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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Por que torço para Portugal de Cristiano Ronaldo contra a França

Eurocopa


Reprodução/Youtube
Craque português cumprimenta craque de País de Gales

Não pude ver os jogos das semifinais da Eurocopa. Como a Itália (meu time na Europa, para horror de alguns amigos) foi eliminada pela Alemanha no domingo, nos pênaltis, e esta caiu hoje inapelavelmente batida por 2 a 0 pela anfitriã França, em Marselha, torcerei para os patrícios na final entre franceses e Portugal. Aliás, torceria mesmo se a final fosse Portugal x Alemanha.

Sim, o time português é limitado. Joga, muitas vezes, contra times poderosos, por “uma bola”. Joga feio. Costuma apostar nos pênaltis para se classificar, embora tenha batido País de Gales por 2 a 0 para ir à final.

Mas, mesmo assim, torço para os patrícios contra os franceses porque, primeiro, sempre torço contra a França; segundo, quase sempre torço para Portugal, talvez por algo atávico e cultural, afinal, quem não gosta de uma padaria de português e de uma bacalhoada da hora?; e, terceiro, sou fã do “arrogante”, “nojentinho” e “insuportável” Cristiano Ronaldo. Como joga bola, o gajo, para mim o melhor jogador do mundo, apesar de a mídia preferir Lionel Messi, tanto que o argentino-catalão foi eleito quatro vezes o melhor do mundo pelo FIFA Ballon d'Or nos últimos anos (2010, 2011, 2012 e 2015), enquanto o português ganhou apenas duas (2013 e 2014).

Mas, para mim, lances como esse, abaixo, o primeiro de Portugal contra País de Gales, mostram por que o português está, literalmente, num patamar superior. O que não acontece por acaso. Segundo se sabe, o jogador não confia apenas em seu enorme talento, mas treina como um “doente” e não se cansa de buscar a perfeição, segundo seu ex-companheiro de seleção portuguesa Deco.

CR7, como é chamado no atual mundo de siglas, nunca foi campeão com a seleção de seu país. Mas, ao contrário de Messi, que joga na atual vice-campeã mundial Argentina, uma das melhores seleções nacionais do mundo (onde também nunca ganhou nada), Ronaldo leva sua seleção praticamente sozinho. É o maior artilheiro da história de Portugal, com 61 gols (20 a mais que o mito Eusébio). Na Espanha, jogando no Real Madrid, detém o recorde de marcar pelo menos 30 gols em cinco temporadas seguidas, 17 gols pela Liga dos Campeões em 2014 (marca inédita até então), maior artilheiro da história da Liga dos Campeões (com 93 gols), eleito três vezes melhor jogador do mundo (2008, 2013 e 2014), entre outras marcas.

E tem ainda posições surpreendentes. Em 2013, ao receber a Bola de Ouro, emocionado, citou duas personalidades que considera importantes para si mesmo. “Queria também mencionar os nomes de Eusébio e Madiba (Nelson Mandela), pessoas muito importantes para mim. É um momento muito emocionante. Tudo o que eu posso dizer é obrigado”, declarou, entre lágrimas.


Com Nelson Mandela, em 2010

Em 2010, durante a Copa do Mundo da África do Sul, o craque português encontrou-se com Mandela em Joanesburgo, enquanto seus companheiros de seleção visitavam o zoológico da cidade.

Sobre o espetacular gol contra País de Gales abaixo, o tabloide Daily Mail calculou que o atleta subiu 76,2 centímetros do solo e, considerando que tem 1,85 m de altura, cabeceou a bola a 2,61 m, 17 centímetros acima da altura do travessão. Parou 7 décimos de segundo no ar e a bola saiu de sua cabeça a 71,3 km/h. É incrível.

Nada é por a caso. Por isso, não é por acaso que torço para Portugal de Cristiano Ronaldo contra a França, um país, aliás, que sempre foi racista, mas só ganhou sua primeira Copa do Mundo, em 1998, quando resolveu incorporar os negros a sua seleção. 

Mas a França é mais time, joga em casa e é franca favorita.

Vejam o gol:

quinta-feira, 30 de junho de 2016

A derrota de Messi e a demagogia sentimentalista



Reprodução/Youtube


A perda da Copa América pela Argentina no último domingo, mas principalmente a derrota de Messi, o herói, deu margem a todo tipo de dramatizações. Algumas sinceras, outras demagogas e midiáticas; umas emocionadas, outras calculistas (em busca de audiência), outras ainda simplesmente tolas.

Faço este breve comentário com tranquilidade, pois estou muito longe de alimentar em mim mesmo a rivalidade globeleza e falsa entre Brasil e Argentina, que embala o canal de televisão patrocinador do golpe no Brasil.

Adoro o futebol argentino, que, para mim, junto com o outrora (e hoje degradado e horrível) futebol brasileiro e o italiano, sempre formaram a tríade do melhor futebol do mundo -- como tradição e escola, e não apenas como fruto de fenômenos episódicos, do tipo Hungria de 1954 e Holanda de 1974.

Mas, mais do que de seu futebol, adoro a Argentina, país onde é sempre um prazer estar, nem que seja para simplesmente caminhar pela inigualável avenida de Mayo. Julio Cortázar, embora morasse em Paris, certa vez disse que caminhar por Buenos Aires era o maior ou um dos maiores prazeres de sua vida. Conheço vários argentinos e argentinas agradabilíssimos.

Mas voltemos a Messi. Até mesmo eu fiquei um pouco condoído pela dor do craque com a perda do pênalti que custou a derrota para o Chile. Porque a derrota é de fato triste. Mas a pieguice que embalou muitos e o oportunismo mancheteiro que motivou outros, sinceramente, é da dar tédio, ou raiva, dependendo do momento. 

Para mim, "A tristeza de Messi é a tristeza do futebol", como escreveu Mário Magalhães em seu blog no Uol, francamente, superou tudo em tolice, inclusive o sentimentalismo piegas dos amigos ou amigas que se emocionaram a não mais poder com a imagem de uma mulher enxugando as lágrimas de Messi.

Só para ficar no futebol: e a alegria do Chile, construída com talento e aplicação, um time taticamente impressionante, a seleção de Alexis Sánchez e Arturo Vidal, não conta? Conta só o que dá ibope? O triunfo chileno e "tudo isso é importante, mas a tristeza do Messi é mais", escreveu o blogueiro. Ora, por quê? 

Por acaso, quando Roberto Baggio, um dos maiores craques do futebol italiano, e portanto do futebol mundial, em 1994, perdeu o pênalti contra o Brasil não foi "a tristeza do futebol" também, só porque o vencedor foi a seleção pragmática e covarde de Carlos Alberto Parreira venerada por Galvão Bueno?

Ou, voltando um pouco mais, quando Zico, um dos maiores que vi jogar (para mim mais jogador do que Messi) perdeu o pênalti contra a França em 1986, não foi "a tristeza do futebol" também, só porque perdemos, e então o sentimento tinha de ser outro que não o da pena? "A decepção da seleção de Zico", pode-se achar facilmente hoje numa busca no Google sobre o tema.

Messi perdeu. O esporte é assim. Perde-se. Até Pelé perdeu. Aliás, não foi nem a primeira, nem a segunda, nem a terceira vez que Messi perdeu um título junto com a Argentina. Messi, um dos maiores craques do século 21, nunca ganhou nada por seu país, onde, diga-se, nunca jogou profissionalmente, já que saiu dos infantis do Newell's Old Boys aos 13 anos para alçar a glória no Barcelona.

A mídia precisa de heróis, para vender manchetes. Mas Messi não chega ao maravilhoso pé esquerdo de Maradona, que ganhou sozinho a Copa do Mundo de 1986 para seu país, num dos momentos épicos e inigualáveis da história do futebol.

