terça-feira, 30 de março de 2010

Devassa continuará proibida

O Conar (Conselho de Autorregulamentação Publicitária) manteve nesta terça-feira, 30, a proibição da veiculação da propaganda da cerveja Devassa na TV. O comercial havia sido tirado do ar liminarmente no início de março. A propaganda foi autorizada a ser transmitida pelo rádio. No julgamento desta terça-feira, 30, 12 conselheiros mantiveram por unanimidade a decisão anterior.

A Devassa é fabricada pela Schincariol. Na propaganda da agência Mood, a socialite Paris Hilton é fotografada por um voyeur em cenas sensuais enquanto desfila com a lata de cerveja.

As polêmicas continuam as mesmas.

1) seria procedente a alegação que pipocou aqui e ali de que a proibição atenderia interesses da AmBev, “maior cervejaria da América Latina e 4ª maior do mundo”? (as aspas são do site da própria Ambev).

2) a argumentação da defesa da agência Mood, responsável pela propaganda, citou a "Boa", da Antarctica, com Juliana Paes, para argumentar que a proibição é incabível porque "não é a primeira vez que se vê uma menina com uma lata de cerveja na mão dançando em um comercial de cerveja".

3) A proibição da Devassa atende ao argumento de que o anúncio é “desrespeitoso para mulheres e abusa de sensualidade”. Na minha opinião, "desrespeitoso para mulheres" soa muito politicamente correto para o meu gosto. E "abusa" de sensualidade é subjetivo. O que é "abusar" da sensualidade quando sabemos que na TV tudo pode? Se qualquer pessoa for ao site do Conar, verá que entre seus preceitos básicos está o seguinte: todo anúncio "deve ser preparado com o devido senso de responsabilidade social, evitando acentuar diferenciações sociais".
Independentemente de sexo e sensualidade, este preceito torna-se uma piada se você assistir a uma miríade de anúncios televisivos quaisquer, que incentivam o consumo desenfreado, a velocidade dos carros potentes, a voracidade das crianças por produtos comestíveis nocivos à saúde etc.

Isso para não ir além e lembrar que a novela da noite da Globo e o pernicioso Big Brother são liberados para horários em que as salas estão cheias de crianças. OK, novelas e programas não têm nada a ver com o Conar, órgão não governamental e de autorregulamentação, criado pelo próprio mercado publicitário. A questão fica colocada apenas para reflexão.

Enfim, para quem não viu, o comercial proibido está abaixo. Cada um que faça seu juízo.

[atualizado à ooh10]


segunda-feira, 29 de março de 2010

Quartas-de-final da Liga dos Campeões começa nesta terça

Começam as quartas de final da Liga dos Campeões da Europa (veja abaixo a tabela dos jogos, que serão transmitidos terça e quarta-feira, dias 30 e 31, pela ESPN e ESPN Brasil).

Em tese, os duelos mais empolgantes serão Bayern de Munique x Manchester United (que a Gazeta também mostra ao vivo) e Arsenal x Barcelona. Favoritismo para ingleses no primeiro jogo e catalães, no segundo.

Manchester e Barcelona são os dois melhores times da Europa atualmente, na minha opinião, e têm dois dos maiores craques do mundo, Wayne Rooney e Lionel Messi. Sem eles, a Copa do Mundo ficaria muito mais pobre.

Os amantes das dicotomias já colocam a mais nova questão: quem é melhor? Messi ou Rooney? Não acho tal comparação pertinente. Ambos jogam em posições diferentes, são de culturas futebolísticas diferentes, e cada um representa da melhor maneira o estilo inglês (Rooney) e argentino (Messi) do chamado esporte bretão.

A performance do atacante inglês nesta temporada é espetacular. Graças a seu talento, oportunismo, força e precisão, os Diabos Vermelhos estraçalharam o Milan do decadente Ronaldinho Gaúcho nas oitavas da Liga, 3 a 2 no San Siro (16 de fevereiro) e só 4 a 0 em Manchester (10 de março). Rooney fez quatro gols, dois por partida.

