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sexta-feira, 15 de abril de 2016

Laymert Garcia dos Santos em resposta ao Estadão: não leio e muito menos escrevo para jornal golpista



O sociólogo Laymert Garcia dos Santos recusou convite para escrever um artigo para o jornal O Estado de S. Paulo, que prepara edição para a segunda-feira, já esperando que a Câmara dos Deputados aprove o impeachment no domingo (17). Por meio da Universidade de Campinas, o sociólogo recebeu e-mail do diário propondo o envio de um texto que seria publicado no contexto de “um material sobre o atual andar da carruagem” no país. “Agradeço seu convite, mas não leio e muito menos escrevo para um jornal golpista, como é O Estado de S. Paulo”, respondeu.

A pauta do jornal pergunta: “O que significa a derrubada da presidente tanto para o cenário político (como um todo) como para o PT?”.

Abaixo, a troca de e-mails na íntegra:

Olá.

O jornal prepara um material sobre o atual andar da carruagem. Caso o processo avance em direção ao Senado, e parece que é o que vai ocorrer, pergunto se o senhor faria um artigo de 1.800 caracteres sobre tal contexto. O que significa a derrubada da presidente tanto para o cenário político (como um todo) como para o PT? 

Seria para uma edição especial de segunda-feira, com prazo de entrega no domingo meio-dia.
O que acha?
Cordialmente,
Alexandra Martins

Jornal O Estado de S. Paulo

Resposta de Laymert Garcia dos Santos:

Prezada Alexandra,
Agradeço seu convite, mas não leio e muito menos escrevo para um jornal golpista, como é O Estado de S. Paulo.
Contando com a sua compreensão,
Atenciosamente,

Laymert Garcia dos Santos

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Liminar a favor de Lula e reeleição de Picciani no mesmo dia é demais para a mídia golpista


Quando você quer saber se há notícias positivas para o país, uma das maneiras mais eficientes de se conseguir essa informação é visitar colunas e blogs de gente como Josias de Souza. Hoje o país amanheceu com a notícia de que o conselheiro-relator Valter Shuenquener de Araújo, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), decidira na noite anterior suspender o depoimento que o ex-presidente Lula e sua mulher, Marisa Letícia, dariam pela manhã, sobre o caso do Condomínio Solaris.


"64 neles", diz camiseta de manifestante em frente ao Fórum onde Lula não depôs

O aspecto positivo da notícia se revelava logo de cara no título do post do jornalista da Folha, publicado às 06:19 da manhã, que registrava seu inconformismo indisfarçado já no título: “Fuga de depoimento carboniza imagem de Lula”.

“Lula sempre foi visto pelos devotos que o seguem como um mito. Ao fugir dos questionamentos do promotor Cassio Conserino, a quem acusa de perseguição, portou-se como alguém que descobriu que também está sujeito à condição humana. Potencializou, de resto, a impressão de que não dispõe de uma defesa consistente”, vociferou o jornalista.

Para Josias de Souza, como para Ricardo Noblat e toda a inumerável lista de assemelhados, o desrespeito à presunção de inocência, ao direito de defesa, à garantia da imparcialidade da jurisdição e outros princípios constitucionais, fundamentais a uma nação sadia, de nada valem diante da urgência em devolver o país a seus verdadeiros donos, as oligarquias de que falava Leonel Brizola e, mais além, aos Estados Unidos da América, cujos interesses estão acima de tudo para essa oligarquia apátrida.

Assim como de nada vale para eles o manifesto de centenas de advogados e juristas importantes, divulgado em janeiro, no qual manifestaram “publicamente indignação e repúdio ao regime de supressão episódica de direitos e garantias que está contaminando o sistema de justiça do país”.

Josias de Souza, Ricardo Noblat e assemelhados são adeptos do jornalismo “imparcial”, aquele mesmo que aprendíamos na faculdade como sendo um dos princípios básicos da profissão, mas depois soubemos tratar-se de uma hipótese improvável.