Messi hoje é um herói, há anos é o queridinho da mídia, esta semana virou o símbolo da tristeza e vende muitas manchetes. Por isso mesmo, porque o mundo precisa de manchetes e de quem as compre, virão outros.

Podem ficar tranquilos. O craque nascido em Rosario que perdeu o pênalti no domingo continuará feliz lá na Catalunha. E os chilenos, outrora menosprezados por seus próprios compatriotas, estão muito felizes com o bicampeonato. É muito justo.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Notas de Buenos Aires


                                           clique nas fotos para ampliar
Avenida de Mayo é o coração de Buenos Aires


I

Jorge Luis Borges, que nasceu em Buenos Aires em 24 de agosto de 1899, escreveu sobre sua cidade natal:

“los años que he vivido en Europa son ilusorios,
yo estaba siempre (y estaré) en Buenos Aires
.”

Os versos, do poema Arrabal, têm uma coloração metafísica, como se dissessem: se você conhece Buenos Aires, ela já não te deixará. Outro grande escritor argentino, Julio Cortázar, afirmou que caminhar por Buenos Aires era um de seus maiores prazeres.

Mesclando as abordagens de Borges e Cortázar, a mim Buenos Aires provoca uma sensação de nostalgia, no sentido que se dá à palavra na língua espanhola, uma mistura de nostalgia, melancolia e uma espécie de saudade sem objeto. Isso muito provavelmente pela arquitetura e cultura da cidade. De modo geral, essa tênue melancolia não atrapalha e o prazer provocado pela cidade prevalece.


Avenida Saenz Peña

O caráter severo e orgulhoso dos portenhos de Buenos Aires como que se reflete na arquitetura urbana europeia, de matriz madrilenha. Como Borges, os portenhos são orgulhosos, gentis, românticos e por vezes arrogantes.

II


Você está andando por aquela vila e de repente vê la cancha

Buenos Aires tem bairros muito interessantes, mas La Boca fascina sobretudo. O bairro é intrinsecamente ligado ao Boca Juniors. La Boca é muito cativante porque é popular.

Caminhando, entre as ruas daquela vila, de repente você se depara com la cancha, La Bombonera. O estádio é imponente, colorido, bonito, como uma antiga arena greco-romana plantada na Argentina.

Pensemos comparativamente: imagine o time de um bairro cujos torcedores misturassem o caráter do mais popular e do povo (o Corinthians) com o caráter dos ítalos (que em São Paulo estão na Mooca e na Pompéia, por exemplo – os palmeirenses), e com um estádio que sob vários aspectos lembra muito a Vila Belmiro naquela vila de Santos. O Boca Juniors é tudo isso.

No bairro, um jornaleiro já idoso, com uma banquinha humilde de revista na calle Brandsen, me diz que Cristina Kirchner quebrou o monopólio da mídia com a Ley de Medios e que Daniel Scioli, o candidato da presidente, vai ganhar na primera vuelta (primeiro turno). O senhor me diz que a Ley de Medios precisa vingar e por isso e outras coisas votará no candidato de Cristina.

III

A avenida de Mayo, na minha modesta opinião, é o coração de Buenos Aires. Não (apenas) por seu simbolismo, já que começa na Casa Rosada, sede do governo argentino, e termina no Congresso Nacional do país. Mas porque o lindíssimo bulevar de 1,5 km de extensão – com dezenas de cafés, bares e restaurantes de vários tipos – é um espaço democrático onde transitam pessoas de todas as idades durante todo o dia e até tarde da noite.

O mítico Café Tortoni, fundado em 1858, fica na avenida de Mayo. Diferentemente de São Paulo, onde você gasta os olhos da cara em qualquer barzinho medíocre metido a besta, você pode ficar horas no Tortoni, tomando um bom vinho (que na Argentina é muito barato) e comer um prato e gastar cerca de 300 pesos em duas pessoas (cerca de 85 reais, no câmbio de hoje: cada real valia 3,60 pesos no paralelo, enquanto estivemos lá).

Na avenida de Mayo, o mítico Tortoni

Se você está num hotel na avenida de Mayo, não precisará de mais nada. Não há nada parecido à avenida de Mayo em São Paulo. 

IV

Santelmo também é um bairro especial, acolhedor e agradável. Imagens como a desta senhora na foto abaixo, num restaurante onde almoçamos no bairro, falam por si. Tem muitos artesãos e lojas de antiguidades. 

Personagem de Santelmo

Apesar de estarmos em Santelmo, o ônibus (lo coche) abaixo retrata como é a frota da cidade. São modelos como esse que circulam em todos os lugares. Dificilmente você espera mais do que cinco minutos no ponto para pegar um coche. Não existe a função de cobrador nos ônibus. A passagem é paga com um cartão (Sube) que você carrega (como o nosso bilhete único) e usa na máquina ao lado do motorista. Mas não há um sistema como o bilhete único paulistano. Lá, você paga a mesma tarifa toda vez que pegar um transporte, ônibus ou metrô (lá é Subte); não existe desconto. Em compensação, uma passagem custa em média (não tem um valor fixo) 3,25 pesos, o que equivale a cerca de 1 real. O Estado nacional subsidia o transporte.


O ônibus 29 te leva a Santelmo

V 

Não gosto do bairro La Recoleta, elitista e caríssimo para tudo. Mas lá está o Museu Nacional de Belas Artes. No acervo, podemos ver maravilhas como as bailarinas de Degas.





Ou o quadro Annabel Lee (também chamado Mulher na praia, de 1861), de Édouard Manet, referência a Annabel Lee, título do último poema completo composto pelo poeta americano Edgar Allan Poe, escrito em 1849. Nele, Poe escreve: "Faz já muitos anos. Em um reino além do mar vivia uma menina que podias conhecer pelo nome de Annabel Lee. Essa menina vivia sem nenhum outro pensamento a não ser me amar e ser amada por mim" (Edgar Allan Poe, 1849).


Ou este Van Gogh (Le Moulin de la Galette).



Ou este Picasso.



VI 

Palermo foi o bairro onde Jorge Luis Borges viveu parte da infância. Não à toa, o escritor virou nome de rua. Não conheci Palermo quando fui à cidade pela primeira vez, há uns 15 anos. Mas, de modo geral, achei o bairro um pouco monótono.




VII

Faltou, e aqui acrescento, falar do metrô (que em Buenos Aires se chama Subte - de subterrâneo), sobre o qual mais de uma pessoa me perguntou e o Paulo citou em comentário neste post: "Por toda parte, naquele subsolo, você lê versos nas paredes e nas verticais dos degraus das escadas e caminha sobre centenas de capas de livros desenhadas em pisos que parecem velhos, como os tetos e as paredes". Abaixo a estação Lima (na avenida de Mayo).


A estação da famosa Plaza de Mayo.



O metrô na cidade foi fundado em 1913 (é o mais antigo da América latina) e tem 56 km de linhas. As estações se espalham por toda a cidade, das regiões centrais à periferia. O metrô (Subte), porém, não chega a lugares importantes, como Recoleta e Santelmo.

As estações têm arte e características diferentes entre si. Muitas têm bancas de jornal em plena plataforma, o que mostra uma característica dos portenhos: eles consomem muito mais revistas e jornais (assim como livros) do que nós. O metrô funciona até as 11 horas da noite.




VIII

A julgar pelo que sinto em Buenos Aires, os argentinos da capital são orgulhosos, geralmente gentis, românticos e por vezes arrogantes. Muito mais politizados do que os brasileiros, apesar da campanha do Clarín. Foto abaixo – ao estilo Folha de S. Paulo – mostra manchete de página da segunda-feira, 5 de outubro.