Parênteses: não consigo entender por que o "lobby" por Ronaldinho Gaúcho em nossa imprensa é tão insistente. A última vez que esse rapaz desequilibrou um jogo importante pela seleção, ou por ela fez uma partida digna de um jogador diferenciado, foi contra a Inglaterra em 2002, na campanha do penta (Mundial em que Rivaldo e Ronaldo foram os jogadores decisivos). Na ocasião, contra os ingleses, Gaúcho marcou um golaço de falta sem querer, realizou uma grande jogada em que entortou o inglês para passar a Rivaldo, que fuzilou, e depois foi expulso por uma solada.

Messi, em um aspecto, lembra Ronaldinho Gaúcho: é que
o futebol do craque argentino do Barça ainda não encantou na seleção. Talvez porque a seleção
da Argentina nos últimos anos venha capengando, sem padrão tático, o que prejudica o futebol de qualquer um. Ou será porque Messi tem pouca identificação com as coisas de seu país, já que foi para o Barcelona ainda adolescente, quase criança, depois de ser rejeitado em sua terra? O argentino, porém, tem tempo: não fez nem 23 anos ainda, enquanto o brasileiro já completou 30 e continua com aquele ar blasé de quem parece não se importar com nada.

Mas também Messi conta com uma espécie de idolatria na mídia brasileira que às vezes cansa.

Se tivesse que escolher entre Messi e Rooney para jogar no meu time, eu escolheria o inglês. São dois craques, mas tenho uma certa antipatia pelo meia do Barcelona e pela idolatria a ele. E também porque no Santos já tem Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Liga dos Campeões da Europa
Quartas de final - Jogos de ida

30 de março de 2010 (terça-feira)
15h45 - Lyon 3 x 1 Bordeaux (ESPN) *
15h45 - Bayern de Munique 2 x 1 Manchester United (transmissão: Gazeta e ESPN-Brasil) *

31 de março de 2010 (quarta-feira)
15h45 Internazionale 1 x 0 CSKA Moscow **
15h45 Arsenal 2 x 2 Barcelona **

Atualizado às 12h05
*Atualizado às 21h27 (30/03/2010)
**Atualizado às 23h31 (31/03/2010)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Digressão literária sobre o caso Isabella

Faltam algumas horas para ser conhecido o resultado do julgamento do casal Nardoni, acusado de matar a menina Isabella em março de 2008.

Acho meio irritantes os comentários-clichês e politicamente corretos do tipo “Isabellas morrem todos os dias, principalmente as negras, pobres” etc. Claro que o Brasil está muito longe de ter justiça social, que nossas crianças pobres são vítimas das mais bárbaras formas de violência e que o judiciário do país está muito longe de ser justo, com o perdão do pleonasmo.

Mas a discussão de um crime como o que vitimou a menina Isabella é apaixonante. Não há como negar. E não é apenas produto do “espetáculo midiático”. O embate de argumentos entre promotoria e defesa, os mistérios, as supostas motivações dos assassinos ou suspeitos, a imaginação que perpassa tanto nossas (pelo menos minhas) reflexões como as discussões sobre o assassinato, tudo isso é muito sedutor ao espírito.

Se não fosse, Dostoiévski, por exemplo, não teria se debruçado sobre o crime em suas duas maiores obras-primas, Crime e Castigo e Os Irmãos Karamázov. Há muitos outros exemplos de artistas e pensadores que focaram o tema. Michel Foucault, com o impressionante Eu, Pierre Rivière, que degolei minha mãe, minha irmã e meu irmão, que é o estudo psiquiátrico e judicial, documentado, de um caso ocorrido na primeira metade do século XIX, na França.

Norman Mailer trata do tema crime mas não entra em implicações jurídicas, com seus bons Um Sonho Americano e Os Machões não Dançam, que retratam, como talvez dissesse Paulo Francis?, a podridão da burguesia americana.

Entre incontáveis filmes que enfocam este que é um tema duplo, assassinato/julgamento (ou justiça), sempre me ocorre o francês A Isca (L'appât – 1995), do diretor Bertrand Tavernier. (Observação: há um outro filme chamado A Isca, americano. Enlatado. Eu falo do francês). É a história de uma menina de 18 anos que, querendo juntrar dinheiro para viajar aos Estados Unidos, cria com o namorado um golpe em que ela serve de isca para seduzir executivos, que são levados a uma armadilha, assaltados e... Aparece o assassinato, o inquérito. Vale a pena assistir.

