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domingo, 13 de julho de 2014

Alemanha é tetra no Maracanã


Resenha da Copa do Mundo [16 - domingo, 13 de julho]



Um grande e merecido título da Alemanha, a quarta Copa do Mundo de sua história. As outras foram em 1954, 1974 e 1990.

Ficha técnica

Alemanha 1 x 0 Argentina


Local:  estádio do Maracanã - Rio de Janeiro
13 de julho de 2014
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Público:  74.738 espectadores
Gol: Gotze, aos 7 minutos do segundo tempo da prorrogação

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Schweinsteiger e Kramer (Schurrle); Muller, Kroos e Ozil (Mertesacker); Klose (Gotze) Técnico: Joachim Low

Argentina: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia, Enzo Pérez (Gago) e Messi; Lavezzi (Aguero) e Higuaín (Palacio) Técnico: Alejandro Sabella


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Schweinsteiger com a taça: mais do que justo

J.P.Engelbrecht/ PCRJ


J.P.Engelbrecht/ PCRJ


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil


Carmem Machado

A final da Copa do Mundo


Resenha da Copa do Mundo [15 - domingo, 13 de julho]


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Schweinsteiger, um dos símbolos da revolução do futebol alemão

Poucos times mereceram tanto ganhar a Copa do Mundo  na história como a Alemanha hoje na final contra a Argentina no Maracanã. Pelo trabalho de renovação espetacular do futebol no país, feito desde 2002, algo que mexeu com a estrutura, alavancou os investimentos em talentos com parcerias entre clubes, empresas e  governo e revolucionou o esporte, algo que tanto se defende no Brasil.

Algo que países como Brasil e Argentina ainda estão longe de fazer, ambos afundados na administração oligárquica do futebol, pela nossa CBF e pela AFA de Julio Grondona, o Ricardo Teixeira argentino, que está no poder desde 1979.

O time de Schweinsteiger, Kroos e Khedira merece o título também também pelo grande futebol que jogou na Copa, fruto desse magnífico trabalho de longo prazo.

E finalmente pela alegria, cordialidade e respeito pelo Brasil e o profissionalismo com que se mantiveram em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, na Vila de Santo André, deixando inclusive investimentos em uma escola pública.

Porém, os alemães têm pela frente um grande time, a Argentina de Alejandro Sabella, que cresceu pouco a pouco, foi se montando taticamente durante a competição e chega à final contra a equipe de Joachim Low para fazer um jogo de igual para igual.

A Alemanha é favorita e merece o título. Torço para a Alemanha. Mas, como se sabe, o futebol muitas vezes ignora o merecimento.



quarta-feira, 9 de julho de 2014

Alemanha e Argentina fazem a negra



Resenha da Copa do Mundo [14 - quarta-feira, 9 de julho]


Valter Campanato/ Agência Brasil
Hermanos comemoram ida à final, o que não acontecia desde 1990

Torci para a Holanda, mas não fiquei insatisfeito com a classificação argentina.

Minha rivalidade com a Argentina de Di Stéfano, Maradona e Messi é apenas futebolística, e não cultural, política ou outra. Adoro Buenos Aires e lá qualquer brasileiro é sempre muito bem recebido. Admiro o futebol argentino, que encanta e surpreende, mas sobretudo encanta com sua magia, porém achava, e ainda acho, que a Holanda merece um título, pela história que construiu no futebol.

Posto isso, a Argentina merece estar na final, depois de um jogo muito ruim em que tanto os hermanos como os orange só pensaram em não perder e não tomar gol. Renegaram o ataque. Os craques Messi e Robben, muito marcados, tiveram atuação apagada. As equipes preferiram deixar na mão dos deuses e ir para a disputa de pênaltis. Nenhum dos dois mereceu ganhar o jogo e qualquer um que vencesse os pênaltis teria merecido. Foi a Argentina.

A Alemanha tem enorme favoritismo na final. Não vai fazer 7 a 1 na Argentina. Mas se der a lógica, os germânicos devem levantar a quarta Copa do Mundo, repetindo 1954, 1974 e 1990, evitando que o time de Messi conquiste o Mundial, o que conseguiu em 1978 e 1986.

