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segunda-feira, 16 de julho de 2012

Rodovias paulistas terão pedágio urbano. Viva o governo tucano


São Paulo é a terra dos tucanos e dos pedágios. E da ignorância política, claro. No último dia 1º de julho, os pedágios das rodovias estaduais foram reajustados entre 4,26% e 4,98% (inflação acumulada nos últimos 12 meses). Para o leitor que não é de São Paulo ter uma idéia, com o aumento de R$ 1,10 no sistema Anchieta-Imigrantes a descida ao litoral paulista para curtir uma prainha custa R$ 21,20 para veículos de passeio.

Eduardo Metroviche


Como se já não bastasse, o paulista vai sofrer um novo golpe no bolso: o governo Alckmin vai implantar o pedágio eletrônico e até 2014 os usuários terão de desembolsar para usar estradas em trechos urbanos. Por exemplo, para ir ao aeroporto de Cumbica pela rodovia Ayrton Senna, em trechos entre a capital e São Bernardo pela Anchieta, entre a capital e Cotia pela Raposo Tavares.

Além da evidente extorsão, dos altos valores dos pedágios e da sanha com que se disseminam as cobranças, haverá enorme problemas urbanos nas cidades, causados por motoristas que desviarão da taxa por dentro dessas cidades ao longo das rodovias pedagiadas. Mais gastos, mais poluição, mais acidentes nas cidades.

O cinismo tucano não tem limites. Na campanha eleitoral de 2010, o então candidato Alckmin foi questionado sobre a sanha arrecadatória dos pedágios tucanos e prometeu estudos para reduzir os valores.
Como se vê, palavra de tucano tem uma credibilidade inversamente proporcional ao tamanho de seu bico. Mas o paulista vota e adora a espécie.

Atualizado às 16:22

terça-feira, 28 de junho de 2011

Os novos pedágios de São Paulo: Alckmin descumpre promessa de campanha

O governador de São Paulo anunciou ontem os valores do reajuste dos cada vez mais extorsivos pedágios no estado, que passam a vigorar em 1° de julho. Ao contrário da promessa de campanha de que faria uma revisão dos contratos, o governador Geraldo Alckmin mais uma vez mostrou seu desapreço pela transparência e pelo bolso do usuário, mantendo o reajuste dos contratos mais antigos calculado pelo Índice Geral de Preços (IGP-M), quase sempre mais alto.


Foto: Eduardo Metroviche
 Assim, o pedágio das rodovias Bandeirantes, Castello Branco, Anchieta, Washington Luís, parte da Raposo Tavares e da super lucrativa Imigrantes serão reajustados pela bagatela de 9,77%. A descida da Serra para tomar um chopp a beira-mar, por exemplo saltou de R$ 18,50 para R$ 20,10 na Imigrantes.

O que paguei de pedágio na viagem que fiz no fim de semana para Rio Claro (176 km da capital) aumenta de R$ 45,10 para R$ 49,50, ida e volta. Ou seja, mais de 50% do valor que eu gasto de combustível. São nada menos do que quatro praças em menos de 200 km.

Só as concessões mais recentes vão se basear no IPCA, e terão reajuste de “apenas” 6,55%, caso da Ayrton Senna, Carvalho Pinto, Dom Pedro 1º, Marechal Rondon e parte da Raposo Tavares.

Agora, para justificar a quebra de palavra empenhada na campanha pelo chefe, o secretário dos Transportes e Logística, Saulo de Castro Abreu, desconversa. "A revisão está sendo feita. O governador prometeu neste ano e o ano termina em dezembro", disse ele.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Alckmin diz que sistema de pedágios em SP é bem sucedido. Mas, para quem?

Fotos: Eduardo Metroviche
O tucanato sabe que a questão dos pedágios no estado de São Paulo vai lhe custar muitos votos. Geraldo Alckmin e José Serra não conseguem (e não têm como) sair da
defensiva quando o assunto é esse.

É bom que os cidadãos de outros estados tenham consciência de qual é a política tucana no mais poderoso estado do país. A equação é simples: o estado é mínimo, e o cidadão, que já não tem serviços públicos decentes, ainda paga a conta, que não custa pouco.

Na sabatina do portal Uol e da Folha de S.Paulo de que participou nesta quinta-feira, 29, o ex-governador Alckmin teve que falar sobre o tema pedágios, assim como Serra sempre tem que falar, vide a célebre entrevista ao Roda Viva da TV Cultura em que, surpreendentemente acossado por Heródoto Barbeiro, o ex-governador José Serra pediu a cabeça do jornalista à Fundação Padre Anchieta (leia e veja o vídeo aqui).

Questionado na sabatina da Folha, Alckmin defendeu o modelo de pedágios adotado pelos governos do PSDB. “A concessão feita em São Paulo é bem sucedida", disse. Ele não esclareceu “bem sucedida” para quem. Com certeza, não é para o usuário de rodovias, muito pelo contrário. O candidato tucano ao governo paulista tem defendido a política em todos os eventos em que tem que se defender do questionamento. Em Barueri, dia 14 de julho, fez o mesmo (leia aqui).

Enquanto isso, o candidato do PSB ao governo de SP, Paulo Skaf, no mesmo dia, em Araraquara, propôs descontar do IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) o valor gasto em pedágios no estado. Skaf propõe o seguinte: entre 0h e 7h, o motorista poderia abater 100% do gasto com pedágios, e entre 7h e meia noite, 50%, até o limite de 50% do IPVA devido. É uma proposta razoável.

O preço do pedágio na região de Araraquara é exorbitante, assim como na região de Osasco (SP), e nas rodovias Anchieta e Imigrantes, entre outras. O trecho de 42 km na rodovia Washington Luis, de ida e volta entre Araraquara e Matão, por exemplo, sai pela bagatela de R$ 22,50. Ou R$ 11,25 por 21 km. Ou, R$ 0,53 por quilômetro rodado. Faça uma conta, leitor. Se o seu carro faz 10 km por litro (uma média), você gasta R$ 0,26 por quilômetro rodado, o que já não é pouco. O pedágio na região de Araraquara é o dobro do que você gasta de gasolina.

Já Aloizio Mercadante (PT) disse que pretende utilizar o sistema eletrônico de cobrança de pedágio (o “Sem Parar”) para reduzir os preços. “Podemos fazer o usuário pagar só pelo quilômetro efetivamente usado. Vamos sentar com as empresas e negociar um caminho bem melhor para o estado”, afirmou, segundo o repórter Fernando Augusto, do jornal Visão Oeste, de Osasco.

A proposta de Mercadante é boa, mas esbarra em dificuldades técnicas que podem fazer com que não saia do rol das boas intenções, e desta o inferno está cheio, como se sabe. Como viabilizar um sistema como o que propõe Mercadante? Demandaria investimentos em tecnologia e sistemas complexos. A proposta de Skaf é mais viável. A dos tucanos, provado está, é extorsiva e quem lucra são apenas as concessionárias, abençoadas pelo estado de SP.