Mas enfim, viagens à parte, voltando ao caso Isabella, concordo com Ricardo Kotscho, que falou em seu blog: “não conheço ninguém, a não ser os advogados da defesa e a família dos acusados, que ainda tenha alguma dúvida sobre a responsabilidade de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá pela morte de Isabella”.

Eu penso que a decisão do júri só não será pela condenação se uma distorção der maioria à defesa. O júri é polêmico, como instituição, porque é influenciável pela emoção. Se os aspectos técnicos, perícia, produção de provas e os argumentos irrefutáveis da promotoria prevalecerem, não há como absolver Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

Só se, como no conto Os Crimes da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe, o assassino for um macaco.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Paulistão gera crises e dá alegria, ora pois

Gaspar Nóbrega VIPCOMMTimão 1 x 1 Tricolor no 2° turno do Brasileiro 2009.
Rivais voltam a se enfrentar neste domingo



Insisto: tradição e a rivalidade fazem do Paulistão uma competição ímpar, a meu ver (fora outros aspectos até mais importantes, como manter os clubes do interior do estado em atividade). O momento atual dos times grandes mostra que, apesar de desprezado por alguns, o campeonato gera crises e felicidade. E não seria assim, se não valesse nada.

Quando chega o fim do ano e um time não ganhou nada, o Paulista aparece no calendário dos decepcionados como grande esperança no horizonte do calendário seguinte. No ano passado, o São Paulo F. C. ficou com aquele discurso de "priorizar a Libertadores" e terminou 2009 seco, sem ganhar nada. Começou 2010 senão com o mesmo discurso, pelo menos com igual espírito. Embora ande meio capenga no Paulistão e jogando pro gasto na Libertadores, o Tricolor tem 30 pontos no estadual, está em 3° e deve ir às semifinais.

O Corinthians foi campeão em 2009 em grande estilo, este ano patina e está à beira da crise, embora sua colocação na Libertadores, no momento, seja tranqüila (mas nesta competição, a hora de a onça beber água só chega nos mata-matas). Depois de perder para o Paulista por 1 a 0 em Barueri na quarta-feira, 25, a lua de mel entre a torcida e Ronaldo ficou estremecida, com direito a cobrança, cerco ao carro do atleta na saída do estádio e gesto obsceno do Fenômeno em direção ao grupo que o cobrou. Em nota, o pentacampeão já se desculpou, mas...

Clássico
Domingo, o clássico São Paulo x Corinthians no Pacaembu, que poderia ser tranqüilo se ambos estivessem bem no Paulistão, vai ser tenso e um grande perigo para os dois times, principalmente o Timão. Se perder, vai se afastar mais ainda do G-4 (está dois pontos atrás da Portuguesa, a quarta colocada hoje) e entrar numa turbulência preocupante para a Fiel num momento em que até Mano Menezes já admitiu haver problemas internos, cobra hombridade etc.

No São Paulo, a luz ainda não está amarela; se ganhar domingo, o time viaja em paz para o México, onde pega o Monterrey pela Libertadores no meio de semana. E alegraria a torcida, que faz tempo anda desconfiada. Pudera, o futebol que o time de Ricardo Gomes vem apresentando não passa de sofrível. Mas, se perder para o arquirrival, o sinal amarelo acende.

E a Lusa, será que vai? A vitória contra o Mirassol por 1 a 0 animou os torcedores. É a terceira seguida, após bater também São Caetano e Monte Azul.

E o Palmeiras perdeu o rumo desde a reta final do Brasileirão 2009. Virtualmente eliminado do estadual, só lhe resta tentar um improvável título na Copa do Brasil e se preparar para o Brasileiro.

E o Santos...
Bem, o Santos continua encantando com seu futebol maravilhoso e inacreditável para os dias de hoje, e só espera saber quem vai enfrentar nas semifinais do estadual, além de pensar na Copa do Brasil.

