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domingo, 13 de julho de 2014

Alemanha é tetra no Maracanã


Resenha da Copa do Mundo [16 - domingo, 13 de julho]



Um grande e merecido título da Alemanha, a quarta Copa do Mundo de sua história. As outras foram em 1954, 1974 e 1990.

Ficha técnica

Alemanha 1 x 0 Argentina


Local:  estádio do Maracanã - Rio de Janeiro
13 de julho de 2014
Árbitro: Nicola Rizzoli (ITA)
Público:  74.738 espectadores
Gol: Gotze, aos 7 minutos do segundo tempo da prorrogação

Alemanha: Neuer; Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Schweinsteiger e Kramer (Schurrle); Muller, Kroos e Ozil (Mertesacker); Klose (Gotze) Técnico: Joachim Low

Argentina: Romero; Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia, Enzo Pérez (Gago) e Messi; Lavezzi (Aguero) e Higuaín (Palacio) Técnico: Alejandro Sabella


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Schweinsteiger com a taça: mais do que justo

J.P.Engelbrecht/ PCRJ


J.P.Engelbrecht/ PCRJ


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil


Carmem Machado

A final da Copa do Mundo


Resenha da Copa do Mundo [15 - domingo, 13 de julho]


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Schweinsteiger, um dos símbolos da revolução do futebol alemão

Poucos times mereceram tanto ganhar a Copa do Mundo  na história como a Alemanha hoje na final contra a Argentina no Maracanã. Pelo trabalho de renovação espetacular do futebol no país, feito desde 2002, algo que mexeu com a estrutura, alavancou os investimentos em talentos com parcerias entre clubes, empresas e  governo e revolucionou o esporte, algo que tanto se defende no Brasil.

Algo que países como Brasil e Argentina ainda estão longe de fazer, ambos afundados na administração oligárquica do futebol, pela nossa CBF e pela AFA de Julio Grondona, o Ricardo Teixeira argentino, que está no poder desde 1979.

O time de Schweinsteiger, Kroos e Khedira merece o título também também pelo grande futebol que jogou na Copa, fruto desse magnífico trabalho de longo prazo.

E finalmente pela alegria, cordialidade e respeito pelo Brasil e o profissionalismo com que se mantiveram em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, na Vila de Santo André, deixando inclusive investimentos em uma escola pública.

Porém, os alemães têm pela frente um grande time, a Argentina de Alejandro Sabella, que cresceu pouco a pouco, foi se montando taticamente durante a competição e chega à final contra a equipe de Joachim Low para fazer um jogo de igual para igual.

A Alemanha é favorita e merece o título. Torço para a Alemanha. Mas, como se sabe, o futebol muitas vezes ignora o merecimento.



quarta-feira, 9 de julho de 2014

Alemanha e Argentina fazem a negra



Resenha da Copa do Mundo [14 - quarta-feira, 9 de julho]


Valter Campanato/ Agência Brasil
Hermanos comemoram ida à final, o que não acontecia desde 1990

Torci para a Holanda, mas não fiquei insatisfeito com a classificação argentina.

Minha rivalidade com a Argentina de Di Stéfano, Maradona e Messi é apenas futebolística, e não cultural, política ou outra. Adoro Buenos Aires e lá qualquer brasileiro é sempre muito bem recebido. Admiro o futebol argentino, que encanta e surpreende, mas sobretudo encanta com sua magia, porém achava, e ainda acho, que a Holanda merece um título, pela história que construiu no futebol.

Posto isso, a Argentina merece estar na final, depois de um jogo muito ruim em que tanto os hermanos como os orange só pensaram em não perder e não tomar gol. Renegaram o ataque. Os craques Messi e Robben, muito marcados, tiveram atuação apagada. As equipes preferiram deixar na mão dos deuses e ir para a disputa de pênaltis. Nenhum dos dois mereceu ganhar o jogo e qualquer um que vencesse os pênaltis teria merecido. Foi a Argentina.

