quinta-feira, 19 de junho de 2014

Crônica de Uruguai x Inglaterra num dia de céu cinza e jogo épico na cidade de São Paulo


Resenha da Copa do Mundo [3 - quinta 19 de junho]
Itaquerão em dia do épico Uruguai x Inglaterra. Ou: uma tarde que Jean-Luc Godard poderia ter filmado em São Paulo







O clima em São Paulo hoje estava totalmente apropriado para Uruguai x Inglaterra. Um clima londrino, de céu cinza, frio, e por vezes garoa fina. O clima cinza que também é típico de Montevidéu. De maneira que os deuses parecem ter entendido que até a cara do céu tinha de ser adequada a esse capítulo da história do futebol marcado para a Arena do Corinthians em Itaquera, na ZL. 

No trem da Linha 3-Vermelha do metrô de São Paulo, rumo ao Itaquerão, uruguaios e ingleses dividiam o espaço sob enorme expectativa por um jogo decisivo que era matar ou morrer para a Celeste e o English Team. Era engraçado notar como, em terra estrangeira, ingleses e uruguaios se ignoravam mutuamente dentro do trem, como se não se enxergassem.

O uruguaio Claudio Poggio demonstrava otimismo diante do desafio de sua seleção, que perdera na primeira rodada para a Costa Rica por 3 a 1 e precisava da vitória, assim como os ingleses. “Estamos indo para o estádio ver o Uruguai, vamos saber como será. Estamos com muito entusiasmo para conseguir um resultado positivo. É uma partida difícil, mas estamos otimistas porque tenemos a Suárez en la cancha”, disse ele, que chegou hoje mesmo, quinta-feira, ao Brasil.




Dois negros, africanos, estavam encostados à porta do trem do metrô, e conversavam num idioma que não era nem inglês, nem francês, nem espanhol ou italiano, nem nenhuma língua que eu conheça.

Logo adiante, no mesmo vagão, um grupo de ingleses conversava animadamente. Um jovem que se identificou como John Smith – um de milhares de jovens semelhantes a Wayne Rooney -- disse que estava achando “fantástico” estar participando da Copa do Mundo no Brasil. Contou ter estado em Manaus na estreia da seleção inglesa contra a Itália e saiu com ótima impressão da capital do Amazonas: “Very good, Manaus!”, me disse ele. Na capital do mundo tropical, a Itália havia batido a Inglaterra por 2 a 1 no sábado dia 14.




Tinha mais uruguaios do que ingleses na ZL hoje. Segundo informações das rádios, eram cerca de 3 sul-americanos para um europeu (o prefeito Fernando Haddad disse ontem que 400 mil turistas estão em São Paulo).

Mal sabiam todos esses personagens que – além do lindo espetáculo cultural, a Babel colorida em que se transformou São Paulo, contrastando com o céu cinza como os de Londres ou Montevidéu – eles eram testemunhas, e mesmo protagonistas, de um jogo épico, o melhor até aqui da Copa do Mundo.




A vitória por 2 a 1, graças a dois golaços de Luis Suárez, que o Uruguai construiu com talento e coração, virtualmente elimina a Inglaterra, time do qual mais uma vez se falou tanto, e que mais uma vez não deu em nada, como acontece desde 1966, quando ganhou seu único título mundial em casa.

É curioso, como notou o comentarista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, que a Inglaterra protagonizou as duas partidas mais espetaculares da Copa do Mundo até esta quinta-feira 19, mas por ironia está virtualmente eliminada, depois de perder para Itália e Uruguai pelo mesmo placar de 2 a 1.

Somando tudo, foi uma tarde emocionante, como uma epifania que só o futebol pode proporcionar.



Clima apropriado para um Uruguai x Inglaterra



Casal inglês olha o Itaquerão pela janela do metrô



Uruguaio otimista chega ao Itaquerão


4 comentários:

Alexandre disse...

Lindo jogo. Tava na expectativa de acompanhar um desses belos jogos de Copa do Mundo, quando a magia parece estar muito mais aflorada nesses espetáculos, e claro, não poderiam faltar os protagonistas, como Luis Soárez e Rooney. Que jogo...que fera esse uruguaio.

Mayra disse...

Linda crônica, Edu! Desenha bem o clima de celebração q tá rolando nesta Copa nossa, doida, contraditória, sofrida,emocionante e linda, como somos nós os brasileiros, como são todos os povos do mundo quando se permitem o estado de celebração em praça pública!

Marcelo Tarde disse...

Excelente comentario Eduardo, muy acertado! Saludos! Marcelo.

Paulo M disse...

Eu concordava de início com quem discorda de que três campeões do mundo estejam reunidos numa mesma chave na fase de grupos. No entanto, o grupo D é o que mais deu brilho à Copa até agora. Uruguai, Inglaterra e Itália digladiam, enquanto a pequena Costa Rica, garantida nas oitavas, vai enfrentar o time que hoje ela mesma eliminou matematicamente, ao vencer a Azurra e colocá-la frente a frente com a Celeste pela outra vaga da chave... Justamente as duas azuis, que protagonizaram os dois melhores jogos da competição até agora, contra os ingleses, mas não jogaram nada contra os costa-riquenhos. No jogo decisivo, Itália (decepcionante hoje) x Uruguai, acho que dá Uruguai, embora os italianos joguem pelo empate. Mas dê lá no que der, é a melhor Copa de todos os tempos, he he... Boa crônica, boa Copa a todos...