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sábado, 4 de dezembro de 2010

Corintianos esperam ajuda de São Jorge

Retas finais, decisões de campeonato ou, no meu caso, um clássico como Santos x Corinthians, por exemplo, fazem aflorar nas pessoas um pendor irremediável por deuses e santos.


Nessa última semana, por exemplo, não foram poucos (inclusive amigos meus) os corintianos invocando São Jorge, com todo o fervor... Por quê? Porque só um desses acontecimentos que só o futebol proporciona impedirá que o Fluminense seja o campeão brasileiro neste domingo. Ou seja, o milagre de o Flu não bater o rebaixado Guarani no Rio, com estádio lotado. O Corinthians pega o Goiás em Goiânia. Para ser campeão, o Cruzeiro precisa ganhar do Palmeiras em Minas e que nem Timão nem Flu vençam suas partidas.

Com ou sem "mala branca", o time das Laranjeiras só não ganha o título se for muito incompetente. Mas, mesmo que o time atue abaixo da média, Darío Conca – que entrará em campo pela 38ª vez no Brasileirão –, o craque do campeonato, será o diferencial. O argentino, mais do que ninguém, merece o título.

Voltando à religiosidade no futebol. Lembro de um episódio, se não me falha a memória quando eu tinha 12 anos, em 1972. Santos x Corinthians, pelo radinho de pilha. Aos 42min do segundo tempo, ainda estava Corinthians 1 a 0. Foi então que fiz uma singela oração pedindo a Deus que ajudasse o Santos a empatar.

De repente, minhas preces deram resultado e... pênalti pro Santos, em Cláudio Adão, na narração de Haroldo Fernandes pela rádio Tupi, 1040 Khz. O narrador, inconformado, vociferava que aquilo era “um escândalo”, que não foi pênalti etc. (No tape, à noite, vi que foi um dos pênaltis mais pênalti que já vira na vida.) E Claudio Adão empatou aos 43. A única certeza que hoje tenho é que não foi Deus o responsável por aquele empate. Pois Ele deve ter muito mais o que fazer do que ficar cuidando do desespero de torcedores de futebol. Foi uma mera coincidência.

No Rio de Janeiro muitos cariocas, inclusive torcedores do Fluminense, acendem vela a São Jorge. O dia do santo, 23 de abril, é feriado no estado do Rio, onde tem até a Igreja de São Jorge, no Campo de Santana, no Centro. Quer dizer, se São Jorge de fato for justo, vai ter que pesar na balança quem merece mais o título, já que são muitos os seus devotos, corintianos ou fluminenses.

E, como todo mundo sabe, “se macumba ganhasse jogo o campeonato baiano acabava empatado”.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

"A culpa é do Corinthians", diz Andrés Sanchez

Foto: Reprodução
Alguns corintianos, que conheço ou não, e até do elenco do Alvinegro, reclamam da postura de São Paulo e Palmeiras na reta final do Brasileiro, por terem supostamente facilitado a vida do Fluminense (4 a 1 e 2 a 1), o que deixou o Tricolor carioca a uma vitória do título. O Flu só precisa vencer o já rebaixado Guarani no Engenhão, domingo, na última rodada, para conquistar seu segundo Nacional, 26 anos depois do campeonato de 1984.

“Não dá para esperar nada desse time [o Palmeiras]", protestou o lateral Alessandro. Mas o próprio presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, tratou de assumir que seu time, e não os rivais paulistas, é o responsável pela situação.

"É normal que o Palmeiras perca para o Fluminense. É normal que o São Paulo perca para o Fluminense. É normal que o Corinthians perca para o Flamengo", disse Sanchez (lembrando o campeonato passado, quando o Corinthians foi acusado de ter facilitado a vida do Flamengo). “Se nós não viermos a ser campeões no domingo, a culpa é só do Corinthians”. O presidente do clube citou dois jogos para exemplificar a “culpa”: o empate com o Ceará em 2 de outubro (2 a 2) e a derrota para o Atlético-GO por 4 a 3 (10 outubro 2010), ambos em pleno Pacaembu.

No período, o time, então comandado por Adilson Batista, ficou sete jogos sem vencer, da 24ª à 30ª rodada. De 21 pontos, ganhou três. Se tivesse apenas vencido o Ceará, o Timão teria dois pontos a mais e precisaria apenas derrotar o Goiás no próximo domingo. Se a equipe houvesse ganhado os dois jogos citados por Sánchez, teria conquistado o título ontem mesmo.

A verdade é que tem gente que já está de saco cheio da fórmula de pontos corridos.

