fantástico. Segundo a matéria, de Mauricio Stycer, Dunga vetou o privilégio, para desespero do assessor de imprensa da própria CBF, Rodrigo Paiva, ainda de acordo com o UOL.

Ora, por mais condenável que seja a postura de Dunga, ele acabou agindo exatamente na direção do que muita gente, inclusive da ESPN Brasil, sempre pediu: tratamento igual, “não” aos privilégios da Globo, ética nas relações CBF e imprensa.

De qualquer maneira, o comportamento grosseiro de Dunga na beira do campo e na coletiva, após o jogo, tem lá, também, suas justificativas:

1) precisaria ter sangue de barata para assistir à pancadaria da Costa do Marfim contra seus atletas, com a complacência do árbitro, e não reagir. Elano e também Michel Bastos por pouco não tiveram as pernas quebradas pelos "jogadores" marfinenses.
O marfinense não levou sequer cartão amarelo

2) na coletiva, aconteceu aquilo a que comumente se dá com as pessoas de sangue quente: Dunga está certo ao negar privilégios à TV Globo, mas erra pela forma e acaba perdendo a razão.

Só que, aos olhos de muitas pessoas que tenho lido comentar em blogs por aí e no próprio You Tube, não são poucos os que estão do lado de Dunga, que, por seu comportamento e, principalmente por confrontar interesses nunca dantes confrontados, não deve continuar no comando após a Copa, ganhe ou perca.

sábado, 10 de abril de 2010

Santos x São Paulo: chegou a hora

Eduardo Metroviche - Gaspar Nóbrega/VIPCOMM
Santos x São Paulo pela semifinal do Paulistão 2010. No Morumbi, o Alvinegro vai manter o esquema pra lá de ofensivo que está encantando quem gosta de futebol ou Dorival Junior optará por uma atitude menos ousada e mais pragmática?

O que fará o São Paulo de Ricardo Gomes? Vai aproveitar o mando de campo e partir pra cima para reverter a vantagem santista de jogar por dois empates? Acho difícil. Primeiro porque esse não é o estilo do time da capital, e depois porque se fizer isso corre o risco de levar uma goleada. A conferir.

Paulistão 2010

De resto, como santista, tenho ótimas recordações do Morumbi (Diego também, como podem ver no vídeo abaixo), onde já comemorei nas arquibancadas três títulos: o Brasileiro de 2002 (3 a 2 no Corinthians) e dois paulistas, o de 1978 (que terminou em 1979), na final em que o Peixe bateu o mesmo São Paulo, apesar de perder o último jogo por 2 a 0, e o de 2007, na final com o São Caetano então treinado por Dorival Júnior.

São Paulo e Santos já disputaram 260 partidas na história. Do total, 86 vitórias do Peixe, 62 empates e 112 triunfos tricolores.

De 2001 a 2010, os times se enfrentaram 28 vezes: 13 vitórias do Santos, dez do São Paulo e cinco empates. No século XXI, o Alvinegro marcou 41 gols contra 36 do Tricolor. Dos 28 duelos na década, só uma goleada: Santos 4 a 0 em 30 de julho de 2006, pelo Brasileiro, no Morumbi.

A rivalidade entre os dois times aumentou a partir do Brasileirão de 2002. Na fase de classificação (só havia um turno), São Paulo 3 a 2 no Morumbi. Ao marcar um gol, Diego comemorou pulando sobre o escudo do adversário, e provocou revolta nas hostes são paulinas. Fui a esse jogo com Gabriel. Lembro que saímos do campo de bom humor, apesar da derrota. Grande partida, e ficamos contentes com nosso time, que perdeu porque Léo fez um pênalti infantil no fim do jogo.

Nas quartas-de-final daquele Brasileiro de 2002 (o último da era dos mata-matas) o São Paulo era líder e franco favorito. O Santos se classificara em 8° lugar e era considerado zebra. Resultado: Peixe 3 a 1 na Vila Belmiro, jogo em que o São Paulo escapou de uma goleada, e 2 a 1 no Morumbi, um épico que Carmem, Gabriel e eu ouvimos pelo rádio, no AP de nossa amiga Ângela Assumpção. Poucas vezes fiquei tão nervoso na vida por causa de futebol.

Voltando ao clássico deste domingo, os comentaristas da rádio CBN estão dizendo que o São Paulo é favorito, um time mais “consistente”. Êta imprensa provinciana e conservadora que é essa paulistana. Vamos ver o resultado depois dos dois jogos.

Não custa lembrar que na fase de classificação neste Paulista (Santos 2 a 1, em Barueri) Rogério Ceni ajoelhou.

Abaixo, os melhores momentos daquele Santos 2 x 1 São Paulo de 2002, quando, após o jogo, Diego disse: “O São Paulo, e particularmente o Morumbi, me dá muita sorte. Eu sabia que ia fazer um gol hoje". Foi o último mata-mata do clássico San-São. Nele, Ceni também ajoelhou no gol de Diego.



quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Versões para o caos

Foto: Joícÿ Costìm
Você deve se lembrar que o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, cortou parte do orçamento para a limpeza urbana em agosto. Ele voltou atrás cerca de um mês depois. O professor da PUC-SP Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira, especialista em Direito de Estado, previu na ocasião da medida adotada por Kassab que ela traria consequências durante o período de chuvas. Se a culpa pelo caos não foi só de Kassab, também não foi só de São Pedro, como parece querer fazer crer a TV Globo.

Segundo o professor da PUC, São Paulo sentiu o impacto da medida de Kassab exatamente na terça-feira. Ele defende que os cidadãos entrem com ações públicas na Justiça contra a prefeitura e a responsabilize pelos danos. O professor entende que, ao restringir os serviços de limpeza pública, o interesse de toda a comunidade "é substituído pelo interesse do prefeito”.

Jornal Hoje
Já a TV Globo mostrou no "Jornal Hoje" de ontem (desculpem o trocadilho), dia do caos em São Paulo depois das chuvas, uma reportagem sobre o que para ela são as causas da inundação do Tietê. A matéria vai ao ar para responder à cândida pergunta do âncora Evaristo Costa: "afinal de contas, faltou obra no rio Tietê ou realmente choveu demais?"

No helicóptero, a repórter Patrícia Taufer pergunta ao professor de Engenharia de Recursos Hídricos da Escola Politécnica da USP, Mario Thadeu Leme de Barros: "o que de fato aconteceu? Como o senhor explica esse caos todo?" Pra resumir, ele responde que o rio não suportou a chuva extremamente intensa em toda a cidade e, assim, Tietê e Pinheiros transbordaram.

A reportagem explica então o que é vazão ("a quantidade de água que o rio transporta em um período de tempo") e ilustra: o Tietê "consegue levar uma piscina olímpica a cada dois segundos. Mas hoje a situação foi bem mais complicada", explica a repórter. Ah, tá.

Ela continua: "professor, as margens são estreitas demais, é isso o que acontece?" Somos então informados que, "com a ocupação urbana, nós confinamos o rio Tietê no espaço que ele tem hoje, e esse espaço é insuficiente".

Entendeu? É simples assim.

Veja a reportagem global