O texto abaixo, com o respectivo link, foi publicado como comentário no post Ayrton Senna - Interlagos, 1991. Mas acho que deve ser elevado da categoria de comentário para post propriamente dito.
Por Felipe Cabañas da Silva
Épico, de fato. Tem uma coleção de corridas épicas, como em Donington Park em 1993, em que Senna pulou de 4° a 1° na primeira volta debaixo de chuva, a volta que ficou conhecida como "a melhor volta da história" (a narração também é do Galvão Bueno, infelizmente).
Pois é. O Senna é um dos meus ídolos de infância. Domingos inesquecíveis assistindo corrida com meu pai. Quando ele morreu eu tinha 11 anos, e não me envergonho de ter chorado. O ufanismo bobal do Galvão Bueno não invalida o mito. Embora todo mito tenha seu lado perverso, que se relaciona ao processo de mitificação, e não ao sujeito mitificado, continuo achando que o Senna merece respeito.
E perto de um monstro genial capaz de acabar a corrida com cãibra no corpo todo, dizendo que "não sobrou nada", a Fórmula 1 de hoje é brincadeira de playstation. Também não perco meu tempo. Cada vez mais sem graça. Por mais que que o Bernie Ecclestone invente, por mais que todo ano se invente um monte de regras para tornar a corrida "mais emocionante", já virou protocolo. E nesse caso, por mais que o Piquet seja um babaca, ele está certo quando diz que o sujeito que senta na frente da televisão pra ver uma corrida de automóveis quer ver o circo pegar fogo (leia-se em sentido próprio e figurado), e não uma procissão de comadres guiadas por controle remoto trocando de posição nos boxes. Enfim, bem mais divertido ver uma pelada qualquer, mesmo que seja Ibis x Bangu.