A Alemanha tem enorme favoritismo na final. Não vai fazer 7 a 1 na Argentina. Mas se der a lógica, os germânicos devem levantar a quarta Copa do Mundo, repetindo 1954, 1974 e 1990, evitando que o time de Messi conquiste o Mundial, o que conseguiu em 1978 e 1986.

Nota curiosa é que Argentina x Alemanha fazem a negra. Decidiram as copas de 1986, vencida pelos sul-americanos comandados por Maradona por 3 a 2, e de 1990, que os germânicos conquistaram por 1 a 0 graças a um pênalti inexistente marcado pelo árbitro da partida no finzinho do jogo. Pareceu-me à época que aquele pênalti a favor da Alemanha na final de 90 foi premeditado, como se a Fifa, então, se vingasse da “mano de Diós” de Maradona de quatro anos antes.

Mas na final de domingo, a Argentina vai precisar encontrar uma fórmula mágica para vencer o coração da Alemanha, que é seu meio de campo monstruoso formado por Schweinsteiger, Kroos, Khedira e Özil, e ainda com Müller circulando pelo campo.

Mascherano (que tem jogado uma barbaridade, um verdadeiro líder que o Brasil nunca teve), Biglia, Enzo Pérez e Messi foi o meio de campo argentino que enfrentou a Holanda, e que não me parece páreo para o quarteto alemão, mesmo que Di Maria volte e jogue no sacrifício. Messi fez um jogo apagado contra a Holanda. Talvez o jogo mais franco e agressivo da Alemanha favoreça seu jogo, talvez ele encontre espaços.

Enfim, a Alemanha deve ser a campeã da Copa das copas no Maracanã, no próximo domingo. A menos que o imponderável apareça, e Messi brilhe. Senão, vai ser difícil. "Vai ser difícil porque [a Argentina] tem pela frente uma Alemanha quase perfeita", disse o comentarista argentino Juan Pablo Sorín, da Espn, agora há pouco, que sabe do que está falando. Foi um grande lateral esquerdo e jogou até 2006 pela seleção argentina.

Outro comentarista do mesmo canal, o Mauro Cézar, disse uma frase interessante: "A Argentina tem mais apetite, a Alemanha tem mais time".

Enfim, a ver.



segunda-feira, 7 de julho de 2014

As semifinais



Resenha da Copa do Mundo [12 - segunda-feira, 7 de julho]


Brasil x Alemanha
Holanda x Argentina



Marcello Casal Jr/ Agência Brasil


Não tem como apontar favoritos. Com Neymar no time, jogando em casa e considerando que a Alemanha é freguesa do Brasil, o time de Felipão levaria um favoritismo, na minha opinião. Os times jogaram três partidas oficiais na história e a seleção brasileira ganhou todas: 4 a 0 (1999 - Copa das Confederações), 3 a 2 (2005 - Copa das Confederações) e 2 a 0 (2002 – final da Copa do Mundo). No total foram 21 jogos entre as duas seleções, com 12 vitórias brasileiras, 5 empates e 4 dos alemães.

A verdade é que o time brasileiro, que já era limitado, perde ainda mais “em carisma, futebol e alegria com a saída do Neymar”, como disse Paulo M. em comentário ao post anterior ao falar da Copa sem o craque brasileiro. Se o Brasil vai superar a perda e ultrapassar a eficiência germânica, seja com Willian ou Bernard, só conferindo. A escolha de Scolari deve ser Willian, que joga com Oscar no Chelsea e, além de ser mais jogador, é a solução mais óbvia também por isso.

Fala-se em garra e união para suplantar a ausência do craque do time e ter força para bater uma equipe que tem o goleiro Neuer, Lahm, Özil, Schweinsteiger, Müller e até Klose, jogador que às vezes joga, às vezes não, e pode fazer seu 16o. gol, ultrapassando Ronaldo como o jogador com o maior número de gols em todas as copas. Mais uma vez penso em como poderia ser diferente se o elenco tivesse jogadores como Ganso, Robinho e Kaká para poder usar numa hora dessa. E ainda tem que pensar na mudança na dupla de zaga, já que Thiago Silva, suspenso, será substituído por Dante.