“Na fase em que ainda tocava trombone sob o telhado de vidro, Lula se comportava como um homem que lambe o dedo depois de enfiá-lo num favo de mel”, continua Josias em seu irrefreável inconformismo diante de uma decisão que lhe tirou o doce da boca, ele que já esperava se lambuzar com o espetáculo midiático do depoimento de Lula que não houve, por enquanto.

Mas, acima de tudo, o que mais impressiona na passagem do parágrafo acima é o ódio manifesto nas palavras do blogueiro-jornalista da Folha. Um ódio verdadeiramente assustador, o mesmo que alimentou durante anos a horda de neofascistas que hoje atacam pessoas simplesmente pela cor da camisa ou da bandeira que essas pessoas usam.

Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados
Cunha e oposição tiveram que engolir Picciani 

Mas o dia de quarta-feira (17) prosseguiu, e, como se não bastasse a liminar concedida pelo CNMP suspendendo o depoimento de Lula, eis que Leonardo Picciani, o candidato de Dilma Rousseff, venceu a disputa contra Hugo Motta, apoiado por Eduardo Cunha, e se manteve na liderança do PMDB na Câmara. Mais uma derrota que Eduardo Cunha sentiu como um soco no fígado desferido por um George Foreman.

Um líder de bancada tem inúmeras responsabilidades, como indicar os candidatos a presidente das comissões a que tem direito seu partido ou bloco, solicitar votação secreta, regime de prioridade para propostas, adiamento de votação de propostas em regime de urgência etc. É um aliado e tanto que Dilma continua a ter. Por isso, Josias de Souza mais uma vez exprime o seu ódio incontível: “Ao marchar de forma resoluta em direção à desagregação, o PMDB está apenas homenageando a sua índole”.

É demais, mesmo. Duas notícias boas para o governo no mesmo dia ninguém aguenta.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Com a velha receita de sempre, jornalismo marrom estilizado de Veja pauta a mídia brasileira


É a mesma receita de sempre: a revista Veja sai com uma denúncia para pôr fogo no circo, normalmente quando há algo relevante acontecendo no país ou algum interesse a ser preservado. Ou revelado, quase sempre a partir de fontes suspeitas e informações plantadas por gente como Carlinhos Cachoeira.

Por exemplo: em épocas de eleições, ou num momento em que uma CPI está instalada para supostamente apurar ligações muito sinistras entre certos políticos e o "empresário" Cachoeira e deste com um destacado jornalista da mesma revista semanal. Ligações, aliás, ignoradas por toda a "grande imprensa" que se une em favor de seus interesses cinicamente fantasiados de interesses nacionais.

No início do mês, chegamos ao paroxismo desse alinhamento, quando o jornal O Globo, em editorial, mergulhou no pântano para sair de lá enlameado em defesa da Veja, dizendo, entre outros disparates: "Blogs e veículos de imprensa chapa branca que atuam como linha auxiliar de setores radicais do PT desfecharam uma campanha organizada contra a revista Veja, na esteira do escândalo Cachoeira/Demóstenes/Delta". Segundo o veículo dos Marinho, é uma "retaliação pelas várias reportagens da revista das quais biografias de figuras estreladas do partido saíram manchadas".

Globo que, como se sabe, tem seu maior poder concentrado na televisão, a poderosa concessão pública sob cuja sombra construiu seu império. Mas, às favas com o interesse público que, segundo a Constituição, deveria prevalecer nos serviços de concessão de rádio e televisão. Não estamos na Argentina.

E a roda-viva continua. Esta semana, mais uma "reportagem" desse símbolo do jornalismo marrom estilizado. Desta vez, Gilmar Mendes, o ministro do STF, já fonte de Veja de outros carnavais, diz ter ouvido de Lula um pedido de adiamento do julgamento do mensalão... Pronto. Passamos a semana ouvindo a repercussão em homepages e portais, para os quais o verbo negar tem importância fundamental. "Lula nega", "Jobim nega" e assim por diante. O verbo negar, para o jornalismo, é um importante recurso de retórica de entrelinhas. De tanto ser repetido (Lula nega, Lula nega, Lula nega, Lula nega) o refrão acaba se tornando uma verdade reafirmada ao contrário.

