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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Rafinha Bastos procurou e achou

Quero falar em poucas linhas, e sob dois pontos de vista, a respeito do caso do humorista Rafinha Bastos, polêmica da semana, afastado do programa CQC desta segunda-feira por ter feito há 15 dias uma piada mais do que grosseira sobre Wanessa Camargo. Disse ele sobre a cantora, que está grávida: “comeria ela e o bebê”.

1) Minha avó Emiliana costumava dizer: “quem procura, acha”. Incauto (duvido) ou consciente da influência das pessoas com quem mexeu, o humorista apenas deu continuidade à série de grosserias (e a intenção não é recordá-las aqui) que lhe servem como marketing, pois bobo ele não é e a imagem do post mostra que suas polêmicas estão de acordo com seus conceitos de humor. Só que a piada que motivou seu afastamento atingiu alvos mais poderosos do que seu objeto, pois Wanessa Camargo é casada com Marcus Buaiz, muito amigo e sócio de Ronaldo (ele mesmo, o Fenômeno). Daí à interferência de Ronaldo, garoto propaganda da Claro, uma das grandes anunciantes do país, é apenas uma consequência óbvia.

É claro que aí tem a questão cultural para a qual algumas pessoas chamaram a atenção no Twitter, como a advogada Regina Sampaio (@BrazilPalestine), que escreveu nesta terça, 4: “Enfim aprendi com o caso @rafinhabastos q vc pode tudo desde q ñ mexa com quem o capital acha importante”.

Verdade. Mas é também verdade que a insolência, a prepotência, as grosserias e a falta de respeito de Rafinha Bastos em algum momento tinham que esbarrar em alguma oposição. E, se é verdade que a cultura do “você-sabe-com-quem-está-falndo” é retrógrada e nefasta, é também verdade que, como dizia dona Emiliana, “quem procura, acha”. E ainda bem que o humorista achou algo para frear sua falta de limites.

2) O segundo ponto de vista é mais profundo e diz respeito à terível influência da televisão nos hábitos e gostos da sociedade, vulgarizando-os, destruindo as culturas originais e enchendo as salas com os mais perniciosos programas. Pier Paolo Pasolini escreveu há quase 40 anos: “O fascismo, no fundo, não foi capaz nem de arranhar a alma do povo italiano: o novo fascismo, através dos novos meios de comunicação e informação (especialmente a televisão) não só a arranhou, mas a dilacerou, violentou, contaminou para sempre”.

Não vou repetir o que já escrevi a respeito, ao falar sobre um programa que é o paradigma do papel nocivo da TV na vida das pessoas. Neste link: A excrescência chamada Big Brother Brasil.