Sobre as pesquisas divulgadas na véspera das eleições de 2010 para a presidência da República e o governo de São Paulo, penso que todas fizeram pequenos ajustes e ninguém quis se arriscar (*exceto Datafolha, sobretudo para SP, pelo que vai abaixo). Se fosse apostar, eu cravaria que Dilma leva no primeiro turno por margem apertada (sofridos 50,9%, digamos) e Mercadante e Alckmin vão para o segundo.
- Nos levantamentos sobre a presidência da República, chama a atenção que todos os institutos parecem (mais ou menos) mostrar um leve crescimento de Marina Silva (PV), assim como pequena queda de Dilma Rousseff (PT) e a estagnação de José Serra (PSDB), este com apenas eventuais oscilações. Impossível aferir o que é real, pois tudo o que mudou em relação às pesquisas anteriores está muito perto da margem de erro, senão dentro dela.
- Nas pesquisas sobre o estado de SP, a discrepância entre os números do Ibope e do Datafolha (*) é incompatível com a lógica. O Datafolha mostra 28% para Mercadante contra 55% de Alckmin. O Ibope, 51% a 33% para o tucano. Os 28% que o Datafolha dá a Mercadante estão quatro pontos percentuais abaixo dos 32% que o PT historicamente deveria ter. Os 33% que o Ibope dá ao petista é muito mais próximo da realidade. Vamos ver o que as urnas dizem.
Veja os números (votos válidos):
Presidência da República
Ibope
Dilma Rousseff (PT): 51%
José Serra (PSDB): 31%
Marina Silva (PV): 17%
Outros candidatos: 1%
*Margem de erro: 2 pontos percentuais para + ou -- 3.010 entrevistas entre sexta-feira (1º/10) e sábado (2/10). Registro no TSE n° 33.252/2010. ParaTV Globo e "O Estado de S. Paulo"
Datafolha
Dilma Rousseff (PT): 50%
José Serra (PSDB): 31%
Marina Silva (PV): 17%
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL): 1%
*Margem de erro: dois pontos percentuais para + ou -- 20.960 entrevistas entre sexta-feira (1º/10) e sábado (2/10). Registro no TSE n° 33.480/2010. Para TV Globo e pelo "Folha de S.Paulo"
Vox Populi/Band/iG (tracking diário)
Dilma Rousseff (PT): 53%
José Serra (PSDB): 30%
Marina Silva (PV): 16%
*Margem de erro: 2,2 pontos percentuais para + ou -
2.000 entrevistas (um quarto renovado diariamente). Registro no TSE n° 27.428/10
Governo de São Paulo
Ibope
Geraldo Alckmin (PSDB): 51%
Aloizio Mercadante (PT) : 33%
Celso Russomanno (PP) : 8%
Paulo Skaf (PSB): 6%
Fabio Feldman (PV): 2%
*Margem de erro: dois pontos percentuais para + ou -
2.002 entrevistas de quinta-feira (30/9) a sábado (2/10). Registros n°s 89835/2010 (TRE) e 33245/2010 (TSE).
Datafolha
Geraldo Alckmin (PSDB): 55%
Aloizio Mercadante (PT): 28%
Celso Russomano (PP): 9%
Paulo Skaf (PSB): 5%
*Margem de erro: dois pontos percentuais para + ou -3.248 entrevistas em 66 municípios dias 1° e 2 de outubro. Registros n°s 90.363/2010 no TRE e 33.578/2010 no TSE.
Atualizado às 13h57
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domingo, 3 de outubro de 2010
Institutos de pesquisa não se arriscam e preferem deixar a palavra final ao eleitor
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Debate da Globo encerra campanha sem nada mudar. Dilma será nossa presidente
O debate da TV Globo encerrando a campanha presidencial de 2010 não mudou nada. Se nada acontecer de anormal, a eleição está decidida. Nenhuma pergunta de José Serra a Dilma Rousseff, nem vice-versa. Dilma começou muito bem, falando do tema trabalho, grande conquista do governo Lula.
Atacar a tudo e a todos (com o chavão "todos são iguais"), como faz Plínio de Arruda Sampaio, igual aos adolescentes de seu PSOL, é um discurso subliminarmente de direita. Os membros do PSOL são ressentidos. Eles atacam mais o PT do que o PSDB, dizendo-se de “esquerda”.