No Brasil de Veja e de Globo, quem tem que provar não é quem acusa, mas quem é acusado. Uma total inversão de valores jurídicos.

Eu "brigo" com meus amigos que deixam o costumeiro lixo de Veja importunar-lhes o fígado. Não leio essa revista, e às vezes, quando sem querer clico em um link seu na web, saio rapidamente, me persigno e fico a lembrar que, infelizmente, apesar de seu jornalismo ser um lixo, sua capa é importante. Como escreveu o jornalista Flávio Gomes, num texto de 2010: "a capa da Veja, embora a revista seja uma droga indizível, tem importância, sim. Afinal, ela é vista por alguns milhões de pessoas, repousa amarrotada durante meses em mesinhas de consultórios médicos, dentistas e despachantes, e as pessoas a notam nas bancas de jornais, ao lado de mulheres peladas. E algumas pessoas ainda puxam assunto em mesas de bares e restaurantes dizendo 'li na Veja’, e tal. São os 'formadores de opinião'. Uau."

A verdade é que a minha parte eu faço. Não leio essa revista, nem para “saber o que eles dizem” (justificativa de que meu fígado discorda), embora isso contamine o Brasil incessantemente, e ninguém sabe até quando, se até a presidente Dilma Rousseff recentemente deu entrevista e foi capa da publicação. O que eu achei que a presidente poderia não ter feito. Mas fez, afinal o governo federal é um dos maiores anunciantes do país.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A guerra começou com o caso Palocci

Perdida como cachorro que cai de mudança desde o processo eleitoral do ano passado, a oposição agarrou-se ao caso Palocci como aquele ator esquecido e decadente que de repente se descobre no palco, representando o papel principal de uma peça meia-boca, e a ela se entrega como nos tempos em que era Hamlet.

Como sempre, a euforia da claque reverbera na mídia, e chega uma hora em que ninguém sabe o que vem antes, se o ovo ou a galinha, ou melhor, se as notícias e manchetes cozidas e requentadas ou os comentários dos “atores” políticos eufóricos com a sensação de protagonismo que lhes proporciona a claque.

Particularmente, nunca achei que Palocci devesse ter voltado ao coração do governo. Se é um homem da conta de Lula e se, por ter a simpatia da Fiesp, o governo e Dilma acharam que seu telhado de vidro seria poupado, foram ingênuos e caíram na armadilha. Desde sempre, Palocci era um alvo fácil. Mas, se Palocci era um alvo fácil desde o princípio, agora, como escreveu Miguel do Rosário no blog Óleo do Diabo, “A guerra começou, e o governo Dilma não vai ganhar pontos se demitir Palocci por conta de acusações sem prova”. A guerra que esperávamos desde a eleição de Dilma começou. A mídia, como fez desde o primeiro mandato de Lula, não vai descansar enquanto, se puder, não queimar todos os quadros do PT que ameaçarem, inclusive, o reinado interminável da direita no Estado de São Paulo. E, por isso, que se cuidem figuras como o prefeito de Osasco Emidio de Souza, por exemplo, entre outros paulistas.

Curioso é que até o ministro-chefe da Casa Civil demonstra ingenuidade. Por exemplo, ao ser perguntado por Julio Mosquéra, na TV Globo, dia 3, sobre por que não apresentava provas de sua inocência (pergunta também ingênua), Palocci se esforçou e não conseguiu apontar o mais óbvio: quem tem que apresentar provas não é quem acusa, cara pálida, segundo a Constituição do Brasil?

Presença de Chávez é usada com ironia.
Foto: Antonio Cruz/Agencia Brasil

Voltando à decisão de Roberto Gurgel: afinal, não estavam todos esperando que o procurador-geral da República, no tempo de Geraldo Brindeiro conhecido como “engavetador-geral da República”, concluísse seu relatório? Pois, no documento em que conclui pelo arquivamento, o atual procurador-geral Roberto Gurgel diz que as quatro representações propostas pela oposição [PPS, DEM e PSD] “não vieram instruídas com qualquer documento. Nenhum elemento que revelasse, ainda que superficialmente, a verossimilhança dos fatos relatados”. Gurgel relatou também que “as representações ora em análise e as matérias jornalísticas a que se referem não contêm, reitere-se, a descrição de um único fato que constitua causa idônea e hábil a autorizar o requerimento de quebra de sigilo do representado, de sua empresa e de eventuais clientes”.

