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sábado, 25 de março de 2017

Fernando Henrique agora se lembra de falar em democracia. Tarde demais


CINISMO


Tânia Rêgo/Agência Brasil

Depois de um golpe de Estado que recolocou o Brasil no patamar de república de bananas, e que repercutiu em todo o mundo democrático como o que de fato é, um golpe de Estado; depois da operação de entrega, em andamento, de um dos maiores tesouros nacionais conhecidos, o pré-sal; depois da consolidação do “estado de exceção no interior da democracia, capitaneado pelo Judiciário” (Pedro Serrano); depois da enxurrada de medidas que castram e abolem conquistas civis que o país levou décadas para conquistar e direitos trabalhistas de sete décadas; depois de PEC do Fim do Mundo e outras barbaridades que seu partido ajudou a fazer, Fernando Henrique Cardoso, o Nobre, agora vem reclamar do “protagonismo” da Polícia Federal e do Ministério Público.

Não há mais limite para o cinismo neste pobre país.

Questionado sobre o envolvimento generalizado de políticos e presidenciáveis na “megadelação da Odebrecht” (termo do repórter), o ex-presidente declarou em entrevista ao Valor Econômico de ontem: “A tentativa de passar a esponja não vai dar certo, a sociedade não vai aceitar isso. Agora, você pode dizer: você errou e não vai ser candidato, você errou e vai pagar por isso, você fez um crime e vai para a cadeia. Não é a mesma coisa. Todos têm erros e não estou dizendo que já que é assim, que venha o caixa dois, não é isso. Temos que responder à seguinte questão: quanto custa a democracia e quem paga. Esta é uma questão mundial, não é brasileira não. Quanto custa a democracia e quem paga, isto tem que ser posto claramente”.

Sobre o Ministério Público e a Polícia Federal, o ex-presidente declarou ao Valor: “Você não pode deixar que qualquer instituição do Estado tenha um protagonismo além do limite”.

FHC agora acaba de se lembrar da democracia, logo ele, líder de um partido que votou unanimemente pelo golpe contra Dilma Rousseff, partido que infelizmente, para ele, é citado na megadelação, mas até agora não teve um só cacique transformado em réu pela Lava Jato, enquanto Lula é perseguido como uma espécie de Lampião da política.

Que bom teria sido se o ex-companheiro do grande Ulysses Guimarães tivesse se lembrado da democracia antes. Se mesmo com as discordâncias políticas e mesmo ideológicas houvesse levantado a voz contra a ameaça quando ela ainda era uma ameaça. Mas agora é tarde, Fernando Henrique. Você perdeu seu lugar na imortalidade, como diria Milan Kundera.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Espetáculo jurídico-midiático de denúncias sem prova ameaça direitos individuais


José Cruz/ABr
“Querem acabar com o regime de partilha da Petrobras"
Da entrevista coletiva do presidente do PT, Rui Falcão, ontem (11), em São Paulo, destaco a afirmação de que todos os cidadãos estão ameaçados pela violação de direitos individuais que acontece hoje no país a pretexto de se apurar denúncias de corrupção na Petrobras: "Amanhã ou depois qualquer um de nós pode ser alvo dessa arbitrariedade.”

Há incautos sedentos por punição, mas não há só incautos. Há gente de má fé também. Os vulgos golpistas, que defendem interesses inconfessáveis nas entrelinhas das manchetes dos jornais impressos e televisivos. 

Repórteres aparentemente bem intencionados não estão nem aí para o que seus editores fazem com suas apurações. As apurações viram manchetes. As manchetes alimentam juízes. Que alimentam manchetes. Que alimentam juízes.

Desde 2005, o espetáculo midiático de denúncias sem provas é exibido pela mídia, alimentado por atitudes espetaculosas e ilegais de juízes a serviço não se comenta de quem. 

“Não podemos admitir que, em nome do combate à corrupção, se viole o Estado democrático de direito e se condicione uma investigação para cima de um partido”, disse Rui Falcão. “(Querem) acabar com o regime de partilha. Pedro Malan (ex-ministro da Fazenda) já falou em fim de regime de partilha, Fernando Henrique insinuou isso, vários colunistas têm se manifestado, o presidente da Câmara dos Deputados (Eduardo Cunha). Querem voltar o regime de concessão, e em ultima instância lá na frente privatizar a empresa.”

Rui Falcão disse que o PT quer esclarecimentos da Polícia Federal e do Ministério Público sobre o processo de investigação e vazamentos de informações considerados seletivos na operação Lava Jato, conduzida também por delegados da PF que manifestaram no facebook preferências eleitorais em 2014, por Aécio Neves. Mas essas postagens, disse Falcão, foram apagadas por seus autores.

