sábado, 12 de novembro de 2011

Flu perde do lanterna América-MG, em refugada digna de Baloubet du Rouet

No domingo 30 de outubro, o Corinthians derrotou o Avaí no Pacaembu por 2 a 1 e o Vasco ficou no 0 a 0 com o São Paulo no Rio, perdendo a chance de assumir a ponta, e escrevi aqui: “Tenho a impressão que o principal trunfo do Corinthians é a absoluta incompetência dos concorrentes”.

Apesar da veemente discordância dos corintianos naquele post, continuo com a mesma opinião. E, vejam bem, não estou dizendo que o Timão não merece ou não merecerá o título se o ganhar, mas a derrota do Fluminense para o lanterna América-MG por 2 a 1 em pleno Engenhão só vem confirmar que, embora emocionante, o Brasileirão 2011 é nivelado por baixo. Tirando o Santos, que abdicou da competição cedo demais, nenhum dos times que podem levantar o título tem cara de campeão, ou craques que desequilibram ou um futebol que encante.

Vi o jogo do Fluminense e fiquei a me perguntar como um time tão limitado, sem nenhuma estrela (Deco, machucado, não atuou), jogando na base do chuveirinho, pode ganhar o campeonato. Se vencesse o Coelho, o Flu seria hoje líder. Mas, sem Deco, o time de Abel Braga, com um meio de campo acéfalo, foi amplamente dominado pela equipe do técnico Givanildo, que mereceu vencer por placar até mais generoso.

Gols de Fluminense 1 x 2 América-MG




Isolado e sem ninguém para armar as jogadas, o atacante Fred não fez nenhum milagre. Rafael Moura, o He-Man, entrou bem no segundo tempo, deu mais movimentação e alternativas ao ataque. Mas como Abelão é um técnico conservador e medroso, nesse aspecto ao estilo de Tite (vide derrota do Timão para o mesmo América de Minas), ele preferiu não começar jogando com Sóbis, Fred e Rafael Moura, deixando este último no banco. Quando corrigiu o erro, já era tarde.

De futebol e hipismo

Com a refugada do Flu, digna de um Baloubet du Rouet, a disputa pelo título volta a ficar mais clara entre Vasco e Corinthians.

O mítico Baloubet du Rouet e Rodrigo Pessoa
(Um parênteses é necessário: entendo muito pouco de cavalos. Na única vez em que entrei no Jockey, há muitos anos, para fazer uma reportagem, já que estava mesmo lá apostei em um cavalo, por achá-lo muito bonito -todo preto- e ter um número de que gosto – o 7. Resultado: o cavalo chegou em último no páreo e nunca mais apostei nesses belos animais.)

Voltando ao futebol, neste domingo o Timão é favorito contra o desesperado Atlético-PR no Pacaembu e o Vasco (pelo atual alto astral, moral alto e união do grupo), também favorito contra o Botafogo. Mas os favoritos têm sido uma aposta ingrata neste Brasileiro das refugadas. O Flamengo pega o Coritiba no Couto Pereira precisando vencer e torcer por tropeços dos dois líderes para embolar completamente a tabela na reta final.

Para terminar, não quero ser injusto com Baloubet du Rouet, que ganhou muitos títulos, como registrou o Glauco certa vez em post no Futepoca. Só lembrei do grande Baloubet por uma livre-associação inevitável. Aliás, não sei até hoje quem é mais importante no conjunto, se Rodrigo Pessoa ou Baloubet.

10 comentários:

Paulo M disse...

O Figueirense está aparecendo como candidato até ao título. Dezoito pontos ganhos nos últimos dezoito disputados. Se ganhar do Flamengo no Engenhão quinta-feira, pode começar a sonhar. E eu tô dentro, he he.

Edu Maretti disse...

Nossa, se o Figueirense ganhar o título eu nunca mais vou falar mal de pontos corridos - hehe. Seria fabuloso.

Leandro disse...

O melhor time brasileiro em 2011, considerado o conjunto da obra, é o Vasco.
Cara de campeão, craques que desequilibram e um futebol que encante o Vasco vem mostrando desde o primeiro semestre, quando levou a Copa do Brasil, e manteve a "pegada" mesmo com o título no bolso, ao contrário do que têm feito os comandados de Murici.
Falar em campeonato nivelado por baixo é mera conveniência santista neste momento em que não mais o disputam, sendo que chegaram a ficar matematicamente ameaçados de descenso. E os mesmos santistas que afirmam isso certamente não pensam o mesmo da Libertadores, onde se classificaram a duras penas na 1ª fase, mesmo num grupo fraco, e onde não tiveram que enfrentar nenhum dos outros quatro brasileiros, que eram apontados como protagonistas, mas que foram eliminados prematura e ridiculamente.
Não espero que nenhum santista admita que a Libertadores de 2011 esteve "nivelada por baixo", mesmo passando para a segunda fase naquelas circunstâncias e mesmo pegando no mata-mata times de menor expressão.
Ganhar a copa do Brasil vencida pelo Vasco certamente foi mais difícil que bater no mata-mata os azarões Once Caldas, Cerro Porteño e Peñarol.
Não estou aqui discutindo se o título foi merecido ou não, pois futebol nem tem muito a ver com o merecimento teórico, mas os méritos do Vasco desde o início do ano devem ser reconhecidos, bem como a paridade do nosso campeonato, que não pode ser visto com os olhos de quem acompanha os campeonatos da Europa, com dois ou três times, se muito, disputando o título desde o comecinho, e um monte de Bragantinos com grife (que me perdoe o pessoal da Terra da Linguiça) fazendo figuração.