Arquivado o caso, o teatro do insólito jogo do ovo-e-da-galinha na imprensa segue célere. "Queremos manter viva a investigação e estamos estudando os caminhos jurídicos para isso", vocifera o ínclito líder do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto (BA). A Folha dá manchete usando o verbo, para exprimir a indignação de tantos, como o deputado baiano, que partilham da luta do grupo Folha por um Brasil melhor: “Procurador-geral poupa Palocci de investigações”.

No Uol: “Oposição quer explicações de procurador sobre caso Palocci”. Numa brincadeira mental sem maiores intenções, vejo a chamada invertida e a leio: “Oposição: Uol quer explicações de procurador sobre caso Palocci”.

Em vários veículos na Web, repercute opinião da OAB, segundo a qual a decisão de Roberto Gurgel é “uma senha para a impunidade neste país”.

E a ansiosa Dora Kramer, do trono da moralidade em que vislumbra a pátria livre da corrupção e de qualquer sombra de impunidade, sentencia: “o que se tem é uma presidente à frente de um governo refém das circunstâncias e das pressões”.

Para terminar. A presença do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ontem, no Brasil, claro, é também capitalizada, subliminar ou ironicamente, na cobertura do caso Palocci. Como se o fato, bastante destacado, até em espanhol, de o demoníaco venezuelano ter dito a Palocci “Fuerza, fuerza” fosse a prova mais cabal da verdade escondida.

*PS: Depois de postar é que vi a informação extraordinariamente relevante postada pelo Fernando Rodrigues em seu blog. Segundo ele apurou com o “perito em veracidade” Mauro J. Nadvorny, na entrevista ao JN dia 3 Palocci não foi “verdadeiro” ao atribuir o aumento do faturamento de sua empresa no fim de 2010 ao encerramento dos contratos de consultoria que possuía.

A importância de tal informação é comparável à do ano passado, quando, em pleno processo eleitoral, o gênio da astrologia Oscar Quiroga, do Estadão, previu que José Serra seria eleito presidente da República.

A Era Vargas

A propósito de tudo isso, vem muito a calhar o lançamento em DVD da caixa com três filmes de Eduardo Escorel, A Era Vargas. Para quem gosta de história, da história que se repete, como farsa ou não, é um prato cheio. Vou postar em breve comentários sobre a obra.

*Atualizado às 16h01

sábado, 23 de outubro de 2010

Para ex-jornalista da Veja, campanha de Serra é repulsiva

Muitos já leram, e muitos não. Por isso – e porque às vésperas das eleições a revista dos Civita dá sua última cartada com nova denúncia – não custa postar. O jornalista Paulo Nogueira, que foi editor assistente da Veja, editor da Veja São Paulo e diretor de redação da Exame, escreveu em seu blog: “A campanha de Serra é repulsiva, e acabou por afugentar do PSDB gente que, como eu, tradicionalmente opta pelo partido”.

Ele não escreveu, mas também não custa nada acrescentar: a repulsa que a campanha se Serra provoca até em eleitores tucanos deve-se muito à revista Veja, disseminadora de mentiras e do golpismo para alimentar uma campanha que começou como de direita e termina abraçada às práticas da extrema-direita, com a ajuda de criaturas igualmente repulsivas como Soninha Francine.

Paulo Nogueira constata em seu texto que “Serra quer ser muito ser presidente. O problema é que os brasileiros não querem que ele seja”. Isso os brasileiros do lado de cá já sabíamos. O interessante é que, agora, até os do lado de lá estão entendendo isso.

Leia o texto de Paulo Nogueira: A Tomografia Da Fita Crepe

Leia também: Para lembrar: a mídia contra a democracia em quatro momentos históricos