Nota curiosa é que Argentina x Alemanha fazem a negra. Decidiram as copas de 1986, vencida pelos sul-americanos comandados por Maradona por 3 a 2, e de 1990, que os germânicos conquistaram por 1 a 0 graças a um pênalti inexistente marcado pelo árbitro da partida no finzinho do jogo. Pareceu-me à época que aquele pênalti a favor da Alemanha na final de 90 foi premeditado, como se a Fifa, então, se vingasse da “mano de Diós” de Maradona de quatro anos antes.

Mas na final de domingo, a Argentina vai precisar encontrar uma fórmula mágica para vencer o coração da Alemanha, que é seu meio de campo monstruoso formado por Schweinsteiger, Kroos, Khedira e Özil, e ainda com Müller circulando pelo campo.

Mascherano (que tem jogado uma barbaridade, um verdadeiro líder que o Brasil nunca teve), Biglia, Enzo Pérez e Messi foi o meio de campo argentino que enfrentou a Holanda, e que não me parece páreo para o quarteto alemão, mesmo que Di Maria volte e jogue no sacrifício. Messi fez um jogo apagado contra a Holanda. Talvez o jogo mais franco e agressivo da Alemanha favoreça seu jogo, talvez ele encontre espaços.

Enfim, a Alemanha deve ser a campeã da Copa das copas no Maracanã, no próximo domingo. A menos que o imponderável apareça, e Messi brilhe. Senão, vai ser difícil. "Vai ser difícil porque [a Argentina] tem pela frente uma Alemanha quase perfeita", disse o comentarista argentino Juan Pablo Sorín, da Espn, agora há pouco, que sabe do que está falando. Foi um grande lateral esquerdo e jogou até 2006 pela seleção argentina.

Outro comentarista do mesmo canal, o Mauro Cézar, disse uma frase interessante: "A Argentina tem mais apetite, a Alemanha tem mais time".

Enfim, a ver.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

As semifinais



Resenha da Copa do Mundo [12 - segunda-feira, 7 de julho]


Brasil x Alemanha
Holanda x Argentina



Marcello Casal Jr/ Agência Brasil


Não tem como apontar favoritos. Com Neymar no time, jogando em casa e considerando que a Alemanha é freguesa do Brasil, o time de Felipão levaria um favoritismo, na minha opinião. Os times jogaram três partidas oficiais na história e a seleção brasileira ganhou todas: 4 a 0 (1999 - Copa das Confederações), 3 a 2 (2005 - Copa das Confederações) e 2 a 0 (2002 – final da Copa do Mundo). No total foram 21 jogos entre as duas seleções, com 12 vitórias brasileiras, 5 empates e 4 dos alemães.

A verdade é que o time brasileiro, que já era limitado, perde ainda mais “em carisma, futebol e alegria com a saída do Neymar”, como disse Paulo M. em comentário ao post anterior ao falar da Copa sem o craque brasileiro. Se o Brasil vai superar a perda e ultrapassar a eficiência germânica, seja com Willian ou Bernard, só conferindo. A escolha de Scolari deve ser Willian, que joga com Oscar no Chelsea e, além de ser mais jogador, é a solução mais óbvia também por isso.

Fala-se em garra e união para suplantar a ausência do craque do time e ter força para bater uma equipe que tem o goleiro Neuer, Lahm, Özil, Schweinsteiger, Müller e até Klose, jogador que às vezes joga, às vezes não, e pode fazer seu 16o. gol, ultrapassando Ronaldo como o jogador com o maior número de gols em todas as copas. Mais uma vez penso em como poderia ser diferente se o elenco tivesse jogadores como Ganso, Robinho e Kaká para poder usar numa hora dessa. E ainda tem que pensar na mudança na dupla de zaga, já que Thiago Silva, suspenso, será substituído por Dante.

Dante é canhoto, e David Luiz, embora destro, prefere jogar pela esquerda, mas vai ser deslocado para a direita da defesa para Dante entrar. Mudar uma defesa que está dando certo num jogo como esse... Ou seja, o time perde a força do ataque e muda a defesa contra um time organizado, forte no ataque, com uma bola parada perigosíssima, e que joga em bloco. 