A maior preocupação de fato, hoje, para a torcida alvinegra, é a ameaça de perder para as aves de rapina do futebol europeu as joias que estão dando essa alegria, como Neymar (ao lado, foto de Eduardo Metroviche). A sombra de empresários e emissários já ronda a Vila Belmiro. Acredito que, para muitos, como para mim, a manutenção dos principais jogadores para o Brasileiro seria até mais importante do que um título nesse começo de temporada.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Serra continua cuidando
da educação com a polícia

Tropa de Choque, gás de pimenta, pancadas e quatro prisões. Este é o resultado da ação do governo José Serra contra um grupo de cerca de 40 professores que faziam manifestação durante um evento do qual o governador participou em Franco da Rocha, na Grande São Paulo.

Os professores estão em greve há três semanas e não conseguem nenhuma interlocução com Serra. "Ele não nos recebe nem negocia", disse-me Edmilson Costa Santos, conselheiro estadual da Apeoesp. "Essa é a truculência do PSDB que nos governa há 16 anos".

De acordo com ele, José Serra foi em Franco da Rocha "inaugurar um elefante branco, o esqueleto de um hospital que vai ser inaugurado em 2013".

Na semana passada, o governador e pretendente a ocupar a presidência da República a partir de 2011 disse que "protesto de professor é trololó".

Não preciso falar mais. Os professores sabem muito bem como é tratada a educação pelo tucanato em São Paulo. E no Brasil. É só perguntar a qualquer professor que lembrança tem do período FHC.

terça-feira, 23 de março de 2010

Confirmado: emperra cronograma de entrega de novas estações do metrô

Divulgação
Pois é. Na semana passada postei um texto sobre as dificuldades para conseguir informações sobre o metrô de São Paulo e o atraso das obras prometidas e não inauguradas ainda, entre outras informações que interessam à população.

Não sou eu, não são políticos em campanha petista que querem prejudicar nosso atuante governador, mas a Folha de S. Paulo de hoje a informar que "Metrô de SP atrasa e ameaça expansão".

É uma péssima notícia para a ainda não lançada campanha do governador José Serra (PSDB), de São Paulo, ao Palácio do Planalto.

"Gestão Serra já cita prazo até 2011 para concluir a primeira fase da linha 4-amarela; entrega da Luz e da República é incerta", diz a reportagem.

Segundo a matéria, "para os passageiros, a boa notícia é a expectativa de inauguração nos próximos dias de duas estações da nova linha 4-amarela: Faria Lima e Paulista". Mas são tantas promessas não cumpridas e desculpas esfarrapadas que fica até difícil encarar como boas as notícias de inaugurações de duas estações, de seis prometidas da Linha 4-Amarela, entre vários outros furos de calendário.

"A promessa do Estado veiculada em panfletos e na TV era de que '28 novas estações' de metrô e de trem seriam entregues de 2007 até este ano. Pelo menos seis, no entanto, vão atrasar: Adolfo Pinheiro e Brooklin-Campo Belo (linha 5-lilás), São Judas e Congonhas (linha 17-ouro), Luz e República (linha 4-amarela)".

A estação do Butantã, que citei na semana passada, é mencionada pela matéria da Folha como uma das que o governo Serra teria "a intenção de operar neste ano" na linha 4: Faria Lima, Paulista, Pinheiros e Butantã. Mas, pelo que parece, só as duas primeiras, de lugares chiques, estão certas.

A íntegra da matéria da Folha está aqui (para assinantes)

domingo, 21 de março de 2010

Gol do Santos!

Nos comentários a respeito do time que encanta o Brasil hoje, o Santos, são pertinentes as analogias com a seleção da Hungria (1954), Holanda (1974 e 1978) e Brasil (1982). Três grandes seleções cujas derrotas fizeram muito mal ao futebol. A vitória da Itália na Copa do Mundo de 82 fez com que o futebol pragmático, feio e vencedor se tornasse hegemônico por muito tempo. O tetra do Brasil em 1994, nos Estados Unidos, foi a coroação verde-amarela desse estilo.

O time do Santos que fez 45 gols no Campeonato Paulista em 15 jogos; deu show de futebol nas vitórias de 9 a 1 contra o Ituano no Pacaembu neste domingo, 10 a 0 sobre o Naviraiense, 2 a 1 em cima do Corinthians e do São Paulo; e perdeu para o Palmeiras (4 a 3) e empatou com a Portuguesa ( 1 a 1), não é um time comum.

