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domingo, 29 de abril de 2012

Santos elimina o São Paulo no Morumbi sob os brados de "Olé"


Inapelável, a vitória de 3 a 1 do Santos, vestido de azul, sobre o São Paulo, no Morumbi, na tarde deste domingo, pela semifinal do Paulistão 2012, em jogo único. Morumbi onde, como registrei mais de uma vez neste blog, o Santos tem o hábito de jogar à vontade e ganhar mata-matas e títulos, inclusive do São Paulo, que hoje manteve a sina de freguês em jogos eliminatórios.

Foto: Ivan Storti/ Santos FC
Craque marcou três e acabou com o Tricolor

É o terceiro Paulistão seguido em que o time do litoral despacha o da capital na fase semifisal. Em 2010, o Peixe eliminou o Tricolor em dois jogos, ganhando de 3 a 2 no Morumbi e 3 a 0 na Vila, levantando em seguida o título estadual batendo o Santo André (relembre neste link). Em 2011, novamente o time da Vila eliminou o São Paulo na semi, em partida única, 2 a 0, no mesmo estádio no Jardim Leonor, e veio a ganhar na sequência o bicampeonato paulista, derrotando o Corinthians na final.

No grande jogo deste 29 de abril, é de se louvar a atuação impecável da defesa santista, excetuando o lateral direito Maranhão, que, perdido no primeiro tempo, foi bem coberto por Edu Dracena. Primeiro tempo que terminou num quase confortável 2 a 0 para o time da Vila. De quebra, com o episódio histórico que aconteceu logo a 2 minutos de partida: Neymar, de pênalti, sofrido por Alan Kardec após grande jogada de Arouca, fez com categoria o gol número 100 com a camisa alvinegra.

Mesmo sofrendo pressão incessante do bem montado time de Émerson Leão (desfalcado de Luís Fabiano, suspenso, mas contando com o perigoso e imprevisível Lucas), a esquadra de Muricy Ramalho jogava de maneira compacta e, com a técnica que desequilibra, aumentou a vantagem: num erro da saída de bola do São Paulo, Ganso (meio apagado na partida) serviu Neymar. E o Rey, a seu estilo, venceu a zaga adversária na explosão e velocidade, mandando para as redes, no canto direito de Dênis: 2 a 0 a 31 da etapa inicial.

No segundo tempo, o time do Morumbi continuou pressionando e, aparentemente, dominando as ações. E ainda contou com o apito amigo do sempre polêmico árbitro Paulo César de Oliveira. A arbitragem invalidou duvidosamente um gol do Santos (alegando falta de ataque) e deu o gol tricolor, claramente ilegal (por impedimento), aos 18 min do segundo tempo... e o São Paulo voltou a respirar.

Mas, aos 32, após triangulação perfeita de Ganso a Léo e deste a Neymar, o craque fez seu terceiro gol no jogo (e o 102° pelo Santos), com a colaboração do arqueiro Dênis, que ficou com as penas nas mãos. Por falar em goleiro, o San-São de hoje teve três em campo, mas Aranha, que entrou no lugar do cada vez mais vacilante Rafael, foi o melhor dos três.

E palmas a Léo, que parece ser o único a botar ôtoridade na lateral esquerda do time do Santos, sim senhor.

E palmas ao Santos, que eliminou o São Paulo no Morumbi sob os brados da minoritária torcida alvinegra no Morumbi gritando "Olé, Olé, Olé, Olé..."




Bugre bate a Macaca

Com a vitória do Guarani sobre a Ponte Preta, também por 3 a 1, em jogo tecnicamente muito ruim, a final será Santos x Guarani nos próximos dois fins de semana. Seja como for, muito bacana o derby campineiro ter acontecido nesta semifinal. Parabéns ao trabalho de Osvaldo Alvarez, o Vadão. Mas acho que o Bugre conseguiu o título que queria, fazendo uma campanha excelente e eliminando o arqui-rival campineiro na semifinal.

O Peixe é franco favorito contra o time esmeraldino. Na última partida entre ambos, pela fase de classificação deste Paulistão de 2012, com o time reserva “do goleiro ao ponta esquerda”, o Peixe derrotou o Bugre em Campinas por 2 a 0.


Atualizado à 01:12

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O Espírito do Santos (parte 2)


CENTENÁRIO



A geração de Diego e Robinho (2002-2004)


Entre os quatro times que incorporam o que chamo de Espírito do Santos (os de 1958, 1978, 2002 e 2010), o de 2002 vem a seguir ao de 2010-2011, de Neymar e Paulo Henrique Ganso, embora talvez seja tão importante quanto este.