Já a outra semifinal, também de impossível prognóstico, reúne um time que vem crescendo ao longo da competição (Argentina), mas perdeu Di Maria (o melhor da seleção sem contar Messi) e outro que joga com impressionante frieza (Holanda) e tem em Van Gaal um técnico que decide jogos.

Não tenho esse negócio meio bobo de torcer contra a Argentina, como muitos que ficam papagaiando uma rivalidade que, aliás, nem é tão grande para os argentinos, pois para eles os maiores rivais são historicamente Uruguai e Inglaterra.

Mas, no caso, vou torcer para a Holanda, embora às vezes a gente só descubra para quem vai torcer num jogo desse quando ele começa e a gente vê para onde o coração aponta.

Na verdade a Holanda é o único dos semifinalistas que não tem título mundial, já tendo passado perto muitas vezes e chegado ao vice-campeonato três vezes (1974, 1978 e 2010). Acredito que a Holanda mereceria um título, pela história que já construiu no futebol.

Argentina x Holanda vai ser a paixão com que os Hermanos encaram uma partida como essa contra o jogo matemático e tático com que o time de Van Gaal tem jogado nesta Copa. Falaram mal da Holanda por ter vencido a Costa Rica nos pênaltis. Mas, por incrível que pareça, dava a impressão que os holandeses tinham o tempo todo certeza de que venceriam. É impressionante a calma com que esse time joga. E às vezes é mais difícil vencer um timinho retrancado e limitado como essa Costa Rica do que um grande oponente. A Holanda chutou três bolas na trave, o goleiro consta-riquenho defendeu tudo e, ao fim, ganhou a Copa do Mundo com a classificação de um grande time.

Tenho acertado palpites aqui no blog. Disse no  post sobre as quartas de final (resenha 10) que “meu palpite é de que as semifinais serão Brasil x Alemanha e Holanda x Argentina”. E também, na resenha 11, antes de Brasil x Colômbia, que “acho que nesta sexta-feira nós passamos pela Colômbia. Meu palpite é 2 a 1”.

Os palpites anteriores eram baseados em alguma, ou muita, lógica, ao contrário das semifinais. Mas, para não perder o hábito, acho que a final vai ser Brasil x Holanda.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Brasil x Colômbia: o criticado Henrique pode ser um trunfo decisivo de Felipão



Resenha da Copa do Mundo [11 - sexta-feira, 4 de julho]


Ricardo Stuckert/ CBF
Ou vai ou racha


Scolari deve colocar contra a Colômbia novamente Paulinho (para substituir Luiz Gustavo, suspenso). Mas, além disso, pelo que se viu do treino de quinta-feira (3), poderia também pôr Henrique no lugar de Fred. Não se sabe se vai apenas substituir Luiz Gustavo por Paulinho, se vai substituir Luiz Gustavo por Henrique ou se, numa mexida tática mais ousada, entraria com Paulinho no lugar de Luiz Gustavo e, como se especula, também escalar Henrique sacando Fred, fazendo o time ser aparentemente mais defensivo mas, na prática, ter mais opções de jogo do que tem com um centroavante estático esperando a bola chegar (o que é infrutífero se não tem um armador criativo, tipo Ganso, no meio de campo). Não esquecer que há ainda outro volante, Fernandinho.

Mas como assim, um volante-zagueiro (Henrique) no lugar de um centroavante (Fred)? Ainda mais Henrique, amigão do técnico, como escrevi no post anterior.

Mas acho que, ao contrário de algumas opiniões pessimistas, Henrique (ex-Palmeiras) pode ser de grande valia. Não é um craque, mas é um jogador versátil, que, além de ser da confiança de Felipão, sabe transitar com certa desenvoltura num setor amplo que vai da zaga ao meio de campo avançado. Dizem palmeirenses que Henrique sabe passar e até faz gol. Pode atuar como terceiro zagueiro num 3-5-2 ou como o volante que chega de trás para surpreender a zaga colombiana, assim como Paulinho. Talvez com Paulinho e Henrique, e sem o inoperante Fred, o poder de fogo do time aumente, até porque os laterais terão mais cobertura e até mesmo Oscar e Neymar ganham mais liberdade e apoio. 

