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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O Brasil de 2016: o país do golpe, do desencanto e da barbárie





Alguns amigos não entendem muito bem minha desesperança com a política e com o Brasil. A questão é que esse desencanto não tem a ver apenas com política, mas com o nível moral (espiritual) em que está ancorado este país, este povo, e não apenas a chamada classe dominante, as "elites" - "não há vítimas inocentes" (Sartre). Tenho amigos que desprezam a religiosidade, outros que dela zombam, mas outros alimentam as coisas do Espírito.

Para ilustrar o que quero dizer, repito o que disse no Facebook: A selvageria assassina materializada no metrô de SP esta semana (quando o vendedor Luiz Carlos Ruas, de 54 anos, foi assassinado por dois monstros por defender travestis agredidas por esses mesmos monstros) só mostra algo que tenho pensado e falado para as pessoas mais próximas: o Brasil é um lixo de país.

Eu sou espírita. Tenho amigos católicos e de religiões afro. Principalmente entre os católicos, há entre eles quem tenha sido barbaramente torturado durante a ditadura iniciada em 1964. Depois de décadas de luta pela democracia, vimos o que aconteceu em 2016: um golpe sórdido, mas no entanto tão fácil como tirar pirulito da boca de uma criança.

Esse trágico desenlace (que pode fazer o país retroceder décadas do pouco avanço que conseguiu depois de séculos de exploração feudal) mostrou quão pusilânime é o chamado "povo" brasileiro. Perdoem-me, mas, de certa maneira, os monstros assassinos do metrô são como que a cara moralmente radicalizada desse mesmo povo. Claro, só psicopatas como os assassinos do metrô teriam coragem de protagonizar a barbárie, mas muitos e muitos a apoiam. Sim, apoiam. Basta ler comentários em sites e redes sociais.

Vejo esse povo nas ruas, no supermercado, na padaria. Ou vocês acreditam que esse povo vai sair às ruas, às centenas de milhares, defender... a democracia, os direitos do cidadão e do trabalhador?!

***

Estou terminando de ler um livro sobre o qual já escrevi neste blog, Os Cátaros e a Heresia Católica, de Hermínio C. Miranda . É uma abordagem historiográfica (sob um ponto de vista espírita) muito interessante sobre os cátaros, um povo que tentou implementar no mundo (a partir da Europa, particularmente no sul da França), entre os séculos 12 e 13 de nossa era, o cristianismo do Cristo, e que foi sufocado e eliminado brutalmente pela Igreja Católica de Roma.

Os cátaros, considerados hereges pela Santa Sé, foram perseguidos pelas Cruzadas e pela Inquisição implacavelmente, humilhados e queimados vivos em fogueiras enormes em nome de... Cristo!, eles que pretenderam justamente defender as ideias trazidas pelo próprio Jesus. Morreram queimados como morreram apedrejados e crucificados e nas arenas romanas os primeiros cristãos, no início.

Digo isso como uma livre-associação.

Encerro dizendo: depois de tudo o que aconteceu politicamente em 2016, notícias como a desse crime bárbaro no metrô de SP apenas reforçam que este país é isso mesmo, um lixo. Desculpem a sinceridade. Mas, se fosse possível, eu gostaria de fazer um acordo com Deus: que na próxima encarnação me permita nascer em outro lugar. Neste aqui não acredito mais.

Cada vez mais acredito que só há uma solução: a transformação interior, a partir da qual se pode espraiar a transformação do mundo. Como ensinaram entidades como Jesus, Buda, Mahatma Gandhi e outros.


quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Duas passagens que tive com Dom Paulo Evaristo Arns


Reprodução/Youtube


Não vou repetir dados e informações biográficas sobre dom  Paulo Evaristo Arns, que foram divulgadas à exaustão hoje (ontem).

Quero apenas contar duas passagens de minha vida em que tive a honra de, mesmo que rapidamente, trocar algumas palavras com esse grande homem.

Uma foi em 2000, no dia da eleição que levou Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo. Chegávamos à PUC-SP, para votar. Quando passávamos pela entrada da universidade, à rua Monte Alegre, um carro parou e dele desceu dom Paulo Evaristo Arns. Surpresos com a feliz coincidência (mas dizem que coincidências não existem) dirigimo-nos a ele, dizendo algo como "veio votar, Dom Paulo?", só para ter algo o que ouvir dele.