E é quase unânime que a alegria do time, que se manifesta nas danças contras as quais até eu já fui ranzinza, contamina o futebol brasileiro hoje. Não sei quanto tempo, diante do poder econômico, vai durar esse time do Santos que empolga quem quer que goste de futebol. Mas já terá marcado a história do futebol.

A ficha dos gols de mais esse show (Santos 9 x 1 Ituano – Vila Belmiro - 21/03/2010) é:

Primeiro tempo: João Leonardo (Ituano), a 1 minuto; André aos 14, Paulo Henrique aos 28, André aos 39 e Madson aos 46;
Segundo tempo: Madson, aos 8, Maikon Leite aos 16, Paulo Henrique aos 27, Zé Eduardo aos 40 e André aos 46 minutos do segundo tempo.

Veja os gols do novo show:



E já que estamos falando de show, vai abaixo a homenagem ao Santos Futebol Clube nas vozes do santista Zeca Baleiro (que se apresenta em Santo André na próxima sexta-feira – veja informações abaixo do vídeo) e do menino Pedrinho. Às vezes ouvir é melhor do que falar:



Zeca Baleiro se apresenta nesta sexta-feira, às 21 horas, no Sesc Santo André

Serviço:
SHOW: Baile do Zeca Baleiro Especial/ Homenagem a Jackson do Pandeiro
SESC Santo André
Dia(s) 26/03
Sexta, às 21h.

Ingressos
R$ 30,00 [inteira]
R$ 15,00 [usuário matriculado no SESC e dependentes, +60 anos, professores da rede pública de ensino e estudantes com comprovante]
R$ 7,50 [trabalhador no comércio e serviços matriculado no SESC e dependentes]
Telefone: 11 4469-1200

Atualizado às 13h

sexta-feira, 19 de março de 2010

Lembrando Glauco

Muro pintado pelo grafiteiro Dingos, em Osasco, dia 12

Entrevistei, para o jornal Visão Oeste, do qual sou editor, duas pessoas que conviveram com o cartunista Glauco Vilas Boas, assassinado por um mentecapto e, ao que parece, psicopata, na semana passada.

Glauco trabalhou por quatro anos no Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, entre 1981 e 1984, onde ilustrava o jornal Visão Trabalhista e outras publicações. O atual vice-presidente da entidade, Carlos Aparício Clemente, conviveu com ele no período. Segundo Clemente, a presença do artista introduziu um elemento novo ao meio sindical. “Ele vinha no sindicato com seu jeito molecão, e, no meio de uma categoria sisuda, conseguia trazer beleza e leveza”.

Outro com quem falei, o atual secretário do Meio Ambiente de Osasco, Carlos Marx, era redator do jornal do sindicato. Marx conta que, muitas vezes, ia buscar o cartunista em sua casa, na Vila Madalena, para levá-lo a Osasco. “Nossa relação de amizade era muito forte”, diz. Depois de muito tempo, voltaram a se encontrar, na localidade onde o cartunista tinha suas atividades na igreja Céu de Maria, culto ligado ao Santo Daime, do qual Marx não participava.

Além de toda a tristeza, dói mais ainda saber que a brutalidade atingiu um cara que era "pacífico, brincalhão, gozador, como os personagens dele", segundo Carlos Marx. Ou seja, este mundo é mesmo uma merda.

Leia a matéria do Visão Oeste na íntegra

quarta-feira, 17 de março de 2010

Metrô adia inaugurações em SP. E... alguém se lembra da tragédia de 2007?

A coisa mais difícil é encontrar informações sobre o metrô de São Paulo. Hoje li uma notinha no Estadão dando conta de que a operação da Linha 4-Amarela vai ter início em abril, entre as estações Faria Lima e Paulista, cujas inaugurações estavam previstas para março.

Liguei à assessoria de imprensa do Metrô e eles desmentiram. Enviaram-me uma nota que, segundo a assessoria, é a mesma enviada a todos os jornais. Diz ela que "a entrega das duas primeiras estações, Paulista e Faria Lima, da Linha 4-Amarela depende da conclusão bem sucedida de uma série de complexos e exaustivos protocolos de teste". Segundo o texto, "em breve, as estações Paulista e Faria Lima entrarão em operação".