Clarín: jornalismo ao estilo Folha de S. Paulo

Ao sair da cidade, o taxista que nos levou do hotel para o aeroporto de Ezeiza, bastante politizado, filho de antigo empleado de transportes, conta que o governo dos Kirchner promoveu justiça tributária, tentando implantar na medida do possível o princípio de um sistema progressivo, de “quem tem mais, paga mais”, e que, por esse e outros motivos, votará em Scioli. Assim como o velho jornaleiro de la Boca (embora menos kirchnerista do que este), mencionou políticas de Estado.

Por exemplo, consumo de gás. Daniel, o taxista, conta que num certo momento ele estava em dificuldades e não podia pagar a conta do gás de sua casa. O Estado então subsidiava o gás para ele. "Pero ahora ya lo puedo pagar, entonces ya no es necesario que ayudeme el Estado". Citou também uma lei graças à qual não perdeu seu imóvel quando sua vida esteve mais difícil: a lei aprovada no governo dos Kirchner impede a perda judicial, por dívidas, de um imóvel se este imóvel é o único da pessoa e onde ela mora.

Mas Daniel, o taxista, vai votar meio a contragosto em Daniel Scioli. O candidato de Cristina foi vice-presidente da Argentina e é o atual governador da província (estado) de Buenos Aires. Aparentemente, os eleitores de Scioli que o elegeram para governador da província não estão satisfeitos com seu governo. Votam no candidato da presidente para "no cambiar todo", o que aconteceria com a vitória da oposição, os tucanos deles.


Publicado originalmente em 15 de outubro de 2015, às 15:52



domingo, 11 de outubro de 2015

De férias na Argentina




Os amigos devem ter notado que, faz tempo, estou devendo um post. Como estamos em Buenos Aires, nao consegui achar tempo para escrever minhas "notas de Buenos Aires", "notas de Argentina" e "notas de Rosário" (cidade a 300 km da muy linda capital argentina).

Aliás, o país está a duas semanas do pleito eleitoral que decidirá se Daniel Scioli, o candidato de Cristina Kirchner, a sucederá ou nao.

Devo dizer que a dificuldade que tenho em achar tempo para escrever aqui (mas com certeza nesta semana que entra agora, quando voltarei a Sao Paulo, farei isso) é a mesma para encontrar o cedilha e o til, mas isso é o de  menos.

Julio Cortázar certa vez disse que caminhar por Buenos Aires era o maior prazer (ou um dos maiores) de sua vida. O velho Cortázar tinha razao e quem conhece a capital da Argentina sabe que a avenida de Mayo, por exemplo, dá razao às palavras do escritor.

Fico por aqui, por enquanto, amigos. Até breve.

sábado, 30 de maio de 2015

A Argentina de Cristina Kirchner e os
800 mil na praça



“Va a pasar lo que ustedes quieran que pase”

Na última celebração do 25 de maio (segunda-feira passada, nas comemorações dos 205 anos da independência) como presidente da Argentina, Cristina Kirchner fala para 800 mil pessoas sobre os 12 anos de governo desde que Néstor Kirchner chegou ao poder e começou a mudar o país. Dá para refletir sobre várias coisas e analogias com nosotros, aqui no Brasil.

Foto: Reprodução

Por Werner Pertot, do 
Página12


"La bella señora está desencarnada”, sonaba de fondo Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota cuando la presidenta Cristina Fernández de Kirchner irrumpió en el escenario. Lo recorrió de un lado a otro como una rockstar, ante las ovaciones de la multitudinaria tribuna pintada de celeste y blanco. En su discurso, relevó los hitos de su gobierno y del de Néstor Kirchner, que había asumido 12 años atrás. “Decían que íbamos a arreglar (con los fondos buitre). No tengan miedo. Pueden difamar a mi hija, maltratar a mi hijo, pero mientras sea Presidenta voy a seguir defendiendo los intereses del país. No tengo ninguna cuenta en el exterior que me puedan descubrir”, aseguró. Varios tramos estuvieron dirigidos al futuro posterior a su gobierno: “Este es un proyecto colectivo. No puede depender de una sola persona. ¡Depende de ustedes!”, remarcó. “Este proyecto debe continuar –insistió–. No es continuidad o cambio. Los que quieren cambio, que nos expliquen a todos qué cambio quieren.”

La Casa Rosada estaba iluminada y con el mapping en ventanas, puertas y banners. Justo antes de la entrada de la Presidenta, mostraba un diseño de rayos eléctricos que caían del cielo. Durante el discurso de la mandataria, en cambio, emulaban una bandera argentina ondeando. CFK ingresó, de hecho, con el tema “Juguetes perdidos” de los Redondos.

Con un traje gris brillante, la Presidenta entonó al himno, tocado por la orquesta El Arranque y cantado por Guillermo Fernández, que culminó con una primera salva de fuegos artificiales que iluminaron el cielo sobre la Casa Rosada. Su discurso –el último que dará como Presidenta un 25 de Mayo– estuvo cargado de recuerdos de los 12 años de gobierno.

Doce años ganados
  Pablo Piovano
Comenzó con una evocación de Néstor Kirchner: recordó que había asumido hacía 12 años “en una hermosa mañana de sol. Pronunció un discurso que algunos creyeron que era sólo eso: un discurso. Desde algún editorial se pronosticó que ese gobierno iba a durar apenas un año. Fallaron, como siempre”, dijo, y despertó la primera ovación de la multitud, que llevaba cartulinas con imágenes de pingüinos sosteniendo banderas de distintos colores o urnas que decían: “Voto joven”.

“Su concepto más recordado fue cuando dijo que no pensaba dejar sus convicciones en la puerta de la Casa Rosada para gobernar el país –indicó la Presidenta–. Pero después dijo que los dirigentes políticos íbamos a ser juzgados por los resultados. Veníamos de la dolorosa experiencia de discursos maravilloso y de gobiernos desastrosos.” “Nosotros somos el Gobierno de la transformación”, definió. Rememoró la Cumbre de las Américas en Mar del Plata y la renegociación de la deuda externa, en la que “obtuvo la reestructuración más importante de toda la historia del mundo”. “Quedaron aleteando algunos buitres, poderosos, que manejan medios de comunicación y ONG de ésas que uno nunca sabe de dónde sacan los fondos”, acusó. La mandataria afirmó que mantendrá la posición argentina hacia los acreedores.

“No tengo ninguna cuenta en el exterior que puedan descubrir. Al contrario, les descubrieron miles de cuentas a otros. ¿Vieron algún programa de investigación sobre esas cuentas?”, preguntó. Fue uno de varios pasajes destinados a los medios de comunicación. Otro llegó cuando se refirió a la inauguración del Sitio de la Memoria en la ex ESMA. “Me impresionó una frase que se repetía donde nacieron bebés en cautiverio: ‘¿Cómo puede ser que acá hayan nacido bebés?’”, recordó y propuso que se ponga otro cartel en la entrada de todos los sitios de memoria, que diga: “¿Cómo puede ser que los medios de comunicación ignoraron lo que pasaba?”

–Tomala vos / dámela a mí / el que no salta / es de Clarín –coreaba la multitud. El cantito se repitió cuando aludió a la ley de medios. “¿Cómo explicás que justificaste la tortura o que tiren gente al mar?”, reiteró sobre la prensa en la dictadura.

“Esto no es abrir ninguna grieta. Los argentinos estamos reconciliados”, sostuvo y puso como ejemplo el traslado del sable corvo de San Martín. “Esa es la verdadera reconciliación del pueblo con el ejército sanmartiniano. Díganme si recuerdan desde que volvió la democracia a tanta gente en la calle vivando a los Granaderos”, afirmó.

