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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ayrton Senna – mito, perfeição técnica e paixão


Para Marco Ferreira e Luciano Oliveira


Instituto Ayrton Senna
20 anos

No dia 1° de maio de 1994 bilhões de pessoas assistiram via satélite ao acidente que matou o piloto Ayrton Senna na pista de Imola, na Itália. Num primeiro momento, para quem viu a morte ao vivo, o mais impressionante foi o paradoxo da cena: depois do impacto e de os restos do carro "navegarem" a esmo às margens da pista por alguns segundos, a visão do bólido estático transmitia uma estranha e indefinível sensação de silêncio e imobilidade. A primeira expectativa era a de que, como é comum em acidentes com esses quase perfeitos conjuntos técnicos dos quais, por assim dizer, o homem é parte integrante, o piloto saísse andando do acidente, embora a violência do impacto no muro, no momento mesmo, tenha também causado a impressão de que não era mais um desses casos tornados milagrosos pela indestrutível fibra de carbono que envolve o piloto no carro. Mas o que se via era a cena do bólido estático, interminavelmente estático: uma espécie de "desrealização" (termo que Laymert Garcia dos Santos usa em outros contextos) da velocidade. O paradoxo.

 Anunciada a morte, o país do samba, do carnaval e do futebol (país cuja alegria os estrangeiros não cansam de enaltecer como uma de suas mais importantes virtudes) mergulhou na talvez maior depressão de sua história recente, superando, segundo algumas avaliações, a comoção causada pelo suicídio de Vargas. Por quê?

 Há quem considere, os puramente racionais, que a mídia fabricou o espetáculo da morte, ou melhor, usou-a para erguer o mito em nome da audiência; há os que veem no caso uma fatalidade mística e em Ayrton Senna um espírito de líder, pois julgam impossível uma pessoa comum arregimentar em torno de si tamanha energia; e há os que simplesmente se comoveram, os carentes de emoções, mas não viram no caso nada mais do que um fato incomum a movimentar seu cotidiano amorfo.

É de se supor que as duas primeiras "espécies" de pessoas tenham parte de razão.

A Fórmula 1 é uma dos mais importantes emblemas do desenvolvimento técnico desde que se criou o motor a explosão entre o fim do século passado e início deste. Muitas das tecnologias desenvolvidas para o aumento do desempenho dos bólidos nas pistas são posteriormente assimiladas, com as transformações e adaptações necessárias, aos conjuntos técnicos fabricados em série pelas grandes indústrias. A Fórmula 1 é um laboratório.

Os pilotos, nesse sentido, não são meras cobaias: sabe-se, por exemplo, que não basta a um bom piloto saber conduzir o veículo, somar pontos com sua habilidade, conquistar títulos como nos esportes tradicionais. Os mais requisitados são aqueles capazes de apreender, decodificar e trabalhar a informação (usando aqui o conceito de Simondon) no sentido do pleno desenvolvimento, da otimização do carro, uma otimização extrema.

Não poucas vezes divulgaram-se opiniões segundo as quais Ayrton Senna era o mais "perfeito" piloto já visto. É possível que fosse. Muitos eram os que assistiam às provas unicamente pela sua presença nas pistas e que depois de sua morte perderam o interesse por elas. Mesmo os leigos, semileigos ou simples amantes de esportes em geral percebiam que havia algo incomum em Ayrton Senna. Ao contrário de outros, ou apenas talentosos ou apenas bons "desenvolvedores" de carros, o piloto brasileiro possuía ambas as qualidades: o talento, a mais espantosa habilidade e perícia, talento com o qual proporcionou momentos espetaculares nas pistas, realizando manobras impossíveis ou tirando do seu carro um desempenho acima do normal em situações mesmo de avaria técnica (era, apenas para citar um exemplo, conhecido como imbatível correndo sob chuva); e também era raro conhecedor da "linguagem" da máquina, de suas necessidades intrínsecas.