Edu Maretti disse...

Caro Leandro, concordo sobre a Europa, e nem precisamos ir muito longe: os campeonatos europeus são menos equilibrados do que o campeonato paulista.

Sobre outro ponto: não lembro quem disse outro dia num programa de debates (não lembro de no Sportv ou ESPN): "o Santos é o melhor time do Brasil hoje, mas não é o melhor do Brasileiro", por motivos por demais conhecidos. Negar o contrário é mera paixão clubística.

Por mais que eu goste da Copa do Brasil (e eu acho muito bacana a CB), não tem como comparar as dificuldades da CB com uma Libertadores.

O Santos quase caiu fora da Libertadores na primeira fase, sim, graças ao trabalho vagabundo do tal Adilson Batista, um enganador que vocês corintianos conhecem bem. Mas o grupo do SFC (o 5) não era fraco, tinha Cerro Porteño, Santos e Colo-Colo. O único time ruim e sem tradição era o tal Táchira, mais ou menos equivalente ao Tolima.

De resto, não vou ficar discutindo muito Libertadores, competição que já foi ganha pelo Colo Colo, pelo Once Caldas, pela LDU, pelo Olimpia do Paraguai e outros times maiores ou menores, e três vezes pelo Santos. E o futebol argentino, como se vê na Libertadores e nos jogos da seleção, anda uma draga de dar dó, fazer o quê? Pena mesmo que em 2011 não deu pra enfrentar um time brasileiro grande como Corinthians, que foi desclassificado pelo poderoso Tolima na repescagem.

Abraços

Leandro disse...

O Tolima é (era) tão poderoso que o também colombiano Once Caldas, que o Cerro Porteño ou o Peñarol.
Os vexames dos demais brasileiros que foram eliminados por Once Caldas ou Peñarol em plena temporada, portanto, não é menos vexaminoso que o do Corinthians, que encarou o Tolima ainda em ritmo de pré-temporada, contando com o completo desconhecimento de especialistas e da própria titebilidade, que encarou os colombianos como se fossem bolivianos.
Existem aí uma diferenças bastante claras, mas é lógico que os gênios da mídia, bem como Adenor e seus asseclas, não levaram isso em conta.
Mas o fato do Once Caldas ou do Colo Colo terem vencido a competição não serve de argumento que resgate alguma alta "nivelabilidade" da edição deste ano.
Se o Santos não tivesse conquistado a taça depois dos outros quatro brasileiros terem aberto o caminho seria um quinto vexame brasileiro. Logo, a conquista tem que ser vista como o cumprimento de uma obrigação nestas circunstâncias.
Bom para o Santos que a obrigação foi cumprida, mas isso não torna a Libertadores mais difícil, por exemplo, que o campeonato paulista, onde enfrentou na final o mesmo Corinthians eliminado pelo Tolima, mas com muito mais trabalho.
A Copa do Brasil vascaína foi mais difícil que a Libertadores santista, e o Paulistão santista também foi.

Paulo M disse...

Bem, pra quem tem duas ou três Copas do Brasil e nenhuma Libertadores, é lógico que a Copa do Brasil tem que ser bem mais difícil. O fato é que o Coringão ainda não ganhou nenhuma (Libertadores, kkkkk). E temos que lembrar também que os times que jogam a CB são os que não se habilitaram pra jogar o torneio continental. Por aí a coisa já começa mais simples. Acho muito legal a Copa do Brasil, mas temos de pôr cada coisa em seu lugar.

Edu Maretti disse...

Bom, são 16:09. Daqui a pouco começa a rodada no domingo.

Como dizia o velho e bom Osmar Santos (as tardes de domingo nunca mais foram as mesmas sem ele): "Vamo pro jogo, garotinho!"

Glauco disse...

Valeu pela menção, Edu. Pegando o próprio exemplo do Baloubet, alguns especialistas juram que o cavalo de competição nesse tipo de prova, quando o cavaleiro está muito tenso ou nervoso, acaba sentindo também essa tensão. Tomando-se como exemplo o campeonato brasileiro de 2010, pode-se dizer que o time do Corinthians "sentiu" o medo do treinador em algumas partidas capitais, em que ele, pouco confiante, preferiu ser mais cauteloso do que mandava o bom senso. Parece que o Tite de 2011 está mais preparado, mas, sabe como é...

Luciano disse...

Edu.... ta na home da globo.com

http://sportv.globo.com/site/noticia/2011/11/filho-do-cavalo-que-refugou-em-sidney-2000-repete-o-feito-do-pai.html

rssssss

Edu Maretti disse...

Luciano, eu estava viajando quando você postou esse comentário. Mas que é engraçado, é... Pobre Baloubet ... hehe.