Com o olhar carismático e expressivo, e o falar calmo característico dos homens que têm todas as coisas para dizer, e, sabedores disso, sempre falam sem pressa, ele fixou os olhos nos olhos da Carmem e disse: "chegou a hora das mulheres", com um sorriso convicto e alegre.

A outra ocasião foi ainda antes, cerca de um ano depois da eleição de Luiza Erundina (1988). Era um evento no Tuca, o teatro da PUC de tantas histórias, e eu, jornalista ainda muito jovem, me candidatei a fazer uma pergunta ao arcebispo. Lembro que, diante daquela sumidade que tanto e sempre respeitei, ao dirigir-me para pegar o microfone eu tremia. A insegurança de jovem  jornalista cresceu enormemente naquele momento, naquela situação. É que a gente se sente pequeno às vezes, quando está diante de alguém espiritualmente poderoso como ele.

Minha pergunta foi o que ele podia comentar sobre o papel decisivo da Igreja, a qual ele comandava em São Paulo como arcebispo, na eleição de Erundina. (No dia da eleição, a Folha de S. Paulo dera uma matéria de página inteira, sob o título: "Igreja libera fiéis para voto em Erundina" -- cito o título de memória, que pode ser diferente em algum detalhe, mas era esse essencialmente. Não há dúvida de que Dom Paulo foi decisivo naquela eleição.)

Hoje, 27 anos depois, não me lembro nem mesmo qual foi exatamente a resposta de Dom Paulo. Mas foi uma resposta política, como se dissesse que o que tinha de ser feito já fora feito.

Enfim, dom Paulo Evaristo Arns, aos 95 anos, terminou sua missão. Uma grande missão, cumprida com honra, serenidade e disposição para ajudar a melhorar o mundo. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Os cátaros, a política, o espiritismo

"Renegar a política é renegar a humanidade"
(Marco Ferreira, por e-mail)



"Quem sabe estudando as razões pelas quais tanto se matou por mera discordância ideológica possamos alcançar mais adiante um estágio evolutivo, em que se discorde tolerantemente."

A frase não é sobre o Brasil de Michel Temer ou sobre alguma ditadura latino-americana. É do livro Os Cátaros e a Heresia Católica, de Hermínio C. Miranda, que estou lendo.

Cátaros (do grego καϑαρός - katharós - "puro" ou "limpo") são um povo cristão que, em torno do ano 1.200, principalmente no sul da França, foi perseguido e exterminado pela Igreja Católica e suas Cruzadas, sob todas as formas de massacres, torturas e execuções, incluindo fogueiras em que se queimavam dezenas de pessoas de todas as idades.

Acusados de hereges, os cátaros foram perseguidos por pregarem um cristianismo não contaminado pela doutrina católico-romana, corrupta, defensora dos interesses terrenos, que destruiu incalculável patrimônio histórico e todo conhecimento (livros, culturas e povos) que de alguma forma ameaçava seu império. O cristianismo dos cátaros seria uma doutrina mais próxima de Cristo, personagem do qual, de resto, pouco se sabe.

Esse Cristo na realidade é uma entidade dual, contraditória - considerando as diferentes versões ou interpretações. As histórias em torno dele expressam posições antagônicas: ao mesmo tempo em que recomenda, a quem levar uma bofetada, oferecer a outra face, ele declara, segundo Mateus (10:34): "Não penseis que vim traz paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada".

Qual é o verdadeiro Jesus? O construído por Roma com certeza não é o de Pier Paolo Pasolini, diretor do belíssimo Il Vangelo secondo Matteo (1964), cujo Cristo veio trazer a espada.

Se, de acordo com a igreja romana, Jesus foi concebido por uma mãe virgem, os relatos históricos a que se tem acesso (filtrados por 2 mil anos e quase totalmente apagados pela genocida "Igreja de Pedro") dão margem a interpretações bem menos fantasiosas. Por exemplo: Maria Madalena, mulher reduzida a uma prostituta pela "Tradição", teria sido, na verdade, companheira e amante de Jesus, e inclusive mãe de descendentes seus. Tomé, presumem intérpretes, era irmão de Jesus. Ou, pelo menos, um outro, como diria Borges.

