Mostrando postagens com marcador Paulo Henrique Ganso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Paulo Henrique Ganso. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de setembro de 2012

Que Ganso saia do Santos e seja feliz em outro lugar (diretoria do clube tem que sair da inércia)


Em 24 de dezembro de 2011, portanto há oito meses, escrevi um post dizendo: “Está mais do que na hora do Santos negociar Paulo Henrique Ganso (...) de modo que seja bom para todos os lados”. De lá para cá, tudo o que aconteceu corroborou essa posição. O jogador não conseguiu em todo esse tempo superar as divergências com o clube, não chegou a acordo, rejeitou ofertas da diretoria, continuou longe do futebol apresentado em 2010, se contundiu, desfalcou o clube e fracassou nos Jogos Olímpicos, sequer sendo escalado.

Ivan Storti -  Divulgação/ Santos FC
Os refluxos de sua insatisfação continuam a despontar, quase sempre em momentos de jogos importantes do time.

O presidente do clube, Luis Álvaro Ribeiro, está certo em defender os direitos do Santos. E se o São Paulo não faz uma oferta digna do que vale o jogador e fica com esse seu costumeiro jogo de mídia, típico do clube do Jardim Leonor, então que não se negocie o atleta com o rival.

Mas a situação é insustentável e já começou a interferir no próprio desempenho do time em campo. Se um dos mais badalados atletas de uma equipe é xingado de mercenário como foi na derrota para o Bahia esta semana (3 a 1 na Vila), é óbvio que o clima prejudica o time. A torcida nem tem razão nem deixa de ter razão. Simplesmente torcedor é assim. Por sua postura, a torcida entende que o atleta não é digno de vestir o manto sagrado, a camisa 10 que já pertenceu a Pelé. Ponto.

Parece-me, portanto, que se por um lado Laor deve defender o lado do clube, por outro está mais do que na hora de ele, com sua diretoria e seu conselho, ter competência e colocar fim nessa desagradável novela. Porque o que começa a parecer é que ele está se deixando levar pela inércia ou mesmo por um sentimento de desforra e rancor típico de cartolas das antigas. Ou então não consegue resolver o imbróglio. Ingrato o rapaz de fato é. E não é bem assessorado. Já perdeu muito dinheiro, inclusive.

É uma pena, pois é um grande jogador e vai fazer falta como cérebro no meio campo, talento raro que é. E até por isso não é possível que não haja solução para a novela. A verdade é que Ganso, ao contrário de Neymar, não é santista. Não que torcer para um clube seja condição para se jogar nele, claro, menos ainda nos dias de hoje. Mas que Ganso saia e seja feliz em outro lugar.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Paulistão chega às quartas-de-final. Dos grandes, só o Palmeiras não é favorito. E a Lusa já era

Atualizado às 15h30 - 17/04/2012

Depois de 19 rodadas, a pré-temporada chamada Campeonato Paulista de futebol chega às quartas-de-final com oito classificados e os seguintes confrontos no próximo fim de semana:

Sábado
São Paulo (2°) x Bragantino (7°) - 18h30

Domingo
Corinthians (1° lugar) x Ponte Preta (8°) - 16 horas
Santos (3°) x Mogi Mirim (6°) - 16 horas
Guarani (4°) x Palmeiras (5°) - 18h30

Corinthians, São Paulo e Santos são francamente favoritos, mas a Macaca, o Braga e o Mogi podem surpreender. Isso por causa do regulamento sem-vergonha da competição: 19 rodadas que no final das contas valeram quase nada. Nas quartas, em um jogo só, os quatro mandantes só têm a vantagem de jogar em casa. Em caso de empate, a decisão vai para os pênaltis.

Na última rodada da fase de classificação, o líder Timão bateu a mesma Ponte Preta que pagará nas quartas por 2 a 1 em Campinas; o Tricolor perdeu do Linense de 2 a 1 em Lins; e o Santos meteu 5 a 0 na Catanduvense (rebaixada) na Vila Belmiro.

Dos muitos gols da rodada, reproduzo abaixo apenas o mais importante. O gol de Paulo Henrique Ganso, o primeiro dos cinco que o Peixe enfiou no time de Catanduva. Porque é um gol-símbolo: o gol do centenário, o primeiro após 100 anos de existência. Um golaço, como de propósito a incorporar a magia e o espírito do agora centenário Santos Futebol Clube.



O confronto Guarani x Palmeiras pelas quartas-de-final é o que não tem favorito, teoricamente. Mas as agruras eternas por que passa o Alviverde da capital não o credenciam a bater o Bugre em Campinas. Onde, aliás, no último 8 de abril, o time de Luiz Felipe Scolari perdeu do mesmo Guarani por 3 a 1 inapelavelmente. Scolari que foi hoje xingado de “burro” por parte da torcida palmeirense presente ao Pacaembu, onde o Verdão não passou de um sofrido 2 a 2 contra o já rebaixado e lanterna do campeonato Comercial. Detalhe: o Palmeiras teve 11 jogadores contra nove durante quase todo o segundo tempo. Outro detalhe: torci para o tradicional Comercial cair, pela violência com que esse timinho enfrentou o Santos na quarta-feira de cinzas.


E a Lusa…

A Portuguesa de Desportos mais uma vez mostra que sua tendência é se apequenar mais e mais, apesar de ter subido para a série A do Brasileiro. Cair para a segunda divisão do fraquíssimo Paulistão é demais. O time do Canindé vive uma decadência parece que inexorável. Precisava de um mero pontinho contra o Mirassol fora de casa, mas, como tomou 4 a 2 no lombo, acabou ficando atrás de XV de Piracicaba e Botafogo de Ribeirão Preto, caindo para a segundona do estadual.