E tem justamente o fator Neymar. Ele não fez gol no último jogo. Deve fazer na Colômbia. Alguns amigos me mandaram informações segundo as quais o treinador da Colômbia, o argentino José Pekerman, é um estudioso que ganhou do Brasil várias vezes nas disputas das seleções de base. Mas a mídia não fala que Pekerman era o treinador da Argentina na final da Copa das Confederações em 2005, quando o Brasil de Carlos Alberto Parreira massacrou os hermanos de Pekerman por 4 a 1.

Podem ser só elucubrações. Mas não acho que Henrique tenha sido a pior das piores escolhas de Felipão na convocação, como ouvi de amigos hoje. Jô, Bernard e Willian são três jogadores medíocres, para usar um termo ameno, que não deveriam estar entre os convocados e já mostraram isso. Não vejo Henrique como um problema entre os convocados, mas os três antes citados são convocações visivelmente equivocadas. Felipão se tocou de alguns erros, inclusive deixou transparecer isso no famoso papo com alguns jornalistas escolhidos por ele a dedo, esta semana.

Seja como for, repito, acho que nesta sexta-feira nós passamos pela Colômbia. Meu palpite é 2 a 1.

Para lembrar uma efeméride: hoje, 4 de julho, faz 20 anos que o Brasil de Parreira ganhou de 1 a 0 dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1994, sediada nos EUA, gol de Bebeto.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

As quartas de final



Resenha da Copa do Mundo [10 - quinta-feira, 3 de julho]


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Felipão e seu capitão chorão Thiago Silva



O que espero da próxima fase da Copa do Mundo.


Brasil x Colômbia

Seria impensável antes da competição imaginar que uma partida de quartas de final da Copa do Mundo no Brasil reunindo a seleção brasileira e a colombiana fosse de difícil prognóstico. Mas a palavra para definir o que se pode esperar desse jogo é: imprevisível.

Técnica e taticamente o time de Felipão está dando nos nervos de quem entende e de quem não entende de futebol. São vários problemas conhecidos: ausência de um armador no meio de campo, ligação direta, laterais fracos, atacantes inoperantes (não apenas por não haver quem os abasteça de bolas, mas porque são fracos mesmo).  Jô é tão pior do que Fred que a opção que Scolari utilizou no treino como opção no lugar de Fred foi o volante-zagueiro Henrique, amigão do técnico. Até mesmo o “general” Felipão aparenta estar meio perdido.

Fora tudo isso, há o problema emocional. Tostão escreveu que, ao contrário da opinião geral, ele vê como positiva a emoção e a choradeira dos jogadores. “...a onda é dizer que o problema maior da seleção é emocional, que os jogadores não suportam a pressão e que choram demais, como se o choro fosse incompatível com a razão e a lucidez. Penso o contrário. O que salva a seleção é o envolvimento emocional dos jogadores”, disse. A opinião de Tostão é sempre respeitável, mas discordo dele. Como dizia minha avó, "tudo o que é demais enjoa". É choro demais. Um time emocionalmente desequilibrado, em que o capitão (Thiago Silva) pede pra não bater pênalti e fica sentado na bola chorando é meio ridículo. Espero que Tostão tenha razão, mas...

Enfim, não se pode cravar que vai dar Brasil. Mesmo assim, não sei por que, minha intuição me diz que passaremos pela Colômbia. Mas não sei se é intuição ou simples coração de torcedor.

França x Alemanha

Um jogo de difícil prognóstico. Acredito no favoritismo dos germânicos, que têm um time mais sólido e bem montado do que a equipe francesa, que tem vários talentos individuais e um jogo rápido. Mas o time, me parece, deixa muitos espaços e não é muito compacto. A Alemanha venceu a ótima Argélia num jogo espetacular pelas oitavas. A França bateu a fraca Nigéria, e não creio que tivesse superado os argelinos.

Holanda x Costa Rica

Acho quase impossível que os centro-americanos vençam os europeus nesse confronto. Parece-me o duelo mais fácil. Acredito que a Holanda, que despachou o México, vença, não com muita facilidade, mas nos 90 minutos, sem prorrogação. A Costa Rica bateu nas oitavas a limitadíssima Grécia.