*Atualizado às 22h27

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Brasileirão: título entre Flu, Corinthians e Cruzeiro. Vacilou, dançou

Foto: Wallace Teixeira/ Photocamera

A 34ª rodada do Brasileiro manteve tudo como estava. A disputa pelo título continua aberta entre Fluminense (61 pontos), Corinthians (60) e Cruzeiro (60). Como os três times têm o mesmo número de vitórias (17), o saldo de gols pode ser decisivo na reta final. O Alvinegro paulista e o Tricolor carioca levam vantagem nesse critério de desempate, ambos com saldo de 21, contra apenas 12 da Raposa.

A vitória contra o São Paulo deu moral ao time de Tite, além de manter um longo tabu*: o Corinthians não perde para o São Paulo há três anos e oito meses. A última vitória tricolor foi em 11 de fevereiro de 2007, (3 a 1), pelo Paulistão.

O jogo de domingo não foi excepcional, mas uma bela partida, ganha na minha opinião pelo excelente meio de campo com Ralf, Jucilei e Elias, ao mesmo tempo pegador e criativo. A defesa alvinegra, muito bem postada, deu poucas chances ao ataque são-paulino e, quando preciso, o ótimo goleiro Júlio César fez a sua parte. O zagueiro Miranda falhou feio no primeiro gol, de Elias: chegou bem na jogada mas nada fez: deixou o adversário chutar. No segundo, a zaga são-paulina dormiu no ponto e Dentinho aproveitou o vacilo: 2 a 0 (veja os gols abaixo).

Desfecho imprevisível
Nas últimas quatro rodadas, tudo pode acontecer. O líder Fluminense de Muricy Ramalho terá pela frente: Goiás (c), São Paulo (f), Palmeiras (f) e Guarani (c). O Corinthians pega Cruzeiro (c), Vitória (f), Vasco (c) e Goiás (f). E o Cruzeiro enfrenta Corinthians (f), Vasco (c), Flamengo (f) e Palmeiras (c).

Na próxima rodada, Corinthians x Cruzeiro, sábado, no Pacaembu, será decisivo. O Alvinegro é favorito, pelo quem vem jogando nos últimos jogos, retomando um futebol próximo ao do tempo de Mano Menezes. Para melhorar, Dentinho voltou jogando bem. Mas a Raposa não está disputando o título à toa, embora, hoje, entre as três equipes que disputam a taça, seja o que oscile mais. É uma partida imprevisível. O jogo é fundamental para as pretensões de ambos os times porque, no domingo, o Fluminense recebe o Goiás (penúltimo colocado na competição) e tem obrigação de vencer.

Fred e Deco devem reforçar o Tricolor das Laranjeiras nos últimos jogos. Com a provável vitória do Flu no domingo, o derrotado entre Timão e Raposa deve começar a dar adeus ao título. Um empate manterá ambos na briga, mas será pior para o time mineiro.

*Atualizado às 16h01

Veja os gols de São Paulo 0 x 2 Corinthians:

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Palmeiras arranca empate do Flu no Maracanã

As torcidas de Santos, Corinthians e Inter agradecem. No Maracanã, o Palmeiras arrancou um empate dramático, mas justo, do ainda líder Fluminense. O 1 a 1 no “maior estádio do mundo” mostrou que o futebol do honesto Muricy Ramalho – de pegada, marcação, faltas e chuveirinho – está perdendo o fôlego. Oxalá.

Os palmeirenses estavam pessimistas antes do jogo. E o pessimismo parecia justificado: logo aos 15min do primeiro tempo, Emerson fez 1 a 0 para o Flu numa jogada confusa, mas legal. Acontece que o time de Deco, Conca, Emerson e Washington (que, na real, é reserva de Frédi) não é a maravilha que parece. Ao perder quatro pontos em casa nos últimos dois jogos em pleno Maracanã, para os paulistas São Paulo e Palmeiras, e jogando um futebol sofrível, pode ter começado a perder o título.

O Palmeiras fez um jogo interessante, e deu sorte. Embora limitadísssimo, com um meio de campo sem a menor criatividade, errando passes de maneira quase injustificável num time grande, Kléber jogando isolado contra a zaga adversária, foi no segundo tempo pouco a pouco encurralando o Tricolor carioca, no estilo Felipão: garra acima de tudo. Ao ponto de, aos 40 minutos do segundo tempo, o empate palmeirense parecer inevitável. E foi. A blitz alviverde deu resultado aos 48min, quando o normalmente péssimo Éwerthon empatou o jogo após quase se assustar com a bola se oferecendo dentro da pequena área.