A Lusa parece não ter chance de se manter na elite do Brasileirão em 2012.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O Espírito do Santos (parte 1)



CENTENÁRIO



Fotos: Ricardo Saibun (Neymar) e Reprodução
As quatro geraçôes: Juary, Pelé, Neymar e Robinho


Introdução e o time de Neymar

Neste sábado, 14 de abril, o Santos Futebol Clube completa 100 anos. Para marcar a data, escrevi um ensaio que publicarei aqui em quatro partes, a partir desta sexta-feira e nas próximas três quintas, dias 19 e 26 de abril e 3 de maio de 2012.

Um amigo aconselhou-me a registrar este trabalho, a partir de seu título (O Espírito do Santos), na Fundação Biblioteca Nacional. Estou seguindo esse conselho, já que no futuro talvez venha a publicá-lo em livro, possivelmente com um desenvolvimento maior.

Este ensaio não se propõe a falar da história do Santos F. C de um ponto de vista estatístico/historiográfico, tarefa importante mas pouco literária e não tão apaixonante. E, de resto, números e estatística não faltam - o que uma simples busca no Google demonstra.

A ideia é fazer um recorte. Algo que seja também simbólico e significativo, eu diria espiritual, na história do clube fundado em 14 de abril de 1912, segundo seu site na internet, “por iniciativa de três esportistas da Cidade (Francisco Raymundo Marques, Mário Ferraz de Campos e Argemiro de Souza Júnior).

Uso a palavra espírito deliberadamente, para caracterizar uma espécie de “reencarnação” desse futebol que se confunde com a arte, do futebol moleque, do futebol ousadia – termo este consagrado por Neymar.

Espírito que se manifestou essencialmente em quatro gerações santistas:

A dos anos 1960, de Pelé, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, mas que começou a se configurar em meados de 1950, exatamente em 1956, quando o menino Pelé chegou à Vila levado por Waldemar de Brito.

Que se manifestou em 1978, naquela esquadra conhecida pela mortal linha de frente com Nilton Batata, Juary e João Paulo, um time que também tinha no meio de campo feras como Ailton Lira, Clodoaldo e Pita, mas que me marcou menos porque foi um time muito efêmero, embora à época, adolescente, eu não perdesse os clássicos no Morumbi (onde o São Paulo era freguês) que disputavam os então chamados “meninos da Vila”.

Em 2002, com o time que levantou os Brasileiros de 2002, tirando o Alvinegro de uma fila de 18 anos sem um “título importante”, e 2004, e teve nos meninos Robinho e Diego os porta-estandartes a carregar a bandeira do espírito do Santos, embora Diego não tenha permanecido até o fim da temporada de 2004.

E que se manifesta agora, na geração de Neymar e Ganso, cuja história ainda está sendo contada.

As quatro gerações que representam o Espírito do Santos em toda sua história têm em comum um outro dado relevante: todas foram frutos de apostas na base, a alma do clube. Os símbolos negros dessas quatro gerações que construíram a lenda dos meninos da Vila são Pelé, Juary, Robinho e Neymar. Claro que os gigantes das conquistas foram muitos: Gilmar, Mauro Ramos de Oliveira, Ramos Delgado, Zito, Pepe, Clodoaldo, Edu, Cejas, Ailton Lira, Rodolfo Rodriguez, Elano, Fábio Costa, Renato e incontáveis outros. Citar nomes no caso do Santos é ser injusto, porque em qualquer lista sempre haverá muitos esquecidos. No caso do time de 1978, aliás, Juary nem era o principal jogador do time, cujos maiores craques estavam no meio de campo: Clodoaldo, Ailton Lira e Pita.


A geração do Rey

Foto: Ricardo Saibun/Santos FC


Se a geração de Pelé foi a mais importante, pois introduziu o clube definitivamente no rol dos grandes do país e do mundo, a de Neymar já alcança também níveis elevados. Existem curiosas coincidências na história do Santos. Por exemplo: lá, jogou o Rei. E depois de 48 anos, com os santistas já cansados da ladainha dos adversários (“ o Santos ganhou a Libertadores quando era com bola de capotão”, ouvi certa vez), eis que surge outro menino, Rey, que rima com mar e com futebol arte (como observou o santista Gabriel Megracko em comentários neste blog que não sei em que posts estão), que os invejosos, os colonizados e os intere$$ados (como um certo “Fenômeno”) querem ver na Europa. E eis que o time finalmente ganha a Libertadores, entrando na galeria aonde tantos queriam ter chegado e não chegaram, alcançando o tricampeonato, após os longínquos títulos de 1962 e 1963. Por isso a geração de Neymar (mas essencialmente ele) é grande: desfez um mito, um tabu: o de que a Libertadores não seria mais possível, para o Santos, depois de Pelé e da bola de capotão.