Se a ideia de Gilbert Simondon é a supressão da dicotomia homem versus máquina, então pode-se dizer que a "função integradora da vida"  por ele almejada foi quase de modo absoluto encarnada pelo conjunto homem-máquina da Fórmula 1 e essa integração foi atingida pelo piloto brasileiro mais do que qualquer outro: é inquestionável que seu talento incomum se aliava à capacidade sobre-humana de interpretação das informações. O talento de um Nigel Mansel, por exemplo, jamais pressupôs o conhecimento técnico (o piloto inglês era um conhecido mal intérprete da linguagem do carro, que, com a telemetria, deixou de dizer respeito apenas à mecânica). O brasileiro Nelson Piquet, que também possuía o talento aliado ao conhecimento técnico (foi um dos maiores "acertadores de carros" da história da Fórmula 1) não tinha, porém, uma terceira qualidade, a mais rara e impressionante.

Não foram apenas o talento e o conhecimento técnico os responsáveis pelo aparecimento do mito Ayrton Senna. Havia também nele um carisma que alguns consideram místico, uma obsessão apaixonada por algo interior e além da realidade em que vivia. O amor à velocidade era para ele como que mágico, como se de alguma forma, superando o tempo, submetendo-o, vencendo-o e a si mesmo constantemente, procurasse um objetivo transcendente, a superação mesma de sua condição humana e a do conjunto que formava com o carro. Seu orgulho não era facilmente confundido com a vaidade. Ele próprio, aliás, encarregou-se de fomentar esse misticismo, evocando o nome de Jesus Cristo em situações conhecidas. Se fosse outra pessoa, poderíamos imputar a isso uma pura estratégia de marketing.

No caso de Senna, suas características e o conjunto de situações que ele protagonizou ajudam também a aumentar a aura de misticismo que cercam sua pessoa e sua morte: o frequente olhar distante para lugar nenhum, o sorriso invariavelmente triste, a espontaneidade com que, carregando a bandeira brasileira em algumas grandes conquistas, elevou por efêmeros momentos o orgulho de um povo ferido e humilhado, a crise de choro de 15 minutos que abateu-o na véspera da morte ao saber que o piloto austríaco Roland Ratzenberger acabara de sofrer nos treinos um acidente fatal, e seu estranho e longo olhar fixo para o carro, registrado pelas câmeras minutos antes de iniciar-se a corrida em Imola. Há ainda estranhas coincidências: como, por exemplo, o fato de ele ter morrido na mesma curva em que no mesmo dia 1° de maio de 1987, portanto exatamente 7 anos antes, o também brasileiro Nelson Piquet, seu declarado desafeto, escapou milagrosamente da morte depois de chocar-se a 300 km por hora contra o muro da mesma curva Tamburelo. E mais: como se essa coincidência não bastasse, como se o Destino houvesse querido não deixar dúvidas sobre seus desígnios, Senna conheceu a morte na 7° volta da corrida. Os cabalistas não considerariam, por tratar-se do número 7, estas coincidências desprezíveis.

Há também a ironia de suas posições nos tempos que precederam o acidente. Mais de uma vez reclamou da automação sem limites a ameaçar o talento. Chegou a dizer que todos os pilotos, com a informatização, seriam nivelados e a paixão de dirigir em breve seria destruída pela tecnologia. A competitividade seria reduzida à rapidez da contínua disputa pela superação tecnológica. Ele se referia à equipe Williams (à época, era piloto da McLaren), cuja tecnologia desenvolvera em alto grau recursos como a suspensão ativa (o que fazia com que o piloto não sentisse as trepidações e o carro grudasse no solo), câmbio automático (é conhecida a opinião de qualquer motorista comum sobre o prazer proporcionado pela mudança de marchas, "o maior prazer de dirigir", segundo muitos), gasolina potencializadora do motor já por si só o mais potente do "circo", entre outros.

Pelo conhecimento e pelo talento, Senna sabia que essa evolução tendia à automação absoluta, embora, provavelmente, o absoluto, como uma espécie de utopia técnica, jamais fosse atingido (sendo apenas o horizonte da tendência), mas o grau chegaria a um patamar muito elevado, ou seja, tendendo ao que Simondon chama de "autômato" (Du Mode d'Existence des Objets Techniques, páginas 139 e 140). Nesse caso, sua intuição previa um deslocamento do equilíbrio homem-máquina, o desnivelamento em favor da máquina, enfim a quebra da integração. Simondon diz que o autômato, "máquina perfeita", é uma noção obtida pela passagem ao limite: sua margem de indeterminação será nula, pois "poderá receber, interpretar ou emitir a informação". E mais: "Ora, se a margem de indeterminação do funcionamento é nula, não há mais variação possível; o funcionamento se repete indefinidamente, e por consequência a interação não tem mais significação". Essa era a tendência dos carros de Fórmula 1 em 1993.

