domingo, 26 de maio de 2013

Valeu, Rey


Reprodução



"Galera !!
Tô aqui reunido com amigos e familiares e eles me ajudaram a escrever algumas coisas aqui...
É que não vou aguentar até segunda-feira...
Minha família e meus amigos já sabem a minha decisão. 
Segunda-feira assino contrato com o Barcelona. Quero agradecer aos torcedores do Santos por esses 9 anos incríveis. Meu sentimento pelo clube e pela torcida nunca mudará.
É eterno !!
Só um clube como o Santos FC poderia me proporcionar tudo o que vivi dentro e fora de campo.
Sou grato a maravilhosa torcida do peixe que me apoiou mesmo nos momentos mais difíceis.
Títulos, gols, dribles, comemorações e as canções que a torcida criou pra mim estarão pra sempre em meu coração...
Fiz questão de jogar a partida amanhã em Brasília. Quero ter a oportunidade de mais uma vez entrar em campo com o "manto" e ouvir a torcida gritar meu nome... como diz o hino, "é um orgulho que nem todos podem ter..."
É um momento diferente pra mim, triste (despedida) e alegre (novo desafio). 
Que Deus me abençoe nas minhas escolhas...
E estarei sempre em Santos !!"



7 comentários:

Paulo M disse...

Me lembro de quando, no passado, as reverências da MPB e da literatura a grandes artistas da bola eram comuns no país do futebol. Neymar já teria sido agraciado com um "Fio Maravilha", de Jorge Ben, ou um "Ademir da Guia", de João Cabral,
ou até um "Love, love, love", de Caetano Veloso.
Hoje, o 'romantismo' do futebol cedeu lugar às necessidades de mercado. Neymar, aos 21 anos, vai embora emprestar seu carisma dentro e fora de campo aos espanhóis. Essa grande figura vai deixar saudades em santistas, mas também em palmeirenses, corintianos, flamenguistas... Torço para que desempenhe seu melhor no Barcelona. Uma pena...

Difícil será para o Santos (e principalmente para o Muricy, escondido na sombra de Neymar) desvencilhar-se de um mito.
Esses técnicos estrelinhas não se conformam com seu papel coadjuvante.

Resta ao time da Vila reciclar-se. Não é fácil perder Neymar.

Alexandre disse...

Eu mesmo me emocionei com a despedida desse garoto. Imagino os santistas nessa hora. Realmente vai demorar pra se acostumar sem o grande Neymar. Perdemos a maior atração da arte do futebol brasileiro da atualidade, mas ganhamos quando temos mais um para o rol dos atletas geniais do esporte brasileiros, além das fronteiras. Parabéns, Santos, parabéns Neymar. Boa sorte no Barça, que agora parece que vai, hehe...Messi e Neymar, barbaridade!!
Mas que bolada, hein? Dá pra montar mais um Santos aí!

Gabriel disse...

Se há poetas, músicos, atores, dançarinos, cineastas etc.; e se há um grande poeta, um grande músico etc., há também artistas em outros ramos, todos provando que a entrega a que se propõe um artista, principalmente em relação a como ele enxerga a vida e logo a seguir à sua disposição para expressar as suas impressões. Dizem que o futebol é um grande negócio multimilionário, mas se esquecem que no mínimo 90% dos jogadores de futebol profissionais ganham uma miséria em busca do sonho. Ou, se não ganham uma miséria, ganham como qualquer trabalhador de vida difícil, ainda considerando que a carreira de um jogador é curta. Os jogadores, na grande maioria, vêm de uma classe social com baixos ou baixíssimos recursos, o que quer dizer que o grande negócio é para os grandes jogadores. Não desejo que seja assim; preferia que tudo o que é feito por prazer não fosse remunerado com dinheiro e que o trabalho fosse apenas para manter a Sociedade saudável e que a recreação fosse desvinculada do trabalho com fins coletivos de subsistência. Mas, estamos cansados e tristes de saber que não é assim, que muitos artistas virtuosos morrem e enlouquecem na sombra de seus sonhos não realizados. Com isso quero só dizer que a fortuna de um artista não tira a sua dignidade: na verdade, esse discernimento é bastante complexo, uma vez que temos charlatões ganhando milhões, também. Portanto, se há músicos e cineastas etc. multimilionários que possuem castelos e mansões e muito mais, pague-se o proporcional a um grande artista com a bola nos pés. O mundo é mesmo injusto: Van Gogh morreu miserável e poetas nunca enriquecerão vendendo poesia, enquanto músicos, cineastas e craques lucram milhões, mas, repito, isto não pode apagar o brilho de uma arte bem feita. E, se não sou muito cego, o Rey nunca demonstrou pensar em $ dentro de campo, porque se pensasse, não seria o que é, porque os gananciosos só ganham milhões através da charlatanice. Pague-se o quanto quiser ao Rey (a mim pouco importa. Se importasse, já eu teria me jogado do abismo) e verão que a ele só importa fazer a sua arte.
Na minha opinião, vai-se o segundo maior jogador, por enquanto, do futebol brasileiro. Mas não vai pro além e, creio eu, não por dinheiro, mas pela experiência de jogar e viver em outro mundo, no segundo maior time do mundo, que perde, não em títulos ou em recursos, mas em mágica e surpresas, apenas para o misterioso alvinegro da Vila Belmiro.
Continuarei fazendo meus versinhos e minhas músicas sem recursos e sem rancores, porque a arte sempre foi superior a essas sovinices dos homens ignorantes, por isso resiste a uma História toda cheia de mentiras descaradas e dos milhões, em ouro, em escravos ou em dólares.
Como qualquer mamífero digno, o Rey reconhece o valor dos que o guiaram, isto é suficiente. E se jogadores de futebol ganham milhões, ele é que não tem culpa. Não se pode pedir que ele fique a vida toda no Santos, assim como não se poderia pedir que os Beatles ficassem a vida toda em Liverpool.
Vai, Rey, vai Reynar.