E por isso esta série (que não será publicada em ordem cronológica, mas segundo a importância que cada um dos quatro times teve para mim) começa com a geração bicampeã paulista (2010 e 2011), campeã da Copa do Brasil (2010) e da Libertadores (2011). Esse time vitorioso teve variações no elenco de 2010 para 2011. As saídas importantes foram a de André e Robinho do elenco de 2010 (quando o Santos era mais ofensivo, jogando a maioria das partidas com três atacantes) – Robinho que, voltando da Europa, foi, como é Léo, um remanescente da geração anterior. Nem Zé Eduardo nem, depois, Borges são tão bons na companhia de Neymar quanto foi André, das divisões de base. O ótimo Wesley também deixou o time mas foi substituído por Elano, que jogou bem no primeiro semestre de 2011, mas mal no segundo. No gol, ganho de qualidade, com a saída de Felipe para Rafael assumir o posto (o atual titular é um bom goleiro, mas muito longe das lendas Cejas – anos 1970 – e Rodolfo Rodriguez – anos 1980). Na lateral direita, com Danilo no lugar de Pará, houve melhora, mas Danilo foi vendido e o time ficou mais frágil na posição, com Fucile.

Reverência: da geração anterior, Robinho "engraxa" a
chuteira de Neymar – Foto: Ricardo Saibun/Santos FC
Essas foram as mudanças básicas do time campeão em 2010 com Dorival Júnior, que era avassalador no ataque (foi campeão estadual com 72 gols a favor e 31 contra) mas extremamente vulnerável na defesa, para a triunfante equipe de Muricy Ramalho, que não joga tão bonito mas é mais equilibrada. Um jogador dessa geração que não pode faltar aqui é o muito criticado Pará, hoje no Grêmio. Limitado, sim, mas com o qual boa parte dos santistas são ingratos, pois ele esteve em campo em todos os quatro títulos conquistados no período, sempre com seu aguerrimento e pronto para atuar nas duas laterais ou como volante.

Os jogos mais marcantes dessa geração, para mim, foram dois: a derrota de 3 a 2 para o Santo André em 2 de maio de 2010, quando, comandado por Paulo Henrique Ganso e reduzido a oito jogadores em campo contra dez do Ramalhão, o Peixe conquistou seu 18° título paulista. Esse vi pela TV. O outro – em que, com Carmem, Gabriel e Gisely, eu estava no Pacaembu – foi Santos 2 x 1 Peñarol, quando o Alvinegro levantou o tricampeonato da Libertadores, no inesquecível 22 de junho de 2011. Foram duas alegrias inigualáveis. Na final do Paulistão, com o coração quase saindo pela boca, abandonei o pessoal na sala no finalzinho e não vi a bola que o time do ABC mandou na trave nos estertores do espetáculo; na da Libertadores, a emoção de ser tricampeão da América parecia um sonho com o lindo mar branco tomando o Pacaembu.

Ganso e a final contra o Santo André

Perguntado por um repórter na semana do centenário qual foi o jogo mais marcante em sua carreira, Paulo Henrique Ganso respondeu de bate-pronto: a final do Paulista contra o Santo André em 2010. Não à toa. Além da partida magistral, ele protagonizou duas cenas inéditas e espetaculares: 1) já com oito em campo, o time era pressionado pelo Santo André, que se fizesse o quarto gol seria campeão. O camisa 10 bate um escanteio apenas encostando na bola, sai dela e fica esperando os adversários entenderem que ele estava apenas ganhando tempo e 2) no fim do jogo, o treinador resolveu tirar Ganso de campo para fechar o time (como se isso fosse possível com oito jogadores) e o meia se recusou a sair. Ele sabia que, segurando a bola, faria o tempo passar e o título viria. E assim foi.

O time campeão paulista de 2010: Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Rodrigo Mancha, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique; Neymar (Roberto Brum) e Robinho (André) (Bruno Aguiar).

Capitão Edu Dracena levanta Libertadores
Foto: Ricardo Saibun
Em 22 de junho de 2011, com gols de Neymar e Danilo, o Santos bate o Peñarol do Uruguai e conquista finalmente o cobiçado título continental pela terceira vez. O time jogou com Rafael; Danilo, Edu Dracena, Durval e Léo (Alex Sandro); Adriano, Arouca, Elano e Paulo Henrique Ganso (Pará); Neymar e Zé Eduardo. Relembre aqui: Glorioso alvinegro praiano de Ganso e Neymar é tricampeão da Libertadores

A geração de Ganso e Neymar deve muito ao presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro, o popular Laor, que ao assumir em 2010 prometeu em uma entrevista que, a partir dali, só jogariam no Santos os que suassem a camisa, demonstrassem amor pela camisa ou pelo menos fossem dignos do grande Santos (no ano anterior, com Vanderlei Luxemburgo, o Peixe era um time sem alma). Com uma gestão profissional, o mandatário manteve o astro Neymar, resistindo ao assédio dos poderosos Chelsea, Real Madrid e Barcelona. Algo inédito no futebol brasileiro até então.

Leia também:

O Espírito do Santos - parte 2: A geração de Robinho e Diego

O Espirito do santos - parte 3: Os Meninos da Vila

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Meia dúzia a um


Santos 6 x 1 Ponte Preta. Neymar (2), Edu Dracena (2), Paulo Henrique Ganso e Ferron (contra) marcaram para o Peixe, e Uendel descontou para a Macaca na espetacular goleada na Arena Barueri pela décima rodada do Paulistão 2012, neste sábado.



Ressalto:

1 - a dupla Ganso e Neymar está cada vez mais parecida à que encantou o país no primeiro semestre de 2010, com partidas memoráveis que a de hoje fez lembrar. Nem Muricy Ramalho com seu pragmatismo está sendo capaz de evitar o show. Neymar brilhou e estraçalhou, sem nunca fugir da porrada, mas, como isso já é rotina, a melhor notícia de hoje foi a grande partida de Ganso, nos dois tempos. O camisa 10 evolui a cada jogo e está cada vez mais consistente. Notem, no sexto gol do Peixe, a jogada de gênio dele ao passar para Neymar.

