À tarde já havia imagens disponíveis do tiroteio na favela. O cinegrafista de 46 anos morreu e, trágica e imediatamente, virou uma espécie de autonotícia. Por ele ter recebido o tiro de frente, há chances de ter filmado o atirador que o alvejou. Às 16:49 o portal Uol trazia a chamada na home: “Band divulga vídeo gravado na operação”. Clicando naquele link, você vai parar num vídeo hiper-realista e brutal do tiroteio, que eu prefiro não publicar aqui. Embora adore os filmes de Sergio Leone.
Fazendo o seu papel protocolar, e, diga-se, tardiamente, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro responsabilizou a TV Bandeirantes pela morte de Gelson.
Duas considerações sobre esse triste episódio:
1) como a polícia militar (ou seja, o Estado) permite que um cidadão, embora jornalista, faça parte de uma operação de guerra dessas proporções? Esse cinegrafista deveria estar lá? A reportagem da TV Bandeirantes deveria estar no meio dessa operação? Está claro que o profissional morreu no mínimo por negligência da polícia, já que supostamente o colete que vestia não foi suficiente contra um tiro de fuzil. Ponto.
2) Gelson foi vítima de um jornalismo em si mesmo deletério, esse jornalismo que vende a violência em milhões de televisões ligadas nos botecos e padarias do país no início de todas as noites. A cultura Tropa de Elite.
O Brasil não precisa dessa cultura. Ou será que precisa?
*Post reproduzido no Observatório da Imprensa
Atualizado às 20:11 de 07/11/2011
Publicado aqui originalmente às 20:28 de 06/11/2011