Argentina x Bélgica

Um jogo em que a Argentina é favorita, para mim. Mas é um favoritismo que pode ser contrariado. O time sul-americano, que derrotou a retranqueira Suíça, tem mais talentos, mas o velho problema de sua defesa vulnerável pode comprometer. E o goleiro argentino, Romero, não é confiável. Os rápidos belgas, porém, demonstraram no dramático jogo com os Estados Unidos que, ao contrário da Suíça, sua defesa confessa, se apertada, e o time não parece destinado a se retrancar. Se se abrir contra os hermanos, perderá. Posso errar, mas acho que dá Argentina.

Semifinais

O vencedor de Brasil x Colômbia pega o que sobrar de França x Alemanha. Do outro lado vão se enfrentar os ganhadores de Argentina x Bélgica e Holanda x Costa Rica. 

Meu palpite é de que as semifinais serão Brasil x Alemanha e Holanda x Argentina.


terça-feira, 1 de julho de 2014

Crônica para argentinos e belgas em dia de céu azul em São Paulo - e saudações aos estadunidenses


Resenha da Copa do Mundo [9 - segunda-feira, 1o. de julho]


Viaduto do Chá

Hoje foi um dia em que, andando pelo metrô e pelas ruas de São Paulo, vendo incontáveis argentinos e, mais tarde, alguns belgas pelas ruas da cidade, trens, estações e plataformas do metrô, veio de repente à minha mente uma passagem da canção London, London, de Caetano.

He seems so pleased, at least
And it's so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree

A Copa do Mundo no Brasil, seja pelo futebol, seja pela festa, cores e línguas, é espetacular e emocionante.

No centro da maior cidade da América do Sul, as pessoas vestidas de azul, de azul e branco, de amarelo, de preto vermelho e amarelo, passam por mim felizes, brincando, umas cantando, outras silenciosas, outras simplesmente bêbadas.

And it's so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree


Esquina do Viaduto do Chá e rua Xavier de Toledo

Num hotel em que fui para cobrir um evento político, o evento não começou enquanto o duelo Argentina x Suíça não acabou. Jornalistas, políticos, funcionários do hotel olhavam para a televisão ligada no hall. A esmagadora maioria torcendo para a Suíça. Ou melhor, contra a Argentina. Torci para a Argentina, nem que seja para fazermos com eles a sonhada final da Copa das Copas do Brasil, embora, se fosse apostar hoje, só pensando em futebol, eu talvez apostasse numa final entre Alemanha x Holanda. Eu era um dos únicos a ver aquele absurdo que acontecia no estádio de Itaquera: um time, ainda que meio desorganizado, tentando a qualquer custo chegar ao gol, por todos os meios, pelas pontas, pelo meio, por chuveirinho, numa partida em que Di Maria acabou superando Messi e finalmente pôs fim à esperança suíça.

O time de vermelho calculou que conseguiria ficar 120 minutos destruindo, destruindo e destruindo para conseguir ganhar nos pênaltis. Calcularam e quase conseguiram, mas os deuses do futebol puseram fim àquela arrogância de querer matar a alegria. Pois o que queriam os suíços senão isso? Evitar, evitar e evitar o gol. Foi para isso que entraram em campo. E foram punidos ao tomar o gol quando as cortinas estavam se fechando.

Segundo a CBN, um argentino infartou no Itaquerão diante do drama em que se transformou a partida. Morreu no hospital. Acho que não viu seu time finalmente bater a Suíça. Se assim foi, não viu um dos gols mais bonitos da Copa, a jogada de Messi vencendo na corrida e no drible a zaga suíça, o passe perfeito na diagonal e a conclusão de craque do camisa 7 da Argentina. Realmente, espetacular.