A geração de Diego, Robinho, Elano, Renato, Léo e companhia resgatou a grandeza do time da Vila Belmiro, que desde 1984 não ganhava um título importante, apesar das conquistas de 1997 (Rio-São Paulo) e 1998 (Copa Conmebol). Em 2002, a torcida era mais ou menos dividida em três. Os mais jovens (não era meu caso), como meu filho, então com 18 anos, nunca tinham visto seu time ser campeão e cresceram sob chacotas e humilhações dos rivais. Os mais “experientes”, como eu, não tinham visto o time de Pelé jogar, mas haviam vibrado com os “meninos da Vila” de 1978 e viram os títulos paulistas de 1978 e 1984 – além da mítica equipe de 1995, vice-campeã brasileira. E a geração mais velha, que aprendera a amar o futebol do maior time do mundo, bicampeão mundial, mas não conseguia fugir ao fantasma do passado. 1978/1979, 1984 e 1995 foi tudo de relevante que o Santos conseguiu desde 1973, quando do último título paulista, dividido com a Portuguesa, com Pelé em campo.

(Um parênteses para o time de 1995, cujo símbolo era Giovanni, que protagonizou o antológico 5 a 2 contra o Fluminense, que para muitos santistas foi “o jogo da vida” – não para este escriba. Não fui ao estádio: era aniversário de minha mãe, Leila, que era santista e não está mais entre nós, e assisti na casa dela. Apesar da magia – efêmera –, esta geração é para mim bastante secundária na história, mesmo a recente. Não só pela perda do título no 1 a 1 com o Botafogo no Pacaembu, graças ao apito canalha do árbitro Márcio Rezende de Freitas. O Santos também colaborou: sem o importante volante Gallo, suspenso, o técnico Cabralzinho preferiu montar o time com apenas um volante – Carlinhos –, deixando o experiente Pintado no banco e um meio de campo vulnerável. E havia no elenco um oba-oba preocupante. Tudo isso me deixara com a pulga atrás da orelha. Na final, Giovanni perdeu vários gols inacreditáveis, que não costumava perder, entre os quais um no finzinho do primeiro tempo quase embaixo da trave. Foi quando um jovem torcedor de uns 18 anos nas arquibancadas olhou para mim e disse: “É, velho, quando começa assim...” Conheço santistas que veneram Giovanni, e outros não gostam dele, porque acham que amarelou na final. Não estou nem entre os que veneram o time e Giovanni, nem entre os que execram o jogador. Mas não tenho Giovanni como ídolo e acho que ele de fato tremeu naquele dia. Meu “ídolo” daquele time era o atacante Marcelo Passos. Atribuo a idolatria àquele time à seca e frustração dos torcedores mais jovens que nunca haviam comemorado um título. E assim fecho o parênteses sobre 1995.)

Horizonte sombrio

Em 2002, portanto, o Peixe vinha desse passado recente recheado frustrações e times medíocres ou, pior, horríveis , e 18 anos sem ganhar nada “importante”, após o estadual de 1984.

Quando começou a temporada de 2002, o Santos era considerado pela imprensa um candidato quase certo ao rebaixamento. Essa avaliação ganhou ainda mais consistência após o torneio Rio-São Paulo, em que o Alvinegro terminou em melancólica 9ª colocação e vivia grave crise.

A chegada do comandante

Para o Campeonato Brasileiro, o time tinha contratado Émerson Leão, que recusou a proposta do então presidente Marcelo Teixeira de contratar “medalhões” (política técnica e financeiramente fracassada que já vinha de anos passados). Leão disse que usaria os imberbes meninos que estavam surgindo na base do clube. Uma matéria do jornal O Estado de S. Paulo de 2003 contou como foi o ambiente no vestiário no dia em que Émerson Leão anunciou ao jovem elenco que eles é que seriam os homens do seu time. Os meninos se entreolhavam com expressões de incredulidade e felicidade, como jovens guerreiros que um experiente general eleva à categoria de soldados capazes de ganhar a guerra.

Elano, Renato e Paulo Almeida, entre outros, antes da chegada do novo treinador, eram atletas colocados entre os que o clube considerava dispensáveis. Leão montou a equipe com os jogadores fracassados que vinham jogando, misturado às jovens promessas. O time era: Júlio Sérgio (Fábio Costa); Maurinho, Alex, André Luiz e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Diego; Robinho e Alberto. O atacante William (também da escolinha) e o nem tão jovem meia Robert eram utilizados com freqüência.