Tras una discusión con la “historiografía liberal que decía que Rosas era un tirano”, volvió sobre la represión en la dictadura (o previa al golpe), amagó con no decir algo y finalmente dijo: “Teníamos que hacernos cargo porque entre las víctimas había peronistas, pero entre los victimarios había otros que se decían o eran de nuestro movimiento”. CFK concluyó con la idea de que “los derechos humanos se han convertido definitivamente a nuestra democracia”.

Postales del futuro

Así como recordó los hitos del gobierno de Kirchner, CFK hizo un repaso por su gestión: mencionó la AUH, Aerolíneas Argentinas, YPF, las jubilaciones, las escuelas. Y al recordar el cierre de las paritarias de un grupo de gremios –entre ellos, la UOM de Antonio Caló–, indicó: “Espero que a partir del 10 de diciembre los mismos dirigentes sindicales pongan toda la fuerza para conseguir todos los aumentos que consiguieron en estos años. Si no lo hacen, yo les voy a decir a los trabajadores que cambien de dirigentes sindicales, para que sigan teniendo los mismos derechos”. Las menciones a los que la rodeaban llegaron en dosis homeopáticas: una fue para su ex jefe de Gabinete Jorge Capitanich por el resultado electoral en las PASO de Chaco. La otra, para Juan Cabandié cuando mencionó a los nietos recuperados nacidos en la ESMA.

También hubo advertencias para los opositores, sobre quienes dijo que “deben criticar. Está bien que critiquen. Deben proponer también, pero bueno...”. Luego los cuestionó porque “parece que les molesta que el Centro Cultural lleva el nombre de un ex presidente. ¿Por qué no construyen uno más grande y le ponen el nombre que quieran? ¿O creen que me gustan los nombres de algunas calles, avenidas, plazas? Si es por cambiar nombres, cambiémosles el nombre a todos”.

Señaló que desde la oposición “quieren hacerle creer a la gente que es bueno que cada cuatro años cambie todo. ¿Saben por qué? Porque cuando cada cuatro años cambia todo, todo sigue igual”. “Por eso, este proyecto debe continuar –remarcó CFK sin mencionar a ninguno de los candidatos a sucederla–. No es continuidad o cambio. Que nos expliquen qué cambio quieren.” “Ahora dicen que la AUH está muy bien y que no van a reprivatizar Aerolíneas ni YPF, pero cada vez que votamos fue en absoluta soledad”, afirmó. “Olvídense de que yo soy medio antipaticona y alguno puede decir: ‘Mirá qué soberbia’. Son defectos que tengo. Pero piensen: ¿están un poquito mejor que en 2003?”, le preguntó a la multitud.

–Síiiiiii –le respondieron, entre varios cantitos que pedían la reelección por un tercer mandato.

“Morocha, no te vayas”, decía uno de los carteles que colgaban del palco junto al escenario. “Muchos me miran con miedo y me dicen: ‘¿Qué va a pasar?’. Va a pasar lo que ustedes quieran que pase. Ustedes son los dueños de su destino. Lo más importante es que hemos construido otra vez la patria”, afirmó CFK. Sobre la economía, la Presidenta afirmó: “Hemos demostrado que no era un veranito. Vamos por doce veranos y queremos el verano número trece”. Y aprovechó para comparar con la situación de Europa. No faltaron las alusiones al juez de la Corte Suprema Carlos Fayt cuando mencionó a una candidata de Podemos en Madrid, que “es una ex jueza de 71 años (sí, en España parece que se jubilan antes)”.

Por último, la Presidenta recordó los saqueos y las insubordinaciones policiales de diciembre de 2013 y llamó a “estar atentos, porque tal vez intenten hacer cosas para enojar a la gente. En estos días, vimos episodios de sospechosa e inusitada violencia”, en una posible alusión al linchamiento de Monte Hermoso. En una de sus últimas alusiones al 2016, la mandataria afirmó: “Van a venir muchos 25 de mayo más donde el pueblo se volcará a la Plaza”.



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O preço do petróleo, Estados Unidos, Rússia, o Brasil e o fusca do Mujica



Ou: peças de um quebra-cabeça


Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma cumprimenta Putin em reunião de cúpula dos Brics (22/11/2014)

A crise do preço do petróleo, que tem queda violenta e chega a 60 dólares esta semana é uma pancada considerável em países como Rússia, Venezuela e Irã. Principalmente para a Rússia.

Por incrível que pareça, a desvalorização do preço do petróleo pode favorecer o Brasil. Por quê? Porque pode reduzir o déficit que o país e a Petrobras assumiram ao manter artificialmente o preço do óleo abaixo do mercado internacional em tempos recentes. E porque o Brasil importa muito petróleo, ainda, embora tenha reservas enormes.

Para a Rússia, a situação é catastrófica. Cito matéria da Agência EFE:

"Como gás e óleo respondem por cerca de 75% das exportações russas, teme-se que o país perca condições de gerar divisas necessárias para cumprimento de seus compromissos comerciais e financeiros com o exterior.

O petróleo caiu devido a uma decisão unilateral da Arábia Saudita — maior exportador mundial do combustível e principal aliado dos EUA no Oriente Médio, ao lado de Israel."  

Leia a matéria da Agência EFE neste link: Putin afirma que EUA querem fazer da Rússia um 'troféu de caça'

Fecho aspas.

De outro lado, o restabelecimento das relações entre os Estados Unidos de Barack Obama e a Cuba de Raúl Castro, e a muito pouco divulgada, em nossas plagas, aproximação visível da Rússia com a Argentina.

O Brasil ao lado de Rússia, Índia, China e África do Sul nos Brics.

As poderosas Alemanha e China em estratégico silêncio.

E, no Leste, a preocupante situação na Ucrânia, sob um governo neofascista com apoio das potências ocidentais, Estados Unidos da América à frente.

O mundo é uma panela de pressão.

Enquanto isso, aqui na terrinha a galera está encantada com as sandálias e o fusca do Mujica.

domingo, 13 de julho de 2014

Alemanha é tetra no Maracanã


Resenha da Copa do Mundo [16 - domingo, 13 de julho]



Um grande e merecido título da Alemanha, a quarta Copa do Mundo de sua história. As outras foram em 1954, 1974 e 1990.

Ficha técnica

Alemanha 1 x 0 Argentina


Local:  estádio do Maracanã - Rio de Janeiro
13 de julho de 2014
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Público:  74.738 espectadores
Gol: Gotze, aos 7 minutos do segundo tempo da prorrogação

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Schweinsteiger e Kramer (Schurrle); Muller, Kroos e Ozil (Mertesacker); Klose (Gotze) Técnico: Joachim Low

Argentina: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia, Enzo Pérez (Gago) e Messi; Lavezzi (Aguero) e Higuaín (Palacio) Técnico: Alejandro Sabella


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Schweinsteiger com a taça: mais do que justo

J.P.Engelbrecht/ PCRJ


J.P.Engelbrecht/ PCRJ


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil


Carmem Machado

A final da Copa do Mundo


Resenha da Copa do Mundo [15 - domingo, 13 de julho]


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Schweinsteiger, um dos símbolos da revolução do futebol alemão

Poucos times mereceram tanto ganhar a Copa do Mundo  na história como a Alemanha hoje na final contra a Argentina no Maracanã. Pelo trabalho de renovação espetacular do futebol no país, feito desde 2002, algo que mexeu com a estrutura, alavancou os investimentos em talentos com parcerias entre clubes, empresas e  governo e revolucionou o esporte, algo que tanto se defende no Brasil.

Algo que países como Brasil e Argentina ainda estão longe de fazer, ambos afundados na administração oligárquica do futebol, pela nossa CBF e pela AFA de Julio Grondona, o Ricardo Teixeira argentino, que está no poder desde 1979.