Plínio, como bobo da corte, começou o debate atacando o PT, como sempre. Como eu não canso de dizer, o PSOL é de direita.
A certa altura, o repórter Leandro, na redação do jornal, comenta sobre Marina Silva: “Essa mulher tem uma habilidade tremenda para dizer, dizer e não dizer nada”.
O segundo bloco começou com Dilma escolhendo Marina, para falar sobre infra-estrutura. Marina, com seu blábláblá, discorreu sobre um plano “aonde” (sic) prevaleça a sustentabilidade, a melhoria de qualidade de vida, priorizando-se a ferrovia. Com isso concordo. Dilma propõe integração entre rodovia, ferrovia e hidrovias.
No terceiro bloco, Marina Silva e Serra fazem tabelinha, embora Marina tenha elogiado o programa “Minha Casa Minha Vida”, “um bom programa”, segundo ela, “mas insuficiente”.
De repente, Marina ataca Serra: “não se fazem as coisas em passe de mágica e não vi você resolver os problemas de habitação em seu governo”, disparou contra o tucano. Ela citou o Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, como exemplo de descaso com a população.
Marina pergunta a Dilma sobre segurança: Dilma cita as UPP’s, no Rio de Janeiro, como exemplo de combate à violência junto com ação social. Marina elogia de novo mais um programa do governo de que participou. A essa altura, se Marina tirava votos de alguém, sem dúvida eram de Serra.
Plínio diz que resolve “facilmente” a falta de saneamento. Como? Não pagando a dívida externa. Risível. Está no século passado. E, para variar, ataca Dilma de novo. Ressentido.
No quarto bloco, perguntada pelo sempre disposto a atacá-la Plínio Sampaio sobre por que, entre outras coisas, não defende a redução da jornada de trabalho para 40h, Dilma escorregou, deu uma resposta burocrática sobre a manutenção da legalidade e acabou não respondendo.
Depois, cutucada, a petista alfinetou Marina: não adianta teoria, tem que fazer. “Quando a gente é governo, a gente não acha, a gente tem que fazer. O Brasil foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair”, disse Dilma, referindo-se à crise financeira internacional que começou no fim de 2008 e atravessou boa parte de 2009. Mandou bem, aí.
Sobre o Bolsa Família, diz Serra: “Vou fortalecer, amplificá-lo e planejá-lo melhor”. Pura falácia. “Até esse programa o Alckmin começou em 2001 em SP”, completa. Área social é muito mais que isso, disse. Falácia.
Para surpresa de muitos (minha também) Marina ataca Serra, que diz que ela é igual a Dilma, foram do mesmo governo “do mensalão”. Marina conseguiu o que Dilma não tentou, por jogar na defesa. A verde provocou Serra, ele perdeu a calma e mostrou por um momento sua face truculenta. Ponto para Marina.
Considerações finais
Marina encerrou tentando tirar mais alguns votinhos do tucano: “Que fiquem as duas mulheres para o segundo turno, para debater em tempo igual”.
Serra: “apresentei as minhas idéias para o Brasil”. Que idéias? É porque o povo não viu idéia nenhuma que Serra chafurda na derrota, que deve vir já no domingo, mas senão, virá com certeza no segundo turno. “Vou ao domingo com verde e amarelo no peito”, disse o patriota para seus apoiadores no Clube Militar.
Mães de família usando o Bolsa Família para vestir seus filhos, o pequeno agricultor, o trabalhador, falou Dilma para o povo que não quer saber de falácias, e sim de emprego, feijão com arroz na mesa e dignidade. “Estou preparada para ser a primeira presidente.” O Brasil só será desenvolvido quando erradicar a pobreza, terminou a petista.
E Plínio: “estou falando do futuro”. Creio que não, Plínio, creio que não. Foi Lula quem falou de futuro durante oito anos.
Quem está com a palavra, agora, é a futura presidente do Brasil, Dilma Rousseff, do PT.