Perguntei à assessoria sobre a estação que fica na avenida Vital Brasil, no Butantã, que interessa a uma enorme população da zona Oeste da Grande São Paulo, incluindo Osasco, e fui informado de que não há previsão. O bairro em que fica a maior universidade do país, a USP, continua relegado, pelo governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM), à condição de periferia sob todos os aspectos. É só andar de carro pelas ruas totalmente esburacadas ou a pé, por calçadas inexistentes, para comprovar.


Tragédia fez 3 anos
Rua no local do desabamento - Foto: Eduardo Maretti
Por falar em Linha Amarela, alguém se lembra da "tragédia anunciada", que, em 12 de janeiro de 2007, matou sete pessoas e deixou mais de 200 subitamente sem moradia na região de Pinheiros? (na foto, uma das ruas afetadas). Pois parece que todo mundo se esqueceu. Em uma pesquisa meio rápida é fácil encontrar matérias do segundo aniversário do episódio, mas do terceiro... E, se isso é uma tarefa árdua, imagine achar o nome do governador Serra ou do ex, Geraldo Alckmin, nas matérias sobre o caso na imprensa. As reportagens se referem a todos os tipos de personagens, menos a eles. Na hora da notícia ruim, o governador deixa de existir. Curioso isso.

O Ministério Público Estadual (MPE) já ofereceu denúncia contra 14 pessoas, incluindo diretores, funcionários graduados e técnicos terceirizados da Companhia do Metropolitano e, claro, profissionais do Consórcio Via Amarela, formado por Odebrecht, Queiroz Galvão, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Não se sabe quando haverá julgamento.

terça-feira, 16 de março de 2010

Perguntar não ofende: estamos em Israel
ou no Brasil?

Lula e Shimon Peres/foto: Ricardo Stuckert
Se você ler os dois maiores jornais de São Paulo de hoje (ou nem ler, mas apenas olhar as manchetes nas bancas) provavelmente vai pensar que está em Israel e não no Brasil. A primeira visita de um presidente brasileiro ao Oriente Médio em 100 anos parece uma questão de Estado. Israelense.

"Israelenses cobram de Lula distância do Irã", diz a manchete da Folha de S. Paulo. De modo quase risível, o Estadão usa o mesmo verbo, "cobrar", como se os nobres diários fossem objeto de um ventríloquo. "Governo e oposição em Israel se unem e cobram Lula sobre o Irã", diz o jornal dos Mesquita na manchete.

Visivelmente incomodada (com o quê?), a Folha dedica espaço a ninguém menos que o boss Otavio Frias Filho, para que ele manifeste sua opinião no artigo "Uma política ingênua e errática". No texto, sobre a posição brasileira na visita de Lula a Israel, Frias se refere ao ministro Celso Amorim e ao presidente da República como "nosso simplório presidente e seu trêfego chanceler".

Classifica nossa política externa de "errática, cheia de distorções seletivas" e, como se escrevesse um ditado da embaixada norte-americana no país (já que ele não deve ter acesso tão fácil a Hillary Clinton e outros figurões), o articulista "exorta" o governo brasileiro por uma política de "equidistância comedida".

Diz mais, o artigo. Segundo ele, na política externa do Brasil "a questão dos direitos humanos, por exemplo, deixa de ter qualquer valor no trato com inimigos de Washington, os quais adulamos para sermos vistos como 'independentes'". Ora, todo mundo sabe que os direitos humanos não existem no Irã. Lá, mulheres são executadas a pedradas por cometerem o crime de adultério. É o horror. Mas, curiosamente, Frias se inflama pelos direitos humanos sem mencionar em seu longo texto sequer uma vez a palavra Palestina. Nem territórios ocupados.

Ainda bem que existe imprensa internacional. Nela podemos ler muita coisa interessante. Destaco uma análise de outubro, do articulista David Rothkopf, da prestigiada revista norte-americana Foreign Policy (Política Exterior), em que ele fala da política externa brasileira.