O time de Schweinsteiger, Kroos e Khedira merece o título também também pelo grande futebol que jogou na Copa, fruto desse magnífico trabalho de longo prazo.

E finalmente pela alegria, cordialidade e respeito pelo Brasil e o profissionalismo com que se mantiveram em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, na Vila de Santo André, deixando inclusive investimentos em uma escola pública.

Porém, os alemães têm pela frente um grande time, a Argentina de Alejandro Sabella, que cresceu pouco a pouco, foi se montando taticamente durante a competição e chega à final contra a equipe de Joachim Low para fazer um jogo de igual para igual.

A Alemanha é favorita e merece o título. Torço para a Alemanha. Mas, como se sabe, o futebol muitas vezes ignora o merecimento.



quarta-feira, 9 de julho de 2014

Alemanha e Argentina fazem a negra



Resenha da Copa do Mundo [14 - quarta-feira, 9 de julho]


Valter Campanato/ Agência Brasil
Hermanos comemoram ida à final, o que não acontecia desde 1990

Torci para a Holanda, mas não fiquei insatisfeito com a classificação argentina.

Minha rivalidade com a Argentina de Di Stéfano, Maradona e Messi é apenas futebolística, e não cultural, política ou outra. Adoro Buenos Aires e lá qualquer brasileiro é sempre muito bem recebido. Admiro o futebol argentino, que encanta e surpreende, mas sobretudo encanta com sua magia, porém achava, e ainda acho, que a Holanda merece um título, pela história que construiu no futebol.

Posto isso, a Argentina merece estar na final, depois de um jogo muito ruim em que tanto os hermanos como os orange só pensaram em não perder e não tomar gol. Renegaram o ataque. Os craques Messi e Robben, muito marcados, tiveram atuação apagada. As equipes preferiram deixar na mão dos deuses e ir para a disputa de pênaltis. Nenhum dos dois mereceu ganhar o jogo e qualquer um que vencesse os pênaltis teria merecido. Foi a Argentina.

A Alemanha tem enorme favoritismo na final. Não vai fazer 7 a 1 na Argentina. Mas se der a lógica, os germânicos devem levantar a quarta Copa do Mundo, repetindo 1954, 1974 e 1990, evitando que o time de Messi conquiste o Mundial, o que conseguiu em 1978 e 1986.

Nota curiosa é que Argentina x Alemanha fazem a negra. Decidiram as copas de 1986, vencida pelos sul-americanos comandados por Maradona por 3 a 2, e de 1990, que os germânicos conquistaram por 1 a 0 graças a um pênalti inexistente marcado pelo árbitro da partida no finzinho do jogo. Pareceu-me à época que aquele pênalti a favor da Alemanha na final de 90 foi premeditado, como se a Fifa, então, se vingasse da “mano de Diós” de Maradona de quatro anos antes.

Mas na final de domingo, a Argentina vai precisar encontrar uma fórmula mágica para vencer o coração da Alemanha, que é seu meio de campo monstruoso formado por Schweinsteiger, Kroos, Khedira e Özil, e ainda com Müller circulando pelo campo.

Mascherano (que tem jogado uma barbaridade, um verdadeiro líder que o Brasil nunca teve), Biglia, Enzo Pérez e Messi foi o meio de campo argentino que enfrentou a Holanda, e que não me parece páreo para o quarteto alemão, mesmo que Di Maria volte e jogue no sacrifício. Messi fez um jogo apagado contra a Holanda. Talvez o jogo mais franco e agressivo da Alemanha favoreça seu jogo, talvez ele encontre espaços.

Enfim, a Alemanha deve ser a campeã da Copa das copas no Maracanã, no próximo domingo. A menos que o imponderável apareça, e Messi brilhe. Senão, vai ser difícil. "Vai ser difícil porque [a Argentina] tem pela frente uma Alemanha quase perfeita", disse o comentarista argentino Juan Pablo Sorín, da Espn, agora há pouco, que sabe do que está falando. Foi um grande lateral esquerdo e jogou até 2006 pela seleção argentina.

Outro comentarista do mesmo canal, o Mauro Cézar, disse uma frase interessante: "A Argentina tem mais apetite, a Alemanha tem mais time".

Enfim, a ver.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

As semifinais



Resenha da Copa do Mundo [12 - segunda-feira, 7 de julho]


Brasil x Alemanha
Holanda x Argentina



Marcello Casal Jr/ Agência Brasil


Não tem como apontar favoritos. Com Neymar no time, jogando em casa e considerando que a Alemanha é freguesa do Brasil, o time de Felipão levaria um favoritismo, na minha opinião. Os times jogaram três partidas oficiais na história e a seleção brasileira ganhou todas: 4 a 0 (1999 - Copa das Confederações), 3 a 2 (2005 - Copa das Confederações) e 2 a 0 (2002 – final da Copa do Mundo). No total foram 21 jogos entre as duas seleções, com 12 vitórias brasileiras, 5 empates e 4 dos alemães.

A verdade é que o time brasileiro, que já era limitado, perde ainda mais “em carisma, futebol e alegria com a saída do Neymar”, como disse Paulo M. em comentário ao post anterior ao falar da Copa sem o craque brasileiro. Se o Brasil vai superar a perda e ultrapassar a eficiência germânica, seja com Willian ou Bernard, só conferindo. A escolha de Scolari deve ser Willian, que joga com Oscar no Chelsea e, além de ser mais jogador, é a solução mais óbvia também por isso.

Fala-se em garra e união para suplantar a ausência do craque do time e ter força para bater uma equipe que tem o goleiro Neuer, Lahm, Özil, Schweinsteiger, Müller e até Klose, jogador que às vezes joga, às vezes não, e pode fazer seu 16o. gol, ultrapassando Ronaldo como o jogador com o maior número de gols em todas as copas. Mais uma vez penso em como poderia ser diferente se o elenco tivesse jogadores como Ganso, Robinho e Kaká para poder usar numa hora dessa. E ainda tem que pensar na mudança na dupla de zaga, já que Thiago Silva, suspenso, será substituído por Dante.

Dante é canhoto, e David Luiz, embora destro, prefere jogar pela esquerda, mas vai ser deslocado para a direita da defesa para Dante entrar. Mudar uma defesa que está dando certo num jogo como esse... Ou seja, o time perde a força do ataque e muda a defesa contra um time organizado, forte no ataque, com uma bola parada perigosíssima, e que joga em bloco. 

Já a outra semifinal, também de impossível prognóstico, reúne um time que vem crescendo ao longo da competição (Argentina), mas perdeu Di Maria (o melhor da seleção sem contar Messi) e outro que joga com impressionante frieza (Holanda) e tem em Van Gaal um técnico que decide jogos.

Não tenho esse negócio meio bobo de torcer contra a Argentina, como muitos que ficam papagaiando uma rivalidade que, aliás, nem é tão grande para os argentinos, pois para eles os maiores rivais são historicamente Uruguai e Inglaterra.

Mas, no caso, vou torcer para a Holanda, embora às vezes a gente só descubra para quem vai torcer num jogo desse quando ele começa e a gente vê para onde o coração aponta.

Na verdade a Holanda é o único dos semifinalistas que não tem título mundial, já tendo passado perto muitas vezes e chegado ao vice-campeonato três vezes (1974, 1978 e 2010). Acredito que a Holanda mereceria um título, pela história que já construiu no futebol.

Argentina x Holanda vai ser a paixão com que os Hermanos encaram uma partida como essa contra o jogo matemático e tático com que o time de Van Gaal tem jogado nesta Copa. Falaram mal da Holanda por ter vencido a Costa Rica nos pênaltis. Mas, por incrível que pareça, dava a impressão que os holandeses tinham o tempo todo certeza de que venceriam. É impressionante a calma com que esse time joga. E às vezes é mais difícil vencer um timinho retrancado e limitado como essa Costa Rica do que um grande oponente. A Holanda chutou três bolas na trave, o goleiro consta-riquenho defendeu tudo e, ao fim, ganhou a Copa do Mundo com a classificação de um grande time.