2 – Arouca jogou uma bar-ba-ri-da-de. Achei bacana Elano ter sido intensamente aplaudido ao entrar em campo aos 15 do segundo tempo e mesmo depois, enquanto o jogo transcorria. O Ibson, nos quase 60 minutos em que atuou, perdeu um gol, errou vários passes e pouco apareceu. Mais um pouco e a insistência do treinador em manter Elano no banco do ex-flamenguista vai começar a parecer provocação.

3 – Que fase vive o 9 Borges. Num jogo em que seu time fez seis gols, o centroavante não estufou as redes.

4 - A Ponte Preta não é um timinho, pelo contrário. E por isso a vitória por meia dúzia a um tem um valor especial. Certo que a Macaca terminou o jogo com 8 jogadores, mas esse seria o normal se as arbitragens coibissem a violência sempre (parece até que a grita do presidente Luis Alvaro, que ligou até para o coronel Marinho, o chefe da arbitragem, depois da absurda violência do Comercial, teve algum efeito). Os jogadores da Ponte foram expulsos corretamente, dois tomaram o segundo amarelo com por faltas em Neymar e uma por infração em Juan (nesta o juiz foi mais rigoroso, pois o ponte-pretano ainda não tinha amarelo).

Pena que na partida contra o Guarani (que faz ótima campanha) em Campinas, quarta-feira, não terá a presença de Neymar e Ganso, que jogarão na terça pela seleção brasileira, digo, balcão de negócios, contra a poderosa Bósnia.

Ah, já ia esquecendo. O Corinthians de Tite venceu o Botafogo de Ribeirão Preto no Pacaembu pelo elástico placar de 1 a 0. Infelizmente, a Fiel não pôde comemorar desta vez mais uma sonora goleada como nos 2 a 0 contra a Portuguesa...

sábado, 24 de dezembro de 2011

Está mais do que na hora do Santos negociar Paulo Henrique Ganso


O presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro, finalmente falou grosso sobre a postura do jogador Paulo Henrique Ganso e do grupo DIS, que comanda a cabecinha do atleta. Lembremos: na última quarta-feira, Ganso notificou oficialmente o Santos, informando que o clube tem um prazo de 10 dias para se manifestar sobre se vai ou não cobrir a oferta do grupo de investidores de comprar os 10% dos direitos econômicos pertencentes ao próprio atleta (o Santos tem 45% e o DIS outros 45%).
Foto: Ricardo Saibun/SFC
Luis Álvaro interrompeu o repórter da rádio Estadão ESPN quando este falou que Ganso “abraça a idéia” do grupo DIS. “Se abraça a ideia então morram juntos e abraçados”, disparou o mandatário santista. Mais à frente: “Aparece uma informação plantada na cabeça dele [Ganso] por essa gente que tem um procurador de péssima qualidade ética e ficam botando palavras na boca dele. A obrigação é que o Santos tem que ser notificado e vai decidir, ou não, no meu tempo e na minha hora".

Lembremos ainda: de novo, o jogador resolveu criar um atrito com o clube, publicamente, por questões financeiras, desta vez na semana em que o time estrearia no Mundial do Japão. O presidente Luis Álvaro diz: "Mais uma vez, às vésperas de uma partida importante, colocaram o coitado do Ganso na roda".

No post sobre a os 4 a 0 que o Peixe tomou do Barcelona, o Felipe Cabañas comentou: “todo mundo fica dizendo que o Ganso tem mais cabeça que o Neymar, mas o Neymar tem se mostrado muito mais centrado que o Ganso”. É verdade. Acrescento que foi notória a apatia do meia na partida, assim como a indiferença após o prélio.

E, de resto, só faço uma ressalva ao que diz Luis Álvaro. Ganso não é “coitado” coisa nenhuma. Está na hora de o clube resolver, de modo que seja bom para todos os lados, desfazer-se desse atleta. Mas o camisa 10 vai ter que baixar a bola para se transferir. Ou então jogar mais bola, pois hoje não tem mercado senão, e olha lá, em times pequenos da Europa. E nos concorrentes brasileiros. Só. Quem dá mais?

PS: eu havia dito que este blog não falaria mais de futebol em 2011 porque “o futebol brasileiro está de férias”, mas tive que abrir esta exceção.

domingo, 17 de julho de 2011

Adiós


Paraguai elimina Brasil de Mano Menezes da Copa América. 120 minutos de bola rolando mais quatro pênaltis... E nada da bola entrar





Agora eu pergunto: para a torcida e o time do Santos, está mal que Elano, Neymar e Paulo Henrique estejam de volta já nesta semana, esperando obviamente que os dois últimos continuem na Vila? Não, não está.

Para a o São Paulo, o retorno de Lucas não vai fazer diferença? Vai.

E assim, com a queda do Brasil ante o Paraguai nos pênaltis, o Brasileirão 2011 vai começar a pegar. Quanto à seleção, foi algo incrível que em 90 minutos de bola rolando, 0 a 0, mais uma série de pênaltis (2 a 0 contra), o time não tenha feito a bola entrar no gol uma única e miserável vez! Sinceramente, não tenho dados agora, mas isso deve ser inédito em se tratando da “amarelinha”.