Dante é canhoto, e David Luiz, embora destro, prefere jogar pela esquerda, mas vai ser deslocado para a direita da defesa para Dante entrar. Mudar uma defesa que está dando certo num jogo como esse... Ou seja, o time perde a força do ataque e muda a defesa contra um time organizado, forte no ataque, com uma bola parada perigosíssima, e que joga em bloco. 

Já a outra semifinal, também de impossível prognóstico, reúne um time que vem crescendo ao longo da competição (Argentina), mas perdeu Di Maria (o melhor da seleção sem contar Messi) e outro que joga com impressionante frieza (Holanda) e tem em Van Gaal um técnico que decide jogos.

Não tenho esse negócio meio bobo de torcer contra a Argentina, como muitos que ficam papagaiando uma rivalidade que, aliás, nem é tão grande para os argentinos, pois para eles os maiores rivais são historicamente Uruguai e Inglaterra.

Mas, no caso, vou torcer para a Holanda, embora às vezes a gente só descubra para quem vai torcer num jogo desse quando ele começa e a gente vê para onde o coração aponta.

Na verdade a Holanda é o único dos semifinalistas que não tem título mundial, já tendo passado perto muitas vezes e chegado ao vice-campeonato três vezes (1974, 1978 e 2010). Acredito que a Holanda mereceria um título, pela história que já construiu no futebol.

Argentina x Holanda vai ser a paixão com que os Hermanos encaram uma partida como essa contra o jogo matemático e tático com que o time de Van Gaal tem jogado nesta Copa. Falaram mal da Holanda por ter vencido a Costa Rica nos pênaltis. Mas, por incrível que pareça, dava a impressão que os holandeses tinham o tempo todo certeza de que venceriam. É impressionante a calma com que esse time joga. E às vezes é mais difícil vencer um timinho retrancado e limitado como essa Costa Rica do que um grande oponente. A Holanda chutou três bolas na trave, o goleiro consta-riquenho defendeu tudo e, ao fim, ganhou a Copa do Mundo com a classificação de um grande time.

Tenho acertado palpites aqui no blog. Disse no  post sobre as quartas de final (resenha 10) que “meu palpite é de que as semifinais serão Brasil x Alemanha e Holanda x Argentina”. E também, na resenha 11, antes de Brasil x Colômbia, que “acho que nesta sexta-feira nós passamos pela Colômbia. Meu palpite é 2 a 1”.

Os palpites anteriores eram baseados em alguma, ou muita, lógica, ao contrário das semifinais. Mas, para não perder o hábito, acho que a final vai ser Brasil x Holanda.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Brasil x Colômbia: o criticado Henrique pode ser um trunfo decisivo de Felipão



Resenha da Copa do Mundo [11 - sexta-feira, 4 de julho]


Ricardo Stuckert/ CBF
Ou vai ou racha


Scolari deve colocar contra a Colômbia novamente Paulinho (para substituir Luiz Gustavo, suspenso). Mas, além disso, pelo que se viu do treino de quinta-feira (3), poderia também pôr Henrique no lugar de Fred. Não se sabe se vai apenas substituir Luiz Gustavo por Paulinho, se vai substituir Luiz Gustavo por Henrique ou se, numa mexida tática mais ousada, entraria com Paulinho no lugar de Luiz Gustavo e, como se especula, também escalar Henrique sacando Fred, fazendo o time ser aparentemente mais defensivo mas, na prática, ter mais opções de jogo do que tem com um centroavante estático esperando a bola chegar (o que é infrutífero se não tem um armador criativo, tipo Ganso, no meio de campo). Não esquecer que há ainda outro volante, Fernandinho.

Mas como assim, um volante-zagueiro (Henrique) no lugar de um centroavante (Fred)? Ainda mais Henrique, amigão do técnico, como escrevi no post anterior.