Não consigo ver um time ser campeão tendo como titular um goleiro frangueiro como Fernando Henrique (que não teve culpa no gol palmeirense, diga-se, mas é um frangueiro de marca maior). Eu disse neste blog que achava que o Flu era favorito ao título. Mas o futebol é imprevisível. Hoje, acho que o time de Muricy Ramalho é um dos favoritos, mas se bobear vai virar cavalo paraguaio. Com Deco, Muricy, Conca e companhia.

Veja os gols de Fluminense 1 x 1 Palmeiras

domingo, 8 de agosto de 2010

Um balanço do Campeonato Brasileiro de 2010 após 13 rodadas: Fluminense favorito

O Campeonato Brasileiro de 2010 completou cerca de um terço de seus jogos. Na 13ª rodada, de 38 previstas, algumas observações óbvias, ou nem tanto.

1) Que coisa horrenda esse uniforme do Flamengo na partida com o Corinthians no Pacaembu. Uma avacalhação. Não acredito que os rubro-negros de verdade tenham olhado para aquilo com orgulho.


Que time listrado é esse?

2) O Fluminense me parece o favorito ao título no momento. Não só por liderar a competição com 29 pontos (apenas um a mais do que o vice Corinthians) depois de vencer o Grêmio por 2 a 1 no Olímpico. Mas, principalmente, porque o time, que já era forte, inclusive pelo capital desembolsado pela patrocinadora, parece que incorporou o espírito vencedor de Muricy Ramalho, um cara cujo futebol eu não gosto, mas é inegavelmente competitivo. Não fosse, não teria sido tricampeão brasileiro (2006, 2007 e 2008) com o São Paulo. O Flu, que já tem Conca, Frédi, Washington e que, hoje, jogou no 3-5-2, terá Deco em breve. Com a chegada de Deco e a volta de Frédi, hoje contundido, Muricy terá à disposição um ataque pra ninguém botar defeito (Washington e Frédi) assessorado por um meio de campo invejável. Como as equipes de Muricy são sempre muito fortes na defesa e na marcação, vai ser difícil bater esse time. Washington, de volta ao Flu, deve ter sucesso. É um matador, mas ele precisa que as bolas cheguem. No São Paulo, que vive a carência crônica de um meia clássico, isso nunca aconteceu.


3) São Paulo que, ao fracassar com Ricardo Gomes (foto: Wander Roberto/VIPCOMM), viu cair por terra a “tese” de que, no clube do Morumbi, o esquema é vencedor seja quem for o treinador. Milton Leite chamou a atenção para isso no Sportv, após o empate do Tricolor com o Atlético-PR em 1 a 1 na Arena. Segundo o narrador, o fiasco de Ricardo Gomes evidenciou “a arrogância do São Paulo de achar que faz tudo sempre certo”, e de propagar que Muricy ganhou mais pelos méritos do clube do que dele próprio. A insistência também arrogante dos são-paulinos, manifestada desde a sua cúpula até o torcedor ali da esquina, em propagandear que tudo o que não é Libertadores é desprezível, também vai ser outra “tese” colocada em xeque neste segundo semestre. Não será uma tarefa tão simples para o São Paulo, tendo que se remontar completamente, chegar entre os quatro primeiros do Brasileiro. Aliás, se o campeão da Copa Sul-Americana (que este ano vai à Libertadores) for um time brasileiro, serão só três as vagas do Nacional para a mesma Libertadores.

4) No Palmeiras, as coisas só não estão muito nebulosas por causa de Luiz Felipe Scolari. Desde que ele chegou, o clube já contratou Kleber, Tadeu, Tinga, Valdivia, o volante Rivaldo (ex-Avaí) e o atacante Luan (Toulouse). Mas Felipão, que nunca teve papas na língua, já está reclamando das coisas que não acontecem, dos jogadores que não estréiam, da burocracia no Palestra. Neste domingo, o Alviverde outra vez não ganhou: ficou no 1 a 1 com o Goiás, cedendo o empate, num jogo que estava ganho, aos 44 do segundo tempo. O gol do verdão foi do péssimo Ewerthon (foto), que deve ter feito uma de suas últimas partidas conmo titular. Felipão voltou a manifestar seu, digamos, realismo: “Seguindo com um ponto por jogo vamos chegar a trinta e poucos pontos e vamos brigar para não cair”, disse ele, após o jogo. A última vitória do Verdão foi contra o Santos (2 a 1 no Pacaembu, dia 15 de julho). Já são cinco jogos sem vencer, e quase um mês.