Tenho acertado palpites aqui no blog. Disse no  post sobre as quartas de final (resenha 10) que “meu palpite é de que as semifinais serão Brasil x Alemanha e Holanda x Argentina”. E também, na resenha 11, antes de Brasil x Colômbia, que “acho que nesta sexta-feira nós passamos pela Colômbia. Meu palpite é 2 a 1”.

Os palpites anteriores eram baseados em alguma, ou muita, lógica, ao contrário das semifinais. Mas, para não perder o hábito, acho que a final vai ser Brasil x Holanda.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Crônica para argentinos e belgas em dia de céu azul em São Paulo - e saudações aos estadunidenses


Resenha da Copa do Mundo [9 - segunda-feira, 1o. de julho]


Viaduto do Chá

Hoje foi um dia em que, andando pelo metrô e pelas ruas de São Paulo, vendo incontáveis argentinos e, mais tarde, alguns belgas pelas ruas da cidade, trens, estações e plataformas do metrô, veio de repente à minha mente uma passagem da canção London, London, de Caetano.

He seems so pleased, at least
And it's so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree

A Copa do Mundo no Brasil, seja pelo futebol, seja pela festa, cores e línguas, é espetacular e emocionante.

No centro da maior cidade da América do Sul, as pessoas vestidas de azul, de azul e branco, de amarelo, de preto vermelho e amarelo, passam por mim felizes, brincando, umas cantando, outras silenciosas, outras simplesmente bêbadas.

And it's so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree


Esquina do Viaduto do Chá e rua Xavier de Toledo

Num hotel em que fui para cobrir um evento político, o evento não começou enquanto o duelo Argentina x Suíça não acabou. Jornalistas, políticos, funcionários do hotel olhavam para a televisão ligada no hall. A esmagadora maioria torcendo para a Suíça. Ou melhor, contra a Argentina. Torci para a Argentina, nem que seja para fazermos com eles a sonhada final da Copa das Copas do Brasil, embora, se fosse apostar hoje, só pensando em futebol, eu talvez apostasse numa final entre Alemanha x Holanda. Eu era um dos únicos a ver aquele absurdo que acontecia no estádio de Itaquera: um time, ainda que meio desorganizado, tentando a qualquer custo chegar ao gol, por todos os meios, pelas pontas, pelo meio, por chuveirinho, numa partida em que Di Maria acabou superando Messi e finalmente pôs fim à esperança suíça.

O time de vermelho calculou que conseguiria ficar 120 minutos destruindo, destruindo e destruindo para conseguir ganhar nos pênaltis. Calcularam e quase conseguiram, mas os deuses do futebol puseram fim àquela arrogância de querer matar a alegria. Pois o que queriam os suíços senão isso? Evitar, evitar e evitar o gol. Foi para isso que entraram em campo. E foram punidos ao tomar o gol quando as cortinas estavam se fechando.

Segundo a CBN, um argentino infartou no Itaquerão diante do drama em que se transformou a partida. Morreu no hospital. Acho que não viu seu time finalmente bater a Suíça. Se assim foi, não viu um dos gols mais bonitos da Copa, a jogada de Messi vencendo na corrida e no drible a zaga suíça, o passe perfeito na diagonal e a conclusão de craque do camisa 7 da Argentina. Realmente, espetacular.

O time argentino furou o ferrolho vermelho e agora pega a estranha Bélgica nas quartas, que ganhou dos Estados Unidos por 2 a 1 em outro jogo impressionante, que foi para a prorrogação depois de 90 minutos de 0 a 0 e incontáveis gols perdidos, principalmente da Bélgica, um time habilidoso, com jogadores como Mertens, Hazard, De Bruyne e Orig, mas que, não sei se por azar ou nervosismo, perdeu um caminhão de gols enquanto o time norte-americano, bem postado, taticamente bem armado, ameaçava nos contra-ataques.

Os Estados Unidos de Zusi, Bradley e Dempsey, contra todas as expectativas, não ganharam o jogo em Salvador porque, aos 47 minutos do segundo tempo, o atacante Wondolowski perdeu um gol inacreditável quando a bola subiu e caiu aos seus pés, na frente do goleiro, e ele chutou bisonhamente para fora, para desespero do técnico deles, o alemão Jurgen Klinsmann, por ironia um dos maiores atacantes da história da Alemanha. Deu dó de Klinsmann, que pôs as mãos no rosto para tentar talvez esconder a sua incredulidade.

Como o jogo acabou 0 a 0 e na prorrogação a Bélgica fez 2 a 1, o erro do Wondolowski custou a classificação dos americanos. E perderam outro numa linda jogada ensaiada no fim da prorrogação. Pela luta, mereciam ter conseguido o empate. Pena.

Vi norte-americanos muito simpáticos torcendo feito doidos pro time deles num restaurante em São Paulo semana passada. Não torci contra eles. Pelo contrário. Sou do contra. Já disse que para mim futebol e política não têm nada a ver.


Belgas e argentinos no metrô de São Paulo. Vão se ver nas quartas

Metrô - Linha 4-Amarela


Viaduto do Chá

Clima de Copa do Mundo no metrô de São Paulo



Metrô de São Paulo. Ligação da Linha 1-Azul com a Linha 4-Amarela hoje (1° de julho) por volta do meio-dia, pouco antes de Argentina x Suíça pelas oitavas-de-final da Copa do Mundo.





sábado, 21 de junho de 2014

Argentina sofre, Alemanha derrapa e França surpreende


Resenha da Copa do Mundo [4 - sábado 21 de junho]



Divulgação/AFA


Injusta vitória argentina contra o Irã por 1 a 0. O futebol é impressionante. Todo mundo esperava que a Argentina passeasse frente aos persas, mas o que se viu foi os iranianos conseguirem bloquear o oponente com uma retranca eficiente e ainda terem as três melhores chances de gol, um pênalti a favor não marcado pelo juiz e, como imerecido castigo ("a bola pune"), o Irã acabou tomando um gol de Messi no finzinho do jogo. A Argentina é um time desorganizado e sem criatividade, apesar de contar com jogadores como Di María, Agüero e Higuaín. Se não fosse Messi ter feito dois gols decisivos contra Bósnia e Irã, os hermanos poderiam hoje estar amargando dois míseros empates.

Mas a vitória da Argentina acabou sendo dramática em um jogo sensacional, o que ninguém imaginava.




O empate da Alemanha com Gana em 2 a 2 foi outro belo jogo, que todo mundo esperava que fosse uma barbada, e não foi. A Alemanha cantada em prosa e verso quase perde de Gana, o que colocaria o grupo G (que ainda tem EUA e Portugal) num surpreendente equilíbrio.

A França começou desacreditada, mas depois dos 5 a 2 na Suíça, com um futebol agressivo de contra-ataques fulminantes, se credencia a pelo menos ir mais longe do que se esperava. É um time muito rápido, tecnicamente muito bom e disciplinado taticamente. Se o Brasil chegar às semifinais tendo sido primeiro do grupo A na fase de grupos e a França também chegar à semi como primeira do E, Brasil x França farão uma semifinal. Isso se a França passar pela Alemanha nas quartas (e se a Alemanha chegar às quartas...). O Brasil pega nas oitavas Chile ou Holanda e, pelo andar da carruagem, Uruguai ou Itália nas quartas.