O time argentino furou o ferrolho vermelho e agora pega a estranha Bélgica nas quartas, que ganhou dos Estados Unidos por 2 a 1 em outro jogo impressionante, que foi para a prorrogação depois de 90 minutos de 0 a 0 e incontáveis gols perdidos, principalmente da Bélgica, um time habilidoso, com jogadores como Mertens, Hazard, De Bruyne e Orig, mas que, não sei se por azar ou nervosismo, perdeu um caminhão de gols enquanto o time norte-americano, bem postado, taticamente bem armado, ameaçava nos contra-ataques.

Os Estados Unidos de Zusi, Bradley e Dempsey, contra todas as expectativas, não ganharam o jogo em Salvador porque, aos 47 minutos do segundo tempo, o atacante Wondolowski perdeu um gol inacreditável quando a bola subiu e caiu aos seus pés, na frente do goleiro, e ele chutou bisonhamente para fora, para desespero do técnico deles, o alemão Jurgen Klinsmann, por ironia um dos maiores atacantes da história da Alemanha. Deu dó de Klinsmann, que pôs as mãos no rosto para tentar talvez esconder a sua incredulidade.

Como o jogo acabou 0 a 0 e na prorrogação a Bélgica fez 2 a 1, o erro do Wondolowski custou a classificação dos americanos. E perderam outro numa linda jogada ensaiada no fim da prorrogação. Pela luta, mereciam ter conseguido o empate. Pena.

Vi norte-americanos muito simpáticos torcendo feito doidos pro time deles num restaurante em São Paulo semana passada. Não torci contra eles. Pelo contrário. Sou do contra. Já disse que para mim futebol e política não têm nada a ver.


Belgas e argentinos no metrô de São Paulo. Vão se ver nas quartas

Metrô - Linha 4-Amarela


Viaduto do Chá

sábado, 21 de junho de 2014

Argentina sofre, Alemanha derrapa e França surpreende


Resenha da Copa do Mundo [4 - sábado 21 de junho]



Divulgação/AFA


Injusta vitória argentina contra o Irã por 1 a 0. O futebol é impressionante. Todo mundo esperava que a Argentina passeasse frente aos persas, mas o que se viu foi os iranianos conseguirem bloquear o oponente com uma retranca eficiente e ainda terem as três melhores chances de gol, um pênalti a favor não marcado pelo juiz e, como imerecido castigo ("a bola pune"), o Irã acabou tomando um gol de Messi no finzinho do jogo. A Argentina é um time desorganizado e sem criatividade, apesar de contar com jogadores como Di María, Agüero e Higuaín. Se não fosse Messi ter feito dois gols decisivos contra Bósnia e Irã, os hermanos poderiam hoje estar amargando dois míseros empates.

Mas a vitória da Argentina acabou sendo dramática em um jogo sensacional, o que ninguém imaginava.




O empate da Alemanha com Gana em 2 a 2 foi outro belo jogo, que todo mundo esperava que fosse uma barbada, e não foi. A Alemanha cantada em prosa e verso quase perde de Gana, o que colocaria o grupo G (que ainda tem EUA e Portugal) num surpreendente equilíbrio.

A França começou desacreditada, mas depois dos 5 a 2 na Suíça, com um futebol agressivo de contra-ataques fulminantes, se credencia a pelo menos ir mais longe do que se esperava. É um time muito rápido, tecnicamente muito bom e disciplinado taticamente. Se o Brasil chegar às semifinais tendo sido primeiro do grupo A na fase de grupos e a França também chegar à semi como primeira do E, Brasil x França farão uma semifinal. Isso se a França passar pela Alemanha nas quartas (e se a Alemanha chegar às quartas...). O Brasil pega nas oitavas Chile ou Holanda e, pelo andar da carruagem, Uruguai ou Itália nas quartas.

Talvez seja cedo pra dizer isso, mas a última vez que o Brasil ganhou da França em Copas do Mundo foi em 1958 (5 a 2). Depois, foram três jogos decisivos e três vitórias francesas: 1986 (quartas-de-final, nos pênaltis), 1998 (final, 3 a 0 em Paris) e 2006 (quartas-de-final).

O Brasil, como a Argentina, é um time até aqui sem criatividade e nervoso. A responsa de jogar em casa está visivelmente pesando para o time, que, como já falei, não tem um líder em campo. A sorte é que o jogo decisivo de segunda-feira é contra o fraquíssimo Camarões.

