sábado, 29 de setembro de 2012

Sem vergonha é a visão tucana do que significa liberdade de imprensa


Ao chamar o repórter da Rede Brasil Atual de “sem vergonha”, mais uma vez fica estampado, registrado e carimbado qual o verdadeiro apreço de José Serra pela “liberdade imprensa”. Assim mesmo, entre aspas. Ele e seus correligionários (pois a truculência não emana apenas de Serra) acham absolutamente normal que as impolutas Eliane Catanhêde e Miriam Leitão, entre muitas outras figuras, representem seus interesses em veículos de grande penetração.

Mas os que veiculam outras versões, esses são feitos por "sem-vergonhas", de acordo com a visão fascista que eles têm de liberdade de imprensa.

Veja o vídeo do ocorrido na tarde de ontem:


Liberdade de imprensa para Serra é a liberdade de mentir e não responder o que não lhe convém, e, diante de questões que não lhe agradam, retrucar ao repórter com a indefectível pergunta: “de onde você é?” E, se o profissional autor da pergunta que incomoda for de uma das empresas que o apoiam, ele exerce seu direito à “liberdade de imprensa” telefonando para os chefes de redação para pedir a cabeça do tal repórter desobediente.

No caso da Rede Brasil Atual, o tucano não pode ligar para o chefe da redação e pedir a cabeça do repórter. Então sua assessoria dispara uma nota para toda a imprensa dizendo que “O PT deu início (...) a uma nova e lamentável estratégia eleitoral em São Paulo. Enviou um repórter da Rede Brasil Atual (...) para tumultuar a coletiva de imprensa do candidato José Serra”. Nota que alguns portais da mídia tradicional que estão ao seu lado chegam a publicar na íntegra.

Os tucanos não admitem as novas mídias, aquelas que dão uma versão diferente da versão oficial que estão acostumados a divulgar como querem nos veículos que controlam, Folha, Estadão, Globo, Grupo Abril.

O que é sem vergonha é a visão tucana do que significa liberdade de imprensa.

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Veja também, sobre o relacionamento de Serra com a imprensa:

Heródoto Barbeiro sai do Roda Viva após questionar Serra sobre pedágio

Os gestos de José Serra

3 comentários:

Felipe Cabañas da Silva disse...

O engraçado (ou triste) é que o próprio Youtube se encarrega após o vídeo de sugerir vários outros momentos de destempero do Serra com jornalistas.

Acontece que o Serra é o próprio protótipo do tecnocrata. Ele é um nato, tradicional, incorrigível administrador de "empresas" públicas. Serra não tem o traquejo do corpo a corpo, a flexibilidade intelectual do debate, a sensibilidade para operar consensos e dedicar-se à "arte" do relacionamento com os outros, fundamental para qualquer um que almeje construir uma posição de liderança política. Ao contrário de um FHC (embora eu não seja de forma alguma um admirador de FHC, é preciso reconhecer que é um político talentoso), Serra, um político, odeia a política. Ele gosta de comandar, chefiar, governar, mas tem horror a todo o trabalho "menor" que envolve sair na rua, falar com o povo, ser confrontado por uma verdadeira imprensa livre (e não um protótipo de imprensa livre que é livre somente até certo ponto), construir alianças, fazer concessões, etc, etc, etc. Neste sentido, mostra certa tendência à centralização e ao autoritarismo. Realmente, um segundo turno entre Serra e Russomanno será absolutamente deprimente.

Edu Maretti disse...

Perfeito, Felipe, concordo. Só faço duas pequenas ressalvas relativas ao período final do comentário: "Neste sentido, [Serra] mostra certa tendência à centralização e ao autoritarismo. Realmente, um segundo turno entre Serra e Russomanno será absolutamente deprimente".

1 - qdo vc diz que Serra "mostra certa tendência à centralização e ao autoritarismo". Não consigo relativizar isso. Na minha opinião, não é "certa tendência": Serra encarna o autoritarismo cabalmente. Ele nega o contraditório, a possibilidade da discordância e a imprensa desatrelada de seus próprios interesses. Esse tipo de pensamento "protofascista", como diria Marilena Chaui, está condenado a desaparecer.

2 - tenho forte impressão de que o segundo turno vai ser entre Russomanno e Haddad.

Abraços

Felipe Cabañas da Silva disse...

Edu, eu digo "certa" tendência porque afinal de contas ele joga o jogo da nossa "insuficiente democracia parlamentar", como diz o Edgar Morin. Fora que há que se respeitar, em boa parte dos quadros do PSDB, o histórico de oposição à ditadura, uma página não desprezível de luta contra o autoritarismo. Meu pai, por exemplo, que se disse socialista a vida toda, apoiou FHC entre 1986 e 1989, antes que o Lula despontasse como grande líder de uma alternativa de esquerda à presidência. O PSDB nasce como um partido de intelectuais de esquerda moderada, hoje um bastião que está nas mãos do PT. Dito isso, o PSDB se tornou um partido assumidamente elitista (da "massa cheirosa") e aberto a um novo tipo de conservadorismo. É uma direitização da social-democracia (o que é normal, porque não existe uma única social-democracia, existem múltiplas social-democracias, como existem "AS" esquerdas e não "A" esquerda, como diz o Edgar Morin novamente). Sinceramente, apesar do meu desprezo pelo PSDB, e embora eu mesmo em arroubos de fúria já tenha usado o termo, acho uma forçação de barra chamar os tucanos de fascistas. E neste momento, é uma confusão que serve claramente à campanha que pode demonstrar um real caráter autoritário, que é a campanha de Celso Russomanno. Saudações.