“O Mano continua como técnico da seleção”, já anunciou o cartola-mor, Ricardo Teixeira. Não tenho simpatia pelo futebol e pelo tipo do Mano Menezes, não entendo certas insistências estranhas como André Santos na lateral esquerda. Neymar não foi brilhante, mas se movimentou, procurou jogo, apanhou, perdeu gols, infernizou os paraguaios.

Para colocar Fred, deveria ter tirado Pato, que foi muito mal, e não Neymar, como fez o treinador aos 34 do segundo tempo. Fred nada acrescentou. Depois, já na prorrogação, Menezes ainda tirou Ganso para colocar Lucas, que deveria entrar, sim, mas no lugar do inoperante Alexandre Pato mesmo. Sem Ganso, o time perdeu a criatividade no meio campo. Ficou um time bruto. E, depois de muito hesitar, o técnico finalmente mandou Elano a campo, no lugar do namorado da Barbara Berlusconi.

Robinho jogou muito, foi o melhor do time brasileiro. Ramires até que foi bem, mas o time não ficaria melhor com Elano ou mesmo Hernanes, que nem foi convocado? E Maicon pela direita? É tão voluntarioso quanto grosso. Não é ele nem Daniel Alves o cara da posição para 2014. O ciclo de Fred, se é que houve, acabou. O de Lúcio está no fim.

A filosofia da marcação

Goleiro paraguaio Justo Villar comemora
 A impressão é que a filosofia de Mano Menezes, marcar a qualquer custo, marcar, marcar e marcar, acaba sendo contraproducente diante de times que não têm muito o que marcar, como o Paraguai. Ao fim e ao cabo, a bola não entrou. Agora, não se pode responsabilizar o gramado por quatro pênaltis perdidos, como fez o treinador na entrevista coletiva após o fiasco.

Com todo esse monte de ressalvas, porém, seja dado um desconto a Mano Menezes pela desclassificação, em nome do imponderável no futebol, que fez com que algumas bolas não entrassem porque “deus não quis”, como se diz. Bolas de Pato, de Neymar, de Lúcio, de André Santos, de Ganso que mandou na trave, só pra mencionar algumas. Dado o desconto, é finita a competição para nosotros.

Finda para brasilenõs e argentinos, a Copa América de 2011 tem agora um favorito: o Uruguai.

PS: Se você quer saber algumas piadas sobre a desclassificação brasileira, é só ir aos comentários deste post.

*Atualizado à 00:33 (19/07)

domingo, 1 de maio de 2011

Santos despacha o São Paulo no Morumbi, mais uma vez


Ganso vence Casemiro e o São Paulo/ Divulgação
 A vitória do Santos de Muricy contra o São Paulo de Carpegiani por 2 a 0, no Morumbi, com bom público de 45 mil pessoas, foi construída no segundo tempo. No primeiro, o São Paulo dominou as ações e poderia ter aberto o placar. Mas, antes de tudo, nem decorridos 5 minutos, Neymar invadiu a área pela esquerda e chutou para Rogério Ceni fazer no reflexo uma grande defesa, e a bola ainda bater na trave. Não fosse a intervenção de Ceni, a vitória santista teria começado a se desenhar já ali. Esse foi um bom augúrio para a torcida alvinegra, que veria o Peixe despachar o Tricolor mais uma vez em mata-mata em pleno Morumbi.

Por falar em goleiro, Rafael trabalhou bem na primeira etapa, por exemplo num chute de Dagoberto da entrada da área e de Ilsinho quase a queima roupa, em lances seguidos. E saiu bem em bolas aéreas.

O domínio são-paulino no primeiro tempo foi anulado no segundo. Muricy Ramalho surpreendeu ao substituir um atacante, Zé Eduardo, pelo zagueiro Bruno Aguiar, o que deixou boa parte dos santistas com a pulga atrás da orelha. Mas a alteração mudou o jogo e rapidamente convenceu a torcida alvinegra: Elano e os laterais santistas, Jonathan e Léo, além de Paulo Henrique Ganso, tiveram mais liberdade. E a alteração equilibrou as coisas numericamente até, pois Zé Eduardo era uma nulidade, não estava em lugar nenhum do campo. Tudo bem, técnico não ganha jogo, dizem. Mas a mão de Muricy foi determinante na eliminação do Tricolor do Paulista pelo Santos neste sábado.

E vamos falar de gols. No primeiro, aos 16 minutos do segundo tempo, Neymar invadiu pela esquerda e tocou para Ganso. Alex Silva perdeu a dividida logo para Paulo Henrique, dentro da área. O camisa 10 só dominou e cruzou na cabeça de Elano, que cumprimentou no contrapé de Ceni.

O segundo gol foi de feitura “magistral” (para usar um termo que ouvi do Leonardo Bertozzi, da ESPN). Ganso deu um passe em profundidade para Neymar lutar contra a defesa tricolor dentro da área. O pequeno grande craque, marcado por Xandão, parou, estudou o lance, olhou e achou o próprio Ganso entrando desmarcado, deu-lhe a bola como se desse uma tacada de sinuca e o camisa 10 não perdoou. 2 a 0.



Agora o Santos espera o combate Palmeiras x Corinthians de camarote, enquanto voa para o México onde terça-feira joga com o América por um empate ou mesmo uma derrota por um gol de diferença, desde que marque pelo menos um tento, para ir às quartas da Libertadores.