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Papa Gregório IX instituiu a "Santa Inquisição"
"A campanha militar (contra os cátaros) encerrou-se tecnicamente com a tomada de Montségur, em 1244, onde foram queimados vivos mais de 200 cátaros, numa só fogueira gigantesca, que iluminou os céus com as chamas do ódio e deixou espalhadas no chão da história 'as cinzas da liberdade', na expressão que Michel Roquebert colocou no título de um de seus livros", escreve Hermínio C. Miranda.

A "Santa Inquisição" foi instituída pelo "santo" Papa Gregório IX, em 1233, ou seja, 11 anos antes do extermínio definitivo dos cátaros.

Os Cátaros e a Heresia Católica é pois uma interessante abordagem histórica. Como o autor é espírita, sua análise do tema passa por associações que, segundo ele, estranhamente começaram a ser percebidas na Europa, particularmente na Inglaterra, sete séculos depois do extermínio dos cátaros, em meados do século XX. Essas associações apontariam para evidências espiritualistas relacionadas à reencarnação.

Os cátaros também são conhecidos como albigenses, em referência à cidade francesa de Albi, onde se considera que se originou esse movimento.

Ao pesquisar questões relativas aos cátaros, é também muito interessante saber que havia sinais de inegável familiaridade entre esse povo e os Cavaleiros Templários, também perseguidos pela Inquisição de "tenebrosa memória", como diz o autor do livro.

As pessoas fazem confusão entre Templários e Cruzados. É preciso pesquisar um pouco. Suas histórias se imbricam, mas não se confundem.

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Todavia, as sombras do passado e as farsas da história oficial dos séculos não me afastam da minha própria história. Eu quase poderia dizer que prefiro ler Truman Capote, J. D. Salinger ou Graham Greene, que são mais próximos do que eu sou, embora já estejam velhos. Mas acho melhor não dizer. Nos tempos atuais, já não se sabe o que é velho ou o que é novo.


*Publicado originalmente em 26 de novembro de 2016, à 00:56

quarta-feira, 13 de março de 2013

Francisco I, o novo papa da velha Igreja Católica



Reprodução
A escolha, pelo conclave concluído hoje, do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio como o novo papa, nomeado Francisco I, deve ser recebida com alívio pelos brasileiros, cristãos ou não, que sejam comprometidos com lutas políticas e almejam uma sociedade moderna (no sentido mais amplo), justa, laica e igualitária.

É possível que se o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, fosse eleito, houvesse um recrudescimento moralista no Brasil, dificultando ainda mais a discussão de temas como a descriminalização do aborto, casamento homossexual e outros pelos quais a sociedade civil tem reivindicado avanços dos poderes estabelecidos.

Bergoglio é o primeiro papa latino-americano da história e o primeiro não europeu. Segundo se veicula em veículos de imprensa independentes, o novo papa foi vinculado ao regime militar argentino (1976-1983), o mais violento da América do Sul, responsável pela morte de 30 mil pessoas. Bergoglio estaria ligado ao sequestro e à tortura de dois jesuítas argentinos e ao rapto de bebês de presos políticos no período mais obscuro da história recente de seu país.

Reproduzo trecho de matéria de João Peres, da Rede Brasil Atual:

“O próprio cardeal se orgulhava das boas relações com o comandante da Marinha [argentina] Emilio Massera, integrante da primeira Junta Militar e responsável, em 1955, por derrubar Juan Perón durante a autodenominada Revolução Gloriosa – um golpe de Estado, na realidade.
Foi na Marinha que se formou o principal campo de concentração do regime iniciado em 1976. A Escola de Mecânica (Esma, na sigla em castelhano) recebeu 5 mil prisioneiros, e menos de 200 deles saíram com vida.

(...) ansioso pela possibilidade de assumir o papado em caso de renúncia de Joseph Ratzinger, Bento XVI, Bergoglio encomendou em 2010 uma operação de ‘limpeza’ de seu nome. Segundo reportagem do jornal argentino Página12, o livro El Jesuíta foi escrito com a intenção de desfazer as más impressões criadas em torno do religioso pelo período em que comandou a Companhia de Jesus, entre 1973 e 1979” (a matéria na íntegra está aqui).