E o futebol bonito, ofensivo, repleto de talento e arte apareceu. O goleiro titular durante quase todo o campeonato era Júlio Sérgio, que se contundiu na reta final da competição e deu lugar a Fábio Costa, que se recuperava de grave contusão, e voltou na hora certa, pois foi decisivo para a conquista do título.

O primeiro jogo que me marcou naquela campanha foi a memorável vitória de 4 a 2 sobre o Corinthians no Pacaembu, dia 3 de outubro de 2002, com dois gols de Alberto (um deles um golaço de semi-bicicleta) e dois de Elano. Duas semanas depois, o adversário seria o São Paulo no Morumbi. No dia 16, fui com meu filho Gabriel, então com 18 anos, assistir ao San-São.

Foi um grande jogo. O Santos saiu derrotado, 3 a 2, na partida marcada pelo episódio em que Diego comemorou um dos gols pulando sobre o escudo são-paulino. Mas, apesar da derrota, o sentimento era de satisfação: o time demonstrava que podia ir muito longe.

Em turno único, o campeonato classificava os oito primeiros para disputar os mata-matas. Depois de alguns vacilos nos últimos jogos, o Peixe se classificou na bacia das almas, em oitavo lugar, e pegaria o temível São Paulo, líder absoluto da competição. Definidos os confrontos, lembro que no boteco perto de casa, na esquina das ruas Prof. João Arruda e Cardoso de Almeida, em Perdizes, onde eu morava, um santista comentava desanimado que “não ia dar”. “Pegar o São Paulo... vai ser difícil”, comentou, olhando para a televisão ligada, ao que respondi: “Relaxa, santista. Vamos ganhar!”.

Arrogância são-paulina esbarra em Diego


Naquela semana, num bar em que havia alguns santistas e eu, além de vários são-paulinos à mesa, um deles, que tinha sido inclusive da diretoria do Tricolor, comentou, com a arrogância típica: “Santos? Eu quero jogar é com o Real Madrid”. Mas não deu outra. Na Vila, 3 a 1 para o Alvinegro, em partida memorável em que o São Paulo de Kaká escapou de uma goleada. Diego saiu de campo mancando e um velho são-paulino, parente de minha mulher Carmem, me disse ao telefone: “Esse 10... quem é? Saiu mancando, será que vai jogar na volta?” Eu respondi: “Espero que sim”. E ele, rindo: “Espero que não!”

No jogo de volta, que, junto com uma galera, ouvi pelo rádio, o time do Jardim Leonor precisava de 2 a 0 para ir à semifinal. Fez 1 a 0 logo de cara. E foi um dos jogos em que mais fiquei nervoso em toda minha vida. Mas, apesar da pressão impressionante, o São Paulo acabou levando a virada. Diego e Léo marcaram para o Santos. O grande Tricolor estava desclassificado e guardava sua arrogância no saco.

Depois de eliminar o Grêmio (3 a 0 e 0 a 1), a final era contra o terrível Corinthians, que, com Carlos Alberto Parreira, tinha um ótimo time.

A final com o Corinthians

No jogo de ida, o Peixe bateu o Timão por 2 a 0, em partida memorável de Diego. Na grande final, com melhor campanha, o Timão precisava de um resultado por dois gols de diferença para nos roubar o título. Antes da partida, Gabriel, com ansiedade imensa, comentou: “se o Santos não ganhar esse título, Deus não existe”.

E chegamos ao jogo da minha vida, perto do qual o de 1995 é uma pequena e apagada lembrança. Nada houve de tão grande para mim no futebol antes ou depois daquele maravilhoso 3 a 2 contra o Corinthians na final de 2002. Tive o privilégio de estar lá!, junto com Carmem e Gabriel. O Morumbi abarrotado e literalmente dividido ao meio nas arquibancadas, embora (os corintianos têm dificuldade em admitir isso) na numerada houvesse mais santistas, que formavam então, por isso, maioria.

Quando Robinho deu a histórica pedalada para cima de Rogério, que cometeu pênalti, lembro de Gabriel gritando: “Ele deu!, ele deu!”, pois a marcação de uma penalidade contra o Corinthians numa final parecia um milagre para um jovem acostumado a ver o time roubado. Gabriel, com seus 18 anos, nasceu em 1984, o ano em que o Peixe havia sido campeão pela última vez. Era da geração que crescera sendo humilhado pelos adversários, e nunca vira seu time ser campeão.

(Gols da final - dois últimos gols narrados por Oscar Ulisses)



Após o 1 a 0, a sensação era de que seria muito difícil que o adversário virasse para 3 a 1 e levasse a taça, até porque oferecia o contra-ataque ao um time mortal. Mas Diego, que fizera partida memorável no jogo de ida, saiu logo de cara, contundido.