Mas as tendências, quando Ayrton Senna já havia definido sua ida para a mesma Williams cuja tecnologia criticara em nome do talento, mudaram abrupta e radicalmente no início de 1994. Em nome do interesse pela competição, que se esvaziava rapidamente graças ao desnivelamento entre as equipes, o grau de desenvolvimento tecnológico foi não apenas interrompido como houve um retrocesso, com a proibição de certos tipos de gasolina, da suspensão ativa e outras “conquistas”. Ao iniciar a temporada, as equipes procuravam adaptar-se às novas regras. A Willliams, a que mais sentiu as proibições exatamente porque já se havia ajustado às inovações, entrou como que num vácuo técnico. Senna pegou o carro nesse momento em que a Williams se viu envolvida de repente numa situação imprevista, com a inversão do status técnico para a elevadíssima margem de indeterminação subsequente. O austríaco Roland Ratzenberger, não por acaso, foi vítima da mesma situação.

Por fim, o ritual fúnebre ajudou a consolidar o mito. Não se pode negar a participação da mídia nessa consolidação. Mas, melhor do que a racionalidade que nega a necessidade humana do mito, traduz melhor a situação a frase do piloto Emerson Fittipaldi naquela semana: "O brasileiro não sabia que gostava tanto do Ayrton". A sincera comoção, o luto da Nação expressado pelas mais diversas pessoas (social e culturalmente) corroboram essas palavras. A tristeza do País revelou algo como a gratidão catártica pela grandeza catalisada por Senna, gratidão de um povo vilipendiado, e revelou também que esse povo, mesmo humilhado, mesmo carente de "vitórias" no seu miserável cotidiano, ainda tem orgulho de si mesmo. A energia gerada pela comunhão nesse luto, dizem os místicos, não é desprezível. Foi dito por um deles que a morte de Senna provocou um entendimento inconsciente da evolução e das mudanças.

Ou terá sido tudo fruto do acaso? A inesperada união de tantas criaturas diferentes em torno da morte é apenas um dado para análise sociológica? Sabe-se que a união das pessoas em torno da mesma energia produz efeitos poderosos. A partir desse ponto, não é possível especular. Se há desígnios em relação a Ayrton Senna que nos escapam, eles continuarão sendo segredo dos deuses. Se não os há, da mesma forma jamais ficaremos sabendo.

Nota
Este ensaio foi escrito em 1995, para um curso de pós-graduação que eu fazia na época, poucos meses depois da morte de Ayrton Senna. Ele contém uma visão talvez pessimista demais dos destinos do país que, hoje, 20 anos depois, não são mais exatamente aquelas.

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

A Lotus de Ayrton Senna





Talvez seja difícil entender que uma pessoa qualquer, de repente, diante de uma máquina como essa dessas fotos, um simples carro, sem poder evitar, sinta de repente os olhos inapelavelmente se encherem de água e a garganta embargar. Pois foi isso que sentimos no sábado, ao chegar perto da Lotus que Ayrton Senna pilotou e com a qual ganhou o primeiro Grande Prêmio de sua carreira na Fórmula 1, em Portugal, no autódromo do Estoril, em 21 de abril de 1985 (veja vídeo abaixo). Saudade dos domingos de manhã.

A Lotus mítica está exposta no Shopping Villa-Lobos até o próximo dia 21 de abril. Se você gosta da coisa, tem uma semana para ver.

Foi muito legal ver pessoas de todas as idades lá, celebrando o mito. Mito, sim, pois que civilização viveu jamais sem mitos? Um menino de uns 10 anos, que só conhece Senna de ouvir falar, perguntou ao pai: "é verdade que ele foi um maiores do mundo, pai?"

