Hoje faltam 15 dias para o mundo acabar, dizem os consumistas da mais recente teoria apocalíptica, a já mais do que desmentida “profecia” maia que os maias nunca profetizaram, mas que é responsável por milhões de livros vendidos, filmes de gosto duvidoso e documentários oportunistas em canais pagos.
Foto: Edu Maretti
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| Parece o fim do mundo, mas é só o pôr do sol entre nuvens escuras |
Seja como for, vou ver se nesses 15 dias publico alguns posts sobre esse tema. Vai que o mundo acaba mesmo! (risos).
Faz um tempo que sempre quando ouço algo sobre isso me vem à lembrança a cena de um filme que vi no início do ano e sobre o qual já escrevi aqui: A vida de Hildegard von Bingen.
No início do filme da diretora alemã Margarethe von Trotta, cuja história acontece no século XII d.C. na Alemanha, vemos um ambiente escuro, repleto de velas acesas, pessoas orando, chorando, se penitenciando, autoflagelando-se. Elas acreditam que estão vivendo a última noite antes do fim do mundo. É que o décimo primeiro século está acabando e, junto com ele, a Terra. Mas eis que de repente um homem acorda, e, com uma expressão de surpresa, quase assombro, ele percebe que a luz entra pelas frestas. Ele chama uma criança, uma menina, para mostrar-lhe que o dia está amanhecendo, que o sol nasce mais uma vez.
Essa cena é marcante no filme, que recomendo.
O problema é que, nos dias de hoje, até mesmo o outrora episódico fim do mundo virou mercadoria. Toda hora algum maluco prevê uma data para o armagedon, ou um perspicaz estudioso da cultura maia encontra uma data para fazer uma aposta (na maioria das vezes apostas que dão lucro). Antigamente o ser humano celebrava essa crença no fim só de século em século, no máximo. Era mais suave. Mas, apesar da fé humana no fim do mundo se renovar sempre, acabar mesmo parece que o mundo (ou a civilização) só acabou uma vez até hoje, pelo menos segundo a Bíblia. “O mundo acabou em água (Noé), e da próxima vez vai acabar em fogo”. Quem, de minha geração, hoje entre 40 e 50 anos, não ouviu essa frase quando criança, dos nossos avós? Mas era algo distante, quase como uma fábula, embora uma fábula pela qual nos eram transmitidos o medo e a culpa.
Agora não, não é mais de século em século, nem mesmo entre décadas: vira e mexe surge uma nova data para o final dos tempos. No ano passado mesmo um desses “pastores” norte-americanos disse que o 21 de maio de 2011 era o “Dia do Juízo”. Pronto, um monte de gente acreditou nesse cretino, mas, felizmente, o dia 22 de maio amanheceu, como sempre – e como se esperava.
Agora vamos aguardar o dia 22 de dezembro de 2012. Depois disso, pensar com mais calma, tendo consciência, claro, de que um dia o mundo vai de fato acabar. Ou em decorrência de fatores cósmicos – o que pode acontecer neste instante ou daqui a milhões de anos –, contra os quais o homem nada pode fazer, ou fruto da destruição da terra pelo próprio homem, possibilidade que parece mais provável na atual conjuntura da história do planeta, mas que o homem ainda pode evitar.
*PS: Os comentários postados no post (veja em "comentários", abaixo) me impelem a acrescentar esta nota para dizer que no dia 22 de outubro do ano passado eu publiquei aqui um áudio da Adriana Calcanhotto cantando um delicioso samba de Assis Valente que vem a calhar. Ouça aqui: "E o mundo não se acabou".
*Atualizado à 1:17 de 7/12/2012