No jogo de ida, na Vila, o Peixe bateu o América por 1 a 0. Leia aqui.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ganso no Corinthians não interessa a ninguém, só às aves de rapina


Foto: Ricardo Saibun/SFC
Uma possível (para mim, hoje, improvável) ida do meia Paulo Henrique Ganso para o Corinthians não seria a primeira vez que um jogador muda de agremiação e ruma para um grande rival. Outro craque e também meia esquerda, Pita, trocou o Santos pelo São Paulo nos anos 80. Mas, depois de ficar quase sete anos na Vila Belmiro. Há casos mais célebres (abaixo, alguns de que me lembro).

O que incomoda na questão Ganso é a maneira como as coisas se desenrolam, o puro mercantilismo da situação, na qual o caráter das pessoas fica em dúvida. O racha entre Santos e o grupo DIS, ligado ao supermercado Sonda, seria a origem de tudo. A disputa teria começado devido a valores referentes às negociações de Wesley e André. O grupo DIS tem 45% dos direitos de Ganso, o Santos 45% e o atleta, 10%.

Herança
Quem é o responsável pelos direitos de Ganso estarem assim “fatiados”? O ex-presidente Marcelo Teixeira foi quem loteou esses direitos. A renovação do contrato do meia, no início de 2010, não mudou os percentuais. O documento prevê o valor da multa rescisória em 45 milhões de euros para um clube estrangeiro, mas cai para R$ 54 milhões se o “comprador” for um clube nacional.

No meio disso tudo, um garoto de 21 anos que todos exigem ter comportamento de homem maduro capaz de resolver altos negócios. A estratégia da DIS e dos representantes do jogador parece ser dar motivos para que a torcida o considere “mercenário”. Assim, estaria mais do que justificada sua saída do clube. Segundo disse o meia Elano na semana passada, o jogador está “mal assessorado” e “dividido” entre “não querer magoar o Santos e não se indispor” com seus assessores.

Ruim para todos
Por fim, embora qualquer jogador tenha direito de trabalhar onde quiser, nesse caso específico seria muito ruim para todos se o desfecho fosse a ida de Ganso para o Corinthians, menos para seus empresários e os que só o lucro satisfaz. Ruim para o atleta, que aos 21 anos ficaria marcado como um profissional antiético e “mercenário” (e quem, nessas circunstâncias, diria que não?); para o Santos, clube que nele investiu e apostou, e vê toda a celeuma envolvê-lo em semana decisiva pela Libertadores; e o Corinthians, que ficaria manchado como um clube de aluguel e presidido por um homem sem palavra.

Por tudo isso, não acredito que o desfecho seja esse. Que vá então para o Milan, se é isso que quer, mas não suje sua imagem.

Veja alguns exemplos de atletas que se mudaram para rivais:

Toninho Guerreiro (centroavante)
Do Santos: 1962 a 1969 para o São Paulo (1969 a 1973)

Pita (meia)
Do Santos (1977-1984) ao São Paulo (1984-1988)

Serginho Chulapa (centroavante)
Do São Paulo (1973-1982) ao Santos (1983-1985)

Cafu (lateral)
Saiu do São Paulo (1989-1994), foi para o Real Zaragoza, onde atuou pouco tempo, voltou ao Brasil em 1995 para o Juventude (então patrocinado pela Parmalat) alguns meses, e daí para o Palmeiras (sob patrocínio da mesma empresa).

Fábio Costa (goleiro)
Santos (2000–2003), Corinthians (2004–2005) e Santos (2006–2010)


Gilmar do Santos Neves (goleiro)
Jogou no Corinthians (1951 a 1961), de onde saiu para o Santos (1961 a 1969).

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Elano, capitão de fato, critica o staff de Ganso: "ele está sendo mal-assessorado"

Elano e Ganso - Foto: Divulgação/SFC

Quem sou eu para, numa situação como essa, discordar de Elano. Todos os santistas sabem que a torcida está meio indisposta com o meia Paulo Henrique. Nesta sexta-feira, Elano resolveu meter o bedelho no imbróglio entre Santos e Ganso, e disse: "Não conheço as pessoas que trabalham com o Ganso, mas acho que ele está sendo mal-assessorado. Ele é quem tem menos culpa nessa situação. Ficou meio perdido entre não querer magoar o Santos e não se indispor com seus assessores".

Pela segunda vez em dez dias, Elano mostra que não está na Vila apenas por ser um ótimo meia (eu diria um volante-meia), mas também porque tem influência num clube em que teve atuação decisiva nos dois títulos brasileiros mais recentes, em 2002 e 2004.

No dia 21 de março, o atleta que saiu da Turquia para voltar à baixada reuniu o elenco por quase uma hora no CT Rei Pelé e cobrou postura dos jogadores e definição da diretoria sobre a crônica situação do cargo de treinador, que o clube tem dificuldade de resolver desde a saída de Dorival Júnior, há pouco mais de seis meses. “O que a gente passa para a diretoria é que eles precisam definir um treinador rapidamente", disse ele na ocasião.

É óbvio que Elano é o capitão de fato desse time. Edu Dracena só continua ostentando a faixa por osmose.

Atualizado às 14:36

sábado, 12 de março de 2011

O menino de ouro está de volta


Craque voltou arrebentando/Foto: Reprodução
Algumas observações sobre Santos 2 x 1 Botafogo de Ribeirão Preto na Vila Belmiro agora há pouco, pela 13ª rodada do Paulistão 2011 (veja os gols abaixo).