“O que eu vejo é uma divulgação de vazamentos, de vazamentos seletivos."

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Xico Graziano pede a quem "sonha com ordem militar" para deixar o PSDB



Oswaldo Corneti/ Fotos Públicas


Inúmeros analistas e blogueiros, desde sábado (1º. de novembro), comentaram essas manifestações de fascistas ou meros ignorantes pedindo ditadura militar, impeachment da presidente reeleita Dilma Rousseff e outras coisas absurdas.

Muitas páginas e textos foram dedicados a um ex-músico que se transformou numa triste caricatura decadente de si mesmo. Não sei por que dar tanta atenção, cartaz e audiência a uma figura insignificante como esse ex-rockeiro. É mais um indivíduo que vai passar à “imortalidade risível”, como diria Milan Kundera. E bota risível nisso.

Mas o fato realmente mais importante dos últimos dias foi o depoimento do Xico Graziano sobre as manifestações fascistóides que aconteceram em São Paulo contra Dilma. Segundo matéria da CartaCapital, Graziano, ex-deputado federal pelo PSDB-SP (1998-2006), chefe do gabinete do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995), ao qual é muito ligado até hoje, e que ocupou vários cargos em governos tucanos, comentou o seguinte sobre o pedido de “intervenção militar” no Brasil: “Achei absurda tal manifestação. Antidemocrática, não republicana. Ainda por cima, pedindo a volta dos militares, meu Deus, estou fora disso”, afirmou ele no Facebook, conta a revista dirigida por Mino Carta.

Graziano é um tucano de alta plumagem. Seu posicionamento é um fato político relevante no atual contexto. É pelo menos uma indicação de que uma parcela importante do PSDB ainda pretende fazer uma oposição democrática, republicana e não golpista ao governo Dilma.

É relevante porque pelo menos alguém com voz, dentro do PSDB, emite um sinal de que é preciso isolar essa trupe udenista ignorante e retrógrada que importuna o país.

Depois de dizer que a manifestação contra Dilma era "antidemocrática" e "absurda", Graziano foi "xingado" de "comunista" e ofendido com palavras de baixo calão, e publicou o seguinte texto no Facebook:

"Mexi num vespeiro da política ao postar aqui, ontem, opinião contrária ao impeachment da Dilma. Julguei a causa antidemocrática, não republicana. Não gostei daqueles discursos irados, revanchistas e reacionários. Tomei um troco bravo. Recebi centenas de comentários, críticos a maioria, de baixo nível muitos deles. Vou aprofundar a polêmica. Sigam meu raciocínio.
Existe no Brasil uma ideologia própria da direita que se encontra desamparada do sistema representativo, quer dizer, sem partido político. Sua força se mostra na rede da internet. Essa corrente luta para destruir o PT, acusando-o de querer implantar o comunismo por aqui. Defendem as liberdades individuais, combatem tenazmente a corrupção organizada no poder, desprezam totalmente as lutas sociais, mostrando-se intolerante com o direito das minorias. O Deputado Bolsonaro e o ensaísta Olavo de Carvalho são seus expoentes.
Tudo bem. Acontece que, no período das eleições presidenciais, essa tendência se articula no seio do PSDB, trazendo para nosso partido suas causas. É normal existirem as alianças eleitorais, e para tal existe o segundo turno. O problema surge quando os militantes da direita exigem que nós, os sociais democratas, encampemos sua ideologia, o que seria um absurdo.
A intolerância mostrada em minha página do facebook reflete essa incompreensão. Criticam minha coerência, decepcionam-se com os meus valores imaginando que eu deveria assumir os deles. Pior, alguns tolamente me acusam de ser “petista infiltrado”. Dá até um pouco de dó.
Ora, nós, do PSDB, nascemos inspirados na socialdemocracia europeia, com viés da esquerda. Nossa origem reside no MDB autêntico, que foi decisivo na derrubada da ditadura militar. Nós fomos decisivos na Constituinte de 1988. Fomos nós, com FHC à frente, que criamos as bases socioeconômicas do Brasil atual, inclusive as políticas de transferência de renda e as cotas.
Na complexidade do mundo contemporâneo anda difícil rotular os partidos, e as pessoas, como de “direita” ou de “esquerda”, categorias válidas no século passado, mas ultrapassadas hoje em dia. De qualquer forma, quem concordar com as teses dessa turma aguerrida que vê o comunismo chegando, é contra os benefícios sociais, sonha com a ordem militar, por favor, deixem o PSDB. Vocês é que estão no lugar errado, não eu!