Talvez seja cedo pra dizer isso, mas a última vez que o Brasil ganhou da França em Copas do Mundo foi em 1958 (5 a 2). Depois, foram três jogos decisivos e três vitórias francesas: 1986 (quartas-de-final, nos pênaltis), 1998 (final, 3 a 0 em Paris) e 2006 (quartas-de-final).

O Brasil, como a Argentina, é um time até aqui sem criatividade e nervoso. A responsa de jogar em casa está visivelmente pesando para o time, que, como já falei, não tem um líder em campo. A sorte é que o jogo decisivo de segunda-feira é contra o fraquíssimo Camarões.

A Costa Rica, zebra das zebras, no grupo D já garantiu uma vaga e deixou para Itália e Uruguai decidirem a outra, numa chave em que a Inglaterra caiu fora no segundo jogo. O Chile, no B, despachou a campeã Espanha d’El Rey. Quem poderia imaginar?

Uma nota: ao fazer seu 15° gol em copas do mundo, o alemão (de origem polonesa) Miroslav Klose iguala Ronaldo. Ao contrário do que se poderia esperar, muitos brasileiros não apenas aplaudem o feito do alemão como torcem para Klose superar Ronaldo. Estou entre esses brasileiros.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

São Paulo campeão da Sul Americana: título marcado pela violência


“...al final del primer tiempo hubo jugadores agredidos y que los amenazaron con armas de fuego.”

A violência contaminou a final da Copa Sul Americana, vencida pelo São Paulo ao bater o Tigre da Argentina por 2 a 0. Os argentinos, que não voltaram para o segundo tempo, acusam o Paulo F.C. e a Polícia Militar de usarem de violência, intimidar sua equipe, inclusive com arma de fogo (não se sabe ao certo se de seguranças do clube ou se da PM).

O presidente do clube argentino, Sergio Massa, disse: “Es una de las páginas más vergonzosas del fútbol brasileño. Vinimos a jugar un partido, no una guerra… Se tuvieron que comer un arma de fuego en el pecho y hay jugadores con puntos de sutura…”

Fora as aspas em espanhol, reproduzo trecho de matéria do Uol:

Segundo alegou a assessoria de comunicação do Tigre, os jogadores do clube foram recebidos aos socos e pontapés pelos seguranças do São Paulo ao chegarem no vestiário (...) e a PM também partiu para a violência, e armas foram sacadas, o que gerou a iniciativa de não voltar a campo para o segundo tempo (...) O fato foi negado pelos são-paulinos.

Enfim, ouvi no rádio entrevistas de gente do staff do Tigre e parece que o clube e torcida argentinos, que foram recebidos a pedradas pelos são-paulinos, precisam ser ouvidos. A violência protagonizada contra os argentinos precisa ser apurada.

Sobre futebol




Depois de quatro anos sem um título nem de campeonato de botão, o São Paulo ganha a Copa Sul Americana e a torcida comemora como se fosse uma Libertadores.  Como dizia um amigo meu, “título é título”. Comemore-se! Eu mesmo “comemorei” a Recopa Sul Americana que o Santos levantou este ano, na final contra o chileno Universidad de Chile  no dia 26 de setembro, mas, tempos depois, precisei ser lembrado do fato pelo companheiro corintiano Felipe Cabañas...

Mas a Recopa pelo menos tem um glamour. Já a Sul Americana só serve para uma coisa: classificar à Recopa, sem contar, claro, a recente norma que também classifica o campeão da competição à Libertadores (o que, no caso do São Paulo, nada significa, já que o Tricolor já estava na Libertadores de 2013 por sua quarta colocação no Brasileiro). Sendo assim, Corinthians x São Paulo farão a disputa pelo título da Recopa no ano que vem. Bacana.

Após o título Brasileiro de 2008, o Tricolor continua, sim, devendo um título importante a sua torcida.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Santos, enfim, vence uma. Palmeiras derrota Botafogo no RJ. E, no basquete, deu Argentina


Eis que, tirando Olimpíada, corre uma semana tão morta em notícias que me deparo com o Campeonato Brasileiro em sua 15ª rodada. E eis que o Santos vence.

Os destaques da rodada foram justamente as vitórias do Santos por 4 a 2 sobre o Cruzeiro na Vila (apenas a terceira do time em 15 partidas) e do Palmeiras sobre o Botafogo de Seedorf em pleno Engenhão, por 2 a 1, com direito a um gol alviverde, de Barcos, tão mal anulado, por um impedimento tão equivocado do bandeira, que não é possível acreditar em boa-fé, com o perdão do eufemismo. Aquele impedimento nem a minha avó marcava. Mas com apito amigo e tudo, o Fogão perdeu e vai cumprindo a tradição pela qual é tão conhecido nos últimos anos (e bota anos nisso), a do velho e bom pangaré paraguaio, e já ocupa a 7ª posição na tabela.

Dos quatro gols do Santos, destaque para o primeiro, golaço de Felipe Ânderson, que o treinador Muricy, para justificar seus próprios erros, às vezes acusa de ter “defeito de fabricação”.



Com o triunfo, o Peixe dá uma respirada e sobe para honroso 14° lugar, com 16 pontos, três à frente do primeiro time na zona do rebaixamento, exatamente o Palmeiras, que tem 13. Dois pontos acima do Santos e cinco do Palestra, segue o Corinthians com sua campanha protocolar, à espera do Chelsea em dezembro, e que nesta quarta-feira empatou com o vice-lanterna Atlético-GO no Pacaembu em 1 a 1.

Faltando 23 rodadas para o fim do campeonato, o Alvinegro Praiano está 11 atrás do Grêmio de Vanderlei Luxemburgo, que hoje, em quarto lugar, fecha o G-4.

Se o Alvinegro da Vila começar a ganhar e engrenar com a volta de Neymar na companhia, quem sabe, do meia-atacante argentino Patito Rodriguez, que vem agradando nos treinos, e de Victor Andrade, a nova promessa, de repente dá pra beliscar uma vaga à Libertadores. O jovem de 16 anos que me lembra Claudio Adão fez hoje seu primeiro gol pelo Santos. Mas, sem Ganso, falta um cérebro à equipe. E Muricy vai ter coragem de escalar o moleque Victor Andrade quando Neymar voltar? Duvido. Muricy não ousa. Prefere reclamar.

Entre os paulistas, o São Paulo, em 6° lugar, é o de melhor campanha, com 25 pontos, dois atrás do quarto colocado Grêmio de Vanderlei Luxemburgo.

Vasco, Atlético-MG, Fluminense e Grêmio são hoje os times que compõem o G-4. Acho difícil que o campeão não seja um desses quatro.


Basquete brasileiro cai em Londres


Por que Magnano preferiu Splitter e não Varejão?
E pra não dizer que não falei de Jogos Olímpicos, e já que mencionei Olimpíada no início, registro a derrota do basquete masculino do Brasil para a Argentina por 82 a 77, perdendo a vaga nas semifinais num jogo que os brasileiros teriam vencido até com certa facilidade, não fosse o lamentável aproveitamento em lances livres (Tiago Splitter é uma piada), o velho individualismo brasileiro que compromete o coletivo, o emocional que sempre falha na hora H.

Não gosto de teorias da conspiração e não sou especialista em basquete. Mas por que o pivô Anderson Varejão praticamente não jogou hoje se jogou, e bem, na campanha até aqui, e o pivô Splitter, mesmo com atuação comprometedora, ficou em quadra até o fim? Não entendi. Rubén Magnano, o técnico da seleção brasileira, é argentino. Mas prefiro deixar a teoria da conspiração pra lá.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Argentina faz justiça


Esse frágil velhinho da foto é o general Jorge Rafael Videla, presidente da Argentina entre 1976 e 1981, um dos mais sanguinários genocidas da história recente da América do Sul. Estima-se que, entre 1976 e 1983, a ditadura argentina natou 30 mil civis. Por isso, merece registro a notícia que reproduzo da Agência Brasil:

Os ex-presidentes da Argentina Jorge Rafael Videla e Reynaldo Bignone foram condenados a 50 e 15 anos de prisão em regime fechado, respectivamente, por subtração de bebês durante a ditadura militar na Argentina (1976-1983). A estimativa é que mais de 100 crianças, filhas de prisioneiras grávidas durante o regime militar, tenham sido entregues para adoção a militares ou policiais durante o período.