Mas acho que, ao contrário de algumas opiniões pessimistas, Henrique (ex-Palmeiras) pode ser de grande valia. Não é um craque, mas é um jogador versátil, que, além de ser da confiança de Felipão, sabe transitar com certa desenvoltura num setor amplo que vai da zaga ao meio de campo avançado. Dizem palmeirenses que Henrique sabe passar e até faz gol. Pode atuar como terceiro zagueiro num 3-5-2 ou como o volante que chega de trás para surpreender a zaga colombiana, assim como Paulinho. Talvez com Paulinho e Henrique, e sem o inoperante Fred, o poder de fogo do time aumente, até porque os laterais terão mais cobertura e até mesmo Oscar e Neymar ganham mais liberdade e apoio. 

E tem justamente o fator Neymar. Ele não fez gol no último jogo. Deve fazer na Colômbia. Alguns amigos me mandaram informações segundo as quais o treinador da Colômbia, o argentino José Pekerman, é um estudioso que ganhou do Brasil várias vezes nas disputas das seleções de base. Mas a mídia não fala que Pekerman era o treinador da Argentina na final da Copa das Confederações em 2005, quando o Brasil de Carlos Alberto Parreira massacrou os hermanos de Pekerman por 4 a 1.

Podem ser só elucubrações. Mas não acho que Henrique tenha sido a pior das piores escolhas de Felipão na convocação, como ouvi de amigos hoje. Jô, Bernard e Willian são três jogadores medíocres, para usar um termo ameno, que não deveriam estar entre os convocados e já mostraram isso. Não vejo Henrique como um problema entre os convocados, mas os três antes citados são convocações visivelmente equivocadas. Felipão se tocou de alguns erros, inclusive deixou transparecer isso no famoso papo com alguns jornalistas escolhidos por ele a dedo, esta semana.

Seja como for, repito, acho que nesta sexta-feira nós passamos pela Colômbia. Meu palpite é 2 a 1.

Para lembrar uma efeméride: hoje, 4 de julho, faz 20 anos que o Brasil de Parreira ganhou de 1 a 0 dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1994, sediada nos EUA, gol de Bebeto.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

As quartas de final



Resenha da Copa do Mundo [10 - quinta-feira, 3 de julho]


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Felipão e seu capitão chorão Thiago Silva



O que espero da próxima fase da Copa do Mundo.


Brasil x Colômbia

Seria impensável antes da competição imaginar que uma partida de quartas de final da Copa do Mundo no Brasil reunindo a seleção brasileira e a colombiana fosse de difícil prognóstico. Mas a palavra para definir o que se pode esperar desse jogo é: imprevisível.

Técnica e taticamente o time de Felipão está dando nos nervos de quem entende e de quem não entende de futebol. São vários problemas conhecidos: ausência de um armador no meio de campo, ligação direta, laterais fracos, atacantes inoperantes (não apenas por não haver quem os abasteça de bolas, mas porque são fracos mesmo).  Jô é tão pior do que Fred que a opção que Scolari utilizou no treino como opção no lugar de Fred foi o volante-zagueiro Henrique, amigão do técnico. Até mesmo o “general” Felipão aparenta estar meio perdido.

Fora tudo isso, há o problema emocional. Tostão escreveu que, ao contrário da opinião geral, ele vê como positiva a emoção e a choradeira dos jogadores. “...a onda é dizer que o problema maior da seleção é emocional, que os jogadores não suportam a pressão e que choram demais, como se o choro fosse incompatível com a razão e a lucidez. Penso o contrário. O que salva a seleção é o envolvimento emocional dos jogadores”, disse. A opinião de Tostão é sempre respeitável, mas discordo dele. Como dizia minha avó, "tudo o que é demais enjoa". É choro demais. Um time emocionalmente desequilibrado, em que o capitão (Thiago Silva) pede pra não bater pênalti e fica sentado na bola chorando é meio ridículo. Espero que Tostão tenha razão, mas...

Enfim, não se pode cravar que vai dar Brasil. Mesmo assim, não sei por que, minha intuição me diz que passaremos pela Colômbia. Mas não sei se é intuição ou simples coração de torcedor.