No segundo tempo, o relógio não andava. Desde o início do jogo, Fábio Costa fazia uma partida milagrosa, com defesas espetaculares. Tenho para mim que, junto com Robinho, Fábio Costa foi o homem a quem os santistas devem agradecer o título. Horas pareciam se passar, mas o jogo não chegava nunca aos 30 minutos. Quando chegou, o Corinthians empatou. E virou aos 40. Lembro de um santista agachado na arquibancada, chorando e dizendo: “De novo não, de novo não!”, como se implorasse aos céus para os quais, porém, não olhava.

Mas aos 43, em jogada que começou com Elano, este serviu Robinho pela direita; o endiabrado e mirrado negrinho cruzou para Elano, que, já na área, mandou para as redes e saiu correndo, levantando a camiseta para mostrar, por baixo, a imagem de Nossa Senhora Aparecida. 2 a 2, mas o Corinthians estava derrotado. E nos estertores dessa partida que mais parecia uma ópera, como disse depois um jornalista, após nova espetacular jogada de Robinho, Léo pegou na entrada da área e fulminou o goleiro Doni. 3 a 2 e o Santos era campeão brasileiro de 2002.

Único time grande a sair de uma longa fila vencendo um campeonato brasileiro, o time de Fábio Costa, Diego, Robinho, Elano, Renato e companhia entrava para a história do futebol.

Em 2004, o elenco perdeu o zagueiro Alex, o volante Renato, o meia Diego e o treinador Émerson Leão, substituído por Vanderlei Luxembrugo, que, com a mesma base, reforçada com o atacante Deivid, sagrou-se campeão brasileiro, agora por pontos corridos.

Leia também: O Espírito do Santos - parte 1: a geração de Neymar e Paulo Henrique Ganso

O Espirito do santos - parte 3: Os Meninos da Vila

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Émerson Leão está de volta e é o novo técnico
do São Paulo

A missão óbvia do treinador será levar o time a uma das vagas à Libertadores. Se o time ganhar motivação com o novo comandante, deve ultrapassar o oscilante Fluminense e conquistá-la.


Reprodução
Leão é um personagem que faz falta no futebol, onde, como quase tudo hoje em dia, tudo é politicamente correto. O tipo general do técnico é uma das coisas divertidas no esporte, principalmente nas coletivas.

Acho que Leão tem muitas semelhanças com Felipão. Ambos são vencedores, e os dois são temidos pelos jogadores nos clubes onde desembarcam. E correm o risco de não terem mais clima para trabalhar, se não adotarem uma postura um pouco menos beligerante. Senão, chegará um dia em que não haverá um atleta na face da Terra que queira trabalhar com Leão e Felipão.

Mas os próprios torcedores são-paulinos gostam de Leão, de modo geral. Segundo muitos deles, foi o treinador que montou o time que veio a ser campeão mundial em 2005. Na época, lembro do então ténico Paulo Autuori que, tendo conquistado o título na final contra o Liverpool, declarou que a conquista era também de Émerson Leão.

Dos títulos de Leão, o mais espetacular e bonito foi o Brasileiro de 2002 com o Santos, quando o clube saiu de uma fila de 18 anos numa final antológica com o Corinthians de Parreira com duas vitórias (2 a 0 e 3 a 2). Com o Alvinegro da Vila, Leão ganhou também a hoje extinta Copa Conmebol de 1998, conquistada numa final dramática contra o Rosário Central na Argentina que terminou 0 a 0. Sua passagem pelo Santos em 2008, porém, foi fracssada. Outro grande título do treinador foi o Brasileiro de 1987 pelo Sport.

Depois de uma fase bem-humorada na carreira (ele próprio já disse que trabalhar com Robinho e Diego em 2002 fez com que se tornasse uma pessoa mais tolerante e alegre), Leão voltou ao seu estilo de sempre. O último título que conquistou no futebol, aliás, foi o Campeonato Paulista de 2005, justamente com o São Paulo. Porém sua última passagem em um clube do país, o Goiás, no ano passado, foi desastrosa.

Lusa sobe
Notícia digna de nota foi a ascensão da Portuguesa para a Primeira Divisão em 2012. Parabéns à Lusa, que caiu duas vezes para série B. Em 2002 o time foi rebaixado e voltou apenas em 2007. Mas ficou apenas um ano na elite, voltando a cair em 2008. Três anos depois, o velho e tradicional clube está de volta. Vamos ver se para ficar.

Atualizado às 15:55