Esse aspecto digno de O Poderoso Chefão 3, de Francis Ford Coppola, não é surpreendente para quem conhece minimamente a atuação da Igreja Católica na história do mundo. Segundo o jornal espanhol El País, Bergoglio chegou a escrever uma carta a freiras carmelitas sobre a lei do casamento gay na Argentina dizendo que a oposição a essa legislação era uma "guerra de Deus" contra um "movimento do diabo", o que provocou séria reprimenda da presidente Cristina Kirchner. No entanto, o El País diz também: "Este sacerdote da Companhia de Jesus, poderosa ordem intelectual dentro da Igreja, muitas vezes em conflito com Roma e nos últimos tempos também com a Opus Dei, se distinguiu ao permitir que os padres mais progressistas de sua diocese tivessem muita liberdade. Em 2005, quando foi eleito o papa Bento XVI, Bergoglio foi o candidato da oposição, representando moderação frente ao mais extremo conservadorismo".

Seja como for, os escândalos de corrupção e pedofilia minaram muito da credibilidade da Igreja e a guinada reacionária operada desde João Paulo II não dá mostras de arrefecimento. O que, francamente, para nós, tanto faz. Mas, se era para escolher um papa latino-americano, um brasileiro poderia ser mais útil para a própria Igreja (repito, não para nós, brasileiros), visto que somos o país com mais católicos no mundo, que o Brasil é um país alçado hoje a uma importância internacional inédita em sua história e considerando ainda um fato meramente circunstancial, a realização de Jornada Mundial da Juventude, em julho de 2013, no Rio de Janeiro, com a presença do papa, segundo se prevê. Ou seja, um evento que no início de um papado em busca de fiéis e da recuperação da Igreja poderia capitalizar muita coisa.

***

PS (às 13:09, 14/03) - O Vaticano informou que o certo ao se referir ao nome do novo papa é dizer Francisco, e não Francisco I. Isso porque ele só será Francisco I quando houver um Francisco II. Faz sentido. Mas não vou mudar o título da postagem porque, no blogger, o título em si é gerador de um link. Se o título é mudado depois de postado, o link do título corrigido se perde e fica-se com um link de página "não existente" circulando por aí...

segunda-feira, 11 de março de 2013

Um papa brasileiro? – Considerações


Foto: Elza Fiúza/ABr
Dom Odilo Scherer, cotado no conclave
A pergunta do título tem sido feita nos últimos dias, depois que se intensificaram as especulações segundo as quais o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, seria cotado para suceder Bento XVI.

Alguns argumentam que um papa brasileiro seria notoriamente prejudicial ao Brasil, no sentido de que, investida de um poder ao mesmo tempo simbólico e concreto, a Igreja Católica passaria a exercer influência política ainda maior do que já exerce no país, cuja Constituição define o Estado como laico, mas que está longe de ter garantidos direitos quando o que está em jogo é a moral e os dogmas católicos.

Não se pode esquecer que, durante o processo eleitoral brasileiro de 2010, que culminou com a eleição da presidente Dilma Rousseff, bispos brasileiros se reuniram com Bento XVI e conseguiram do sumo pontífice uma declaração claramente contrária à candidata do PT: "Quando os projetos políticos contemplam, aberta ou veladamente, a descriminalização do aborto ou da eutanásia, o ideal democrático, que só é verdadeiramente tal quando reconhece e tutela a dignidade da pessoa, é traído em suas bases", disse o papa na época.

Até que ponto ou até onde iria a influência, em nosso país, da igreja comandada por um brasileiro não se sabe. Mas, considerando o conservadorismo do Vaticano, que exterminou do poder sua ala mais progressista a partir do pontificado de João Paulo II, pode-se ter uma ideia.

Há um outro aspecto a considerar. O crescimento do número de evangélicos no Brasil é significativo, na medida em que acompanhou na última década o decréscimo dos católicos. Os evangélicos passaram de 15,4%, em 2000, para 22,2% dos brasileiros em 2010, enquanto o número de católicos caiu de 73,8% para 64,6% na década, segundo o Censo do IBGE de 2010. Os católicos são 123,2 milhões, e os evangélicos já chegam a 42,3 milhões. O censo mostrou ainda que 8% (cerca de 15,3 milhões) não têm religião (são ateus, agnósticos ou deístas) e 2% declaram-se espíritas.

Apesar da significativa queda, o Brasil continua a ser o país com maior número de católicos no mundo. Do ponto de vista da Igreja Católica, um papa brasileiro certamente poderia estancar, ou pelo menos amenizar, a sangria de fiéis das últimas décadas, com potencial de frear ou diminuir o crescimento do neopentecostalismo. Estratégica e politicamente, talvez um papa brasileiro seja uma grande tacada do Vaticano. Mas ainda parece improvável que a solução seja essa, dado o domínio político dos europeus entre os cardeais.