A Costa Rica, zebra das zebras, no grupo D já garantiu uma vaga e deixou para Itália e Uruguai decidirem a outra, numa chave em que a Inglaterra caiu fora no segundo jogo. O Chile, no B, despachou a campeã Espanha d’El Rey. Quem poderia imaginar?

Uma nota: ao fazer seu 15° gol em copas do mundo, o alemão (de origem polonesa) Miroslav Klose iguala Ronaldo. Ao contrário do que se poderia esperar, muitos brasileiros não apenas aplaudem o feito do alemão como torcem para Klose superar Ronaldo. Estou entre esses brasileiros.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Crônica de Uruguai x Inglaterra num dia de céu cinza e jogo épico na cidade de São Paulo


Resenha da Copa do Mundo [3 - quinta 19 de junho]
Itaquerão em dia do épico Uruguai x Inglaterra. Ou: uma tarde que Jean-Luc Godard poderia ter filmado em São Paulo







O clima em São Paulo hoje estava totalmente apropriado para Uruguai x Inglaterra. Um clima londrino, de céu cinza, frio, e por vezes garoa fina. O clima cinza que também é típico de Montevidéu. De maneira que os deuses parecem ter entendido que até a cara do céu tinha de ser adequada a esse capítulo da história do futebol marcado para a Arena do Corinthians em Itaquera, na ZL. 

No trem da Linha 3-Vermelha do metrô de São Paulo, rumo ao Itaquerão, uruguaios e ingleses dividiam o espaço sob enorme expectativa por um jogo decisivo que era matar ou morrer para a Celeste e o English Team. Era engraçado notar como, em terra estrangeira, ingleses e uruguaios se ignoravam mutuamente dentro do trem, como se não se enxergassem.

O uruguaio Claudio Poggio demonstrava otimismo diante do desafio de sua seleção, que perdera na primeira rodada para a Costa Rica por 3 a 1 e precisava da vitória, assim como os ingleses. “Estamos indo para o estádio ver o Uruguai, vamos saber como será. Estamos com muito entusiasmo para conseguir um resultado positivo. É uma partida difícil, mas estamos otimistas porque tenemos a Suárez en la cancha”, disse ele, que chegou hoje mesmo, quinta-feira, ao Brasil.




Dois negros, africanos, estavam encostados à porta do trem do metrô, e conversavam num idioma que não era nem inglês, nem francês, nem espanhol ou italiano, nem nenhuma língua que eu conheça.

Logo adiante, no mesmo vagão, um grupo de ingleses conversava animadamente. Um jovem que se identificou como John Smith – um de milhares de jovens semelhantes a Wayne Rooney -- disse que estava achando “fantástico” estar participando da Copa do Mundo no Brasil. Contou ter estado em Manaus na estreia da seleção inglesa contra a Itália e saiu com ótima impressão da capital do Amazonas: “Very good, Manaus!”, me disse ele. Na capital do mundo tropical, a Itália havia batido a Inglaterra por 2 a 1 no sábado dia 14.




Tinha mais uruguaios do que ingleses na ZL hoje. Segundo informações das rádios, eram cerca de 3 sul-americanos para um europeu (o prefeito Fernando Haddad disse ontem que 400 mil turistas estão em São Paulo).

Mal sabiam todos esses personagens que – além do lindo espetáculo cultural, a Babel colorida em que se transformou São Paulo, contrastando com o céu cinza como os de Londres ou Montevidéu – eles eram testemunhas, e mesmo protagonistas, de um jogo épico, o melhor até aqui da Copa do Mundo.




A vitória por 2 a 1, graças a dois golaços de Luis Suárez, que o Uruguai construiu com talento e coração, virtualmente elimina a Inglaterra, time do qual mais uma vez se falou tanto, e que mais uma vez não deu em nada, como acontece desde 1966, quando ganhou seu único título mundial em casa.

É curioso, como notou o comentarista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, que a Inglaterra protagonizou as duas partidas mais espetaculares da Copa do Mundo até esta quinta-feira 19, mas por ironia está virtualmente eliminada, depois de perder para Itália e Uruguai pelo mesmo placar de 2 a 1.