Veja entrevista coletiva de Dilma após o debate
Atacar a tudo e a todos (com o chavão "todos são iguais"), como faz Plínio de Arruda Sampaio, igual aos adolescentes de seu PSOL, é um discurso subliminarmente de direita. Os membros do PSOL são ressentidos. Eles atacam mais o PT do que o PSDB, dizendo-se de “esquerda”.
Plínio, como bobo da corte, começou o debate atacando o PT, como sempre. Como eu não canso de dizer, o PSOL é de direita.
A certa altura, o repórter Leandro, na redação do jornal, comenta sobre Marina Silva: “Essa mulher tem uma habilidade tremenda para dizer, dizer e não dizer nada”.
O segundo bloco começou com Dilma escolhendo Marina, para falar sobre infra-estrutura. Marina, com seu blábláblá, discorreu sobre um plano “aonde” (sic) prevaleça a sustentabilidade, a melhoria de qualidade de vida, priorizando-se a ferrovia. Com isso concordo. Dilma propõe integração entre rodovia, ferrovia e hidrovias.
No terceiro bloco, Marina Silva e Serra fazem tabelinha, embora Marina tenha elogiado o programa “Minha Casa Minha Vida”, “um bom programa”, segundo ela, “mas insuficiente”.
De repente, Marina ataca Serra: “não se fazem as coisas em passe de mágica e não vi você resolver os problemas de habitação em seu governo”, disparou contra o tucano. Ela citou o Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, como exemplo de descaso com a população.
Marina pergunta a Dilma sobre segurança: Dilma cita as UPP’s, no Rio de Janeiro, como exemplo de combate à violência junto com ação social. Marina elogia de novo mais um programa do governo de que participou. A essa altura, se Marina tirava votos de alguém, sem dúvida eram de Serra.
Plínio diz que resolve “facilmente” a falta de saneamento. Como? Não pagando a dívida externa. Risível. Está no século passado. E, para variar, ataca Dilma de novo. Ressentido.
No quarto bloco, perguntada pelo sempre disposto a atacá-la Plínio Sampaio sobre por que, entre outras coisas, não defende a redução da jornada de trabalho para 40h, Dilma escorregou, deu uma resposta burocrática sobre a manutenção da legalidade e acabou não respondendo.
Depois, cutucada, a petista alfinetou Marina: não adianta teoria, tem que fazer. “Quando a gente é governo, a gente não acha, a gente tem que fazer. O Brasil foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair”, disse Dilma, referindo-se à crise financeira internacional que começou no fim de 2008 e atravessou boa parte de 2009. Mandou bem, aí.
Sobre o Bolsa Família, diz Serra: “Vou fortalecer, amplificá-lo e planejá-lo melhor”. Pura falácia. “Até esse programa o Alckmin começou em 2001 em SP”, completa. Área social é muito mais que isso, disse. Falácia.
Para surpresa de muitos (minha também) Marina ataca Serra, que diz que ela é igual a Dilma, foram do mesmo governo “do mensalão”. Marina conseguiu o que Dilma não tentou, por jogar na defesa. A verde provocou Serra, ele perdeu a calma e mostrou por um momento sua face truculenta. Ponto para Marina.
Considerações finais
Marina encerrou tentando tirar mais alguns votinhos do tucano: “Que fiquem as duas mulheres para o segundo turno, para debater em tempo igual”.
Serra: “apresentei as minhas idéias para o Brasil”. Que idéias? É porque o povo não viu idéia nenhuma que Serra chafurda na derrota, que deve vir já no domingo, mas senão, virá com certeza no segundo turno. “Vou ao domingo com verde e amarelo no peito”, disse o patriota para seus apoiadores no Clube Militar.
Mães de família usando o Bolsa Família para vestir seus filhos, o pequeno agricultor, o trabalhador, falou Dilma para o povo que não quer saber de falácias, e sim de emprego, feijão com arroz na mesa e dignidade. “Estou preparada para ser a primeira presidente.” O Brasil só será desenvolvido quando erradicar a pobreza, terminou a petista.
E Plínio: “estou falando do futuro”. Creio que não, Plínio, creio que não. Foi Lula quem falou de futuro durante oito anos.
Quem está com a palavra, agora, é a futura presidente do Brasil, Dilma Rousseff, do PT.
Veja entrevista coletiva de Dilma após o debate
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