Seja como for, se Odilo Scherer for o nome escolhido no conclave, em julho já haverá um evento de grande alcance e simbolismo, justamente no Brasil, a Jornada Mundial da Juventude, que será realizada em julho de 2013 no Rio de Janeiro com a presença do papa. Estará a igreja considerando esse evento como um dado relevante no processo de escolha do novo papa? Veremos.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A missa católica e a lei seca – recomendações


Por mais sério que pareça, e é (afinal é uma nota oficial da Arquidiocese de Curitiba), não se pode deixar de observar que uma fina ironia perpassa o texto assinado pelo arcebispo Dom Moacyr José Vitti, no qual orienta os religiosos da capital paranaense sobre como se comportar com a nova lei seca, que entrou em vigor em todo o país em 2013. Ou será que não há ironia e estou imaginando coisas, motivado por algum sentimento anticlerical?

Foto: Carmem Machado


A íntegra da nota da Arquidiocese:

"Nossa orientação aos padres é que procurem reduzir ao máximo a ingestão do vinho (com álcool) durante as missas, lembrando de que se trata do sangue de Cristo. É importante também que os padres estejam sempre munidos com a carteirinha de padre, para atestarem que são sacerdotes e estão ao serviço da Igreja. Os que preferirem substituir o vinho com o álcool pelo sem, ou pelo suco de uva, poderão fazê-lo, pois já estão autorizados pelo arcebispo."

Leia também uma recomendação completamente contrária à da Arquidiocese:

Embriagai-vos (de Charles Baudelaire)

O documento no site oficial da Igreja Católica na capital do Paraná está aqui: Nota oficial da Arquidiocese de Curitiba - nova lei seca,

sábado, 7 de maio de 2011

União homoafetiva: Marta Suplicy fala
a rádio sobre julgamento do STF

A senadora Marta Suplicy falou à rádio CBN agora há pouco sobre o reconhecimento, por 10 votos a zero, pelo Supremo Tribunal Federal, da união homoafetiva. Pela decisão, os casais homossexuais têm agora os mesmos direitos e deveres legais que os casais heterossexuais. Marta é talvez a liderança que mais lutou por esses direitos e outros correlatos.

Foto: Waldemir Barreto
Na entrevista, a senadora destacou dois pontos do julgamento. O primeiro, que a decisão foi histórica não só pela unanimidade da decisão como pelo teor dos votos dos ministros, que segundo ela foram densos e humanistas. O segundo ponto foi o fato de o STF ter corrigido a falta de Legislação, que não existe por omissão do Congresso Nacional.

Marta Suplicy é autora de um projeto sobre o tema que está parado no Congresso há dez anos. Segundo ela, o projeto já está obsoleto.

No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) 4277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 132, o ministro Luiz Fux destacou: “O homossexual, em regra, não pode constituir família por força de duas questões que são abominadas por nossa Constituição: a intolerância e o preconceito”.

Já a ministra Ellen Gracie disse em seu voto: “O reconhecimento, portanto, pelo tribunal, hoje, desses direitos, responde a um grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida”.

O Estado laico
A Igreja Católica, obviamente, protestou. Vejam o que disse d. Orani João Tempesta, arcebispo do Rio: "A definição do que é uma família não nasce do voto ou da opinião de um grupo majoritário. É algo de direito natural, está inscrito na própria condição humana". Pitoresco, isso, “direito natural”.

O Judiciário brasileiro, enfim, tem se manifestado a favor do Estado laico, como manda nossa Constituição, contra essas filosofias obscurantistas que perduram através dos séculos. Assim foi também na histórica decisão de maio de 2008, quando a Suprema Corte aprovou as pesquisas com células-tronco embrionárias no país.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Vaticano diz que confessar pelo iPhone nem pensar

Muitos, até o Homer Simpson, já tiveram o desprazer de confessar. Uma das situações mais hipócritas e constrangedoras pelas quais se pode passar e que enfrentei uma vez na vida, quando fiz a primeira comunhão (antigamente a primeira comunhão era muitíssimo comum).