5) O vice líder Corinthians, apesar dos protestos de meus amigos corintianos, continua sem me convencer. No empate com o Palmeiras (1 a 1 na semana passada), o Timão foi inferior. O Alvinegro vai ter que demonstrar de fato se a saída de Mano Menezes, que não era apenas um treinador, mas um líder na Fazendinha, vai ser superada. Adilson Batista ainda não provou ser "o cara" em sua carreira. No Cruzeiro, fez um bom trabalho, mas não ganhou nenhum título importante. A vitória contra o Flamengo neste domingo por 1 a 0 (veja o gol e os melhores momentos do jogo, abaixo) foi conquistada com muito suor, e quase escapou, aos 43min do segundo tempo, quando Julio Cesar fez uma defesa milagrosa, corrigindo um erro dele mesmo ao sair jogando errado.

6) Já o Santos, classificado para a Libertadores, campeão paulista e da Copa do Brasil, com seus 134 gols em 48 partidas em 2010 (média de 2,8 por jogo), vai em vôo de cruzeiro. No Brasileirão, o que vier é lucro, mas o time deve crescer e pode acossar Corinthians e Fluminense na disputa pelo título nacional.

7) (Atualizado às 15h40) Como o leitor deve ter notado, a intenção deste pequeno balanço foi falar dos times que me parecem, no momento, com chances de título (exceto o São Paulo, que acho muito difícil ser campeão). Só não falei do Internacional. Finalista da Libertadores, o Colorado de Celso Roth pode sem dúvida chegar lá, pelo time que tem. Mas, ganhando a Libertadores ou não, o Inter já está no Mundial da FIFA. O time vai focar o Brasileiro ou vai "priorizar" o Mundial?

Veja os melhores momentos de Corinthians 1 x 0 Flamengo

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Na segunda rodada, Brasileirão 2010 ainda não motiva nem clubes nem torcedores

O decantado Campeonato Brasileiro de pontos corridos ainda não conseguiu empolgar nem os próprios clubes. Com “a cabeça na Libertadores”, o São Paulo misto perdeu do Botafogo no Morumbi” (1 a 2) e o Cruzeiro empatou com o Avaí no Mineirão (2 a 2); “com “a cabeça na Copa do Brasil”, o Santos não saiu de um pífio empate (1 a 1) contra o Ceará na Vila Belmiro (desfalcado apenas de Robinho e Léo) e o mistão do Grêmio foi derrotado no Olímpico pelo Corinthians (1 a 2).

Quarta-feira, pelas quartas de Libertadores, o São Paulo recebe o Cruzeiro no Morumbi, às 21h50. O Tricolor pode perder por até um gol de diferença, já que em BH bateu a Raposa por 2 a 0, e por isso o time paulista é franco favorito para ir à semifinal.

Também na quarta às 21h50, disputando uma vaga na final da Copa do Brasil, Santos e Grêmio duelam na Vila. O Peixe tem que ganhar por qualquer placar para disputar o título contra o vencedor de Vitória x Atlético-GO (no jogo de ida, 4 a 3 para o Tricolor Gaúcho contra o time de Dorival Junior, num jogo memorável).

Vasco 0 x 0 Palmeiras ("pelo amor dos meus filhinhos!")

A única partida à qual assisti neste fim de semana, Vasco 0 x 0 Palmeiras, em São Januário, foi indigna da história dos dois clubes. Houve momentos bisonhos, como um chute do vascaíno Caíque, que foi parar na lateral. Ou uma trombada bizarra entre o goleiro Marcos e o meia Cleiton Xavier, que só não resultou em gol do Botafogo porque o volante Souza, que ficou com a sobra da “dividida” entre Marcos e Cleiton, chutou para fora, de maneira que o velho narrador Silvio Luiz teria assim narrado: “pelo amor dos meus filhinhos!” Ou furadas espetaculares. Lances típicos de comédia ou várzea, e não de um jogo de primeira divisão do Nacional. Pelo menos, dei risada.

Se você vir “os melhores momentos” de Vasco 0 x 0 Palmeiras (abaixo), pode ter uma falsa impressão. Porque, em verdade vos digo!, não foi um jogo de primeira divisão.



O duelo teve cerca de 60 passes errados dos dois times. O Vasco dominou o primeiro tempo, mas não anotou nenhum tento porque seu ataque não parece com apetite para isso. O propalado Felipe Coutinho não mostrou a que veio. A partir dos 15min do segundo tempo, o Palmeiras passou a comandar as ações, mas não chegou a pressionar o Vasco, ameaçando a meta cruz-maltina só em lances isolados.

Poucas vezes vi um jogo cujo placar fosse tão justo quanto esse Vasco 0 x 0 Palmeiras na tarde-noite deste domingo. Chegou um momento em que eu torci para ninguém fazer gol, porque nenhum dos dois times merecia marcar. A peleja terminou sob estrepitosa vaia, como notou o narrador do Sportv, Milton Leite. Pelo amor dos meus filhinhos!