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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Liminar a favor de Lula e reeleição de Picciani no mesmo dia é demais para a mídia golpista


Quando você quer saber se há notícias positivas para o país, uma das maneiras mais eficientes de se conseguir essa informação é visitar colunas e blogs de gente como Josias de Souza. Hoje o país amanheceu com a notícia de que o conselheiro-relator Valter Shuenquener de Araújo, do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), decidira na noite anterior suspender o depoimento que o ex-presidente Lula e sua mulher, Marisa Letícia, dariam pela manhã, sobre o caso do Condomínio Solaris.


"64 neles", diz camiseta de manifestante em frente ao Fórum onde Lula não depôs

O aspecto positivo da notícia se revelava logo de cara no título do post do jornalista da Folha, publicado às 06:19 da manhã, que registrava seu inconformismo indisfarçado já no título: “Fuga de depoimento carboniza imagem de Lula”.

“Lula sempre foi visto pelos devotos que o seguem como um mito. Ao fugir dos questionamentos do promotor Cassio Conserino, a quem acusa de perseguição, portou-se como alguém que descobriu que também está sujeito à condição humana. Potencializou, de resto, a impressão de que não dispõe de uma defesa consistente”, vociferou o jornalista.

Para Josias de Souza, como para Ricardo Noblat e toda a inumerável lista de assemelhados, o desrespeito à presunção de inocência, ao direito de defesa, à garantia da imparcialidade da jurisdição e outros princípios constitucionais, fundamentais a uma nação sadia, de nada valem diante da urgência em devolver o país a seus verdadeiros donos, as oligarquias de que falava Leonel Brizola e, mais além, aos Estados Unidos da América, cujos interesses estão acima de tudo para essa oligarquia apátrida.

Assim como de nada vale para eles o manifesto de centenas de advogados e juristas importantes, divulgado em janeiro, no qual manifestaram “publicamente indignação e repúdio ao regime de supressão episódica de direitos e garantias que está contaminando o sistema de justiça do país”.

Josias de Souza, Ricardo Noblat e assemelhados são adeptos do jornalismo “imparcial”, aquele mesmo que aprendíamos na faculdade como sendo um dos princípios básicos da profissão, mas depois soubemos tratar-se de uma hipótese improvável.

“Na fase em que ainda tocava trombone sob o telhado de vidro, Lula se comportava como um homem que lambe o dedo depois de enfiá-lo num favo de mel”, continua Josias em seu irrefreável inconformismo diante de uma decisão que lhe tirou o doce da boca, ele que já esperava se lambuzar com o espetáculo midiático do depoimento de Lula que não houve, por enquanto.

Mas, acima de tudo, o que mais impressiona na passagem do parágrafo acima é o ódio manifesto nas palavras do blogueiro-jornalista da Folha. Um ódio verdadeiramente assustador, o mesmo que alimentou durante anos a horda de neofascistas que hoje atacam pessoas simplesmente pela cor da camisa ou da bandeira que essas pessoas usam.

Gustavo Lima/ Câmara dos Deputados
Cunha e oposição tiveram que engolir Picciani 

Mas o dia de quarta-feira (17) prosseguiu, e, como se não bastasse a liminar concedida pelo CNMP suspendendo o depoimento de Lula, eis que Leonardo Picciani, o candidato de Dilma Rousseff, venceu a disputa contra Hugo Motta, apoiado por Eduardo Cunha, e se manteve na liderança do PMDB na Câmara. Mais uma derrota que Eduardo Cunha sentiu como um soco no fígado desferido por um George Foreman.

Um líder de bancada tem inúmeras responsabilidades, como indicar os candidatos a presidente das comissões a que tem direito seu partido ou bloco, solicitar votação secreta, regime de prioridade para propostas, adiamento de votação de propostas em regime de urgência etc. É um aliado e tanto que Dilma continua a ter. Por isso, Josias de Souza mais uma vez exprime o seu ódio incontível: “Ao marchar de forma resoluta em direção à desagregação, o PMDB está apenas homenageando a sua índole”.

É demais, mesmo. Duas notícias boas para o governo no mesmo dia ninguém aguenta.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Às vezes lembro de Leonel Brizola


Francamente, acho que Josias de Souza, jornalista do Grupo Folha, manifesta tanto ódio em suas análises (às vezes elucubrações) políticas, que sua credibilidade profissional fica comprometida.

Digo isso a propósito de um texto assinado por ele em seu blog no Uol, hoje (24/01/2014), cujo título é: “Davos: Dilma estreia como mágica às avessas”. Democraticamente, disponibilizo o link do texto dele aqui.

Escreve Josias de Souza:

“Depois de ignorar por três anos o palco de Davos, na Suíça, Dilma finalmente exibiu-se no Fórum Econômico Mundial. Escolheu para a estreia o papel de mágica às avessas. Vendeu o mercado interno brasileiro com a volúpia de uma caixeira-viajante. Referiu-se ao Brasil como uma oportunidade a ser aproveitada por produtores de automóveis, computadores, celulares, refrigeradores, freezers, máquinas de lavar, tevês planas, fármacos, cosméticos…”

Este é um texto semanticamente chulo, e politicamente lacerdista. Releiam, e prestem atenção no que ele diz nas entrelinhas.

Será que, mesmo sendo oposição, não dá para ter um pouco mais de elegância com a presidente da República eleita pelo povo brasileiro, que está na Suíça negociando pontos de uma agenda internacional que interessa a todos os brasileiros, de oposição ou situação? 

Uma coisa é a crítica, outra bem diferente é a bílis (o ódio de classe) se sobrepor à razão.

Brizola teria feito 92 anos no último dia 22 de janeiro. Às vezes me lembro de Leonel Brizola. Amanhã (hoje) é 25 de janeiro, aniversário de São Paulo.