No dia em que o Brasil bateu a Costa do Marfim por 3 a 1, pela primeira fase da Copa do Mundo de 2010 (20/06/2010), o então treinador Dunga (que volta oficialmente hoje ao comando da seleção após 4 anos) de repente se desentendeu com o jornalista Alex Escobar da Globo.
É um estilo realmente estranho para um treinador de seleção, embora Alex Escobar seja um tipo de jornalista que para mim está a anos-luz de distância do que eu considero um jornalista, e, também, apesar de muita gente considerar os xingamentos a ele dirigidos por Dunga bastante apropriados...
A equipe de Dunga, que, diga-se a bem da verdade, fazia uma Copa futebolisticamente melhor do que o grotesco time de Felipão este ano, acabou sendo eliminada nas quartas de final pela Holanda, perdendo por 2 a 1, com a ajuda do volante Felipe Mello, que foi expulso, e do goleiro Júlio César, que falhou feio no segundo gol holandês.
Ontem assisti aos dois programas televisivos de resenha sobre a Copa do Mundo nos canais pagos ESPN Brasil e Sportv. A bancada do programa “Linha de Passe”, do primeiro, formada por PVC, João Palomino, Paulo Soares e Fernando Calazans, de competência inconteste, passou grande parte do programa criticando Dunga e sua agressão ao jornalista Alex Escobar (veja abaixo), da concorrente TV Globo, além dos xingamentos do treinador logo depois do apito final do lamentável juiz francês Stephane Lannoy contra a Costa do Marfim.
Enquanto os jornalistas da ESPN insistiam no assunto, a bancada do Sportv (com Luiz Carlos Jr., Paulo César Vasconcellos, André Rizek e Lédio Carmona), do programa “Seleção Sportv”, afastou-se das futricas e se ocupou do que interessa mais ao público: análises dos próximos jogos da Copa, reportagens e imagens. Uns pequenos bate-bocas entre Carmona e Rizek apimentaram o programa.
Por trás do conflito aparentemente pontual entre Dunga e Escobar, na coletiva realizada após a vitória do Brasil [contra a Costa do Marfim por 3 a 1], domingo, há um aspecto pouco observado por alguns jornalistas bem intencionados e, ao mesmo tempo, ingênuos. A abordagem do “Linha de Passe” da ESPN se prestou ao papel de colocar seus profissionais como corporativistas ou inocentes úteis, aos olhos de boa parte do público.
Já que queria tanto abordar o tema, O “Linha de Passe” poderia ter informado, ao menos, o que está por trás de toda a celeuma, o que faz o UOL Esporte em matéria de hoje. “A Globo negociou diretamente com Ricardo Teixeira, presidente da CBF, entrevistas exclusivas com três jogadores da seleção, entre os quais Luis Fabiano”, que seriam exibidas no Fantástico. Segundo a matéria, de Mauricio Stycer, Dunga vetou o privilégio, para desespero do assessor de imprensa da própria CBF, Rodrigo Paiva, ainda de acordo com o UOL.
Ora, por mais condenável que seja a postura de Dunga, ele acabou agindo exatamente na direção do que muita gente, inclusive da ESPN Brasil, sempre pediu: tratamento igual, “não” aos privilégios da Globo, ética nas relações CBF e imprensa.
De qualquer maneira, o comportamento grosseiro de Dunga na beira do campo e na coletiva, após o jogo, tem lá, também, suas justificativas:
1) precisaria ter sangue de barata para assistir à pancadaria da Costa do Marfim contra seus atletas, com a complacência do árbitro, e não reagir. Elano e também Michel Bastos por pouco não tiveram as pernas quebradas pelos "jogadores" marfinenses.
O marfinense não levou sequer cartão amarelo
2) na coletiva, aconteceu aquilo a que comumente se dá com as pessoas de sangue quente: Dunga está certo ao negar privilégios à TV Globo, mas erra pela forma e acaba perdendo a razão.
Só que, aos olhos de muitas pessoas que tenho lido comentar em blogs por aí e no próprio You Tube, não são poucos os que estão do lado de Dunga, que, por seu comportamento e, principalmente por confrontar interesses nunca dantes confrontados, não deve continuar no comando após a Copa, ganhe ou perca.