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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Dilma, finalmente, anuncia que o Estado não pode tolerar agressores e fascistas


Roberto Stuckert Filho/PR

Tenho amigos de "esquerda" (sic) que consideram um absurdo a presidente Dilma Rousseff defender a aplicação de penas rigorosas e, se preciso for, a reforma da legislação para coibir violência e vandalismo em manifestações populares no país. Geralmente movidas por conceitos nebulosos e concepções mancas do que seja a liberdade, essas pessoas – repito, algumas das quais minhas amigas – não conseguem entender que o ovo da serpente está nas praças e ruas, sendo chocado diante dos olhos de todos e complacência do Estado? Liberdade sem limites não é liberdade, é opressão.

Ora, data venia, o que esperam da pessoa que ocupa o cargo de presidente da República? Que se manifeste com tolerância e pusilanimidade diante de depredações de patrimônio público e privado, de agressões físicas a pessoas e de máscaras para encobrir o crime? Que Dilma, como chefe da nação, admita como legítimos os fogos e as bombas em praças públicas como a dos que assassinaram o cinegrafista Santiago Andrade e destruíram uma família? Ou esperam que ela simplesmente se omita diante de fascistas disfarçados de ativistas, covardes que se escondem sob o glamouroso e enganador epíteto de black blocs?

Tenho amigos, e amigas, que no começo achavam tudo lindo e maravilhoso. Que protestar é que é legal, mora!, e que viva a liberdade de manifestação e os protestos! Muitos desses amigos, e amigas, alguns dos quais inclusive me atacaram quando eu dizia que as praças estavam inundadas de fascistinhas, agora estão silenciosos. Não divulgam mais protesto nenhum. Devem estar refletindo. Ou envergonhados.

A Constituição Federal garante a liberdade de manifestação e de expressão, mas não autoriza a barbárie. É preciso dar um basta à covardia dos que se ocultam para destruir e ferir.

Está muito certa, e até demorou para anunciar as medidas, a presidente Dilma ao afirmar que o governo trabalha numa proposta de legislação que reprima toda forma de violência durante as manifestações e que é preciso aplicar penas rígidas a condenados por crimes cometidos durante os protestos.

Já tardava um posicionamento da presidente, cuja origem é por demais conhecida, em favor de cidadãos que querem paz, seja em manifestações, seja ao andar nas ruas que são de todos.

Disse hoje a presidente:

“Os órgãos de segurança pública devem coibir a violência, cumprindo a lei, mas é preciso reforçar a lei e aplicar a Constituição, que garante a liberdade de manifestação, mas veda, proíbe o anonimato. Então estamos trabalhando numa legislação para coibir toda forma de violência em manifestações.”

Afirmou também:

“Defendo toda e qualquer manifestação democrática. Democratas são aqueles que exercem pacificamente seu direito e liberdade de exigir mudanças. São democratas aqueles que lutam por mais qualidade de vida, defendem com paixão as ideias que têm, a grande maioria dos manifestantes. Mas repudio o uso da violência em manifestações e acho inadmissível atos de vandalismo, violência, pessoas que escondem o rosto não são democratas”.

E sobre a Copa do Mundo:

"Planejamos medidas que vão reforçar a segurança nos estados-sede. O governo está em sintonia com os Estados para que possamos atuar de forma conjunta e padronizada. A Polícia Federal, a Força Nacional e Polícia Rodoviária Federal estão prontas e orientadas para agir dentro de suas competências, e quando for necessário, mobilizaremos também as Forças Armadas."

Concordo com tudo, plenamente.