Somando tudo, foi uma tarde emocionante, como uma epifania que só o futebol pode proporcionar.



Clima apropriado para um Uruguai x Inglaterra



Casal inglês olha o Itaquerão pela janela do metrô



Uruguaio otimista chega ao Itaquerão


sábado, 14 de junho de 2014

A Itália de Pirlo, a Holanda de Robben e a Costa Rica de Campbell


Resenha da Copa do Mundo [1 - sábado 14 de junho]


O destaques dos três primeiros dias da Copa, na minha opinião, são os citados no título do post.

Pirlo, o maestro italiano
Começando pelo fim, baita jogo esse Itália 2 x 1 Inglaterra na belíssima Arena da Amazônia. O meia italiano Pirlo, como joga bola! Com sua experiência e idade "avançada" (35 anos), faz o jogo acontecer. "É aquele cara que a gente vê jogar e diz 'como parece fácil'", como disse Milton Leite. A Itália -- com seu jogo clássico de sempre -- foi superior e mereceu vencer. Que golaço, o primeiro da Azzurra, pela construção de toda a jogada, a deixada de Pirlo e a conclusão precisa, de longe, de Marchisio. A Inglaterra poderia até ter empatado, lutou o quanto pôde, mas no fim acabou sucumbindo à superioridade italiana e ao calor de Manaus. Os ingleses fazem agora um jogo de vida ou morte contra o Uruguai, que perdeu inapelavelmente para a Costa Rica por 3 a 1. Acho muito, mas muito difícil que a Celeste Olímpica derrube o English Team, e quem perder tá fora. O time uruguaio é lento, sem criatividade, envelhecido, dá muito chutão e não mostrou nenhum futebol. E sem o grande Luizito Suarez nas melhores condições, poupado contra a Costa Rica na estreia porque se recupera de uma cirurgia, fica dramático. No grupo D devem se classificar Itália e Inglaterra. A Costa Rica tem chance e o Uruguai ainda também, mas a Celeste vai precisar jogar futebol, o que não fez na derrota para os costa-riquenhos.

O gol de Marchisio foi uma pintura:



O outro grande jogo da Copa até aqui foi a espetacular goleada da Holanda sobre a campeã mundial Espanha. Foi de 5 a 1 mas poderia ter sido mais. Robben marcou dois gols, deu um show e no segundo deixou o goleiro Casillas no chão. Não tem preço. A Espanha parece um time decadente e cansado. No mesmo grupo B, o Chile bateu a Austrália por 3 a 1. Tá certo, os cangurus devem perder de todo mundo. Mas se o Chile estiver inspirado contra a Espanha dia 18, vai despachar o time de El Rey. Arriba, Chile!

Dessa partida, dois foram os golaços: o primeiro (de Van Persie) e o quinto da Holanda, de Robben:








A retrospectiva chega no Brasil. Vendo e revendo um monte de vezes o pênalti no Fred, continuo achando que não foi um pênalti claro. Eu não marcaria e a decisão do juiz deu margem a que os contra o Brasil dissessem: "tá vendo, não falei, tá comprado!?" Mas se o pênalti não foi claro, também não foi esse escândalo que estão falando.No lance, o 9 brasileiro cai para trás, o que indica que foi puxado. Se esse puxão foi o suficiente pra matar a jogada dele ou se ele foi apenas malandro, só Fred e Deus sabem. Mas, quando o cara dobra o joelho e simplesmente cai, ele não cai para trás. Acho exagerado esse carnaval midiático todo denunciando o "roubo" do juiz. O pênalti marcado no Diego Costa da Espanha foi igualmente duvidoso e quase ninguém falou nada. E a Espanha foi massacrada pela Laranja Mecânica. O Brasil ganharia da Croácia de qualquer jeito.

Destaque também foi esse Campbell, o meia da Costa Rica que destruiu a defesa uruguaia nos 3 a 1 em Fortaleza. Muito bom jogador. Pra mim, até aqui, a revelação do Mundial.

O primeiro gol de Neymar contra a Croácia merece entrar na resenha, pois foi um dos quatro mais bonitos dos 28 marcados até este sábado 14.