As sentenças foram proferidas pelo Tribunal Federal Oral Nº 6.
(...)
O julgamento ocorreu após 15 anos do começo das investigações. O processo foi movido pela líder da organização Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto. A organização reúne mães e avós de adultos e crianças desaparecidas durante os governos militares na Argentina.


Videla, 86 anos, já havia sido condenado pela Justiça, em dezembro de 2010, à prisão perpétua por crimes de lesa-humanidade, como o assassinato de 31 presos políticos. Bignone, 84 anos, também recebeu a pena de prisão perpétua em abril de 2011 por sequestros, torturas, assassinatos e desaparecimento de pessoas durante o regime militar (Daniella Jinkings - da Agencia Brasil
.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Cristina Kirchner deve ser reeleita em outubro

E já que estamos em América do Sul (post abaixo), não custa registrar que a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, conseguiu arrasadora vitória nas eleições primárias realizadas pela primeira vez no país, neste domingo.

Capa do diário La Nación desta segunda, 15

As primárias definirão as listas de candidatos para executivos e legislativos nas eleições gerais de 23 de outubro. Se houver segundo turno, ele será em 10 de dezembro. Cristina (Frente para a Vitória) obteve 50,2% dos votos. O deputado Ricardo Alfonsín (União Cívica Radical), muito longe, ficou em segundo, com 12,4%. Eduardo Duhalde (União Popular) vem em terceiro (12,1%) e Hermes Binner (Frente Ampla Progressista) em quarto (10,4%).

Como no Brasil em 2010, com Dilma, a força de Cristina é também alavancada pela falta de discurso da oposição. A vitória da presidente nas primárias foi tão significativa que, segundo observou o jornal El Clarín, a presidente deu sua primeira coletiva de imprensa “em mais de 18 meses” nesta segunda-feira.

Para Cristina Kirchner, o triunfo nas primárias (e a provável vitória em outubro) se deve a sua gestão ter sido aprovada pela população. “Creio em uma sociedade que votou uma gestão que vem desde 2003, com erros e acertos. Aprendi mais com as derrotas do que com as vitórias”, disse.

Ela indicou que, apesar da massiva votação, pretende investir no diálogo: “Necessitamos da unidade de todos os argentinos. Não esperem de mim nenhuma palavra que ofenda”.

Dilma Rousseff e Cristina Kirchner governarão os dois mais importantes países da América do Sul ao mesmo tempo, a brasileira com a herança de Lula; a argentina, com a de Néstor Kirchner.

E Oxalá a rivalidade entre Brasil e Argentina seja cada vez mais reduzida ao folclore do futebol.

domingo, 17 de julho de 2011

Celeste mata Argentina de Messi; São Paulo contrata Adilson; Santos bate o Galo


RESENHA DE SÁBADO


O Uruguai de Forlán e do goleiro Muslera elimina nos pênaltis a Argentina de Messi e Carlitos Tevez da Copa América, na Argentina; o São Paulo contrata Adilson Batista, o "plano G"; e o Santos, num joguinho sofrível, derrota o Atlético-MG por 2 a 1.

1. Uruguai despacha Argentina - Num jogo espetacular no Estádio Brigadeiro Estanislao Pérez (Cemitério dos Elefantes), Santa Fé, a Argentina do endeusado Lionel Messi (de quem não sou fã) caiu diante do Uruguai do técnico Oscar Tabárez, de quem sou fã, responsável pelo projeto que levou os uruguaios ao quarto lugar da Copa do Mundo de 2010 e à, até aqui, semifinal da Copa América. Para quem não sabe, Tabárez comanda o trabalho de base da Federação Uruguaia que envolve todas as seleções, um projeto que valoriza a educação, para além do esporte. O ressurgimento do futebol da Celeste Olímpica não se dá por acaso.

No jogo em si, com dez jogadores durante quase todo o segundo tempo, o Uruguai ainda assim foi melhor. Seu goleiro Muslera fez uma partida antológica. Na prorrogação, a Argentina foi para cima, mas não conseguiu o desempate. O triunfo coroa uma atuação heróica da seleção de Diego Lugano, Forlán e Luizito Soares. E Messi termina a Copa América como encerrou a Copa do Mundo: sem nenhum gol pelo time de seu país, apesar de boa parte da mídia brasileira tratá-lo com um embasbacamento ridículo.

Na disputa de pênaltis, depois de 1 a 1 nos 90 minutos do tempo regulamentar mais 30 de prorrogação, Tevez, o jogador “mais popular” da seleção argentina, perdeu a cobrança que custou a desclassificação de sua seleção. Acontece, grandes jogadores perderam pênaltis decisivos (Zico, Sócrates etc). Não é por esse erro que Tevez vai ser maior ou menor do que é, mas definitivamente não é um jogador que vale os 40 milhões de euros que o Corinthians diz estar disposto a pagar pelo seu “passe”. Hoje, por exemplo, entrou muito mal no jogo, no lugar do ineficiente Aguero, e não acrescentou nada. Na Europa, Inglaterra, nunca brilhou.

Veja abaixo os gols da partida e a disputa de pênaltis:




2. Adilson Batista no São Paulo - Posso queimar a língua, mas a contratação do treinador Adilson Batista pelo São Paulo promete... para as torcidas rivais. Com campanhas péssimas por Corinthians, Santos e Atlético-PR de 2010 para cá, Adilson era o “plano G” do São Paulo, que não conseguiu, por um motivo ou outro, contratar Dunga, Cuca, Autuori e Dorival Júnior.

No Santos, por pouco ele não jogou pela janela os milhões que o clube investiu, perdendo a Libertadores já na primeira fase. Um vexame que a diretoria santista evitou ao demitir o treinador com a rapidez necessária. Com sua demissão, o time da Vila começou a arrancada rumo o tri continental com a vitória de 3 a 2 sobre o Colo Colo na Vila, ainda comandado pelo interino Marcelo Martelotte.


Foto: Divulgação/ Santos FC
 Adilson Batista estava desempregado desde 25 de junho passado, quando foi demitido do Atlético-PR após seis rodadas do Brasileiro, com cinco derrotas e um empate.

Acho que, se a diretoria do São Paulo tivesse um pouco de paciência, em duas ou três rodadas poderia contratar Dorival Júnior, que está desgastado no Galo, derrotado pelo Santos na Vila neste sábado, por 2 a 1. Abaixo.

3. Santos 2 x 1 Galo - A vitória do Peixe sobre o Atlético-MG de Dorival Júnior entra nesta resenha apenas para registro. Foi um jogo muito fraco, mas os três pontos foram importantes para o alvinegro da Vila, que, com gols de Danilo e Borges (de pênalti), chegou a 11 pontos e ao 13° lugar, com dois jogos a menos, devido às partidas adiadas com Corinthians e Fluminense, que serão em agosto.

Supondo que o time de Muricy vença essas duas partidas que faltam, e que devem ser na Vila Belmiro, somaria 17 pontos, e figuraria em quinto lugar na tabela. Já o Atlético-MG, com 11 pontos, está hoje no modesto 15° lugar.

Os gols do jogo:



Amanhã, domingão, tem mais.

Atualizado às 15:17