França x Alemanha

Um jogo de difícil prognóstico. Acredito no favoritismo dos germânicos, que têm um time mais sólido e bem montado do que a equipe francesa, que tem vários talentos individuais e um jogo rápido. Mas o time, me parece, deixa muitos espaços e não é muito compacto. A Alemanha venceu a ótima Argélia num jogo espetacular pelas oitavas. A França bateu a fraca Nigéria, e não creio que tivesse superado os argelinos.

Holanda x Costa Rica

Acho quase impossível que os centro-americanos vençam os europeus nesse confronto. Parece-me o duelo mais fácil. Acredito que a Holanda, que despachou o México, vença, não com muita facilidade, mas nos 90 minutos, sem prorrogação. A Costa Rica bateu nas oitavas a limitadíssima Grécia.

Argentina x Bélgica

Um jogo em que a Argentina é favorita, para mim. Mas é um favoritismo que pode ser contrariado. O time sul-americano, que derrotou a retranqueira Suíça, tem mais talentos, mas o velho problema de sua defesa vulnerável pode comprometer. E o goleiro argentino, Romero, não é confiável. Os rápidos belgas, porém, demonstraram no dramático jogo com os Estados Unidos que, ao contrário da Suíça, sua defesa confessa, se apertada, e o time não parece destinado a se retrancar. Se se abrir contra os hermanos, perderá. Posso errar, mas acho que dá Argentina.

Semifinais

O vencedor de Brasil x Colômbia pega o que sobrar de França x Alemanha. Do outro lado vão se enfrentar os ganhadores de Argentina x Bélgica e Holanda x Costa Rica. 

Meu palpite é de que as semifinais serão Brasil x Alemanha e Holanda x Argentina.


terça-feira, 1 de julho de 2014

Crônica para argentinos e belgas em dia de céu azul em São Paulo - e saudações aos estadunidenses


Resenha da Copa do Mundo [9 - segunda-feira, 1o. de julho]


Viaduto do Chá

Hoje foi um dia em que, andando pelo metrô e pelas ruas de São Paulo, vendo incontáveis argentinos e, mais tarde, alguns belgas pelas ruas da cidade, trens, estações e plataformas do metrô, veio de repente à minha mente uma passagem da canção London, London, de Caetano.

He seems so pleased, at least
And it's so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree

A Copa do Mundo no Brasil, seja pelo futebol, seja pela festa, cores e línguas, é espetacular e emocionante.

No centro da maior cidade da América do Sul, as pessoas vestidas de azul, de azul e branco, de amarelo, de preto vermelho e amarelo, passam por mim felizes, brincando, umas cantando, outras silenciosas, outras simplesmente bêbadas.

And it's so good to live in peace
And Sunday, Monday, years, and I agree


Esquina do Viaduto do Chá e rua Xavier de Toledo

Num hotel em que fui para cobrir um evento político, o evento não começou enquanto o duelo Argentina x Suíça não acabou. Jornalistas, políticos, funcionários do hotel olhavam para a televisão ligada no hall. A esmagadora maioria torcendo para a Suíça. Ou melhor, contra a Argentina. Torci para a Argentina, nem que seja para fazermos com eles a sonhada final da Copa das Copas do Brasil, embora, se fosse apostar hoje, só pensando em futebol, eu talvez apostasse numa final entre Alemanha x Holanda. Eu era um dos únicos a ver aquele absurdo que acontecia no estádio de Itaquera: um time, ainda que meio desorganizado, tentando a qualquer custo chegar ao gol, por todos os meios, pelas pontas, pelo meio, por chuveirinho, numa partida em que Di Maria acabou superando Messi e finalmente pôs fim à esperança suíça.

O time de vermelho calculou que conseguiria ficar 120 minutos destruindo, destruindo e destruindo para conseguir ganhar nos pênaltis. Calcularam e quase conseguiram, mas os deuses do futebol puseram fim àquela arrogância de querer matar a alegria. Pois o que queriam os suíços senão isso? Evitar, evitar e evitar o gol. Foi para isso que entraram em campo. E foram punidos ao tomar o gol quando as cortinas estavam se fechando.

