Foto: Wilson Dias/ABr
Sobre o novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B), há prós e contras. Ele perdeu o respeito que tinha de amplos setores da esquerda pelo relatório que fez para o Novo Código Florestal. Para o sociólogo Marcelo Calazans, por exemplo, em
entrevista recente à
Rede Brasil Atual, os interessados em “desconstruir o Código Florestal” (e portanto aprovar o novo) “são as grandes empresas do agronegócio e os ruralistas ligados a elas. Soja, cana, gado e eucalipto”.
Eu entrevistei Aldo Rebelo para o jornal
Visão Oeste no ano passado sobre o novo Código Florestal. Ele é bastante esquivo. Leia
aqui.
Do ponto de vista do Esporte, Copa do Mundo, relações com a FIFA e CBF, a nomeação de Aldo pode ser positiva, se ele não estiver convertido como no caso do meio ambiente, já que, tendo presidido a CPI da CBF/Nike entre 2000 e 2001, contrariou interesses do imperador Ricardo Teixeira.
Conhecido como nacionalista, se o novo ministro se mantiver distante dos interesses da FIFA, da CBF, de Teixeira; se não capitular às investidas contra leis brasileiras para facilitar os lucros da FIFA na Copa do Mundo; se de alguma maneira estiver ao lado dos que querem ver o fim do império de Teixeira, merecerá aplausos. Mas nem por isso se deve esquecer o mal que seu projeto do novo Código florestal (em tramitação no Senado) pode fazer ao Brasil, se for aprovado.
Queda sem provas
Apesar, como já disse, de não por a mão no fogo, concordo totalmente com blogueiros e analistas para os quais a queda de Orlando Silva é inaceitável tal como ocorreu, “após mais de uma semana de acusações de desvio de verba em sua pasta”, segundo o
Uol/Folha de S. Paulo. Ora, acusações, sem prova, de uma revista de direita, sem escrúpulos, com seu jornalismo marrom, agora vão pautar quem sai ou quem fica no governo Dilma? A presunção de inocência se transformou definitivamente em letra morta?
Foi por isso que, quando Antonio Palocci caiu da Casa Civil, embora Palocci esteja longe de ser um santo,
eu disse que sua queda era para “satisfazer a grande mídia".
Virou moda a presidente Dilma entregar a cabeça dos que a mídia quer derrubar numa bandeja. Aguardemos qual será o próximo acusado (sem provas) que ela vai demitir como querem os chefes do Quarto Poder.
Uma verdade é indefensável. O Estado (entidade imensa de incontáveis trentáculos) é em si corrupto, seja no Brasil, na França, nos EUA, na Líbia, no Casaquistão. Um governo que prima pela cidadania e pelos interesses desse mesmo Estado deve combater a corrupção implacavelmente, afastar os bandidos, os corruptos e os incompetentes. O fato de haver corupção em qualquer ministério não é prova de que o ministro é corrupto. Se for, que pague. É simples.
Se algum dia a mídia tiver interesse em abrir a caixa de Pandora das privatizações do governo FHC – principalmente da Vale – o fedor tomaria conta do país inteiro. Mas nunca houve interesse em ir fundo nesses assuntos.