O texto não se restringe a um episódio, mas é uma análise do trabalho do Itamaraty sob Celso Amorim, por isso o artigo se mantém atual e cito-o aqui. “É difícil achar outro ministro das relações exteriores que tenha orquestrado com tanta eficácia uma transformação de tal magnitude do papel internacional de seu país", escreveu Rothkopf sobre o chanceler brasileiro.

Antes que eu me esqueça (os jornais de nosso país se esquecem frequentemente disso): o Brasil defende que não apenas Israel, mas também a Palestina, sejam territórios livres, soberanos e que possam viver em paz.

Observação: Texto também publicado no Observatório da Imprensa

domingo, 14 de março de 2010

Palmeiras 4 x 3 Santos. Justo? Sim. Verdão entrou em campo para fazer o que fez

Por Paulo Maretti

Parece que cada novo jogo disputado entre Santos e Palmeiras (como bem rememorado no texto abaixo) é sequência das partidas anteriores em que os dois se enfrentaram: gols, gols e mais gols. Hoje foram sete, e o Palmeiras de Robert derrotou os favoritíssimos garotos da Vila Famosa num embate eletrizante, na Baixada.

O gol perdido do Tcheco há duas ou três semanas pelo Corinthians contra o mesmo Santos pareceu um aviso ao bom de bola mas ainda inexperiente e jovem time santista.

Comandado por Paulo Henrique Ganso e empurrado pela torcida, o Santos começou ligado em 220, com dribles, passes precisos e extrema rapidez, e rapidinho mesmo fez 1 a 0 e 2 a 0 no amedrontado Palmeiras, que até esse momento, se bem me lembro, não tinha dado um único chute a gol, acho que nem pras arquibancadas, e que já tinha levado dois cartões amarelos em entradas fortes de Edinho e Leo. Tudo apontava pra uns 4 a 0, 5 a 1, 6 a 1 etc.

E eis que de repente (não mais que de repente) o Alviverde renasce nos pés do sempre Cleiton Xavier cobrando uma falta marcada sobre Diego Souza (que me pareceu não existir). O gol valeu por si e por metade dos outros três marcados pelo Verdão, porque a partir daí o Santos cedeu o empate em 2 a 2 e foi esmorecendo a cada minuto.

Veio o segundo tempo e o time da praia havia perdido as chuteiras: passes errados, erros de marcação e nervosismo (evidente na expulsão de Neymar) permitiram ao Palmeiras jogar com êxito nos muitos erros do rival, virar a partida para 3 a 2, sofrer um bonito gol (de empate, de Madson) e de dar o troco com o terceiro de Robert na partida e o quarto do Palmeiras, num golaço de fora da área. Estava tudo consumado: 4 a 3. Veja os gols abaixo:



Justo? Sim. O Palmeiras entrou em campo para fazer o que fez (jogar seu futebol feio e depois deixar tudo bonito para os palmeirenses, como disse certa vez Felipão), diante de um adversário em melhor fase. O Santos não fez o que esperavam os santistas, que gritavam por goleada das cadeiras após os 2 a 0. Assustadíssimo com o empate em dois minutos, o time da Vila sucumbiu no segundo tempo.

O Palmeiras revive suas esperanças de classificação para as semifinais, e evita ser eliminado por um concorrente direto. O Peixe perde a chance de desbancar de vez um time do qual pode ganhar ou perder na fase decisiva da competição.

Santos x Palmeiras – Clássico de tradição
e grandes jogos

Hoje tem Santos x Palmeiras na Vila. Como se sabe, o Alviverde era o único grande time que de verdade tinha o hábito de ganhar do time de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe. De 1958 a 1969 (até o São Paulo ganhar em 1970) a equipe da Vila só não foi campeã em 59, 63 e 66, anos em que o Palmeiras lavantou o título (veja lista de todos os campeões paulistas na Wikipedia).

A esquadra de Diego, Robinho, Elano, Renato e companhia levantou o Brasileirão de 2002 sem bater o Verdão, que foi rebaixado naquele ano, quando o nacional era em turno único. Na Vila, 1 a 1, gol de Robinho, uma atuação sobrenatural do goleiro Marcos e gol de empate de Arce, batendo falta, no finzinho do jogo.