PS do blog: Não é o caso aqui de falar dos clichês repetidos ad infinitum pelas hostes tucanas ("Fomos nós, com FHC à frente, que criamos as bases socioeconômicas do Brasil atual", por exemplo), mas apenas registrar o fato político em si.

sábado, 1 de novembro de 2014

Data venia, discordo de André Singer


Jornalista e intelectual importante por sua visão relevante da economia, da sociologia e da política, André Singer não foi porta-voz e secretário de Imprensa da Presidência no governo Lula por acaso. É autor de aguda análise do período iniciado com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, no livro Os Sentidos do Lulismo (Companhia das Letras). Sua trajetória passa por carreira jornalística sólida, de repórter a secretário de redação da Folha de S. Paulo. Mas (e por tudo isso) sua análise na Folha de hoje, com todo o respeito, me parece simplista. Leia neste link o artigo de André Singer, "Sinais trocados".

O mundo inteiro, da América do Norte à Europa (e até na China há reverberações não desprezíveis), passa por uma crise que diversos analistas consideram a maior do capitalismo desde 1929 (acredito que com exagero).

A crise que devastou a Europa e colocou em xeque a maior potência do planeta, os Estados Unidos, é real. Mesmo assim, o Brasil “milagrosamente” conseguiu no primeiro mandato de Dilma Rousseff manter o emprego e a política do salário mínimo, e sustentar o mercado interno.

Ao contrário de crises anteriores, do final dos anos 1990, sob Fernando Henrique, o Príncipe, a escolha de Dilma não foi promover o arrocho e o desemprego, uma das faces mais cruéis do neoliberalismo. Mas isso tem custo. A escolha do governo brasileiro de colocar o Estado (e seus agentes econômicos, como os bancos estatais) a serviço de políticas públicas, e também em investimentos em infraestrutura, ou seja, investimentos de longo prazo, tem preço. Como, por exemplo, “o rombo das contas públicas”, manchete da imprensa hoje.

O ano de 2015 não era previsto como fácil por economistas de todos os matizes, de neoliberais a “desenvolvimentistas”. Fosse quem fosse o vencedor da eleição, Marina, Dilma ou Aécio, o cenário seria, e será, difícil, como há muito se sabe. A conta a pagar seria e será alta, como teria sido em quaisquer circunstâncias. Por exemplo, no caso de, hipoteticamente, José Serra ter vencido as eleições de 2010. Só que as bombásticas manchetes de Folha, Estadão e congêneres deste sábado, 1º. de novembro, sobre o rombo das contas públicas, continuam a investir no pessimismo, como fizeram ao longo de 2013 e 2014.  O artigo de André Singer, data venia, reforça esse pessimismo.

O Estado brasileiro, de 2008 para cá, precisou desenvolver uma política econômica baseada num difícil equilíbrio para, ao mesmo tempo, não sucumbir à crise nem, por outro lado, ficar refém do mercado financeiro (leia-se: especuladores). A manutenção do emprego, na contramão da crise europeia que colocou contingentes enormes de desempregados nas ruas, foi conquistada com muitas dificuldades. Como disse acima, isso tem preço. Em período histórico recente, na era FHC, as contas públicas foram à bancarrota e a opção, perversa, foi jogar a fatura nas costas do trabalhador. O país chegou a mais de 11% de desempregados, segundo o IBGE.

Quando Lula venceu a eleição em 2002, setores “progressistas” ficaram indignados com a escolha do presidente metalúrgico para a presidência do Banco Central, Henrique Meirelles. Mas não custa lembrar que Meirelles “iniciou sua gestão de presidente do Banco Central em um momento de crise econômica com o câmbio do dólar em valores próximos a R$ 4,00, taxa de juros Selic de 25% ao ano, inflação prevista para acima de 11% em 2003”. As aspas são da Wikipedia, mas os dados são esses mesmos.

Esses índices, em 2014, são os seguintes: o dólar está em R$ 2,48, a Selic em 11,25% e a inflação prevista pelo mercado para 2014 é de 6,45%.

Meirelles presidiu o BC de 2003 a 2010. Nesse período e no posterior, sob Dilma, os resultados das políticas públicas estão aí para quem quiser conferir. O “conservadorismo” de Lula na política econômica e no Banco Central esteve a serviço de uma política de distribuição de renda, o que é inegável.