Até Homer Simpson já confessou
Agora a tecnologia adentra os rituais da fé católica. Ou melhor, tenta adentrar, como uma verdadeira tentação, com o perdão do trocadilho. É que foi lançado um aplicativo para iPhone chamado “Confession: A Roman Catholic”, um guia para os usuários que queiram se purificar pelo sacramento da confissão. O aplicativo dá ao fiel a possibilidade de registrar seus pecados, auxiliando o pecador e o padre.

Pelo que entendi (eu que sou leigo em tecnologia), fica mais difícil o pecador esquecer os pecados, cabeludos ou não, já que se pode registrar tudo. Só que o tal aplicativo já causou rebuliço no Vaticano, o que é natural, pois se lá no santo Estado é difícil admitir até mesmo o uso de um produto pré-tecnológico, uma simples camisinha, imaginem um aparelhinho diabólico como esse.

O Vaticano não ficou nem um pouco satisfeito. Não ficou, não. Tanto que seu porta-voz oficial, padre Federico Lombardi, segundo matéria da Reuters, se apressou em dizer que “não se pode falar de forma alguma de confessar pelo iPhone". Em outras palavras, os católicos não podem fazer suas confissões sem a presença física do padre, enfatizou Lombardi.

Se você xingou a mãe, pensou coisas escabrosas sobre a mulher do vizinho, mentiu para todo mundo, não adianta fugir para o iPhone. Só pessoalmente o padre pode dizer quantos Pais Nossos e Aves Marias você terá de rezar para se purificar, internauta pecador.

Atualizado às 20:30
Publicado originalmente às 18:02

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A igreja católica defende a vida. Sim, a vida dos ricos e poderosos do mundo

Panfletagem em Aparecida revela o cinismo e a hipocrisia dos lobos em pele de cordeiro

Lemos na imprensa e ouvimos no rádio desde ontem que as comemorações do Dia de Nossa Senhora Aparecida foram usadas com fervor pelos católicos obscurantistas para fazer antipropaganda contra a campanha de Dilma Rousseff, em nome, segundo eles, da defesa da vida e contra o aborto.

É bom frisar, ou lembrar, que essa não é a Igreja, por exemplo, do franciscano Dom Paulo Evaristo Arns, que, em 1989, como arcebispo de São Paulo, liberou os fiéis a votar em Luiza Erundina, um homem que fez de sua profissão de fé um trabalho maravilhoso pela democracia, pelos direitos humanos, pela Teologia da Libertação e pela vida. Não foi coincidência que, em 1989, a Arquidiocese de São Paulo tenha sido reduzida e esvaziada pelo reacionário papa João Paulo II, uma das encarnações do lobo em pele de cordeiro.

A panfletagem em Aparecida, Contagem (MG) e outras cidades contra a candidatura Dilma é só mais um exemplo de por que a igreja católica no Brasil perde mais e mais fiéis. Ela se perdeu no tempo e é incapaz de verdadeiramente estar ao lado do povo.

Revela também o seu cinismo e hipocrisia. Como é fartamente conhecido e divulgado, seus organismos e templos são territórios onde se dissemina a pedofilia e outras práticas sexuais, inclusive o aborto. Basta uma pesquisa na internet que qualquer cidadão encontra relatos sobre elas. Vou citar uma, que está numa edição da revista Veja (sim, Veja) de março de 2001: A matéria é intitulada “Estupro na Igreja” e diz: “uma série de cinco documentos divulgados na semana passada pelo National Catholic Repórter [de Kansas City, nos Estados Unidos] (...) lançou luz sobre um drama ignorado pela imensa maioria do 1 bilhão de católicos no mundo: os abusos sexuais de padres contra freiras, que incluem estupros e abortos forçados”. Entendeu, leitor? Dou até o link, aqui.

O texto distribuído no último fim de semana no Brasil mostra a face verdadeira da igreja católica na defesa do obscurantismo e dos poderosos do mundo – como fez tantas vezes (ao apoiar a sangrenta ditadura franquista na Espanha, assim como os regimes militares no Brasil e no Chile, entre outros).

Em tempo: o texto disseminado durante as celebrações pela padroeira do Brasil é assinado pelos membros da Regional Sul 1 da CNBB, comandada pelo bispo de Santo André (SP) dom Nelson Westrupp.

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PS: [atualizado às 20h06] - Católicos e evangélicos assinam e divulgam manifesto de apoio e voto em Dilma Rousseff:.