Em 2003, o Palmeiras jogou a segunda divisão do Campeonato Brasileiro e não houve duelo entre os times, já que eles não se encontraram pelo estadual.

Em 2004, 2 a 2 pelo Paulistão e ano em que o Santos viria a ser novamente campeão nacional. E, pelo Brasileiro, o Alviverde enfiou 4 a 0 em plena Vila Belmiro no primeiro turno, num jogo em que Vanderlei Luxemburgo, então treinador santista, poupou os principais jogadores para a Libertadores no primeiro tempo. O Verdão de Vágner Love não quis nem saber. Quando Luxemburgo pôs os titulares, já era. No returno, 2 a 1 para o Peixe na capital. Mas o Santos não era mais o time de Robinho e Diego. Este havia sido negociado no primeiro semestre com o Porto.

Em 2009, o Palmeiras goleou o Santos na fase de classificação do Paulista (4 a 1), mas na semifinal o Alvinegro eliminou o rival com duas vitórias de 2 a 1, na Baixada e na Capital. Pelo Brasileiro do ano passado, 1 a 1 no Parque Antactica e 3 a 1 para o Palmeiras na Vila.

O clássico tradicionalmente é imprevisível e sua história é repleta de grandes partidas. O que o Santos de Neymar,Ganso e Paulo Henrique Ganso está jogando o credencia a matar o Palmeiras. Mas nunca se sabe.

Voltarei a falar mais tarde, após a partida.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Você matou o humor, assassino maldito


(Luis Dourado ©)

Pitbull pode ser extinto no Brasil. Oxalá

Segundo matéria do repórter Leandro Conceição, do jornal Visão Oeste, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deve votar em breve um projeto de lei (PL) que “proíbe a reprodução dos pitbulls e institui esterilização obrigatória dos machos”.

A médio prazo, se o projeto virar lei, isso significará a extinção da raça pitbull (que alguns preferem grafar pit bull) no país. A reportagem consultou defensores dos direitos dos animais, e até o advogado criminalista Fernando Fernandes, que acusa inconstitucionalidade no projeto. De acordo com ele, “o artigo 225 da Constituição Federal (CF) veda expressamente a extinção de qualquer espécie”.

Mas, data vênia, justamente o citado artigo 225 da CF , em seu inciso VII, respalda o projeto que eu, particularmente, apoio. O dispositivo constitucional veda expressamente “as práticas que (...) provoquem a extinção de espécies”. Ora, o pitbull não é uma espécie, e sim uma raça, cuja ferocidade já a fez ser banida de países como Noruega e Dinamarca. Na Inglaterra, as informações são de que o cão só pode ser criado com autorização judicial. No Brasil, esses cães ainda atacam, mutilam e matam pessoas e ainda têm o apoio de associações de defesa do direito dos animais. Fala sério.

O projeto do senador Valter Pereira (PMDB-MS) não tem nada de inconstitucional.

Como cidadão, espero que o Congresso Nacional tenha o bom senso de fazer esse projeto virar lei.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Naviraiense, Vila Belmiro e o mar


Quando o Santos ganhou a partida de ida contra o Naviraiense por apenas 1 a 0 (precisava de 2 a 0 para eliminar a volta, na Baixada), eu comentei com o pessoal lá em casa que a equipe da cidade de Naviraí tinha conseguido o sonho que buscou: o privilégio de jogar na gloriosa Vila Belmiro (o que no futuro poderá ser contado aos netos, certamente com autógrafos de Robinho, Neymar e cia), conhecer a cidade de Santos e... o mar!

Por isso é que a Copa do Brasil é muito bacana.

Mas quem poderia esperar que placar do jogo de volta fosse Santos 10 x 0 Naviraiense. Veja os dez gols aqui. Foram vários golaços, feitos nessa ordem: primeiro tempo: Paulo Henrique Ganso, aos 6 minutos, André, aos 27 minutos, Neymar, aos 29 minutos, Robinho, aos 32 minutos, André, aos 37 minutos, Marquinhos, aos 45 minutos. Segundo tempo: Neymar, aos 9 minutos, André, aos 14 minutos, Madson, aos 20 minutos e aos 32 minutos.

O pessoal de Naviraí deve estar muito feliz de conhecer o mar... e o futebol!