– Meu deus, como Paulo Henrique Ganso joga bola. Entrou do primeiro para o segundo tempo e, a um minuto, na segunda vez em que pôs o mágico pé esquerdo na bola, deu um passe magistral para Zé Eduardo dominar com categoria e passar para Elano fazer um golaço, o nono dele no campeonato e 10° na temporada (marcou um na Libertadores). Além do futebol, esse guri Ganso tem cabeça. Tem um futuro bonito pela frente.

– Pará iniciou a jogada do segundo gol do Peixe pela direita, dando grande passe a Zé Eduardo, que cruzou forte para encontrar a perna esquerda de Ganso, feito um camisa 9. Eram 9 minutos da segunda etapa, 2 a 0.

– Zé Eduardo e Pará são jogadores importantes para o time do Santos. Apesar de os holofotes estarem todos voltados para Neymar e Ganso, Zé Eduardo é quase sempre decisivo. Hoje, por exemplo, saíram de seus pés os passes finais para os dois gols contra o Botafogo. Pena que já está negociado com o Genoa da Itália e só fica até junho. Pará entrou no lugar de Jonathan, lesionado, e o Santos saiu ganhando. Aguerrido, bom marcador, Pará supera com a raça as limitações técnicas. Foi campeão paulista e da Copa do Brasil em 2010 e para mim deve e merece ser titular.

– Que timinho sem vergonha esse violento Botafogo do técnico Argel. Bateram o jogo todo de maneira covarde, com a complacência do juiz banana Rodrigo Braghetto. O tal Fernando Miguel foi expulso depois de um carrinho maldoso logo no Ganso. Coisa de gente mau caráter.

– A volta de Ganso é muito importante para Neymar, não só pelo futebol magnífico do meia esquerda, do qual deu uma prévia contra esse, repito, timinho violento do Botafogo. É que Neymar vai poder descansar um pouco de ser sempre o foco da mídia. O pequeno grande craque vai poder trabalhar com mais tranqüilidade podendo dividir a responsabilidade com seu “irmãozinho” mais velho.

– O Santos precisa parar de subestimar Marcelo Martelotte e efetivá-lo. Não há solução melhor para o time. Martelotte é agregador, é da casa, fala sempre como parte do coletivo (“nós”, “a gente”), e não na primeira pessoa, é estimado pelo grupo, faz o feijão com arroz num time cheio de craques e não quer aparecer mais do que eles. Acho que é isso, o resto o time faz em campo.

Libertadores

Quarta-feira que vem tem o esperado jogo com o Colo-Colo em Santiago pela terceira rodada da Libertadores. Com o surpreendente empate Cerro Porteño 1 x 1 Táchira em Assunção na quinta-feira, a situação do Santos no grupo 5 deu uma bela refrescada. Se vencer os chilenos, o Peixe termina a terceira rodada na liderança. Mesmo um empate não será ruim, já que, dos três últimos jogos, dois (Táchira e Colo-Colo) serão na Vila Belmiro.

*Atualizado às 14h53

Gols de Santos 2 x 1 Botafogo

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Lula encontra Ganso e Neymar em São Paulo: "foi uma lição que o Santos deu"

O presidente Lula é corintiano, todo mundo sabe. E, como também não é desconhecido do povo brasileiro, de bobo ele não tem nada. Sabe capitalizar o que tem a ver com popularidade.

Foto: Domingos Tadeu/PRTrês craques em encontro na capital paulista

Na tarde desta segunda, Lula encontrou-se com os craques Paulo Henrique Ganso e Neymar, no Hotel Transamérica, em São Paulo. “Isso [manter os dois atletas no país] foi uma lição que o Santos deu. Espero que outros times sigam a decisão política do Santos”, disse Lula.

No encontro, o ministro dos Esportes, Orlando Silva, e o presidente do Santos, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. “Estou convencido de que a decisão de Neymar e Ganso de ficar no país vai marcar um nova era do nosso futebol”, disse o ministro.

Leia sobre o "fico" de Neymar

Veja o vídeo do encontro entre Lula e os meninos da Santos:

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Dorival Júnior, o moralista

Foto: Eduardo Metroviche
O treinador Dorival Júnior resolveu dar uma de general. Os jogadores Neymar, André, Paulo Henrique Ganso e Madson foram afastados da partida contra o Atlético-GO, como punição por terem contrariado sua ordem para se apresentarem à concentração às 23h da quinta-feira. Eles só apareceram às 3h.

Os grandes e jovens jogadores do Santos acabam de ser campeões paulistas e levar o clube a uma final inédita de Copa do Brasil, doando-se como se doam os grandes, tendo levado o Santos novamente às manchetes do mundo todo.

“Ué, mas eles não acabaram de conquistar tudo agora? Deixa os meninos irem na balada. Que moralismo!”, ouvi de um jovem são-paulino agora há pouco.

É muitas vezes nos maiores momentos que os homens mostram se são de fato grandes ou medíocres. Os atletas citados e punidos deveriam ter sido recompensados com alguns dias de folga e liberados da partida contra o Atlético-GO, como prêmio por tão grandes alegrias que deram a sua torcida. Ao invés disso, moralismo e punição neles.

Dorival Júnior – que já errou escalando-os contra o Ceará – deveria saber que um grande exército comandado por um general inferior não terá sequer a sua Waterloo.

PS (terça, 25, 12h30):
Na minha modesta opinião (nunca joguei futebol como profissional), não há nada mais importante em um elenco do que o chamado "alto astral" e a união. Não quero ser mal interpretado com o que escrevi acima na sexta-feira. Como profissionais que são, os jogadores têm, sim, de respeitar as normas. Mas, em casos específicos como esse, as punições me parecem contraproducentes.