Pois é. É quase uma heresia, talvez para alguns um absurdo, dizer isso, mas senti uma emoção semelhante à que senti ao ver obras de artistas gigantes como Renoir ou Van Gogh vendo a máquina pilotada pelo gênio Ayrton Senna.


Clique nas fotos para ampliar















Troféu da vitória do GP da Bélgica de 1985


A primeira vitória, em Estoril (Portugal – 1985)

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Há 19 anos – tinha uma Tamburello no meio do caminho


Reprodução


Na manhã de 1° de maio de 1994, um domingo, estávamos em casa. Acordamos cedo para mais uma vez assistir a uma corrida de Fórmula 1. Ou melhor, para ver uma corrida de Ayrton Senna, que corria naquela temporada pela funesta Williams.

A corrida de Ímola seria a mais triste que jamais veríamos. Testemunhamos a morte do lendário piloto ao vivo. Incrédulos e tolamente esperançosos (pois ele já havia morrido na pista), só quando ouvimos, horas depois, a confirmação da notícia é que acreditamos que era verdade. Chorei.

“Tamburello era uma curva, atualmente uma chicane, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na Itália” (Wikipedia). Nessa curva, sete anos antes, quase o também brasileiro Nelson Piquet deixou sua vida ao bater de traseira, num gravíssimo acidente. Era uma curva maldita. Senna precisou morrer para transformarem-na em uma chicane.

Tinha chegado ao fim a carreira e a vida do tricampeão mundial (1988, 1990 e 1991) e vencedor de 41 corridas, na prova em que ele conseguira sua 65ª pole position e liderava, seguido, simbolicamente, pelo alemão Michael Schumacher, que herdaria o reinado na categoria. Com certeza a enorme antipatia que sempre nutri pelo alemão se deve à emblemática segunda posição que ele ocupava naquela corrida no instante do acidente.

Almoçamos e depois fomos andar na avenida Paulista, para espairecer. Andamos silenciosos. Parecia absurdo que as pessoas passassem pela rua conversando, rindo, como se fosse um dia qualquer. Porque não era. Era 1° de maio de 1994.

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Leia também – e relembre alguns momentos históricos de Ayrton Senna nas pistas:

"A melhor volta da história"

Pensamento para domingo: Ayrton Senna - Interlagos, 1991

Ayrton Senna é o rei de Mônaco


domingo, 27 de maio de 2012

Ayrton Senna é o rei de Mônaco

*Publicado originalmente às 04:14 de 28/05/11

Republico esta postagem de cerca de um ano atrás porque, sem nada tirar ou pôr, continua atual. A atualização se deve à necessidade de falar de uma curiosa coincidência. Neste GP de Mônaco de 2012 Michael Schumacher poderia alcançar a única marca de Ayrton Senna que não atingiu: a hegemonia em Monte Carlo, onde Senna ganhou seis vezes contra cinco do alemão. Um sortilégio evitou que Schumacher tivesse a última chance neste domingo: ele fez a pole position, mas, punido pelo acidente em que se envolveu justamente com Bruno Senna na corrida anterior, na Espanha, ele perde cinco posições e sai em sexto. Isso é o que se chama ironia do destino. O post do ano passado está abaixo.


*Este post é apenas para lembrar que neste domingo tem o Grande Prêmio de Mônaco. Que eu não vou ver, claro. Ayrton Senna ainda é o rei de Mônaco. É o único recorde dele que o alemão Michael Schumacher não bateu.

Senna ganhou seis vezes em Mônaco: 1987, 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993.

Schumacher venceu cinco: 1994, 1995, 1997, 1999, 2001

No vídeo abaixo, a corrida no circuito de Mônaco em 1984, quando Senna, então um ilustre iniciante, assombrou o mundo. Ele pilota o carro branquinho n° 19, da Toleman, o que a 2'08'' deste vídeo passa feito maluco por cima da zebra. Após sair em 13° no grid, progride como um bólido, ultrapassa Niki Lauda da McLaren, mas a corrida é interrompida na 32ª volta pela direção de prova, e Alain Prost (também da McLaren) festeja, constrangido, a vitória que não teria sido dele se a corrida continuasse (no túnel, após a bandeirada, Senna comemora a vitória, que entretanto, oficialmente, foi de Prost).