Edu Maretti disse...


Uma salva de palmas

Gabriel Megracko disse...

Aliás, esse negócio de Neymar e Messi no mesmo time é estranho... é tipo Maradona e Pelé jogando no mesmo time. Não que eu esteja equivalendo Pelé e Neymar e Maradona e Messi, mas, afinal, o Neymar tem 138 gols só pelo Santos e tem 20 ou 21 anos, sei lá... Absolutamente nada impede que o Neymar jogue mais que o Pelé (precisamos derrubar os mitos)... e não sei se o Messi já não joga tanto quanto o Maradona... mas não tem a mesma personalidade, isso é inegável... Já o Neymar, acho mais gente que o Pelé. A Copa aqui promete ser uma catástrofe espetacular!

Edu Maretti disse...

Bem, agora vou discordar. Messi não joga tanto quanto Maradona e nunca jogará. Precisamos derrubar os mitos, é vero.

Mas não é fácil derrubar mitos. Acho que Neymar e Messi têm de pelo menos ganhar uma Copa do Mundo para começar a chegar perto dos dois mitos. Acho a distância de Messi para Maradona astronômica e ainda maior do que de Pelé para Neymar. Quem viu Maradona ganhar a Copa de 1986 praticamente sozinho jamais esquecerá. Foi um dos maiores momentos da história do futebol. O que Maradona fez do Nápoli foi talvez algo jamais visto: transformou um time pequeno, que nunca tinha ganhado nada, em um campeão da Copa da Uefa e duas vezes campeão italiano. A diferença de Maradona para Messi é que o melhor jogador do ex-"melhor time da história" (por uma ou duas temporadas, rs) é um craque; Maradona era um gênio.

Neymar quebrou um mito: ganhou a Libertadores, que o Santos só ganhara até então "na época da bola de capotão", na era Pelé, e elevou o Santos novamente ao âmbito mundial. É por isso que Neymar é Rey! Herdou a coroa. Infelizmente os tempos são outros e ele já se foi.

Também acho Neymar mais gente que o Pelé, assim como Maradona, como pessoa, é muito mais interessante do que o Pelé. Já o Messi, como personalidade, nem fede nem cheira. É insípido.

Edu Maretti disse...

E de minha parte encerro dizendo que achei bonitas as manifestações dos comentários acima, que inclusive me emocionaram. O Paulo falando de poesia, de João Cabral e de Caetano; do palmeirense Alexandre confessando ter-se emocionado "com a despedida desse garoto" ("vai demorar pra se acostumar sem o grande Neymar" - imagine para nós santistas, Alê); Gabriel, com o verdadeiro e emocionante panegírico! (tudo foi emoção); o porteiro do meu prédio, que na segunda-feira me recebeu dizendo: é, seu Edu, perdemos o Neymar...

Tudo isso por causa de um menino que mudou a história do Santos.

Confesso que pra mim o futebol perdeu muito do encanto e vai ser difícil recuperar.

Como diz Drummond no post que publiquei hoje:

"Você não está mais na idade
de sofrer por essas coisas."

Há então a idade de sofrer
e a de não sofrer mais
por essas, essas coisas?


Mas, enfim, como disse o Gabriel, não se podia pedir que ele ficasse "a vida toda no Santos, assim como não se poderia pedir que os Beatles ficassem a vida toda em Liverpool".

Valeu