Segundo a CBN, um argentino infartou no Itaquerão diante do drama em que se transformou a partida. Morreu no hospital. Acho que não viu seu time finalmente bater a Suíça. Se assim foi, não viu um dos gols mais bonitos da Copa, a jogada de Messi vencendo na corrida e no drible a zaga suíça, o passe perfeito na diagonal e a conclusão de craque do camisa 7 da Argentina. Realmente, espetacular.

O time argentino furou o ferrolho vermelho e agora pega a estranha Bélgica nas quartas, que ganhou dos Estados Unidos por 2 a 1 em outro jogo impressionante, que foi para a prorrogação depois de 90 minutos de 0 a 0 e incontáveis gols perdidos, principalmente da Bélgica, um time habilidoso, com jogadores como Mertens, Hazard, De Bruyne e Orig, mas que, não sei se por azar ou nervosismo, perdeu um caminhão de gols enquanto o time norte-americano, bem postado, taticamente bem armado, ameaçava nos contra-ataques.

Os Estados Unidos de Zusi, Bradley e Dempsey, contra todas as expectativas, não ganharam o jogo em Salvador porque, aos 47 minutos do segundo tempo, o atacante Wondolowski perdeu um gol inacreditável quando a bola subiu e caiu aos seus pés, na frente do goleiro, e ele chutou bisonhamente para fora, para desespero do técnico deles, o alemão Jurgen Klinsmann, por ironia um dos maiores atacantes da história da Alemanha. Deu dó de Klinsmann, que pôs as mãos no rosto para tentar talvez esconder a sua incredulidade.

Como o jogo acabou 0 a 0 e na prorrogação a Bélgica fez 2 a 1, o erro do Wondolowski custou a classificação dos americanos. E perderam outro numa linda jogada ensaiada no fim da prorrogação. Pela luta, mereciam ter conseguido o empate. Pena.

Vi norte-americanos muito simpáticos torcendo feito doidos pro time deles num restaurante em São Paulo semana passada. Não torci contra eles. Pelo contrário. Sou do contra. Já disse que para mim futebol e política não têm nada a ver.


Belgas e argentinos no metrô de São Paulo. Vão se ver nas quartas

Metrô - Linha 4-Amarela


Viaduto do Chá

Alemanha 2 x 1 Argélia: um jogo para a antologia


Resenha da Copa do Mundo [8 - segunda-feira, 30 de junho]

A palavra épico está se tornando um clichê para se referir a jogos desta Copa do Mundo espetacular. Mas de novo recorro a ela para falar desse jogo impressionante, antológico, digno de adjetivos, algo de que não gosto na escrita, que foi Alemanha 2 x 1 Argélia pelas oitavas-de-final, em Porto Alegre.

Ivo Gonçalves/ PMPA


Cheguei a ficar triste com a desclassificação dos argelinos, que os alemães só conseguiram derrotar depois de lutar incessantemente por 120 minutos. Foi o único time africano para o qual torci nesta Copa. Têm um futebol insinuante, como disse o Gerd Wenzel.

Bem montado na defesa, a começar do goleiro Raïs M'Bolhi, com suas intervenções incríveis, com contra-ataques espetaculares, uma vontade quase religiosa de vencer, mas muito diferente daquela vontade bruta e ignorante que às vezes vemos em certos times. A gana do time da Argélia parece ter a ver com a biografia de seu técnico, o bósnio Vahid Halilhodzic, que vale a pena conhecer: Sobrevivente de guerra, ídolo no Nantes e cavaleiro francês: conheça Vahid Halilhodzic.

Poucas vezes vi na vida um jogo com intensidade igual. Parabéns à Argélia, o país de Albet Camus. E a Alemanha, com seu futebol tático, continua devendo.

Já a França bateu a fraca Nigéria por 2 a 0. Bem penteadinhos, os franceses pareciam que estavam jogando uma partida de futebol de praia. Com postura blasé, a seleção francesa se baseia na rapidez, na troca de bola rápida, mas tem uma defesa vulnerável, principalmente pelas alas, e meu palpite é que, se a Argélia não bateu a Alemanha, não vão ser os franceses.