Dilma tem um desafio enorme. Serão necessários ajustes para reequilibrar as contas públicas. 

Haverá impacto nas tarifas. A gasolina, calcanhar de Aquiles do mercado de consumo brasileiro, apenas como um exemplo, vai aumentar. “Não aumentou antes por causa da eleição”, dirão. Ora, e qual governo de centro-esquerda aumentaria o preço em tais circunstâncias, no meio de um dos mais difíceis processos eleitorais da história brasileira? Para entregar a presidência da República ao PSDB de Aécio Neves e Armínio Fraga?

Francamente, amigos, vão dar uma voltinha na Ucrânia e depois voltem para contar.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Índice de Desenvolvimento Humano, Cantanhêde e a retórica tucana


Ontem, estava dando uma olhada nos jornalões quando me deparei com o texto “Bom, mas tem de melhorar”, da nossa Eliane Cantanhêde, sempre ela, na Folha. O tema é o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), cuja evolução, segundo Cantanhêde, “confirma que o Brasil, mesmo que aos trancos e barrancos, vai no bom caminho”. 

Continua a colunista: “foi sob o comando do sociólogo Fernando Henrique Cardoso e do grande líder de massas Luiz Inácio Lula da Silva que o país efetivamente deu seu grande salto”.

Comentando o fato de o IDH do Brasil ter melhorado 47,5% em 20 anos, a fã dos partidos de “massa cheirosa” nota que “o maior salto” desse avanço é no Norte/Nordeste, mas o Sul/Sudeste continua "na dianteira” e São Paulo, “locomotiva do Brasil” é a terra de onde “o carioca Fernando Henrique e o pernambucano Lula saíram para o Planalto e para mudar a cara do país”.

Realmente é notável que Cantanhêde coloque o metalúrgico de Garanhuns e o perfumado professor da Sorbonne lado a lado, como dois homens que mudaram “a cara” do Brasil.  

Mas a colunista, evidentemente, não poderia jamais admitir que o “salto” do Nordeste, “o maior” entre as regiões brasileiras, e que realmente começou a mudar a cara do país, foi incentivado pelo metalúrgico barbudo, e não pelo professor que disse um dia a seguinte pérola sobre seu então ex-ofício: "Se a pessoa não consegue produzir, coitado, vai ser professor” (em 27/11/2001), o que lembra bastante, conceitualmente, seu pedido para que esquecêssemos o que ele escreveu.

Cantanhêde prossegue dizendo que “caminhando ao lado dos dois regimes –um continuação do outro –, estávamos a população em geral, a academia, a indústria, o agronegócio e a imprensa independente cobrando, provocando, apontando erros e exigindo sempre mais. Assim se constrói um país melhor”.

Muito bem. Pelo menos tivemos a oportunidade de ler a colunista (que, repito sempre, ocupa hoje um lugar que na Folha já foi de Claudio Abramo) reconhecer que, afinal, Lula fez alguma coisa pelo Brasil. Já é um avanço.

Mas as plumagens tucanas, isso ela não pode negar. A ideia de que “um (Lula) é continuação do outro (FHC)”, como diz, é uma das mais genuinamente tucanas que se conhece. O sofisma é bastante repetido em épocas de eleições, e é também comumente ouvido em discursos tucanos no escritório do partido na avenida Indianópolis, em São Paulo, quando os caciques se reúnem e falam à massa cheirosa.

Incapazes de produzir alternativas à política iniciada por Lula – que não continuou, mas rompeu com a economia dos tempos de FHC, privatista, entreguista e perversa com o mercado interno –, os tucanos têm de recorrer ao sofisma de que Lula continuou seu antecessor. É um esforço retórico em busca de sobrevivência.

terça-feira, 26 de abril de 2011

A revoada tucana

A crise nas hostes tucanas depois da derrota de José Serra na eleição de 2010 continua. Os desdobramentos, depois do racha generalizado, apontam para uma reordenação das lideranças conservadoras, que estão divididas e tentam, desnorteadas, achar o espaço de oposição que não sabem onde está desde o segundo mandato de Lula.

Agora há pouco (20h23), a Folha.com publicou matéria com o seguinte título: “FHC admite possibilidade de fusão entre PSDB e DEM”. O ex-presidente, conhecido por sua admiração por Maquiavel, reconhece que "existem propostas nesse sentido”. Fernando Henrique Cardoso quer liderar um movimento para ocupar o espaço de uma oposição perdida e sem ação. A Folha, note-se, tem sido diligente em divulgar sua conversão definitiva ao ideário de direita. Na semana retrasada, via web, divulgou também em primeira mão as recomendações do ex-presidente para que os empenhados na cruzada de uma nova oposição (a direita que saiu do armário) se aproximem da classe média e esqueçam o “povão”, fatia perdida do eleitorado.