Será que o dr. Sócrates, por exemplo, apoiaria tal punição? Mais: afastar e negociar o meia Mádson, após uma campanha vitoriosa do time neste semestre, é o melhor, considerando que o baixinho é tão querido no elenco e pela torcida? Ou Dorival vai angariar antipatias e promover divisões no elenco, com sua postura de general? Minha antipatia ele já tem.

Vinte e cinco anos depois da “democracia corintiana”, algumas coisas têm de ser consideradas, afinal tudo muda na história, e o futebol não está fora da história.

Mas o estilo militar continua. O "comandante" antecipou para segunda-feira a concentração (que deveria ser na terça, 25) dos jogadores solteiros para o jogo com o Guarani. Não sei. Os tempos mudaram. Dorival pode ser bem sucedido nesse estilo linha dura, mas também pode quebrar a cara.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Paulo Henrique Ganso leva o Santos
ao 18° título paulista

O Santos é campeão paulista de 2010. Não podia ser diferente, mas ninguém esperava uma parada tão dura, uma final tão espetacular [após o primeiro jogo, vencido pelo Santos por 3 a 2]. Meio minuto, 1 a 0 para o Santo André. O empate, gol de Neymar, foi um gol “de Pelé”, mas só que foi de Neymar. Aí é que está. Chega de falar de Pelé! O Santos já está em Neymar, já passou por Robinho. E foi campeão liderado por Paulo Henrique Ganso. [Foi o sexto título do clube conquistado no Pacaembu - veja PS abaixo do post]

Infelizmente, a arbitragem foi protagonista do jogo. Primeiro, ao perder o comando, deixar o confronto virar confronto. O Santo André fez um grande jogo, mas catimbado, tentando conturbar. E conseguiu, bem ao estilo barraco de time pequeno.

A arbitragem anulou um gol legítimo do Santo André, quando ainda estava 1 a 1. Mas o Ramalhão logo em seguida fez 2 a 1 com justiça. A partida seguiu catimbada, por parte dos andreenses. O juiz Sálvio Spinola, depois de duas confusões seguidas, expulsou o atacante Nunes do Santo André e o lateral Léo, do Santos. A expulsão de Léo foi para compensar, porque Nunes deveria ter sido expulso sozinho. Sinceramente.

O Santos empatou, mas caiu na armadilha do time do ABC, e Marquinhos (peça importante, o bispo do jogo) fez uma falta grotesca. Foi expulso com justiça. Fim do primeiro tempo: Santo André 3 x 2 Santos. O Peixe com 9 jogadores contra 10.

Veja os gols do jogo:



No segundo tempo, o Santos administrou. Uma espécie de jogo de xadrez ficou claro no campo do Pacaembu. Paulo Henrique foi a rainha do título, se estamos falando de xadrez. Conseguiu inclusive evitar o erro final de Dorival Júnior, que já havia tirado Robinho e Neymar para pôr André e Roberto Brum, respectivamente. (Já pensou, você tirar Robinho e Neymar do seu time numa final?).

Enfim, Neymar saiu, Brum entrou e foi expulso, e o Santos ficou com oito contra dez.

Mas foi campeão mesmo assim. E ponto final. O futebol venceu.

FICHA TÉCNICA
Santos 2 x 3 Santo André
2/05/2010 – Pacaembu – São Paulo

Gols: Nunes, aos 30s, Neymar, aos 7 min e aos 32min, Alê, aos 20min, Branquinho, aos 44 minutos do primeiro tempo.

Santos
Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Rodrigo Mancha, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique; Neymar (Roberto Brum) e Robinho (André) (Bruno Aguiar)
Técnico: Dorival Júnior

Santo André
Júlio César; Cicinho (Rômulo), Cesinha, Halisson e Carlinhos; Ale (Edson Pio), Gil, Branquinho (Rodrigão) e Bruno César; Rodriguinho e Nunes
Técnico: Sérgio Soares

Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes (SP)
Assistentes: Maria Eliza Barbosa e Daniel Paulo Ziolli
Público pagante: 35.001
Renda: R$ 2.349.455,00

Cartões amarelos: Júlio Cesar, Rodriguinho, Carlinhos, Cicinho, Ale, Rômulo e Halisson (SAD); Pará, Neymar e Paulo Henrique Ganso e Edu Dracena (SAN)
Cartão vermelho: Nunes (SAD); Léo, Marquinhos e Roberto Brum (SAN)

PS [atualizado às 16h39]: este foi o sexto título do Santos no estádio do Pacaembu. Desde 1967, o clube não gritava "É campeão" nesse campo. Mais um tabu derrubado.

No Pacaembu

Títulos conquistados
1956 – Santos 4 x 2 São Paulo – Paulista
1959 – Santos 3 x 0 Vasco da Gama – Rio-São Paulo
1962 – Santos 5 x 2 São Paulo – Paulista
1966 – Santos 0 x 0 Corinthians – Rio-São Paulo
1967 – Santos 2 x 1 São Paulo – Paulista
2010 - Santos 2 x 3 Santo André – Paulista

Títulos perdidos
1959 – Santos 1 x 2 Palmeiras – Paulista
1966 – Santos 2 x 3 Cruzeiro – Taça Brasil
1995 – Santos 1 x 1 Botafogo – Brasileiro
2009 –Santos 1 x 1 Corinthians – Paulista