Veja também sobre Ayrton Senna:

A melhor volta da história

Pensamento para domingo: Senna em Interlagos (1991)

sábado, 26 de março de 2011

"A melhor volta da história"

O texto abaixo, com o respectivo link, foi publicado como comentário no post Ayrton Senna - Interlagos, 1991. Mas acho que deve ser elevado da categoria de comentário para post propriamente dito.

Por Felipe Cabañas da Silva

Épico, de fato. Tem uma coleção de corridas épicas, como em Donington Park em 1993, em que Senna pulou de 4° a 1° na primeira volta debaixo de chuva, a volta que ficou conhecida como "a melhor volta da história" (a narração também é do Galvão Bueno, infelizmente).

 

Pois é. O Senna é um dos meus ídolos de infância. Domingos inesquecíveis assistindo corrida com meu pai. Quando ele morreu eu tinha 11 anos, e não me envergonho de ter chorado. O ufanismo bobal do Galvão Bueno não invalida o mito. Embora todo mito tenha seu lado perverso, que se relaciona ao processo de mitificação, e não ao sujeito mitificado, continuo achando que o Senna merece respeito.

E perto de um monstro genial capaz de acabar a corrida com cãibra no corpo todo, dizendo que "não sobrou nada", a Fórmula 1 de hoje é brincadeira de playstation. Também não perco meu tempo. Cada vez mais sem graça. Por mais que que o Bernie Ecclestone invente, por mais que todo ano se invente um monte de regras para tornar a corrida "mais emocionante", já virou protocolo. E nesse caso, por mais que o Piquet seja um babaca, ele está certo quando diz que o sujeito que senta na frente da televisão pra ver uma corrida de automóveis quer ver o circo pegar fogo (leia-se em sentido próprio e figurado), e não uma procissão de comadres guiadas por controle remoto trocando de posição nos boxes. Enfim, bem mais divertido ver uma pelada qualquer, mesmo que seja Ibis x Bangu.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Pensamento para domingo: Ayrton Senna - Interlagos, 1991

Na semana que está acabando, fez 20 anos da primeira vitória no Brasil, em Interlagos, e piloto teria completado 51 anos

Domingo começa a temporada de Fórmula 1 (na Austrália, às 3h da manhã - horário de Brasília) e cabe uma lembrança: a dos 20 anos da primeira, e antológica, vitória de Ayrton Senna no GP Brasil, em 24 de março de 1991, em Interlagos. Naquele ano, ele seria tricampeão do mundo.

O piloto terminou a prova sem a terceira, quarta e quinta marchas de sua McLaren-Honda, e cruzou a linha de chegada à frente da Williams-Renault de Ricardo Patrese num êxtase nervoso, gritando e chorando no cockpit.

Ayrton e Gustavo Kuerten, nosso Guga, foram os únicos esportistas que me faziam acordar regularmente aos domingos pela manhã, o que para mim sempre foi um sacrifício. Mas para ver Senna e Guga era um prazer. Depois que um morreu e o outro parou, eu acordo menos vezes cedo, aos domingos.

Este post surgiu da conjunção de dois fatores: a associação entre futebol e Fórmula 1, feita pelo Victor e depois pelo Felipe em comentário no post sobre Muricy no Santos, e a efeméride do 24 de março, que me foi informada por nossa solerte imprensa. Depois, uma pesquisa básica me informou que em 21 de março, a última segunda-feira, Senna faria 51 anos.

Não postei antes porque havia compromissos profissionais mais urgentes.

Em tempo, não pretendo perder a madrugada de domingo assistindo o GP da Austrália.

Abaixo a entrevista que Senna concedeu logo após a vitória épica de 1991 em Interlagos. Ele encerra a entrevista com uma frase emblemática de sua personalidade obcecada e alucinada pela vitória, movida como que por um nirvana antibudista feito de paixão e adrenalina: “O resultado só podia ser esse mesmo, acabar a corrida sem nada sobrando”. No outro vídeo, as 10 últimas voltas (sim, caro internauta, a narração é do Galvão Bueno: não tem outra).







Leia também sobre Ayrton Senna: A Melhor volta da história