Após Kassab (uma sombra de Serra) criar o partido sem rosto, outras notícias surgiram, incluindo as mais recentes: sete vereadores tucanos de São Paulo anunciaram na semana passada sua debandada do ninho. Depois, Walter Feldman, secretário municipal de Esporte e Lazer (São Paulo) e fundador do PSDB, deixou o partido atacando o grupo do governador Alckmin (“O PSDB hoje é incapaz de se constituir como partido de oposição, de se renovar e de compreender a derrota eleitoral”, vociferou Feldman). Já Alckmin parece obcecado em vingar-se do nunca engolido apoio de Serra a Kassab.

Os vereadores paulistanos parecem ter sido seduzidos pelo PSD de Kassab; Feldman disse que a saída é “seguir FHC em sua posição intelectual”.

Uma confusão dos diabos.

Só espero que uma provável (se o Príncipe falou, tá falado) fusão PSDB-DEM não resulte numa sigla PSDBEM. Seria demais, seria ridículo.

E fica a pergunta: para onde vai Aécio Neves nessa revoada, para fugir do estereótipo de novo Collor que já começa a colar nele, o neto de Tancredo?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O crescimento da Petrobras, que não virou Petrobrax

Plataforma para o Campo de Roncador/Divulgação
Duas notícias sobre a Petrobras fazem pensar que tragédia teria sido a privatização dessa gigante estatal brasileira de capital aberto. Como sabemos, Fernando Henrique Cardoso queria a qualquer custo entregar a companhia, que já tinha até nome para depois de privatizada: Petrobrax.

A primeira notícia li na Folha Online. A matéria informa que, segundo a consultoria Economática, "a Petrobras registrou o segundo maior lucro líquido entre as 25 maiores empresas de capital aberto do continente americano (sem considerar as companhias canadenses)", com um resultado de US$ 4,107 bilhões no terceiro trimestre.

Agora, vejam bem o prejuízo do país se a estatal tivesse sido totalmente privatizada, como queria Fernando Henrique Cardoso. Ainda segundo a matéria citada, no final de 2002 a Petrobras valia US$ 15,4 bilhões no mercado, e ficava na 121ª colocação do ranking entre empresas dos Estados Unidos e América Latina.

De acordo com o novo levantamento, do último dia 9, a Petrobras já é a terceira maior do continente americano, por valor de mercado: US$ 207,9 bilhões. De 2003 a 2009, ou seja, durante os dois governo de Lula, a companhia saltou só 118 posições e cresceu US$ 192,5 bilhões.

A matéria da Folha mostra crescimento parecido da Vale (US$ 11 bilhões para US$ 141,9 bilhões). Só que a Vale FHC conseguiu entregar. Por falar em FHC, no dia 15, domingo, o jornal El País (Espanha) publicou uma entrevista com o ex-presidente tucano. O título: "A economia já está globalizada, agora é preciso globalizar a política", diz Fernando Henrique Cardoso. Gostaram? Vamos não apenas globalizar a política, mas antes, claro, para que tudo caminhe bem, temos que privatizá-la. Pela privatização da política já!

Na entrevista ao El País, ao discorrer sobre o modelo de governo "social-democrata à americana" como "o do Chile, Uruguai, Brasil", FHC diz: "que diferença há entre meu governo e o de Lula no modelo econômico? Muito pouca: é basicamente social-democrata, quer dizer, respeito ao mercado, sabendo que o mercado não é tudo". Que simplicidade, que clareza de raciocínio do príncipe! Só não entendi uma coisa. Não foi ele, o príncipe, que disse em recente artigo que o Brasil caminha perigosamente para um "autoritarismo popular"? Então como podem ser ambos os governos, de FHC e Lula, tão parecidos assim?

Mas, voltando à Petrobras, a segunda notícia é que ela chegou ao sexto lugar no ranking das "250 Principais Empresas de Energia Globais", segundo a Platts, especializada em informações sobre energia e commodities. A companhia subiu seis posições em relação ao ano passado, "ultrapassando empresas de países emergentes como Rússia e China", de acordo com a própria empresa em seu site.

Por essas e outras é que os governos FHC e Lula são tão parecidos. Enquanto o primeiro entregou a Vale ao capital internacional, no segundo o país tornou-se ou está em vias de se tornar autossuficiente em petróleo.